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Agroecologia

Os benefícios da produção agroecológica

Uma das grandes vantagens da produção agroecológica esta no fato dos vegetais serem mais nutritivos e saudáveis de não conter resíduos químicos tóxicos e contribuir para melhorar a qualidade do solo, água e do ar.

Enquanto os fertilizantes artificiais têm sido utilizados durante os últimos 150 anos, até a década de 40 praticamente todos os vegetais foram cultivados organicamente. Após a Segunda Guerra Mundial houve um incentivo para tornar as explorações agrícolas mais produtivas quanto possível. Os produtos químicos utilizados na guerra foram aplicadas à agricultura. O nitrato de amônio utilizado em explosivos militares foi adicionado ao solo para aumentar o nível de nitrogênio.

O DDT, que protegia os soldados contra os mosquitos transmissores da febre tifóide, também passou a ser utilizado na agricultura destruindo os insetos pragas nas culturas.

Avanços na engenharia química criaram novos produtos - herbicidas, inseticidas e fungicidas - que vieram com a promessa de tornar a agricultura mais fácil e as terras mais produtivas. Com a revolução causada pelas máquinas e produtos químicos sintéticos, agricultura "sintética" se tornou uma regra. Embora este aumento da produção alimentar e ganho econômico tenha sido a curto prazo, em contrapartida teve um longo prejuízo sobre a qualidade do solo, água e ar, bem como a saúde humana e animal.

O termo "agricultura biológica" foi pela primeira vez utilizado em 1940 no livro "Look to the Land" por Lord Northbourne. Também em 1940, o botânico britânico Sir Albert Howard publicou "Um Testamento Agrícola". Como conselheiro agrícola da Índia, Sir Albert concebeu um sistema de produção de plantas e animais sem utilizar produtos químicos sintéticos. Em 1943, Lady Eve Balfour publicou "The Living Soil" e em 1945 fundou a "Soil Association", que incidiu sobre as relações da saúde do solo com a saúde das plantas, animais e pessoas. A Lady Eve é creditado o moderno movimento orgânico na Grã-Bretanha.

A agricultura convencional usa métodos que aumentam as colheitas nas primeiras colheitas, mas depois torna o solo empobrecido. Os fertilizantes sintéticos substituem os macronutrientes, mas os minerais traços não são substituídos; os pesticidas matam os microorganismos benéficos - necessários para manter a saúde do solo - junto com os organismos considerados pragas. Gradualmente, a estrutura do solo é destruída. Métodos biológicos restauram a saúde do solo pela adição de composto e de chorume e criando um saudável equilíbrio de nutrientes.

Solo saudável significa vegetais de qualidade, pesquisas mostraram que os vegetais orgânicos contêm maior quantidade de certas vitaminas e minerais, tais como a vitamina C. A qualidade da água está ameaçada por fertilizantes e pesticidas que são lavadas pelas enxurradas tanto em áreas rurais quanto urbanas.

Em 1962, o livro de Rachel Carson "Silent Spring" levantou a questão para os efeitos devastadores do DDT e outros pesticidas na saúde humana, animal e ambiental. No Reino Unido, hoje, a "Soil Association" relata o uso de mais de 400 produtos químicos para matar insetos, ervas daninhas e outras pragas. Os pesticidas têm sido relacionados ao câncer, mal de Parkinson, fadiga crônica e muitas outras doenças.

OGM - organismos geneticamente modificados - são criados através da transferência de genes de uma espécie para outra. Os mais comuns são o milho Bt e a soja RR. Embora a engenharia genética utilize o pretexto de culturas livres de doença e teor de vitamina maior em vegetais, não sabemos as conseqüências a longo prazo para a saúde humana e no ambiente em geral, da liberação de plantas criadas desta forma.

A produção agroeocológica é um bom negócio.

A partir do momento em que as pessoas passarem a compreender a saúde e os benefícios ambientais do crescimento natural dos alimentos, os vegetais orgânicos serão cada vez mais consumidos. Os orgânicos crescem em todo o mundo, as vendas de alimentos orgânicos estão subindo a uma taxa de cerca de 10 por cento anualmente. As empresas multinacionais como o McDonald's estão vendendo produtos lácteos orgânicos em seus restaurantes europeus.

Como é a produção agroecológica

Esse sistema leva em consideração todas as relações de todos os organismos vivos e trabalha em sintonia com os ciclos da natureza.

O crescimento orgânico evita a utilização de:

Fertilizantes sintéticos
Pesticidas sintéticos
Organismos geneticamente modificados (OGM)

Em vez disso, mantém o crescimento orgânico do solo e do ambiente saudável por meio da compostagem, adubação verde e rotação de culturas, bem como métodos naturais de  controle de pragas e insetos.

Marcelo Rigotti

Fonte: www.portaldahorticultura.xpg.com.br

Agroecologia

O que é

A Agroecologia é uma nova abordagem da agricultura que integra diversos aspectos agronômicos, ecológicos e socioeconômicos, na avaliação dos efeitos das técnicas agrícolas sobre a produção de alimentos e na sociedade como um todo.

Agroecologia representa um conjunto de técnicas e conceitos que surgiu em meados dos anos 90 e visa a produção de alimentos mais saudáveis e naturais. Tem como princípio básico o uso racional dos recursos naturais.

A evolução para essa forma de produção foi gradual, iniciando-se no fim da 1ª Guerra Mundial, quando surgiam na Europa as primeiras preocupações com a qualidade dos alimentos consumidos pela população. Os primeiros movimentos de agricultura nativa surgiram respectivamente na Inglaterra (Agricultura Orgânica) e na Áustria (Agricultura Biodinâmica).

Naquela época, as idéias da Revolução Industrial influenciavam a agricultura criando modelos baseados na produção em série e sem diversificação.

Após a 2° Guerra Mundial, a agricultura sofreu um novo incremento, uma vez que o conhecimento humano avançava nas áreas da química industrial e farmacêutica. Logo depois desta fase, com o objetivo de reconstruir países destruídos e dar base a um crescente aumento populacional, surgiram os adubos sintéticos e agrotóxicos seguidos, posteriormente, das sementes geneticamente melhoradas.

A produção cresceu e houve grande euforia em todo o setor agrícola mundial, que passou a ser conhecido como Revolução Verde. Por outro lado, duvidava- se que esse modelo de desenvolvimento fosse perdurar, pois ele negava as leis naturais. Neste contexto, surgiram em todas as partes do mundo movimentos que visavam resgatar os princípios naturais, a exemplo da agricultura natural (Japão), da agricultura regenerativa (França), da agricultura biológica (Estados Unidos), além das formas de produção já existentes, como a biodinâmica e a orgânica.

Os vários movimentos tinham princípios semelhantes e passaram a ser conhecidos como agricultura orgânica. Nos anos 90, este conceito ampliou-se e trouxe uma visão mais integrada e sustentável entre as áreas de produção e preservação, procurando resgatar o valor social da agricultura e passando a ser conhecida como Agroecologia.

Em vista da necessidade de produção rápida em grande escala de alimentos, criou-se há muitas décadas um sistema de produção agrícola baseado na aplicação de agroquímicos, chamado de agricultura tradicional. Todavia, após a Conferência para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente, a ECO-92, no Rio de Janeiro, chegou-se a conclusão de que os padrões de produção e atividades humanas em geral, notadamente a agrícola, teriam que ser modificadas.

Dessa forma, foram criadas e desenvolvidas novas diretrizes às atividades humanas, compiladas na Agenda 21, com o objetivo de alcançarmos um desenvolvimento duradouro e com menor impacto possível, que se chamou de desenvolvimento sustentável e que vem norteando todos os campos de atuação.

