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Dia da Habitação

Habitação ou espaço doméstico é o nome dado ao lugar onde o ser humano vive.

Uma habitação é normalmente uma estrutura artificial (ainda que nos primórdios o ser humano tenha utilizado, para o mesmo efeito, formações naturais, como cavernas), constituída essencialmente por paredes, geralmente com fundações e uma cobertura que pode ser, ou não, um telhado.

Uma habitação serve, em termos mais pragmáticos, para providenciar abrigo contra a precipitação, vento, calor e frio, além de servir de refúgio contra ataques de outros animais (ou de outros seres humanos).

O termo lar tem uma conotação mais afectiva e pessoal: é a casa vista como o lugar próprio de um indivíduo, onde este tem a sua privacidade e onde a parte mais significativa da sua vida pessoal se desenrola. Isto, apesar de muitas pessoas passarem grande parte do dia no seu emprego (fora de casa, ainda que meios de comunicação como a Internet tenham aumentado o número de pessoas que trabalham em casa), ou em locais de recreação. A casa serve também como local de repouso. Há, efectivamente quem veja a sua casa, acima de tudo, como o local onde dorme.

Dentro de uma habitação

Uma casa tem, em termos gerais.

Uma entrada (uma porta ou um pórtico), janelas (ou mesmo nenhuma: em "Os Miseráveis", Victor Hugo refere - no capítulo 4, do Livro primeiro, primeira parte - um imposto sobre as portas e janelas: em França haveria, segundo a personagem que fala, 1 320 000 casas de camponeses com apenas três aberturas; 1 817 000 com apenas duas aberturas e 346 000 "cabanas" com apenas uma abertura: a porta, de forma a obviar ao imposto).

Alguns cômodos (ou divisões) como.

Hall

Hall é considerado como sendo a divisão imediata da casa com o exterior. É a divisão imediata à entrada principal da casa, é onde usualmente recepciona-se as pessoas, as estranhas para não terem de conversar no exterior, as familiares normalmente para tirarem os casacos do frio exterior, para se tornarem mais à vontade.

Usualmente costuma ser um corredor de entrada às divisões restantes da casa. Costuma ter um cabide, um armário de roupa, uma mesinha para a colocação das chaves, ou outros objectos imediatos e ainda um espelho para visualização e retoque antes de sairem de casa.

Há no entanto muitas casas onde esta divisão não existe, entrando as pessoas directamente na sala de estar.

É exactamente para não entrarem pessoas que até podem ser não familiares numa sala onde os residentes estão mais à vontade, ou mesmo em trajes menores que existe esta divisão.

Ainda existe o objectivo para evitar que ao abrir-se a porta de entrada, olhares exteriores penetrem no lar.

Ao fim do hall costuma ter as portas de acesso as restantes divisões, tipo árvore, é uma questão funcional, se uma pessoa quiser ir do quarto para a cozinha, em vez de ter de passar por suposição pelo quarto ao lado, pela sala de estar, e depois cozinha, vão directamente pelo corredor do quarto ao hall e depois directamente à cozinha.

Sala de estar

A sala de estar é uma sala onde os residentes de uma casa socializam, onde passam mais tempo.

Costuma ter uns sofás e alguns aparelhos de conforto, relaxamento e distração, como aparelhagem, televisão. Também é usual possuir uma mesa de comer, onde se recebem os convidades (não é fora do comum para almoços, como são rápidos essa mesa de comer estar na cozinha; mas a mesa de comer na sala de estar implica um almoço ou jantar com calma, devagar).

É normalmente a divisão mais ampla, com grandes janelas para o exterior.

Quarto

Definição mais comum de um quarto é a que o relaciona a um cômodo qualquer de um edifício. Normalmente, porém, a palavra costuma ser usada como sinônimo para um dormitório, especificamente. O quarto geralmente é utilizado para descansar.

O mobiliário associado a um quarto constuma ser uma cama, as escrivaninhas a acompanhar a cama, uma cadeira ao fim da cama e armários para colocação da roupa. Costuma-se mudar de roupa no quarto (se bem que também faz-se na casa de banho).

Quando temos uma casa de banho dentro de um quarto, chama-se a este quarto de suíte. A casa de banho é de alguma forma exclusiva de uso ao usufruários do quarto.

