“A escola dos nossos sonhos só será possível quando todos os educadores tiverem consciência de que não basta apenas criticar, é preciso em premissa maior, vestir a camisa de sua profissão com total responsabilidade”.
RESUMO
A supervisão educacional (ou escolar) constitui-se num trabalho profissional que tem o compromisso juntamente com os professores de garantir os princípios de liberdade e solidariedade humana, no pleno desenvolvimento do educando, no seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho e, para isso assegurar a qualidade de ensino, da educação, da formação humana.
No cenário nacional, a supervisão escolar tornou-se “função meio”, que garantiria a eficiência da tarefa educativa, através do controle da produtividade do trabalho docente.
Neste sentido, o presente artigo objetivou levantar o papel, a relevância e as atribuições do supervisor educacional de uma escola Estadual do Município de São Bernardo do Campo - São Paulo. A amostra representativa desta pesquisa foi de três professores da referida instituição de ensino.
O instrumento de coleta de dados foi o questionário, com questões abertas. Os dados são apresentados na íntegra expressos por gráficos, quando é o caso, de maneira que explicitem a realidade na visão dos educadores, além de proporcionar um panorama geral do tema.
Ao se estabelecer um conceito supervisão, é importante esclarecer o sentido etimológico do termo. A palavra Supervisão é formada pelos vocábulos super (sobre) e visão (ação de ver). Indica a atitude de ver com mais clareza uma ação qualquer. Como significação estrita do termo, pode-se dizer que significa olhar de cima, dando uma “idéia de visão global”.
Afirma Ferreira (1999): supervisor é aquele que: “assegura a manutenção de estrutura ou regime de atividades na realização de uma programação/projeto. É uma influência consciente sobre determinado contexto, com a finalidade de ordenar, manter e desenvolver uma programação planejada e projetada coletivamente”.
O supervisor escolar faz parte do corpo de professores e tem a especificidade do seu trabalho caracterizado pela coordenação – organização em comum – das atividades didáticas e curriculares e a promoção e o estímulo de oportunidades coletivas de estudo.
Conforme Alarcão (1996), no contexto brasileiro, a supervisão apresenta-se como uma prática relativamente recente. Remonta aos anos 70 e surgiu no cenário sócio-político-econômico, historicamente, como a função de controle.
Esta opinião pode ser vista nas palavras de Rangel et alli (2001:12) relatam que:
A supervisão passa de escolar, como é freqüentemente designada, a pedagógica e caracteriza-se por um trabalho de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento de processo ensino-aprendizagem. A sua função continua a ser política, mas é uma função sociopolítica crítica (...).
Nesta perspectiva, na atualidade pode-se inferir que o papel do supervisor está atrelado à gestão da escola como um todo. Uma vez que ele busca junto com o professor minimizar as eventuais dificuldades do contexto escolar em relação ao ensino-aprendizagem.
Ao falar em supervisão, é preciso situá-la quanto ao nível e ao âmbito de ação. A supervisão da qual se fala neste contexto é a que se realiza na escola, integrada à equipe docente, com âmbito de ação didática e curricular. É preciso, entretanto, reconhecer outros níveis centrais e intermediários da função supervisora, à qual incumbem ações de naturezas pedagógicas, administrativas e de inspeção.
Todavia, são históricos, também os conceitos sobre a função do Supervisor, se configuraram a partir de práticas e paradigmas implícitos em discursos que legitimaram a ideologia, em quase todos os casos, dominante.
Como o período da ditadura não é um fato histórico tão distante, muitos ainda não se desvencilharam totalmente de seus efeitos, o que é compreensível quando encontramos entendimentos acerca da Supervisão que remontam ao espírito ditatorial com manifestos numa linguagem e práticas em consonância com termos como fiscalização e inspeção.
A estruturação do Serviço de Supervisão se deu sobre esta ótica, o que hoje levam muitos a confundir aspectos técnicos com administrativos, até porque o contexto que gerou a Supervisão Escolar é decorrente de uma política perpetuadora da estratificação social. “É neste contexto, que emerge a Supervisão Escolar como um meio de controlar o que foi planejado ao nível central” (Silva, 1987:72).
De acordo com Silva Júnior e Rangel (1997, em seu início a Supervisão Escolar foi praticada no Brasil em condições que produziam o ofuscamento e não a elaboração da vontade do supervisor. E esse era, exatamente, o objetivo pretendido com a supervisão que se introduzia. Para uma sociedade controlada, uma educação controlada; um supervisor controlador e também controlado.