Assim, os movimentos no sentido da implantação de uma maior qualidade dos produtos agrícolas cresceram, desenvolvendo-se de forma ímpar. Aparece com mais força então no cenário mundial a agroecologia, conhecida ainda por agricultura alternativa.

Conceitos de Agroecologia

O conceito de agroecologia quer sistematizar todos os esforços em produzir um modelo tecnológico abrangente, que seja socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente sustentável; um modelo que seja o embrião de um novo jeito de relacionamento com a natureza, onde se proteje a vida toda e toda a vida, estabelecendo uma ética ecológica que implica no abandono de uma moral utilitarista e individualista e que postula a aceitação do princípio do destino universal dos bens da criação e a promoção da justiça e da solidariedade como valores indispensáveis. A rigor, pode-se dizer que agroecologia é a base científico-tecnológica para uma agricultura sustentável.

O modelo de agricultura sustentável são os conhecimentos empíricos dos agricultores, acumulados através de muitas gerações, ao conhecimento científico atual para que, em conjunto, técnicos e agricultores possam fazer uma agricultura com padrões ecológicos (respeito à natureza), econômicos (eficiência produtiva), sociais (eficiência distributiva) e com sustentabilidade a longo prazo.

Na agroecologia a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade, vários tipos de plantas, animais, microorganismos, minerais e infinitas formas de relação entre estes e outros habitantes do planeta Terra.

O conceito de agroecologia e agricultura sustentável consolidou-se na Eco 92, quando foram lançadas as bases para um desenvolvimento sustentável no planeta.

Nos dias de hoje, o termo é entendido como um conjunto de princípios e técnicas que visam reduzir a dependência de energia externa e o impacto ambiental da atividade agrícola, produzindo alimentos mais saudáveis e valorizando o homem do campo, sua família, seu trabalho e sua cultura.

A Agroecologia também é definida como a produção, cultivo de alimentos de forma natural, sem a utilização de agrotóxicos e adubos químicos solúveis.

A produção agroecológica ou orgânica cresce no mundo todo a passo acelerado a uma taxa de 20 a 30% ao ano. Estima-se que o comércio mundial movimenta atualmente cerca de 20 bilhões de dólares, despontando a Europa, Estados Unidos e Japão como maiores produtores e consumidores.

A Agroecologia engloba modernas ramificações e especializações, como a: agricultura biodinâmica, agricultura ecológica, agricultura natural, agricultura orgânica, os sistemas agro-florestais, etc.

Os sistemas agroecológicos têm demonstrado que é possível produzir propiciando a possibilidade natural de renovação do solo, facilita a reciclagem de nutrientes do solo, utiliza racionalmente os recursos naturais e mantém a biodiversidade, que é importantíssima para a formação do solo.

Agroecologia no Brasil

O Brasil também está investindo firme neste setor e, segundo dados atuais, o comércio nacional atingiu, em 1999/2000, cerca de 150 milhões de dólares. Estima- se que a área cultivada organicamente no país já atinge cerca de 25 mil hectares, perto de 2% da produção total nacional. 70% da produção nacional vai para a exportação, despontando a soja, laranja, banana, açúcar mascavo e café.

O mercado interno ainda é pequeno, com predominância de hortifrutigranjeiros, todavia o potencial de crescimento é enorme. A taxa de crescimento no Brasil já é estimada em 50% anual.

Em Santa Catarina, há quatro ou cinco anos atrás não havia mais do que cinco ou seis grupos ou associações de produtores agroecológicos, agora em 2001 já existem cerca de 40 associações, perfazendo 1000 famílias rurais, fora produtores e empreendimentos isolados em várias regiões do Estado.

As organizações não governamentais foram entidades pioneiras na introdução e divulgação da produção agroecológica em Santa Catarina, como de resto no Brasil. Entretanto, nos últimos anos, as universidades e o sistema de pesquisa e extensão também se voltaram a este importante segmento.

Agricultura Tradicional e Agroecologia

Desvantagens ambientais da agricultura tradicional

Suas monoculturas degradam a paisagem
Produz altos índices de toxidade pelos agroquímicos utilizados
Elimina a biodiversidade
Degrada o solo
Polui os recursos hídricos
Maximiza a utilização da energia gerada no próprio sistema natural

Vantagens da utilização das formas da agroecologia

Possibilita a natural renovação do solo
Facilita a reciclagem de nutrientes do solo
Utiliza racionalmente os recursos naturais
Mantêm a biodiversidade que é importante para a formação do solo

Como fazer Agroecologia?

Ao se trabalhar uma propriedade agro-ecologicamente é preciso considerar a complexidade dos sistemas, dentro e fora da propriedade. Os agricultores e os técnicos vêem a lavoura e a criação como elementos dentro da natureza, que não podem ser trabalhados isoladamente. Precisa-se conhecer os elementos dessa diversidade para que se possa manejá-los adequadamente, trabalhando a favor da natureza e não contra ela, como é feito na agricultura convencional.

Trabalha-se a conservação do solo ao invés de destruí-lo com arações e gradagens sucessivas. Em vez de se eliminar os inços, aprende-se a trabalhar a parceria entre as ervas e as culturas, entre as criações e as lavouras.

Nesta lógica não se considera os insetos como pragas, pois com plantas resistentes e com equilíbrio entre as populações de insetos e seus predadores, eles não chegam a causar danos econômicos nas culturas. Dentro desse mesmo princípio não se trata doença com agrotóxico, mas busca-se fortalecer a planta para que esta não se torne suscetível ao ataque de doenças e de insetos.

Os fatores que afetam o equilíbrio e a resistência das plantas são os que prejudicam a formação das proteínas, tais como: idade da planta, umidade, aplicação de agrotóxico, adubação com adubo químico solúvel, etc.

Para manter a planta equilibrada é preciso que ela receba uma nutrição adequada, o que não se consegue utilizando adubos químicos solúveis, devido a suas altas concentrações e solubilidade que provocam absorção forçada pela planta e consequentemente criam desequilíbrios metabólicos. Estes desequilíbrios deixam a seiva rica em aminoácidos livres, o alimento predileto dos parasitas.

Para uma nutrição adequada, é necessário que o solo seja fértil e biologicamente ativo, como terra de mato que sustenta árvores gigantescas sem nunca ter sido adubada.

Solo fértil é solo vivo, com muita matéria orgânica e com diversas espécies vegetais, insetos e microorganismos. Quanto mais matéria orgânica, mais vida tem o solo, melhor nutrida e equilibrada é a planta que nele se desenvolve.

O agricultor deve conhecer cada vez mais os sinais da natureza. Ele deve saber que quando aparecem muitos insetos, ou determinado tipo de erva nativa, é devido a algum tipo de desequilíbrio ou alguma carência. Neste caso, o certo é corrigir o desequilíbrio, ao invés de matar os insetos ou eliminar a erva, pois devemos eliminar a causa do problema e não apenas suas conseqüências.

A terra se cobre daquilo que é melhor para ela: se tem samambaia é porque o solo é ácido; guanxuma é porque o solo está compactado; o cabelo de porco indica exaustão de cálcio etc. Isto tudo significa que, conhecendo estes e outros sinais da natureza, as práticas de manejo utilizadas pelo agricultor virão em benefício da natureza e não contra ela.