Cozinha

A cozinha é uma divisão da casa especificamente usada para preparo da comida. Uma cozinha moderna é tipicamente equipada com um forno, forno de microondas, placa, tem uma pia também conhecida por lava-louças, com água na torneira para limpar a comida e lavar a louça. As cozinhas modernas quase sempre também apresentam uma máquina de lavar louça, máquina de lavar e secar roupa, e frigorífico. Algumas instalações para armazenar comida sempre estão presente também, seja na forma de uma despensa adjacente ou de forma mais comum armários.

Apesar da principal função de uma cozinha ser wikt:cozinhar, ela pode também ser o centro de outras atividades, especialmente nos lares dependendo de seu tamanho, mobília, e eletrodomésticos. Se uma máquina de lavar roupa está presente, lavar roupa e secar também é feito na cozinha. A cozinha pode ser também o lugar onde a família come, tendo espaço para isso. Em alguns casos, embora que raramente, pode ser lugar mais confortável da casa, onde a família e visitantes tendem a congregar.

A evolução da cozinha

O desenvolvimento da cozinha está intrinsicadamente ligado com o desenvolvimento da capacidade de cozinhar do fogão. Até o século XVIII, a fogueira era a única maneira de esquentar a comida, e a arquitetura da cozinha reflete isso. Quando avanços técnicos trouxeram novas formas de aquecer a comida nos séculos XVIII e XIX, os arquitetos tiraram vantagem da recém-adquirida flexibilidade para trazer mudanças fundamentais para a cozinha. A água na torneira foi somente se tornando gradualmente disponível durante a industrialização; antes, a água tinha que ser adquirida do poço mais próximo e esquentada na cozinha.

Primórdios

As casas na Grécia Antiga eram normalmente as de tipo átrio: os quartos eram arranjados ao redor de um pátio. Em muitas casas assim, um pátio coberto se não aberto serviam como a cozinha. As casas dos ricos tinham a cozinha como um quarto separado, sempre próximo ao banheiro (para que ambos os cômodos pudessem ser aquecidos pelo fogo da cozinha, ambos os cômodos serem acessíveis do pátio. Em tais casas, era comum ter um cômodo de estocagem pequeno separado na parte de trás da cozinha usado para armazenar comida e utensílios de cozinha.

No Império Romano, pessoas comuns nas cidade não possuíam cozinhas próprias; eles cozinhavam seus alimentos em amplas cozinhas públicas. Alguns possuíam pequenos fogões móveis de bronze, onde o fogo podia ser aceso para cozinhar. Romanos ricos tinham cozinhas relativamente bem equipadas. Numa típica villa Romana, a cozinha era integrada no pre´dio principal como um quarto separado, destacado por razões práticas (fumaça) e razões sociológicas (operada por escravos). O fogo era tipicamente aceso sobre o piso, colocado próximo às paredes (alguns tinham que se ajoelhar para cozinhar). Não havia chaminés.

Instalações sanitárias

As instalações sanitárias, banheiro (português brasileiro) ou casa de banho (português europeu) - também conhecidas como quarto de banho, sanitários, privada, gabinete sanitário, toalete (ou toilette) ou WC (sigla de water closet, significando "gabinete da água" em Inglês) - é um compartimento de um edifício utilizado para os cuidados de higiene pessoal.

Composição básica

De modo geral, os banheiros apresentam um ou mais chuveiros, a fim de possibilitar os banhos. Contudo, banheiros mais antigos ou de alto padrão costumam ter uma banheira, por vezes de hidromassagem. Um vaso sanitário (português brasileiro) ou sanita (português europeu) também é um dos elementos principais dos banheiros, a fim de receber as fezes, urinas e eventuais outras secreções humanas, eliminando-os através da descarga. Em alguns países relata-se o hábito de jogar o papel higiênico pelo vaso sanitário. Lavabos e torneiras são outros característicos, pois permitem que os usuários possam limpar suas mãos após o uso do banheiro.

Acessórios

Itens bastante frequentes em banheiros, mas não constitutivos são os acessórios que permitem uma maior comodidade, como toalheiros, saboneteiras, espelhos, desodorizadores etc. Mesmo alguns itens de higiene, como os bidês, não são empregados na maior parte das construções.

Escritório

Um escritório costuma ser a divisão das empresas dedicada à escrita e papéis onde as pessoas se compenetram para colocação do correio em ordem, das obrigações fiscais, mas também pode ser em uma casa o local utilizado para efeitos recreativos e de escrita. Um papel associativo é o local de arquivo dos papéis.

É composto por mesa de escrita, cadeira de escritório — ambas as peças adequadas ergonomicamente à actividade exigida de escrita. Também se encontra uma estante de livros, para a consulta como para arquivo de papéis e pastas.