Lima (in Rangel 2001), acredita que, com a implantação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1997, a supervisão educacional foi considerada uma grande aliada do professor na implementação, associada à avaliação crítica, desses parâmetros.
Contudo, para que se possa alcançar esse objetivo, é necessário que a supervisão seja vista de uma perspectiva baseada na participação, na cooperação, na integração e na flexibilidade. Nesse sentido, reconhece-se a necessidade de que o supervisor e o professor sejam parceiros, com posições e interlocuções definidas e garantidas na escola.
A questão conceitual é extremamente importante, uma vez que ela determina uma prática, num determinado contexto, em determinada época. Esta ação pode ser restrita ou abrangente, burocrática ou pedagógica, política ou subserviente, alienada ou comprometida. Permite optar por uma ação fundamentada, que, aliás, deve ser a característica de um Supervisor Escolar.
A natureza conceitual subsidiará a ação, consciente ou inconscientemente. E ação consciente é privilégio dos comprometidos, dos que realmente têm maturidade para optar, para planejar e executar. Assim, a seguir busca-se evidenciar, na prática, o papel da supervisão educacional junto aos professores de uma escola Estadual do Município de São Bernardo do Campo - São Paulo.
Análise dos dados
Este item destina-se a apresentar os dados coletados junto aos professores, de uma escola Estadual do Município de São Bernardo do Campo - São Paulo, num total de três entrevistados. Os dados são apresentados na íntegra, situados em gráficos, quando for o caso, de maneira que explicitem a realidade na visão dos educadores, além de proporcionar um panorama geral do tema.
Atribuições do supervisor escolar
Quando questionados sobre a função ou atribuição do supervisor, as respostas citadas foram:
- Coordenar e organizar os trabalhos de forma coletiva na escola, oferecer orientação e assistência aos professores, bem como fornecer aos mesmos materiais e sugestões de novas metodologias para enriquecer a prática pedagógica;
- Orientar os professores no planejamento e desenvolvimento dos conteúdos, bem como sugerir novas metodologias que os avaliem na prática pedagógica e aperfeiçoem seus métodos didáticos;
- Acompanhar o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola e o trabalho do professor junto ao aluno auxiliando em situações adversas.
Silva Júnior e Rangel (1997 pontuam que, o supervisor, como qualquer profissional, em seu curso de formação e em sua prática, prepara-se para atuar como especialista, no caso, como coordenadora do processo curricular, seja em sua formulação, execução, avaliação ou reorientação. E é instrumentalizada para coordenar o processo de construção coletiva do projeto político-pedagógico da escola.
Ressaltam também que a supervisão escolar não se detenha em sua superfície, mas atinja camadas mais profundas, onde se encontram as raízes de questões que envolvem o trabalho educativo.
2. Quanto à questão se a função do supervisor é realmente cumprida na escola pesquisada.
Na opinião dos entrevistados o tempo é um dos maiores empecilhos da função de supervisor, o de não ser cumprido como deveria ser, haja vista que, muitos casos o supervisor procura desenvolver seu trabalho de forma superficial, não se aprofundando o necessário, isso por que em muitas vezes exerce outra função além da supervisão.
É sabido que exercer a função de supervisor requer uma visão nobre - a visão geral de fundamentos, princípios e conceitos do processo didático.
Conforme Silva Júnior e Rangel (1997 a ação supervisora, implica ter-se uma concepção clara a respeito:
- Da escola como instituição social fincada numa sociedade que tem sua base no sistema capitalista;
- Do sentido que têm a educação e o ensino;
- Da posição que o sistema de ensino atribui para o supervisor como um dos agentes educacionais;
- Da posição que o próprio supervisor se atribui como agente do ensino e da educação;
- Do objeto específico de trabalho do supervisor escolar e da capacidade de observar o cotidiano, para através dele, transformar sua ação.
3. Relevância da supervisão educacional
Na opinião de todos os entrevistados a supervisão escolar é relevante, haja vista que a mesma atua no sentido da construção de uma competência docente coletiva. Dois entrevistados justificaram sua resposta, afirmando que a supervisão é importante por que:
- Visa ao acompanhamento ao aluno com ajuda de professores, para um bom desenvolvimento do ensino-aprendizagem, bem como ajuda no fornecimento de materiais alternativos, para tornar conteúdos mais atrativos visando sempre uma melhoria na aprendizagem;
- Procura soluções para situações que permeiam o relacionamento aluno-professor, pois é uma pessoa apta e disponível para atender problemas individuais, bem como elevar os bons trabalhos realizados.
