Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Açai - Página 5  Voltar

Açaí

Introdução e importância econômica

O açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.) é nativo da Amazônia brasileira e o Estado do Pará é o principal centro de dispersão natural dessa palmácea. Populações espontâneas também são encontradas nos Estados do Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Tocantins; e em países da América do Sul (Venezuela, Colômbia, Equador, Suriname e Guiana) e da América Central (Panamá). No entanto, é na região do estuário do Rio Amazonas que se encontram as maiores e mais densas populações naturais dessa palmeira, adaptada às condições elevadas de temperatura, precipitação pluviométrica e umidade relativa do ar.

O açaizeiro se destaca, entre os diversos recursos vegetais, pela sua abundância e por produzir, importante alimento para as populações locais, além de ser a principal fonte de matéria-prima para a agroindústria de palmito no Brasil. As maiores concentrações ocorrem em solos de várzeas e igapós, compondo ecossistemas de floresta natural ou em forma de maciços conhecidos como açaizais, com área estimada em 1 milhão de hectares.

Também ocorre em áreas de terra firme, principalmente quando localizadas próximas às várzeas e igapós.

Açaí

A produção de frutos, que provinha quase que exclusivamente do extrativismo, a partir da década de 1990, passou a ser obtida, também, de açaizais nativos manejados e de cultivos implantados em áreas de várzea e de terra firme, localizadas em regiões com maior precipitação pluviométrica, em sistemas solteiros e consorciados, com e sem irrigação. Dados estatísticos comprovam que cerca de 80% da produção de frutos têm origem no extrativismo, enquanto os 20% restantes são provenientes de açaizais manejados e cultivados em várzea e terra firme.

Dos frutos do açaizeiro é extraído o vinho, polpa ou simplesmente açaí, como é conhecido na região. O açaí é habitualmente consumido com farinha de mandioca, associado ao peixe, camarão ou carne, sendo o alimento básico para as populações de origem ribeirinha. Com o açaí são fabricados sorvetes, licores, doces, néctares e geléias, podendo ser aproveitado, também, para a extração de corantes e antocianina. As mais recentes pesquisas mostram o novo organograma do aproveitamento do fruto do açaizeiro. O caroço corresponde a 85% do peso total, do qual a borra é utilizada na produção de cosméticos; as fibras em móveis, placas acústicas, xaxim, compensados, indústria automobilística, entre outros; os caroços limpos na industrialização de produtos A4, como na torrefação de café, panificação, extração de óleo comestível, fitoterápicos e ração animal, além de uso na geração de vapor, carvão vegetal e adubo orgânico. A polpa representa 15% e é aproveitada, de forma tradicional, no consumo alimentar, sorvetes e outros produtos derivados (Tinoco, 2005).

O interesse pela implementação da produção de frutos tem se dado pelo fato do açaí, antes destinado totalmente ao consumo local, ter conquistado novos mercados e se tornado em importante fonte de renda e de emprego. A venda de polpa congelada, para outros Estados brasileiros, vem aumentando significativamente com taxas anuais superiores a 30%, podendo chegar à cerca de 12 mil toneladas. As exportações de polpa ou na forma de mix, para outros países, ultrapassam a mil toneladas por ano.

O incremento das exportações vem provocando a escassez do produto e a elevação dos preços ao consumidor local, principalmente no período da entressafra, de janeiro a junho. O reflexo imediato da valorização do produto resultou na expansão de açaizais manejados, em áreas de várzeas, e estimulou a implantação de cultivos racionais em terra firme. Os dados mais recentes estimam em mais de 15 mil hectares de áreas manejadas e financiadas no Estado do Pará, gerando aproximadamente 2 mil empregos diretos. No agronegócio do açaí, no Pará, é estimado o envolvimento de 25 mil pessoas.

Embora o açaizeiro ocorra naturalmente em grandes concentrações em toda a região do estuário amazônico, a produção econômica de frutos é creditada, basicamente, às microrregiões homogêneas de Cametá (MRH 041), Furos de Breves (MRH 035) e Arari (MRH 036) que, ao longo dos últimos 10 anos, contribuíram com mais de 90% da produção estadual. Em termos de oferta de frutos, têm destacadas participações os Municípios de Cametá, Limoeiro do Ajuru, Abaetetuba, Igarapé-Miri, Ponta de Pedras e Mocajuba, responsáveis por cerca de 80% da produção paraense.

