O controle químico com gases liquefeitos (metil bromide) é o mais utilizado, mas podem ser aplicados produtos líquidos (termonebulizáveis _ fenitrothion e deltametrin) e iscas granuladas (diflubenzuron), que são mais práticos, eficientes e econômicos.
As saúvas também podem ser controladas por inimigos naturais, como fungos, nematóides, ácaros parasitas, formigas predadoras e um coleóptero da família Scarabaeidae, predador das rainhas (Della Lúcia, 1993). Pode também ser feita a gradagem do terreno para destruir os ninhos no solo.
d) Rhynchophorus palmarum Linnaeus, 1746 (Coleóptera: Curculionidae). Conhecida por broca-do-olho-do-coqueiro, bicudo e broca-do-coqueiro (Fig. 3), ataca o açaizeiro, no campo, a partir dos 3 anos de idade, quando as plantas estão com o estipe suficientemente desenvolvido. Além do açaizeiro, essa praga ataca outras palmeiras, principalmente o coqueiro e o dendezeiro.
Descrição: Essa praga possui hábito diurno e, pelo seu tamanho, é facilmente vista voando dentro de plantações atacadas. A larva, completamente desenvolvida, mede 75 mm de comprimento por 25 mm de largura, possui corpo recurvado de coloração branco-cremosa.
A pupa tem a coloração amarelada, onde é possível observar todos os membros do besouro adulto. O adulto recém emergido, depois de algumas horas, começa a voar à procura de fêmea para acasalar e uma palmeira para se alimentar. O adulto vive de 45 a 60 dias e as fêmeas põem, em média, 250 ovos durante o seu ciclo de vida. Na fase adulta é um besouro de cor preto-aveludada, medindo, em média, 5 cm de comprimento, sendo possível observar machos e fêmeas em constantes acasalamentos, tanto no campo como sob condições de laboratório (Bondar, 1940; Genty et al. 1978; Ferreira et al. 1998).

Fig. 3. Adultos (macho e fêmea) de broca-do-coqueiro (Rhynchophorus
palmarum).
Ocorrência: O gênero Rhynchophorus é encontrado disperso por todo o Brasil.
Sintomas: O açaizeiro atacado apresenta porte reduzido, folhas mais curtas e amareladas, com o pecíolo bronzeado, redução do número de folhas, redução ou ausência de cachos, inflorescências abortadas e estipe com furos enegrecidos junto à região da coroa. Quando o açaizeiro está muito atacado, as folhas mais jovens são mais curtas e não se abrem completamente, tomando o formato de uma vassoura. Essa praga além de fazer enormes galerias no estipe e na região da coroa foliar, bloqueando a passagem dos nutrientes, provocando o enfraquecimento ou até a morte da planta, propicia a entrada de microrganismos como fungos, bactérias e vírus, ou insetos secundários capazes de provocar novos danos. Além disso, é o vetor do nematóide causador, nas palmáceas, da doença conhecida por "anel-vermelho".
Controle: As plantas decadentes ou mortas, que são focos e servem de criadouro para a broca-do-coqueiro, quando eliminadas concorrem para a redução da ocorrência dessa praga. Também devem ser evitados ferimentos mecânicos acentuados durante a colheita dos cachos, para que os adultos não sejam atraídos pela seiva exudada. Os estipes eliminados são cortados em pedaços e queimados fora da plantação.
O uso de armadilhas é o método mais seguro para o controle dessa praga e pode ser feita com o aproveitamento de recipientes descartáveis de plástico (20 litros), utilizados no envasamento de óleo para máquinas agrícolas. A parte superior dos recipientes é retirada e, no local, adaptada uma tampa de madeira, com um furo de aproximadamente 10 cm ao centro, no qual é fixado um funil feito com a parte superior de garrafa de plástico descartável de refrigerante (2 litros), com a parte afunilada voltada para dentro da armadilha, do modo a facilitar a entrada do inseto. No interior da armadilha deve conter iscas compostas por feromônio de agregação sintético rincoforol (trocados a cada 3 meses), mais 6 roletes de cana de açúcar (20 cm cada, cortados transversalmente).
As armadilhas (Fig. 4) são colocadas em moirões de madeira com 1 metro de altura e distribuídas dentro do açaizal a cada 150 metros. A troca da cana deve ser feita a cada 15 dias, ocasião em que será feita a coleta dos insetos capturados (Silva et al. 1998).