Técnicas Agroecológicas

Adubação verde

A adubação verde é o cultivo de plantas que estruturam o solo e o enriquecem com nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, cálcio e micronutrientes. As plantas de adubação verde devem ser rústicas e bem adaptadas a cada região para que descompactem o solo com suas raízes vigorosas e produzam grande volume de massa verde para melhorar a matéria orgânica, a melhor fonte de nutrientes para a planta.

Adubação orgânica

A adubação orgânica é feita através da utilização de vários tipos de resíduos, tais como: esterco curtido, vermicomposto de minhocas, compostos fermentados, biofertilizantes enriquecidos com micronutrientes e cobertura morta. Todos esses materiais são ricos em organismos úteis, macro e micro nutrientes, antibióticos naturais e substâncias de crescimento.

Adubação Mineral

A adubacão mineral é feita com adubos minerais naturais de sensibilidade lenta, tais como: pó de rochas, restos de mineração, etc. Estes adubos fornecem nutrientes como cálcio, fósforo, magnésio, potássio e outros, em doses moderadas, conforme as necessidades da planta.

Não usar agrotóxicos

Os agrotóxicos, além de contaminar as águas, envenenar os alimentos, matar os inimigos naturais dos parasitas e contaminar quem os manuseia, desequilibram as plantas, tornando-as mais suscetíveis.

É comum que logo depois de uma aplicação de agrotóxicos as plantas sofram ataques ainda mais fortes, obrigando o agricultor a recorrer a venenos mais fortes ainda.

Não usar adubos químicos solúveis

Este tipo de adubação é a causa de dois problemas sérios: a morte de microorganismos úteis do solo e a absorção forçada pela plantas, pois estes sais, além de se solubilizarem na água do solo, apresentam-se em altas concentrações. Este processo resulta em desequilíbrio fisiológico da planta, deixando-a suscetível aos parasitas.

Usar defensivos naturais

Defensivos naturais são produtos que estimulam o metabolismo das plantas quando pulverizados sobre elas. Estes compostos, geralmente preparados pelo agricultor, não são tóxicos e são de baixo custo.

Como exemplos podemos citar: biofertilizantes enriquecidos, água de verme composto, cinzas, soro de leite, enxofre, calda bordalesa, calda sulfocálcica, etc.

Combinação e rotação de culturas

Esta consiste em cultivar conjuntamente plantas de diferentes famílias, com diferentes necessidades nutricionais e diferentes arquiteturas de raízes, que venham a se complementarem. Como, por exemplo, o plantio conjunto de gramíneas (milhos) e leguminosas (feijão).

Também podem ser utilizadas plantas consideradas inços, pois elas são bem adaptadas, retiram nutrientes de camadas profundas, colocando-os em disponibilidade na superfície e produzem grande volume de biomassa.

Antes de implantar a cultura, estas plantas são incorporadas através de aração rasa para que se decomponham e deixem os nutrientes disponíveis às culturas. No caso dos pomares, são deixadas na superfície e controladas com roçadas baixas. Como exemplo podemos citar o caruru, o picão branco, o nabo, a samambaia etc.

Fonte: www.webciencia.com.br

Agroecologia

História da Agroecologia

Agroecologia no Brasil

O Brasil também está investindo forte neste sistema e, segundo dados atuais, o comércio nacional atingiu, em 1999/2000, cerca de 150 milhões de dólares.

Estima- se que a área cultivada organicamente no país já atinge 25 mil hectares, perto de 2% da produção total nacional. 70% da produção nacional são exportadas, despontando a soja, laranja, banana, açúcar mascavo e café. O mercado interno ainda é pequeno, com predominância de hortifrutigranjeiros, todavia o potencial de crescimento é enorme.

Atualmente cada vez mais nos deparamos com o termo “agroecologia”, muitas vezes vinculado com a produção de alimentos sem utilização de agrotóxicos. Esta constante associação banaliza o significado abrangente deste termo, fazendo com que se confunda agroecologia com um modelo de agricultura (KRATOUNIAN, 2001; CAPORAL & COSTABEBER, 2004).

A agroecologia compreende uma ciência multidisciplinar, que abrange diversas áreas de conhecimento, estabelecendo bases para a criação de modelos de agricultura e estratégias que busquem a sustentabilidade do meio rural (KRATOUNIAN, 2001; CAPORAL & COSTABEBER, 2004).

Enfoca as relações ecológicas no campo, com objetivo de entender a dinâmica e a função das relações existentes nos meios bióticos (com vida), abióticos (elementos químicos e físicos) e entre eles. Logo, a compreensão desses processos e relações faz com que os agrossistemas possam ser manipulados para produzir melhor, com menos insumos externos, menos impactos negativos ambientais e sociais e mais sustentabilidade.

A agroecologia é uma ciência complexa, fruto da união da ecologia com a agronomia. A ecologia e a agronomia - tiveram um relacionamento tenso durante o século XX. A ecologia ocupou-se principalmente do estudo de sistemas naturais, enquanto a agronomia tratou da aplicação de métodos de investigação científica à prática da agricultura. Nos anos 30, o termo agroecologia foi proposto como a ecologia aplicada à agricultura (Gliessman, 2001). De acordo com Altieri (2002) as bases da agroecologia foram lançadas por diversos movimentos nos países desenvolvidos, que surgiram quase simultâneos, nas décadas de 1920 e 1930 como contraposição ao modelo químicomecanizado.

Apesar de a literatura defini-lo como o estudo das relações ocorrentes no sistema agrícola, este termo vem sendo utilizado como referência das práticas agrícolas que visam boa produtividade animal e vegetal, trabalho dignificante, diversidade de alimentos e qualidade, pois o fazem com a visão de que as gerações futuras têm o mesmo direito das atuais de viver dentre os Recursos Naturais existentes.

O estabelecimento de agroecossistemas mais sustentáveis e semelhantes a ecossistemas naturais é o principal objetivo da agroecologia. Para tanto, utilizam-se estratégias e ferramentas ecológicas para desenvolver formas de manejo agrícola que preservem e respeitem o meio ambiente, e as interações solo-água-planta-homem (KRATOUNIAN, 2001; BOFF et al., 2008).

O manejo ecológico se refere ao sistema natural de cada local, envolvendo o solo, clima, seres vivos, e as inter-relações entre estes três componentes, alterando o mínimo possível o ambiente, aproveitando o potencial natural de cada propriedade (PRIMAVESI,2008). Os sistemas agroecológicos buscam o entendimento dos processos naturais e o cultivo em harmonia com essas leis, priorizando a sustentabilidade econômica e ambiental (NETO, 1988).

A agroecologia reúne modelos de agricultura alternativa como, por exemplo, a agricultura biodinâmica, a natural, a biológica, a permacultura ou agroecológica, cada uma com origens e características diferentes, mais baseadas na agroecologia para se contrapor ao modelo convencional.

Agroecologia representa um conjunto de técnicas e conceitos que visa à produção de alimentos mais saudáveis e naturais. Tem como princípio básico o uso racional dos recursos naturais. Ao se trabalhar uma propriedade agro-ecologicamente é preciso considerar a complexidade dos sistemas, dentro e fora da propriedade, que constitui um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade (vários tipos de plantas, animais microorganismos, minerais).

REFERÊNCIAS

ALTIERI, M. A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba: Editora Agropecuária, 2002, 592p.
BOFF, P. Agropecuaria saudável: da prevenção de doenças, pragas e parasitas à terapéutica não residual.
CAPORAL, F. R; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: alguns conceitos e princípios. BRASÍLIA -2004
GLIESSMAN, S. R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável, 2º ed., Porto Alegre: Editora Universidade/UFRGS, 2001.
KHATOUNIAN. C. A. A reconstrução ecológica da agricultura. Botucatu: Agroecológica, 2001, p. 33
NETO, F. G. Questões agrárias e ecologia: critica da moderna agricultura. São Paulo: Editora Brasiliense S/A, p. 155, 1988.
PRIMAVESI, A. M; AGROECOLOGIA E MANEJO DO SOLO.

