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Adensamento

 

Entende-se por adensamento a deformação plástica e a redução do índice de vazios de uma massa de solo em função do tempo e da pressão aplicada.

O adensamento é feito em estágios de pressão aplicada em corpos de prova, geralmente indeformados e saturados, confinados lateralmente com a conseqüente aferição da redução de sua altura.

Desse ensaio são interpretados parâmetros fundamentais para o cálculo de recalques por adensamento.

Fonte: www.geotecnia.ufba.br

Adensamento

Adensamento, ato de deformação, tornar compacto, mais denso, na topografia seria a compactação dos solos soltos, numa concretagem é o ato de tornar mais denso o concreto lançado durante uma concretagem, retirando os vazios das camadas, formada pelo lançamento do concreto. esse adensamento pode ser feito mecânicamente por meios de vibradores.

Definição

De adensar + -mento, é Substantivo masculino que quer dizer:

1 - Ato ou efeito de adensar(-se).
2 -
Ação de agitar o concreto (na construção) com varas de ferro ou com vibrador, fazendo-o ocupar todo o espaço das fôrmas e envolver bem os ferros.
3 -
(na Geologia) Consolidação de solos.

Adensamento é diminuir o volume de vazios de um solo.

Mas atenção: Vazio em um solo pode ser AR ou ÁGUA, logo, adensar é retirar ÁGUA do solo e compactar é retirar AR do solo.

Adensamento do solo, que limita o desenvolvimento do sistema radicular, provocando menor absorção de nutrientes.

Fonte: www.geocities.com

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Adensamento urbano

Muitas soluções ambientais estão ligadas ao urbanismo. Embora urbanismo seja em primeiro lugar uma questão política  e as soluções urbanas sejam coletivas vamos falar um pouco sobre ele aqui para orientar algumas decisões do cidadão individualmente ecológico. Percorrendo uma cidade encontramos realidades bem diferentes. Em certas áreas urbanas vemos árvores nas ruas, grama nas áreas de passagem, além de casas com jardim e quintal. Os recuos entre construções são mais amplos e elas não se grudam umas às outras. Em alguns condomínios de apartamentos também encontramos ampla área livre e verde abundante. Áreas residenciais com essas características, além de propiciarem uma qualidade de vida melhor aos moradores, também têm algumas vantagens ambientais.  A presença do verde tem efeito positivo no efeito estufa, afinal os vegetais seqüestram o carbono atmosférico. Áreas gramadas, jardins e quintais permitem a infiltração da água da chuva e isso é ótimo para a circulação subterrânea das águas. Construções com bons recuos, ou seja, com espaço livre em volta, podem receber ventilação e iluminação naturais e assim se tornam mais econômicas.

Da mesma forma, nas cidades também podemos encontrar áreas com alta ocupação do solo. As edificações ficam encostadas umas às outras e ocupam quase toda a área do terreno. As ruas são asfaltadas, as calçadas cobrem toda a área de circulação e praticamente não há verde. O adensamento urbano tem a vantagem de concentrar a população em área menor, o que resulta em economia de infra-estrutura urbana, menos deslocamentos, etc. Por outro lado, quando o concreto ocupa o lugar do verde perde-se a área de infiltração da água de chuva.

As temperaturas nessas áreas passam a lembrar clima de deserto: escaldantes durante o dia e frias durante a noite. A impermeabilização do solo favorece as inundações e enxurradas.

Veja nas imagens quatro cenários de adensamento urbano:

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Média densidade populacional e média ocupação do solo. Super quadra, Brasília.

Ponto de equilíbrio

Do ponto de vista ambiental, em áreas urbanas é interessante uma densidade populacional alta, ou seja, mais pessoas habitando áreas menores. Ao mesmo tempo, é preciso manter uma baixa ocupação do solo com a área verde predominando sobre a área construída. Conciliar essas duas necessidades não é fácil.

Geralmente densidade populacional maior é acompanhada de alta ocupação do solo.

