Fim da Idade da Pedra
Evidências arqueológicas em instrumentos fabricados durante a Idade da Pedra em toda a África Austral.
Idade do Ferro
Os fazendeiros da língua Bantu se espalham pela África do Sul, vindos do Norte
Anos 300 - 1000
Fabricação de implementos com a utilização do minério de ferro
1200
O estabelecimento da Idade do Ferro se deu em Mapungubwe em Northern Transvaal.
Ano 1500 - 1870
Estado de emergência nas localidades sul-africanas de Batswana, Basotho, Swazi, Shangane, Zulu, Xhosa, Pedi e Ndebele.
1652
Colonização holandesa chega à Cidade do Cabo. A população indígena logo perde seu acesso à terra e água.
1658
Os primeiros escravos são trazidos do Leste até o Cabo Movimento nacional de bandeirantes
1795
Primeira ocupação inglesa do Cabo
1803
O domínio do Cabo retorna aos holandeses
1806
Segunda ocupação inglesa do Cabo década de 1820 Expansão do Reino Zulu ("Mfecane")
1834
Libertação dos escravos
1836
Os Boer Trek vão da Colônia do Cabo para o interior
1867
Início da Revolução Mineral.Diamantes são descobertos em Kimberley.
1886
Grandes quantidades de ouro descobertas nas profundezas do solo de Witwatersrand. Milhares de trabalhadores mal remunerados foram necessários para que a extração do ouro fosse a mais lucrativa possível.
1889-1902
Guerra Sul-Africana. Os Boers são derrotados pelos ingleses.
1910
As quatro colônias inglesas do Cabo, Natal, Transvaal e Orange Free State unem-se para formar a União da África do Sul.
1912
O ANC (Congresso Nacional Africano) é formado em Bloemfontein
1913
Ato da Terra Nativa
1914
O Partido Nacional é formado
1943
A Liga da Juventude do ANC é formada
1946
Os mineiros africanos fazem greve
1948
O Partido Nacional sobe ao poder
1952
Campanha de oposição contra as leis que exigem apresentação dos documentos de identidades das pessoas em trânsito pelo país
1955
O povo de Sophiatown é forçado a se mudar. Sob o regime do apartheid mais de três milhões de pessoas são forçadas a deixar seus lares.
1959
O PAC (Congresso Pan-Africano) é formado
1960
Massacre de Sharpeville
1961
A África do Sul é declarada república. O ANC e o PAC são proibidos de atuar Umkhonto we Sizwe é formado por Nelson Mandela.
1963
Mandela é condenado à prisão perpétua
1973
Trabalhadores africanos fazem greve contra baixos salários
1975
Fundação do Inkatha
1976
Estudantes de Soweto e de outras cidades se revoltam contra a educação Bantu.
1983
Fundação da Frente Democrática Unida (UDF) para aumentar a resistência ao Apartheid
1984-86
Resistência ao apartheid em todo o país. Declarado Estado de Emergência
1985
O movimento comercial Cosatu é formado. As sanções são intensificadas
1990
Presidente F.W. de Klerk reaciona o ANC, o PAC e o SACP. Iniciam-se negociações para uma constituição democrática
1994
Primeira eleição democrática não-racial para um Governo de Unidade Nacional. Nelson Mandela torna-se presidente com Thabo Mbeki e F.W. de Klerk como seus ministros.
1995
Primeira eleição democrática municipal.
1996
Decretada nova constituição o que permite novas eleições em 1999
1999
Segunda eleição democrática presidencial, elegendo o vice-presidente Thabo Mbeki, sendo assim, a segunda vitória consecutiva do partido ANC.
2000 Novembro:
segunda eleição democrática municipal.
2004 Abril:
terceira eleição democrática para presidente, reelengendo o Presidente Thabo Mbeki.
Quando as eleições de 1994 foram realizadas, nascia, naquele momento, uma nova África do Sul. Nelson Mandela, líder negro sul-africano que ficou preso por 27 anos ficou devido ao ideal de acabar com o apartheid, venceu a eleição. Três séculos de soberania dos brancos sobre a maoria negra da população finalmente chegavam ao fim.
Esse novo começo para o país chamado de “Rainbow Nation” - ou, como diz o Arcebispo Desmond Tutu, primeiro arcebispo negro sul-africano, “Rainbow Children of God” - significava, pela primeira vez, que todas as pessoas da África do Sul, independentemente da cor, credo ou sexo, eram iguais. Em 1997, uma constituição inédita garantiu ao povo esses direitos.
