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Acidentes Com Animais Peçonhentos

 

 

O que são animais peçonhentos?

Animais peçonhentos são aqueles que produzem substância tóxica e apresentam um aparelho especializado para inoculação desta substância que é o veneno, possuem glândulas que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente.

Quais são os animais peçonhentos de importância em saúde pública?

Serpentes do grupo da jararaca, cascavel, surucucu e coral verdadeira; algumas aranhas como a aranha marrom, armadeira e a viuva negra, além dos escorpiões preto e o amarelo.

Como prevenir acidentes com ofídios?

Não andar descalço: sapatos, botinas sem elásticos, botas ou perneiras devem ser de usados pois evitam 80% dos acidentes.

Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer.

Usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem, nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras.

Não utilizar diretamente as mãos ao tocar em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas secas; usar sempre antes um pedaço de pau, enxada ou foice, se for o caso.

Tampar as frestas e buracos das paredes e assoalhos.

Quando entrar em matas de ramagens baixas, ou em pomar com muitas árvores, parar no limite de transição de luminosidade e espere sempre a vista se adaptar aos lugares menos iluminados.

Se por qualquer razão tiver que abaixar-se, além de olhar bem o local, bater a vegetação ou as folhas: a coloração da jararaca e da cascavel se confunde muito com a das ramagens e folhas secas e há casos de acidente onde a pessoa não enxerga a serpente.

Não depositar ou acumular material inútil junto à habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção; manter sempre a calçada limpa ao redor da casa.

Evitar trepadeiras muito encostadas a casa, folhagens entrando pelo telhado ou mesmo pelo forro.

Controlar o número de roedores existentes na área de sua propriedade: ao lado dos outros problemas de saúde pública, a diminuição do número de roedores irá evitar a aproximação de serpentes venenosas que deles se alimentam.

Não montar acampamento junto a plantações, pastos ou matos denominados sujos, regiões onde há normalmente roedores e maior número de serpentes.

Não fazer piquenique às margens dos rios ou lagoas, deles mantendo distância segura, e não encostar em barrancos durante a pescaria.

Manuseio de serpentes vivas deve ser feito com laço de luz ou com ganchos apropriados, por pessoas treinadas e com aptidão para o ofício. Não tocar nas serpentes, mesmo mortas, pois por descuido ou inabilidade há o risco de ferimento nas presas venenosas.

No amanhecer e no entardecer, nos sítios ou nas fazendas, chácaras ou acampamentos, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins; é nesse momento que as serpentes estão em maior atividade.

Proteger os predadores naturais de serpentes como as emas, as siriemas, os gaviões, os gambás e cangambás, e manter animais domésticos como galinhas e gansos próximos às habitações que, em geral, afastam as serpentes.

A caninana, é uma das cobras mais venenosas do Brasil? O bafo da jibóia é venenoso e causa cobreiro?

Não, a caninana não é peçonhenta mas á uma serpente muito agressiva, atacando quando se sente ameaçada. Como a jibóia também não é uma cobra peçonhenta, o bafo não é venenoso e nem causa cobreiro. Existem na natureza muito mais serpentes do grupo não peçonhento do que as consideradas peçonhentas de importância médica, que eventualmente podem picar e causar acidentes.

Como prevenir acidentes com aranhas e escorpiões?

Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem
Examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las
Afastar camas das paredes e evite pendurar roupas fora de armários
Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção
Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede
Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros, meia-canas e rodapés; utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos
Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros; evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada
Combater a proliferação de insetos, principalmente baratas e cupins, pois são alimentos para aranhas e escorpiões
Preservar os predadores naturais de aranhas e escorpiões como seriemas, corujas, sapos, lagartixas e galinhas
Limpar terrenos baldios pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas
Não colocar mãos ou pés em buracos, cupinzeiros, monte de pedra ou lenha, troncos podres etc.

Que tipos de serpentes peçonhentas existem no Brasil e que podem causar acidentes?

São quatro os tipos (gêneros) de serpentes peçonhentas no Brasil: Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu, , cotiara, caiçaca), Crotalus (cascavel), Lachesis (sucurucu-pico-de-jaca) e Micrurus (corais-verdadeiras).

As jararacas respondem por quase 90% dos acidentes ofídicos registrados, sendo encontradas em todo o país. Apesar de comuns, as corais verdadeiras são causa rara de acidentes pois os hábitos dessas serpentes não propiciam a ocorrência de acidentes.

As surucucus são serpentes que habitam matas fechadas sendo portanto encontradas principalmente na Amazônia e, mais raramente, na Mata Atlântica. Já as cascavéis preferem ambientes secos e abertos, não sendo comuns nas áreas onde as surucucus predominam.

Existe alguma época do ano em que os acidentes por animais peçonhentos ocorrem com maior freqüência?

Sim, a época de calor e chuvas é a mais propícia para a ocorrência dos acidentes pois é quando os animais estão em maior atividade, coincidindo com o período de plantio e colheita agrícola.

Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste os meses de dezembro a março concentram a grande maioria dos casos, enquanto que no inverno o número de acidentes diminui bastante. Já no Nordeste o pico coincide com meses de abril a junho. Na região Norte, apesar dos casos serem mais freqüentes também nos três primeiros meses do ano, não há uma variação tão marcada como nas demais partes do país.

Quais são os sintomas de uma pessoa picada por serpente?

No caso de um acidente por jararaca, a região da picada apresenta dor e inchaço, às vezes com manchas arroxeadas e sangramento pelos orificios da picada, além de sangramentos em gengivas, pele e urina. Pode haver complicações como infecção e necrose na região da picada e insuficiência renal.

Quadro semelhante ao acidente por jararaca. a picada pela surucucu-pico-de-jaca pode ainda causar vômitos, diarréia e queda da pressão arterial. Na picada por cascavel, o local da picada não apresenta lesão evidente, apenas uma sensação de formigamento; dificuldade de manter os olhos abertos, com aspecto sonolento, visão turva ou dupla são os manifestações características, acompanhadas por dores musculares generalizadas e urina escura.

O acidente por coral verdadeira não provoca no local da picada alteração importante; as manifestações do envenenamento caracterizam-se por visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento.

Quais os sintomas de uma pessoa picada por escorpião?

A picada por escorpião leva a dor no local da picada, de início imediato e intensidade variável, com boa evolução na maioria dos casos, porém crianças podem apresentar manifestações graves, como náuseas e vômitos, alteração da pressão sangüínea, agitação e falta de ar.

Quais são as aranhas que podem causar acidentes de importância médica no Brasil?

São três os tipos (gêneros) de aranhas: aranha-armadeira ou aranha-da-banana, encontrada em várias regiões do país, com predomínio na região Sudeste e Sul; aranha-marrom, muito comum no Sul, principalmente no Paraná, e viúva-negra, mais encontrada no litoral do Nordeste. A tarântula ou aranha-de-jardim e as caranguejeiras, apesar de muito temidas, não causam acidentes de importância; assim como as aranhas domésticas que fazem teias geométricas.

Quais os sintomas de uma pessoa picada por aranha?

A aranha-armadeira causa dor imediata e intensa, com poucos sinais visíveis no local da picada. Raramente crianças podem apresentar agitação, náuseas, vômitos e diminuição da pressão sanguínea.

No caso da aranha-marrom, a picada é pouco dolorosa e uma lesão endurecida e escura costuma surgir várias horas após, podendo evoluir para ferida com necrose de difícil cicatrização; raramente podem provocar escurecimento da urina. A viúva-negra leva a dor na região da picada, contrações nos músculos, suor generalizado e alterações na pressão e nos batimentos cardíacos.

Quais são as medidas que devo tomar após ser mordida por um animal peçonhento?

Lavar o local da picada de preferência com água e sabão.
Manter a vítima deitada, evitar que ela se movimente para não favorecer a absorção do veneno.
Se a picada for na perna ou no braço, mantê-los em posição mais elevada.
Não fazer torniquete: impedindo a circulação do sangue, você pode causar gangrena ou necrose.
Não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção.
Não dar à vítima pinga, querosene, ou fumo, como é costume em algumas regiões do país.
Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento em tempo.
Levar, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico.
Lembrar que nenhum remédio caseiro substitui o soro antipeçonhento.

Como é feito o tratamento dos acidentes por animais peçonhentos?

No caso dos acidentes ofídicos, o soro antiveneno é o único tratamento eficaz. Já para escorpiões e aranhas, os sintomas podem tratados com medidas para alívio da dor, como compressas mornas; caso não haja melhora, o paciente deve ser levado ao serviço de saúde mais próximo para se avaliar a necessidade de soro.

O soro pode ser utilizado em casa ou na fazenda, ou deve ser aplicado somente em hospital?

Não se recomenda o uso de soros fora do hospital pois a aplicação deve ser feita na veia e sendo ele produzido a partir do sangue do cavalo, ao ser injetado no organismo humano, pode provocar reações alérgicas que precisam ser tratadas imediatamente. Além disso, é preciso conhecer os efeitos clínicos dos venenos para se indicar o tipo correto e a quantidade de soro adequada para a gravidade.

O que acontece se uma mulher grávida for picada? O soro pode ser aplicado?

Não há contra-indicação para aplicação do soro em gestantes, devendo as mulheres ter uma atenção especial pois pode haver descolamento prematura da placenta e sangramento uterino.

Em quanto tempo é possível socorrer uma vítima picada por animal peçonhento?

Não há um tempo limite para tratar uma pessoa picada por animal peçonhento, devendo esta ser sempre levada para um hospital para avaliação médica. No entanto, sabe-se o tempo é um fator determinante para a boa evolução dos casos; no caso dos acidentes ofídicos, verifica-se que 6 a 12 horas depois do acidente aumentam os riscos de complicações.

Existe algum soro que possa ser utilizado em qualquer acidente por animal peçonhento?

Não existe soro polivalente ou universal. Para cada tipo de acidente existe um soro específico que deve ser aplicado em quantidade proporcional à gravidade. Se uma pessoa picada por jararaca receber o soro para cascavel, além de não neutralizar os efeitos do veneno, pode ainda apresentar reação alérgica a esse soro.

O soro pode ser comprado nas farmácias?

Não. Todo o soro produzido no Brasil é comprado pelo Ministério da Saúde que distribui aos Estados. Este, por sua vez, estabelece quais municípios devem receber o soro de modo a permitir que os pacientes recebam o tratamento gratuitamente. A relação dos hospitais que têm o soro está disponível nas secretarias de saúde estaduais.

Fonte:  www.butantan.gov.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

Picadas e ferroadas de animais peçonhentos

Animais peçonhentos são aqueles que introduzem no organismo humano substâncias tóxicas. Por exemplo, cobras venenosas, aranhas e escorpiões.

Se possível deve-se capturar ou identificar o animal que picou a vítima, mas sem perda de tempo com esse procedimento. Na dúvida, tratar como se o animal fosse peçonhento.

Sinais e sintomas

Marcas da picada.
Dor, inchaço.
Manchas roxas, hemorragia.
Febre, náuseas.
Sudorese, urina escura.
Calafrios, perturbações visuais.
Eritema, dor de cabeça.
Distúrbios visuais.
Queda das pálpebras.
Convulsões.
Dificuldade respiratória.

Primeiros socorros - Cobras

Manter a vítima deitada. Evite que ela se movimente para não favorecer a absorção de veneno;
Se a picada for na perna ou braço, mantenha-os em posição mais baixa que o coração;
Lavar a picada com água e sabão;
Colocar gelo ou água fria sobre o local;
Remover anéis, relógios, prevenindo assim complicações decorrentes do inchaço;
Encaminhar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para que possa receber o soro em tempo;
Não fazer garroteamento ou torniquete;
Não cortar ou perfurar o local da picada.

Medidas preventivas

Usar botas de cano longo e perneiras;
Proteger as mãos com luvas de raspa ou vaqueta;
Combater os ratos;
Preservar os predadores;
Conservar o meio ambiente.

Sinais e sintomas - Escorpiões/Aranhas

Dor;
Eritema;
Inchaço;
Febre;
Dor de cabeça.

Primeiros socorros

Os mesmos utilizados nas picadas de cobras;
Encaminhar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para avaliar a necessidade de soro específico.

Picadas e ferroadas de insetos

Há pessoas alérgicas que sofrem reações graves ou generalizadas, devido a picadas de insetos (abelhas e formigas).

Sinais e sintomas

Eritema local que pode se estender pelo corpo todo;
Prurido;
Dificuldade respiratória (Edema de glote).