Alguns diriam que qualquer professor poderia fazer o que foi descrito acima, no entanto, as funções do supervisor educacional fortemente presente, que possui conhecimentos específicos, produzem resultados mais eficazes. Todavia, os conhecimentos específicos só o especialista domina, e é ele, portanto, quem pode desempenhar tal função mais competentemente.
Rangel et alli (2001) consideram a supervisão escolar de total relevância, à medida que desenvolve um trabalho de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.
4. Características da atuação da supervisão educacional na escola pesquisada
As características da Supervisão Escolar são justificadas a partir do contexto de sua ação. Dizem respeito a procedimentos, objetivos, conteúdos e finalidades. Assim sendo, sua primeira característica é a complexidade de sua função.
Ao responderem a questão sobre as principais características da atuação da supervisão nas instituições de ensino, os entrevistados foram quase unânimes em dizer que a função de supervisor acopla funções de orientador, assistente social, psicólogo, visando prestar suporte às atividades dos professores no desenvolvimento do currículo escolar.
Rangel et alli (2001) assinalam que, a ação supervisora pode incentivar o estudo de princípios metodológicos, enfatizado, elementos pontuais para a escolha do método tendo como as considerações:
- Das relações entre professores, alunos, objetivos, conteúdos, avaliação e recuperação da aprendizagem;
- Do aluno e de seus interesses, que emergem, tanto de sua vivência, quanto do movimento social e suas motivações;
- Da especificidade dos temas dos programas;
- De fundamentos da aprendizagem e da dinâmica da sala de aula, como a diversificação metodológica;
- De processos e recursos da avaliação e recuperação da aprendizagem.
No entanto, além das características citadas pelos entrevistados, Rangel et alli (2001) destacam que, a formação do profissional da educação que irá trabalhar com a supervisão poderá ser feita, como diz a nova LDB, em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, desde que garantida nessa formação, a base comum nacional e que ela incorpore as atuais exigências do mundo do trabalho e das relações sociais.
5. Entraves à eficácia no trabalho do supervisor na escola pesquisada
Quando questionado sobre os principais entraves para o desenvolvimento das atividades do supervisor, os três pesquisados argumentaram que, a falta de conhecimento dos professores da função do supervisor na escola, tem atrapalhado o supervisor a desempenhar sua função com eficácia e o pouco tempo para resolver muitos problemas.
Todavia, a ação supervisora encontra entraves ou obstáculos à sua efetivação na ausência da especialidade da função. Ressalta-se a idéia de que a especialidade refere-se à especificidade e não meramente a divisão do trabalho. Um dos argumentos a esta afirmação encontra-se no fato de que a “coordenação” é uma das especificidades da função supervisora.
E a mesma é uma necessidade do trabalho do supervisor, essa necessidade permite observar que, mesmo eliminando a figura do supervisor especialista não se poderia prescindir da coordenação como serviço que garanta as articulações indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem (Medeiros, 1997.
Assim, infere-se que o teor de envolvimento dos professores e direção da escola, responde em grande parte pela superação dos entraves à efetivação da ação supervisora na escola.
Também a prática da supervisão exige, de parte do supervisor, uma constante avaliação crítica do seu próprio desempenho e um esforço continuado de aperfeiçoamento como técnico e como pessoa. Só dessa forma conseguirá a mobilização das energias dos professores no sentido dos objetivos educacionais perseguidos (VILLAS BOAS, 2003).
Considerações Finais
Não é possível abordar a questão de supervisão sem ter claramente explicitado o contexto em que sua ação se situa, pois, é a partir daí, que queremos repensar seu papel político e social.
É por esta razão que apresentamos as considerações ao longo do presente artigo. Reafirmamos que a construção de uma nova realidade passa obrigatoriamente pela construção de um novo paradigma. Esse paradigma deve ser assumido pelo Supervisor num processo argumentativo baseado em atos de fala, no qual são questionadas as pretensões de validade que podem ser aceitas ou não, legitimadas pela força de argumentação.
Diante do exposto do texto deste artigo, pode-se concluir que, a Supervisão Educacional, na escola analisada, tem desempenhado seu papel, buscando cumprir a grade curricular, observando a prática e orientando individualmente os professores.