Soluções que equilibram maior densidade populacional com menor ocupação do solo existem, embora ainda não sejam comuns. Brasília nos oferece um modelo interessante nesse sentido. As chamadas super quadras brasilienses mantém uma relação boa entre área verde e área construída. O código de urbanismo restringe a área construída predial a 15% da área total da quadra e a ocupação se dá com prédios de apartamentos de até 6 andares. Esses prédios acomodam mais moradores do que na ocupação por casas. Nesse caso, temos uma relação amistosa entre áreas livres e construídas combinada com uma densidade populacional média.

O planejamento rigoroso de Brasília não é encontrado em outras cidades brasileiras em função do processo histórico particular da capital federal, mas existem pelo Brasil projetos que também conciliam maior densidade populacional com manutenção do verde. São exemplo os condomínios verticais construídos em terrenos amplos. Esses projetos, embora pontuais, talvez não sigam um modelo ideal; geralmente atendem à demanda de famílias de alta renda; mas demonstram preocupação ambiental e com a qualidade de vida.

Fonte: radames.manosso.nom.br

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ANÁLISE SISTÊMICA DO AMBIENTE URBANO, ADENSAMENTO E QUALIDADE AMBIENTAL

I - INTRODUÇÃO

Propostas de planejamento urbano colocam o adensamento como resposta às demandas sociais. O adensamento proposto, que significa uma intensificação do uso e ocupação do solo, aparece vinculado à disponibilidade de infra-estrutura e às condições do meio físico. Então, a área que se apresentasse com uma infra-estrutura subutilizada e sem impedimentos do meio físico seria considerada como passível de adensamento, entendendo-se como infra-estrutura as redes de água, luz, esgoto, telefone e gás encanado.

Como na área urbana de uma cidade, a terra já se apresenta quase que completamente edificada, esta intensificação do uso e ocupação do solo só pode ocorrer com a verticalização das construções. 

Entendendo-se que a sociedade humana depende, para seu bem-estar, da consideração não só dos parâmetros éticos e sociais, mas também dos fatores ambientais, coloca-se como tema central deste artigo a questão do adensamento do espaço urbanizado, levando-se em consideração as conseqüências ambientais geradas pela verticalização das construções.

Foi preciso uma ampla consulta de vários trabalhos referentes aos atributos ambientais do espaço urbanizado para que se pudesse trabalhar com inferências. Na revisão bibliográfica realizada por NUCCI (1996) em sua tese de doutoramento, procurou-se apresentar o máximo de citações possíveis sobre os aspectos relacionados com o clima urbano (ilha de calor, poluição, etc.), água (enchentes, abastecimento e esgotamento), lixo, poluição sonora, visual, cobertura vegetal, espaços livres, áreas verdes, recreação, uso do solo, verticalização, densidade demográfica e tombamento. 

II - CONSEQÜÊNCIAS DO ADENSAMENTO E DA VERTICALIZAÇÃO

Segundo MARCUS & DETWYLER (1972), as mudanças causadas no clima pela urbanização são: diminuição da radiação solar, da velocidade do vento e da umidade relativa e aumento da temperatura, da poluição, da precipitação e de névoa. 

Com a urbanização tem-se um aumento da impermeabilização ocasionada pela inescrupulosa ocupação do solo por concreto. Os corpos d'água e os espaços livres vegetados não encontram lugar na luta pelo espaço. 

A verticalização faz com que a superfície de concreto, com alta capacidade térmica, aumente. Todo este procedimento leva a uma diminuição da evaporação, a um aumento da rugosidade e da capacidade térmica da área. Estas três modificações são os principais parâmetros que determinam a ilha de calor encontrada nas grandes metrópoles, segundo Myrup (1969) in LOMBARDO (1985).

As conseqüências da verticalização não ficam circunscritas à área verticalizada. Elas influenciam na qualidade de vida de toda a população ao redor, desde a vizinha até a mais distante. Os únicos que ganham com a construção desses enormes edifícios são os empreendedores, o governo, o comércio local e os que compram os apartamentos para especular. Até o próprio morador pode sair perdendo com o tempo.

