Ser canhoto significa em várias línguas alguém que trabalha melhor com a mão esquerda, mas também que é desajeitado, tolo ou pateta.
Estudos científicos indicam o contrário
Afinal, pensam mais rápido quando conduzem, praticam desporto ou jogam no computador.
O mundo está pensado para os destros e, por isso, a 13 de Agosto de 1992, o clube britânico Left-Handers lançou o Dia Internacional dos Canhotos, numa forma de protesto contra a discriminação que sofrem os esquerdinos no mundo dos que usam essencialmente a mão direita.
Apesar da mudança de mentalidades que fez desaparecer os castigos escolares para obrigar as crianças a usarem a mão direita e perante as indicações científicas de que, na prática, os canhotos até pensam mais rápido quando fazem algumas actividades, a verdade é que no léxico ainda perdura o sentido pejorativo da palavra.
Ser canhoto, no dicionário de português, é alguém que trabalha melhor com a mão esquerda mas também que é desajeitado.
Também nas línguas francesa, espanhola, italiana e inglesa a palavra canhoto tem o mesmo significado pejorativo: tolo, pateta, trapalhão, sinistro, desajeitado.
Destro, ao contrário, é aquele que é dotado de destreza, hábil, ágil, astuto.
A excepção à regra é o grego, o único a favor da esquerda:
O termo que designa a mão esquerda tem o sentido de melhor e a mesma origem da palavra aristocracia.
Expressões populares valorizam de forma diferente os dois hemisférios do corpo
Após uma sequência de reveses, diz-se que o desafortunado acordou com o pé esquerdo e, na passagem de ano, desejamos ao próximo que entre com o pé direito.
Nada que incomode os canhotos do tempo actual.
Ser canhoto é simplesmente ser alguém que usa predominantemente a mão esquerda nas suas actividades e as dificuldades inicialmente encontradas são em grande parte ultrapassadas com o uso de utensílios adaptados ou através de estratagemas.
Fonte: www3.uma.pt
A 13 de Agosto (dia do azar, mês do mau agouro), celebra-se anualmente o Dia Mundial do Canhoto. Uma data “sinistra” (termo italiano que designa algo funesto e pernicioso), que rende homenagem aos 10 por cento da população que parecem viver do lado errado do espelho…
Se nos colocarmos diante de um espelho e ali realizarmos uma das nossas tarefas quotidianas – pintar os olhos, lavar os dentes, limpar o rosto ou pentear o cabelo –, a imagem que veremos reflectida será sempre a de alguém que nos imita em todos os gestos, mas usando a mão contrária.
Se somos dextros (e essa será a realidade em cerca de 90 por cento dos casos), então o que temos diante de nós, encerrado na superfície envidraçada do espelho, será a imagem do que para nós se parecerá com um canhoto. Como que presos desse lado do espelho, num mundo onde tudo parece funcionar ao contrário, vivem os esquerdinos, que hoje ascendem a mais de 10 por cento da população do planeta.
No Dia Mundial do Canhoto, O PRIMEIRO DE JANEIRO dá a conhecer uma realidade diferente, de um grupo de pessoas que não têm representação em qualquer associação, mas que, de acordo com o que a nossa reportagem conseguiu apurar, enfrentam quotidianas dificuldades em termos de adaptação ao mundo à sua volta.
Porque diariamente há milhões de pessoas que não cedem ao impulso de estender a mão para um cumprimento sem pensarem se essa será a mão correcta, e porque diariamente essas pessoas têm de se adaptar a uma realidade que não os teve em conta, a Left-Handers Internacional (associação norte-americana entretanto extinta, mas que nos anos 70 fervilhava de actividade) instituiu o Dia Mundial do Canhoto na data de hoje, que curiosamente congrega o número 13, normalmente conotado com o azar, com aquele que se convencionou ser o mês do mau agouro.
A palavra escolhida em várias línguas para definir os esquerdinos tem também quase sempre um significado pejorativo, funcionando porventura como causa ou consequência de um certo preconceito que sempre existiu contra os canhotos, que levaram muitos adultos a tentar mudar esse comportamento nas suas crianças.
Curiosidades
A circunstância de ser esquerdino está associada a comportamentos curiosos: quando desenham, por exemplo, os canhotos tendem a posicionar os objectos voltados para o lado direito. Há uma propensão elevada para a existência de um canhoto em cada par de gémeos, e a gaguês e a dislexia são também mais frequentes naquelas pessoas, nomeadamente quando na infância foram forçados a trocar o lado mais forte. Atingem a puberdade quatro a cinco meses mais tarde do que os dextros, mas nem tudo é mau: têm maior capacidade de adaptação à visão subaquática e são particularmente dotados para desportos como ténis, basebol e natação.
Lateralidade Brincar e descobrir
O conceito de “lateralidade” define, em termos técnicos, a predominância cerebral de um lado do corpo sobre o outro, tendo em conta o uso que se faz das mãos, dos pés e dos olhos.
O lado dominante define-se por volta dos quatro ou cinco anos de idade, tendo em conta a utilização preferencial do lado direito (em cerca de 90 por cento dos casos) ou do esquerdo (10 por cento), havendo ainda casos em que as crianças demonstram singular aptidão com os dois lados do corpo, ou que usam de forma preferencial a mão esquerda, mas o pé direito, por exemplo, fenómeno que se define como “lateralidade cruzada”.
A aferição da predominância lateral em cada criança pode ser feita através da observação do modo como brinca e realiza tarefas determinadas, e estimulada através de jogos específicos.
Pintar a cara…
Muito ao gosto da generalidade das meninas, a pintura do rosto é uma brincadeira que também agrada aos rapazes (se for para se parecerem com os índios), e serve de forma exemplar o objectivo de aferição da lateralidade. Em permanente diálogo com os mais novos, os adultos poderão pedir-lhes que pintem o lado direito da cara ou a sobrancelha esquerda, e ensiná-los de forma simples a diferença entre os dois conceitos.
Quase sem perceber que está a fazê-lo, a criança aprenderá a distinguir a direita da esquerda, e assim desenvolverá a sua lateralidade. No entanto, avisam os especialistas, em nenhum caso a criança deve ser contrariada no seu impulso de usar uma ou outra mão, já que, ao obrigar a inverter uma programação definida a nível cerebral, os pais estarão a condicionar o desenvolvimento natural dos filhos.
Fonte: universocanhoto.wordpress.com