Adolf Hitler (Biografia)
Adolf Hitler (Biografia)

Adolf Hitler

LIDER NAZISTA

QUANDO TUDO ACONTECEU...

1889: Nasce em Braunau, Áustria. - 1907: É reprovado na admissão a Belas-Artes, em Viena. - 1913: Foge para Munique. - 1914/18: A Grande Guerra; derrota da Alemanha; Hitler, soldado voluntário. - 1919: Filia-se no Partido Alemão dos Trabalhadores (DAP). - 1921: Converte o DAP no Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP) que lidera. - 1923: Putsch de Munique; é preso. - 1924: Na prisão, dita a Hess o Mein Kampf (A Minha Luta), livro que o tornará famoso. - 1928/32: Os deputados nazis passam de 12, para 107 e finalmente 230. - 1933: Hindenburg nomeia-o chanceler da Alemanha. - 1934: Morre Hindenburg e Hitler assume a Presidência; poderes ditatoriais. - 1938: Anexa a Áustria, invade a Checoslováquia. - 1939: Invade a Polónia; II Guerra Mundial; cerca de 50 milhões de pessoas irão perder a vida. - 1945: Suicida-se em Berlim; a Guerra chega ao fim.

À memória de Samuel Feldman, o suave Kriegsminister do ghetto do Bom Retiro (S.Paulo, Brasil)

O FOGO E O GELO

Tem pesadelos, grita a meio da noite. Levanta-se, aponta, é Ele, é Ele, está ali! Tudo vê, desde o princípio ao fim dos tempos, um milhão de anos condensado num segundo. O Universo é o combate permanente entre o fogo e o gelo. As estrelas captam astros de gelo, explodem, lançam no Espaço matéria incandescente, dão origem aos planetas. No sistema solar apenas a Terra consegue manter o gelo e o fogo, respira por vulcões. É o equilíbrio dos contrários, surge a Vida. Vê a Terra captar uma Lua gelada, a terceira. O satélite cada vez aperta mais a sua espiral em torno do planeta e assim liberta a Vida do excesso da gravidade. E surgem os Dinossauros, mas também os Super-Homens, os Gigantes de três metros de altura, os Homens-Deuses. Vê que a civilização dos Super-Homens é dona do Conhecimento Total. Eles são uma poderosa central de energia psíquica a travar a queda da Lua. Vê que, entre Eles, escolhem uns tantos Superiores. Querem garantir-lhes a sobrevivência para que dêem continuidade à raça divina. Na Atlântida promovem a Sua migração para os altos da Terra, para o Tibete e para o Cáucaso. Só então permitem que se cumpra o destino cósmico e a Lua aproxima-se da Terra. Sobem por isso as marés do planeta, é o Dilúvio. Vê a colisão final, a Vida sepultada sob lavas, sob gelo. Vê o fogo a recolher-se ao núcleo da esfera e o gelo a cobrir toda a sua superfície. Vê depois a Terra a captar uma outra Lua gelada, a quarta, a que ainda está no céu. Foi a catástrofe, mas vagueiam sobreviventes. São as raças degeneradas, Dinossauros convertidos em lagartos e crocodilos; mas também os Gigantes convertidos em pigmeus, negros, ciganos, eslavos e judeus. Mas há outros que não param de lutar contra o gelo. São os Arianos, a única raça que preserva as potencialidades biológicas dos Gigantes. Os que vão ser reconduzidos à perfeição divina. Vê que os Superiores escolhem um grupo de Eleitos aos quais irão transmitir os Grandes Segredos. Vê um deles já plantado no canto do seu quarto. Treme, não aguenta a sua presença luminosa, é Ele, é Ele, está ali!

Abrem a porta, acendem a luz, tentam despertar o sonâmbulo. Está em pânico, os olhos esbugalhados. Treme, espuma, gagueja palavras e frases sem nexo, talvez tenha sido iniciado numa língua secreta.