Fonte: www.agroecologiaparana.com.br

Agroecologia

Conceitos de Agroecologia

Considera-se Agroecologia como Ciência ou campo de conhecimentos de natureza multidisciplinar, cujos ensinamentos pretendem contribuir na construção de estilos de agricultura de base ecológica e na elaboração de estratégias de desenvolvimento rural, tendo-se como referência os ideais da sustentabilidade numa perspectiva multidimensional.  Adiante destacamos três sínteses conceituais de renomados Agroecólogos (Altieri, Gliessman, Sevilla Guzmán), seguidas de um artigo de opinião, com o objetivo de colocar ênfase na natureza científica da Agroecologia.

1. Agroecologia

Miguel A. Altieri (Universidade da Califórnia, Campus de Berkley, EUA)

É a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sustentabilidade.

A Agroecologia proporciona então as bases científicas para apoiar o processo de transição para uma agricultura “sustentável” nas suas diversas manifestações e/ou denominações.

2. Enfoque agroecológico

Stephen R. Gliessman (Universidade da Califórnia, Campus de Santa Cruz, EUA) 

O enfoque agroecológico corresponde a aplicação dos conceitos e princípios da Ecologia no manejo e desenho de agroecossistemas sustentáveis.

3. Agroecologia e desenvolvimento rural

Eduardo Sevilla Guzmán (Universidade de Córdoba – Espanha)

Agroecologia constitui o campo do conhecimentos que promove o “manejo ecológico dos recursos naturais, através de formas de ação social coletiva que apresentam alternativas à atual crise de Modernidade, mediante propostas de desenvolvimento participativo desde os âmbitos da produção e da circulação alternativa de seus produtos, pretendendo estabelecer formas de produção e de consumo que contribuam para encarar a crise ecológica e social e, deste modo, restaurar o curso alterado da coevolução social e ecológica. Sua estratégia tem uma natureza sistêmica, ao considerar a propriedade, a organização comunitária e o restante dos marcos de relação das sociedades rurais articulados em torno à dimensão local, onde se encontram os sistemas de conhecimento portadores do potencial endógeno e sociocultural. Tal diversidade é o ponto de partida de suas agriculturas alternativas, a partir das quais se pretende o desenho participativo de métodos de desenvolvimento endógeno para estabelecer dinâmicas de transformação em direção a sociedades sustentáveis”.

4. Agroecologia: enfoque científico e estratégico (1)

Francisco Roberto Caporal (2); José Antônio Costabeber (3)

De algum tempo para cá, quase todos nós temos lido, ouvido, falado e opinado sobre Agroecologia. As orientações daí resultantes têm sido muito positivas, porque a referência à Agroecologia nos faz lembrar de uma agricultura menos agressiva ao meio ambiente, que promove a inclusão social e proporciona melhores condições econômicas para os agricultores de nosso estado. Não apenas isto, mas também temos vinculado a Agroecologia à oferta de produtos “limpos”, ecológicos, isentos de resíduos químicos, em oposição àqueles característicos da Revolução Verde. Portanto, a Agroecologia nos traz a idéia e a expectativa de uma nova agricultura, capaz de fazer bem aos homens e ao meio ambiente como um todo, afastando-nos da orientação dominante de uma agricultura intensiva em capital, energia e recursos naturais não renováveis, agressiva ao meio ambiente, excludente do ponto de vista social e causadora de dependência econômica.

Por outro lado, e isto é importante que se diga, o entendimento do que é a Agroecologia e onde queremos e podemos chegar com ela não está claro para muitos de nós ou, pelo menos, temos tido interpretações conceituais diversas que, em muitos casos, acabam nos prejudicando ou nos confundindo em relação aos propósitos, objetivos e metas do trabalho que todos estamos empenhados em realizar. Apenas para dar alguns exemplos do mau uso do termo, não raras vezes tem-se confundido a Agroecologia com um modelo de agricultura, com um produto ecológico, com uma prática ou tecnologia agrícola e, inclusive, com uma política pública. Isso, além de constituir um enorme reducionismo do seu significado mais amplo, atribui à Agroecologia definições que são imprecisas e incorretas sob o ponto de vista conceitual e estratégico, mascarando a sua real potencialidade de apoiar processos de desenvolvimento rural. Por estes motivos, e sem ter a pretensão de fazer, neste momento, qualquer aprofundamento teórico e/ou metodológico, nos parece conveniente mencionar, objetivamente, como a Agroecologia vem sendo encarada sob o ponto de vista acadêmico e o seu vínculo com a promoção do desenvolvimento rural sustentável.

Com base em vários estudiosos e pesquisadores nesta área (Altieri, Gliessman, Noorgard, Sevilla Guzmán, Toledo, Leff), a Agroecologia tem sido reafirmada como uma ciência ou disciplina científica, ou seja, um campo de conhecimento de caráter multidisciplinar que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias que nos permitem estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas. Os agroecossistemas são considerados como unidades fundamentais para o estudo e planejamento das intervenções humanas em prol do desenvolvimento rural sustentável. São nestas unidades geográficas e socioculturais que ocorrem os ciclos minerais, as transformações energéticas, os processos biológicos e as relações sócio-econômicas, constituindo o lócus onde se pode buscar uma análise sistêmica e holística do conjunto destas relações e transformações. Sob o ponto de vista da pesquisa Agroecológica, os primeiros objetivos não são a maximização da produção de uma atividade particular, mas sim a otimização do equilíbrio do agroecossistema como um todo, o que significa a necessidade de uma maior ênfase no conhecimento, na análise e na interpretação das complexas relações existentes entre as pessoas, os cultivos, o solo, a água e os animais. Por esta razão, as pesquisas em laboratório ou em estações experimentais, ainda que necessárias, não são suficientes pois, sem uma maior aproximação aos diferentes agroecossistemas, elas não correspondem à realidade objetiva onde seus achados serão aplicados e, tampouco, resguardam o enfoque ecossistêmico desejado. São relações complexas deste tipo que alimentam a moderna noção de sustentabilidade, tão importante aspecto a ser considerado na atual encruzilhada em que se encontra a humanidade.

Em essência, o Enfoque Agroecológico corresponde à aplicação de conceitos e princípios da Ecologia, da Agronomia, da Sociologia, da Antropologia, da ciência da Comunicação, da Economia Ecológica e de tantas outras áreas do conhecimento, no redesenho e no manejo de agroecossistemas que queremos que sejam mais sustentáveis através do tempo. Se trata de uma orientação cujas pretensões e contribuições vão mais além de aspectos meramente tecnológicos ou agronômicos da produção agropecuária, incorporando dimensões mais amplas e complexas que incluem tanto variáveis econômicas, sociais e ecológicas, como variáveis culturais, políticas e éticas. Assim entendida, a Agroecologia corresponde, como afirmamos antes, ao campo de conhecimentos que proporciona as bases científicas para apoiar o processo de transição do modelo de agricultura convencional para estilos de agriculturas de base ecológica ou sustentáveis, assim como do modelo convencional de desenvolvimento a processos de desenvolvimento rural sustentável.

Suas bases epistemológicas mostram que, historicamente, a evolução da cultura humana pode ser explicada com referência ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que a evolução do meio ambiente pode ser explicada com referência à cultura humana.