Em algumas casas, onde o escritório é espaçoso, também costuma existir um sofá dedicado à leitura descontraída. Em algumas empresas, formas de divisão evitam os barulhos externos.

Casa

Uma casa (do latim casa) ou uma residência (do latim residentia) é, no seu sentido mais comum, uma parede artificial construída pelo ser humano cuja função é constituir-se de um espaço de moradia para um indivíduo ou conjunto de indivíduos, de tal forma que eles estejam protegidos dos fenômenos naturais exteriores (como a precipitação, o vento, calor e frio, entre outros), além de servir de refúgio contra ataques de terceiros. Apesar de seu caráter artificial em relação às construções naturais, originalmente o homem utilizou-se de formações naturais, como cavernas, para suprimir as demandas de uma residência, porém estas estruturas tendem a caracterizar-se mais como um abrigo que como um lar. Neste sentido, a casa é entendida como a estrutura que para além de constituir-se como abrigo, define-se como uma construção cultural de uma dada sociedade. A residência, portanto, corresponde ao arquétipo da habitação — termo que normalmente é empregado por especialistas para ser referir genericamente ao ato de morar e às suas várias possibilidades e configurações, enquanto a casa é entendida como o objeto da moradia.

O termo lar, por outro lado, ainda que possa ser considerado um sinônimo de casa, apresenta uma conotação mais afectiva e pessoal: é a casa vista como o lugar próprio de um indivíduo (ou seja, aquilo que constitui sua propriedade), onde este tem a sua privacidade e onde a parte mais significativa da sua vida pessoal se desenrola. Apesar da modernidade ter afastado sobremaneira o indivíduo de sua casa (posto que ele passou a vivenciar longos períodos do dia fora de casa, trabalhando, recreando-se ou circulando pela cidade), o lar sempre foi considerado uma referência de identidade para o sujeito.

A idéia de casa está tradicionalmente também associada à idéia de família, de tal forma que a palavra costuma ser usada com este significado. Uma visão também tradicional a respeito da estrutura de uma sociedade considera a família como sua unidade fundamental, enquanto a casa corresponderia à unidade fundamental de uma cidade.

Arquitetura

A residência (e a habitação, de uma forma geral) é um dos principais programas a serem estudados pela arquitetura e pelos arquitetos de uma forma geral. Também foi, ao longo da história, um dos programas mais utilizados como forma de expressar as novas idéias e as mudanças nas correntes de pensamento arquitetônico.

A constituição da forma, dos usos e da função de uma casa é sempre resultado de um processo sócio-cultural: havendo de um lado a participação do projetista, por outro lado atuam hábitos sociais consolidados, preconceitos relacionados ao modo de viver, a legislação do lugar e as limitações econômicas.

Tipologias

No mundo urbanizado contemporâneo podem ser verificadas diferentes tipologias habitacionais. Estas tipologias costumam ser encontradas em uma mesma região urbana, visto que elas fazem parte de uma mesma cultura e de um mesmo conjunto de hábitos daquele povo. Por outro lado, determinadas tipologias são propostas de tempos em tempos por algumas correntes arquitetônicas novas ou por indivíduos desejosos de novas experiências urbanas. De qualquer forma, as tipologias próprias de uma região ou de um povo são sempre limitadas pela legislação urbanística de uso e ocupação do solo daquele lugar: dependendo do zoneamento de cada região, incentiva-se a construção de residências isoladas ou proíbe-se, por exemplo, a produção de apartamentos. Tal legislação é, porém, resultado também dos hábitos daquele lugar confrontados com novos estudos profissionais.

De qualquer forma, como em qualquer sociedade capitalista, as tipologias verificadas em uma dada região são sempre influenciadas pelas demandas e limitações do mercado imobiliário local: se por um lado este tenta vender aquilo que as pessoas estão acostumadas a comprar, por outro lado ele procurará criar novas tipologias mais lucrativas e fará publicidade delas.

É possível encontrar nas grandes cidades exemplares das seguintes tipologias:

Residência unifamiliar isolada

A propriedade destinada a uma única família, incorporada a um único lote, costuma ser entendida como o próprio arquétipo da casa. Embora, durante a história da Arquitetura e do Urbanismo ela tenha sido por várias vezes criticada, ainda é considerada um ideal de moradia para muitas pessoas. No Brasil ela é tradicionalmente encontrada isolada, no meio de um único lote urbano, recuada em relação à rua. Também é a tipologia mais comum nos subúrbios dos países centrais do capitalismo (especialmente nos subúrbios norte-americanos).