A produção anual de frutos se mantém por volta de 160 mil toneladas, mas é esperado sensível aumento quando as áreas de cultivo e de manejo apresentarem níveis satisfatórios de produtividade, estimados em 8 toneladas por hectare. Do total colhido, cerca de 20% é consumido pelas famílias no local de produção. O valor anual da produção de frutos de açaizeiro, no Estado do Pará, é de aproximadamente 66 milhões de reais.

Esta publicação reúne informações tecnológicas e socioeconômicas sobre os sistemas de cultivo, manejo, transporte, processamento e comercialização, com vistas ao incremento do desempenho do agronegócio, à melhoria da renda e da qualidade de vida dos agricultores e extrativistas envolvidos na exploração comercial do açaizeiro.

Composição química do Açaí

O açaí é considerado alimento de alto valor calórico, com elevado percentual de lipídeos, e nutricional, pois é rico em proteínas e minerais. Nas áreas de exploração extrativa, o açaí representa a principal base alimentar da população, notadamente dos ribeirinhos da região do estuário do Rio Amazonas. A composição química e o valor nutricional do açaí são discriminados na Tabela 1.

Tabela 1. Composição química e valor nutricional do açaí.

Composição

Unidade

Quantidade na matéria seca

pH

Matéria seca

Proteínas

Lipídios totais

Açúcares totais

Açúcares redutores

Frutose

Glicose

Sacarose

Fibras Brutas

Energia

Cinzas

Sódio

Potássio

Cálcio

Magnésio

Ferro

Cobre

Zinco

Fósforo

Vitamina B1

α-Tocoferol (vitamina E)

-

%

g/100 g(1)

g/100 g(1)

g/100 g(1)

g/100 g(1)

g/100 g(1)

g/100 g(1)

g/100 g(1)

g/100 g(1)

Kcal/100g

g/100 g(1)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

mg/100 g(2)

5,80

15,00

13,00

48,00

1,50

1,50

0,00

1,50

0,00

34,00

66,30

3,50

56,40

932,00

286,00

174,00

1,50

1,70

7,00

124,00

0,25

45,00

(1)Matéria seca; (2)Cálculo por diferença.

O óleo extraído do açaí é composto de ácidos graxos de boa qualidade, com 60% de monoinsaturados e 13% de poliinsaturados. Com relação às proteínas, possui teor superior ao do leite (3,50%) e do ovo (12,49%), enquanto o perfil em aminoácidos é semelhante ao do ovo.

O açaí possui elevado teor de antocianinas, contendo cerca de 1,02 /100 g de extrato seco. As antocianinas são pigmentos naturais, pertencentes à família dos flavonóides, sendo estes responsáveis pela cor do açaí. Além disto, possuem função antioxidante, que assegura melhor circulação sanguínea e protegem o organismo contra o acúmulo de placas de depósito de lipídeos, causadores da arteriosclerose.

O consumo diário de um litro de açaí do tipo médio, com 12,5% de matéria seca, contém 65,8 g de lipídios, o que corresponde a 66% da ingestão diária requerida; 31,5 g de fibras alimentares totais, o que equivale a 90% das recomendações diárias e 12,6 g de proteínas, o que corresponde de 25% a 30% da quantidade nutricional diária necessária.

O açaí é rico em minerais, principalmente potássio e cálcio e, dentre as vitaminas, pode ser destacada a vitamina E, um antioxidante natural que atua na eliminação dos radicais livres.

Ambiente edafo climático

Clima

O estuário amazônico, pela sua posição geográfica, baixa latitude e clima quente, é considerado como região tipicamente tropical. As temperaturas médias anuais oscilam entre 22 oC e 27 oC, com as máximas variando de 28 oC a 33 oC e as mínimas de 17 oC a 23 oC. O total de brilho solar anual é de 1.400 a 2.500 horas que, com a alta nebulosidade, os períodos de insolação correspondem de 35% a 60% do total de horas. A umidade relativa do ar varia entre 70% e 91%, e está estreitamente relacionada aos períodos pluviométricos. A região se beneficia com índices pluviométricos de 1.300 a 3.000 mm anuais, distribuídos em 2 períodos, o mais chuvoso e o menos chuvoso (Bastos, 1972; Bastos et al. 1986).