Se o indivíduo está interessado em comprar, torna-se, portanto, a favor da verticalização mesmo que o edifício no qual ele tenta adquirir um apartamento venha diminuir a qualidade de vida ao redor, mas, depois que adquiriu o bem, se revolta com a verticalização dos lotes vizinhos. 

III - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se o adensamento é possível ou não, parece não importar muito dentro da preocupação de obtenção de lucro a qualquer custo [ CONFLITO ENTRE ECOLOGIA E ECONOMIA ].

Observa-se que a verticalização está ocorrendo com grande vigor em vários centros urbanos sem nenhuma alusão ao ambiente como um todo, e esse adensamento trará, em um futuro próximo, conseqüências indesejáveis para todos os cidadãos.

Como "(...) os interesses privados tomaram o lugar dos interesses públicos (...)" e "(...) os projetos arquitetônicos parecem erguer-se sem qualquer integração com a realidade que os cerca e a idéia de bem-estar comum (...)" (CHEMETOV, 1993), é certo que, com a verticalização e todas as suas conseqüências já discutidas, a qualidade de vida diminuirá cada vez mais.

"(...) a nossa realidade diária está para demonstrar a deterioração da qualidade da vida urbana, em conseqüência do 'empilhamento' humano em áreas restritas (...)" (Rattner, 1978 in SOUZA, 1989).

As curvas de qualidade ambiental e adensamento populacional, mais precisamente a verticalização, são inversamente proporcionais, ou seja, quanto mais se verticaliza, mais a qualidade do ambiente diminui.

João Carlos Nucci

Fonte: www.profcordella.com.br

Adensamento

Adensamento e compactação de solos irrigáveis da zona semi-árida do Nordeste brasileiro

1. Introdução

A implantação dos pólos de irrigação, associados às condições edafoclimáticas do Nordeste brasileiro, notadamente nos Perímetros Irrigados do Vale do São Francisco, em Petrolina-PE/Juazeiro-BA (Figura 1), tem propiciado uma ampla diversificação agrícola e uma grande melhoria socioeconômica à região. Este importante pólo de irrigação de frutas, embora não explore ainda suficientemente o seu potencial de produção de frutas, tem aumentado a eficiência da produção agrícola, importante fator na ampliação, diversificação e desenvolvimento do parque agroindustrial desta região.

Na região Nordeste do Brasil, nas áreas de agricultura dependente de chuva (sequeiro) os cultivos são exclusivamente no período de chuva, basicamente com culturas de subsistência (feijão, guandu, milho, mandioca, melancia) e forragem, sem manejo do solo, água e planta tecnificado (Figura 2). Já na agricultura irrigada os cultivos são realizados com uso de tecnologia de alto nível.

As áreas irrigadas ficaram nacionalmente conhecidas pelos seus pólos de produção de frutas irrigadas, a exemplo do Pólo Petrolina-PE/Juazeiro-BA (Figura 3), Açu/Mossoró- RN e os Agropólos do Ceará.

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Figura 1 - Pólo de irrigação Petrolina-PE/Juazeiro-BA

Adensamento e compactação de solos irrigáveis da zona semi-árida do Nordeste brasileiro

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D Figura 2. Plantio de milho (a), consórcio feijão – milho (b), feijão em ponto de colher (c), e sorgo, guandu granífero e forrageiro (c) em área dependente de chuva (sequeiro).

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Figuras 3. Plantio de uva e manga no Perímetro Irrigado de Petrolina, PE/Juazeiro, BA

Nas áreas de exploração agrícola com irrigação verificase, ao contrário das áreas dependentes de chuva, a utilização da alta tecnificação nas suas produções com contínuo e intenso tráfego de máquinas, o que provoca, ao longo do tempo, a compactação do solo e intensificação do processo de adensamento, característicos aos solos destas áreas, independentemente do tipo de exploração a que estão submetidas, dependente de chuva ou sob irrigação.

A compactação resulta da ação antrópica proveniente de meios mecânicos pela aplicação de pressão, ao contrário do adensamento que é um fenômeno acarretado por processos físicos e químicos resultantes de causas naturais (genéticas) ou antrópica. No entanto, os seus efeitos são praticamente os mesmos, do ponto de vista do uso e manejo agrícola.