Os 300 anos de história sul-africana que precederam essa dramática reviravolta em direção à liberdade e à democracia explicam como tudo deu tão errado em um período de tempo tão longo. Colonizadores europeus brancos de três países lutaram entre si pelo direito de controlar um território vasto que, na opinião de cada um, pertencia a eles. Na mesma época, tribos negras fizeram o mesmo. E os colonizadores ainda travaram batalhas com as tribos que atravessam seu caminho. Foi nessa época que minas de ouro e diamante foram descobertas. Os negros foram trabalhar nas minas, enquanto os brancos ficavam mais ricos.
Para que a história não pareça confusa, é necessário que se fale sobre o papel social e político da África do Sul na História Antiga do mundo.
O que se sabe sobre o habitante mais antigo do território que mais tarde seria chamado de África do Sul vem de teorias de antropólogos, que o chamam de hominídeo, precursor de espécies mais evoluídas como o homo habilus, homo erectus e homo sapiens. Em 1947, fósseis de hominídeos de três milhões de anos de idade foram descobertos nas cavernas Sterkenfontein Caves, perto de Krugersdorf, a oeste de Joanesburgo.
O homem moderno apareceu no cenário há três mil anos. O povo africano Khoisan, que vivia na região norte de Botsuana, abriu mão da caça para criar gado, atividade que os outros africanos já estavam aprendendo. Eles chamavam a si mesmos de Khoikhoi, o significa homens dos homens, e se referiam aos que permaneceram caçadores como San. Não havia fronteiras naquela época e os dois grupos, Khoikhoi e San, povoaram as terras.
Em 1652, quando a Companhia das Índias holandesa se instalou permanentemente na Cidade do Cabo, a colonização não estava em primeiro plano. O navegador português Bartolomeu Dias tinha dado a volta na região do Cabo e chegado a Mossel Bay em 1488, enquanto outro explorador português, Vasco da Gama, tinha descoberto a rota para a Índia, passando pelo Cabo, em 1497.
Como a Cidade do Cabo era um porto conveniente para quem vinha e ia para o ocidente, os holandeses enviaram o comandante Jan van Riebeeck para o local, onde ele se desentendeu com os Khoikhois (chamados de Hottentots pelos holandeses). Ele declarou guerra ao povo Khoikhoi e aprisionou seus líderes em Robben Island, dando início ao período histórico de colonização. Mais tarde, van Riebeeck estabeleceu que os brancos eram os colonizadores, criando uma colônia de escravos, cuja maioria era de indonésios.
Os primeiros colonizadores brancos levavam suas vidas em pequenas fazendas na Cidade do Cabo, onde se alimentavam de carne e bebiam vinho. As colônias se espalharam pelas montanhas e chegaram rapidamente aos pastos secos do interior.
Com isso, aconteceu uma mudança relacionada à percepção que cada grupo tinha de si mesmo: os colonizadores decidiram se diferenciar de seus irmãos da Holanda e se autodenominaram Boers (palavra que significa fazendeiros) ou Afrikaaners (africanos). As mortes começaram a acontecer quandos os “novos” colonizadores decidiram tomar o que bem entendessem, matando os adultos dos grupos Khoikhoi e fazendo de seus filhos serventes domésticos.
Em 1688, os Hughenots, um grupo de 220 protestantes franceses que tentavam escapar da perseguição religiosa, chegaram ao território e introduziram os conhecimentos para o cultivo da uva.
Quando os holandeses fecharam a Companhia das Índias em 1795, as forças inglesas tomaram o controle da região do Cabo. Os britânicos devolveram o poder aos holandeses no breve período de 1803 a 1806, mas depois resolveram tomá-lo novamente. Uma das primeiras iniciativas do governo foi atacar o povo Xhosa, que estava enraizado dentro das áreas dos colonizadores brancos.
Quando o coronel britânico John Graham seguiu as instruções de incitar “um grau apropriado de terror” no povoado Xhosa e expulsá-lo de lá, ele foi homenageado em 1812 com uma nova cidade, chamada de Grahamstown.
Em 1819, para colocar seu selo na região, os britânicos enviaram 4 mil colonizadores, concedendo a eles terras conhecidas como Zuurveld, às margens do rio Great Fish. A vida era cruel e sem perspectivas. Para piorar a situação, eles tiveram que pagar impostos por seus privilégios, o que causou ressentimento em relação ao regime britânico na Cidade do Cabo - o que já havia acontecido com os Boers.