Ou seja:

a) Os sistemas biológicos e sociais têm potencial agrícola
b)
este potencial foi captado pelos agricultores tradicionais através de um processo de tentativa, erro, aprendizado seletivo e cultural
c)
os sistemas sociais e biológicos co-evoluíram de tal maneira que a sustentação de cada um depende estruturalmente do outro
d)
a natureza do potencial dos sistemas social e biológico pode ser melhor compreendida dado o nosso presente estado do conhecimento formal, social e biológico, estudando-se como as culturas tradicionais captaram este potencial
e)
o conhecimento formal, social e biológico, o conhecimento obtido do estudo dos sistemas agrários convencionais, o conhecimento de alguns insumos desenvolvidos pelas ciências agrárias convencionais e a experiência com instituições e tecnologias agrícolas ocidentais podem se unir para melhorar tanto os agroecossistemas tradicionais como os modernos
f)
o desenvolvimento agrícola, através da Agroecologia, manterá mais opções culturais e biológicas para o futuro e produzirá menor deterioração cultural, biológica e ambiental que os enfoques das ciências convencionais por si sós (Norgaard, 1989).

Dentro desta perspectiva, especialmente ao longo dos últimos 3 anos, o Rio Grande do Sul vem se transformando em um estado onde existem referências concretas quanto ao processo de transição agroecológica a partir da adoção dos princípios da Agroecologia como base científica para orientar esta transição a estilos de agricultura e desenvolvimento rural sustentáveis. Não obstante, ainda que o tema, como abordamos acima, tenha sido objeto de discussão em distintos eventos realizados em todas as regiões do estado e esteja presente em vários textos e documentos de ampla circulação, continuamos a observar que segue existindo um uso equivocado do termo Agroecologia e de seu significado.

Por este motivo, nos parece importante reforçar a noção de Agroecologia que vem respaldando o processo de transição agroecológica em curso com seu caráter ecossocial, como fazemos neste artigo de opinião. Na prática e teoricamente, a Agroecologia precisa ser entendida como um enfoque científico, uma ciência ou um conjunto de conhecimentos que nos ajuda tanto para a análise crítica da agricultura convencional (no sentido da compreensão das razões da insustentabilidade da agricultura da Revolução Verde), como também para orientar o correto redesenho e o adequado manejo de agroecossistemas, na perspectiva da sustentabilidade.

Assim sendo, o Enfoque Agroecológico, como o estamos entendendo no Rio Grande do Sul, traz consigo as ferramentas teóricas e metodológicas que nos auxiliam a considerar, de forma holística e sistêmica, as seis dimensões da sustentabilidade, ou seja: a Ecológica, a Econômica, a Social, a Cultural, a Política e a Ética (Caporal e Costabeber, 2002). Partindo desta compreensão, repetimos que a Agroecologia não pode ser confundida com um estilo de agricultura.

Também não pode ser confundida simplesmente com um conjunto de práticas agrícolas ambientalmente amigáveis. Ainda que ofereça princípios para estabelecimento de estilos de agricultura de base ecológica, não se pode confundir Agroecologia com as várias denominações estabelecidas para identificar algumas correntes da agricultura “ecológica”. Portanto, não se pode confundir Agroecologia com “agricultura sem veneno” ou “agricultura orgânica”, por exemplo, até porque estas nem sempre tratam de enfrentar-se aos problemas presentes em todas as dimensões da sustentabilidade.

Estas são considerações que julgamos ser de suma importância quando se almeja promover a construção de processos de desenvolvimento rural sustentável, orientados pelo imperativo socioambiental, com participação e equidade social, como já nos referimos em outro texto (Caporal e Costabeber, 2000; 2001).

Referência bibliográficas

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável: perspectivas para uma nova Extensão Rural. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v.1, n.1, p.16-37, jan./mar. 2000.
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável: perspectivas para uma nova Extensão Rural. In: Etges, Virgínia Elisabeta (org.). Desenvolvimento rural: potencialidades em questão. Santa Cruz do Sul: EDUSC, 2001; p.19-52.
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: enfoque científico e estratégico. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v.3, n.2, p.13-16, abr./mai. 2002.
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: enfoque científico e estratégico para apoiar o desenvolvimento rural sustentável. Porto Alegre
EMATER/RS, 2002. 54p. (Série Programa de Formação Técnico-Social daEMATER/RS. Sustentabilidade e Cidadania, texto, 5).
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Análise multidimensional da sustentabilidade: uma proposta metodológica a partir da Agroecologia. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v.3, n.3, p.70-85, jul./set. 2002.
NORGAARD, R. B. A base epistemológica da Agroecologia. In: ALTIERI, M. A. (ed.). Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989. p.42-48.
(1) Publicado como “Artigo de Opinião” na Revista Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v.3, n.2. p.13-16, abr./jun. 2002
(2) (2) Engenheiro Agrônomo, Mestre em Extensão Rural (CPGER/UFSM), Doutor pelo Programa de “Agroecología, Campesinado e Historia”, Universidad de Córdoba (Espanha), Extensionista Rural e Assistente Técnico Regional da EMATER/RS-ASCAR.
(3) (3) Engenheiro Agrônomo, Mestre em Extensão Rural (CPGER/UFSM), Doutor pelo Programa de “Agroecología, Campesinado e Historia”, Universidad de Córdoba (Espanha), Extensionista Rural e Supervisor Regional da EMATER/RS-ASCAR.

Fonte: www.ufrgs.br

Agroecologia

CONCEITOS, OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DA AGROECOLOGIA

Este artigo aborda os desafios da produção agrícola para uma sociedade em constante crescimento social, econômico tendo a necessidade, também, crescente da preservação ambiental.

A Revolução Verde e suas duas missões importantes: a maximização da produtividade e do lucro. As conseqüências do modelo de produção da agricultura convencional. A Agroecologia definida de varias formas. A Agroecologia contrapondo a chamada agricultura tradicional.

A Agroecologia e os elementos: conservação e regeneração dos recursos naturais; Manejo dos recursos produtivos; Implementação de elementos técnicos. A multidimensão da Agroecologia.

Pontos de Partida

O maior problema e desafio em relação à produção agrícola para a sociedade atual é manter um equilíbrio sadio dessa produção com crescimento socioeconômico e a proteção ambiental.

As pressões populacionais, inovações tecnológicas de extração dos recursos naturais, conflitos éticos, econômicos e sociais, os movimentos migratórios, a exploração irresponsável de Governos Nacionais e Transnacionais, têm levado a exaustão dos recursos naturais não renováveis, locais e globais. Do ambiente ecologicamente equilibrado e sustentável, a curto, médio, longo prazos dependerá a qualidade de vida da humanidade, atualmente, e da sobrevivência das gerações futuras.

É possível minimizar os impactos negativos ao meio ambiente, promovendo-se, no meio rural, o aumento da biodiversidade de sistemas e adequado uso de tecnologias ecológicas, consolidando processos produtivos agropecuários.

Deve-se saber que, enquanto a agricultura convencional maximiza-se entrada de energia externa no sistema, através de intervenções por operações como: aração, fertilizantes sintéticos altamente solúveis, herbicidas na Agroecologia, maximizam-se os processos biológicos e as interações ecológicas, tais como: revolvimento do solo pela fauna, plantio direto, cultivo mínimo, reciclagem biológica de nutrientes pelo uso de leguminosas em rotação de cultura, consórcio, controle biológico.

