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Açaí

A eliminação das plantas pode ser feita por anelamento, derruba ou ateando fogo no tronco, dependendo do porte e da altura. Dentre as espécies utilizadas no enriquecimento, em conjunto com o açaizeiro, há de ser destacado o aproveitamento do cupuaçuzeiro, cacauzeiro, mangueira (Mangifera indica L.), viroleira (Virola surinamensis L.), andirobeira (Carapa guianensis Aubl.) e pau-mulato (Calycophyllum spruceanum L.).

As espécies, como o taperebazeiro (Spondias mombin L.), buritizeiro, jenipapeiro (Genipa americana L.) e seringueira (Hevea brasiliensis H.B.K.), são encontradas, espontaneamente, nessas áreas de várzeas, havendo, no entanto, a necessidade de compatibilizar a densidade em função da população total de plantas que possa ser ideal.

Nas Fig. 6 e 7, estão representados os detalhamentos dos procedimentos iniciais de raleamento da vegetação de várzea, com a eliminação de espécies consideradas de baixos valores comerciais, seguido do remanejamento do plantio do açaizeiro e de outras espécies, respectivamente. Essas práticas possibilitam disponibilizar, para a exploração racional, florestas de várzeas diversificadas e econômicas.

Açaí
Fig. 6. Início do processo de raleamento da vegetação de várzea e enriquecimento com açaizeiro.

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Fig. 7. Floresta de várzea com açaizeiro associado à outras espécies nativas .

A grande vantagem econômica do manejo de açaizais, para a produção de frutos, induz à implantação de sistemas direcionados, prioritariamente, para esse fim e devem levar em consideração todos os procedimentos mencionados anteriormente. Ao final do processo de implantação será possível dispor de sistema agroflorestal, caracterizado como açaizal de várzea enriquecido com espécies nativas e introduzidas, constituído de aproximadamente 400 a 500 plantas adultas de açaizeiro e 100 a 150 plantas de espécies frutíferas e árvores de essências florestais por hectare.

Quando o interesse pela exploração dos açaizais manejados for, essencialmente, para a produção de palmito é desaconselhável o plantio de outras espécies, mas é importante realizar o raleamento da vegetação, seguido do enriquecimento, nas áreas de baixa concentração, com mudas de açaizeiro.

Na implantação de sistemas diversificados são recomendadas, preferencialmente, as áreas de várzea alta, por causa das facilidades de desenvolvimento das operações necessárias ao estabelecimento e à manutenção desses sistemas. No caso de áreas de várzea baixa, cujos solos permanecem quase sempre inundados, é recomendado o enriquecimento por meio do manejo das touceiras de açaizeiro existentes, pois o plantio e a manutenção de outras espécies são praticamente inviáveis.

Operações necessárias ao manejo

Limpeza da área

A roçagem é o primeiro trabalho feito na área e consiste da eliminação das plantas de menor porte e de cipós, bem como da retirada de galhos, e visa facilitar o deslocamento de pessoas que implementarão as demais práticas.

Raleamento da vegetação

Nessa etapa são identificadas e eliminadas as árvores sem valor de mercado, mantendo aquelas produtoras de madeira, frutos, sementes, fibras, látex, óleos e fitoterápicos.

As árvores mais finas e as palmeiras podem ser eliminadas por meio de corte, e as mais grossas por anelamento, consistindo da retirada, em forma de anel de 25 a 100 cm de largura, de parte do córtex em torno do tronco, dependendo da espécie. As árvores preservadas devem estar bem distribuídas, permitindo a penetração da luz do sol na área, facilitando o crescimento e o aumento da produção de frutos do açaizeiro e das outras espécies.

Desbaste das touceiras

Nos açaizais não-manejados, geralmente, as touceiras apresentam número excessivo de estipes. A prática de desbaste visa eliminar o excesso de estipes, deixando de 3 a 4 em cada touceira, sendo eliminados aqueles muito altos, finos, defeituosos ou que apresentem pouca produção de frutos. Essa prática é realizada na entressafra, com aproveitamento dos palmitos.

Após o desbaste, são plantadas as mudas de açaizeiro nas áreas mais espaçadas, para que seja constituída a população aproximada de 400 touceiras por hectare.

Obtenção de mudas

As mudas de açaizeiro, para plantios nas áreas com baixa concentração dessa espécie, podem ser obtidas a partir de plantas jovens oriundas da germinação natural de sementes ou produzidas especificamente para esse fim. As mudas das outras espécies, que serão cultivadas em associação com o açaizeiro, também, podem ser produzidas às proximidades da área em manejo ou adquiridas junto a produtores credenciados.

Manutenção do açaizal

Anualmente é efetuada a eliminação das plantas de valor comercial desconhecido, para que o açaizal seja mantido limpo e mais produtivo. São eliminadas as brotações novas, deixando somente as que substituirão os açaizeiros grandes indesejáveis, com vistas a manter a população recomendada.