Os britânicos estavam mais interessados em desafiar o estilo de vida dos Boers. Uma série de ordens foi dada para destruí-los. O Decreto 50 de 1828 aboliu o trabalho forçado e a diferença de cor em relação às leis, abrindo o caminho para a abolição da escravidão em 1834.
Os Boers, como resposta, resolveram partir para as terras além do rio Orange, que ainda estavam fora do controle britânico. Esse êxodo em massa ficou conhecido como o Great Trek.
Enquanto isso, outro tipo de revolução estava acontecendo ao norte do rio Thukela, na área que hoje representa a província de KwaZulu-Natal: a tomada do poder pelo exército do reino de Zulu. O reinado de Shaka Zulu (de 1818 a 1828) foi marcado pelas manias do déspota que até hoje intriga os historiadores. Em 1828, Shaka foi assassinado por seu irmão Dingaan, que na época negociava terras com Piet Retief, líder dos imigrantes Boers, também chamados de Voortrekkers. Dingaan ordenou o assassinato de Retief.
Os Boers uniram suas forças sob o comando de Andrius Pretorius, que mais tarde originou o nome da capital da África do Sul. Os Zulus foram vencidos na Batalha de Blood River, uma questão que até hoje toca o orgulho nacionalista dos Afrikaaners. Na década de 1930, os historiadores Afrikaaners reinterpretaram a batalha como um sinal divino de que os descendentes dos Voortrekkers eram pessoas enviadas por Deus que deveriam dominar a África do Sul.
Nessa mesma época, outra guerra foi travada entre os britânicos e os Xhosas, dessa vez na divisa leste do país. O conflito foi tão longo que ficou conhecido como a Guerra dos Cem Anos. Quatro guerras em fronteiras estouraram entre 1819 e 1853, tirando milhares de vidas e deixando a tribo Xhosa arrasada por muitas gerações.
Na colônia britânica de Natal, a segregação racial foi imposta e “reservas nativas” foram estabelecidas, na mesma época em que plantações enormes de cana-de-açúcar foram feitas. A solução para mão-de-obra foi transformar os indianos em escravos, adicionando mais um grupo étnico à turbulenta mistura que já existia na região.
Em 1867, a África do Sul ainda não era considerada uma nação. Quatro colônias regidas por brancos e vários reinos de negros co-existiam. O poder britânico era dominante, mas muitas colônias grandes conseguiram achar suas fontes de poder.
Dizem que em 1866, o jovem Erasmus Jacobs estava brincando na fazenda de seu pai, perto de Hopetown, quando achou uma linda pedra. Um vizinho quis comprá-la, mas a família não achou que a pedra tivesse valor e acabou dando-a, em vez de vendê-la. A linda pedra de Erasmus era o diamante “Eureka”, de 21,25 quilates, que causou a corrida do diamante em Kimberley. Três anos depois, o mesmo vizinho teve sorte novamente, mas dessa vez ele achou uma pedra maior, com 83,5 quilates, que mais tarde foi chamada de “Estrela da África do Sul”.
Os diamantes foram encontrados em fazendas da região. O processo de escavação deu origem ao Kimberly Big Hole. Mais de 50 mil pessoas vieram do mundo todo em busca da preciosidade. As condições de vida eram horríveis, mas toda vez que a área parecia estéril, alguém encontrava outra mina vulcânica cheia de diamantes.
A propriedade dos diamantes foi motivo de brigas litigiosas. Conhecidas como Grigualand West, as minas foram reivindicadas pelo povo Khoina, que há 70 anos habitava o local. Como as minas estavam nas fronteiras, os governos do estado de Orange Free, da República Sul-Africana e de Cape Colony também queriam uma parte da riqueza. Quando os britânicos chegaram em 1880 e simplesmente anexaram a área, todos discordaram.
Kimberley, considerada o centro da indústria de diamantes, foi dominada por nomes como Cecil Rhodes, Charles Rudd e Barney Barnato, que juntos trabalharam para criar um poderoso cartel, que mais tarde foi consolidado e deu origem à De Beers Consolidated Mines. Hoje, sob o comando do grupo Oppenheimers, a De Beers domina o mercado mundial de diamantes.
A corrida do ouro começou em 1886, quando George Harrison descobriu a camada Main Reef, em Witatersrand. As fazendas das redondezas foram declaradas propriedade pública e uma nova cidade, Johanesburgo, foi criada na região.