Primeiros socorros

Retirar os ferrões introduzidos pelo inseto sem espremer;
Aplicar gelo ou lavar o local da picada com água corrente;
Encaminhar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para avaliar a necessidade de soro específico.

Fonte: www.fundacentro.gov.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

“Perguntou o Senhor Deus à mulher: Que é isto que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente enganou-me e eu comi.

Então o Senhor Deus disse à serpente:

Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais de campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Gênesis 3: 13-15

INTRODUÇÃO

Os acidentes por serpentes são os mais observados na Região Amazônica. A identificação da serpente causadora do acidente ofídico pode ser muito importante para orientar a conduta médica e a prescrição do soro mais conveniente.

Se a serpente trazida pelo acidentado tiver um orifício entre os olhos e a fossa nasal, a denominada fosseta loreal, trata-se de uma serpente peçonhenta.

As duas serpentes mais freqüentemente encontradas em nosso meio são dos gêneros:

Bothrops sp.: conhecida popularmente como surucucurana, jararaca ou surucucu. Causam a maioria dos acidentes na Amazônia e também na região de Manaus e municípios vizinhos.

Os triângulos do padrão do colorido do corpo destas serpentes têm o vértice voltado para cima.

Lachesis sp.: uma só espécie é conhecida e é popularmente chamada de surucucu ou surucucu-pico-de-jaca. São de hábitos umbrófilos e raramente se afastam muito da mata.

Os desenhos triangulares do corpo destas serpentes têm o vértice voltado para baixo.

Se a serpente tiver padrão de colorido em anéis transversais pretos, vermelhos e/ou brancos, pode tratar-se de uma coral peçonhenta, do gênero Micrurus (elapídeo), com várias espécies (quatro em Manaus), mas raramente causando acidente ofídico na Região Amazônica.

Se a serpente trazida pelo acidentado não apresentar padrão de colorido em faixas transversais pretas, vermelhas e/ou brancas, nem tiver fosseta loreal, trata-se de animal não perigoso para o homem em termos de peçonha.

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

ACIDENTE BOTRÓPICO: o veneno botrópico tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágica e os acidentes podem ser classificados em:

ACIDENTES LEVES: edema discreto (peri-picada) ou ausente e manifestações hemorrágicas leves ou ausentes. TC normal ou alterado.
ACIDENTES MODERADOS:
edema evidente e manifestações hemorrágicas discretas à distância (gengivorragia, epistaxe). TC normal ou alterado.
ACIDENTES GRAVES:
edema intenso ou muito extenso e manifestações sistêmicas como hemorragia franca, choque ou anúria. TC normal ou alterado.

Os acidentes botrópicos são os mais freqüentes em todo o Brasil (80 a 90%) e em 40% das vezes levam a complicações no local da picada.

ACIDENTE LAQUÉTICO: o veneno laquético tem ação proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurológica (vagal) e os acidentes (pequeno número de acidentes realmente documentados) podem ser classificados em:

ACIDENTES LEVES: edema discreto (peri-picada) ou ausente e manifestações hemorrágicas leves ou ausentes. Ausência de manifestações vagais. TC normal ou alterado.
ACIDENTES MODERADOS:
edema evidente e manifestações hemorrágicas discretas à distância (gengivorragia, epistaxe). Ausência de manifestações vagais. TC normal ou alterado.
ACIDENTES GRAVES:
edema intenso e manifestações sistêmicas como hemorragia franca. Presença de manifestações vagais (diarréia, bradicardia, hipotensão ou choque). TC normal ou alterado.
ACIDENTE ELAPÍDICO:
todo acidente causado pelo gênero Micrurus (coral verdadeira) é considerado potencialmente grave (acidente elapídico).

As manifestações clínicas suspeitas são: dor local discreta, algumas vezes com parestesia, vômitos, fraqueza muscular, ptose palpebral, oftalmoplegia, face miastênica, dificuldade para manter a posição ereta, mialgia localizada ou generalizada, disfagia e insuficiência respiratória aguda.

Se o paciente não trouxe o animal, mas refere ter sido mordido por serpente com anéis coloridos, mesmo estando assintomático deverá permanecer em observação por, no mínimo, 24 horas, pois os sintomas podem surgir tardiamente.

Algumas complicações são muito freqüentes nos pacientes vitimados de acidente ofídico:

SÍNDROME COMPARTIMENTAL: observa-se intenso edema no local do acidente, comprometendo gradualmente a função circulatória arterial. Os sinais clássicos são diminuição da temperatura no membro acometido, palidez, ausência de pulso arterial, parestesia e dor intensa;
HEMORRAGIA INTENSA:
quando há consumo significativo dos fatores de coagulação, o paciente pode apresentar hemorragia de tal monta a comprometer a hemodinâmica;
INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA:
esta é, felizmente, uma complicação mais rara;
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA: complicação dos acidentes elapídicos;
INFECÇÃO SECUNDÁRIA:
especialmente quando o paciente faz torniquete, coloca substâncias contaminadas no local da picada ou demora muito tempo para se submeter à soroterapia anti-ofídica, existe grande chance de infecção secundária, de etiologia muito similar à flora da cavidade oral da serpente e também da derme da vítima (por ordem de freqüência, temos infecções por anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos); costuma se manifestar clinicamente no mínimo 48 horas depois do acidente.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

O diagnóstico do acidente ofídico é essencialmente clínico, baseado na anamnese cuidadosa do paciente ou acompanhante, classificação da serpente por um funcionário da Gerência de Animais Peçonhentos (sempre que esta for trazida pelo paciente) e na inspeção da lesão.

Rotineiramente, devem ser solicitados: TC, TAP, hemograma, bioquímica do sangue (uréia, creatinina, CPK, DHL, TGO, potássio) e EAS.

TRATAMENTO

O soro antibotrópico (SAB) deve ser administrado nos acidentes ofídicos botrópicos comprovados (quando o paciente trouxer o animal) ou suspeitos (acidente ocorrido no quintal da casa, roça, ambientes urbanos, ruas, praças, etc).

Fazer soro antibotrópico-laquético (SABL) somente quando o acidente houver ocorrido em floresta primária (mata fechada) ou capoeira densa e/ou se houver alguma manifestação clínica de estimulação vagal, pela possibilidade de estarmos diante de um acidente laquético.

O soro anti-laquético (SAL) puro raramente está disponível. Todo paciente com clínica de envenenamento elapídico deverá receber soro anti-elapídico (SAE).

MODELO DE PRESCRIÇÃO PARA SORO HETERÓLOGO

Dieta oral zero até segunda ordem (ou até término da soroterapia)
Instalar acesso venoso com cateter em Y
Hidrocortisona 500 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
Cimetidina 300 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
Prometazina 50 mg (ou 0,5 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
Soro anti-ofídico IV, sem diluir, infundido durante 30 minutos
Deixar bandeja de traqueostomia e material de urgência à beira do leito
Dipirona 1g (ou 15 mg/kg) IV 4/4h (para analgesia inicial)
Sinais vitais a cada 10 minutos

DOSAGEM DE SORO ANTI-OFÍDICO ESPECÍFICO

ACIDENTE LEVE MODERADO GRAVE
Botrópico 05 amp. de SAB 08 amp. de SAB 10 amp. de SAB
Laquético 05 amp. de SAL ou SABL 10 amp. de SAL ou SABL 20 amp. de SAL ou SABL
Elapídico - 10 amp. de SAE  

Os pacientes vitimados de acidente por animais peçonhentos deverão permanecer em observação no Pronto-Atendimento da FMT/IMT-AM por um período mínimo de 24 horas e os exames complementares serão repetidos 24 horas após a administração do soro heterólogo.

Dar alta ao paciente somente se o processo inflamatório no segmento do corpo atingido for muito discreto ou inexistente e se o TC, TAP e creatinina estiverem normais.

Neste caso, encaminhar ao Ambulatório da FMT/IMT-AM, para acompanhamento. Caso contrário, internar o paciente em uma das enfermarias.

TRATAMENTO DA SÍNDROME COMPARTIMENTAL:

quando houver suspeita de compressão vascular, o paciente deve ser imediatamente avaliado por um cirurgião, com vistas à realização de fasciotomia para descompressão;

TRATAMENTO DA HEMORRAGIA INTENSA:

nestes casos está indicada a reposição de plasma fresco congelado, em quantidade proporcional ao quadro clínico, sempre com monitoração pelo TAP;

TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA:

requer a avaliação de um nefrologista com vistas à realização de terapia dialítica;

TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA:

com neostigmina, que pode ser utilizada como teste na verificação de resposta positiva aos anticolinesterásicos (aplicar 0,05 mg/kg em crianças ou 1 ampola no adulto, por via IV; a resposta, quando existe, é rápida, com evidente melhora do quadro neurotóxico nos primeiros 10 minutos; continuar, então, com a terapêutica de manutenção) ou como terapêutica (0,05 a 0,1 mg/kg, IV, a cada 4 horas, ou em intervalos menores, precedida da administração de atropina 0,5 mg IV em adultos ou 0,05 mg/kg IV em crianças);

TRATAMENTO DA INFECÇÃO SECUNDÁRIA:

Constitui tarefa complicada distinguir o processo inflamatório induzido pelo veneno daquele produzido por infecção bacteriana secundária; a antibioticoterapia está indicada na situação em que os pacientes com quadro clínico já estabilizado apresentarem febre, infartamento ganglionar regional e reativação dos sinais flogísticos locais e ainda pacientes que mantiverem leucocitose após 24 horas da soroterapia; a primeira escolha é penicilina G cristalina (100.000-200.000 UI/kg/dia IV 4/4h, por sete dias), caso não haja melhora deve-se associar a gentamicina (3-5mg/kg/dia IV 1x/dia) após avaliação criteriosa da função renal; em caso de não-resposta, outras opções de antibióticos devem ser discutidas para cada caso.

Geralmente quando não há melhora, deve-se suspeitar de abscedação no local da picada e o paciente deve ser encaminhado imediatamente para tratamento cirúrgico; o material drenado sempre deve ser enviado ao Laboratório de Bacteriologia. A antibioticoprofilaxia deve ser evitada.

CUIDADOS GERAIS:

Manter a higiene do membro acometido;
Manter o membro sempre elevado;
Enquanto houver alteração do TC, realizar apenas compressas frias, quando houver normalização deste e suspeita de infecção secundária, realizar compressas normas;
A analgesia poderá ser feita inicialmente com dipirona, mas se persistir a dor, poderá ser usado Tramadol (100mg IV até 4/4h);
Os curativos serão feitos apenas com SF0,9% e solução antisséptica, devendo-se evitar a oclusão;
Fazer a profilaxia para tétano, conforme a recomendação vigente.

OUTROS ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS

ACIDENTES ESCORPIÔNICOS:

Os escorpiões são animais de terra firme, com preferência por ambientes quentes e áridos, onde podemos encontrar grande diversidade de espécies.

Alimentam-se de pequenos insetos e aranhas. Em cativeiro, podem atacar outros escorpiões. Vivem sob pedras, madeiras, troncos em decomposição.

Alguns se enterram no solo úmido da mata ou areia. Podem viver no peridomicílio ocultados por entulhos.

O gênero Tityus é o mais rico em espécies, que ocorrem desde o sul dos EUA até a Argentina.

No Amazonas, os acidentes são causados principalmente por: T. silvestris, T. cambridgei, T. metuendus.

Os acidentes ocorrem em maior freqüência em indivíduos do sexo masculino, sendo mais comum nas extremidades. Acidentes graves apresentam alta letalidade, principalmente em crianças menores de sete anos e idosos acima de 60 anos.

Nesses casos é fundamental a precocidade do atendimento e rápida instituição da terapêutica com o soro anti-escorpiônico. O veneno tem ação neurotóxica e os casos mais graves podem evoluir com choque neurogênico.

Os pacientes queixam-se de dor local seguida por parestesia, mas podem apresentar náuseas, vômitos, agitação psicomotora, sudorese, hipotermia, hipotensão ou hipertensão arterial e dispnéia.

Casos ainda mais graves podem apresentar sinais de comprometimento do sistema nervoso central (convulsões, edema, dislalia ou diplopia), insuficiência renal ou edema agudo de pulmão.

O uso do soro anti-escorpiônico (SAEs) deve seguir as mesmas orientações do uso de outros soros heterólogos.

