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Cidade do Cabo

CASTELO DA BOA ESPERANÇA

Pátio interior do Castelo da Boa Esperança
Pátio interior do Castelo da Boa Esperança,
uma das atracções turísticas da Cidade do Cabo

Também localizado praticamente no centro e considerada uma das principais atracções da Cidade do Cabo, o Castelo da Boa Esperança é uma fortificação pentagonal bem preservada, tendo em conta que dele dizem ser o mais antigo edifício em funcionamento de toda a África do Sul. Parte do edifício está transformado em museu com um importante acervo militar, outra serve de guarida à sede regional do exército sul-africano e outra alberga um prestigiado restaurante local. Foi construído pelos holandeses em 1666 e é monumento nacional desde 1936. Deve ficar para o fim da estadia, caso sobre tempo ao viajante depois dos apelos do mar.

DOCAS VICTORIA & ALFRED

Vista sobre a aprazível Victoria & Alfred Waterfront
Vista sobre a aprazível Victoria & Alfred Waterfront -
as magníficas docas da Cidade do Cabo

Porventura a zona mais agradável de toda a cidade, as rejuvenescidas docas Victoria & Alfred oferecem passadiços de madeira para passeios pedestres à beira-mar, uma marina que abriga iates de luxo e navios de cruzeiro, a bela Torre do Relógio e um sem número de restaurantes para carteiras mais recheadas.

As docas foram inicialmente construídas por ordem do Príncipe Alfred de Inglaterra, para que servissem de porto de abrigo às embarcações. Hoje, é uma das zonas com maior vitalidade turística e comercial de toda a urbe. É lá que se encontra a Tasca de Belém, por exemplo, propriedade de um português onde os mais nostálgicos da gastronomia lusa podem saborear pratos como um bacalhau com natas, uma alheira transmontana ou um simples bitoque, no extremo sul do continente africano.

Aos fins-de-semana, assim haja sol, a área enche-se de famílias com os seus filhos, de músicos de rua a exibirem a sua arte, de danças tradicionais sul-africanas, de vida e alegria e, claro, de turistas, muitos dos quais em trânsito para a incontornável Robben Island, porque é também do cais de Victoria & Alfred que partem os ferryboats com destino à memória do horror. Robben Island é a ilha prisão onde estiveram encarcerados milhares de presos políticos sul-africanos, como Nelson Mandela, um dos quatro prémio Nobel da Paz sul-africanos de todos os tempos. Juntos, têm direito a homenagem pública traduzida numa obra de arte de grandes dimensões exposta junto às docas, composta por um palanque com quatro estátuas em tamanho natural dos galardoados Albert Lutuli, Desmond Tutu, Fredrik de Klerk e, naturalmente, Nelson Mandela. Estava na altura de embarcar rumo ao passado sombrio da África do Sul.

ROBBEN ISLAND, VIAGEM PELA HISTÓRIA DA ÁFRICA DO SUL

Cidade do Cabo
Um visitante prepara-se para entrar na prisão de Robben Island, ao largo da Cidade do Cabo, onde Nelson Mandela e outros presos politicos estiveram encarcerados

Corria o ano de 1962 quando Nelson Mandela foi pela primeira vez mandado encarcerar na prisão de máxima segurança de Robben Island, um ilhéu ao largo da Cidade do Cabo. Quase meio século depois, entra-se num barco com destino à ilha e antecipa-se uma visita de certa forma solene, respeitosa, emocionalmente intensa. Mas a visita à prisão de Robben island é, sem grande esforço, uma das maiores decepções excursionistas em que participei em muito anos de viagens. Tempo ironicamente passado sem qualquer liberdade de acção e de movimentos.

Após uma agradável viagem de barco, à chegada a Robben Island os visitantes são rapidamente enfiados em autocarros, onde um guia os aguarda com piadas aparentemente improvisadas mas evidentemente gastas de tanto serem ditas, dia após dia, com o objectivo de arrancar uma risada ao turista arrebanhado. O autocarro segue por um percurso predefinido, o guia vai debitando explicações sem emoção, não se pode sair da viatura que só para em locais predeterminados, não se pode explorar ao ritmo próprio, não se pode desfrutar do momento. Chega-se então à prisão propriamente dita e não há tempo a perder, os presentes dividem-se em grupos e entram no complexo. Nunca há lugar à iniciativa própria, é preciso despachar porque um outro grupo se aproxima, não há tempo para pensar no que se vê. Assim que termina a visita, faltam pouco mais de 15 minutos para o regresso de barco.

Aparte o justo reconhecimento a quem tanto lutou por uma nobre causa, visitar Robben Island, nas condições propostas, é pouco mais que tempo perdido. Talvez o facto de ser a mais visitada atracção turística da Cidade do Cabo (ao ponto de ser imprescindível comprar ingressos com alguns dias de antecedência) esteja a jogar em desfavor de algo que, bem aproveitado, podia ser um contributo histórico inestimável para a memória colectiva da humanidade. Um contributo para que o que disse Ahmed Kathrada (prisioneiro em Robben Island entre 1964 e 1982) após a sua libertação não seja esquecido: “Queremos que Robben Island reflicta o triunfo da liberdade e da dignidade humana sobre a opressão e a humilhação”.