Nessa época, o norte tinha assumido o controle da África do Sul, e várias guerras marcaram a luta pelo poder. Em 1979, os Zulus derrubaram as forças britânicas em Isandiwana. Os britânicos, para reagir, derrotaram os Zulus em Ulundi, que hoje é chamada de KwaZulu-Natal.
Quando o Transvaal teve sua república proclamada, estourou a guerra Anglo-Boer, de 1880 a 1881. A segunda guerra Anglo-Boer, que resultou na derrota dos Boers, aconteceu entre 1899 e 1902.
O território sul-africano foi completamente dominado e os Boers e os britânicos conseguiram se conciliar. Em 1910, A União da África do Sul foi proclamada. Durante o século 20, os Afrikaaners voltaram a dominar o país por um curto período, mas a história registra uma impressionante dificuldade político-social vivenciada pelos negros.
Os brancos começaram a se preocupar quando se depararam com a mudança demográfica dos negros: de pequena minoria nos centros urbanos na época da União, os negros passaram a ser maioria em todas as cidades principais por 40 anos. Os negros foram completamente privados dos seus direitos quando foram expulsos dos sindicatos políticos e comerciais.
As leis chamadas de Pass Laws controlavam seu movimento, garantindo que os negros não saíssem das fazendas dos brancos. Graças ao conjunto de leis Land Acts, de 1913 e 1936, a maioria dos negros, que continuou vivendo em tribos, também foi proibida de comprar terras fora das reservas.
As eleições de 1943 e 1948 colocaram o Partido Nacional, composto de brancos, no poder. O partido controlou o país até as eleições de 1994.
Com as eleições de 1948, Hendrick Verwoerd e D.F. Malan criaram um mundo novo: o apartheid, ou “separação”. Esta posição política nacional trouxe muitas leis novas. Os negros foram forçados a se sentar em bancos públicos separados, usar entradas de prédios diferentes e ter seus próprios banheiros públicos. No ano seguinte, o decreto Mixed Marriages Act proibiu casamentos entre negros e brancos.
O decreto mais cruel de todos foi o Popular Registration Act, de 1950, que exigia registros de acordo com as classificações raciais. Os negros eram obrigados a carregar um passe permanentemente, impedindo-os de entrar nas cidades. Mais adiante, um grande número de negros foi enviado a áreas chamadas de townships - áreas de segregação racial e grande pobreza, que quanto mais longe dos olhos dos brancos, melhor.
Por 30 anos, o Partido Nacional batalhou para manter o sistema de apartheid, que pregava a censura aos meios de comunicação e a falta de liberdade de expressão. O índice de violência estava aumentando, bem como o número de protestos no país. A África do Sul se transformou em assunto de discussão internacional.
A resistência contra o apartheid culminou nos anos 70, quando Steve Biko, um líder popular do Movimento da Consciência Negra, fez um discurso para estudantes negros e brancos, com a intenção de aumentar o orgulho negro e divulgar o movimento. Biko foi espancado até a morte em uma cela de prisão, mas deixou um legado muito maior do que esperava.
Outro momento horrível da história sul-africana aconteceu em 1976, quando crianças de um colégio em Soweto foram às ruas para protestar contra a imposição de que Afrikaans fosse seu idioma oficial. Centenas de crianças foram mortas por policiais que atiraram, e mais de 600 negros morreram por protestarem contra a chacina.
Nelson Mandela, que na época já estava há nove anos na prisão, tornou-se um herói do movimento, e o Arcebispo Desmond Tutu trabalhou incessantemente por uma solução pacífica. Nos anos 80, violência nas townships já havia se tornado comum. Em 1986, sanções internacionais foram impostas, causando grandes dificuldades econômicas ao país.
A estrada para a liberdade foi finalmente aberta em 1990, quando o presidente F.W. de Klerk fez um discurso significativo diante do parlamento, onde repudiou o apartheid e revogou leis que protegiam a discriminação racial.
O sinal mais simbólico de mudança permanente veio com a libertação de Nelson Mandela, em 1990. Mandela trabalhou com o presidente para mudar a cara do governo sul-africano. Em 1994, o Arcebispo Desmond Tutu liderou o processo de “Verdade e Reconciliação”, ajudando a fechar antigas feridas. No mesmo ano, foram realizadas as eleições diretas, um movimento emocionante que gerou quilômetros de filas de pessoas que queriam fazer a diferença. Nelson Mandela foi eleito, e após sua aposentadoria em 1999, seu vice-presidente, Thabo Mbeki, foi eleito para seguir os seus passos.