Fig. 4. Armadilha para captura de adultos de broca-do-coqueiro.
e) Mytilococcus (Lepidosaphis) bechii (Newman, 1869) (Heteroptera: Diaspididae). Conhecida por escama vírgula e cochonilha escama vírgula, ataca o açaizeiro no viveiro e nos primeiros anos de vida no campo.
Descrição: Seu corpo é curvo, semelhante a uma vírgula ou um marisco, a coloração varia de marrom-clara a marrom-violeta. A fêmea põe em média 50 ovos e mede cerca de 3 mm de comprimento (Gallo et al. 1988).
Ocorrência: Encontrada dispersa por todo o Brasil.
Sintomas: Essa praga se fixa ao longo da nervura principal, na parte ventral dos folíolos. Em decorrência de sua constante sucção da seiva, a planta fica, inicialmente, com as folhas amareladas e depois cloróticas, atrasando o seu desenvolvimento e sua produção.
Controle: Como não existe nenhum inseticida registrado para o controle dessa praga em açaizeiro, podem ser adotadas ações preventivas, baseadas em cuidados de não instalar o viveiro próximo a plantas atacadas por esse inseto, para que não haja a possibilidade de ser levada planta atacada para o local de plantio definitivo.
f) Alleurothrixus floccosus (Maskell, 1895) (Heteroptera: Aleyrodiae). Conhecida por mosca branca ou piolho farinhento, ataca o açaizeiro no viveiro e as plantas jovens no campo.
Descrição: O adulto dessa praga, pelo ao seu formato e a sua cor, é conhecida por mosca branca e o corpo é recoberto por uma serosidade esbranquiçada. As fêmeas põem os ovos na face inferior da folha, e depois de 10 dias ocorre a eclosão das ninfas. Tanto as ninfas como os adultos são facilmente observados, pois são envolvidos por densa aglomeração flocosa, formada por filamentos cerosos de cor branca, chegando mesmo a cobrir toda a folha. Exudam um líquido açucarado, favorecendo o aparecimento de formigas, moscas e do fungo fumagina.
Ocorrência: A mosca branca é encontrada em todos os Estados do Brasil.
Sintomas: Os folíolos, por causa do sugamento da seiva, inicialmente, ficam amarelados, depois a planta fica debilitada, atrasando seu desenvolvimento e, conseqüentemente, a sua produção.
Controle: Pode ser o mesmo descrito para Alleurodicus cocois.
g) Eutropidacris cristata (L., 1758) (Orthoptera: Acridiae). Conhecida por gafanhoto do coqueiro, gafanhotão e tucurão (Fig. 5), ataca o açaizeiro no viveiro e, principalmente, as plantas jovens no campo.

Fig. 5. Ninfa do gafanhoto do coqueiro, gafanhotão e tucurão
(Eutropidacris cristata).
Descrição: No Estado do Pará, essa praga é conhecida por gafanhotão, mede 110 mm de comprimento, as asas anteriores são verde-pardacentas e, as posteriores, esverdeadas com leve tonalidade azul. As fêmeas põem os ovos no chão e, quando emergem, recebem o nome de "mosquitos", após atingirem certo desenvolvimento são chamados de "saltões", cujas asas ainda são rudimentares, e só depois alcançam a fase adulta.
Ocorrência: É encontrado em todos os Estados da Região Norte e em extensas áreas das outras regiões do Brasil.
Sintomas: Provoca a redução no desenvolvimento da planta e, conseqüentemente, o atraso no início da fase produtiva, pela voracidade com que as ninfas e os adultos se alimentam. Outra maneira de ser detectado o ataque desse gafanhoto, é pela observação de grande quantidade de folíolos severamente cortados, que ficam caídos no solo.
Controle: Deve ser feito com o uso de iscas colocadas na vegetação rasteira junta às palmeiras, quando o gafanhoto está, preferencialmente, no estádio de "mosquito" ou mesmo "saltões", pois nesses estádios vivem agregados para se protegerem. As iscas são preparadas com a mistura de: 10 kg de farelo de trigo, arroz ou milho; 0,5 kg de triclorfon 50%; 0,4 kg de açúcar mascavo; 0,8 kg de melaço; e 6,5 L de água. Esses componentes são bem misturados, até que seja alcançada a consistência moldável de massa (Gallo et al. 1988).