Tendo como foco de atenção, aspectos técnicos, burocráticos e de controle, buscando promover e dinamizar o currículo, através da interação grupal. Todavia, cabe apresentar algumas recomendações no sentido de ajudar o supervisor a desempenhar suas funções, dentro da escola pesquisada:
- Informar os professores a respeito ao papel que o supervisor deve desempenhar a função que lhe cabe.
- A escola deveria ter também o orientador educacional para fazer o trabalho diretamente com pais e alunos.
- Dialogar mais com os professores, sempre buscando um melhor atendimento para se fazer um trabalho em conjunto cada vez mais satisfatório sempre visando o aluno.
- A escola deveria contar com apoio na orientação pedagógica, sem a qual a função deste recai sobre a supervisão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALARCÃO, Isabel. Ser professor reflexivo. Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto Alegre: Porto, 1996.
FERREIRA, N. S. C. (org.). Supervisão educacional. Para uma Escola de Qualidade: da Formação a Ação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1999.
MEDEIROS, M. F. Nove olhares sobre a supervisão. Campinas, SP: Papirus, 1997.
RANGEL, M.; ALARCÃO Izabel; LIMA, Elma; FERREIRA, Naura, S. C. Supervisão pedagógica. Campinas - SP: Papirus, 2001.
SILVA JÚNIOR, C.; RANGEL, M. Nove olhares sobre supervisão. 7. ed. São Paulo: Papirus, 1997.
SILVA, N. S. F. Supervisão educacional: uma reflexão crítica. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1987.
VILLAS BOAS, M. V. A prática da supervisão. In Educação e Supervisão. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
ROBERTO GIANCATERINO
Fonte: www.meuartigo.brasilescola.com
O supervisor escolar precisa saber dialogar, argumentar e conversar com os professores que trabalham com ele. Isto é competência. Saber se expressar.
Ser competente é ter humildade, auxiliar o professor no seu planejamento, nas realizações das atividades. É levar idéias para os profissionais melhorarem sua prática educativa sem parecer mandão, arrogante e sem ser autoritário. Isto é muito importante na Instituição.
Para adquirir essa competência é preciso também disciplina. Ambas andam juntas. São necessárias na escola.
Uma das competências mais importantes do supervisor é ele conseguir passar para os educadores o quanto é fundamental o professor semear desejos e estimular projetos, fazendo com que os alunos saibam articular seus projetos e idéias pessoais com os da coletividade na qual está inserida.
Ser competente pode-se dizer também que é saber pedir, ajudar, expressar-se, ser flexível e trabalhar em equipe.
Para ser competente, é necessário dominar conhecimento. Mas também deve saber mobilizá-los e aplicá-los de modo pertinente à situação. Tal decisão significa vontade, escolha e, portanto, valores.
Essa é a dimensão ética da competência. Que também se aprende, que também é aprendida. A competência só pode ser constituída na prática, não é só saber, mas sim o saber fazer.
Aprende-se fazendo, numa situação que requer esse fazer determinado. Esse princípio é importante para a educação.
Desenvolver competência com alunos e professores precisa ir além do ensino da memorização de conteúdos abstratos e fora de contexto. É fundamental que eles aprendam para que serve o conhecimento, quando e como aplicá-lo. Isso é competência.
O trabalho dos profissionais da educação em especial da supervisão educacional é traduzir o novo processo pedagógico em curso na sociedade mundial, elucidar a quem ele serve explicitar suas contradições e, com base nas condições concretas dadas, promover necessárias articulações para construir alternativas que ponham a educação a serviço do desenvolvimento de relações verdadeiramente democráticas.
Para desenvolver o trabalho idealizado por Ferreira, o supervisor precisa ser um constante pesquisador, é necessário que ele antecipe conhecimentos para o grupo de professores, lendo muito, não só sobre conteúdos específicos, mas também livros e diferentes jornais e revistas.
Entre as tarefas do supervisor estão ajudar a elaborar e aplicar o projeto da escola, dar orientação em questões pedagógicas e principalmente, atuar na formação continua dos professores.
O supervisor faz a transposição da teoria para a prática escolar, reflete sobre o trabalho em sala de aula, estuda e usa as teorias para fundamentar o fazer e o pensar dos docentes.