Entre as ávarias residências deste tipo podem-se destacar as seguintes tipologias:

Bangalô. Uma residência com um pavimento apenas.

Sobrado. Uma residência com dois ou mais pavimentos. É uma tipologia bastante comum no Brasil.

Casa geminada – Duas ou mais residências que se aproveitam de uma mesma estrutura (daí serem consideradas "gêmeas")

Apartamento

Entende-se que o apartamento corresponda a uma residência inserida em um conjunto multifamiliar (podendo ser um edifício de apartamentos ou um conjunto habitacional).

Diferentes tipologias de apartamentos seguem:

Estúdio. Um apartamento amplo, normalmente com poucas divisões.

Loft. Originalmente a expressão loft foi utilizada em Nova Iorque, durante as décadas de 1960 e 70 quando se queria fazer referência a unidades habitacionais que tivessem sido resultado da reforma de antigos galpões comerciais ou industriais, em significado muito próximo ao de estúdio. Com o tempo, o termo perdeu seu significado original e passou a ser adotado pelo mercado imobiliário, especialmente no Brasil, como sinônimo de apartamentos com mais de um pavimento (duplex) ou destinados a pessoas solteiras ou pequenas famílias.

Forma e função

A definição do programa habitacional está relacionado às práticas sociais de cada grupo ou família. Por este motivo, a idéia de morar na tradição oriental pode ser diferente da ocidental, resultando em casas com formas e distribuições de funções diferentes.

No mundo ocidental convencionou-se estabelecer três domínios diferentes em uma mesma casa: o da esfera social, o da esfera íntima e o da esfera dos serviços. O conjunto destes três domínios constituiria a prática do morar. Cabe lembrar, no entanto, que a arquitetura moderna (assim como determinados movimentos da arquitetura pós-moderna) propuseram fortes questionamentos das idéias tradicionais do morar: eventualmente nas casas modernas verificava-se não a supressão destes domínios, mas da sobreposição de alguns de seus usos. O caso mais exemplar (e também aquele que mais foi apropriado por construções menos arrojadas) deste fenômeno é nas residências em que cozinha e sala de estar tornam-se um único ambiente.

Espaços sociais

Sala de estar

Entre os espaços tradicionalmente considerados próprios à manifestação da coletividade em uma residência, a sala de estar (do inglês living room, literalmente a sala de morar) é seu exemplar arquetípico. Normalmente esta sala é entendida como o espaço tanto da sociabilidade interna da família quanto como o espaço no qual a família sociabiliza-se com terceiros. Em casas tradicionais (ou mesmo em casas modernas, mas de padrão sócio-econômico mais elevado), porém, tal divisão poderia ser ressaltada com a atribuição de uma sala específica para a família ("sala íntima") e outra para convidados. Com a difusão dos meios de comunicação de massas (como o rádio e a televisão), cada vez mais esta passou a ser uma sala de entretenimento, voltada para equipamentos como o televisor, o home theater, entre outros.

Varandas, terraços, alpendres e similares

Estas estruturas estabelecem uma transição entre os espaços internos e os externos da residência, sendo considerados espaços de lazer ou de descanso. Normalmente possuem integração visual com o jardim da casa ou com a própria cidade. A relação "exterior vs interior" que estes espaços estabelecem varia de acordo com a situação cultural de cada casa ou das intenções de seu projeto arquitetônico: em casas mais tradicionais, verifica-se uma grande preocupação em estabelecer um caminho bastante marcado entre os espaços exteriores e os espaços íntimos, através não só das varandas como de vestíbulos e corredores internos à casa. Em residências ligadas à arquitetura moderna, nota-se uma maior preocupação com a integração espacial e com a desconstrução destes preconceitos.

Jardim

O jardim é um elemento próprio da residência urbana: ele tanto pode ser encarado como um pequeno "oásis verde" no meio da cidade como um respiro (um vazio) frente à massa edificada. Sua caracterização varia muito: ora ele assume um perfil meramente decorativo (no qual não é possível sequer caminhar), ora se torna de fato um espaço para descansar, brincar ou conversar. No Brasil, devido aos códigos de edificações que normalmente exigem que as residências estejam sempre recuadas em relação à rua, os jardins passaram a apresentar um caráter próprio.

Outros tipos de salas

Dependendo do tamanho da residência verificam-se cômodos denominados como sala de jantar, sala de jogos, entre outros.