Nasceu em 1889 em Braunau, na Áustria. Cidade que fornecera o maior número de colaboradores ao famoso espírita Barão Schrenk-Notzig. Entre eles, um primo do sonâmbulo. De Braunau era também a médium Mme. Stokhammes que desposou o príncipe Joaquim da Prússia. Braunau, viveiro de médiuns...

Quando acordado, ninguém repara no sonâmbulo, é personalidade insignificante, um bigodinho cómico. Mas, quando em transe, é uma poderosa caixa de ressonância. Que forças ocultas começam a tanger Adolf Hitler?

A JUVENTUDE

Gosta muito de dormir. Pelo menos até ao meio-dia. Ao acordar, volta a ser um rapaz sem rumo, não sabe o que fazer da vida. Parte para Viena. Sem trabalhar, logo dissipa a pequena herança que os pais lhe deixaram. Providencial é a pensão de 25 coroas que o Estado atribui à sua irmã, menor e órfã. Quer ser pintor. Por duas vezes é reprovado na admissão a Belas Artes. Não faz sequer um amigo. Dorme em albergues e bancos de jardim. Odeia a Viena dos Habsburgos. Odeia a disciplina burguesa. Odeia os operários que têm emprego e cumprem horários, eles são a aristocracia marxista. Odeia os judeus que, a troco de comissão, vendem pelas ruas as aguarelas que vai pintando. Odeia e sente que já vibra o seu diapasão nocturno.

A GRANDE GUERRA

Recebe a herança de uma tia, contorna a miséria. É relapso ao serviço militar e em 1913 foge para Munique. É preso e devolvido à Áustria. Contudo não é apurado, é muito débil para soldado. Regressa a Munique. Faz algumas leituras, Nietzsche e Sorel. Compra roupas novas. Frequenta os Cafés, entra nas discussões políticas. Faz-se notar pela veemência do seu ódio. Com ele, já vibram outros e eis que em 1914 estoura a Grande Guerra. É ainda o ódio que o leva a alistar-se como voluntário do Exército Bávaro. Abaixo a democracia, armadilha dos judeus!

Alguns actos de bravura na frente ocidental e Adolf Hitler é promovido a cabo. Ferido e gazeado, recebe uma medalha.

A Oriente, bandeiras vermelhas, Lenine, a revolução, a paz de Brest-Litovsk. O comunismo é outra armadilha dos judeus.

Em 1918 a derrota. Um ano depois o Tratado do Versailles.

Regressa a Munique. A frustração e a raiva colectivas esperam por ele.

O PARTIDO NACIONAL SOCIALISTA - O PUTSCH

Pesadas indemnizações de guerra exigidas pelo Tratado de Versailles... Inflação: milhares de marcos por uma caneca de cerveja. Desemprego: só em Berlim vagueia um milhão de desocupados. Fome em toda a Alemanha. Erguei-vos ó vítimas da fome! cantam os leninistas e os espartaquistas de Rosa do Luxemburgo e Karl Liebknecht. Marcham pelas ruas, desfraldam bandeiras vermelhas, organizam conselhos operários, vão à conquista do poder. Quase o conseguem. Na Baviera chega a proclamar-se uma república soviética. O Kaiser asilara-se na Holanda e entregara o poder ao marechal Hindenburg. E este chama em seu auxílio os sociais-democratas. É implantada na Alemanha uma democracia liberal com sede em Weimar. Não em Berlim, cidade conturbada, programas revolucionários, desapropriações. Andam assustados os capitães de indústria, mas também os pequenos e médios comerciantes, os artesãos, os lavradores, os funcionários. Uns e outros sonham com um regime autoritário que ponha cobro à anarquia. Os militares regressam da frente e encarregam-se de liquidar os conselhos operários, lutas de rua, soldados contra brigadas proletárias, fuzilamentos, Rosa e Karl assassinados. Já varre a Alemanha a velha onda anti-semita. Florescem os grupos de Direita.

