
Os agrotóxicos são substâncias químicas (herbicidas, pesticidas, hormônios e adubos químicos) utilizadas em produtos agrícolas e pastagens, com a finalidade de alterar a composição destes e, assim, preserva-los da ação danosa de seres vivos ou substâncias nocivas. Podem ser encontrados em vegetais (verduras, legumes, frutas e grãos), açúcar, café e mel.
Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal que ele se alimenta de água ou ração contaminadas.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação
dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna -, em alguns casos de forma
irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos.
Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso destas
substâncias.
Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica.
Na aguda, os sintomas surgem rapidamente.
Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos:
dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode
surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças,
como o câncer.
Os agrotóxicos começaram a ser usados em escala mundial após
a segunda grande Guerra Mundial. Vários serviram de arma química nas guerras
da Coréia e do Vietnã, como o Agente Laranja, desfolhante que dizimou milhares
de soldados e civis.
Os países que tinham a agricultura como principal base de sustentação econômica
- na África, na Ásia e na América Latina - sofreram fortes pressões de organismos
financiadores internacionais para adquirir essas substâncias químicas. A alegação
era de que os agrotóxicos garantiriam a produção de alimentos
para combater a fome.
Com o inofensivo nome de "defensivos agrícolas", eles eram incluídos compulsoriamente, junto com adubos e fertilizantes químicos, nos financiamentos agrícolas.
Sua utilização na agricultura nacional em larga escala ocorreu a partir da década de 70. A desagradável cultura de utilização intensiva de agrotóxicos no Brasil adveio do famigerado Plano Nacional de Desenvolvimento, de 1975, que forçava os agricultores a comprar os venenos através do crédito rural, na medida em que instituía a inclusão de uma cota de agrotóxico para cada financiamento.
Com essa artimanha (você ganha o dinheiro se comprar o veneno), associada à propaganda ostensiva dos fabricantes, os agrotóxicos foram disseminados por todo o país, concedendo ao Brasil mais uma estatística negativa: terceiro maior consumidor mundial.

O uso descontrolado, a propaganda massiva, o medo de perda da produtividade
da safra, a cultura fruto bonito é aquele que as pessoas gostam de comprar,
a não utilização de equipamentos de proteção e o pouco conhecimento dos riscos,
são alguns dos responsáveis pela intoxicação dos trabalhadores rurais.
Vários estudos feitos com trabalhadores demonstraram que há relação entre
a exposição crônica a agrotóxicos e doenças, principalmente
do sistema nervoso (central e periférico). Além disso, também ocorrem episódios
de intoxicação aguda, colocando em risco a vida dos trabalhadores rurais.
A fiscalização no campo só se preocupa com a comercialização dos agrotóxicos.
Não existe vigilância nem orientação para a sua correta aplicação. Acontece
até do trabalhador utilizar um coquetel de produtos semanalmente, de forma
preventiva. Ou usar o mesmo princípio ativo de marcas distintas
na mesma aplicação.
Para o cultivo de batata, tomate e berinjela (p.ex.), que são muito susceptíveis
às pragas, são utilizadas grandes quantidades de agrotóxicos. Na cultura do
tomate e do morango são usados diferentes tipos de agrotóxicos, em intervalos
muito curtos, alguns deles com princípios ativos já banidos em muitos países.
Os riscos não se limitam ao homem do campo. Os resíduos das aplicações atingem
os mananciais de água e o solo. Além disso, os alimentos comercializados nas
cidades podem apresentar resíduos tóxicos.
O emprego de agrotóxicos tem implicado em terríveis problemas
relacionados à contaminação ambiental e à saúde pública. A Organização Mundial
da Saúde (OMS) estima que o uso dessas substâncias é da ordem de 3 milhões
de toneladas/ano, expondo, só no meio agrícola, mais de 500 milhões de pessoas.
Os casos anuais de intoxicações agudas não intencionais nos países do terceiro
mundo são estimados em 1 milhão, com 20 mil mortes. As intoxicações crônicas,
embora de mais difícil avaliação, são estimadas em 700 mil casos/ano, com
37 mil casos/ano de câncer em países em desenvolvimento e 25 mil casos/ano
de seqüelas persistentes.
Nos países do primeiro mundo, as informações sobre mortes e intoxicações agudas
por pesticidas são controladas.
No Brasil, o Estado de São Paulo é o maior fabricante e consumidor de agrotóxicos,
apesar disso, são poucas as informações existentes sobre a extensão dos danos
ao meio ambiente e, especialmente à saúde humana.
O uso de agrotóxicos vem merecendo repúdio dos ambientalistas,
da comunidade científica e inclusive dos juristas que se dedicam à abordagem
do denominado Direito Ambiental.
Veja, por exemplo, o que aduz o Juiz do Tribunal de Alçada de São
Paulo, José Renato Nalini: "Os produtos químicos utilizados
para controlar pragas e doenças das plantas podem causar danos à saúde das
pessoas e do meio ambiente. Países mais desenvolvidos e portanto mais
ciosos da qualidade de vida de seu povo não permitem agrotóxicos. Países
periféricos são obrigados a consumir produtos já proibidos na metrópole."
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, ocorrem, no mundo, anualmente,
3.000.000 (três milhões) de intoxicações agudas por agrotóxicos, com aproximadamente
20.000 (vinte mil) mortes, não incluídos aí, os óbitos que decorrem de problemas
crônicos, ou seja, em que a pessoa contaminada adquire problemas de saúde
que ocasionam a morte com o transcurso dos anos (câncer de pele, doenças no
rim, fígado, lesões no sistema nervoso e respiratório, entre outras).
Justamente os países subdesenvolvidos são os maiores usuários, respondendo pela aquisição de 20% da produção e com registros de 75% dos casos de intoxicação.