ACIDENTES LEVES:

Dor local, às vezes com parestesia; não administrar soro anti-escorpiônico (SAEs). Observar o paciente por 6 a 12 horas;

ACIDENTES MODERADOS:

Dor local intensa, manifestações sistêmicas como sudorese discreta, náuseas, vômitos ocasionais, taquicardia, taquipnéia e hipertensão leve; administrar 2 a 3 ampolas de SAEs IV;

ACIDENTES GRAVES:

Além dos sinais e sintomas já mencionados, apresentam uma ou mais manifestações como sudorese profusa, vômitos incoercíveis, salivação excessiva, alternância entre agitação e prostração, bradicardia, insuficiência cardíaca, edema pulmonar, choque, convulsões e coma; vômitos profusos e incoercíveis preconizam gravidade; administrar 4 a 6 ampolas de SAEs IV.

ARACNEÍSMO:

são acidentes causados por aranhas. No Brasil, cerca de 95% dos acidentes são notificados nas Regiões Sudeste e Sul.

O tratamento específico é dispensável na maioria dos casos, sendo, portanto, restrita a sua indicação. As aranhas são animais de hábitos noturnos, sendo causas de acidentes no peri e intradomicílio, onde co-habitam com o homem.

Os principais gêneros são:

Phoneutria (aranha armadeira), Loxosceles (aranha marrom), Latrodectus (viúva-negra) e Lycosa (tarântula). Merece destaque o gênero Loxosceles, que é uma aranha pequena, doméstica, sedentária e mansa, agredindo apenas quando é espremida contra o corpo.

Causam acidentes graves, com aspecto necrosante, devido à ação proteolítica do veneno. A lesão é evidenciada até 36 horas após a picada.

Forma-se uma placa infiltrada, edematosa, com áreas isquêmicas entremeadas de áreas hemorrágicas. Pode evoluir para necrose seca e úlcera de difícil cicatrização. Paciente portador de deficiência de G6PD podem apresentar febre, anemia e hemoglobinúria. O tratamento deverá contemplar medidas de suporte e o soro anti-loxoscélico (5 a 10 ampolas IV).

ICTISMO:

São os acidentes causados por peixes. São muito comuns na Região Amazônica, especialmente os causados por arraia. Evoluem com dor intensa local, sangramentos, edema, sudorese, náuseas e vômitos.

O tratamento consiste em limpeza do local afetado com água ou SF0,9% e imersão em água morna (a ictiotoxina é termolábil). Na persistência de dor pode-se usar Tramadol. Pode ser necessário debridamento cirúrgico da lesão, com posterior profilaxia para tétano.

HIMENOPTERISMO:

São os acidentes causados por vespas, abelhas, marimbondos (cabas) e formigas. As manifestações clínicas são conseqüentes à ação da peçonha contida no ferrão. Pode ter uma ação bloqueadora neuromuscular e hemolítica (observada em casos de picadas múltiplas).

Após a picada surge dor intensa, eritema e linfangite. Pode evoluir com torpor, agitação, metemoglobinúria, icterícia, insuficiência renal aguda e ainda choque anafilático.

A conduta consiste em observar os sinais vitais, promover analgesia sistêmica ou local, utilizar anti-histamínicos por 3 a 5 dias e retirar os ferrões por raspagem (bisturi, lâmina de barbear ou faca) para evitar a inoculação do veneno neles contido.

ERUCISMO:

São acidentes causados por lagartas e taturanas com pêlos urticantes que, ao serem tocados, liberam substância tóxica semelhante à histamina e serotonina.

Ocorre dor local por vezes intensa, eritema, edema, mal-estar, náuseas, e vômitos e hiperalgesia. Há lagartas que podem causar acidentes hemorrágicos (Lonomia sp.). O tratamento é sintomático, com analgesia e anti-histamínicos. O soro anti-lonômico não está disponível em nosso meio.

Alcidéa Rêgo Bentes de Souza

Antônio Magela Tavares

Paulo F.Bührnheim (In Memoriam)

Fonte: www.fmt.am.gov.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

O que são Animais Peçonhentos?

Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Portanto, peçonhentos são os animais que injetam veneno com facilidade e de maneira ativa.

Ex.: Serpentes, Aranhas, Escorpiões, Lacraias, Abelhas, Vespas, Marimbondos e Arraias.

Já os animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento passivo por contato (lonomia ou taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu).

Como prevenir acidentes com ofídios

Nunca andar descalço. O uso dos sapatos, botinas sem elásticos, botas ou perneiras .deve ser obrigatório. Dependendo da altura do calçado, os acidentes podem ser evitados na ordem de 50 até 72%.

Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer.

Usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem. Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras.

Não colocar as mãos em tocas para pegar pelo rabo o tatu que é visto ao entrar; esta é a melhor maneira de ser picado por cascavéis que se abrigam nesses locais.

Não utilizar diretamente as mãos ao tocar em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas secas; usar sempre antes um pedaço de pau, enxada ou foice, se for o caso. Esse tipo de cuidado pode evitar até 20% dos acidentes que acontecem nas mãos e no antebraço.

Vedar frestas e buracos em paredes e assoalhos.

Ao entrar nas matas de ramagens baixas, ou em pomar com muitas árvores, parar no limite de transição de luminosidade e esperar sempre a vista se adaptar aos lugares menos iluminados.

A adaptação da visão ao local menos claro ou à penumbra em dia de luminosidade intensa é mais lenta e a falta de cuidado nesse instante pode provocar acidentes ofídicos nos braços, nos ombros, na cabeça e rosto, da ordem de 5 a 6%.

Se por qualquer razão tiver que abaixar-se, além de olhar bem o local, procurar bater a vegetação ou as folhas, principalmente no trabalho de limpeza de covas de café. A coloração da cascavel se confunde muito com a das ramagens e folhas secas dessas plantações e há casos de acidente ofídico devido a esse tipo de camuflagem, porque a pessoa não enxerga a serpente.

Não depositar ou acumular material inútil junto à habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção. Manter sempre uma calçada limpa ao redor da casa.

Essa faixa pavimentada junto às paredes tem várias utilidades: evita penetração de umidade nos alicerces, impede o contato com capim ou grama dos jardins e principalmente portas, que normalmente devem estar fechadas e ter um mínimo de vão no solo. Lembrar os casos de acidentes ofídicos dentro de casa.

Evitar trepadeiras muito encostadas a casa, folhagens entrando pelo telhado ou mesmo pelo forro.

Procurar controlar o número de roedores existentes na área de sua propriedade. Não se esquecer de que ao lado dos outros problemas de saúde pública, a diminuição do número de roedores irá comprometer o ciclo biológico das serpentes venenosas que deles se alimentam. Só isso diminuirá fatalmente a fauna ofídica da região.

Não montar acampamento junto a plantações, pastos ou matos denominados “sujos”, regiões onde há normalmente roedores e maior número de serpentes.

Não fazer piquenique às margens dos rios ou lagoas, deles mantendo distância segura, e não encostar em barrancos durante a pescaria.

Nas matas ou nas beiradas das entradas, em acampamentos ou piqueniques, nunca deixar as portas do carro abertas, principalmente ao anoitecer. Mesmo durante a troca de pneu, ter essa precaução. A falta de cuidado deixa o motorista posteriormente preocupado com a possibilidade de ter uma serpente dentro do carro.

O manuseio de serpentes vivas deve ser feito com laço de Lutz ou com ganchos apropriados, por pessoas treinadas e com aptidão para o ofício.Não tocar nas serpentes, mesmo mortas, pois por descuido ou inabilidade há o risco de ferimento por esbarro nas presas venenosas.

Nos Institutos de pesquisa dedicados também ao trabalho com serpentes venenosas vivas, os acidentes ocorrem em laboratórios ou em serpentários com técnicos especializados com extração de veneno na ordem de 1:10.000 extrações. Este risco é inerente ao trabalho e pode ser evitado pelo uso de gás carbônico, que tem a dupla finalidade de provocar a anoxia da serpente e deixá-la inerte alguns segundos, tempo suficiente para extrair o veneno e não traumatizá-la com contenção mais violenta.

Não assustar as pessoas com serpentes, aranhas ou escorpiões, mesmo que sejam de brinquedo; o medo inato pode trazer conseqüências imprevisíveis.

No período noturno, nos sítios ou nas fazendas, chácaras ou acampamentos, deve ser evitada a vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins.

Não matar, não deixar matar e não espantar da região as emas, as siriemas, os gaviões, inimigos das serpentes, os quais, assim como o gambá ou cangambá, matam e comem cobras. O gambá, animal implacavelmente morto pelo homem nos sítios e nas fazendas, é de extraordinária resistência aos venenos ofídicos, especialmente ao da urutu – Bothrops alternatus.

Animais domésticos como galinhas e gansos, em geral, afastam as serpentes das áreas mais próximas as habitações.

Como prevenir acidentes com aranhas e escorpiões

Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem.
Examinar e sacudir calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las.
Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários.
Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção.
Limpar regularmente atrás de móveis, cortinas, quadros, cantos de parede.
Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros, meia-canas e rodapés. Utilizar telas e vedantes em portas, janelas e ralos. Colocar sacos de areia nas portas para evitar a entrada de animais peçonhentos.
Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros. Evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto as casas e manter a grama sempre cortada.
Combater a proliferação de insetos, principalmente baratas e cupins, pois são alimentos para aranhas e escorpiões.
Preservar os predadores naturais de aranhas e escorpiões como seriemas, corujas, sapos, lagartixas e galinhas.
Limpar terrenos baldios pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas.
Não colocar mãos ou pés em buracos, cupinzeiros, monte de pedra ou lenha, troncos podres, etc.

Sistemas Nacionais de Informação sobre Acidentes com Animais Peçonhentos

No Brasil existem pelo menos quatro sistemas de informação que tratam do registro de acidentes por animais peçonhentos: o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX, o Sistema Nacional de Agravos de Notificação – SINAN, o Sistema de Internação Hospitalar – SIH-SUS e o Sistema de Informação de Mortalidade – SIM.

Cada um desses sistemas possui características próprias, foram criados para atender demandas diferentes, e ao invés de se completarem, muitas vezes se contradizem. Enquanto um apresenta crescimento do número de casos, o outro apresenta decréscimo.

Fonte: portal.saude.rj.gov.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

DIAGNÓSTICO DOS ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS

O diagnóstico de acidente por animais peçonhentos depende tanto do reconhecimento do animal agressor quanto das manifestações clínicas apresentadas pelo paciente.

Especialmente com serpentes, o diagnóstico de certeza é feito quando é capturada e trazida para identificação e existem os sinais evidentes da picada, acompanhados ou não de manifestações locais ou sistêmicas, compatíveis com um envenenamento.

Diante de um acidente por animal peçonhento, deve-se procurar identificar o animal, se possível, levantar o local da ocorrência do acidente, o horário em que ocorreu e quando procurou atendimento (lembrar da importância do tempo transcorrido entre o momento do acidente e o tratamento), proceder o exame físico geral, a descrição da região anatômica do acidente, quais os primeiros cuidados com o acidentado e fazer a classificação do envenenamento, realizar exames (provas de coagulação, hemograma, dosagens de uréia e creatinina, eletrólitos, creatinofosfoquinase (CPK), desidrogenase láctica (LDH) e aldolase, exames de urina) a fim de dar seguimento ao tratamento.

À seguir serão descritas as ações básicas dos diversos venenos e manifestações clínicas de maior freqüência na evolução dos pacientes, bem como tratamento preconizado.

ACIDENTE BOTRÓPICO

As serpentes do gêneroBothrops são responsáveis por 90% dos acidentes ofídicos no Brasil. Habitam, preferencialmente locais úmidos (matas e áreas cultivadas, locais de proliferação de roedores, possuem hábito noturno e são consideradas as mais agressivas.

O veneno destas serpentes apresentam ação hemorrágica (causada por fatores hemorrágicos denominados hemorraginas), coagulante (transformando diretamente o fibrinogênio em fibrina) e proteolíca (ação citotóxica direta nos tecidos por frações proteolíticas do veneno). As manifestações locais do veneno botrópico são evidentes, caracterizadas por dor imediata, de intensidade variável.

Dentro das seis primeiras horas podem surgir edema endurado, calor e rubor, bolhas equimose, necrose, oligúria e anúria nas doze horas subseqüentes. Pode haver hemorragia no local da picada ou distante (gengivorragia, epistaxe, hematêmese, hematúria e na borda ou leito ungueal.