De acordo com a classificação de Köppen, a Região Amazônica está situada no grupo de clima tropical chuvoso A, onde as temperaturas médias dos meses não são inferiores a 18 oC, com oscilações inferiores a 5 oC, exceto a cidade de Cárceres, MT, que apresenta amplitude anual um pouco acima desse limite. Segundo Bastos (1972), a variedade climática i se caracteriza por não ter verão ou inverno estacional. Os tipos climáticos, Afi, Ami e Awi se diferenciam a partir do total pluviométrico do mês com menor precipitação em relação ao total anual (Fig. 1).

A definição das possibilidades ou limitações do cultivo do açaizeiro, em áreas da Região Amazônica, exige o conhecimento da disponibilidade de água no solo, de acordo com o balanço hídrico que se baseia, além da precipitação pluviométrica, nas perdas de água pelo processo de evapotranspiração. O açaizeiro encontra condições satisfatórias de cultivo nas faixas climáticas com regular distribuição de chuvas e em áreas que, mesmo com período seco definido, disponham de umidade satisfatória no solo, como nas várzeas.

Açaí
Distribuição de tipos climáticos na Amazônia Brasileira.

O tipo Afi apresenta abundância de chuvas durante todo o ano (acima de 2.500 mm anuais) e, no mês de menor precipitação, as chuvas alcançam mais de 60 mm, condições adequadas para o cultivo do açaizeiro. O Ami, intermediário entre Afi e Awi, possui regime pluviométrico anual que define uma estação relativamente seca, mas com precipitação total acima de 2.500 mm anuais. O tipo climático Awi se caracteriza por ter índice pluviométrico anual entre 1.000 e 2.500 mm, com nítida estação seca. Quando cultivado em áreas de terra firme, com tipo climático Ami e Awi, com vistas a evitar a redução ou paralisação do crescimento, floração e frutificação do açaizeiro, é importante planejar, nos períodos menos chuvosos, a utilização de sistema de irrigação, que garanta a suplementação hídrica às plantas (Bastos, 1972; Calzavara, 1972).

Solos

Os solos são originados da decomposição de rochas superficiais e resultam de processos destrutivos, relacionados com a decomposição e desintegração (física e química) dos minerais e de restos orgânicos (vegetais e animais); e construtivos, com a formação de novos corpos químicos, orgânicos e inorgânicos. Desse modo, os solos apresentam textura, estrutura e composição química que irão influir no desenvolvimento das plantas, pois neles se fixam e extraem parte dos elementos necessários à sua sobrevivência e desenvolvimento (Falesi, 1972).

Na Amazônia brasileira predominam, pela superfície que ocupam, dois padrões de solos: os de terra firme (87%), com pH variando de 4,5 a 6,5 e, normalmente, pobres em cálcio; e os de várzea (13%), situados às margens dos rios com influência constante das marés (Nascimento & Homma, 1984). Os solos de terra firme, embora o açaizeiro seja espécie típica de áreas inundáveis, são opções importantes para o cultivo dessa palmácea, mas sob condições com baixa deficiência hídrica.

Solos de terra firme

Os solos latossólicos, que ocorrem nas áreas não-inundáveis do estuário amazônico, são bem drenados, porosos, fortemente ácidos e de baixa fertilidade. Dentre esses, a unidade pedogenética de maior importância é constituída pelos Latossolos Amarelo, Vermelho-amarelo e Vermelho-escuro (Latossolo Vermelho), que são solos profundos, fortemente desgastados, bem drenados, com textura variando de leve (arenosa) a muito pesada (argilosa). Apesar da baixa fertilidade natural, baixa soma de bases, baixa capacidade de troca de cátions e baixo índice de saturação, respondem muito bem à adubação, o que faz com que os atributos físicos desses solos sejam mais importantes do que os químicos (Falesi, 1972).

Na implantação de açaizais em solos de terra firme, em sistemas de cultivo solteiro e consorciado, é recomendável a utilização de áreas exploradas com plantios sucessivos. As áreas de pastagens degradadas ou as capoeiras finas (macegas) permitem menores custos de implantação do açaizal.