Em Munique, Hitler denuncia os seus camaradas, os militares que apoiaram a aventura da Baviera soviética. Continua a discursar em público, hipnotiza. Eckardt, milionário e membro da sociedade secreta Thule, repara nele. Convida-o a aderir ao seu Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP). E ele assume a responsabilidade pela propaganda e o recrutamento. Eckardt capta apoios da alta-finança; e Roehm, herói da guerra, fascinado por Hitler, reúne no DAP uma falange de antigos militares dispostos a tudo. No início de 1920 o primeiro grande comício, 2000 assistentes. Ouvinte que tente interromper ou contestar o orador, é espancado e expulso pela falange de Roehm. Um discurso de quatro horas. Hitler comenta:

Acendeu-se uma fogueira!

A 1 de Abril de 1920 é licenciado da vida militar. No mesmo dia converte o DAP no NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). Quer cativar a classe operária, só ela pode dar corpo a um partido de massas. Portanto, socialista. Assume a liderança. Hess traz uma doação da Thule e Hitler adopta como insígnia um símbolo mágico: a suástica, a cruz gamada, a garra da Águia.

As SA (Sturm Abteilungen, Secções de Assalto), os camisas castanhas comandados por Hermann Goering, ás da aviação, passam a ser a tropa de choque do partido nazi. Principal actividade: dispersar comícios e assembleias de outros partidos. Resultados: 400 mortos em 78 comícios. Hitler bem avisara que seriam impedidas pela força as reuniões susceptíveis de perturbar o espírito dos alemães.

A Alemanha não consegue pagar as indemnizações previstas no Tratado de Versailles. Como retaliação, e apesar da opinião contrária da Grã-Bretanha, em 1923 a França ocupa o território, fábricas e minas do Ruhr e expulsa 150 mil trabalhadores. Hitler é o paladino da defesa do Ruhr. Prega a desforra nacional. Começa a ser conhecido em toda a Alemanha.

Em Novembro do mesmo ano o governo da Baviera pretende separar-se da Prússia, cindindo a Alemanha. Hitler reage. Com os seus camisas castanhas tenta um putsch. Falha e é preso. Juntamente com Rudolf Hess, Roehm e o Gen. Ludendorff. Goering é ferido gravemente mas consegue fugir para a Itália.

THULE E MEIN KAMPF

Julgamento: Roehm e Ludendorff são absolvidos. Hitler e Hess são condenados a cinco anos de prisão e logo internados no forte de Landsberg.

Eckardt manda e Hess começa a iniciar Hitler na cosmogonia de Horbiger, o fogo e o gelo, os Superiores Ocultos. Os seus Grandes Segredos estão apenas ao alcance de um grupo de Eleitos: os irmãos da Thule. Tais como Eckardt, Haussoffer, Sebottendorff, Rosenberg e o próprio Hess. Que Hitler se submeta aos ritos esotéricos da Thule; que aprenda as litanias encantatórias; que domine a magia dos sinais de dedos; que contacte os Superiores através do auto-hipnotismo, do transe, da telepatia. E eis que se revela providencial o diapasão nocturno de Adolf Hitler. Predestinada é a sua caixa de ressonância. É ele quem vai salvar a única e verdadeira raça humana, a nórdica. Porque as outras são as degeneradas, as sem futuro, as que podem corromper e deter a ascensão dos povos germânicos.

Mas uma coisa é o saber oculto. Outra, o que se diz para o exterior. Hitler dita e Hess escreve o Mein Kampf (A Minha Luta), o livro que irá vender-se aos milhões. É a cartilha do nacionalismo e do racismo. É a apologia do Estado como defensor do sangue, do solo e da língua. E que há-de ser personalizado por um führer messiânico, portador da vontade do povo.

Ainda em 1923, no leito de morte, Eckardt dirá:

- Sigam Hitler! Vai dançar mas eu é que fiz a música. Permitimos que entrasse em contacto com Eles... Influenciei a História mais do que qualquer outro alemão.