O tempo de coagulação (TC) e de tromboplastina parcial ativada (TTPA) são aumentados pela ação coagulante do veneno. Nos casos graves de envenenamento, concomitante às manifestações descritas, podem ocorrer vômitos, sudorese, hipotermia, hemorragias graves, choque, insuficiência renal aguda e incoagulabilidade sangüínea. Nos casos moderados, as manifestações locais são mais intensas e as sistêmicas, quando presentes, discretas.

Já nos casos leves, ocorrem apenas manifestações locais discretas e o tempo de coagulação pode ser normal ou pouco alterado.

O tratamento consiste na administração de anti-veneno a fim de neutralizar o veneno inoculado. Nos acidentes considerados leves (edema,TC normal ou alterado) deve-se administrar 4 (quatro) ampolas de soro anti-botrópico (SAB), endovenoso.

Nos acidentes moderados (edema evidente, alterações sistêmicas), administra-se 8 (oito)ampolas de SAB. Em acidentes graves, com edema intenso, alterações sistêmicas evidentes) o tratamento consiste na adeministração de 12 (doze) ampolas de SAB. Deve-se, ainda, avaliar a necessidade de antibioticoterapia.

Ainda nos envenenamentos botrópicos, pode haver síndrome compartimental, com indicação de fasciotomia, bem como pode ocorrer gangrena, abscessos, ulcerações com necrose, o que indica debridamento. O paciente deve ser acompanhado e alertado para o surgimento de eventuais complicações tardias, tais como as renais.

ACIDENTE CROTÁLICO

Segundo estatísticas os acidentes crotálicos (termo derivado de Crotalus, do latim Krotalu, do grego Krótalon, guizo) são responsáves por 10% das ocorrências,

A cascavel é encontrada em campos abertos, áreas secas e arenosas. Não tem por hábito atacar e, quando excitada, denuncia sua presença pelo ruído característico do guizo ou chocalho.

A composição do veneno crotálico é complexa e constituída de enzimas, toxinas e peptides, que apresenta efeitos importantes sobre os músculos esqueléticos, sistema nervoso, rins e sangue.

A fração mais conhecida é a crototoxina. Sintomas inespecíficos como náuseas, mal estar geral, sudorese ou secura da boca podem aparecer precocemente.

Devem ser considerados o medo e o estado de tensão emocional, habitualmente encontradas nos pacientes durante as primeiras horas após o acidente ofídico.

Os sintomas decorrentes da atividade neurotóxica são conseqüência do bloqueio pré-sináptico da junção mioneural e podem aparecer precoce ou tardiamente.

A atividade neurotóxica caracteriza-se por:

Fáscies miastênica típica, com ptose palpebral bilateral;
Oftalmoplegia, diplopia, dificuldade de acomodação com conseqüente turvação visual;
Paralisia da musculatura dos membros;
Paralisia da musculatura respiratória, com possibilidade de ocorrer insuficiência respiratória aguda;
Paralisia velopalatina, com dificuldade de deglutição, sialorréia, e diminuição do reflexo de vômito (podem, ainda, aparecer fasciculações musculares);
A atividade miotóxica parece ser responsável por mialgia e por discreto edema no local da picada.

A urina de cor avermelhada, ou de tonalidades variáveis, até o marron, sinal mais evidente de rabdomiólise, podendo haver, ainda, oligúria e anúria como alerta para uma provável insuficiência renal aguda, geralmente com quadro de necrose tubular.

A atividade coagulante pode levar, teoricamente, à incoagulabilidade sangüínea, dependendo da penetração do veneno. O tratamento consiste na neutralização através de soro anti-crotálico, classificando o acidente desde leve, tratando com 5 ampolas, moderado, com 10 ampolas e grave, com 20 ampolas.

ACIDENTE LAQUÉTICO

São raros os acidentes relatados no Brasil. As manifestações clínicas são semelhantes às do envenenamento botrópico, acrescidas de bradicardia, diarréia, hipotensão arterial e choque, atribuídas à ação vagal do veneno. No tratamento deve se utilizado o soro anti-laquético de 10 a 20 ampolas.

ACIDENTE ELAPÍDICO

Tais acidentes representam menos de 0,5%. As corais verdadeiras são animais de pequeno porte, tem boca pequena, com presas não articuladas, e vivem entocadas.

Possuem hábitos noturnos e só atacam em casos de estímulos.

Os sintomas aparecem rapidamente, em virtude do baixo peso molecular das neurotoxinas: fáscies miastênica com ptose palpebral, paralisia da musculatura respiratória, oftalmoplegia, paralisia velopalatina, paralisia flácida dos membros, quadro bastante semelhante ao de envenenamento crotálico, porém, de maior gravidade.

O bloqueio da junção mioneural ocorre pós-sinapticamente.

A reversão do bloqueio é possível através do uso de anticolinesterásicos (possibilitando o tratamento de insuficiência respiratória, enquanto se remove o paciente para um centro especializado).

São utilizadas neostigmine e atropina. O tratamento consiste na administração endovenosa de 10 ampolas de soro anti-elapídico.

ACIDENTE ARACNÍDICO

LOXOSCELES

A fisiopatologia está associada ao componente protéico do veneno que atua sobre a esfingomielina de membranas endoteliais, hemácias e plaquetas (atividade esfingomielinásica-D.

A ação local se deve à oclusão de vênulas e arteríolas por coagulação endovenosa focal, infiltrado polimorfonuclear ao redor de pequenos vasos e trombos plaquetários, sendo responsável pela necrose cutânea. As alterações sistêmicas estão relacionadas à atividade hemolítica, ativação do sistema compemento, coagulação intravascular disseminada (formas mais graves).

Geralmente, o acidentado procura atendimento de 12 a 36 horas após a picada, pela instalação lenta e progressiva. Inicialmente, surge edema endurado, eritema no local da picada, posteriormente, áreas hemorrágicas mescladas com áreas de isquemia (placa marmórea), dor local intensifica, podendo haver febre e exantema.

A lesão cutânea pode evoluir para necrose seca, úlcera de difícil cicatrização em mais ou menos 4 semanas, havendo necessidade de enxerto. Tais sinais e sintomas caracterizam a forma cutânea, sendo tratada com 5 ampolas de soro anti-loxoscélico, além do tratamento geral que pode incluir anti-histamínicos, analgésicos, corticosteróides tópicos.

A forma cutâneo-visceral pode ser marcada por hemólise intravascular, anemia aguda, icterícia, hemoglubinúria. Pacientes com lesões cutâneas posem desenvolver hemólise maciça e evoluir para insuficiência renal aguda e até óbito. O tratamento consiste na administração endovenosa de 10 ampolas.

PHONEUTRIA

O veneno atua sobre os canais de sódio, induzindo a despolarização das fibras musculares e terminações nervosas, sensitivas, motoras e sistema nervoso autônomo e alterações sistêmicas, liberando catecolaminas e acetilcolina. O principal sintoma é dor local de intensidade variável, irradiando à raiz do membro picado.

Edema, sudorese, hiperemia, parestesia, fasciculação muscular, taquicardia ou bradicardia, vômitos, podem estar presentes dependendo da gravidade do envenenamento. Os exames laboratoriais podem mostrar leucocitose com neutrofilia (em crianças), hiperglicemia, acidose metabólica.

Os acidentes são classificados em leve (com sintomatologia predominantemente local) com taquicardia e agitação secundária à dor. Neste caso o tratamento é sintomático com administração de analgésico sistêmico ou bloqueio local com lidocaína 2% sem vasoconstritor.

Os acidentes classificados como moderados incluem taquicardia, hipertensão arterial, sudorese profusa, agitação psicomotora, visão turva, vômitos ocasionais, priapismo, sialorréia discreta. São tratados com a administração de 2 a 4 ampolas de soro anti-aracnídico.

Os acidentes graves, geralmente ocorrem em crianças e além dos sintomas já citados incluem vômitos profusos e freqüentes, bradicardia, hipotensão arterial, choque, dispnéia, graus variáveis de depressão neurológica, coma, convulsões e parada cárdio-respiratória. Utiliza-se de 5 a 10 ampolas de soro anti-aracnídico.

ACIDENTE ESCORPIÔNICO

Os acidentes determinados pelos escorpiões são importantes não só pela freqüência com que ocorrem em algumas regiões, mas também pela gravidade de alguns acidentes, principalmente em crianças.

Ocorrem somente quando o escorpião é tocado, sendo a sintomatologia observada predominantemente local, na grande maioria dos caso. A dor é o principal sintoma, de intensidade variável, podendo se acompanhar de irradiação para o segmento proximal, parestesia hiperemia local, edema, e sudorese local .

Os sintomas sistêmicos são mais raros e, em geral surgem apenas nos casos de maior gravidade, principalmente em crianças e eventualmente em idosos, sendo descritos: sudorese generalizada, lacrimejamento, hipertermia, tremores, vômitos, palidez cutânea, perturbação dos movimentos oculares, dor abdominal, diarréia, sialorréia, disfagia, apnéia, estertores pulmonares, taquipnéia, expectoração rósea, agitação psicomotora, hipertonia, prostração, coma, convulsões e até mesmo hemiplegia aguda.

Nos acidentes leves, a conduta é observação, exames subsidiares como eletrocardiograma, e tratamento sintomático. Nos acidentes moderados, devem ser administrados 2 a 3 ampolas de soro anti-escorpiônico (SAE) e nos moderados de 4 a 6 ampolas de SAE.

Angela Cristina Lopes

Fonte: www.hospvirt.org.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

Picada de Cobra

As cobras são animais de sangue frio, ou seja, não conseguem manter a temperatura de seu corpo, quando seu corpo está 'frio' seu metabolismo diminui de tal forma que ela é capaz de ficar dias sem comer.

Para a digestão as cobras também precisam manter uma temperatura 'agradável', pois para o processo digestivo ocorrer é preciso um bom funcionamento metabólico do animal, por isso que depois de uma boa alimentação as cobras costumam ficar horas paradas ao sol.

Esse fato também explica a distribuição de cobras no planeta, pode-se notar que em lugares frios não existem cobras e nem outros tipos de répteis.

Fora os lugares frios, as cobras se adaptaram bem aos outros habitats, podendo ser encontradas desde os secos desertos até as úmidas florestas tropicais.

Identificação

Dessas cobras, as venenosas, existem pequenos detalhes a serem lembrados:

Apresentam uma pequena cavidade, muitas vezes confundida com uma narina, chamada fosseta loreal.
A forma de sua cabeça é triangular e apresenta pequenas escamas.
Possuem grandes dentes frontais.
Na maioria das vezes chamam a atenção, seja pela cor ou por seus ruídos (somente as cascavéis apresentam um chocalho, que o som serve como um tipo de alerta para outros animais).

Mas lembre-se:

Alguns detalhes são muito difíceis de serem notados e existem muitas exceções, portanto tome cuidado com todas as cobras...

Caso você encontre uma e capture-a, envie-a para o Instituto Butantã!

VENENOSAS NÃO VENENOSAS
Acidentes Com Animais Peçonhentos Acidentes Com Animais Peçonhentos
Cabeça chata, triangular, bem destacada Cabeça estreita, alongada, mal destacada
Acidentes Com Animais Peçonhentos Acidentes Com Animais Peçonhentos
Olhos pequenos, com pupila em fenda vertical e fosseta loreal entre os olhos e as narinas (quadradinho preto). Olhos grandes, com pupila circular, fosseta lacrimal ausente.
Acidentes Com Animais Peçonhentos Acidentes Com Animais Peçonhentos
Escamas do corpo alongadas, pontudas, imbricadas, com carena mediana, dando ao tato uma impressão de aspereza. Escamas achatadas, sem carena, dando ao tato uma impressão de liso, escorregadio.
Acidentes Com Animais Peçonhentos Acidentes Com Animais Peçonhentos
Cabeça com escamas pequenas
semelhantes às do corpo.
Cabeça com placas em vez de escamas
Acidentes Com Animais Peçonhentos Acidentes Com Animais Peçonhentos
Cauda curta, afinada bruscamente Cauda longa, afinada gradualmente
Acidentes Com Animais Peçonhentos Acidentes Com Animais Peçonhentos
Quando perseguida, toma atitude de ataque, enrodilhando-se Quando perseguida, foge

Instituto Butantan

O Instituto Butantan é um centro de pesquisa biomédica vinculado à Secretaria da Saúde do Governo do Estado de São Paulo. Localizado no Bairro do Butantã, ao lado da Cidade Universitária, em uma extensa área verde é uma das principais referências turísticas da cidade.

