O preparo da calda exige muito cuidado, pois é o momento em que o trabalhador está manuseando o produto concentrado.

A embalagem deve ser aberta com cuidado para evitar derramamento do produto;
Utilize balanças, copos graduados, baldes e funis específicos para o preparo da calda. Nunca utilize esses mesmos equipamentos para outras atividades;
Faça a lavagem da embalagem vazia logo após o esvaziamento da embalagem;
Após o preparo da calda, lave os utensílios e seque-os ao sol;
Use apenas o agitador do pulverizador para misturar a calda;
Utilize sempre água limpa para preparar a calda e evitar o entupimento dos bicos do pulverizador;
Verifique se todas as embalagens usadas estão fechadas e guarde-as no depósito;
Manuseie os produtos longe de crianças, animais e pessoas desprotegidas.
Destino final das embalagens vazias
A legislação brasileira obriga o agricultor a devolver
todas as embalagens vazias dos produtos na unidade de recebimento de embalagens
indicada pelo revendedor. Antes de devolver, o agricultor deverá preparar
as embalagens, ou seja, separar as embalagens lavadas das embalagens contaminadas.
O agricultor que não devolver as embalagens ou não prepará-las adequadamente
poderá ser multado, além de ser enquadrado na Lei de Crimes Ambientais.
Lavagem das embalagens vazias:

A lavagem das embalagens vazias é uma prática realizada
no mundo inteiro para reduzir os riscos de contaminação das pessoas (SEGURANÇA),
proteger a natureza (AMBIENTE) e aproveitar o produto até a última gota (ECONOMIA).
A lavagem das embalagens vazias poderá ser feita de duas formas:
tríplice lavagem ou lavagem sob pressão.
Procedimento para fazer a tríplice lavagem:

1. Esvazie completamente o conteúdo
da embalagem no tanque do pulverizador;
2. Adicione águia limpa à embalagem até 1/4 do seu volume;
3. Tampe bem a embalagem e agite-a por 30 segundos;
4. Despeje a água de lavagem no tanque do pulverizador;
5. Faça esta operação 3 vezes;
6. Inutilize a embalagem plástica ou metálica, perfurando
o fundo.
Procedimento para fazer a lavagem sob pressão:

1. Este procedimento somente pode
ser realizado em pulverizadores com acessórios adaptados para esta finalidade;
2. Encaixe a embalagem vazia no local apropriado do funil
instalado no pulverizador;
3. Acione o mecanismo para liberar o jato de águia limpa;
4. Direcione o jato de água para todas as paredes internas
da embalagem por 30 segundos;
5. A água de lavagem deve ser transferida para o interior
do tanque do pulverizador;
6. Inutilize a embalagem plástica ou metálica, perfurando
o fundo.
IMPORTANTE: a lavagem deve ser realizada durante o preparo da calda. As embalagens lavadas devem ser guardadas com suas tampas dentro das caixas de papelão.
Embalagens flexíveis contaminadas:
As embalagens de produtos cuja formulação é granulada ou em pó geralmente
são sacos plásticos, sacos de papel ou mistas. Estas embalagens são flexíveis
e não podem ser lavadas.
Procedimento para preparar as embalagens flexíveis:

Esvazie completamente na ocasião do uso e depois guarde dentro de um saco plástico padronizado;
O saco plástico padronizado deverá ser adquirido no revendedor.
Devolução das embalagens vazias:

É recomendável que o agricultor devolva as embalagens vazias somente após o término da safra, quando reunir uma quantidade de embalagens que justifique o transporte;
O agricultor tem o prazo de até 1 ano depois da compra ou do uso do produto para devolver as embalagens vazias;
Enquanto isto, as embalagens vazias podem ser guardadas de forma organizada no mesmo depósito onde se armazenam as embalagens cheias;O agricultor deve devolver as embalagens vazias na unidade de recebimento licenciada mais próxima da sua propriedade;
O revendedor deverá informar, na nota fiscal, o endereço da unidade de recebimento de embalagens vazias.
Aplicação do produto
O sucesso do controle de pragas, doenças e plantas
daninhas depende muito da qualidade da aplicação do produto fitossanitário.
A maioria dos problemas de mau funcionamento dos produtos nas lavouras é devido
à aplicação incorreta.
Além de desperdiçar o produto, uma aplicação mal feita poderá contaminar os
trabalhadores e o meio ambiente. O prejuízo pode ser muito grande.
Procedimentos para aplicar corretamente um produto:

Mantenha os equipamentos aplicadores sempre bem conservados;
Faça revisão e manutenção periódica nos pulverizadores, substituindo as mangueiras e bicos danificados;
Lave o equipamento e verifique o seu funcionamento após cada dia de trabalho;
Jamais utilize equipamentos com defeitos, vazamentos ou em condições inadequadas de uso e, se necessário, substitua-os;
Leia o manual de instruções do fabricante do equipamento pulverizador e saiba como calibrá-lo corretamente;
Pressão excessiva na bomba causa deriva e perda da calda de pulverização;
Use sempre água limpa para preparar a calda de pulverização;
Jamais misture em tanque produtos incompatíveis e observe a legislação local;Verifique a velocidade do vento na tabela abaixo, para evitar a deriva.
Velocidade do ar aproximadamente na altura do bico Descrição Sinais visíveis Pulverização Menos que 2 km/h Calmo Fumaça sobe Verticalmente Pulverização não recomendável 2,0 - 3,2 km/h Quase Calmo Fumaça Inclinada Pulverização não recomendável 3,2 - 6,5 km/h Brisa Leve As folhas ocilam. Sente-se o vento na face Ideal para pulverização 6,5 - 9,6 km/h Vento Leve Folhas e ramos finos em constante movimento Evitar pulverização de herbicidas 9,6 - 14,5 km/h Vento Moderado Movimento de galhos, poeira e pedaços de papel são levantados Impróprio para pulverização
Outras regras importantes:
Sempre use EPI para aplicar produtos fitossanitários;
Evite aplicar produtos fitossanitários nas horas mais quentes do dia;
Não coma, não beba e não fume durante a aplicação;
Não desentupa bicos com a boca;
Após a aplicação, mantenha as pessoas afastadas das áreas tratadas, observando o período de reentrada na lavoura.
Período de carência ou intervalo de segurança

É o número de dias que deve ser respeitado entre a
última aplicação e a colheita. O período de carência vem escrito na bula do
produto. Este prazo é importante para garantir que o alimento colhido não
possua resíduos acima do limite máximo permitido.
Por exemplo: se a última aplicação do produto na lavoura
de tomate foi no dia 2 de março e o período de carência é de 5 dias, a colheita
só poderá ser realizada a partir do dia 7 de março.
A comercialização de produtos agrícolas com resíduo acima do limite máximo
permitido pelo Ministério da Saúde é ilegal. A colheita poderá ser apreendida
e destruída. Além do prejuízo da colheita, o agricultor ainda poderá ser multado
e processado.
Para evitar este problema, é importante consultar o Engenheiro Agrônomo sobre o melhor produto a ser usado para combater as pragas de final de ciclo e, principalmente, respeitar o período de carência escrito na bula.
Contaminações podem ser evitadas com hábitos simples
de higiene.
Os produtos químicos normalmente penetram no corpo do aplicador através do
contato com a pele. Roupas ou equipamentos contaminados deixam a pele do trabalhador
em contato direto com o produto e aumentam a absorção pelo corpo. Outra via
de contaminação é através da boca, quando se manuseiam alimentos, bebidas
ou cigarros com as mãos contaminadas.

Procedimentos importantes para evitar contaminações:
Lave bem as mãos e o rosto antes de comer, beber ou fumar;
Ao final do dia de trabalho, lave as roupas usadas na aplicação, separadas das roupas de uso da família;
Tome banho com bastante água e sabonete, lavando bem o couro cabeludo, axilas, unhas e regiões genitais;
Use sempre roupas limpas;
Mantenha sempre a barba bem feita, unhas e cabelos bem cortados.
Procedimentos para lavar as vestimentas de proteção:

Os EPI devem ser lavados separadamente da roupa comum;
As vestimentas de proteção devem ser enxaguadas com bastante água corrente para diluir e remover os resíduos da calda de pulverização;
A lavagem deve ser feita de forma cuidadosa com sabão neutro (sabão de coco). As vestimentas não devem ficar de molho. Em seguida, as peças devem ser bem enxaguadas para remover todo sabão;
Importante: nunca use alvejantes, pois poderá danificar a resistência das vestimentas;
AS botas, as luvas e a viseira devem ser enxaguadas com água abundante após cada uso;
Guarde os EPI separados da roupa comum para evitar contaminação;
Faça revisão periódica e substitua os EPI estragados.

Via de regra os casos de contaminação são resultado de erros cometidos durante as etapas de manuseio ou aplicação de produtos fitossanitários e são causados pela falta de informação ou displicência do operador.
Estas situações exigem calma e ações imediatas para descontaminar as partes atingidas, com o objetivo de eliminar a absorção do produto pelo corpo, antes de levar a vítima para o hospital.
Procedimentos básicos para casos de intoxicação:

Descontamine a pessoa de acordo com as instruções de primeiros socorros do rótulo ou da bula do produto;
Dê banho e vista uma roupa limpa na vítima, levando-a imediatamente para o hospital;
Toda pessoa intoxicada deve receber atendimento médico imediato;
Ligue para o telefone de emergência do fabricante, informando o nome e idade do paciente, o nome do médico e o telefone do hospital.
Manual de Armazenamento de produtos Fitossanitários
/ - Associação Nacional de Defesa Vegetal. Campinas - São Paulo: À Associação,
1997.
Manual de Transporte de Produtos Fitossanitários / São Paulo: ANDEF, 1999.
Manual de Uso Correto de Equipamentos de Proteção Individual / ANDEF - Associação
Nacional de Defesa Vegetal. Campinas, SP: Linea Creativa, 2001.
Manual de Uso Correto e Seguro de Produtos Fitossanitários / BASF S/A, 2001
Fonte: www.segurancaetrabalho.com.br