Sistemas Atuais de Produção Agrícolas Não Sustentáveis

O grande fantasma da fome mundial previsto na década de 70 foi, parcialmente, superado devido aos incrementos tecnológicos providos pela Revolução Verde.

Esse modelo de produção foi e ainda continua sendo o responsável pelo grande aumento da produtividade de alimentos e redução dos preços dos gêneros alimentícios, entretanto, essa Revolução, ao longo do tempo, encarregou-se de apresentar ao mundo sérias conseqüências negativas ameaçando a sustentabilidade ecológica, econômica e social das populações do planeta.

A Revolução Verde tem suas duas missões importantes: a maximização da produtividade e do lucro. É com esses objetivos que a nossa agricultura se sustenta. Para atingir tais objetivos foi necessário criar o pacote tecnológico com técnicas agrícolas programadas e uniformes para todas as regiões agrícolas do mundo.

Esse pacote incluiu seis práticas básicas: cultivo intensivo do solo, monocultura, irrigação, aplicação de fertilizantes, controle químico de pragas e doenças agrícolas e de ervas adventícias, manipulação genética de plantas cultivadas.

Na agricultura moderna (convencional) o plantio é considerado uma fábrica, tem-se sua eficiência melhorada com a alteração genética; o solo é visto como um substrato pelo qual a planta está ancorada.

Insustentabilidade da Agricultura Moderna

As conseqüências do modelo de produção da agricultura convencional são várias: degradação do solo, desperdício e uso exagerado de água, poluição do ambiente, perda da biodiversidade, perda do controle local sobre a produção agrícola, desigualdade social e econômica global.

Estudos têm mostrado que no Brasil e no mundo que a perda do solo está entre a faixa de 9,5 a 21,1 ton./ha/ano e a reposição não passa de 1,5 ton./ha/ano. Alem da erosão, há outros prejuízos, como assoreamento dos cursos de água, lagos, córregos, rios, e por fim, o oceano.

A falta de água doce já é considerada o maior problema mundial no futuro. Existem países que já estão importando água doce de outros, pois já não a tem.

Devem-se procurar métodos não dispendiosos de irrigação, uma vez que, as fontes superficiais e subterrâneas estão em processo acelerado de esgotamento.

Os usos de herbicidas, de fertilizantes solúveis provocam a contaminação de diversos sistemas abióticos e bióticos.

A principal contaminação é notada na água que no homem em virtude do efeito acumulativo pode ocasionar intoxicação, alterar a fertilidade humana e provocar até o câncer. Existem produtos pouco degradáveis que ficam no solo por mais de décadas, intoxicando plantas, animais e fonte de água doce.

A variabilidade genética é uma dos índices de sustentabilidade mais importante que permite a alta adaptabilidade às condições adversas do ambiente. Em uma planta homogênea, geneticamente, corre-se o risco de aparecer doenças que ataquem toda a lavoura; em um cultivo geneticamente diversificado é possível existir individuo mais susceptíveis e outros mais tolerantes a pragas, doenças e às intempéries naturais.

Outra conseqüência do modelo agrícola convencional é a perda do controle local sobre a produção, uma vez que, os produtores perdem a capacidade de liberdade para produzir sem utilizar insumos (é a dependência de energia externa ao sistema). Por outro lado, os produtos agrícolas são commodities. O preço do insumo é dado pelo fabricante, o preço do produto é dado pelo mercado. O produtor perde o controle de sua produção, ficando descapitalizado, sem recursos financeiros para investimento; a conseqüência é o êxodo rural para os grandes conglomerados em busca de trabalho e renda.

Este cenário de desequilíbrio motivou movimentos questionadores que debatem uma maneira de trabalhar a produção de alimentos, de forma sustentável, surge a Agroecologia.

A Agroecologia é definida de varias formas, dependendo da visão cognitiva, filosofia e religião de críticos, cientistas e segmentos sociais e produtivos. É um conjunto de princípios que se materializam através das Agriculturas Alternativas.

Orienta no sentido de uma agricultura multidimensional com sustentabilidade: econômica, geológica, social, cultural, ética e política. Esse conjunto de princípios tem ensejado estudos que envolvem a agrobiodiversidade, a não industrialização da vida, a não hiperespecialização do conhecimento dos agrossistemas produtivos, a biologizaçao da agricultura, a ecologização seletiva de transição de um modelo produtivo convencional para um agroecologico, a interdisciplinaridade, a participação do produtor na construção local dos modelos mais adequado a sua realidade.

Conforme CAPORAL e COSTABEBER, a Agroecologia proporciona as bases cientificas e metodológicas para a promoção de estilos de agriculturas sustentáveis, produção de alimentos em quantidade adequada:

A Agroecologia proporciona as bases científicas e metodológicas para a promoção de estilos de agriculturas sustentáveis, tendo como um de seus eixos centrais a necessidade de produção de alimentos em quantidades adequadas e de elevada qualidade biológica, para toda a sociedade. Apesar de seu vínculo mais estreito com aspectos técnico-agronômicos (tem sua origem na agricultura, enquanto atividade produtiva), essa ciência se nutre de diversas disciplinas e avança para esferas mais amplas de análise, justamente por possuir uma base epistemológica que reconhece a existência de uma relação estrutural de interdependência entre o sistema social e o sistema ecológico (a cultura dos homens em coevolução com o meio ambiente).

Conceitos, Objetivos e Princípios

A Agroecologia deriva de duas ciências: Ecologia e Agronomia.

Esta aplica metodologias cientificas no campo agrário; a primeira somente se preocupa em investigar temas de sistemas naturais. Nenhuma das duas interralacionavam, com raras exceções, até um período mais recente com a criação da Agroecologia.

Na década de 30, ecologistas propuseram o termo Agroecologia como Ecologia aplicada na agricultura. Após a II Guerra Mundial, o distanciamento entre a Ecologia e a Agronomia aumentou com a adoção de tecnologias baseadas em princípios químico-físicos. Após a década de 50, quando se despertou maior interesse em ecossistemas, foi criado um ramo da Ecologia denominado de Ecologia Agrícola. Foi na década de 80 que o setor agrícola de pesquisa iniciou trabalhos com a Ecologia aplicados a Agricultura. Na década de 90, a Agroecologia toma certo corpo como um novo paradigma científico a ser adotado que leva em consideração fundamentos baseado na Ecologia e Agricultura os chamados fundamentos biológicos.

Atualmente, está em curso um intenso debate conceitual sobre a Agroecologia, embora esse termo tenha sido utilizado há mais tempo. Estudiosos brasileiros e internacionais têm contribuído para a visibilidade do termo, dentro da cultura e ciências contemporâneas. O conceito em construção é inspirado em funcionamentos dos ecossistemas naturais, no manejo tradicional e indígena dos ecossistemas naturais e no conhecimento cientifico.

A Agroecologia contrapõe a chamada agricultura tradicional que por sua vez se fundamenta na premissa filosófica como no Atomismo que postula que as partes dentro de um sistema podem ser entendidas pelo estudo das mesmas, sem precisa correlacioná-las, sendo o sistema a soma das partes envolvidas; o Mecanismo postula que as relações entre as partes estão fixas; as relações do sistema não mudam. No Universalismo o mundo e as relações existentes podem ser explicados por um número relativamente pequeno de princípios universais, o Objetivismo postula que as ações, valores, podem manter-se aparte do sistema que estudar-se; conforme o Monoísmo, os estudos - individualmente - funcionam de modo coerente; já o Reducionismo postula que todo o estudo deve ser simplificado, nada é complexo no sistema.