Dentro deste contexto, a Embrapa Semi-Árido, juntamente com a Embrapa Solos UEP Nordeste, desenvolveu estudos no Perímetro Irrigado Petrolina-PE/ Juazeiro-BA, localizado no Vale do São Francisco (VSF), sobre a gênese de camadas adensadas de solos característicos da região, visando melhor entendimento sobre a constituição destas, assim como entender seu comportamento em relação ao uso da terra.

2. Adensamento e compactação em solos do Pólo de irrigação Petrolina/Juazeiro

A grande ocorrência de áreas que apresentam processo de adensamento e/ou compactação no Pólo Petrolina/ Juazeiro, constitui problema limitante, pois influi diretamente no desenvolvimento dos cultivos por restringir a absorção de água e nutrientes e inibir o crescimento radicular, conseqüentemente a produção agrícola. O adensamento e/ou compactação de camadas do solo está presente, em média, em 80% dos solos da região, chegando a comprometer 50-70% da produção das culturas (SILVA et al. 2001).

No Pólo Petrolina/Juazeiro ocorrem predominantemente os solos (Figura 4) Argissolo Amarelo (Podzólicos Amarelos Tb distróficos e eutróficos), Argissolo Vermelho-Amarelo (Podzólicos Vermelho-Amarelos Tb distróficos e eutróficos) e os Latossolos (Vermelho- Amarelos e Amarelos), além dos Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas), Vertissolos e os Planossolos (Solonetz-Solodizados e Planossolos) (SILVA et al. 1993; ARAÚJO FILHO et al. 2000; EMBRAPA, 2006; EMBRAPA, 1976).

Levantamento de solos realizados na região, destacam a ocorrência de solos, principalmente Argissolos, com gradiente textural simples e com dupla camada de acumulação de argila entre os horizontes superficiais e subsuperficiais dos solos, isto é uma dupla zona de adensamento por acumulação de argila, na seqüência do topo para o centro do perfil. Em áreas de depressão, cujas condições de drenagem são imperfeitas, registram ainda a presença de solos, de origem sedimentar, com marcante adensamento subsuperficial e extrema variação textural, classificados como Planossolos (SILVA, 2000).

3. Uso atual desses solos

O uso desses solos, devido ao risco relacionado à irregularidade das chuvas, tem-se limitado à criação de bovinos e caprinos, usando-se a vegetação natural como pastagem (pecuária extensiva). Algumas áreas são também usadas com a cultura da palma e outras forrageiras (capim elefante, capim buffel, leucena etc).

Nos anos de precipitação menos irregular, são exploradas culturas de ciclo curto, como feijão, milho, melancia, melão, sorgo, guandu entre outras.

Já em áreas sob condições de irrigação, como nos Perímetros irrigados da CODEVASF (Projetos Senador Nilo Coelho e Mandacaru), esses solos estão sendo cultivados, principalmente com as culturas da uva, manga e cana-de-açúcar, utilizando-se diferentes sistemas de irrigação. Já os Planossolos são apenas utilizados com pastagem nativa.

4. Efeitos do adensamento e/ou compactação de camadas de solos sobre as propriedades do solo e sobre as plantas

No Brasil, têm sido detectados problemas de adensamento em diversos ambientes. No Nordeste brasileiro, é marcante a presença de camadas adensadas e/ou compactadas em solos dos tabuleiros costeiros e tabuleiros sertanejos (SILVA et al. 2003). O processo de adensamento e/ou compactação resulta em alterações no arranjamento das partículas do solo (estrutura), diminuindo o volume de seus poros, aumentando sua densidade e a resistência mecânica à penetração de raízes, água e nutrientes (SILVA et al.

2002). Indiretamente, tal problema proporciona modificações na temperatura e aeração do solo, infiltração e condutividade da água, afetando também atributos químicos (disponibilidade de nutrientes), biológicos (condições do solo para desenvolvimento de microorganismos) e a região ocupada pelas raízes (rizosfera) (SILVA et al. 2001). Em decorrência, em geral, há uma significativa restrição na produtividade das culturas nesses solos.