Um bom supervisor deve apresentar em seu perfil as seguintes características: auxiliador, orientador, dinâmico, acessível, eficiente, capaz, produtivo, apoiador, inovador, integrador, cooperativo, facilitador, criativo, interessado, colaborador, seguro, incentivador, atencioso, atualizado, com conhecimento e amigo.
A Supervisão Escolar passa então a ser uma ferramenta de atuação tem como principio o fazer, o agir, o movimentar, o envolver-se, o modificar e para isto é necessário que esteja firmado em nossa essência o querer moldar pessoas.
Os pequeninos vêm para nos como folhas em branco onde muitos de nos irão fazer parte de suas historias e por quer não dizer fazer a própria diferença em seus futuros. Como é possível observar, a educação é uma tarefa e um encargo coletivo no mundo de hoje, logo
Cunha (2006. p. 271) diz o seguinte:
É imperioso que o profissional da educação contribua decisiva e decididamente para melhor fluir os projetos propostos para a resolução de problemas e enfrentamentos de desafios na escola.
Apontado o primeiro passo, que é o querer, passemos para outro, o fazer.
Para se construir sociedades humanas e preciso interessar-se em pessoas, já
que pessoas são mais importantes que coisas, precisamos criar uma cultura
do fazer, do preocupar-se, do incomodar-se com este sistema que hoje se faz
presente.
A diferença está em aceitar como as crianças vêm, mas não deixa-las sair da mesma forma que entraram. É preciso estar em um processo de simbiose onde passemos a sentir o que nossos pequeninos sentem e compreender como podemos ser instrumentos de ajuste social no contexto que se apresenta na escola.
Isto só é possível se estivermos imbuídos de um espírito de altruísmo, já que nem sempre a supervisão escolar terá a seu dispor a estrutura necessária para desenvolver seus projetos e suas metas.
Logo chegamos ao entendimento de que precisamos realmente ser apaixonados por gente, amar as pessoas verdadeiramente, onde todo professor, educador, supervisor, gestor etc., precisa dessa características.
O segredo do sucesso esta em ouvir os educandos em suas dificuldades e necessidades, buscar estabelecer entre educandos e educadores um canal de comunicação que vise dar a eles a condição de serem ouvidos.
A escola pode ajudar muito neste sentido, desde que todos os envolvidos contribuam com sua parcela de ajuda comprometendo-se com o desenvolvimento social, educacional e familiar de todos os educandos.
Segundo Ferreira (2003, p.10):
O papel da escola hoje é formar pessoas fortalecidas por seu conhecimento, orgulhosas de seu saber, emocionalmente corretas, capazes de auto-critica, solidárias com o mundo exterioras e capacitadas tecnicamente para enfrentar o mundo do trabalho e da realização profissional.
Neste contexto, o diretor de escola é o principal responsável
pela execução eficaz da política educacional.
O desafio para o profissional da Supervisão Escolar é enorme,
ele terá que muitas vezes ser um visionário, já que o
reflexo de suas ações poderá acontecer talvez no futuro
e a construção do educando só será sentida no
decorrer dos anos, já que o trabalho de supervisores e professores
é feito coletivamente.
Não podemos vislumbrar como as nossas ações afetarão aqueles que nos são confiados, ou de que forma afetarão todos que rodeiam ou que sonham com a escola mais justa e mais humana.
O que podemos ter certeza é o futuro não será o mesmo.
Existe muita negatividade dentro das escolas e como pedagogos, em nossa prática
docente sempre nos encontramos com estas situações e poderemos
até vivenciar esta desesperança que às vezes se abate
sobre nossos próprios ombros Sem duvida construindo bases sólidas
de conhecimento, relacionamento e respeito poderemos mudar, este estado de
coisas que hoje se abate no sistema educacional brasileiro.
Cabe ao Supervisor Escolar criar, portanto condições próprias
para este grande projeto de vida que será o seu sacerdócio durante
suas vida profissional.
Podemos com certeza construir grandes valores no espaço da escola criando uma onda de relacionamento com as famílias, comunidade, Escola, governo e envolve-los na problemática da escola que irá com isto atender os pressupostos básicos para a qual foi criada.
Os desafios são enorme, falta de estrutura, recursos escassos, má vontade dos educadores, dos alunos dos funcionários administrativos, enfim uma serie de coisas que dificultam o trabalho do Supervisor, mas que não impedem que o mesmo possa criar na sua atividade profissional meios de mudar esta realidade e fazer com que a escola mude sua cara, e se transforme na escola de nossos sonhos.