A CONQUISTA DO PODER

Nove meses em Landsberg e Hitler é amnistiado. Sai e apercebe-se que a população está cansada de tanta agitação. Quer agora tomar o poder mas por via legal. Preso, omitira-se das lutas internas do Partido. Dantes, em público, muitas vezes acusara a desenfreada exploração capitalista e apontara, como exemplo, o merceeiro, o judeu da esquina. Os irmãos Otto e Gregor Strasser pegaram na deixa e começaram a reivindicar a justiça social. São a linha esquerdizante do nazismo.

Na ausência de Goering, Roehm tomara conta das SA. Recrutara milhares de desordeiros e não pára de provocar distúrbios. O domínio das ruas é a chave do Estado, vangloria-se Roehm. O próprio Hitler já não consegue refreá-lo. Teme uma possível aliança entre ele os irmãos Strasser.

1929, o crack da Bolsa de Nova Iorque. Recessão mundial. Na Alemanha, 3 milhões de desempregados, inflação astronómica. Ameaças de separatismo e já balança a frágil democracia de Weimar. Hitler encarrega Himmler de reorganizar a sua guarda pessoal, as SS (Schutz Staffeln, Secções de Segurança). Himmler converte-as em nova cavalaria teutónica. Uniformes pretos, caveiras brancas nas lapelas. Guerreiros de puro sangue ariano. E peritos em artes marciais. E ferozes; de tronco nu e desarmados, em arenas secretas são treinados a lutar contra enraivecidos dobermann e muitas vezes os cães recuam. Fidelidade ao führer, obediência cega e coragem. Que nada te detenha! Se vires o Cristo no teu caminho e ele te mandar parar, mata o Cristo! 280 SS em 1929. 52 mil em 1933. Em 1939 serão 240 mil e já exército de elite, a promoção só depende do valor. 600 mil em 1945.

Em público, Hitler censura os distúrbios das SA. Roehm não quer entender o recado. Hitler depois envia mensagem aos grande capitães de indústria reunidos em Dortmund: o führer desautoriza os irmãos Strasser e defende a unidade alemã. Obtém assim o apoio dos Krupp, I.G. Farben, Springorum e Thyssen. Acalma também os militares; afirma respeitar a sua hierarquia aristocrática, neutraliza-os.

A máquina do Partido é posta em movimento. 1928: 12 deputados nazis. Instabilidade política, caiem governos, eleições de dois em dois anos. 1930: 107 deputados nazis. 1932: 230. O Partido Nazi é agora o mais votado mas não dispõe de maioria absoluta. Se coligados, comunistas e sociais-democratas seriam maioritários. Mas Estaline impede a Frente de Esquerda. Apelida de sociais-fascistas os possíveis aliados do PC alemão. Ficam assim escancaradas, para os nazis, as portas do Poder. Trotsky insurge-se, em vão, contra a cegueira estalinista.

Em 1933 o Pres. Hindenburg convida Hitler para Chanceler da Alemanha. A 27 de Fevereiro Himmler manda incendiar o Reichstag (Parlamento). Atribui a culpa aos comunistas, forja e exibe provas. Frente aos escombros, Hitler declara:

- Já nada nos impede de esmagar os comunistas com punho de ferro. Este incêndio marca o início de uma nova e grande era na História da Alemanha.

Hindenburg autoriza Hitler a tomar medidas de excepção. Desfiles, bandeiras, marchas militares. Na rádio, Goebbels martela slogans. Nas ruas, SA e SS dão caça aos comunistas.

Em 1934 morre Hindenburg. Eleições controladas pelos nazis. Hitler é, naturalmente, o mais votado. Assume a Presidência, poderes ditatoriais. Quadros das SS ocupam as principais posições no aparelho de Estado.

A NOITE DAS FACAS LONGAS

A alta finança queixa-se ao Chanceler: as SA continuam as arruaças e as arengas de Roehm são cada vez mais socializantes.

Hitler convida Roehm e o seu Estado-maior para um convívio nocturno em Munique. É preciso festejar a tomada do Poder recordando os velhos tempos...