Herbicidas voláteis aplicados em plantações de cana de açúcar podem ser facilmente levados pelo vento; atingem assim outras plantações vizinhas de algodão, feijão, tomate e papaia e destroem-nas.
Está provado que as aplicações intensivas de pesticidas por meio de aviões
poluem o ar e afetam as populações das cidades próximas, causando dores de
cabeça, tonturas e náuseas.
Como conseqüência da contaminação dos rios pelos pesticidas altamente tóxicos
os peixes mortos são às toneladas, o que representa uma perda substancial
para as populações ribeirinhas.
Pesticidas organoclorados como o DDT, HCH ou BHC, aldrina-dieldrina, clordano
e heptacloro, ficam no solo durante muitos anos e mesmo décadas. Passam progressivamente
do solo para os cereais comestíveis, para a erva e eventualmente para o gado.
Mais tarde, os resíduos são encontrados nos vegetais, grãos, frutos, carne
e leite.
Muitos países da América Latina já possuem meios laboratoriais capazes de
realizar a análise de resíduos organoclorados e organofosfóricos nos alimentos.
Mas tais países ainda não possuem nem o pessoal técnico nem os meios para
realizar um verdadeiro programa de controle alimentar.
Um controle limitado como o que se tem realizado em São Paulo, demonstra que
cerca de 7% dos frutos e 13% dos vegetais têm resíduos de pesticidas acima
dos limites máximos.
Os países desenvolvidos proibiram ou restringiram o uso de muitos inseticidas. Contudo, continuam a exportá-los para a América Latina e outros países em desenvolvimento, onde esses perigosos produtos químicos são aplicados em cereais comestíveis ou em grãos ou frutos.
Para fechar o círculo, tais alimentos são exportados para os países desenvolvidos
que tentaram eliminar tais compostos. Acontece ocasionalmente que o mercado
internacional recusa vegetais e frutos com resíduos acima dos limites máximos
estabelecidos pelos países industrializados e importadores.
O uso generalizado de pesticidas persistentes e a presença dos seus resíduos
nos alimentos resultaram na sua "armazenagem" praticamente em todos
os indivíduos. Atingem um nível regular nos tecidos do corpo proporcional
ao nível de absorção diária.
Nos países industrializados tem-se vindo a observar um decréscimo no nível
dos organoclorados no corpo como consequência da interdição ou restrição no
seu uso. A quantidade de DDT presente no leite humano também tem vindo a baixar
progressivamente nos países desenvolvidos desde 1960. Na América Latina porém
não tem havido baixa nas duas últimas décadas.
A utilização indiscriminada e intensiva de pesticidas na agricultura tem sido
responsável pelo desenvolvimento de resistência a muitos inseticidas organoclorados
e organofosfóricos nos animais nocivos à agricultura. É por essa razão que
atualmente são necessários novos compostos de grupos químicos diferentes para
controlar tais animais.
Chegou-se mesmo à conclusão de que o número total de espécies nocivas poderá
aumentar devido à exterminação de muitos predadores pelos pesticidas.
Neste caso, os prejuízos nas colheitas poderão ser ainda mais graves do que antes da utilização dos produtos químicos.
Na América Central, o número dos principais parasitas do algodão passou de dois para sete nos 10 primeiros anos de utilização de pesticidas, e o número de aplicações de pesticidas passou de dois a vinte por estação como resultado da destruição dos predadores e resistência dos parasitas. No Brasil e outros países da América do Sul também se tem observado o mesmo problema.


Entre as medidas que devem ser tomadas com urgência pelos países em desenvolvimento para impedir envenenamento grave e crônico assim como deterioração do ambiente pelos pesticidas, estão:
Boas práticas agrícolas e controle integral dos parasitas;
Preparação de pessoal em segurança química - incluindo formação de toxicologia clínica, profissional, analítica, experimental, preventiva e reguladora;
Avaliação dos riscos;
Programas de vigilância toxicológica;
Estatísticas de confiança sobre a mortalidade e morbidade relacionadas com envenenamento por pesticidas;
Análises de controle de resíduos de pesticidas em amostras de alimentos, no meio ambiente e em amostras biológicas humanas;
Utilização restrita ou proibição total de pesticidas altamente tóxicos e resistentes;
Cursos a vários níveis sobre a utilização segura de pesticidas;
Operários especializados, treinados periodicamente, e responsáveis pela aquisição e utilização segura de pesticidas;
Aplicação da legislação;
Controle do descarte de lixo tóxico;
Esforços intensos para reduzir o analfabetismo entre os trabalhadores rurais;
Constituição de uma Comissão Nacional interdisciplinar sobre pesticidas, atuando como órgão consultivo junto dos ministérios da Saúde, Agricultura, Trabalho e Meio Ambiente.
Recomendações Gerais:
Evite o uso de agrotóxicos;
Utilize-se de práticas agropecuárias racionais, que respeitem a natureza, observando-se as técnicas de conservação do solo, adubação natural e controle biológico de pragas e doenças;
Sempre consulte o técnico capacitado. Somente os engenheiros agrônomos e florestais, nas respectivas áreas de competência, estão autorizados a emitir a receita. Os técnicos agrícolas podem assumir a responsabilidade técnica de aplicação, desde que o façam sob a supervisão de um engenheiro agrônomo ou florestal (Resolução CONFEA No 344 de 27-07-90). Para a elaboração de uma receita, é imprescindível que o técnico vá ao local com problema para ver, avaliar, medir os fatores ambientais, bem como suas implicações na ocorrência do problema fitossanitário e na adoção de prescrições técnicas. As receitas só podem ser emitidas para os defensivos registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária - DAS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que poderá dirimir qualquer dúvida que surja em relação ao registro ou à recomendação oficial de algum produto.
Fonte: www.vivaterra.org.br