BEACH ROAD, LUXO NO CABO

Cidade do Cabo
Campo de petanca com uma vista privilegiada sobre as praias ao longo da Beach Road, zona luxuosa da Cidade do Cabo

De regresso a terra firme, Beach Road, sinónimo perfeito de luxo e ostentação, era a próxima paragem. Vindo de Robben Island, o contraste não poderia ser maior. O passeio começou numa combi - táxi partilhado com trajecto fixo -, depois a pé. Saindo de Green Point, passa-se primeiro por Bantry Bay e só depois Clifton, escarpa super exclusiva onde os mais abastados têm as suas casas encavalitadas na falésia, com vistas privilegiadas sobre o mar, piscinas, segurança privada e todas as mordomias dos condomínios fechados de luxo. Clifton tem quatro praias consecutivas, numeradas sem imaginação de Praia 1 até Praia 4, ao longo de um par de quilómetros de excessiva ostentação. Após Clifton chega-se à praia Gleen, passa-se pelos verdes campos de petanca com jogadores impecavelmente vestidos de branco, e só então se avista Camps Bay, uma praia razoavelmente longa e mais popular, e especialmente procurada pelos surfistas (e pelas apreciadoras dos surfistas), apesar da temperatura da água não convidar a grandes mergulhos.

Toda a Beach Road é percorrida diariamente por habitantes em busca de boa forma física, no selim de uma bicicleta ou em passo de corrida. Para quem simpatiza com quatro rodas, é também o local onde, em cada minuto, vários automóveis topo-de-gama de marca Ferrari, Porche, Rolls Royce, Bugatti, Mercedes e BMW galgam o asfalto ao seu lado, numa estrada que serpenteia a costa sob o olhar atento do Lion's Head, um monte com 669 metros de altitude que separa os subúrbios atlânticos do centro da Cidade do Cabo, reprimindo eficazmente um maior volume de construção junto às praias e ajudando, dessa forma, a preservar a exclusividade de Clifton. E é precisamente do topo do Lion's Head que se tem uma vista privilegiada sobre toda a Cidade do Cabo e sobre as famosas table mountains, que moldam decididamente a cidade.

TABLE MOUNTAINS, EX-LÍBRIS DA CIDADE DO CABO

Cidade do Cabo
As table mountains e a Cidade do Cabo vistas do mar,
a caminho de Robben Island

Ladeadas pelo Devil's Peak e pelo Lion's Head, as table mountains dominam totalmente a paisagem, estão quase sempre rodeadas por um manto branco de mistério e em muito contribuem para o fascínio que emana da Cidade do Cabo como destino turístico. Do topo dos seus 1.086 metros, a vista sobre a Cidade do Cabo e arredores, lá ao fundo, estende-se por quilómetros de terra e mar de forma arrebatadora aos olhos de quem se permitiu subir de teleférico. É útil esquecer as vertigens e galgar o cabo de aço dentro de uma cápsula periclitante, porque a recompensa é deveras sublime. Sentir-se-á no topo do mundo. O que dificilmente verá, no entanto, por muito que perscrute o horizonte, é o Cabo da Boa Esperança, no extremo Sul da Península do Cabo, outro marco turístico destas paragens.

CABO DA BOA ESPERANÇA

Reconheça-se, antes de mais, que alguns virão ao engano, julgando estar no ponto mais a sul de toda a África, posição geográfica ocupada, de facto, pelo Cabo das Agulhas, uns 150 quilómetros para sudeste do Cabo da Boa Esperança, inicialmente chamado das Tormentas. Ainda assim, uma deslocação ao extremo sul da Península do Cabo continua a ser um dos passeios preferidos dos visitantes, não só pelo simbolismo do local no domínio das proezas marítimas - particularmente relevante para os portugueses, uma vez que o navegador Bartolomeu Dias foi o primeiro a dobrá-lo, corria o ano de 1488 -, mas também porque a zona é agradável, verde e bonita, e a vista do alto de Cape Point é arrebatadora.

De regresso à malha urbana e com a viagem a terminar, resta dizer que a Cidade do Cabo já se aperalta para acolher o Campeonato Mundial de Futebol de 2010. Ficará ainda com mais charme, melhores infra-estruturas, mais calor humano mas o mesmo ambiente descontraído e trendy. Não haja qualquer dúvida de que será a “special one” do evento!

Danças tradicionais
As danças tradicionais descem às
docas da cidade durante os fins-de-semana

Arquitectura vitoriana na Cidade do Cabo
Arquitectura vitoriana na Cidade do Cabo

Fonte: www.almadeviajante.com

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