Em 14 de abril de 2004, o Congresso Nacional Africano (ANC) venceu a eleição com 69,68% dos votos. A data escolhida para a Terceira Eleição Democrática da África do Sul para eleger o presidente foi 27 de abril de 2004, para coincidir com a comemoração dos 10 Anos de Liberdade. Em seu discurso, o Presidente Mbeki prometeu solenemente lutar contra a miséria como a parte central do esforço nacional para construir uma nova África do Sul. Nestes dez anos, muitos progressos já foram feitos para melhorar as condições de vida de muita gente e este compromisso ainda continua.
Fonte: www.africadosul.org.br
Contexto Histórico
A partir de estudos arqueológicos, há indicações de que a região da África do Sul é povoada por seres humanos modernos há mais de 100 mil anos. Os primeiros habitantes foram os bosquímanos, seguidos de agrupamentos tribais de negros (khoi, xhosas, zulus), que foram dispersos, a partir do século XI, pela invasão dos bantos.
Período colonial
Os navegadores portugueses chegaram ao Sul do Continente Africano pelo Cabo
da Boa Esperança, rota do comércio do Oriente, por volta de
1500. Mais tarde, o local foi transformado em entreposto comercial. Já
no século XVII, a África do Sul passou a ser ocupada por colonizadores
holandeses, alemães e franceses. São os chamados bôeres
ou africânderes, que povoam a região e criam até uma língua
própria, o africânder.
Em 1652, o holandês Jan van Riebeeck fundou uma colônia na região que, posteriormente, foi ocupada por franceses, escravos malaios e malgaxes recém-libertos e cristianizados, que a expandiram. Houve uma forte miscigenação, que mais tarde acarretaria em problemas de natureza social. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis que, mais tarde, garantiram seu poder sobre a população negra.
O Cabo da Boa Esperança, dobrado pela primeira vez pelo navegador português Bartolomeu Dias, na viagem de 1487-1488, foi inicialmente batizado de Cabo das Tormentas, por causa da grande dificuldade de ultrapassá-lo. Como o termo “tormenta” desencorajava os navegadores a seguirem rumos às Índias, foi rebatizado por D. João II, rei de Portugal, por Cabo da Boa Esperança por representar a esperança de uma rota alternativa e lucrativa com o oriente.
Bartolomeu Dias também acompanhou Pedro Álvares Cabral na descoberta do Brasil e morreu em uma viagem às Índias, na altura do Cabo da Boa Esperança.
De 1781 a 1784, a região da África do Sul esteve sob domínio da França, mas foram os ingleses, a partir de 1785, que ocupam o território mais meridional da África. Em 1806, os ingleses tomam a Cidade do Cabo, enfrentando negros e bôeres. Os choques levam os bôeres a emigrar maciçamente para o nordeste, na chamada Grande Jornada, em 1836, onde fundam duas repúblicas independentes, Transvaal (atual Pretória) e Estado Livre de Orange (atual Estado Livre). Lá, abrem guerra contra os zulus e os expulsam da região. Os britânicos expandem seus domínios, especialmente atraídos pelas jazidas de diamantes e os enfrentam na sangrenta Guerra dos Bôeres.
A Guerra dos Bôeres: A corrida do ouro começou em 1886, as fazendas foram declaradas propriedade pública e uma nova cidade, Joanesburgo, foi criada na região.
Nessa época, o norte tinha assumido o controle da África do Sul, e várias guerras marcaram a luta pelo poder. Em 1979, os zulus derrubaram as forças britânicas em Isandiwana. Os britânicos, para reagir, derrotaram os Zulus em Ulundi, que hoje é chamada de KwaZulu-Natal.
Quando o Transvaal teve sua república proclamada, estourou a guerra Anglo-Boer, de 1880 a 1881. A segunda guerra Anglo-Boer, que resultou na derrota dos Boers, ocorreu entre 1899 e 1902.
Em 31 de maio de 1910 nasce a União Sul-Africana, federação das antigas colônias do Cabo e de Natal e dos ex-Estados independentes de Orange e Transvaal. Através de um referendo, a União Sul-Africana transformou-se em república, quando passou a denominar-se República da África do Sul.

Multidão vai às ruas contra o apartheid, regime de segregação racial
que vigorou na África do Sul até a década de 90.
Por quase um século, imperou na África do Sul o regime do apartheid.
