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Abstracionismo

Abstração

Em geral entende-se como abstração toda a atitude mental que se afasta ou prescinde do mundo objetivo e seus múltiplos aspectos. Refere-se, por extensão, no que tange à obra de arte e ao processo de criação, suas motivações e origens , a toda a forma de expressão que se afasta da imagem figurativa.

Max Perlingeiro, in "Abstração como linguagem: perfil de um acervo" Editora Pinakotheke. SP

No contexto da Arte moderna, o sucesso da chamada arte abstrata foi tão grande que a conceituação a respeito passou a ser feita muitas vezes apressadamente, sem a devida atenção ao significado legítimo de "abstração". Esse conceito se refere à operação de abstrair, que significa, em princípio, retirar, separar ou eliminar certas características ou certos elementos de um todo originalmente integrado. Por meio da operação abstrativa é possível efetuar-se a seleção de determinados aspectos semelhantes - a fim de que a atenção possa melhor concentrar-se neles.

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Obra figurativa: Nome: Mulher com jarra de água Autor : Johannes Vermeer Data: 1660
Acervo Marquand Colletion of The Metropolitan Museum of Art - N.Y.

Usando um simbolismo meio simplista, mas de efeito claro e para fins didáticos, podemos comparar a obra figurativa com uma canção com versos. Ao ouvirmos a interpretação do cantor, percebemos com facilidade o que o compositor nos deseja contar. A obra abstrata, por sua vez, pode ser comparada a uma melodia sem versos. E cabe ao ouvinte deixar-se levar pela música e sentir, quase sem nenhuma indicação explícita, a proposta do compositor.

Mas, para entender a arte abstrata em sua complexidade, recomenda-se ampliação do repertório de conhecimentos sobre Arte, visitando exposições, lendo, vendo e, principalmente, visitando a História.

A pintura dentro do fazer artístico, até meados do século XVIII, seguia normas rígidas nas soluções e preocupações dos artistas com a figura.

Tanto assim que as academias ensinavam que havia quatro temas a serem desenvolvidos na pintura: natureza morta, retrato, paisagem e marinha, e um tema denominado alegoria, ou pintura alegórica.

Na natureza morta, os objetos ou figuras apresentam-se em um ambiente interno afastado da natureza. São representados seres vivos, mas que se sabe inanimados (daí o termo natureza morta, traduzido do francês, e que recebeu em inglês a denominação de still life). Flores e frutos, mesmo que frescas e viçosas, aparecem nas telas repousadas sobre superfícies ou colocadas com esmero em jarros ou vasos de materiais diversos.

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Obra figurativa: Nome Flores e doces Autor: Pedro Alexandrino Data: 1900 Acervo: Pinacoteca do Estado de SP

Animais de caça e pesca à espera do cozinheiro. Pães, facas e cestos surgem sobre um planejamento calculadamente despojado.

O retrato, quase sempre, colocava o personagem em posturas estudadas, com luzes e sombras perfeitamente controladas e, dependendo da maior ou menor habilidade e sensibilidade do artistaretratista, a personalidade do retratado poderia emergir nas feições e na postura do modelo.

As paisagens são, talvez, as obras figurativas mais apreciadas antes do surgimento das regras acadêmicas e depois da decadência delas. A paisagem situa as pessoas em locais diversos do seu cotidiano, e a nostalgia transmitida pelo estar- não-estar sempre encanta.

O mesmo pode-se dizer das marinhas: rios ou mares revoltos; plácidas areias de uma praia tranqüila; azuis celúreos ou névoas espessas; o brilho e a escuridão das águas profundas.

A pintura alegórica está ligada ao conhecimento, aos signos, e conta, por meio de símbolos, as passagens, momentos ou políticas ligadas mais diretamente ao tempo e ao espaço onde se desenvolve. Provoca sentimentos e sensações, mas exige erudição.

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Obra abstrata Título Estaleiro Velrôme Autor: Lucio Pegoraro Data: 1986 Acervo do autor

Portanto, todas essas sensações estão bem claras nas obras figurativas clássicas.

E a pergunta que surge é: Como e por que os artistas abandonaram essas propostas estéticas tão apreciadas, já introjetadas no inconsciente e aceitas de imediato ao primeiro olhar?

A Arte não é estática. O artista é um ser ligado ao passado e ao futuro, um criador, traz em si o espírito do cientista e a perspicácia do pesquisador. Seus interesses estão nos desafios, nas inquietações e no mergulho sem fim no cosmos, no imponderável, no infinito. Interessa-lhe as rupturas e os questionamentos. E, se assim não for, não será um artista. Acomodar-se não é parte do seu ser e, se gosta, luta pela aceitação. Também luta e gosta de sua própria individualidade.

Paradoxos à parte, é isso que move a arte e que a eleva e transforma.

Entendendo o motor contínuo da História e inserido irremediavelmente nele, o artista é impelido sempre a criar. Daí surgem as correntes, as estéticas, as poéticas, os movimentos estéticos. Note-se que não estamos falando de um setor da sociedade que busca o novo pelo novo, o gosto pela novidade apenas para consumila e descartá-la. Pelo contrário, o artista digno dessa classificação - desse nome tão massificado e desgastado - não faz concessões aos desejos do consumidor de arte, não produz aquilo em que não acredita.