Noite de 29 para 30 de Junho de 1934. Os SA que vão chegando a Munique vão sendo detidos e executados por guerreiros das SS. É o próprio Hitler quem detém Roehm. Concede-lhe a graça do suicídio. Ele recusa, não é um traidor. Hitler manda abatê-lo. Abatido é também Gregor Strasser. É a noite das facas longas.

A população respira fundo, apoia a liquidação dos desordeiros.

Otto Strasser fugiu, escapou à matança. Logo passa à luta armada contra o hitlerismo. Talvez seja um dos implicados no atentado que irá ocorrer contra a vida de Hitler, em 1939, em Munique. O führer escapará ileso.

O ORADOR

Goering não se cansa de martelar: «a lei é a vontade do Führer». Entretanto o que está a acontecer no resto do mundo? Consulte a Tábua Cronológica. Partido e Estado já são uma única e mesma coisa. O dito socialismo, porém monopólios privados a comandar a economia. A indústria de guerra a dar trabalho a toda a gente. As grandes obras, as auto-estradas, os carochas VW. As raparigas de pernas abertas para receber o sémen da raça pura, os cobridores são SS. A Gestapo a bater à porta, talvez seja por ti, ontem esqueceste de dizer Heil Hitler! Livros lançados à fogueira, autos-de-fé. A falsa ciência judaico-liberal a ser substituída pela ciência verdadeira, a nórdica, a nacional-socialista. Einstein e Freud conseguem fugir a tempo. O astrólogo de Hitler a ser empossado como "plenipotenciário das Matemáticas, da Astronomia e da Física". Judeus a serem espancados nas ruas e desapropriados dos seus bens. Na rádio, Goering não se cansa de martelar a lei é a vontade do führer! Mas é outro o orador que fascina as massas. Hitler funciona como um radar. Tem à sua frente talvez um milhão de ouvintes. Diante dos microfones a sua voz é rouca e hesitante. De repente sintoniza o exacto comprimento de onda. Cai em transe, é sacudido com violência, já está a receber o espírito de um Superior. Martela as palavras, começam a fluir as frases a um ritmo cada vez mais acelerado e preciso. Às vezes pára subitamente. Cruza os braços, afaga os bíceps, estende o queixo. É pausa dramática e um arrepio percorre a multidão, Sieg Heil! Depois retoma o fluxo oratório, vai em crescendo, gesticula, dá murros no ar, requebra os dedos em sinais mágicos, alcança o êxtase, é o orgasmo colectivo e a multidão entra em convulsões, Heil Hitler, Heil Hitler, Heil Hitler!

Durante os discursos perde de 3 a 4 quilos. É o casamento místico com a nação. Já não lhe sobra apetência para aventuras amorosas. Conhecem-se-lhe apenas duas fêmeas. Uma, que foi a própria sobrinha. A rapariga não aguentou a convivência e suicidou-se. O caso foi abafado. Outra, que é Eva Braun, valquíria que irá acompanhá-lo até ao fim. Sieg Heil!

COMEÇA A GUERRA

Em 1935 Hitler torna obrigatório o serviço militar, reorganiza a Marinha de guerra, rasga o Tratado de Versailles. Os Aliados (França e Reino Unido) não reagem, é a política de apaziguamento.

Em 1935 a Itália invadira a Etiópia. Em 1936 Hitler e Mussolini firmam uma Aliança. Os Aliados não reagem, é a política de apaziguamento.

1936: independência da Renânia que se declara Estado Alemão. Hitler para ali manda as suas tropas. Os Aliados não reagem, é a política de apaziguamento.

No Ocidente, a via do Ariano. No Oriente, a via do Samurai. Em 1937 é firmado o Eixo Berlim-Roma-Tokyo. Os Aliados não reagem, é a política de apaziguamento.

Ainda em 1937 tropas alemãs intervêm na guerra civil de Espanha ao lado dos nacionalistas. A Luftwaffe, para testar o seu poder de fogo, bombardeia e arrasa Guernica. Os Aliados não reagem, é a política de apaziguamento.