Para que os estipes do açaizeiro apresentem rápido crescimento em diâmetro, é indispensável a realização da limpeza das touceiras, que consiste da retirada das bainhas presas no estipe após a morte da folha. Essa prática é mais necessária nas plantas jovens, pois nas adultas as bainhas se desprendem, naturalmente, junto com as folhas.

Estimativas dos impactos positivos do manejo

Impactos econômicos

Os sistemas não-manejados propiciam a renda líquida de R$ 400,00/hectare. Com o manejado, a partir do 4º ano, é possível obter, ad infinitum, até R$ 700,00/hectare, correspondendo a 75% de aumento. Os custos com a técnica de manejo são ressarcidos com a produção da primeira safra após o manejo.

Outro aspecto importante, para a valorização do mercado do fruto de açaí, foi o desestímulo para extração de palmito, nas áreas mais próximas a Belém, pela maior lucratividade proporcionada, quase o dobro nos açaizais manejados para fruto, com a vantagem de possibilitar, a cada 3 anos, a extração de palmito.

Considerando que 1 hectare de açaizal não-manejado produz, em média 4,2 toneladas de frutos, há indicativo que algo em torno de 37 mil hectares estejam sendo explorados, no Estado do Pará. Com as técnicas de manejo, a produtividade de frutos aumenta para 8,4 toneladas, indicando a existência de mais de 10 mil hectares de açaizais manejados, com o apoio de financiamento oficial. Com isso, houve o acréscimo de 42 mil toneladas de frutos, que representa R$ 48 milhões, sem a ocorrência de mudanças espaciais nas áreas às proximidades dos principais centros urbanos, reduzindo os impactos ambientais. Desse modo, houve substancial aumento da extração para atender o crescente mercado exportador e de consumo local.

Impactos sociais

Com o emprego da técnica de manejo, a produtividade da terra é dobrada para a produção de fruto, o que não ocorre com a mão-de-obra, pela impossibilidade de mecanização do processo de colheita, exigindo, dessa forma, o dobro da necessidade de esforço humano, em relação ao sistema não-manejado.

Como o sistema manejado implica no uso adicional de 46 dias/homem/hectare decorrente do aumento da produtividade e das técnicas de manejo, indica que pelo menos 2.000 empregos diretos tenham sido criados com os 15.000 hectares manejados.

A exploração do açaizeiro é de fundamental importância para a sustentação econômica das populações ribeirinhas dos Estados do Pará e Amapá. As atividades de extração, transporte, comercialização e beneficiamento de frutos e palmitos de açaizeiro são as responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos, injetando anualmente mais de R$ 40 milhões na economia regional.

Em 1999, as exportações de palmito do Estado do Pará, produziram a cifra de aproximadamente US$ 7,5 milhões, mas em 1992 alcançou cerca de US$ 29,3 milhões. Essa perda de participação, decorre da competitividade com a colheita de frutos, além da destruição dos açaizais. A produção de frutos no Estado do Pará cresceu de 91.581 toneladas, em 1994, para 156.046 em 2000, um aumento de aproximadamente 70%.

Impactos ambientais

O manejo dos açaizais nativos concilia a proteção ambiental com o rendimento econômico, de modo racional e equilibrado. O pressuposto básico é o estabelecimento de florestas de várzea diversificadas, proporcionando, aos ribeirinhos, maior rentabilidade que os açaizais nativos na forma como são explorados atualmente. Nesse contexto, o manejo e a exploração do maior número possível de espécies, são os aspectos favoráveis para a manutenção do equilíbrio da biodiversidade, evitando assim o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais e favorecendo o ressurgimento de espécies vegetais nativas que praticamente desapareceram da região.

Alcance da tecnologia

No Estado do Pará, com a adoção das técnicas de manejo, estão sendo financiados mais de 6 mil pequenos produtores, correspondendo a mais de 15 mil hectares, para a extração de palmito e colheita de frutos.

Eficiência tecnológica

O emprego dessa técnica de manejo não requer o uso de insumos, como corretivos e fertilizantes, nem, tampouco, a utilização de recursos energéticos modernos. Sob o ponto de vista ecológico, as ações de manejo estão limitadas às áreas existentes, sem a possibilidade de se estender a novas áreas ou a de inserir novos recursos naturais.

Pragas e métodos de controle

Dentre os fatores que comprometem a produção racional do açaizeiro, pode ser destacada a ocorrência de insetos. Com a expansão de cultivos comerciais na Região Norte do Brasil, os problemas causados por esses organismos têm surgido com maior evidência e aumentado a preocupação quanto aos prejuízos que vêm causando ao açaizeiro. Diversos insetos são capazes de atacar o açaizeiro, desde a fase de sementeira até o plantio adulto. As pragas que atacam o açaizeiro ainda são pouco conhecidas, fato que dá importância às informações sobre o assunto.

Principais pragas

a) Cerataphis lataniae Boisudval, 1867 (Heteroptera: Aphididae). Conhecida como o pulgão-preto-do-coqueiro, ataca mais intensamente o açaizeiro no viveiro e durante os 3 primeiros anos de vida no campo (Fig. 1).