É um centro de renome internacional em pesquisa científica de animais peçonhentos, possui uma das maiores coleções de serpentes do mundo, composta por 54 mil exemplares e é o maior produtor nacional de soros e vacinas.

O Instituto Butantan congrega diversas equipes multidisciplinares em Laboratórios de Pesquisa, no Hospital Vital Brazil, em Unidades de Produção de Vacinas e Biofármacos, e nos Museus e Biblioteca. O Instituto Butantan atua também em diversas áreas de extensão cultural.

O que acontece

Aproximadamente 1% das picadas de cobras venenosas é fatal quando a vítima não é socorrida a tempo. Mesmo que seja impossível reconhecer a cobra que causou o acidente, é necessário procurar um médico, enquanto mantém-se a vítima deitada e calma.

Ação vasculotóxica

Manifesta-se por hemorragias devido a lesão vascular, equimoses e sangramentos pelo nariz e gengiva. Bolhas, equimoses, necrose, urina ausente ou baixo das necessidades orgânicas, levando à insuficiência renal aguda (12h depois do acidente).

Abaixo necrose em um coelho que também foi picado por uma bothrops.

Ação proteolítica

Caracteriza-se por edema local firme, acompanhado de dor que pode variar de discreta a intensa, bolhas, necroses e abscessos.

Sinais indicadores

Inchaço e dores, com sensação de formigamento no local da mordida.
Manchas rosas na pele.
Pulso acelerado.
Fraqueza e visão turva.
Náuseas, vômitos e dificuldades para respirar. 5. O que não fazer5.1. Não dê álcool a vítima, sedativos ou aspirinas.
Nunca faça cortes ou incisões.
O uso do torniquete é contra-indicado.

O que fazer

Solicite socorro médico imediato.
Mantenha o local da mordida abaixo do nível do coração. Em seguida, limpe-o com água e sabão.
Compressas de gelo ou água fria retardam os efeitos do veneno.

Fonte: www.bombeirosemergencia.com.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

Acidentes por animais peçonhentos

Entre os animais peçonhentos, os mais freqüentes no Brasil são as serpentes, escorpiões e aranhas. Os acidentes causados por esses animais são muito comum nos campos e matas.

O grau de envenenamento depende da espécie do animal inoculador, quantidade de peçonha injetada e local da picada.

Cobra

Os gêneros de cobra que causam mais acidentes são: Bothrops (Jararaca), Crotalus Lachesis (Cascavel), Etapidal (Surucucu) e Elapidae (Coral).

Cerca de 90% dos acidentes no Brasil são causados pela Jararaca. Em segundo lugar está a cascavel. O veneno atua no sistema nervoso e circulatório, rins e sangue.

Para a identificação da serpente, sempre que possível, deve-se capturar o animal para exame. A diferença entre uma serpente venenosa e não venenosa pode ser percebida pelas características morfológicas do ofídio, pelos sintomas e pela mordedura. Se o local da picada tiver dois pontos, trata-se de cobra venenosa, se for uma fileira de pontos, trata-se de uma cobra não venenosa.

O tratamento do indivíduo picado deve ser precoce devido a rápida absorção do veneno. A neutralização do veneno é feita por soros específicos.

Se o paciente for atendido logo após a picada, deve-se tomar as seguintes providências:

Após a picada, manter o paciente em repouso, evitando que ande ou corra.
Elevar o membro afetado.
Fazer várias perfurações em torno da região, com agulha esterilizada. Provocar o sangramento no local da picada.
Fazer sucção bucal ou por meio de ventosa no local.
Aplicar compressas frias ou gelo no local do ferimento.
Não dar qualquer bebida alcóolica para o paciente.
Levar o acidentado e a cobra (viva ou morta, se possível) imediatamente ao posto médico mais próximo

Prevenções dos acidentes ofídicos:

Não andar descalço nas matas, usar botas. 60% dos acidentes ofídicos são produzidos por picadas nos pés ou pernas.
Evitar introduzir as mãos e os pés em locais possíveis de serem habitados por serpentes (tocas no solo, pedras acumuladas).
Não acumular em torno da casa objetos e detritos.
Evitar o manuseio de serpentes vivas ou mesmo mortas, pois estas conservam algum veneno em sua presa.
Atenção ao subir em árvores.
Usar luvas para limpeza e campina de terrenos.
Evitar acampar próximo a plantações, matas, pastos...

Escorpião

Causam mortes sobretudo em crianças. Os escorpiões são aracnídeos encontrados em grande quantidade em Minas Gerais.

Existem duas espécies principais: Tityus serrulatus e Tityus bahiensis.

O acidente causado pelo primeiro é responsável por 98% dos casos fatais. A toxidade do veneno varia com o tamanho, idade e estado de nutrição do animal, com a quantidade de veneno inoculada, o peso e resistência da vítima.

Os efeitos do veneno localizam-se principalmente no sistema nervoso, produzindo mal-estar, dores de cabeça, fraqueza muscular, vertigens, delírio, torpor e coma, que antecedem a morte.

Possuem também ação sobre os aparelhos digestivo e circulatório, causando dor intensa e persistente. O tratamento é feito através de soro antiescorpiônico específico.

Aranha

As aranhas podem causar picadas muito dolorosa, chegando a provocar necrose dos tecidos atingidos e até mesmo a morte.

As espécies mais venenosas comum no Brasil são:

Caranguejeira, armadeira, aranha marrom, tarântula e a viúva-negra. A ação dos venenos de cada uma dessa aranhas tem características diferentes.

Os casos benignos causam apenas discreta dor no local da picada, esquimose e necrose dos tecidos superficiais. Nos envenenamentos moderados, podem surgir fortes dores locais, náuseas, vômitos e hiportemia.

Casos graves são acompanhados por distúrbios de coagulação sangüínea, diminuição da pressão arterial e choque. Os primeiros socorros, podem ser aplicados nos primeiros trinta minutos. O tratamento consiste na administração do soro específico, caso seja conhecida a espécie.

Fonte:  www.apes.eng.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

Aranhas, Cobras e Escorpiões

Alguns animais, quando picam, inoculam a sua peçonha, produzindo sintomas que variam com a espécie, quantidade de veneno injetado, condições de nutrição, idade, peso e altura da vítima.

São eles:

Cobras venenosas.
Escorpião.
Aranha.
Centopéia.
Marimbondo.
Abelha.
Outros.

PICADAS DE COBRAS VENENOSAS

Cobra As cobras são comuns em locais onde existem muitos ratos e preás.

Nem todas as cobras são venenosas.

Observar detalhes nos olhos (pupila vertical como a dos gatos), narinas (presença de dois furos laterais, as fossetas lacrimais), cabeça (formato triangular), cauda (afunila rapidamente), hábitos (noturno), padrão da cor (na coral verdadeira, os anéis coloridos dão a volta completa) e outros.

No Brasil, a maioria dos acidentes ofídicos é devido a serpentes dos gêneros:

Botrópico (jararaca, urutu e jararacuçu).
Crotálico (cascavel).
Laquésico (surucucu).
Elapídico (coral verdadeira).

PRIMEIROS SOCORROS

Em caso de picada de cobra:

Não perca tempo em procurar ajuda, pois o tratamento deve ser feito em até 30 minutos após a picada;
Deitar e acalmar a vítima; o acidentado não deve locomover-se com os próprios meios;
Lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão;
Aplicar compressa de gelo no local;
Transportar (em maca) a vítima ao Médico mais próximo, para tratamento (aplicação do soro);
Levar junto a cobra (viva ou morta) para identificação.

Um procedimento que não é recomendado pelo Instituto Butantan mas que era feito até há algum tempo atrás, na impossibilidade do transporte imediato do acidentado para um Posto Médico, logo após a picada, puncionar em volta da picada com uma agulha esterilizada (uns 15 a 20 furos) e chupar o sangue que saisse, cuspindo-o em seguida (nunca porém deve-se fazer isso se tiver cárie ou ferida na boca).

NÃO FAZER EM HIPÓTESE NENHUMA

Torniquete ou garrote.
Cortar ou perfurar o local (ou próximo da) picada.
Colocar folhas, pó de café ou qualquer substância que possa contaminar a ferida.
Oferecer bebidas alcoólicas, querosene ou qualquer outro líquido tóxico.
Fazer uso de qualquer prática caseira que possa retardar o atendimento médico.

Os soros comumente aplicados após a picada de cobra são os seguintes:

Cobra desconhecida = soro anti-ofídico (polivalente);
Jararaca =
soro anti-botrópico ou soro anti-ofídico (polivalente);
Cascavel =
soro anti-crotálico ou soro anti-ofídico (polivalente);
Surucucu =
soro anti-laquético ou soro anti-ofídico (polivalente);
Coral verdadeira =
soro anti-elapídico ou soro anti-ofídico (polivalente).

Nos acidentes com cascavel (a cobra com chocalho na ponta da cauda), a picada é dolorosa no momento, mas desaparece depois de algum tempo.

Passados 30 a 60 minutos, o acidentado(a) fica com "cara-de-bobo", devido à queda de pálpebras e paralisia dos músculos dos olhos; o indivíduo vê dupla imagem turva. Para poder ver, tenta abrir as pálpebras e, como não consegue, franze a testa para tentar levantá-las com os músculos frontais.

A urina fica vermelho-castanho-escuro e diminui muito em volume, ou pára, nos casos mais graves.

O envenenamento por cascavéis é dos mais sérios e de maior índice de mortalidade, podendo matar em poucas horas, ou após 6-12 dias, devido à lesão renal.

Nas picadas de cascavel, mesmo no caso da dor desaparecer, a vítima deve ser levada a um Médico, pois ocorrerá necrose ao redor, que pode estender-se por todo o membro atingido, com a consequente amputação.

Nas picadas de jararaca, além da cara-de-bobo e urina escura (vermelha e turva), podem aparecer bolhas no local e sangramento das gengivas; o sangue não coagula e fica uma cicatriz, devido à necrose no local da picada.

PICADA DE ESCORPIÃO

Escorpiões são encontrados geralmente nas pilhas de madeira, cercas, tijolos, telhas e cupinzeiros. Sapatos e botas são ótimos esconderijos.

No Brasil existem cerca de dez gêneros e acima de 50 espécies de escorpiões, destacando-se a espécie venenosa Tytyus serrulatus , de Minas Gerais. Para essa espécie existe um soro anti-escorpionídico.

As espécies de cor amarela, comuns em Minas Gerais, são mais venenosas do que as de cor marrom.

Acidentes com escorpiões são menos frequentes do que os com cobras, pois eles são pouco agressivos e têm hábitos noturnos.

O seu veneno é potente, ataca o sistema nervoso (neuro-tóxico) e pode matar nas primeiras 24 horas, principalmente se a vítima for uma criança.

Sintomas: dores fortes, baixa rápida da temperatura do corpo, suor intenso, aumento da pressão, enjôo e vômitos.

Como agir, no caso de picadas:

Manter a vítima em repouso e calma;
Lavar o local da picada com água e sabão;
Não fazer torniquete no membro acidentado;
Aplicar compressas frias nas primeiras horas;
Aplicar respiração artificial, se a vítima não estiver respirando bem;
Encaminhar a vítima ao Posto Médico ou Hospital.

PICADA DE ARANHA

Os tipos de aranha que apresentam maiores perigos são:

Aranha marrom (Loxosceles).
Armadeiras (Phoneutria) - acidentes muito frequentes (75%).
Tarântulas (Lycosa) - as mais venenosas.

Acidentes Com Animais Peçonhentos

A foto acima mostra o local da picada de uma aranha marrom (Loxosceles), quatro (4) dias depois do acidente. Este é um caso considerado severo.

A mais perigosa, a viúva-negra, é do gênero Latrodectus , famíliaTeridiidae e que ocorre no Brasil, do Sul até o litoral do Rio de Janeiro.

No Brasil, são também perigosas: a Ctenus nigriventer ,a Lycosa raptoria ,a Lycosa eritrognata (esta presente nos gramados da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e a Loxoscelis laeta .

Seguir as mesmas recomendações indicadas para as picadas de escorpiões.