Também em 1937 Hitler acena e Estaline morde o isco: assinam um Pacto de Não-Agressão. Em cláusulas secretas definem a partilha da Polónia e de outros territórios do leste. Os Aliados não reagem, é a política de apaziguamento.

Território onde viva uma família alemã, é território alemão! Para povos do mesmo sangue, um império comum! Um império para 1000 anos, no qual o sangue ariano é a substância da própria divindade! Em 1938 Daladier (pela França) e Chamberlain (pelo Reino Unido), assinam em Munique um Pacto em que reconhecem a teoria do sangue e do solo. Logo a seguir a Alemanha anexa a Áustria e invade a Checoslováquia. Os Aliados não reagem, é a política de apaziguamento.

Em 1939 Himmler encena, e forja provas, de um ataque polaco a um posto de rádio alemão. Tropas do III Reich invadem a Polónia. Só então reagem os Aliados. A 3 de Setembro tem início a II Guerra Mundial.

VITÓRIAS

Hitler rasga o pacto de Não-Agressão com a URSS. Entretanto o que está a acontecer no resto do mundo? Consulte a Tábua Cronológica. Blitzkrieg! Até 1941, só vitórias! Ocupadas a Holanda e a Bélgica. Os britânicos são empurrados de Dunquerque para a Inglaterra. Ocupada a metade da França. A outra metade, a de Vichy, a de Pétain e Laval, colabora com os nazis. Ocupada a metade da Polónia e a Lituânia, a Roménia, a Hungria, a Jugoslávia e a Bulgária. Ocupadas a Dinamarca e a Noruega. Ocupadas a Grécia e Creta. No Norte de África os britânicos são empurrados até à fronteira do Egipto.

Na Alemanha é o delírio colectivo, Sieg Heil! É a desforra nacional, Heil Hitler! O führer rasga o Pacto de Não-Agressão com a URSS. Ocupada a segunda metade da Polónia, e os Países Bálticos, e a Crimeia, e a Ucrânia, e as repúblicas soviéticas do Cáucaso. Tropas do III Reich já avançam sobre Moscovo e Leninegrado. Mas aproxima-se o Inverno e os soldados vão equipados apenas com um capote e um cachecol. O führer não teme o frio, forjados foram os arianos com o fogo dos Superiores. Os generais, porém, sustêm a ofensiva, é prudência militar. Em Berlim, na Chancelaria, Hitler sofre um ataque de fúria.

São territórios imensos, os ocupados. E neles vagueiam multidões degeneradas. Himmler propõe e Hitler aprova: Que as raças inferiores forneçam a mão d'obra indispensável à produção! Que os escravos trabalhem para os senhores! Na Ucrânia, o Reichskomissaer Koch interpreta a directriz:

- Não vim aqui espalhar a felicidade. Vim aqui para ajudar o führer. Somos uma raça de senhores. Devemos lembrar-nos que o mais humilde trabalhador alemão tem, social e biologicamente, mil vezes mais valor do que toda a população daqui.

Porém os escravos não desistem da rebeldia. Há sempre um soldado alemão a ser abatido ao virar da esquina. Há sempre uma ponte a explodir. Há sempre um destacamento a cair numa emboscada.

Nomeado por Himmler, Heydrich organiza a repressão nos territórios ocupados. A ferro e fogo. Por cada alemão caído, cem reféns fuzilados. Nem assim os degenerados amansam. O próprio Heydrich é baleado e morto por dois resistentes checos.

A SOLUÇÃO FINAL

Hitler exige uma solução final para os judeus. Himmler hesita e Hitler berra:

- Se eu posso enviar a flor do povo alemão para o inferno da guerra, também posso suprimir milhões de seres de uma raça inferior que prolifera como a vérmina.