Espaços íntimos

Quarto de dormir

O espaço íntimo por definição é aquele ligado ao recolhimento e ao sono. Neste sentido, o arquétipo para o espaço íntimo é o quarto de dormir (ou dormitório): dentro de uma casa, cada quarto pode representar a privacidade de cada um dos indivíduos que constituem uma mesma família, enquanto a casa representa a privacidade da própria família. No entanto, cabe lembrar que a história da arquitetura possui exemplos de residências (especialmente aquelas ligadas, novamente, à arquitetura moderna) que desafiam este preconceito, tornando o dormitório um espaço dinâmico que pode se transformar em diferentes espaços ao longo do dia. A tradição oriental também lida com esta dinâmica: espaços que durante o dia possuem outros usos transformam-se em dormitórios à noite pela movimentação de paredes, cortinas e mobiliário.

Banheiro ou Casa de banho

Embora tradicionalmente seja considerado um espaço utilitário o banheiro foi, ao longo do século XX, cada vez mais utilizado (e vendido pelo mercado imobiliário) como um espaço íntimo (chegando a situações - criticadas por especialistas - em que apartamentos relativamente pequenos apresentem mais de três banheiros). Nalgumas habitações a casa de banho é hoje um espaço de usufruto muito apreciado.

Espaços de serviços

A cozinha é o espaço de serviços arquetípico: é nela que se concentra a produção durante situações socias (como festas e banquetes oferecidos pela casa) ou da própria vida familiar. Porém a cozinha passou cada vez mais a ser entendida como um espaço de sociabilidade, especialmente à medida que o papel da mulher na sociedade industrial ganhou mais destaque (de um lado a mulher deixou de possuir uma posição marginal na casa, emancipando-se, e de outro o próprio ato de cozinhar deixou de ser considerado trabalho secundário, passando a ser efetuado por todos os integrantes da família ou por pessoas solteiras). As vanguardas arquitetônicas também possuíram algum papel nessa alteração do perfil da cozinha.

Outros espaços de serviços são aqueles ligados à circulação interna à casa e à limpeza. Uma estrutura, normalmente considerada acessória à casa e muito comum no Brasil é a edícula (uma construção anexa, mas não interligada, à casa principal).

História da residência

Normalmente se entende que a casa surge como elemento fundamental da constituição da vida humana no momento em que o ser humano abandona o nomadismo e passa a abrigar-se em sítios específicos. O desenvolvimento do conceito de casa, assim como o da sua diferenciação do simples conceito de abrigo, ocorre paralelo à definição por parte do homem de conceitos como território, lugar e paisagem: a casa, como propriedade, estabelece relações entre indivíduos e entre grupos sociais, passando eventualmente a ser identificada com a idéia de poder. Como já ressaltado, porém, o desenvolvimento do conceito de casa é fruto de um processo sócio-cultural, de tal forma que em diferentes locais do mundo e em diferentes sociedades ele evoluiu de maneiras diversas.

O estudo histórico da residência, porém, poucas vezes gozou de posição privilegiada na historiografia da arquitetura, a não ser pelo estudo das obras de exceção que se eventualmente se verificam em sua história (como no estudo das villas paladianas do Renascimento ou das residências do movimento moderno, por exemplo). Além disso, o estudo das casas populares dos diferentes períodos históricos muitas vezes depende de pesquisas arqueológicas que se baseiam em poucas fontes e raros vestígios, visto que são poucos os exemplares que porventura tenham sobrevivido ao tempo. Por outro lado, o estudo de tais casas também é um elemento importante de diversas pesquisas de caráter antropológico. Por todos estes motivos, nota-se que há atualmente algum conhecimento acadêmico consolidado com relação ao estudo das residências de determinados períodos (como o das casas romanas) ao mesmo tempo que há pouco sobre outros (como o das casas populares medievais ou mesmo de períodos mais recentes).

Antiguidade

A idéia de casa como sinônimo de propriedade privada de um indivíduo ou de uma família (e portanto sinônimo de um poder ou força social) não acontece de imediato, à medida que as sociedades da Antiguidade evoluem, revelando-se ao contrário um processo lento e de diferentes manifestações. Tal idéia se dará de fato com a democracia grega, de tal forma a que a cidade grega clássica estabeleça modelos de urbanidade e de relações entre as casas que permanecem de alguma forma vivos na sociedade contemporânea ocidental.

Casa grega

Segundo os atuais estágios de investigação arqueológica e histórica, os principais modelos existentes atualmente sobre a casa grega se referem a exemplares localizados em Atenas e relacionados ao período da democracia naquela cidade, durante os séculos V aC e IV aC. Segundo tais modelos e os estudos que se seguiram[3] a eles, para os gregos, não havia a idéia de lote urbano: a casa ocupava todo o espaço possível e demandado pelo seu senhor, possuindo diretamente uma saída para a rua.

