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Falecimento de Juscelino Kubitschek

22 Agosto

Lembranças da morte

Já se tornou um clichê brasileiro quando a programação da Globo é interrompida com aquela musiquinha – que todos conhecem – do plantão de notícias.

Todos os telespectadores param para ouvir a possível morte de alguém importante - geralmente representantes políticos. Em seguida, a versão oficial da morte é transmitida a todas as mídias.

Neste momento surgem dois grupos interpretativos sobre a investigação dos fatos: da verdade absoluta, e da mentira conspiratória.

Episódios semelhantes ficaram registrados na história de grandes presidentes brasileiros como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Tancredo Neves.

Estes enquanto vivos, se tornaram populares e enfrentaram oposições, perseguições e ameaças. Após suas mortes surgiram muitas dúvidas, se realmente aconteceu como os inquéritos afirmaram ou se tudo foi um complô.

A quem diga, que teriam sido misteriosamente assassinados com o objetivo de aniquilar todos os líderes populares da América Latina, inimigos da ditadura.

Juscelino Kubitschek

Já era Vargas

Getúlio Dornelles Vargas. Este foi o presidente que teve a sua própria “era” - A Era Vargas - que trouxe muitas mudanças na economia e na política brasileira criando aliados e inimigos à esquerda e à direita, com suas jogadas bastante política.

Porém, chegou ao seu fim de forma inesperada no dia 24 de agosto de 1954. Vargas foi encontrado morto com um tiro no coração, acompanhado de uma carta-testamento que se transformaria num dos mais conhecidos documentos históricos brasileiros.

O motivo estaria ligado às muitas pressões que sofria pelas Forças Armadas, que durante uma reunião ministerial realizada na madrugada de 23 para 24 de agosto, Vargas se viu confrontado com a eminência da renúncia ou deposição.

A história conta que após a reunião, suicidou-se.

O caso Getúlio Vargas é especialmente difícil de ser analisado, porém, muito contestado pelos conspirólogos que não acreditam no suicídio, e sim, num assassinato.

Para alguns, o testamento foi uma carta de amor e nacionalismo pela sua nação. Para outros, foi a carta que acusou os inimigos da nação como os responsáveis por seu suicídio.

A morte de JK

O ex-presidente Juscelino Kubitschek teve seu “reinado” interrompido após um acidente de carro, em seu Opala , em 22 de agosto de 1976.

Saindo de São Paulo, com destino ao Rio de Janeiro, na rodovia Presidente Dutra, o carro desgovernou, cruzou a pista de sentido contrário e bateu de frente com uma carreta Scania. JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro tiveram morte instantânea.

Segundo a perícia, o acidente aconteceu porque um ônibus da Viação Cometa teria encostado na traseira do Opala.

Nos dois laudos do acidente, os peritos não incluíram alguns detalhes como fotos dos corpos de JK e do motorista “por recomendação de ordem superior”.

Também a polícia ouviu apenas nove dos 33 passageiros do ônibus.

Mas para os adeptos a teoria conspiratória as versões são outras. Para o motorista ter perdido a direção existem três explicações possíveis:

ter sido baleado por um atirador de elite próximo ao local; o carro foi alvo de sabotagem; uma bomba que explodiu o carro.

O mais intrigante nos episódios mal explicados de JK foi que duas semanas antes do acidente, vários veículos de comunicação receberam a notícia de morte do então presidente, inclusive numa batida de carro em outra estrada ligava Luziânia - onde ficava sua fazenda – a Brasília.

O percurso que realmente faria, mas que na última hora preferiu ficar onde estava.

Juscelino Kubitschek

O exílio mortal de Jango

Três meses depois da morte de JK, foi a vez de Jango.

O falecimento do ex-presidente João Goulart, em uma fazenda na província Argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de 1976, teve o registro oficial de problemas cardíacos.

Porém a verdade pode ser bem diferente da versão oficial.

Como o seu corpo não foi submetido a uma autópsia, surgiram algumas teses conspiratórias de que Jango talvez tenha sido envenenado.

Segundo o ex-governador, Leonel Brizola – casado com a irmã de Jango -, foi um complô internacional de forças ligadas à ditadura militar.

Os responsáveis seriam agentes da Operação Condor, que através de um esquema de governantes, perseguiam militantes da esquerda nas décadas de 70 e 80.

O velório que antecedeu a posse

Já com a morte de Tancredo Neves, - na véspera de sua posse como presidente do Brasil - o episódio estimulou inúmeras teorias conspiratórias.

Em 14 de março de 1985, ele foi levado com urgência no Hospital de Base de Brasília por um mal-estar que parecia simples, mas logo diagnosticado de diverticulite intestinal.

A coisa piorou.

Tancredo Neves teve que passar por sete intervenções cirúrgicas em 38 dias de agonia.

Então, chegou a nota de falecimento em 21 de abril, Dia de Tiradentes, no Instituto do Coração, em São Paulo. Cerca de dois milhões de brasileiros acompanharam o cortejo fúnebre do presidente que nem chegou a exercer o seu mais elevado cargo.

Na época, muitos boatos circularam. Um deles era que Tancredo, defensor das eleições diretas, teria sido baleado por um militar linha-dura, contra a democracia.

O atentado teria acontecido enquanto era entrevistado por Glória Maria, da TV Globo , na Catedral de Brasília. A jornalista teria sido mandada para o exterior para abafar o caso.

Uma segunda versão, afirma que a morte de Tancredo fora causada por envenenamento.

A hipótese é baseada pelo fato de que seu mordomo João Rosa – que acompanhava Tancredo na sua residência - fora internado com dores similares a de seu chefe. João morreu com o mesmo diagnóstico de Tancredo, após sete cirurgias e internado por 16 dias.

As idéias de uma suposta conspiração ganharam peso maior, após a revelação publicada na revista Veja de que na verdade Tancredo teria morrido um dia antes do anunciado.

A fonte, um médico que acompanhou o estado clínico do presidente, teria falado que o cérebro de Tancredo parou na noite de 20 de abril. Mas devido por ser próximo ao feriado de Tiradentes, a data poderia ter sido escolhida para ser lembrado como um herói nacional.

Muitos conspirólogos acreditam que os militares foram os grandes culpados e envolvidos nas mortes destes representantes populares do País. Mas nada é confirmado. A pergunta continua no ar. Quem matou os presidentes?

A resposta pode ser um ponto final ou uma interrogação.

Dayse Bezerra

Fonte: www.canaldaimprensa.com.br

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