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G Figuras 4. Solos predominantes no Pólo Petrolina/Juazeiro, (a) Argissolo Amarelo, (b) Argissolo Vermelho-Amarelo, (c) Latossolo Vermelho-Amarelo, (d) Latossolo Amarelo, (e) Neossolo Quartzarênico, (f) Vertissolo, (g) Planossolo.

5. Diagnóstico de camadas adensadas em solos do Pólo Petrolina/Juazeiro

Para melhor entendimento dos processos de formação das camadas adensadas em duas classes solos, Argissolo Amarelo (Figura 5a) e Planossolo Nátrico (Figura 5b), um estudo de caso foi realizado em área sob vegetação nativa, no Projeto Bebedouro, município de Petrolina-PE. Análises físicas, químicas e micromorfológicas foram realizadas objetivando identificar a gênese destas camadas.

Os resultados das análises físicas demonstraram acumulação das frações grosseiras como calhaus, cascalhos e areia muito grossa na base dos perfis estudados. A perda de argila da parte superior do perfil contribui para a diferença na distribuição granulométrica (textura) do horizonte Bt para o C, indicando deposição de sedimentos. A eluviaçãoiluviação (transporte de argila do horizonte superior para o inferior) da argila (Figura 6a), apesar de não determinante, contribui com a diferenciação das características dos horizontes superficiais em relação aos subsuperficiais e no adensamento dos horizontes subsuperficiais, evidenciada pela alta correlação encontrada entre a argila total e a densidade do solo. A migração de ferro, silício e alumínio dos horizontes superficiais para subsuperficiais, juntamente com a argila, com posterior organização em volta das partículas do solo ou preenchendo poros, é um dos processos mais atuantes na formação do adensamento.

Esses elementos, juntamente com a presença dominante da caulinita, parece constituírem os agentes responsáveis pela gênese desses horizontes. A forte impregnação de ferro nas áreas de mosqueamento, com grãos de areia constituídos de quartzo, mostra a contribuição do ferro no adensamento dos solos estudados (Figura 6b).

A salinização e sodicidade detectadas, no Planossolo, através dos altos valores da condutividade elétrica e saturação por sódio, apontam para um processo de cimentação ao invés de simples adensamento, refletindo numa consistência muito dura e extremamente dura dos subhorizontes.

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B Figuras 5. Perfil de Argissolo Amarelo Eutrófico (a) e Planossolo Nátrico (b) estudados

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Figuras 6. Micrografias de lâminas delgadas, do horizonte Bt mostrando iluviação de argila e ferro no (a) e impregnação de ferro na massa do solo (b).

A dispersão de argila associada a predominância das frações areia fina e muito fina verificadas na areia total colaboram, também com a formação do adensamento dos solos estudados. A dispersão pode acarretar a eluviação da argila para as camadas inferiores, levando ao encrostamento superficial e à compactação subsuperficial do solo (PARDO & CENTURION, 2001).

Os ciclos alternados de umedecimento e secagem, a que estes solos estão submetidos, atuando continuamente sobre estas frações, proporcionam às mesmas um estado de orientação e de proximidade tal, que influi nos acentuados valores da densidade do solo destes perfis (VIANA et al. 2004). Os fluxos de água lateral (água que permanece na superfície antes de percolar) e basal (qualquer oscilação do lençol freático perto da superfície), que são provenientes destes ciclos de umedecimento e secagem, provavelmente contribuem também, para formação de horizontes adensados, devido ao suprimento de água abundante, nos períodos chuvosos, provocando rearranjamento estrutural e o carreamento de partículas e agentes cimentantes.