Outros animais que podem provocar acidentes são:

Abelhas (as africanas são as mais perigosas);
Vespas ou marimbondos;
Mosquitos (especialmente os borrachudos; a oncocercose, transmitida por mosquitos, pode até cegar);
Lagartas urticantes (taturanas ou peludas, provocam queimaduras);
Borboletas (pelos provocam irritação nas mucosas);
Besouros (as cantáridas possuem substância irritante para a pele);
Formigas;
Arraias (a picada é muito dolorosa; o veneno do seu ferrão na cauda, age sobre o sistema circulatório);
Bagres (seu ferrão serrilhado produz uma picada muito dolorosa);
Baiacus (possuem veneno neurotóxico muito ativo na pele e nas vísceras);
Mariscos (podem provocar intoxicação ao serem ingeridos, quando se alimentam de algas tóxicas);
Caramujos (os Planorbídeos transmitem a Esquistossomose);
Águas-vivas (muitas são venenosas, como as caravelas);
Sapos (todos têm glândulas com veneno viscoso, que penetra pelas mucosas e pode até matar);
Lacraias ou centopéias (ao picarem, inoculam veneno, com dor e reação local);
Carrapatos (provocam coceira e pequena inflamação);
Morcegos (os vampiros atacam os animais e, raramente, o homem);

Fonte: www.ufrrj.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

MORDIDAS DE COBRAS VENENOSAS

Procedimentos

Conhece cobras, leve, se possivel, a cobra Ate 30 minutos as medidas sao eficazes, se voce nao causadora do acidente (viva ou morta) para identificacao.
O soro anti-ofidico polivalente pode ser usado com vantagens, quando a cobra for cascavel, jararaca, urutu, jararacucu, cotiara.

Diferencas entre venenosos e nao venenosos:

VENENOSOS

Fosseta lacrimal, cabeca triangular, olhos pequenos, cauda afinando abruptamente, escamas com desenhos irregulares, 02 presas no maxilar superior.

NAO VENENOSOS

Cabeca arredondada, olhos grandes, cauda longa e afinando gradativamente, dentes pequenos e mais ou menos iguais, nao tem fosseta lacrimal.

PICADAS DE ESCORPIÃO, LACRAIA, CENTOPÉIA E ARANHAS.

Procure um medico imediatamente.
Na ausencia ou falta do medico, aplique o soro especifico, se possivel dentro da primeira hora da mordida.
Coloque compressa de alcool sobre o local da picada.
Aplique tambem gelo ou compressas frias.
Mantenha a vitima em repouso.

MORDIDAS DE ANIMAIS RAIVOSOS

Quem for mordido por um animal deve suspeitar de raiva e mante-lo em observacao ate prova em contrario. (10 dias).
Mesmo vacinado o animal pode, as vezes, apresentar a doenca.
Todas as mordidas de animais devem ser vistas por medico.

Procedimento imediato:

Lave a ferida com agua e sabao.
Pincele com mercurio-cromo ou outro.
Encaminhe a um medico.

PICADAS E FERROADAS DE INSETOS

Pessoas alergicas podem sofrer reacoes graves.

Procedimento:

Retire o "ferrao" do inseto. Pressione o local.
Aplique gelo ou lave em agua fria.
Procure socorro medico.

Fonte: www.polmil.sp.gov.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

PICADAS DE ANIMAIS PEÇONHENTOS

É sempre melhor previnir. Mas ao ser picado por animais peçonhentos (venenosos), aja com cautela e sem desespero.

É importante não perder tempo.

Algumas orientações básicas são exatamente importantes e podem salvar vidas:

Não amarre.
Não corte nem fure.
Não dê nada para beber ou comer.
Mantenha a vítima deitada para evitar que o veneno seja absorvido rapidamente.
Se a picada for na perna ou no braço, estes devem ficar em posição elevada.
A vítima deve ser levada imediatamente, deitada, para um serviço de saúde mais próximo.
Sempre que possível, leve o animal para ser identificado.

Não se esqueça:

O soro específico é gratuito e distribuído pelo Ministério da Saúde.

Picadas de Insetos

As picadas de insetos como abelhas, vespas e marimbondos provocam muita dor e assustam, mas os riscos são pequenos, mesmo que as picadas sejam numerosas. Após a picada, há inchaço. Pessoas alérgicas podem, com apenas uma única picada, ter choque anafilático que pode ser fatal.

É importante ao socorrer uma picada desses insetos, remover o ferrão com pinças. Vespas e marimbondos não deixam o ferrão. Abelhas morrem depois de picar, deixando o ferrão.

Aplique uma compressa fria para aliviar a dor e reduzir o inchaç. Quando a picada ocorrer na boca, dê gelo para a vítima chupar.

Picadas de Carrapatos

Em caso de picadas de carrapatos, esses devem ser removidos o mais depressa possível e colocados em um vidro, para serem examinados em um serviço médico. Os carrapatos podem se vetores de doenças e devem ser retirados com uma pinça, puxando-os pela cabeça em movimentos de vai-e-vem. Não tente retirá-los de uma vez só, pois a cabeça ficará presa na pele.

Picadas de Escorpiões

Os escorpiões são pouco agressivos e têm hábitos noturnos. Encontram-se geralmente em pilhas de madeira, cercas, sob pedras e adaptam-se bem ao ambiente doméstico.

Os sintomas mais comuns são: náuseas, vômitos, salivação, tremores e até convulsão. Podem ocorrer alterações cardíacas, de pressão arteriral, respiratórias e choque.

Mais importante que isso é previnir, evitando amontoar sapatos, roupas e utensílios domésticos, examinando e sacudindo-os antes de usar.

Manter sempre berços e camas afastados da parede. Evitar acúmulo de ferro velho, telhas, e tijolos perto de residências. Limpar constantemente ralos de banheiros e cozinhas.

Os primeiros socorros consistem em transportar o acidentado rapidamente à unidade de saúde para a aplicação do soro específico, se necessário. Ele deve ser mantido em repouso, e não se esqueça de levar o animal que causou o acidente para identificação.

Picadas de Aranhas

As picadas de aranhas também assustam muito.

É importante reconhecê-las:

Aranha armadeira (Phoneutria)

É muito agressiva, com hábitos vespertinos e noturnos. É encontrada em bananeiras e folhagens. Não faz teia. Quando dá picada, há dor intensa no local, náuseas, salivação, suores e tremores. O tratamento é feito com soro.

Aranha marrom (Loxoceles)

É pouco agressiva, com hábitos noturnos. Encontra-se em pilhas de tijolos, telhas, beira de barrancos e interior das residências. Faz teia semelhante a flocos de algodão. A picada provoca dor semelhante à queimadura de cigarro. Algumas horas após, surgem edema local e necrose. O acidentado pode apresentar mal-estar, náuseas, febre e urina cor de Coca-Cola. O tratamento é feito com soro.

Viúva-negra (Latrodectus)

É pouco agressiva. Vive em teias que constrói sob vegetação em arbustos, barrancos e jardins. A picada provoca angústia, excitação, confusão mental, dores musculares, rigidez do abdome e suores. O tratamento é feito com
soro.

Caranguejeira

É uma aranha que atinge grandes dimensões. Tem pêlos que em contato com a pele produzem irritação. Algumas são agressivas. Possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas dolorosas. Há dor no local e irritação na pele. Para o tratamento não é necessário soro.

Picadas de Cobras

As picadas de cobras geralmente são reconhecidas pela marca dos dentes na pele, pela dor no local atingido, por inchaço e bolas que surgem no local.

Toda picada de cobra, mesmo sem qualquer sintoma, merece atendimento médico. Se possível, capture a cobra para identificação no serviço especializado. Apenas 1% das picadas de cobras venenosas é fatal, quando a vítima não é socorrida a tempo.

Como proceder?

Dar apoio à vitima e leva-la para um serviço médico.
Não remover o veneno por meios mecânicos, pois agrava o acidente.
A vítima deve permanecer deitada e quieta.
Lavar a ferida com água e sabão.
Manter a parte ferida abaixo do nível do coração, de forma que o veneno fique contido no local.

O que não fazer?

Não dê álcool à vítima.
Não dê sedativos ou aspirina.
Não faça ferimentos adicionais para drenar.
Não coloque torniquete nem tente sugar o veneno.

A jararaca, jararacuçu do rabo branco, patrona, malha de sapo, etc., quando picam, deixam inchaço, dor e hemorragia no local das picadas.

A cascavel, aracambóia, boicininga etc., tem um gizo ou chocalho na cauda. Como sintomas da picada, surgem dificuldades em abrir os olhos, visão dupla, pálpebras caídas, dor muscular generalizadas e urina avermelhada.

A coral, coral-verdadeira, boicorá, apresenta coloração em anéis, vermelhos, brancos, pretos e amarelos, em toda sua circunferência. Na picada surge pequena reação local, visão dupla, pálpebras caídas, falta de ar e dificuldade para engolir.

A surucucu, pico-de-jaca, surucutinga, é a maior serpente venenosa das Américas, encotradas nas matas fechadas e florestas tropicais. Os sintomas são inchaço no local da picada, dor, hemorragia, diarréia e alteração dos batimentos cardíacos.

Animais Marinhos

Os animais marinhos também podem causar lesões na pele. Assim, os primeiros socorros também são fundamentais, já que essas lesões, em sua maioria, são de difícil reconhecimento.

Como proceder?

Tranqüilize a vítima.

Impeça que o veneno se solte dos ferrões.

Derrame álcool ou qualquer bebida alcoólica ou vinagre sobre a lesão por alguns minutos, para impedir que os ferrões que ainda não destilaram o veneno o façam.

Aplique uma pasta de bicarbonato de sódio (fermento em pó) e água em partes iguais sobre o ferimento.

Aplique produto em pó sobre o ferimento, para fazer com que as células se agrupem. Talco é suficiente, melhor ainda seria aplicar um amaciante de carne ou papaína, que tem o poder de desativar o veneno.

As lesões são geralmente causadas por água-viva ou medusa. Alguns animais marinhos como o ouriço-so-mar e certos peixes têm espinhos que podem furar a pele. Em caso de perfuração, mergulhe a parte lesada em água quente por cerca de 30 minutos, com o
cuidado para não queimar. Em seguida, encaminhe a vítima para o hospital.

Fonte: www.clinicadeckers.com.br

Acidentes com Animais Peçonhentos

Picadas de Cobras Venenosas

Nos Estados Unidos, existem aproximadamente 25 espécies de cobras venenosas nativas. Elas são crotalídeas (cascavéis, jararacas, trigonocéfalas), cobras corais e algumas espécies de colubrídeas (cobras com presas posteriores).

Embora mais de 45.000 pessoas sejam picadas por cobras nos Estados Unidos a cada ano, menos de 8.000 mordidas por cobras venenosas são notificadas e o número de vítimas fatais é inferior a 15.

A maioria das mortes é de crianças, pessoas idosas, pessoas não tratadas ou tratadas inadequadamente e pessoas que pertencem a seitas religiosas em que os membros manipulam cobras venenosas.

As cascavéis são responsáveis por aproximadamente 70% das picadas de cobra venenosa nos Estados Unidos e por praticamente todas as mortes. As jararacas e, em menor extensão, as cobras trigonocéfalas são responsáveis pela maioria das outras picadas de cobra venenosa.

As cobras importadas, encontradas em zoológicos, fazendas de criação de cobras e coleções amadoras ou profissionais, são responsáveis por cerca de 15 picadas por ano.

Nem sempre as picadas de uma cobra venenosa resulta no envenenamento por veneno de cobra. O veneno não é injetado em aproximadamente 25% de todas as picadas de cobras colubrídeas e em aproximadamente 50% das picadas de cobras elapídeas e corais.

O veneno de cobra é uma mistura complexa que contém muitas proteínas que desencadeiam reações prejudiciais. Direta ou indiretamente, o veneno de cobra pode afetar praticamente todos os sistemas orgânicos.

O veneno da cascavel e de outras crotalídeas lesa o tecido em torno da picada, causa alterações das células do sangue, impede a coagulação sangüínea e lesa os vasos sangüíneos, acarretando sangramento.

Essas alterações podem causar hemorragia interna e insuficiência cardíaca, respiratória e renal. O veneno das cobras corais afeta a atividade do sistema nervoso, mas causa poucos danos ao tecido em torno da picada.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas do envenenamento por veneno de cobras crotalídeas variam bastante, dependendo do tamanho e da espécie da cobra, da quantidade e da toxicidade do veneno injetado, da localização da mordida, da idade e compleição física da vítima e da presença de outros problemas médicos.

A maioria das picadas localizam-se na mão ou no pé. Geralmente, as picadas de cascavéis, trigonocéfalas e jararacas causam dor imediatamente após o veneno ser injetado.