As condições para mudar estão em nossas mãos. O diferencial passa então, pelo respeito às escolhas e depois a influencia positiva que podemos ter sobre as pessoas.
Temos que ser como uma pequena pedra atirada no rio que provoca pequenas ondas e que depois vão se tornando grandes até o ponto de causar grandes transformações em todos que fazem parte da sociedade.
Se quisermos podemos ser os agentes desta transformação se começarmos a colocar em prática os conteúdos aprendidos em sala de aula e tão debatidos na construção da nova escola, a escola que queremos para nossos filhos e para todos.
Como agentes da transformação cabe a nos Supervisores Escolares dar o ponta pé inicial deste desejo nacional de mudanças e que só precisa começar e para não mais parar, não podemos nos conformar com este estado de coisas, não existe o não consigo existe sim o não quero.
O supervisor, na atual realidade, é capaz de pensar e agir com inteligência, equilíbrio, liderança e autoridade, valores esses que requerem habilidade para exercer suas atividades de forma responsável e comprometida.
Na década de 90, a supervisora é apontada como instrumento necessário para mudança nas escolas. Justamente nesta década, segundo Ferreira (2003, p. 74):
[...] desempenha-se o supervisor competente, entendendo-se que a competência é, em si, um compromisso público com o social e, portanto, com o político, com a sua etimologia na polis, cidade, coletividade.
E o interesse coletivo opõe-se ao interesse individualizado, na educação
e no seu serviço de supervisor.
Os sinais de descaso estão por toda à parte.
A falta de interesse de nossos governantes, falta de recursos nas escolas, baixos salários, falta de um projeto serio de escolarização e políticas públicas em todos os níveis, pois o que temos hoje é um paliativo que não atende a demanda crescente de nosso povo.
Cada vez mais nossos alunos saem das escolas sabendo menos do que precisam para suas vidas, não há uma visão critica de formar cidadãos por isto precisamos de supervisores audaciosos que ousem sonhar e realizar, que sejam verdadeiros guerreiros da transformação, arautos do conhecimento, defensores da verdade, e principalmente que ame as pessoas.
Alunos desinteressados, analfabetos funcionais, baixa qualificação profissional, despreparo emocional, são apenas alguns sintomas desta doença que se instalou no meio escolar.
Reflexo da falta de interesse da maioria dos envolvidos no processo que não querem ou não sabem que o sucesso desta empreitada nacional é para toda a vida. Como supervisores devemos pegar no batente, nos importando com todos que passam pelo espaço da escola já que muitos e quem sabe milhares de milhões, ficaram marcados para sempre neste tempo, que pode ser construtivo ou destrutivo.
No livro o Monge e o Executivo, aprendemos que quando mais autoridade mais responsabilidade temos, e que só depende de cada um fazer a diferença na escola. Segundo Hunter (2004, p.95) “então, por definição quando você exerce autoridade deverá doar-se, amar, servir e até sacrificar-se pelos outros”.
Podemos contaminar a todos com nossa energia, alegria, serviço, altruísmo, sonhos e fazer com que os educandos e educadores se libertem deste sistema padronizado de escolhas que hoje esta a vigente.
Cabe, portanto ao supervisor escolar estar sintonizado com as necessidades da comunidade e propor projetos que atendam aos anseios de todos que almejam futuro melhor. Muita coisa pode ser feita no contexto escolar, podemos desenvolver atividades que aproximem a comunidade da escola, da família e dos objetivos para a qual ela existe.
A escola como espaço social e publico deve ter esta característica de servir a todos os que a procuram, bem como envolver outros segmentos da sociedade em suas atividades.
Supervisor Escolar deve, portanto ser esta ponte de acesso entre todos, possibilitando um maior conhecimento entre os participantes desta grande aventura que é a formação de pessoas para a sociedade.
Somente sendo um profissional antenado com estas características e com as necessidades de todos os envolvidos tendo um forte senso de responsabilidade e de iniciativa não esperando por quem não vem é que seremos profissionais de sucesso e cidadãos realizados.
O grande sucesso que o supervisor escolar terá em sua vida pessoal será a certeza de ter contribuído para o sucesso de muitas vidas que cruzarão seu caminho no decorrer dos anos da docência.
Não há nada de mais belo do que ver uma vida desabrochando como uma flor na sua plenitude, e exalando o agradável aroma de ser chamado de cidadão. A escola tem, portanto a obrigação de fazer o melhor a seus alunos que buscam neste local o pote no fim do arco-íris.