Devido a isso temos obras que são marcos importantes na história da arte e outras tantas que foram criadas como cópias mal acabadas e depois descartadas. O grande momento da pintura figurativa ocorreu, seguramente, entre os séculos XVII e XVIII. A perfeição alcançada pelos acadêmicos é tal que ainda encanta os olhos. Mas e o espírito? As emoções?

Não por acaso, as preocupações com os sentimentos e as sensações surgem no final do século XIX.

A busca de conhecimentos mais profundos sobre a psique humana; o comportamento mais livre das imposições sócio-políticas; a valorização do interior, do cerne, daquilo que não está visível, aparente e reconhecido de imediato: isso tudo é relatado pelas novas formas de arte que surgem com o modernismo.

Abstrai-se, retira-se o relato que a figura traz e incitase o intelecto e a emoção de buscar novas relações de espaço, tempo, cor, forma.

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Obra abstrata G. A.4 Autor :Gerard Richter Data : 1984 Acervo: Museu de Arte Moderna - Nova York

Dizer que a pintura foi modificada em razão do surgimento da fotografia é simplismo.

Os pintores de ofício perderam seus clientes não em razão da fotografia, mas por não terem muito mais a dizer em seus retratos posados, estudados, em fórmulas repetidas.

Os impressionistas saíram dos ateliês, procuraram a luz natural, criaram um novo modo de pintar, romperam com a academia e, em suas buscas incessantes, mudaram a pintura. Buscavam colocar a figura, a paisagem, o mundo em uma nova organização ditada pelas impressões que estas lhe causavam. Os impressionistas valorizavam os sentimentos dos protagonistas, sejam pessoas, árvores, janelas ou qualquer outra figura

Vicente Van Gogh, Paul Klee, Paul Gauguin, Arp, Munck, Picasso, Braque, Miro e tantos outros.

Quando René Magritte, em 1927, nos diz literalmente em sua obra "isto não é um cachimbo" mas a representação de um cachimbo, coloca a questão da mistificação do figurativo, da representação da realidade, da polissemia da obra de arte, ao lado de outras questões propostas por Kandinski, Chagall, entre outros.

O valor da arte influenciada ou ditada pelas práticas acadêmicas é inegável, mas o movimento de ruptura, denominado Moderno, transformou esse vocábulo em sinônimo de algo inadequado e cheio de bolor. Como o modernismo se impôs de forma total e eficiente, por mais de 100 anos, no momento contemporâneo - pós-moderno - o academismo é visto como o produto de uma época, de um determinado momento e... ponto.

A Arte abstrata descarta a figura conhecida e recoloca o mundo visível na informalidade das formas, cores, linhas, texturas, planos e volumes. O gesto traduz a intenção e sua liberdade libera também a expressão interior transformadora.

As polêmicas que as correntes abstracionistas provocaram já estão aplacadas e descoradas.

A chamada arteabstrata não mais traz choques ou indignação, mas apenas aquilo a que se propõe: reflexão.

Neusa Schilaro Scaléa

Fonte: www.fpm.org.br

Abstracionismo

A arte abstrata é geralmente entendida como uma forma de arte (especialmente nas artes visuais) que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ao invés disso, faz uso das relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira "não representacional". A expressão também pode ser usada para se referir especificamente à arte produzida no início do século XX por determinados movimentos e escolas que genericamente encaixam-se na arte moderna.

No início do século XX, antes que os artistas atingissem a abstração absoluta, o termo também foi usado para se referir a escolas como o Cubismo e o Futurismo que, ainda que fossem representativas e figurativas, buscavam sintetizar os elementos da realidade natural, resultando em obras que fugiam à simples imitação daquilo que era "concreto".

Abstraccionismo Lírico

O Abstraccionismo Lírico ou Abstraccionismo Expressivo inspirava-se no instinto, no inconsciente e na intuição para construir uma arte imaginária ligada a uma "necessidade interior"; tendo sido influenciado pelo Expressionismo, mais propriamente no Der Blaue Reiter. Aparece como reação às grandes revoluções do século, nomeadamete a I Guerra Mundial. O jogo de formas orgânicas e as cores vibrantes eram bem patentes; mas também a linha de contorno sobressaía nesta arte nitidamente não figurativa.

Procurava uma aproximação à música, onde a expressividade dos sons se transformava em linguagem artística. É desta forma que o Abstraccionismo Lírico pretende igualar ou mesmo superar a música, transformando manchas de cor e linhas em ideias e simbolismos subjetivos.

Wassily Kandinsky foi o mentor deste género, utilizando cores puras em pinceladas rápidas, tensas e violentas.

Abstracionismo Geométrico

O Abstraccionismo Geométrico, ao contrário do Abstraccionismo Lírico, foca-se na racionalização que depende da análise intelectual e científica. Foi influenciado pelo Cubismo e pelo Futurismo.

O Abstracionismo Geométrico divide-se em duas correntes:

Suprematismo na Rússia

Neoplasticismo na Holanda

Abstracionismo no Brasil

No Brasil, o abstracionismo teve suas primeiras expressões no século XIX.

Entre os artistas mais importantes destacam-se Abraham Palatnik, Ivan Serpa, Loio-Pérsio, Luiz Sacilotto, Antônio Bandeira, Manabu Mabe ,Tomie Ohtake Lygia Clark e Valdemar Cordeiro

Fonte: pt.wikipedia.org

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