6. Práticas para prevenção da compactação do solo

Redução do trânsito de máquinas nas áreas de plantio é uma prática que diminui à força de tração aplicada à superfície do terreno, quando do deslocamento do trator, resultando em menor deformação da estrutura do solo
Utilização de pneus de base larga acarreta menor compactação pela melhor distribuição do peso da máquina, diminuindo a carga de tensões sobre solo
Controle de tráfego e racionalização do uso do maquinário, por exemplo, adoção de práticas de cultivo mínimo, diminuindo o tráfico de máquinas e a movimentação do solo
Utilização de práticas que promovam o aumento da matéria orgânica no solo, tais como cobertura do solo, adubação verde e rotação de culturas proporcionarão melhores condições físicas, químicas e biológicas, consequentemente menor compactação
Utilização de coquetel vegetal para adubação verde e cobertura de solo, preferencialmente espécies com relação C/N alta, diferentes exigências nutricionais e sistemas radiculares mais profundos e vigorosos, adaptados a região (crotalária, girassol, nabo forrageiro, mamona, sorgo, milheto, guandu, cunha, etc.) para a descompactação biológica do solo e a formação/aumento de fitomassa (palhada).

7. Práticas para correção do adensamento e/ou compactação do solo

No estudo de um perfil de solo, a descrição morfológica fornece a primeira indicação da presença de camadas adensadas por meio de algumas de suas características, tais como cor, textura, estrutura, porosidade e consis- tência.

Alguns atributos físicos do solo indicam a presença de camadas adensadas e/ou compactadas em virtude da modificação/degradação que esses atributos sofrem, quer por processos pedogenéticos (adensamento), quer por aplicação de forças externas, como utilização de implementos agrícolas (compactação), que acarretam o arranjamento ou agrupamento cerrado de suas partículas.

Os principais atributos físicos que refletem a compactação e/ou adensamento são: a porosidade, que reflete o espaço ocupado pelos poros relativamente ao ocupado pelas partículas de solo; a distribuição do tamanho dos poros, que expressa a efetiva distribuição do espaço poroso; e a estrutura do solo, que reflete a relativa orientação e geometria das partículas do solo em associação ao espaço poroso.

Os principais atributos químicos que podem caracterizar a presença de camadas adensadas e/ou compactadas são: baixa capacidade de troca de cátions, baixo conteúdo de matéria orgânica e variável saturação por bases, podendo apresentar-se com caráter eutrófico, distrófico ou álico; via de regra, são ácidos. Além disso, há a presença marcante dos óxidos de ferro, silício e alumínio, como também, em alguns solos, como os Planossolos, valores elevados de saturação por sódio trocável.

Quando tecnicamente constatados problemas de adensamento e/ou compactação, recomenda-se a descompactação mecânica com a utilização de subsolador e/ou escarificador, na profundidade adequada; incorporação de matéria orgânica e/ou cobertura do solo; utilização de espécies para adubação verde intercaladas com a cultura comercial; e, quando possível, no caso de cultivos anuais, fazer uso da prática de rotação de culturas.

8. Referências bibliográficas

ARAÚJO FILHO, J. C. de; BURGOS, N.; LOPES, O. F.; SILVA, F. H. B. B. da; MEDEIROS, L. A. R.; MÉLO FILHO, H. F. R. de; PARAHYBA, R. B. V.; CAVALCANTI, A. C.; OLIVEIRA NETO, M. B. de; SILVA, F. B. R. e; LEITE, A. P.; SANTOS, J. C. P. dos; SOUSA NETO, N.
C.; SILVA, A. B. da; LUZ, L. R. Q. P. da; LIMA, P. C.; REIS, R. M. G.; BARROS, A. H. C. Levantamento de reconhecimento de baixa e média intensidade dos solos do Estado de Pernambuco. Recife: Embrapa Solos - UEP Recife; Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2000. 252 p. (Embrapa Solos. Boletim de Pesquisa, 11). 1 CD-ROM.
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produção da Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006. 412 p.
EMBRAPA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Levantamento exploratório-reconhecimento de solos da margem esquerda do Rio São Francisco, Estado da Bahia. Recife: SUDENE: EMBRAPA-SNLCS, 1976. 405p. 1 mapa color. (EMBRAPA-SNLCS. Boletim Técnico, 38; SUDENE. Série Recursos de Solos, 7).
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Fonte: www.cnps.embrapa.br

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