Diante de tais premissas dominantes surge o pensamento alternativo que fundamenta a Agroecologia, principalmente, na construção de seu conceito e definição de seus objetivos. As principais premissas são o Holismo que postula a visão do sistema a partir das partes, da relação entrem essas, das relações externas. É a visão no sentido multidimensional. O Determinismo postula o conhecimento das partes sem deixar de aceitar o Mecanismo. As relações entre as partes podem ser fixas, também, variáveis, dependendo da evolução das relações das partes. O Contexturalismo definiu os fenômenos como sendo provocados por grande número de fatores particulares no tempo e no espaço. O Pluralismo procura mostrar que os sistemas complexos só podem conhece-se mediante fatores múltiplos e pensamentos diferentes.

Pode-se enfatizar que a Agroecologia não nega os aprendizados com a Ciência Agrícola dos sistemas produtivos atuais ela apenas expande o conhecimento para aperfeiçoar e melhorar a maneira que atuamos no mundo.

Observa-se, hoje, certa confusão conceitual entre Agroecologia e Agriculturas Ecológicas, dentre elas, especialmente em relação à Agricultura Orgânica.

Agricultura Ecológica surge para traduzir uma variedade de manifestações que vinha sendo tratadas como Agriculturas Alternativas, entre elas: Agricultura Natural, Agricultura Orgânica, Agricultura Biológica, Agricultura Biodinâmica, Permacultura e outras.

As Agriculturas Ecológicas nem sempre aplicam os princípios da Agroecologia; as primeiras estão voltadas exclusivamente para nichos de mercado; enquanto a última tem uma dimensão ecológica e social, sendo um referencial teórico, orientador para as experiências de Agricultura Ecológica que ganha caráter concreto quando aplicado às realidades locais; as experiências locais podem validar os princípios, ponderando cada qual e enriquecendo a própria concepção teórica da Agroecologia, esta tem inspirado e contribuído para a construção de um banco de referencias com potencial para inspirar o desenho e o manejo de agroecossistemas sustentáveis nas mais variadas condições.

Agroecologia é considerada como ciência emergente, orientada por uma nova base epistemológica e metodológica, é um campo do conhecimento transdisciplinar, que recebe as influências das ciências sociais, agrárias e naturais. Tem base na relação sinérgica entre a evolução do conhecimento cientifico e do saber popular e a sua necessidade integração.

No aspecto, mais técnico, a Agroecologia encerra os seguintes elementos:

a) Conservação e regeneração dos recursos naturais solo, água, recursos genéticos, alem da fauna e floras benéficas
b)
Manejo dos recursos produtivos, diversificação, reciclagem dos nutrientes e da matéria orgânica e regulação biótica
c)
Implementação de elementos técnicos, definição de técnicas ecológicas, escala de trabalho, integração dos elementos dos sistemas em foco e adequação a racionalidade dos agricultores.

Um conceito igualmente importante para a Agroecologia é a agrobiodiversidade que pode ser entendida como um recorte da biodiversidade, caracterizada por um processo de relações e interações entre plantas cultivadas, seu manejo e os conhecimentos tradicionais a eles associados.

A multidimensão da Agroecologia exige, também, abordagens de trabalho conjunto de pesquisadores de diferentes disciplinas; e de acordo com o grau de interação podem se classificados em:

a) multidisciplinaridade que consiste em vários pesquisadores de diferentes disciplinas se dedicarem ao mesmo objeto de estudo, usando metodologias especifica e obtidos os resultados, se reúnem para formar um quadro geral do objeto de estudo
b)
interdisciplinaridade que acontece quando vários pesquisadores de diferentes disciplinas se dedicando ao mesmo objeto de estudo, definido em conjunto as metodologias comuns, analisando os resultados em conjunto
c)
transdisciplinaridade é o conhecimento novo que está alem das disciplinas, incorporando novos conceitos, novos pressupostos e metodologias de estudo.

Considerações Finais

E finalmente, não há receitas prontas, não é possível desenvolver pacotes tecnológicos agroecológicos para desenvolver o sistema.

Os passos possíveis e não exclusivos para a construção do novo sistema de produção agroecológico poderão ser:

a) redução da dependência de insumos comerciais
b)
utilizar recursos renováveis e disponíveis no local
c)
enfatizar a reciclagem de nutrientes
d)
introduzir espécies que criam diversidade funcional no sistema
e)
desenhar sistemas que sejam adaptados às condições locais e aproveitem, ao máximo, os microambientes
f)
manter a diversidade, a continuidade espacial e temporal da produção
g)
otimizar e levar os rendimentos, sem ultrapassar a capacidade produtiva do ecossistema original
h)
resgatar e conservar a diversidade genética local
i)
resgatar e conservar os conhecimentos e a cultura local.

Inúmeras lacunas ainda estão em aberto e exigem um extraordinário esforço de pesquisa, experimentação, teste em meio rural para expandir o conhecimento na área e a adoção de tecnologias agroecológicas por parte dos agricultores.

Helio Teixeira Leite

BIBLIOGRAFIA

AQUINO, A.M.; ASSIS,R.L. (Editores). Agroecologia: Princípios e técnicas para uma agricultura orgânica sustentável. Brasília: Embrapa, 2005. 517p.
ROBERTO, P.S. Manual prático de agricultura orgânica. Campinas.SP. 2007. 216 p.
PRIMAVESI, A. Manejo ecológico de pragas e doenças: técnicas alternativas para a produção agropecuária e defesa do meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1988. 137p.
CAPORAL, F.R.; COSTABEBER, J.A Agroecologia: conceitos e princípios para a construção de estilos de agriculturas sustentáveis, disponível em http://www.planetaorganico.com.br/trabCaporalCostabeber.htm, em 22.11.2010.

Fonte: www.webartigos.com

Agroecologia

Agroecologia
Agroecologia

A agroecologia é um sistema de produção agrícola alternativa que busca a sustentabilidade da agricultura familiar resgatando práticas que permitam ao agricultor pobre produzir sem depender de insumos industriais como agrotóxicos, por exemplo.

Vai além das técnicas orgânicas de cultivo, pois inclui elementos ambientais e humanos, é, praticamente, um modo de vida que busca resgatar e valorizar o conhecimento tradicional da agricultura de base familiar.

É uma disciplina que engloba princípios ecológicos básicos para estudar, planejar e manejar sistemas agrícolas que, ao mesmo tempo, sejam produtivos, economicamente viáveis, preservem o meio ambiente e sejam socialmente justos.

Em relação à agricultura tradicional, a agroecologia se distingue ao utilizar os recursos naturais, permitindo a renovação do solo de forma natural e mantendo a biodiversidade.

Os sistemas agroecológicos também se desenvolvem por meio de sistemas florestais, onde se combinam atividades extrativistas com a agricultura familiar sustentável. Nessa modalidade, o agroextrativismo, o conhecimento e as práticas culturais de povos tradicionais são de grande importância.

A construção da agroecologia implica no desenvolvimento de novos valores de fundamentem as relações dos agricultores familiares com o mercado, o que requer a criação de diferentes estratégias de organização e comercialização com base na solidariedade e na ética. Assim, é possível estabelecer uma aliançca entre consumidores e produtores que seja socialmente justa.