A região edemacia (incha) em 10 minutos. Esses sintomas raramente demoram mais do que 20 a 30 minutos para se manifestarem. A dor pode variar de leve a intensa.

A picada de uma cobra venenosa pode ser diagnosticada baseando-se nas marcas das presas, no rubor, na dor, no edema e no formigamento e dormência dos dedos das mãos ou dos pés ou em torno da boca, entre outros sintomas. Após a picada de algumas espécies de cascavéis, foi descrita a ocorrência de um sabor metálico ou de borracha na boca.

Quando não tratado, o edema pode progredir, afetando todo o membro inferior ou superior em algumas horas. Os linfonodos da área também podem aumentar de volume e tornar-se dolorosos.

Outros sintomas incluem a febre, calafrios, fraqueza generalizada, sudorese, náusea e vômito. A dificuldade respiratória pode ocorrer, sobretudo após uma picada de cascavel do Mojave. A vítima pode apresentar cefaléia (dor de cabeça), borramento da visão, ptose palpebral (pálpebras caídas) e boca seca.

O envenenamento moderado a grave por veneno de cobra crotalídea geralmente produz equimose na pele, que pode surgir 3 a 6 horas após a picada. A pele em torno da picada parece tensa e muda de cor.

Pode ocorrer a formação de bolhas na área da picada em 8 horas e, freqüentemente, elas apresentam sangue no seu interior. A falta de tratamento pode acarretar destruição do tecido circundante e a formação de coágulos de sangue nos vasos sangüíneos.

O veneno de muitas crotalídeas, particularmente as cascavéis, impede a coagulação do sangue. As gengivas podem sangrar e a pessoa pode apresentar sangue no vômito, nas fezes e na urina.

Os resultados dos exames de sangue que avaliam a coagulação podem ser anormais e o número de plaquetas (os componentes do sangue responsáveis pela coagulação) pode estar significativamente reduzido.

Em geral, as picadas de cobra coral causam pouca ou nenhuma dor e edema. Os principais sintomas são causados por alterações do sistema nervoso.

A área em torno da picada pode formigar e os músculos próximos podem tornarse fracos. A seguir, a pessoa pode apresentar incoordenação muscular e fraqueza generalizada intensa.

Outros sintomas incluem distúrbios visuais e aumento da produção de saliva, além de dificuldades da fala e da deglutição. Em seguida, podem ocorrer problemas respiratórios, que são algumas vezes graves.

Tratamento

As picadas de cobra venenosa são emergências médicas que exigem atenção imediata. Antes de iniciar o tratamento, a equipe médica de emergência deve tentar determinar se a cobra era venenosa e se ocorreu injeção de veneno.

Quando o veneno não foi injetado, o tratamento é o mesmo de um ferimento puntiforme, isto é, uma limpeza meticulosa e a aplicação de uma dose de reforço da vacina antitetânica.

Uma vítima de uma picada de cobra crotalídea deve manter-se o mais calma e quieta possível, aquecida e deve ser transportada imediatamente ao serviço médico mais próximo.

O membro picado deve ser imobilizado, sem ser apertado demasiadamente, e mantido abaixo do nível do coração. Anéis, relógios e roupas apertadas devem ser removidos e nenhum estimulante deve ser administrado.

Um extrator de Sawyer (um dispositivo que aspira o veneno do local da mordida, destinado aos primeiros socorros) deve ser aplicado sobre a mordida em cinco minutos e mantido durante 30 a 40 minutos, durante o transporte para o hospital para a continuação do tratamento.

O antídoto (soro anti-ofídico), que neutraliza os efeitos tóxicos do veneno, é uma parte importante do tratamento da maioria das mordidas de cobra. O soro anti-ofídico é administrado pela via intravenosa. Além disso, é administrada uma dose de reforço da vacina antitetânica e, ocasionalmente, é necessária a administração de antibióticos.

O tratamento geral para mordidas de cobra coral é o mesmo que o para as mordidas de cobras crotalídeas. Quando a vítima apresenta problemas respiratórios, o suporte ventilatório pode ser necessário.

O soro anti-ofídico pode ser necessário. Deve ser administrado um que seja específico para mordidas de cobra coral. Em todos os casos de envenenamento por mordida de cobra, particularmente em crianças e idosos, um Centro de Controle de Intoxicações deve ser contatado.

Para orientações sobre o tratamento de uma mordida de cobra importada, o primeiro local que deve ser contatado é o parque zoológico ou um centro de controle de intoxicações local. As pessoas que trabalham nesses locais sabem onde obter o soro anti-ofídico e têm uma listagem dos médicos especializados no tratamento dessas mordidas.

Picadas de Lagartos Venenosos

Os dois únicos lagartos venenosos são o lagarto perolado do México e o monstro Gila, encontrado no Arizona e Sonora, México e nas áreas adjacentes.

O veneno desses lagartos é bastante similar em conteúdo e em efeito ao veneno de algumas cobras crotalídeas. Os sintomas mais comuns incluem a dor, o edema e a alteração da cor da área em torno da mordida, além de linfonodos com volume elevado. A fraqueza, a sudorese, a cefaléia e o tinido (som de campainha nos ouvidos) podem ocorrer.

Nos casos graves, pode ocorrer queda da pressão arterial. O tratamento é semelhante ao das mordidas de cobras crotalídeas. Não existe um soro antiofídico (antitoxina) específico.

Picadas de Aranhas

Quase todas as aranhas são venenosas. Felizmente, as presas da maioria das espécies são muito curtas ou frágeis para penetrar a pele humana.

Nos Estados Unidos, no entanto, pelo menos 60 espécies foram implicadas em picadas de seres humanos. As espécies não nativas podem entrar no país juntamente com frutas, vegetais e outros materiais.

Embora as tarântulas nativas dos Estados Unidos sejam consideradas perigosas, as suas picadas não causam problemas graves ao ser humano. Em média, picadas de aranha causam menos que 3 mortes por ano nos Estados Unidos, geralmente de crianças.

Apenas alguns venenos de aranhas foram estudados detalhadamente. Os venenos estudados são complexos e contêm enzimas e outras proteínas que causam várias reações no corpo.

Aranhas Perigosas

Aranhas viúvas-negras e espécies relacionadas
Aranhas castanhas ou violino, algumas vezes denominadas reclusas castanhas, e espécies relacionadas
Aranhas armadeiras (saltadoras)
Tarântulas (não nativas dos Estados Unidos)
Aranhas de alçapão
Aranhas da banana (América Central)
Aranhas lobo
Aranhas tecedoras
Aranhas corredoras ou gnafosídeas
Aranhas lince verdes
Aranhas de patas em escova ou falsas viúvas-negras
Argíopes laranja
Aranhas caranguejeiras gigantes
Disderídeas
Amaurobiídeas
Aranhas caçadoras (Américas Central e do Sul)

Sintomas

A picada de uma viúva-negra geralmente causa uma dor intensa (semelhante a uma picada de alfinete), que é seguida por uma dor surda que, algumas vezes, produz adormecimento da área em torno da picada.

A pessoa também apresenta câimbras e rigidez muscular abdominal ou dos ombros, costas e tórax. Outros sintomas incluem a agitação, ansiedade, sudorese, cefaléia, tontura, ptose e edema palpebral, erupção cutânea e prurido, problemas respiratórios graves, náusea, vômito, aumento da produção da saliva e fraqueza.

A pele em torno da picada pode tornar-se quente.

A picada de uma aranha reclusa castanha pode causar pouca dor ou pode não causar dor imediatamente, mas a pessoa apresentará alguma dor na área em torno da picada em mais ou menos uma hora.

A dor pode ser intensa e afetar toda a área lesada. A área em torno da picada torna-se hiperemiada (vermelha), apresentae quimoses e pode coçar.

O resto do corpo também pode coçar. A seguir, ocorre a formação de uma bolha circundada por uma área equimótica irregular ou uma área hiperemiada mais nítida, que lembra um alvo.

No início, a área assemelha-se ao centro de um alvo. Em seguida, a bolha aumenta, enche-se de sangue e rompe, formando uma úlcera, que pode deixar uma grande cicatriz em forma de cratera (crateriforme). A vítima pode apresentar náusea, vômito, dores, fadiga, calafrios, sudorese, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal, mas a picada raramente é fatal.

Tratamento

A única medida de primeiros socorros eficaz para uma picada de viúva-negra é a aplicação de um cubo de gelo sobre o local para diminuir a dor. As pessoas com menos de 16 e com mais de 60 anos de idade e as hipertensas e cardiopatas geralmente são internadas para tratamento.

A antitoxina, que neutraliza os efeitos da toxina, é administrada nos casos de envenenamento grave. Outras medidas podem ser necessárias para tratar a dificuldade respiratória e a grave hipertensão arterial.

As dores e os espasmos musculares podem ser aliviados com a administração de relaxantes musculares. Nos casos leves, a dor pode ser aliviada com banhos quentes e, nos casos graves, com analgésicos narcóticos.

Para as picadas de aranha reclusa castanha, a aplicação de gelo sobre o local da picada pode aliviar a dor. Os corticosteróides são geralmente administrados para reduzir a inflamação. Até o momento, não existe uma antitoxina disponível comercialmente.

As lesões da pele são limpas diariamente com peróxido de hidrogênio e embebidas três vezes por dia. O tecido morto é removido de acordo com a necessidade. Para a maioria das picadas, este tratamento é suficiente.

Picadas de Abelhas, Marimbondos, Vespões e Formigas

Nos Estados Unidos, as picadas de abelhas, marimbondos, vespões e formigas são comuns. Em média, uma pessoa consegue suportar com segurança 10 picadas para cada 500 gramas de peso corpóreo.

Isto significa que um adulto médio consegue suportar mais de 1.000 picadas, enquanto que 500 ferroadas podem matar uma criança.

No entanto, uma picada pode causar a morte em conseqüência de uma reação anafilática em uma pessoa alérgica. Nos Estados Unidos, o número de pessoas que morrem devido a picadas de abelhas é 3 a 4 vezes superior ao de pessoas que morrem em decorrência de mordidas de cobras.

As poucas mortes devidas a picadas múltiplas de abelhas geralmente são causadas pela disfunção cardíaca e pelo colapso do sistema circulatório. Um tipo mais agressivo de abelha produtora de mel, a chamada abelha africana assassina, chegou em alguns estados do sul dos Estados Unidos provenientes da América do Sul. Ao atacar a vítima em enxames, essas abelhas causam uma reação mais grave que as demais.

No sul dos Estados Unidos, particularmente na região do Golfo do México, as formigas-defogo infligem milhares de picadas todos os anos.

Até 40% das pessoas que vivem em áreas urbanas infestadas podem ser picadas anualmente e pelo menos 30 mortes já foram atribuídas às picadas desses insetos. A picada da formiga-defogo geralmente produz uma dor imediata, edema e hiperemia da área, que desaparecem em 45 minutos.

A seguir, ocorre a formação de uma bolha, a qual se rompe em 30 a 70 horas, e, freqüentemente na área infecta. Em alguns casos, ao invés de ocorrer a formação de uma bolha, a área torna-se hiperemiada, edemaciada e pruriginosa.

Menos de 1% das pessoas picadas por formigas-de-fogo apresenta uma reação anafilática (reação alérgica potencialmente letal caracterizada por hipotensão arterial e obstrução das vias aéreas). Alguns nervos podem inflamar e convulsões podem ocorrer.

Tratamento

Uma abelha, um marimbondo, um vespão ou uma formiga-de-fogo pode deixar o seu ferrão na pele após picar a pessoa. O ferrão deve ser removido raspando-se suavamente a superfície cutânea até fazê-lo sair, nunca devendo ser puxado ou arrancado com uma pinça, o que pode acarretar a introdução de mais veneno no corpo.

Um cubo de gelo aplicado sobre o local da picada alivia a dor. Freqüentemente, a aplicação de um creme contendo uma combinação de antihistamínico, analgésico e corticosteróide é útil.

As pessoas alérgicas a picadas devem sempre carregar consigo um kit com comprimidos de anti-histamínicos e uma seringa preparada de adrenalina (epinefrina), que bloqueia as reações anafiláticas ou alérgicas.

As pessoas que tiveram uma reação alérgica grave a uma picada de abelha podem ser submetidas à dessensibilização, que pode prevenir reações futuras. A dessensibilização é um processo em que o corpo é exposto repetidamente a pequenas quantidades da substância que provoca a resposta alérgica (alérgeno) até que ela deixe de existir.