Trabalhando em equipe o supervisor escolar e todos os profissionais envolvidos terão não as melhores condições para desenvolver suas metas mais com certeza terão o apoio moral que faz toda a diferença nos dias atuais.
Diante das diferentes e diversificadas funções do supervisor escolar, podemos citar como a de maior relevância a de coordenador, onde a organização do trabalho é comum, onde a unificação dos alunos, professores, equipe pedagógica e direção da escola.
É diante destas responsabilidades que se faz necessário mudanças significativas na formação e postura do supervisor escolar, e com isso reconhecendo seus aspectos gerais, onde Ferreira (2003, p.75) diz:
Ressignificar e revalorizar a supervisão, reconceitua-se, de modo a compreendê-la, na sua ação de natureza educativa e, portanto sociopedagógica, no campo didático e curricular do seu trabalho, no seu encaminhamento de coordenador.
Estamos acostumados a ouvir que manda quem pode, obedece quem tem juízo, mas no contexto escolar não existe esta premissa, mas sim o exemplo, pois quem quer ser líder estar em destaque, seja o primeiro que faça.
Talvez uma das grandes dificuldades do ser humano seja exatamente esta, precisamos de destaque a todo o momento, logo precisamos refletir sobre o que diz Ronca (1995, p.32) “nenhum educador cresce se não reflete sobre seu desempenho enquanto profissional e se não reflete sobre a ação que foi desenvolvida.
Só entramos na práxis quando refletimos sobre a prática”.
Mas o supervisor, o administrador não é assim, é antes
um profissional que não se importa se vai ser reconhecido ou não,
e na maioria das vezes não é mesmo, o que importa de verdade
é ser útil à sociedade, as pessoas, a todos.
Na verdade não deveríamos ser chamados de Supervisores Escolares, mas sim de administradores de vidas, pois muitas delas dependerão de nossas decisões e de como elas afetaram a vida de nossos alunos.
É preciso tomar a sábia decisão de fazer sempre o que for necessário para direcionar nossas crianças e jovem para a maior aventura que eles irão participar que é o seu futuro. Cada ser social, cada aluno é um indivíduo em especial, com características próprias de aprendizagem e necessidades diferentes. De acordo com Gadotti e Romão apud Oliveira (2003 p.330):
Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento
da escola, conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham,
intensificar seu envolvimento com ela e, assim, acompanhar melhor a educação
ali oferecida.
Supervisor, Administrador talvez, líderes quem sabe, servos com certeza.
Nossa recompensa será com certeza vidas transformadas, vidas salvas da degradação moral e social, famílias restauradas e um forte sentimento de dever cumprido.
Portanto Supervisores e Professores têm em suas mão a chave da vida ou da morte de muitos em suas mãos. Não vamos, pois nunca esquecer que palavras podem construir ou destruir qual vai ser sua escolha?
Considerações finais
Muitos dizem que ensinar é uma arte e que servir é um dom. Para nos Supervisores Escolares e Pedagogos é muito mais que isto. É um modo de vida ,é o modo como escolhemos viver.
Com suas dificuldades e seus desafios com suas recompensas e suas frustrações.
Se pensarmos que será um mar de rosas é melhor para aqui.
Mas se quiser entrar nesta nave chamada “Conhecimento Humano”, não se arrependerá. Pois trará um enorme beneficio a sua vida e a de todos que o rodeiam.
A Supervisão Escolar é um exercício de cidadania, amor, altruísmo e abnegação onde só os fortemente determinados terão êxito. Não como todos acham como riqueza, mas sucesso na sua vida emocional.
Na sua psique, pois nada dá mais prazer na vida do que ver seres humanos crescendo no seu Saber e se transformando seus sonhos em realidade.
Quer ser Supervisor?
Excelente, então se dedique e busque de todo o seu coração, pois somente lá poderemos encontrar forças para chegar ao fim da jornada.
Referências
CHALITA, Gabriel Benedito Issaac. Educação a
solução está no afeto. São Paulo: gente, 2001.
Cunha, Aldeneia S. da; Oliveira; Ana Cecília de; Araújo, Leina
A. (Org). A Supervisão no contexto escolar: Reflexões Pedagógicas.
Manaus. UNINORTE; 2006.
FERREIRA, Naura Syria Carapeto
Fonte: www.webartigos.com