Até o final do século XX, esta questão segregacional
foi posta em xeque pela maioria negra. Leis que datavam de 1913 garantiam
a posse de 87% do território sul-africano à minoria branca.
Na resistência contra o apartheid, destacaram-se líderes como
o bispo Desmond Tutu e o ativista Nelson Mandela, que
inclusive esteve preso durante vários anos.
Em 1994, o arcebispo Desmond Tutu liderou o processo de “Verdade e Reconciliação” e o Congresso Nacional Africano (CNA), obteve 62,6% dos votos, em uma vitória histórica, marcada por quilômetros de filas de pessoas que queriam votar na primeira eleição direta da história. Mandela é eleito o primeiro presidente negro da República da África do Sul, pondo fim ao apartheid.
Apartheid significa “separação” na língua africâner. Foi um dos regimes mais discriminatórios e cruéis, que vigorou na África do Sul de 1948 até 1990. A antiga Constituição sul-africana incluía artigos onde era clara a discriminação racial entre os cidadãos, mesmo os negros sendo maioria na população. O documento instituía que os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de participação na política e eram obrigados a viver em zonas residenciais separadas das dos brancos. Os casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais.
Para lutar contra esse regime, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano (CNA), uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson Mandela. O CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse preso em 1963 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos étnicos e ficavam confinados nessas regiões.
A partir de 1975, lentamente começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações Unidas (ONU) faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1990, foi decretado oficialmente o fim do apartheid e vários líderes políticos foram libertados, entre eles Nelson Mandela, depois de 27 anos de prisão.
A partir daí, o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993), uma nova Constituição não racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito ao voto e, em 1994, foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul. Nelson Mandela tornou-se presidente com o desafio de transformar o país numa nação mais humana e com melhores condições de vida para a maioria da população.
A África do Sul é o país mais rico da África, com cerca de 18% do PIB total africano e 45% da produção de minérios. Sua atividade industrial é a mais importante do continente. Ao longo da costa viajam quase todos os navios que transportam petróleo para o Ocidente.
Até a 1ª Guerra Mundial, a economia sul-africana baseou-se na mineração (diamantes e ouro) e na agricultura. A partir da 2ª Guerra Mundial, a indústria entrou em um processo acelerado de desenvolvimento e hoje constitui um dos setores básicos da economia.
Em 2008, o setor de serviços representou 65,3% do PIB, a indústria, 31,3% (incluindo mineração) e a agricultura, 3,4%. A África do Sul é a maior produtora mundial de ouro, platina, cromo, vanádio e manganês. É, também, grande produtora de diamante, carvão, níquel, urânio e gás natural. No ano 2000, a platina ultrapassou o ouro como a maior fonte de renda do país. A taxa de desemprego, de 21,7% em 2008, é uma das maiores do mundo. Até o ano 2000 metade da população vivia abaixo da linha de pobreza.
Nome oficial: República da África do Sul |Republiek van Suid-Afrika (Afrikaans)
Superfície: 1.221.037 km²
Localização: Sul do Continente Africano
Capital: Pretoria (Poder Executivo), Cidade do Cabo (Poder Legislativo) e Bloemfontein (Poder Judiciário)
Principais cidades: Cidade do Cabo, Pretória, Joanesburgo, Durban, Port Elizabeth, Bloemfontein
Idioma: A África do Sul possui 11 idiomas oficiais. O Inglês é o idioma de administração. Os outros são isiXhosa, afrikaans, isiNdebele, northern Sotho (sepedi), southern sotho (sesotho), isiSwati, xiTsonga, seTswana, tshiVenda e isiZulu.
Moeda: Rand Sul-Africano (R) e o símbolo internacional é ZAR. R1.00 = 100 cents.
População total em 2009: 50.109.820 habitantes
Total do PIB em 2007: US$ 283.008 milhões
PIB per capita em 2008: US$ 276,7 bilhões
População residente em área urbana em 2009: 61,22%
População residente em área rural em 2009: 38,78%
Densidade demográfica em 2009: 41hab/km²
Taxa média anual do crescimento da população em 2009: 0,982%
Taxa bruta de natalidade em 2007: 23 por mil
Taxa bruta de mortalidade em 2007: 17 por mil
Índice de desenvolvimento humano em 2007: 0,683
Esperança de vida ao nascer em 2006: 50,1 anos
Fuso horário: Cinco hora a mais em relação ao Brasil
Código de internet: .za
Código telefônico: 27
Fonte: www.brasil.gov.br