A casa grega voltava-se para dentro: acontecia ao redor de um páteo interno, o qual existia mesmo nas menores casas. Segundo os estudos sobre as ruínas atenienses, as casas em geral variavam entre 150 a 250 m², tamanho que as tornava próximas de lotes urbanos típicos do Brasil urbano contemporâneo, por exemplo. O setor das casas voltado para a rua normalmente englobava os cômodos dominados pelo pai da família e pelos homens da casa (e possivelmente os únicos cidadãos que ali moravam, visto que as mulheres e escravos não possuíam tal status) e era conhecido como androceu, enquanto o setor dominado pelas mulheres era chamado gineceu. Para os gregos, visto que a casa era a expressão da propriedade privada do seu senhor, ela também era a manifestação da esfera privada da vida urbana (enquanto a esfera pública se dava em espaços como a ágora, a pnix, e as ruas). Desta forma, a casa era considerada território inviolável. Normalmente era térrea, embora fossem também comuns aquelas estruturadas em dois pavimentos.

Casa romana

Diferentemente daquilo que se sabe a respeito da arquitetura residencial grega, aparentemente as casas romanas variavam bastante em seu formato, tamanho em caráter. De qualquer forma, conhecem-se hoje alguns modelos destas habitações, os quais reproduziam-se (e, consquentemente, sofriam alterações várias) nas diversas cidades fundadas pelos romanos. Uma das primeiras dieferenças em relação à casa grega é a generalização da existência de não mais um, mas de dois páteos nas residências unifamiliares romanas: tal aspecto costuma ser apontado como uma evidência do caráter patriarcal daquela sociedade, visto que um dos páteos seria restrito à circulação dos homens da casa.

Verificavam-se dois modelos bastante difundidos de residências em Roma: as insulae (caracterizadas como edifícios de múltiplos andares, normalmente usufruídos via aluguel, e destinados às camadas populares) e os domus (residências maiores, unifamiliares e destinadas às camadas mais ricas, normalmente situadas em pontos mais altos das cidades).

Constituindo-se de uma sociedade essencialmente urbana, porém, os romanos também desenvolveram um modelo peculiar de residência rural, a qual ficou conhecida como villa (embora a palavra não tenha relação direta com o atual significado de "vila" e nem pretende denotar um conjunto de casas, mas apenas uma). A villa caracterizava-se como uma grande propriedade associada aos patrícios, rodeada de pomares, jardins, fontes e outros elementos paisagísticos. Este modelo foi de tal forma presente na arquitetura romana que ele foi mais tarde adaptado às necessidades das elites do Renascimento: arquitetos como Andrea Palladio desenvolveram projetos de villas que se tornaram bastante relevantes na história da arquitetura.

Cabe também notar que a palavra lar era utilizada neste contexto para se referir à divindade domiciliar dos romanos, única para cada residência.

Idade Média

A configuração da residência européia medieval variou bastante ao longo do tempo, visto que trata-se de um período longo. Também variava em tamanho de acordo com a camada social, embora a construção mais comum fosse aquela constituída, de uma forma geral de um único recinto, composto por poucas peças de mobiliário (como alguns assentos e baús) e principalmente por uma lareira (ou mesmo uma fogueira) em seu centro, a fim de se evitarem incêndios. Todas as atividades eram realizadas e compartilhadas neste recinto único (alimentar-se, dormir, trabalhar, entre outros). As casas rurais e as urbanas diferiam bastante, mas a superposição de funções era comum.

Bibliográficas

REIS FILHO, Nestor Goulart; Quadro da arquitetura no Brasil; São Paulo: Editora Perspectiva, 2004, 10ª edição; ISBN 85-273-0113-X

CHING, Francis D. K.; Dicionário visual de arquitetura; São Paulo: Martins Fontes, 2000; ISBN 85-336-1001-7

ROTH, Leland M.; Understanding Architecture: its Elements, History and Meaning; Nova Iorque: HarperCollins Publishers, 1993; ISBN 0-06-430158-3

TRAMONTANO, Marcela Claudia; Novos modos de vida, novos espaços de morar - Paris, São Paulo, Tokyo: uma reflexão sobre a habilitação contemporânea; tese de doutorado, São Paulo: FAUUSP, 1998

Fonte: pt.wikipedia.org

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