Himmler bate os tacões e estende o braço, yawohl mein Führer! Hitler não compreendeu o porquê da hesitação. As SS já estão sobrecarregadas de trabalho e agora, ainda por cima, têm que desinfestar os milhões de baratas que há no mundo...

Himmler começa por mandar arrasar o ghetto de Varsóvia, primeira desinfecção. Depois responsabiliza Eichmann pela solução final. O programa arranca ainda em 1942. Campos de concentração, Treblinka, Maidanek, Dachau, Neuengamme, Mauthausen, Ravensbruck, Buchenwald, Auschwitz e mais 900 campos secundários. Os prisioneiros mais vigorosos são apartados. Os outros, os doentes, os débeis, as mulheres, as crianças e os velhos, seguem directamente para as câmaras de gás. Em Auschwitz é possível gasear em meia-hora um lote de 2000 judeus e repetir a operação quatro vezes ao dia. E apenas quatro vezes porque é muito demorado quer o transporte de 2000 cadaveres para o crematório, quer a sua redução a cinzas. Aos prisioneiros apartados, aos vigorosos, é-lhes sugada toda a força de trabalho. De alimentação recebem 600 a 700 calorias por dia. Caiem prostrados e são logo encaminhados para o crematório. A chaminé, a fumaça permanente, as cinzas a cair, o pivete nauseante.

Até 1945 são exterminados 6 milhões de judeus.

A VINGANÇA DO GELO

Na Primavera de 42, no Cáucaso, por ordem directa do führer, três oficiais superiores das SS sobem ao cume da Elbruz, a montanha sagrada dos Arianos. Aí cravam a bandeira com a suástica. É o início da Nova Era, o gelo vai ser detido!

Em Berlim, os generais avisam o führer que a Meteorologia prevê um Inverno mais rigoroso que o anterior. Apoiado pelo seu astrólogo, Hitler sossega-os:

- Não se preocupem com o gelo, disso cuido eu!

Chega o Inverno e, às portas de Estalinegrado, milhares de soldados alemães que baixam as calças para aliviar a tripa, morrem com o ânus congelado. Os russos rompem o cerco de Estalinegrado, envolvem o 1º Exército alemão. Von Paulus rende-se a Zhukov. Em Berlim, os jornais saem com uma tarja preta. Goebbels escreve no seu diário: É todo um pensamento, toda uma concepção do Universo que sofre uma derrota. As forças espirituais vão ser destruídas, aproxima-se a hora do julgamento. Na Chancelaria, o führer não pára de berrar:

- Os Superiores abandonaram-me, o Universo vai estourar!

Apesar das V-2 sobre Londres os britânicos não desistem; antes intensificam a guerra no Mar do Norte; agora quem os comanda, não é mais Chamberlain, o frouxo; é Churchill, esse judeu... No Norte de África Montgomery bate Rommel, invade a Itália, chega até Roma. Mussolini será executado por resistentes. Os japoneses bombardearam Pearl Harbour e os americanos decidiram-se a entrar na Guerra. Roosevelt, esse judeu, manda e Eisenhower desembarca na Normandia, abre a 2ª. Frente. Em 1944 o führer sofre novo atentado em Rastenburg; escapa ligeiramente ferido. Mas sabe que já está condenado. E se vai morrer, pois que tudo morra com ele. Antes da retirada, manda que as suas tropas arrasem Paris; não é obedecido.

Os russos já avançam sobre Berlim. Goebbels escreve que o drama não se desenrola à escala da Terra, mas do Cosmos; o nosso fim será o fim de todo o Universo. Depois mata a mulher e os filhos e suicida-se. No bunker da Chancelaria, a 30 de Abril de 1945, Adolf Hitler mata Eva Braun e a seguir dá um tiro na cabeça.

O III Reich chega ao fim. Dos 1000 anos apregoados durou apenas 12. O bastante para abater 50 milhões de pessoas em três continentes. Nos escombros vagueiam dezenas de milhares de sombras, cinzas do holocausto.

Eckardt tinha razão: nenhum outro alemão influenciara assim a História.

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

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