As áreas desmatadas para uso agrícola, no Estado do Pará, ultrapassam os 200.000 km2, muitas das quais são passíveis de serem utilizadas com sistemas produtivos, tais como os de açaizeiro. Por ser espécie florestal típica da região, com características de cultura permanente, é indicado para as condições tropicais de grande precipitação pluviométrica e elevada temperatura, onde exerce proteção permanente do solo.

A grande intensidade e freqüência de chuvas ocorrentes na região podem causar a desagregação das partículas dos solos provocando a sua erosão. Por isso, é dada preferência aos solos planos e com baixa declividade, bem como utilizar coberturas viva ou morta nas áreas de plantio.

Os solos concrecionários não são recomendáveis para o cultivo do açaizeiro, pois são obstáculos à penetração das raízes superficiais dessa espécie e concorrem para a redução do número de brotações, crescimento lento dos estipes e redução do diâmetro, com reflexos na produção (Calzavara, 1972).

Solos de várzea e igapó

Esses solos hidromórficos ocupam áreas planas, baixas, de formação sedimentar recente, que margeiam os rios e apresentam extensões de alguns quilômetros de largura. Essas áreas, ao longo do Rio Amazonas e seus afluentes, são distinguidas em várzea alta, várzea baixa e igapó (Falesi, 1972).

Os principais solos hidromórficos encontrados na Região Amazônica, segundo Falesi (1986) são:

Plintossolos ou Lateritas Hidromórficas: normalmente de baixa fertilidade;

Gleissolos háplicos, Gley Pouco Húmico ou Gley Húmico: resultante do acúmulo de sedimentos e, por isso, tem fertilidade de média a alta. Esses devem ser os preferidos quando da aplicação do manejo de açaizais ou enriquecimento de ecotipos produtivos dessa palmácea, ou com outras espécies de área inundável, que tenham valor econômico;

Espodossolos ou Podzol Hidromórfico: são de baixa fertilidade e excessivamente ácidos.

O regime de inundações periódicas nas áreas de várzea provocou a adaptação de algumas espécies vegetais, como o açaizeiro que desenvolveu mecanismos de adaptações morfológica e anatômica, representadas por raízes aéreas com lenticelas e aerênquimas. As estratégias fisiológicas desenvolvidas pelas plantas desta palmácea, permitem manter as sementes viáveis e as plântulas vivas, por períodos superiores a 15 dias, em ambiente anóxico da várzea baixa. A redução do teor de oxigênio em solo de igapó, explica a menor freqüência de espécies arbóreas e de açaizeiro, pois a germinação de sementes é limitada e o crescimento das plântulas é prejudicado. Quando o suprimento de oxigênio é normalizado, as sementes germinam e as plântulas retomam o seu desenvolvimento.

Os solos de várzea não apresentam boas propriedades físicas, mas têm elevada fertilidade, por causa das sucessivas deposições de sedimentos, e pH de 4,5 a 5,5. As oscilações do lençol freático determinam a maior ou menor disponibilidade de água e oxigênio, provocando os processos de oxidação e redução do ferro, responsáveis pelo aparecimento de mosqueados, que caracterizam esses solos de terras inundáveis.

Em condições naturais, a densidade de açaizeiro nas populações nativas é maior nos solos de várzea alta, seguida das de várzea baixa. Nos igapós, as populações de açaizeiro são menos densas, havendo também considerável redução no número de perfilhos. Por isso, devem ser priorizados a implantação de cultivos racionais e o manejo de populações nativas nas áreas de várzeas, sem excluir as de igapó, que requerem práticas de manejos específicas e maior volume de investimento.

Cultivar e produção de mudas

O açaizeiro, por ser espécie alógama (originária de cruzamentos), com ampla ocorrência na Amazônia Continental, apresenta grande variação de tipos para os mais diversos caracteres de interesse, como precocidade, produtividade de frutos, rendimento de polpa e época de produção. Os vários tipos de açaizeiro foram definidos de acordo com a coloração de frutos, formas de inflorescências e cachos, número de frutos por ráquila e diâmetro dos estipes. A partir dessas características resultaram, entre outras, as denominações de açaí ;-roxo ou preto, açaí-branco, açaí-açu, açaí-espada e açaí ;-sangue-de-boi.