Açaí
Fig. 1. Ataque do pulgão-preto-do-coqueiro (Cerataphis lataniae) em açaizeiro jovem.

Descrição: Esse pulgão tem o formato circular, mede cerca de 2 mm de diâmetro, tem a coloração quase preta e locomoção lenta, podendo ser de forma alada ou sem asas. Excreta uma substância adocicada que atrai vespas, moscas e, principalmente, formigas, que impedem a presença de inimigos naturais dessa praga. Ataca, preferencialmente, a flecha da palmeira e a inserção das folhas jovens ao estipe.

Ocorrência: No Brasil, ocorre nos Estados do Amazonas, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Sintomas: Esse inseto provoca o atraso no desenvolvimento das mudas do açaizeiro, tornando-as raquíticas e com as folhas amareladas, por causa da seiva que tanto as ninfas como os adultos sugam para se alimentarem.

Controle: No viveiro, o controle é feito separando as mudas atacadas das sadias e os insetos retirados manualmente com auxílio de um pano umedecido em água. As mudas atacadas são mantidas isoladas fora do viveiro e observadas, por cerca de 10 dias, até que haja a certeza de que a praga foi completamente eliminada, quando então poderão retornar ao viveiro. Ainda não existe um método de controle dessa praga no campo, por isso, deve haver o cuidado de não levar mudas atacadas para o plantio definitivo.

b) Alleurodicus cocois (Curtis, 1846) (Heteroptera: Alyrodiae). Conhecida por mosca branca causa maior dano ao açaizeiro no viveiro, mas pode atacar essa palmácea nos primeiros anos de vida no campo.

Descrição: O adulto se assemelha a uma pequena mosca, tem a cor branca, mede cerca de 2mm de comprimento por 4mm de envergadura, possui 4 asas membranosas e cobertas por uma secreção pulverulenta. As ninfas medem cerca de 1mm de comprimento, têm coloração amarelada, rodeada de serosidade branca e vivem na face inferior da folha, onde excretam uma substância adocicada, proporcionando o aparecimento de formigas e do fungo fumagina. As ninfas e os adultos formam colônias e, na maioria das vezes, ocupam toda a área dos folíolos.

Ocorrência: A mosca branca ataca um grande número de fruteiras e diversas palmeiras. É encontra de Norte ao Sul do Brasil (Silva et al. 1968).

Sintomas: Por se alimentar da seiva, torna a planta amarelada, debilitada e depois clorótica, atrasando o desenvolvimento e a produção, podendo causar a morte do açaizeiro no caso de ataque severo. Esse inseto favorece o aparecimento do fungo fumagina, que provoca a diminuição na fotossíntese da planta.

Controle: Tanto no viveiro como no campo, as medidas de controle são as mesmas propostas para C. lataniae.

c) Atta spp. (Hymenoptera: Formicidae). Conhecidas popularmente por saúvas, tanajura e formigas-saúvas, atacam as plântulas do açaizeiro na sementeira, as mudas no viveiro e as plantas nos primeiros anos de vida no campo. No entanto, os ataques são mais drásticos na sementeira e no viveiro, em virtude das folhas estarem muito tenras (Fig. 2). As espécies mais comuns são: A. laevigata (saúva-da-mata), A. cephalotes (saúva-cabeça-de-vidro) e A. sexdens sexdens (saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca).

Descrição: São insetos sociais que vivem em ninhos subterrâneos, onde se alimentam e se reproduzem. O ninho é formado por dezenas ou centenas de câmaras ou panelas, com comunicação entre si por meio de galerias. No nível do solo, chamam a atenção, pois formam montes de terra solta com muitos orifícios (olheiros). As saúvas se alimentam do fungo Gonylophora pholiota (Rhozitles) Moeller, 1893, que são cultivados com folhas trazidas pelas próprias saúvas para o interior do sauveiro.

Ocorrência: Essas saúvas são encontradas em todos os Estados do Brasil. A saúva-da-mata, além do açaizeiro ataca diversas fruteiras; a saúva-cabeça-de-vidro também ataca diversas fruteiras, assim como o açaizeiro, coqueiro (Cocos nucifera L.) e o dendezeiro (Elaeis guineensis Jack.) e a saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca ataca o açaizeiro e outras palmeiras e fruteiras.

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Fig. 2. Ataque de saúvas (Atta spp.) em folhas jovens de açaizeiro

Sintomas: As saúvas cortam os folíolos do açaizeiro no viveiro, provocando o desfolhamento parcial ou total das mudas, concorrendo para o atraso no desenvolvimento ou até mesmo a morte da planta.

Controle: Como controle preventivo são observados os locais de instalações dos viveiros. Devem ser evitadas as proximidades de áreas de matas, pois são os ambientes preferidos das saúvas. Outro fator a ser observado é se existem sauveiros às proximidades e, quando se tratar de áreas infestadas, esses são retirados e queimados, seguidos de tratamento do solo com inseticida. Essas providências são de grande importância, não só antes da instalação do viveiro, como antecedendo ao plantio do açaizeiro no local definitivo.

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