AGRICULTURA ORGÂNICA

A agricultura orgânica ou agricultura biológica é o termo frequentemente usado para a produção de alimentos e produtos vegetais que não faz uso de produtos químicos sintéticos ou alimentos geneticamente modificados, e geralmente adere aos princípios de agricultura sustentável. A sua base é holística e põe ênfase no solo. Os seus proponentes acreditam que num solo saudável, mantido sem o uso de fertilizantes e pesticidas feitos pelo homem, os alimentos tenham qualidade superior a de alimentos convencionais. Em diversos países, a agricultura orgânica é definida por lei e regulamentada pelo governo. É um sistema de produção que exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos e produtos reguladores de crescimento, tem como base o uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Esse sistema pressupõe a manutenção da estrutura e da profundidade do solo, sem alterar suas propriedades por meio do uso de produtos químicos e sintéticos. A agricultura orgânica está diretamente relacionada a sustentabilidade.

AGRICULTURA BIODINÂMICA

A Agricultura Biodinâmica propõe ao homem do campo a superação à unilateralidade materialista na concepção da natureza, para que eles possam cada um por si, encontrar uma relação espiritual e ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos humanos.O ponto central da Agricultura Biodinâmica é o ser humano que conclui a criação a partir de suas intenções espirituais baseadas numa verdadeira cognição da natureza. Propõe transformar a propriedade rural em um organismo em si, concluso e diversificado; um organismo do qual a partir de si mesmo é capaz de produzir uma renovação. O fundamento para tal é a integração de todos os elementos ambientais agrícolas, tais como culturas do campo e da horta, pastos, fruticulturas e outras culturas permanentes, florestas e capões arbustivos, mananciais e várzeas. Caso o organismo agrícola ordene-se em torno desses elementos, nasce uma fertilidade permanente e atinge-se a saúde do solo, das plantas, dos animais e dos seres humanos.Adubar na biodinâmica significa, portanto, vivificar o solo e não simplesmente fornecer nutrientes para as plantas. A grande preocupação que devemos ter é o que fazer para que isso aconteça. Nesse caso é possível abster-se de muito do que hoje em dia parece ser imprescindível. Na Agricultura Biodinâmica não se usam adubos nitrogenados minerais, pesticidas sintéticos, herbicidas, hormônios de crescimento. A concepção do melhoramento biodinâmico dos cultivares ou das raças está em irrestrita oposição à tecnologia transgênica.

O agricultor biodinâmico aprende dentro do processo de trabalho, a ser ele mesmo um pesquisador, aprende a participar e transmitir sua experiência a outros e a estabelecer dentro do seu estabelecimento um local de formação profissionalizante para gerações vindouras.

AGRICULTURA NATURAL

O principio básico da Agricultura Natural é manifestar o poder do solo (vitalidade, capacidade, propriedade e funcionalidade). Obviamente, o poder fundamental do desenvolvimento das plantas é do elemento solo; o do elemento água e elemento fogo são poderes de atuação secundária. Conseqüentemente, dependendo da qualidade do próprio solo, tem–se o resultado bom ou ruim da planta, de modo que no cultivo, a condição principal é melhorar ao máximo a qualidade do solo. Vamos comprovar que realmente os seres vivos são constituídos de “Fogo, Água e Terra”, dando o exemplo de um punhado de folhas caídas, elas estavam vivas na natureza, e ficaram completamente secas.

O fato de terem ficado secas significa que o elemento água acabou, e ficaram somente os elementos fogo e solo, se atearmos fogo nessas folhas, queimando-as por completo, significa que acabou o elemento fogo.

Depois desse processo ficou somente a cinza, que nada mais é do que o elemento solo, pois a cinza retorna ao mesmo.

De acordo com o principio da Agricultura Natural, a base é fazer o solo emanar toda sua força. Observamos a fertilidade do solo das matas e dos campos naturais. Há um acúmulo de resíduos vegetais, tal como folhas, ramos, troncos de árvores e capim seco, os quais se transformaram em morada de organismos que os decompõem.

Estes organismos gostam de sombra, do calor, da umidade e da porosidade do solo enriquecido por resíduos vegetais.

Em 1m2 de solo de campo natural existem pelo menos 360 (trezentos e sessenta) espécies de organismos maiores, como: anelídeos de mais de 2cm de comprimentos e centopéias; 2.030.000 (dois milhões e trinta mil espécies de tamanho médio, como parasitas, insetos voadores e minhocas e 1.000.000.000 (um bilhão) de micro-organismos, como fungos e bactérias.

Se no solo fértil existe um número infinito de organismos como os mencionados, isto quer dizer que eles exercem ai um trabalho efetivo. A minhoca por exemplo, é considerada como uma excelente produtora de solos fecundos, pois alimentando-se de resíduos vegetais e de terra, excreta em composto rico em matérias orgânicas.

Os elementos não digeridos dessa excreção servem, por sua vez, de alimentos para os organismos menores. Dessa maneira as minhocas modificam o estado do solo, aumentando a sua porosidade e contribuindo assim para uma melhor aeração e umidade. Estima-se que a quantidade de terra preparada anualmente por esses anelídeos, em 100m2, oscile entre 38 e 55 toneladas. Baseados nesses fatos vêem a necessidade de desenvolver uma técnica capaz de tornar o solo cada vez mais produtivo como um operário experiente. Se o solo for mantido puro e se ele puder manifestar toda sua energia vital, não surgindo doenças nem pragas, poderemos alcançar uma agricultura que respeite a natureza.

PERMACULTURA

Permacultura é uma síntese das práticas agrícolas tradicionais com idéias inovadoras. Unindo o conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar.

A permacultura, além de ser um método para planejar sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. Serve, portanto, como meta-modelo para a prática da visão sistêmica, podendo ser aplicada em todas as situações necessárias, desde como estruturar o habitat humano até como resolver questões complexas do mundo empresarial.

Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável.

A Permacultura origina-se de uma cultura permanente do ambiente, estabelece em nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos - um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente, envolvendo-se cotidianamente em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de nossas vidas referentes a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energias sustentáveis.

Pode se dizer que os três pilares da Permacultura são: Cuidado com a Terra, Cuidado com as Pessoas e Divisão dos excedentes.

AGROFLORESTA

É um sistema de produção em que se plantam árvores juntamente com os cultivos anuais, ou ainda com a presença de animais. Esta é a forma mais antiga de se fazer agricultura, sendo muito fácil encontrar exemplos, como o manejo da erva-mate na mata nativa, cultivo agrícola no inicio de crescimento de espécies arbóreas e criação de animais em pastagens parcialmente sombreadas.

A melhor maneira de fazer um sistema agroflorestal é imitar a própria natureza, que possui os meios mais eficientes que se tem conhecimento para a ocupação do solo.

Ao observarmos o que acontece quando abandonamos uma roça, temos o melhor exemplo de como plantar em uma terra cansada, sem o uso de venenos ou adubos. A regeneração da floresta inicia com a “tigüera” e acontece em harmonia com o ambiente, as plantas que nascem são em grande número, são bastante rústicas e necessitam de muita luz. Elas proporcionam boas condições para o estabelecimento de plantas mais sensíveis e exigentes. É através deste processo natural, também conhecido como sucessão ecológica, que plantas como a erva-mate, mais exigentes em solo mais sensíveis ao sol, um dia poderão ocupar solo da roça já cansado.

É assim que podemos fazer a agroflorestação, introduzindo inicialmente plantas de sol, espécies arbóreas pioneiras, milho e outras plantas de adubação verde.

Depois podem ser introduzidos cultivos como moranga e feijões, que suportam mais a sombra, neste processo podem ser introduzidos, em seu tempo outras tantas árvores. Os cultivos que precisam de sol, como o milho, poderão ser plantados novamente com a poda da cobertura vegetal, aproveitando-se a poda de espécies arbóreas para permitir a entrada de sol e incorporar a matéria orgânica ao solo.

Fonte: www.portalideas.org.br

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