Picadas de Insetos

Nos Estados Unidos, entre os insetos mais comuns que picam e, algumas vezes, sugam o sangue estão os mosquitos-pólvora, mutucas, moscas dos veados, mosquitos, pulgas, piolhos, percevejos domésticos, barbeiros (triatomídeos) e certos insetos aquáticos. As picadas desses insetos podem ser irritantes por causa dos componentes de sua saliva.

As picadas causam várias reações, desde pequenas proeminências até grandes úlceras com edema e dor. As reações mais graves ocorrem em pessoas alérgicas a picadas ou que apresentam uma infecção após serem picadas. Para as pessoas alérgicas, as picadas algumas vezes são fatais.

O inseto deve ser removido rapidamente. Deve ser realizada a limpeza da área e pode ser aplicada uma pomada contendo uma combinação de anti-histamínico, analgésico e corticosteróide para aliviar o prurido, a dor e a inflamação.

As pessoas que são alérgicas à picada devem procurar um médico imediatamente ou devem utilizar o kit de emergência para alergia que contém comprimidos anti-histamínicos e uma seringa preparada de adrenalina (epinefrina).

Picadas de Ácaros e Carrapatos

Os carrapatos são portadores de muitas doenças (p.ex., os carrapatos de veados podem ser portadores da bactéria causadora da doença de Lyme) e alguns são venenosos.

Na América do Norte, algumas espécies causam a paralisia do carrapato, em que produz inapetência, fraqueza muscular, apatia, falta de coordenação, nistagmo (movimentos involuntários dos olhos) lateral e paralisia progressiva, em que ascende o corpo a partir dos membros inferiores.

Os músculos respiratórios também podem paralisar. As picadas de carrapatos pajaroello, encontrados no México e sudoeste dos Estados Unidos, causam o surgimento de bolhas cheias de pus que rompem e formam úlceras que formam crostas. A área em torno das lesões pode edemaciar e tornar-se dolorosa.

As infestações por ácaros são comuns e são responsáveis por uma erupção intensamente pruriginosa causada pelas larvas de ácaros localizadas sob a pele, pela escabiose (sarna) e por diversas outras doenças. Os efeitos nos tecidos em torno da picada variam em gravidade.

Tratamento

Os carrapatos devem ser removidos o mais brevemente possível. A remoção é realizada mais adequadamente com a aplicação de vaselina ou de uma outra substância que seja irritante para o carrapato ou por meio de sua torção lenta com o auxílio de uma pinça.

A cabeça do carrapato, que não pode ser retirada juntamente com o corpo, deve ser removida porque ela pode causar uma inflamação prolongada ou pode penetrar ainda mais nos tecidos.

A paralisia do carrapato não exige tratamento, mas quando a pessoa apresenta problemas respiratórios, a oxigenioterapia ou o suporte ventilatório pode ser necessário.

As picadas do carrapato pajaroello devem ser lavadas e embebidas com uma solução antisséptica e, quando necessário, deve ser realizada a remoção da pele morta. Nos casos graves, os corticosteróides ajudam a reduzir a inflamação. As infecções das lesões são comuns, mas, geralmente, elas podem ser curadas com uma pomada de antibiótico.

As infestações por ácaros são tratadas com a aplicação de um creme contendo permetrina ou uma solução de lindano. Após o tratamento com permetrina ou lindano, um creme contendo corticosteróide é algumas vezes utilizado para reduzir o prurido até a eliminação de todos os ácaros.

Mordidas de Centopéias e Milípedes

Algumas das centopéias maiores podem picar e produzir uma dor intensa, a qual é acompanhada por edema e hiperemia em torno da picada.

Os linfonodos vizinhos também podem aumentar de volume, mas, geralmente, não ocorre lesão ou infecção do tecido. Os sintomas raramente persistem por mais de 48 horas. Os milípedes não picam mas secretam uma toxina que pode irritar a pele e, nos casos graves, podem lesar tecidos.

Um cubo de gelo aplicado sobre a picada de uma centopéia geralmente alivia a dor. As secreções tóxicas de milípedes devem ser eliminadas da pele através de lavagem abundante com água e sabão.

O álcool não deve ser utilizado. Quando ocorre uma reação cutânea, um creme contendo corticosteróide deve ser aplicado. As lesões oculares devem ser imediatamente lavadas com água e, a seguir, deve ser aplicada uma pomada oftálmica contendo corticosteróide e analgésico.

Picadas de Escorpiões

A maioria dos escorpiões na América do Norte são relativamente inofensivos. Em geral, os únicos sintomas de suas picadas são dor e edema, maior sensibilidade e calor no local da picada.

No entanto, os centruróides esculpidos (Centruroides exilicauda), encontrados no Arizona, no Novo México e no lado californiano do rio Colorado, são muito mais venenosos. A picada produz dor imediatamente e, algumas vezes, causa dormência ou formigamento em torno da área atingida. É rara a ocorrência de edema.

As crianças tornam-se inquietas, tensas e apresentam movimentos aleatórios e involuntários da cabeça, do pescoço e dos olhos. Os adultos apresentam aumento da freqüência cardíaca, da freqüência respiratória e da pressão arterial. Eles podem apresentar fraqueza e incoordenação muscular.

Tanto nas crianças quanto nos adultos pode ocorrer complicações respiratórias pelo aumento da salivação.

As picadas da maioria dos escorpiões norte-americanos não exigem um tratamento específico. A aplicação de um cubo de gelo sobre a lesão reduz a dor, assim como a aplicação de uma pomada contendo uma combinação de anti-histamínico, analgésico e corticosteróide.

Os espasmos musculares e a hipertensão arterial decorrentes da picada podem exigir tratamento medicamentoso. É importante que a vítima permaneça em repouso absoluto, no leito.

Ela não deve receber qualquer alimento durante as primeiras 8 a 12 horas. A antitoxina deve ser administrada em todas as pessoas que não respondem ao tratamento ou que apresentam uma reação grave, particularmente as crianças.

Picadas e Mordidas de Animais Marinhos

As raias lixas têm causado aproximadamente 750 picadas por ano no litoral dos Estados Unidos. O veneno da raia lixa está contido em uma ou mais espinhas localizadas na parte posterior de sua cauda.

Geralmente, as lesões ocorrem quando uma pessoa desavisada pisa sobre uma raia lixa ao caminhar dentro da água. A raia lixa arremessa sua cauda para cima e para frente, cravando a espinha (ou espinhas) no pé ou na perna da vítima. A cobertura da espinha é rompida e o veneno é liberado, causando uma dor intensa imediatamente .

A dor pode limitar-se à área em torno da picada, mas, freqüentemente, propaga-se rapidamente, atingindo o seu pico em menos de 90 minutos.

Quando não tratada, a dor geralmente persiste, diminuindo gradualmente após 6 a 48 horas. Os episódios de desmaio, fraqueza, náusea e ansiedade são comuns.

O edema, os linfonodos aumentados de volume e dolorosos, o vômito, a diarréia, a sudorese, as câimbras generalizadas, a dor na região axilar ou inguinal e a dificuldade respiratória são menos comuns.

Geralmente, a lesão causada pela espinha é irregular e sangra abundantemente. Podem restar fragmentos do revestimento da espinha na lesão, aumentando o risco de infecção. As bordas da lesão freqüentemente apresentam alteração da coloração e alguma destruição tissular. O edema em torno da lesão é comum.

As lesões de um membro superior ou inferior em decorrência de picadas de raias-lixas e da maioria dos outros peixes devem ser lavadas com água salgada.

Quando podem ser visualizados, os fragmentos do revestimento da espinha no interior da lesão devem ser removidos. O membro lesado deve ser mergulhado na água mais quente que a vítima conseguir tolerar durante 30 a 90 minutos.

Quando essas medidas de primeiros socorros demoram a ser instituídas, a dor pode tornar-se muito intensa. Nestes casos, o médico pode anestesiar a lesão com um anestésico local e administrar um analgésico à vítima.

É importante que a vítima procure um médico para que seja realizada a limpeza e o exame da ferida, seja administrada uma dose de reforço da vacina antitetânica, seja iniciada a antibioticoterapia (quando necessária) e seja realizada a sutura da lesão.

Alguns moluscos, os quais incluem os caramujos, os polvos e os bivalves (mexilhões, ostras e vieiras), são venenosos. O cone da Califórnia (Conus californicus) é o único caramujo perigoso encontrado nas águas norte-americanas.

O seu ferrão causa dor, edema, hiperemia e dormência em torno do local da picada. As picadas de polvos norte-americanos raramente são perigosas.

O envenenamento acompanhado de paralisia causado por frutos do mar é causado pelo consumo de certos bivalves (ostras e mexilhões) contaminados por dinoflagelados venenosos (animais marinhos unicelulares).

As medidas de primeiros socorros parecem ser pouco eficazes nos casos de picadas de Conus e de polvos. As picadas graves de Conus podem causar o choque, que exige um tratamento médico intensivo com assistência respiratória e circulatória.

Os ouriços do mar e vários outros animais semelhantes são venenosos, embora o veneno em si raramente cause prejuízos ao ser humano.

Mais comumente, os espinhos que cobrem a casca de um ouriço do mar fragmentam-se no interior da pele, causando lesão de tecidos e inflamação.

Quando não são removidos, os espinhos deslocam-se para os tecidos mais profundos (causando uma inflamação crônica) ou podem encravar em um nervo ou em um osso. A pessoa pode apresentar dores articulares e musculares e erupções cutâneas.

Os espinhos de ouriços do mar devem ser removidos imediatamente. Uma alteração da cor da pele (tornando-se azulada) no local de entrada pode ajudar a localizar o espinho.

Como o vinagre dissolve a maioria dos espinhos de ouriços do mar, é possível que seja suficiente aplicar várias compressas ou realizar banhos de vinagre. A área em torno da picada é lavada e, a seguir, é aplicada uma pomada contendo uma combinação de anti-histamínico, analgésico e corticosteróide.

Ocasionalmente, o médico deve realizar uma pequena incisão para remover um espinho, que é frágil.

Muitos celenterados, que incluem os corais, as anêmonas do mar, as águas-marinhas e as caravelas-portuguesas, possuem ferrões muito desenvolvidos que podem atravessar a pele.

Esses ferrões são particularmente numerosos nos tentáculos do animal: um só tentáculo pode disparar milhares deles sobre a pele. A lesão resultante depende do tipo de animal.

Geralmente, surge uma pequena erupção distribuída em forma de uma série de linhas, algumas vezes circundada por uma área hiperemiada (vermelha). A dor pode ser mui- to intensa e o prurido local é comum. A erupção cutânea pode evoluir para bolhas que se enchem de pus e, a seguir, rompem.

Outros sintomas incluem fraqueza, náusea, cefaléia, dores e espasmos musculares, secreções oculares e nasais, sudorese excessiva, alterações da freqüência cardíaca e dor torácica que piora com a respiração. As picadas da caravela-portuguesa, incluindo aquelas que ocorrem nas águas norte-americanas, causaram a morte de algumas pessoas.

Foram sugeridos vários tratamentos para as picadas de celenterados, apesar de que, para a maioria desses acidentes, é suficiente uma boa limpeza do local.

Em algumas partes do mundo, é realizada a aplicação de amoníaco ou de vinagre sobre a lesão. Nos Estados Unidos, para aliviar a dor, vêm sendo utilizados produtos amaciantes de carne (p.ex., papaína), o bicarbonato de sódio, o ácido bórico, o suco de limão ou de figo, o álcool e muitas outras substâncias.

É sugerido o seguinte tratamento:

Colocar água do mar (não água doce) sobre a área lesada.
Remover os tentáculos com um instrumento adequado ou com a mão enluvada.
Embeber a área lesada com uma solução de partes iguais de água e vinagre durante 30 minutos.
Aplicar farinha ou bicarbonato de sódio sobre a ferida e, cuidadosamente, raspar o pó com uma faca afiada.
Embeber novamente a área com vinagre.
Aplicar uma pomada contendo uma combinação de anti-histamínico, analgésico e corticosteróide.

As reações mais graves podem necessitar de um tratamento com oxigênio ou um outro tipo de suporte ventilatório. Os espasmos musculares dolorosos e a dor intensa são tratados com medicamentos intravenosos.

Atualmente, existe uma antitoxina disponível para as picadas de certas espécies australianas, mas ela não alivia os sintomas causados pelas picadas de espécies norte-americanas.

Fonte: mmspf.msdonline.com.br

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