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Adolfo Caminha

Nascido na cidade de Aracati (CE), a 29 de maio de 1867, Bom Criolo (Adolfo Caminha) morreu de turberculose, doença incurável àquela época, com apenas 29 anos ( 1897).

Aos 10 anos, ainda no Ceará, perde a mãe; muda-se para o Rio de Janeiro, onde passa a morar com um tio. Aos 13 anos incompletos é matriculado na Escola Naval e de lá, como guarda-marinha, sairá pelo mundo, conhecendo países, entre os quais os Estados Unidos, onde permanece por algum tempo. Das anotações feitas naquele período, nascerá No país dos Ianques, publicado em 1894.

Em 1888 presta serviços, no Ceará, à Escola de Aprendizes Marinheiros e seu temperamento especulativo, de forte pendor intelectual, faz com que seja um atrevido participante da vida intelectual de Fortaleza. Ajuda a fundar, àquela época, o Centro republicano Cearense. Em 1899, um escândalo atinge o seu nome : já oficial da Marinha, apaixona-se ( e é correspondido) pela esposa de um alferes do Exército, Isabel Jataí de Paula Barros. Para o escândalo de uma Fortaleza provinciana, Isabel abandona o marido e passa a viver com o escritor. Hostilizados pela sociedade, permanecem juntos, mas a pressão social não lhes dá sossego: punido pela Armada, o jovem tenente Bom Criolo (Adolfo Caminha) pede demissão. Vive de publicações em jornais e do emprego de amanuense do Tesouro.

Trabalhou no jornal "O Pão"e foi um dos fundadores da "Padaria Espiritual", que se dedicava a difundir as idéias realistas-naturalistas na província. Funda, nessa ocasião, a Revista Moderna.

Em 1893, transfere-se com a família para o Rio de Janeiro, onde dedica-se, de maneira integral, à literatura, crítica literária e jornalismo.

Espírito combativo, livre do cinismo, publicou no Rio os romances A Normalista ( 1893) e Bom-Crioulo ( 1895), livros que, apesar de já brilharem os naturalistas, abalam os leitores: considerados libidinosos e, portanto, inteiramente nocivos à moral e aos bons costumes, fazem nascer do escritor o comentário de que os romances de Aluísio Azevedo, apesar de métodos diferentes dos dele, não foram menos cruéis ao criticar a sociedade do Rio de Janeiro com os admiráveis O Cortiço e Casa de Pensão.

Morre no dia 1o. de janeiro de 1897, aos 29 anos, de tuberculose aguda. Já tinha, então, granjeado admiradores ­ poucos, mas sólidos ­ para o tipo de literatura que produziu.

O autor e a escola literária a que pertenceu:

Bom Criolo (Adolfo Caminha) está inserido no Naturalismo, vertente realista que se preocupa em denunciar o perfil moral das criaturas em sociedade.

Os tipos humanos são retratados levando em conta o Determinismo, filosofia de H. Taine que observa estar o homem, de maneira inexorável, atrelado ­ como resultado - à sua herança genética, ao seu meio social e ao seu momento histórico. Interessa a esta vertente realista focalizar as camadas mais baixas da sociedade, ressaltar os vícios humanos, principalmente os seus desvios sexuais, suas taras, homossexualismo e adultério.

As personagens são típicas: tipos. E podem ser encontradas em quaisquer lugares deste mundo: vis, mesquinhos, viciosos em seus hábitos, a maioria delas se parece com as criaturas que habitam este mundo.

Leia o trecho abaixo, de autoria da profa. Samira Youssef Campedelli, prefácio ao romance Bom-Crioulo, editado pela editora Ática, 2a. Edição, 1991:

"Para os naturalistas ( e Bom Criolo (Adolfo Caminha) foi um deles), o homem é um animal cujo destino é determinado pela hereditariedade, pelo efeito de seu meio ambiente e pelas pressões do momento.

Concepção deprimente esta: rouba do homem todo o seu livre-arbítrio, toda a responsabilidade pelos seus atos, que ficam apenas o resultado inescapável da força e das condições físicas além de seu controle...

Em ficção, o protagonista de um romance naturalista está, portanto, à mercê das circunstâncias e não de si mesmo ­ ele parece, muitas vezes, não ter entidade própria, como se fosse teleguiado ou manejado qual um fantoche. Ele é objeto científico, de observação: cabe ao romancista desenvolver uma tese em torno do fato que o cerca.

Seja como for que se enfoque, o Naturalismo corresponde a uma tendência de época ­ e já lá vão uns cem anos! - , que lhe outorgou a precisão e a objetividade científicas; a exatidão na descrição; o apelo à minúcia; o culto ao fato.

A frieza do narrador em relação às suas personagens responde à exigência do romancista como observador dos acontecimentos, mero captador da realidade circundante.

Qual, então, o seu papel?

O de registrar tão desapaixonadamente quanto possível esta realidade. E ser tão impessoal quanto um cintista."

Fonte: www.navedapalavra.com.br

Adolfo Caminha

Escritor cearense. Um dos principais representantes do naturalismo no Brasil, sua obra, densa, trágica e pouco apreciada na época, é repleta de descrições de perversões e crimes. Adolfo Ferreira Caminha (29/5/1867-1º/1/1897) nasce na cidade de Aracati. Ainda na infância se muda com a família para o Rio de Janeiro.

Em 1883 ingressa na Marinha de Guerra, chegando ao posto de segundo-tenente. Cinco anos mais tarde se transfere para Fortaleza, onde é obrigado a dar baixa, depois de seqüestrar a esposa de um alferes, com a qual passa a viver. Trabalha como guarda-marinha e começa a escrever. Em 1893 publica A Normalista, romance em que traça um quadro pessimista da vida urbana, "esse acervo de mentiras galantes e torpezas dissimuladas". Vai para os Estados Unidos e, das observações da viagem, resulta No País dos Ianques (1894).

No ano seguinte provoca escândalo, mas firma sua reputação literária ao escrever Bom Crioulo , obra na qual aborda a questão do homossexualismo. Colabora também com a imprensa carioca, em jornais como Gazeta de Notícias e Jornal do Comércio. Já tuberculoso, lança o último romance, Tentação, em 1896. Morre no Rio de Janeiro.

Fonte: www.mundofisico.joinville.udesc.br

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