O uso de cultivares adaptadas às diferentes condições de clima, solo e sistema de produção é o princípio fundamental para a obtenção de incrementos de produtividade e de qualidade de qualquer vegetal.

A partir da década de 1990, a produção de frutos de açaizeiro, até então proveniente da exploração extrativa, passou a contar, também, com a participação de açaizais nativos manejados e de cultivos, em várzea e terra firme, em sistemas solteiros e consorciados. Nesses cultivos foram usadas sementes de origem genética desconhecida, resultando em plantios heterogêneos quanto à produtividade e qualidade do fruto, em razão de não existir campos de produção de sementes, provenientes de matrizes selecionadas, obedecendo aos padrões técnicos exigidos para a certificação de sementes.

O programa de melhoramento genético da Embrapa Amazônia Oriental, com base na seleção fenotípica na coleção de germoplasma de açaizeiro, implantada em área de terra firme, no Município de Belém, PA, lançou, em 2004, a cultivar BRS-Pará, selecionada para as condições de terra firme, com bons níveis de produtividade de frutos.

A cultivar BRS-Pará (Oliveira & Farias Neto, 2005) resultou de 2 ciclos de seleção massal. O 1o visou à avaliação de 849 plantas da coleção de germoplasma, para a produção de frutos por 3 anos consecutivos. Nesse ciclo foram identificadas e selecionadas 25 plantas promissoras, com produção acima de 25 kg de frutos/planta/ano. De cada planta selecionada foram colhidas e misturadas quantidades iguais de sementes para a produção de mudas, plantadas num lote isolado, em área de terra firme no Município de Santa Izabel do Pará.

O 2o ciclo visou à seleção de plantas para as características de perfilhamento e vigor. Antes do florescimento das plantas (3o ano), ocorreu à eliminação daquelas com padrão de desenvolvimento vegetativo e perfilhamento (estipe único) indesejável, de forma a permitir o intercruzamento, por meio de polinização livre, apenas das plantas superiores. As sementes utilizadas para o lançamento da cultivar BRS-Pará foram provenientes desse plantio, transformado em área de produção de sementes (APS) ou de população melhorada.

A cultivar BRS-Pará, por resultar de plantas de polinização aberta ou cruzada, apresentará plantas que, obrigatoriamente, não reproduzirão as mesmas características das plantas matrizes. Aos 3 anos de idade, os valores médios de altura (4,2 m), circunferência do diâmetro à altura do colo (58 cm), número de cachos/planta (4,4) e altura do 1o cacho (112 cm) foram considerados vantajosos em relação à população de origem .

Açaí
Plantio de açaizeiro da cultivar BRS-Pará

A produção de frutos tem início a partir do 3o ano, sendo possível obter, nas 2 primeiras safras, produtividades de aproximadamente 3 toneladas por hectare/ano. No período inicial de produção, é comum a desuniformidade de lançamento de cachos produtivos, mas com a tendência de uniformidade a partir do 5o ano, com maior concentração da produção de frutos no 2o semestre.

De modo geral, é estimado que, no 5o ano, a produtividade possa chegar a 4 toneladas e, a partir do 6o ano, ocorram aumentos progressivos que poderão alcançar a 10 toneladas de frutos no 8o ano. Vale ressaltar que as características produtivas da cultivar BRS-Pará, avaliadas em um único local (Santa Izabel do Pará), com tipo climático Ami, poderão sofrer algumas alterações em função da interação genótipo x ambiente.

Produção de mudas

O açaizeiro pode ser propagado pelas vias assexuada (retirada de perfilhos) e sexuada (germinação de sementes).

A produção de mudas, por meio de perfilhos, é indicada para a propagação, em pequena escala, de indivíduos que apresentem características desejáveis, como alta produtividade, elevado rendimento de polpa, maturação uniforme dos frutos no cacho e período de frutificação na entressafra. Esse processo deve ter o seu uso restrito aos trabalhos de melhoramento genético, pelas dificuldades de serem obtidos perfilhos em número suficiente, além de sua baixa taxa de sobrevivência em viveiro ou no campo.

A produção de mudas a partir de sementes é o processo mais indicado para o estabelecimento de cultivos comerciais, pois possibilita produzir grande número de indivíduos com menor custo, quando comparado com a propagação assexuada.

Açaí 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal