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Agrotóxicos

 

 

Agrotóxicos
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O Uso Abusivo de Agrotóxicos na Produção de Alimentos no Brasil

Os agrotóxicos, também denominados de pesticidas ou praguicidas , são atualmente responsáveis pelo comércio de bilhões de dólares em todo o mundo (STOPPELLI & MAGALHÃES, 2005). São substâncias que, apesar de serem cada vez mais utilizadas na agricultura, podem oferecer perigo para o homem, dependendo da toxicidade, do grau de contaminação e do tempo de exposição durante sua aplicação (CASTRO & CONFALONIERI, 2005.).

Nos últimos anos, houve grande crescimento na utilização de agrotóxicos no Brasil, o que tem sido associado ao aumento vertiginoso dos riscos de contaminação prejudiciais à saúde.

O descuido com os agrotóxicos pode ser fatal e causar agravos à saúde, tais como: irritações na pele e nos olhos, problemas respiratórios, câncer em vários órgãos e distúrbios sexuais, como a impotência e a esterilidade (ANVISA, 2008).

No meio ambiente, o uso abusivo de agrotóxicos têm trazido comprometimentos relativos à contaminação do ar, solo, água e dos seres vivos, determinando a extinção de espécies de menor amplitude ecológica (STOPPELLI & MAGALHÃES, 2005).

Com o objetivo de monitorar o cumprimento da legislação sobre o grau permitido de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, quais produtos podem ser utilizados em cada colheita e garantir que produtos como frutas, verduras e legumes cheguem com qualidade e segurança à mesa dos brasileiros, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desenvolveu em 2002 o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Em 23 de abril de 2008, foi divulgado pela agência o último resultado do monitoramento de agrotóxicos em alimentos.

Nove produtos foram avaliados (alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura e laranja). Durante o ano de 2007, o tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos em relação ao resultado anterior (ANVISA, 2008).

De acordo com a ANVISA, o caso que mais chamou a atenção foi o do tomate, pois das 123 amostras analisadas, 55 apresentaram resultados insatisfatórios (44,72%). Nesta cultura, os técnicos encontraram a substância monocrotofós, ingrediente ativo que teve o uso proibido em novembro de 2006, em razão de sua alta toxicidade.

Embora os teores de resíduos encontrados não ultrapassassem os limites aceitáveis para a alimentação diária da população, foi detectada também a presença do metamidofós no tomate de mesa.

Este agrotóxico é autorizado apenas para a cultura de tomate industrial (plantio rasteiro), que permite aplicação por via área, trator ou pivô central, evitando assim a possibilidade de intoxicação do trabalhador rural. O metamidofós também foi encontrado no morango e na alface, culturas para as quais não é permitido o uso deste agrotóxico (ANVISA, 2008).

A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do Programa, apresentava índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 1,36%. A maçã, que chegou a apresentar índice de 5,33% neste período, fechou 2007 com incidência de 2,9% (ANVISA, 2008).

Caso a utilização de agrotóxicos esteja acima dos limites permitidos pela ANVISA, os órgãos responsáveis pela áreas de agricultura e meio ambiente são acionados para rastrear e solucionar o problema. As medidas em relação aos produtores são de orientação para adoção de boas práticas agrícolas (ANVISA, 2008).

Em 2008, o PARA passará a acompanhar oito novas culturas.

Os produtos selecionados são: abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva. Devemos ficar atentos a publicação desses novos resultados para que possamos selecionar continuamente os produtos de maior e menor risco de consumo para a população em geral.

Referências Bibliográficas

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Brasília, DF, [2008?]. Disponível em: http: // www.anvisa.org. br
STOPPELLI, I. M.B., MAGALHÃES, C. P. Saúde e segurança alimentar: a questão dos agrotóxicos. Ciência & Saúde Coletiva, v.10, p.91-100, 2005.
BOCHNER, R,. Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX e as intoxicações humanas por agrotóxicos no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v.12, p.73-89, 2007
.

CASTRO, J. S. M., CONFALONIERI, U., USO DE AGROTÓXICOS NO Município de Cachoeiras de Macau (RJ). Ciência & Saúde Coletiva, v.10, n2, Rio de Janeiro, junho 2005.

Fonte: www.rgnutri.com.br

Agrotóxicos

Os agrotóxicos, também denominados de pesticidas ou praguicidas, são atualmente responsáveis pelo comércio de bilhões de dólares em todo o mundo. São substâncias que, apesar de serem cada vez mais utilizadas na agricultura, podem oferecer perigo para o homem, dependendo da toxicidade, do grau de contaminação e do tempo de exposição durante sua aplicação.

Os agrotóxicos são produtos que podem ser de natureza biológica, física ou química. Eles são utilizados com a finalidade de exterminar pragas ou doenças que prejudicam o desenvolvimento da agricultura.

No Brasil, no início dos anos 50, a introdução de inseticidas fosforados para substituir o uso do DDT, veio acompanhada de um método cruel. Foi ensinado que para misturar o DDT, formulado como pó solúvel na água, o agricultor deveria usar o braço, com a mão aberta girando meia volta em um e outro sentido, para facilitar a mistura.

Como o DDT tem uma dose letal alta (demanda uma alta absorção do produto para provocar a morte), somente cerca de 15 anos depois os problemas de saúde apareciam. Contudo, quando o agricultor tentava repetir a técnica com o Parathion, primeiro fosforado introduzido no Brasil, caía morto, fulminado; fato que se repetiu em diversas regiões do país.

Os agrotóxicos chegaram ao sul do país junto com a monocultura da soja, trigo e arroz, associados à utilização obrigatória desses produtos para quem pretendesse usar o crédito rural. Hoje em dia, os agrotóxicos encontram-se disseminados na agricultura convencional, como uma solução de curto prazo para a infestação de pragas e doenças.

Existem três tipos de agrotóxicos. Os pesticidas ou praguicidas combatem os insetos em geral. Já os fungicidas têm o objetivo de atingir os fungos, enquanto os herbicidas matam as plantas daninhas ou invasoras de outras culturas. Eles podem ser orgânicos ou inorgânicos.

Os pesticidas agem sob os ovos (ovicidas), as larvas (larvicidas), sob os ácaros (acaricidas) ou formigas (formicidas). Os efeitos dos agrotóxicos decorrem da ingestão, quando a praga ingere o produto impregnado na planta, do desenvolvimento microbiano, quando o produto contém microorganismos que atacam a praga, ou pelo simples contato da praga com o produto..

Quando ingeridos pelo homem, os agrotóxicos causam problemas de saúde. Os inseticidas clorados, por exemplo, provocam lesões no fígado e nos rins, e, em doses mais altas podem levar à morte. Já os inseticidas fosforados provocam excesso de transpiração, salivação abundante, dores abdominais, vômito e diarréia.

Os inseticidas constituídos de carbono, usados na agricultura para matar pulgões, provocam a morte mesmo em quantidade mínima. Os inseticidas botânicos, usados em residências para matar mosquitos, são mais fracos e podem desencadear alergias e asma. Os herbicidas em doses pequenas são capazes de causar fibrose muscular e impossibilitar a respiração. Já os fungicidas podem provocar câncer.

Além de atingirem os órgãos, os agrotóxicos podem causar alterações nos aparelhos humanos, como o nervoso e o circulatório. Atualmente, existe a preocupação de alterações na quantidade de células, que resultariam em tumores. Outra grande questão é a da alteração molecular, ou seja, os agrotóxicos atuariam no interior das células humanas.

Nos últimos anos, houve grande crescimento na utilização de agrotóxicos no Brasil, o que tem sido associado ao aumento vertiginoso dos riscos de contaminação prejudiciais à saúde.

O descuido com os agrotóxicos pode ser fatal e causar agravos à saúde, tais como: irritações na pele e nos olhos, problemas respiratórios, câncer em vários órgãos e distúrbios sexuais, como a impotência e a esterilidade.

No meio ambiente, o uso abusivo de agrotóxicos têm trazido comprometimentos relativos à contaminação do ar, solo, água e dos seres vivos, determinando a extinção de espécies de menor amplitude ecológica.

Com o objetivo de monitorar o cumprimento da legislação sobre o grau permitido de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, quais produtos podem ser utilizados em cada colheita e garantir que produtos como frutas, verduras e legumes cheguem com qualidade e segurança à mesa dos brasileiros.

Durante o ano de 2007, o tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos em relação ao resultado anterior.

Estudo transversal realizado em Nova Friburgo avaliou 102 agricultores, com os seguintes resultados:

70% não usavam EPIs regularmente; 42% já se sentiram mal após aplicar o agrotóxico; 12,8 % casos de neuropatia tardia; 28,5 % casos de distúrbios neuropsiquiátricos;

Estudo sobre avaliação neuropsiquiátrica (Salvi et al., 2003) detectou alterações compatíveis com parkinsonismo em 32% dos trabalhadores fumicultores expostos a organofosforados avaliados, sendo que a dosagem de acetilcolinesterase permaneceu normal.

– A OMS estima que 40.000 casos de câncer sejam causados por agrotóxicos a cada ano; – A exposição a agentes químicos, dentre eles os agrotóxicos, é uma das condições potencialmente associadas ao desenvolvimento de câncer, por sua possível atuação como iniciadores e/ou promotores tumorais.

Vários agrotóxicos fazem parte da Lista dos prováveis “Disruptores Endócrinos”, produtos capazes de desequilibrarem o sistema endócrino, causando alterações comportamentais, anomalias na função reprodutiva (criptorquidia, hipospádia, alteração qualidade do sêmen) e certos tipos de câncer que sofrem influência de hormônios.

Consiste em 100 bilhões de células, ou neurônios; com trilhões de conexões entre elas. Dos elos em rede, os bancos memoriais são criados e interligados. Na morte de cada neurônio, novas relações se formam entre os remanescentes.

Ler e praticar atividades variadas auxilia ao cérebro como exercício. Pesquisas indicam a delimitação de parte das perspectivas evolucionais do ponto de vista psicomaturacional da consciência humana. Foram observados 46 estágios de padrões comportamentais compreendidos em dez grandes redes sinápticas.

Cerca de 40% da produção agrícola se perde por causa de doenças, pragas e ervas daninha. As pragas são as que mais causam danos, pois seu combate pode ser contraproducente. A utilização de uma imensa variedade de agrotóxicos afeta mais as espécies de insetos e aves que as próprias pragas. Os agrotóxicos também podem ter efeitos muito graves na saúde dos agricultores encarregados de aplicá-los.

A contaminação das águas por agrotóxicos se dá por deriva de aplicações, pela lixiviação e erosão do solo, que podem carrear até 15% dos produtos para o sistema aquático, pela disposição inadequada das embalagens, pela lavagem dos equipamentos contaminados e pelos efluentes das indústrias de agrotóxicos.

Um levantamento realizado pela EPA nos EUA concluiu que 10,4% dos reservatórios comunitários de água e 4,2% dos poços domésticos da zona rural apresentavam níveis detectáveis de agrotóxicos.

Para eliminar o excesso de elementos tóxicos no organismo é aconselhável a ingestão diária de grande quantidade de água. A alimentação rica em fibras também ajuda a limpar o corpo dos resíduos nocivos à saúde.

Caroline Machado

Fonte: www.ceedo.com.br

Agrotóxicos

Cuidados no uso de agrotóxicos

RECOMENDAÇÕES PARA DESCARTE DE EMBALAGENS VAZIAS DE AGROTÓXICOS

Não abandone embalagens vazias de agrotóxicos na lavoura, em carreadores, caminhos, estradas, cercas e, principalmente, nas margens ou em rios, córregos, açudes ou outras fontes de água, e ainda nas matas.

Assegure-se que todas as embalagens estão totalmente vazias. Use todo o conteúdo, não deixando restos.

Embalagens que contenham líquidos devem ter uma tríplice lavagem, ou seja, devem ser lavadas três vezes com água limpa: e a água de lavagem deve ser adicionada ao tanque de pulverização.

Após a tríplice lavagem, as embalagens devem ser furadas na sua parte inferior (fundo) para assegurar que não serão reutilizadas.

As embalagens de produtos granulados ou pó molháveis não devem sofrer a tríplice lavagem. Devem ser separadas e guardadas temporariamente em local seguro ou depósito intermediário de lixo tóxico, até a adequada destinação final.

As embalagens plásticas contendo líquidos após a tríplice lavagem devem ser guardadas temporariamente em local apropriado, devidamente identificado, até a adequada destinação final.

Ao lidar com embalagens, é obrigatório o uso de equipamento de proteção individual (EPI).

Para descarte de embalagens vazias de agrotóxicos, siga corretamente as informações existentes no rótulo dos produtos.

ORIENTAÇÃO SOBRE O USO DE AGROTÓXICOS

A. PRECAUÇÕES DE USO

Durante a manipulação de agrotóxicos, preparo de calda ou aplicação dos produtos, e obrigatório o uso de equipamento de proteção individual (EPI) recomendado.
Uso exclusivamente agrícola.
Mantenha afastadas das áreas tratadas, as crianças, os animais e pessoas desprotegidas, durante e após a aplicação dos agrotóxicos.
Mantenha os agrotóxicos em sua embalagem original bem fechada, em lugar seco, ventilado, longe do fogo e guardado em armário específico para agrotóxicos.
Não utilize equipamentos com vazamentos.
Não desentupa bicos, mangueiras, válvulas, orifícios, etc. com a boca. Verifique o funcionamento do equipamento usando apenas água.
Aplique os agrotóxicos na dosagem recomendada.
Distribua o produto da embalagem sem contato manual.
Não manipule e não aplique agrotóxicos durante as horas mais quentes do dia ou com ventos fortes.
Não comer, beber ou fumar durante o manuseio ou aplicação de agrotóxicos.
Não misture duas ou mais formulações para aplicação. salvo estejam devidamente autorizadas pelo órgão competente e por esta receita.
Nunca deixe embalagem aberta.
Evite aspiração ou inalação dos agrotóxicos.
Evite o contato com a pele e com os olhos.
Respeite o intervalo de segurança para reentrar em lavouras tratadas. observando as recomendações do rótulo, bula ou folheto explicativo. Caso não existam recomendações, águardar pelo menos 24 horas de intervalo entre o tratamento da lavoura e a reentrada.
É proibida a reutilização de embalagens de agrotóxicos. Em caso de suspeita de intoxicação, procurar imediatamente um médico, mantendo a pessoa num ambiente arejado e fresco.
Após a utilização de agrotóxicos, remover as roupas protetoras para lavagem e tomar banho com bastante sabão e água fria.

B. PRIMEIROS SOCORROS

Leia e siga as instruções do rótulo, bula ou folheto explicativo.
Remova o suspeito de intoxicação para local arejado, protegendo-o do calor e do frio.
Mantenha o paciente calmo e confortável.
Nunca dê leite ou medicamento sem a devida orientação.
Nunca provoque vômito sem antes verificar se tal procedimento é permitido para o produto utilizado.
Não provocar vômito e nem dar nada nada por via oral a uma pessoa inconsciente.
Se existir parada de respiração, execute respiração ar1ificial.
Em caso de contato com a pele, lave imediatamente as partes atingidas com bastante água e sabão, e se houver sinais de irritação, procure um médico.
Em caso de contato com os olhos, lave-os imediatamente com água corrente durante 15 minutos. Se houver sinais de irritação, procure um médico (oftalmologista) se for o caso).
Antídotos só devem ser ministrados por pessoas qualificadas.
Em caso de suspeita de intoxicação, procure um médico imediatamente levando a embalagem, rótulo, bula, folheto explicativo do produto ou esta receita.

C. PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE

Abastecimento e limpeza de equipamentos : toda a propriedade deve dispor de um local próprio para abastecimento e limpeza dos equipamentos de pulverização para que os resíduos dos agrotóxicos não venham a poluir as fontes e mananciais de água. Nunca captar água diretamente de cursos ou coleções de água com os equipamentos de aplicação de agrotóxicos. Disponha de abastecedouro apropriado.

Nunca despejar os resíduos de calda dos equipamentos e de pulverização nos rios ou lugares em que as chuvas arrastem as sobras para os cursos de água.
Nunca prepare mais calda do que a quantidade a ser aplicada, assim não sobrarão restos a despejar.
As águas residuárias com agrótóxicos resultantes da lavagem dos equipamentos e embalagens utilizadas deverão ter a destinação final própria para não serem levadas às fontes ou cursos de água ,em geral.
Manter distância mínima de 250 metros das fontes e mananciais de captação de água para as populações, núcleos populacionais. escolas, habitações e locais de recreação, quando utilizar equipamentos atomizadores ou canhões. No caso de equipamentos de tração motora, de barra ou costais, a distância mínima é de 50 metros.
Adotar medidas de manejo de solo e controle de erosão para evitar que as partículas de solo com agrotóxicos sejam arrastadas para as fontes e mananciais de água.
Não reutilize qualquer tipo de embalagem de agrotóxico.

Fonte: www.crea-sc.org.br

Agrotóxicos

Agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (Lei Federal 7.802 de 11.07.89).

Os agrotóxicos são importantes para a bananicultura, todavia, exigem precaução no seu uso, visando a proteção dos operários que os manipulam e aplicam, dos consumidores de banana, dos animais de criação, de abelhas, peixes, de organismos predadores e parasitas, enfim, do meio ambiente.

Agrotóxicos
Agrotóxicos

Na tentativa de defender a agricultura contra pragas que atacam as plantações, os agrotóxicos foram criados.

A utilização de agrotóxicos teve inicio na década de 20 e, durante a segunda guerra mundial, eles foram utilizados até como arma química. No Brasil, a sua utilização tornou- se evidente em ações de combate a vetores agrícolas na década de 60. Alguns anos depois, os agricultores foram liberados a comprar este produto de outros países.

Quando bem utilizados, os agrotóxicos impedem a ação de seres nocivos, sem estragar os alimentos. Porém, se os agricultores não tiverem alguns cuidados durante o uso ou extrapolarem no tempo de ação dos agrotóxicos, estes podem afetar o ambiente e a saúde.

O Brasil é hoje um dos maiores compradores de agrotóxicos do mundo e as intoxicações por estas substâncias estão aumentando tanto entre os trabalhadores rurais que ficam expostos, como entre pessoas que se contaminam através dos alimentos.

Alguns estudos já relataram a presença de agrotóxicos no leite materno, o que poderia causar defeitos genéticos nos bebês nascidos de mães contaminadas. Os agrotóxicos são substâncias químicas (herbicidas, pesticidas, hormônios e adubos químicos) utilizadas em produtos agrícolas e pastagens, com a finalidade de alterar a composição destes e, assim, preservá-los da ação danosa de seres vivos ou substâncias nocivas.

Utilização

Eles podem ser encontrados em vegetais (verduras, legumes, frutas e grãos), açúcar, café e mel. Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal, quando ele se alimenta de água ou ração contaminadas.

Males à natureza e perigos à saúde: Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna -, em alguns casos de forma irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos. Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso destas substâncias.

Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica.

Na aguda, os sintomas surgem rapidamente.

Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer.

Fonte: biblioteca.planejamento.gov.br

Agrotóxicos

Na tentativa de defender a agricultura contra pragas que atacam as plantações, os agrotóxicos foram criados.

A utilização de agrotóxicos teve inicio na década de 20 e, durante a segunda guerra mundial, eles foram utilizados até como arma química.

No Brasil, a sua utilização tornou-se evidente em ações de combate a vetores agrícolas na década de 60. Alguns anos depois, os agricultores foram liberados a comprar este produto de outros países. Quando bem utilizados, os agrotóxicos impedem a ação de seres nocivos, sem estragar os alimentos. Porém, se os agricultores não tiverem alguns cuidados durante o uso ou extrapolarem no tempo de ação dos agrotóxicos, estes podem afetar o ambiente e a saúde.

O Brasil é hoje um dos maiores compradores de agrotóxicos do mundo e as intoxicações por estas substâncias estão aumentando tanto entre os trabalhadores rurais que ficam expostos, como entre pessoas que se contaminam através dos alimentos. Alguns estudos já relataram a presença de agrotóxicos no leite materno, o que poderia causar defeitos genéticos nos bebês nascidos de mães contaminadas.

O que são?

Os agrotóxicos são substâncias químicas (herbicidas, pesticidas, hormônios e adubos químicos) utilizadas em produtos agrícolas e pastagens, com a finalidade de alterar a composição destes e, assim, preservá-los da ação danosa de seres vivos ou substâncias nocivas.

Em que alimentos podem ser encontrados?

Eles podem ser encontrados em vegetais (verduras, legumes, frutas e grãos), açúcar, café e mel. Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal, quando ele se alimenta de água ou ração contaminadas.

Males à natureza e perigos à saúde

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna -, em alguns casos de forma irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos. Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso destas substâncias.

Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. Na aguda, os sintomas surgem rapidamente.

Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer.

Uma nova opção

Alguns consumidores, não satisfeitos em consumir alimentos que possam conter resíduos tóxicos, estão exigindo a produção de alimentos fabricados e armazenados sem agrotóxicos. Os alimentos orgânicos – isentos de agrotóxicos – estão ganhando a atenção dos consumidores interessados neste assunto.

A ANVISA é responsável por fiscalizar produtos contaminados por agrotóxicos. Se uma empresa vender produtos que têm contaminantes em excesso – a ponto de prejudicar o ambiente ou a saúde – ela sofrerá advertência, multa ou apreensão do produto.

Na tentativa de defender a agricultura contra pragas que atacam as plantações, os agrotóxicos foram criados.

A utilização de agrotóxicos teve inicio na década de 20 e, durante a segunda guerra mundial, eles foram utilizados até como arma química. No Brasil, a sua utilização tornou-se evidente em ações de combate a vetores agrícolas na década de 60. Alguns anos depois, os agricultores foram liberados a comprar este produto de outros países.

Quando bem utilizados, os agrotóxicos impedem a ação de seres nocivos, sem estragar os alimentos. Porém, se os agricultores não tiverem alguns cuidados durante o uso ou extrapolarem no tempo de ação dos agrotóxicos, estes podem afetar o ambiente e a saúde.

O Brasil é hoje um dos maiores compradores de agrotóxicos do mundo e as intoxicações por estas substâncias estão aumentando tanto entre os trabalhadores rurais que ficam expostos, como entre pessoas que se contaminam através dos alimentos.

Alguns estudos já relataram a presença de agrotóxicos no leite materno, o que poderia causar defeitos genéticos nos bebês nascidos de mães contaminadas.

O que são?

Os agrotóxicos são substâncias químicas (herbicidas, pesticidas, hormônios e adubos químicos) utilizadas em produtos agrícolas e pastagens, com a finalidade de alterar a composição destes e, assim, preservá-los da ação danosa de seres vivos ou substâncias nocivas.

Em que alimentos podem ser encontrados?

Eles podem ser encontrados em vegetais (verduras, legumes, frutas e grãos), açúcar, café e mel. Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal, quando ele se alimenta de água ou ração contaminadas.

Males à natureza e perigos à saúde

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação dos recursos naturais – solo, água, flora e fauna -, em alguns casos de forma irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos.

Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso destas substâncias.

Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. Na aguda, os sintomas surgem rapidamente.

Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer.

Fonte: www.healthy.com.br

Agrotóxicos

USO DE AGROTÓXICOS E A SAÚDE HUMANA

INTRODUÇÃO

O uso dos agrotóxicos em todo o mundo tem gerado inúmeros impactos negativos tanto para o meio ambiente como para a saúde humana.

As estimativas feitas pelas agências internacionais de saúde são extremamente preocupantes, indicando não só problemas de intoxicações agudas determinadas pelo contato direto com produtos altamente tóxicos e de conseqüências imediatas podendo levar o indivíduo à morte, mas também e principalmente problemas crônicos determinados pelo contato tanto direto como indireto a produtos muitas vezes de baixa toxicidade aguda e por tempo prolongado.

Esta abordagem se apresenta mais adequada para o atual estágio de uso dos agrotóxicos, ou seja, ao lado das intoxicações clássicas agudas, descritas nos compêndios médicos, visualizarmos os efeitos adversos, ou as doenças relacionadas aos agrotóxicos, que podem ser originadas de uma intoxicação aguda, ou ser resultante do contato e exposição de longo prazo aos vários produtos à disposição da população, seja ela urbana ou rural.

O Brasil, por suas características de país com grande produção agrícola e com pequena estrutura social para controle desta situação, tem apresentado dados de contaminação da população rural e urbana por agrotóxicos que indicam uma alta gravidade da situação do ponto de vista da saúde pública.

Epidemiologia das Doenças Relacionadas aos Agrotóxicos: O risco determinado pelos agrotóxicos ou a probabilidade de um indivíduo adoecer pela ação destes produtos é dado pela exposição que a pessoa tem a eles e a toxicidade dos produtos. Assim se há uma alta exposição, mesmo que o produto tenha baixa toxicidade, o risco é alto, como ao inverso com baixa exposição e alta toxicidade, o risco se mantém alto.

A questão da toxicidade não se resume, infelizmente, a ser alta ou baixa, mas a problemas toxicológicos que diversos agrotóxicos possuem, mesmo considerados de baixa toxicidade, pois esta referencia é somente para problemas agudos, imediatos. Portanto, se há problemas ou de exposição ou de toxicidade do veneno, a probabilidade de adoecer é grande.

Segundo as estatísticas oficiais do Ministério da Saúde pelo Sintox (Sistema Nacional de Informações Tóxicofarmacológicas), para o ano de 1998, 5914 casos de intoxicação por agrotóxicos no país. Destes casos notificados, que sabe-se haver um imenso sub-registro, metade deles ocorreram na zona urbana, indicando que esta problemática não se atém ao setor agro-pecuário e tampouco ao trabalhador rural isoladamente mas é sim uma questão de saúde pública.

Grupos Populacionais com Exposição a Agrotóxicos: Vários grupos populacionais podem ter contato e exposição aos agrotóxicos e apresentar efeitos adversos à saúde.

Profissionais:

Trabalhadores nas Industrias Formuladoras e de Síntese Trabalhadores de Transporte e Comércio Trabalhadores de Firmas desinsetizadoras Trabalhadores da Saúde Pública Trabalhadores da Agropecuária

População em Geral:

Acidentes Resíduos em Água Resíduos em Alimentos Campanhas de Saúde Pública Uso Domiciliar

Em relação aos alimentos, apesar de não haver do ponto de vista de saúde pública nenhuma situação de alarme com níveis altos de resíduos detectáveis nos principais produtos alimentares que compõem a cesta básica da população; pelo fato de não haver nenhum monitoramento sistematizado de alimentos no país e alguns estudos pontuais mostrarem contaminações diversas, isto indica uma situação preocupante que exigiria uma ação técnica mais concreta.

Principais Agrotóxicos de Importância em Saúde Pública:

Inseticidas organofosforados organoclorados piretróides Fungicidas ditiocarbamatos Herbicidas fenoxiacéticos dipiridílicos Fumigantes brometo de metila fosfeto de alumínio

Todos esses agrotóxicos podem e determinam intoxicações agudas, efeitos adversos crônicos e doenças de diversas naturezas e muitas vezes levam o indivíduo contaminado à morte seja de forma abrupta (agudos), ou insidiosa (crônicos).

É fundamental que se desenvolvam ações técnicas nas áreas de saúde, educação e principalmente agricultura no sentido de diminuir o forte impacto que esta tecnologia, que veio para beneficiar a Humanidade, vem exercendo na saúde pública e no meio ambiente.

ANGELO ZANAGA TRAPÉ

Fonte: www.feagri.unicamp.br

Agrotóxicos

AGROTÓXICOS: Responsabilidade de Todos

1. O Problema

1.1 – Histórico O uso de substancias químicas orgânicas ou inorgânicas em agricultura, remontam a antigüidade clássica. Escritos de Romanos e Gregos mencionavam o uso de certos produtos como o arsênico e o enxofre para o controle de insetos nos primórdios da agricultura.

A partir do século XVI até fins do século XIX o emprego de substâncias orgânicas como a Nicotina e Piretros extraídos de plantas eram constantemente utilizados na Europa e EUA também com aquela finalidade.

A partir do início do século XX iniciaram-se os estudos sistemáticos buscando o emprego de substâncias inorgânicas para a proteção de plantas, deste modo, produtos à base de Cobre, Chumbo, Mercúrio, Cádmio, etc., foram desenvolvidos comercialmente e empregados contra uma grande variedade de pragas, porém com limitada eficácia.

Todavia, a partir da Segunda Guerra Mundial, com a descoberta do extraordinário poder inseticida do organoclorado DDT e, organofosforado SHARADAM, inicialmente utilizado como arma de guerra, deu-se início à grande disseminação dessas substâncias na Agricultura.

A partir dos anos 60, Os agrotóxicos , passam a ser amplamente difundidos como parte fundamental da agricultura moderna “revolução verde brasileira”.

1.2 Danos à Saúde Humana e Animal Basicamente podemos classificar os efeitos dos agrotóxicos em agudos e crônicos, sendo estes últimos ainda pouco pesquisados, embora devastadores para o organismo. Há pelo menos 50 agrotóxicos que são potencialmente carcinogênicos para o ser humano.

Outros efeitos são neurotoxidade retardada, lesões no Sistema Nervoso Central - SNC, redução de fertilidade, reações alérgicas, formação de catarata, evidências de mutagenicidade, lesões no fígado, efeitos teratogênicos entre outros, compõem o quadro de morbimortalidade dos expostos aos agrotóxicos.

As principais lesões apresentadas, pelos expostos a ação direta ou indireta dos agrotóxicos, geralmente utilizados na agricultura irrigada, segundo o médico Dr. Flávio Zambrone, do Centro de Intoxicação da UNICAMP, estão relacionadas no (Quadro 1). (Garcia, 1991).

QUADRO 1

AÇÕES OU LESÕES CAUSADAS PELOS AGROTÓXICOS AO HOMEM TIPO DE AGROTÓXICO UTILIZADO
Lesões hepáticas Inseticidas organoclorados
Lesões renais Inseticidas organoclorados

Fungicidas fenil-mercúricos

Fungicidas metoxil-etil-mercúricos

Neurite periférica Inseticidas organofosforados

Herbicidas clorofenóxis (2,4-D e 2,4,5-T)

Ação neurotóxica retardada Inseticidas organofosforados

Desfolhantes (DEF e merfós ou Folex)

Atrofia testicular Fungicidas tridemorfo (Calixim)
Esterilidade masculina por oligospermia Nematicida diclorobromopropano
Cistite hemorrágica Acaricida clordimeforme
Hiperglicemia ou diabetes transitória Herbicidas clorofenóxis
Hipertemia Herbicidas dinitrofenóis e pentaclorofenol
Pneumonite e fibrose pulmonar Herbicida paraquat (Gramoxone)
Diminuição das defesas orgânicas pela diminuição dos linfócitos imunologicamente competentes (produtores de anticorpos) Fungicidas trifenil-estânicos
Reações de hipersensibilidade (urticárias, alergia, asma) Inseticidas piretróides
Teratogênese Fungicidas mercuriais

Dioxina presente no herbicida 2,4,5-T

Mutagênese Herbicida dinitro-orto-cresol

Herbicida trifluralina

Inseticida organoclorado

Inseticida organofosforado

Carcinogênese Diversos inseticidas, acaricidas, fungicidas, herbicidas e reguladores de crescimento

A agricultura que se desenvolve no Estado de Pernambuco, por exemplo, nas distintas regiões de intensa produção agrícola, tem utilizado agrotóxicos incorretamente.

Os trabalhadores rurais não são capazes de entender as recomendações contidas nos rótulos dos produtos, e não, utilizam o receituário agronômico como orientação técnica, acarretando problemas de intoxicações agudas. Os mais sérios problemas estão nos métodos de aplicação, na freqüência e quantidade utilizadas, geralmente maior que o recomendado.

A exposição continuada, por período longo, a níveis relativamente baixos de agrotóxicos pode afetar a saúde humana, levando a casos crônicos, mal definidos, às vezes extremamente graves.

Casos de intoxicações por agrotóxicos são freqüentemente observados e relatados, pelos trabalhadores. O uso desordenado e excessivo desses produtos acarreta também impacto econômico negativo nos agricultores, com nítidas repercussões sociais.

A ação neurotóxica retardada provocada entre outros pelos inseticidas do grupo dos organofosforados foi comprovada recentemente em trabalho realizado no município de Vitória de Santo Antão-PE., pelas fonoaudiólogas (Teixeira e Brandão, 1996) onde dos 98 aplicadores de agrotóxicos pesquisados, 56 apresentaram perda auditiva e 42 foram classificados dentro do padrão de normalidade.

É importante ressaltar que embora com riscos direto e indireto para os agricultores, formuladores ou comerciantes, os agrotóxicos estão presentes no nosso dia a dia através dos resíduos nos alimentos.

Segundo (Araújo, 1998) em pesquisa realizada nos municípios de Camocim de São Félix e Petrolina, na cultura de tomate, 11% das amostras provenientes da produção de tomate industrial estavam impróprias para consumo, em virtude dos níveis de metamidofós encontrados; a situação da produção de tomate de mesa foi mais grave, visto que 53,1% das amostras de tomate violaram o estabelecido pela legislação brasileira com respeito a resíduos tóxicos, com valores acima do permitido para o inseticida organofosforado metamidofós e a presença ilegal do organoclorado endosulfan.

Outra fonte de contaminação humana ou animal são os produtos domissanitários utilizados nas residências para controle de vetores e combate a ectoparazitas.

A Organização Mundial de Saúde – O.M.S., estima que 30% dos casos não intencionais de intoxicação humana sejam de origem não ocupacional.

1.3 Impactos no Meio Ambiente A falta de informação parece ser o maior efeito dos agrotóxicos sobre o meio ambiente. Desenvolvidos para terem ação biocida, são potencialmente danosos para todos os organismos vivos, todavia, sua toxidade e comportamento no ambiente varia muito.

Esses efeitos podem ser crônicos quando interferem na expectativa de vida, crescimento, fisiologia, comportamento e reprodução dos organismos e/ou ecológicos quando interferem na disponibilidade de alimentos, de habitats e na biodiversidade, incluindo os efeitos sobre os inimigos naturais das pragas e a resistência induzida aos próprios agrotóxicos. Sabe-se que há interferência dos agrotóxicos sobre a dinâmica dos ecossistemas, como nos processos de quebra da matéria orgânica e de respiração do solo, ciclo de nutrientes e eutrofização de águas.

Pouco se conhece entretanto sobre o comportamento final e os processos de degradação desses produtos no meio ambiente. Os dados de contaminação ambiental que mais parece preocupar a opinião pública nos países desenvolvidos são as contaminações do ar do solo e principalmente das águas.

Há evidencias que algumas substâncias são transportadas a grandes distâncias pela volatilização, retornando junto com a precipitação, contaminando áreas não tratadas, tendo sido detectadas até em solos urbanos.

A maior parte dos agrotóxicos utilizados acabam atingindo o solo e as águas principalmente pela deriva na aplicação, controle de ervas daninhas, lavagem das folhas tratadas, lixiviação, erosão, aplicação direta em águas para controles de vetores de doenças, resíduos de embalagens vazias, lavagens de equipamentos de aplicação e efluentes de indústrias de agrotóxicos.

Um levantamento nacional realizado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) concluiu que aproximadamente 10,4% dos 94.600 reservatórios comunitários de água e 4,2% dos 10.500.000 poços domésticos da Zona Rural apresentam presença de resíduos de agrotóxicos, sendo que 0,6% acima dos limites permitidos (Garcia, 1996).

No Brasil, praticamente não há vigilância dos sistemas aquáticos, nem monitoramento ou tratamento de águas de consumo para detectar e/ou eliminar agrotóxicos, sendo muito provável que tenhamos o mesmo problema ampliado. No Estado do Paraná, no período de 1976 a 1984, de 1825 amostras de água colhidas nos rios, sem finalidades estatísticas mas para atender a outros fins, a SUREHMA (Superintendência dos Recursos Hídricos e Meio Ambiente) constatou que 84% apresentaram resíduos e 78% ainda estava contaminada depois dos tratamentos convencionais de água.

Nos sistemas aquáticos estão inclusos os peixes, um recurso natural dos mais importantes, pois está intimamente ligado à sobrevivência do homem, sendo por muitas vezes a principal fonte de alimento de determinadas populações. A conservação deste recurso depende de técnicas de manejo adequadas que garantam a reprodução das espécies e a proteção dos alevinos, além da fiscalização eficiente do cumprimento da legislação em vigor e da educação ambiental.

A fauna ictiológica reclama a mesma proteção que as florestas, os animais silvestres e os campos agricultáveis, afinal os produtos oriundos destes ambientes, tornar-se-ão alimentos humanos, e, caso estejam contaminados com agrotóxicos trarão reflexos irreversíveis ao bem estar e a qualidade de vida das populações consumidoras.

A Constituição Federal em seu art. 24, inciso VI, atribui competência à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente, sobre: florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição.

2. Controle dos Riscos

Ao analisar este aspecto na questão dos agrotóxicos, faz-se necessário considerar que os impactos perniciosos ao meio ambiente, através desses produtos. na saúde humana ou animal, podem originar-se em diversos pontos.

As situações de risco de acidentes podem acontecer nas seguintes formas:

NA FONTE ------------------>NA FONTE ------------------> NA TRAJETÓRIA NO ALVO

Na fonte: O controle na fonte poderia ser feito através de medidas legais que estipulassem metas a serem atingidas pelas industrias produtoras ou registrantes com vistas a obtenção de produtos cada vez de menor toxidade aguda ou crônica para os seres vivos e de menor capacidade de persistência no ambiente, até a produção de substâncias inócuas.

Enquanto não fosse atingida a situação ideal em termos de proteção dos seres vivos e ambiente, as industrias ficariam responsáveis pelo recolhimento e destinação final das embalagens utilizadas e inativação de produtos vencidos. Considerando-se o alto custo de produção de novas moléculas, poderia haver estímulos fiscais que para intensificação de tais medidas.

Na trajetória: Após produzido inicia-se nova etapa da seqüência de riscos, tais como durante o transporte, comercialização e uso inadequado dos agrotóxicos.

Nesta etapa, a outros atores cabe, cada qual com sua parcela, a responsabilização pelos danos que venham a ocorrer. Por exemplo, o controle efetivo do comércio pelas Secretarias de Agricultura e a exigência pelos CREAs da prescrição do receita agronômica, poderiam criar barreiras à etapa seguinte que seria o uso inadequado (vide legislações). Nesta fase, a ação educativa da estrutura institucional já existente (EMATER, SENAR, etc.) concomitantimente às outras medidas seria acionada permanentemente.

No alvo: Nesta fase, a proteção individual dos aplicadores e manipuladores teria que ser estimulada através da conscientização dos trabalhadores.

Alguns instrumentos tais com: o desenvolvimento de Equipamentos de Proteção Individual – E.P.I., adequados ao nosso clima, a obrigatoriedade de inclusão nos projetos de financiamento agrícola da aquisição de EPIs. Logicamente nas empresas seria aplicado o disposto no Capitulo 4.2 das Normas Regulamentadoras Rurais – N.R.R., relativas a segurança e saúde do trabalhador rural, aprovados pela portaria Mtb nº 3.067, de 12 de abril de 1988 onde dispõe que: “O empregador rural é obrigado a fornecer gratuitamente, EPI adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento”.

Outra ação, e neste caso cabe ao Estado, o disposto na portaria nº 168 de 15.05.97 da Secretaria de Vigilância Sanitária, que institui a nível nacional a Vigilância Epidemiológica no uso dos agrotóxicos, deste modo, teríamos uma estatística confiável em termos de casos de agravos à saúde pelo uso dos agrotóxicos, subsidiando a intensificação de ações preventivas em determinadas regiões.

Paralela à ação educativa do agricultor, poderia se estimular a implantação do “SELO VERDE” onde determinado produto só seria comercializado nos centros de distribuição de hortifrutigrangeiros, se apresentassem resíduos de agrotóxicos dentro dos limites legais. Para isso, seria necessário a implantação de uma rede de Laboratórios e pontos de coleta de produtos para análise periódica. Nesta fase, terá fundamental importância a mobilização da sociedade enfatizando os riscos do consumo dos produtos contaminados.

3. Legislação

A legislação que trata da questão dos agrotóxicos é a seguinte: Legislação Federal de Agrotóxicos e Afins - Lei nº 6.894, de 16 de Dezembro de 1980 – Dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção de fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes ou biofertilizantes, destinados à agricultura, e dá outras providências.

Legislação Federal de Agrotóxicos e Afins - Lei nº 7.802, de 11 de Julho de 1989, regulamentada pelo Decreto nº 98.816, de 11 de Janeiro de 1990 – Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle a inspeção e a fiscalização dos agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências.

Legislação Federal - Lei nº 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998 – Dispõe sobre Crimes Ambientais.

Legislação Estadual de Agrotóxicos - Lei nº 10.692, de 27 de Dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto nº 15.839, de 15 de Junho de 1992. – Dispõe sobre inspeção e fiscalização dos agrotóxicos, corretivos, fertilizantes, inoculantes, estimulantes e biofertilizantes Portaria Mtb nº 3.067. de 12 de Abril de 1988. Previstas no Artº 13, da Lei nº 5.889, de 05 de Junho de 1.973. Normas Regulamentadoras Rurais – Relativas à Segurança e Saúde dos Trabalhadores.

Portaria nº 168, de 15 de Maio de 1997 da Secretaria de Vigilância Sanitária que institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde, o Programa de Vigilância Sanitária dos Ambientes e das populações expostas a Agrotóxicos, com o objetivo de estabelecer o controle do processo saúde-doenças relacionadas com a exposição aos agrotóxicos.

4. Responsabilidades

O enfoque simplista vigente até então, responsabiliza o aplicador por todos os danos resultantes desta problemática questão. Normalmente o “uso adequado ou inadequado dos agrotóxicos” é o foco principal abordado por todos os envolvidos, desde os fabricantes/registrantes, passando pelos técnicos/instituições, comerciantes, até o próprio agricultor.

Segundo o periódico Defesa Vegetal (1985), o uso adequado dos defensivos agrícolas, deve objetivar primordialmente os melhores resultados agronômicos no aumento da produtividade, melhoria na proteção das colheitas e, ao mesmo tempo, evitar os possíveis problemas de intoxicação, poluição ambiental e contaminação dos alimentos com resíduos não permitidos.

Em matéria intitulada “Acidentes no Brasil vem da falta de cuidados” publicada na Revista Agricultura de Hoje (1981), o então Secretário de Defesa Vegetal, do Ministério da Agricultura, sugeria que “Acidentes com Defensivos são normais, embora não sejam uma coisa desejável, porque eles acontecem em qualquer setor da atividade humana”.

Ainda nesta matéria o Secretário afirma que “grande parte dos acidentes não é devido aos defensivos agrícolas, mas a outros fatores, como e principalmente à sua má aplicação, à não observância do uso devido de equipamento e à falta de cuidados ao se manusear diretamente o produto”.

Este mesmo enfoque pode ser observado em artigo do presidente da EMATER-DF, (Revista Defesa Vegetal, 1984), órgão encarregado de assistência técnica e extensão rural no Distrito Federal, “Os defensivos Agrícolas não podem ser responsabilizados pela contaminação de alimentos e poluição do meio ambiente.

Quando ocorrem problemas desse tipo, a culpa é do manuseio inadequado do produto ......

A solução para os problemas eventuais provocados pelo uso dos defensivos é uma só: O esclarecimento e orientação quanto ao uso adequado”.

Em 1979, Régis Nei Rahal, presidente da então Associação Nacional de Defensivos Agrícolas, hoje Associação Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF, representante no Brasil dos produtores/registrantes de agrotóxicos, seguindo às primeiras medidas restritivas do governo brasileiro quanto ao uso de produtos organoclorados, altamente persistentes no ambiente e organismo animal, afirmou “O uso adequado dos defensivos agrícolas é uma tarefa do governo.

Mas hoje, no Brasil, estamos vivendo uma situação muito interessante. A situação do Proíba-se. Nunca do Evite-se. Precisamos passar para a situação do Eduque-se, levar uma mensagem educativa e o governo deve assumir esse papel” (Revista Informações Agropecuárias, 1979).

É interessante também observar que quando ultrapassa a questão do uso, a legislação atual não responsabiliza ninguém.

Por exemplo, na Legislação Federal de Agrotóxicos e afins, Seção III – Art. 46, de 1989 e a Lei Estadual de Agrotóxicos de 1991 em seu Art. 35, parágrafo 3º - dispõe: “O descarte de embalagens e resíduos de agrotóxicos e afins deverá atender às recomendações técnicas apresentadas na bula, relativas aos processos de incineração, enterrio e outros, observadas as exigências dos setores de saúde, agricultura e meio ambiente.

O problema é que nem as bulas atualmente vigentes, especifica os processos de destinação, nem foi regulamentado pelos setores referidos os procedimentos a respeito da questão”.

Um caminho a ser seguido é o do documento do Grupo de Trabalho coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente que propõe Anteprojeto de Lei a respeito de uma “Política de gestão de resíduos sólidos e dá outras providências” em seu Capitulo XIV – Art. 42; Dos resíduos da atividade rural, dispõe: As indústrias fabricantes de agrotóxicos e as fabricantes de embalagens deverão apresentar um plano de destinação de embalagens e de instalação de centrais de recolhimento, podendo contemplar soluções consorciadas que possibilitem o esgotamento do seu conteúdo, a sua lavagem interna, a reciclagem e a destinação final correta e segura das embalagens vazias e dos produtos vencidos.

5. A Experiência em Petrolândia

Na Região do Submédio São Francisco, área do Perímetro Irrigado da Barragem de Itaparica, localizada no Sertão Pernambucano, os projetos de irrigação vêm apresentando desde a sua implantação, diversos problemas relacionados à contaminação ambiental e a saúde dos homens e dos animais.

Além do lixo doméstico gerado nas cidades, povoados e agrovilas da região que não recebem nenhum tipo de tratamento, provocando a contaminação do solo, da água e do ar, levantamentos realizados têm demonstrado o acúmulo e abandono de um lixo tóxico gerado pelo descarte das embalagens vazias de agrotóxicos.

Abandonados no ambiente, ou reutilizados para outros fins, como transporte de água ou alimentos, esses resíduos permanecem anos nos Ecossistemas. Outro fato preocupante na região é o abandono de toneladas de produtos organoclorados de alto poder residual nas agrovilas, fruto de políticas de fomento agrícola irresponsavelmente conduzidas.

A convivência com os agrotóxicos e a falta de informação da população, tem gerado um quadro dramático de intoxicações agudas, além de não existirem informações acerca da morbidade resultante do uso desses produtos.

Por fim, estudos realizados sobre monitoramento da qualidade da água do Lago de Itaparica, revelam dados preocupantes, principalmente no tocante ao teor de amônia, que em alguns casos chegou a apresentar um valor dezessete vezes superior ao permitido para consumo humano e de animais; fato atribuído aos esgotos das cidades e aos fertilizantes utilizados nas áreas irrigadas que são carreados para o Lago.

Diante destes fatos e da constatação de que as instituições públicas e privadas, federais, estaduais e municipais, não vêm desempenhando adequadamente seus papéis no que diz respeito à questão sócio-ambiental da região, foi criado o Fórum Permanente de Meio Ambiente do Submédio São Francisco com a função básica de sistematizar ações e cobrar providências das autoridades competentes no tocante aos itens abaixo discriminados:

1. Acesso irrestrito às Informações relativas às Questões Ambientais inerentes às atribuições dessas instituições;
2.
Desenvolvimento e Implementação de um amplo Programa de Educação Ambiental enfocando os principais problemas da Região, apoiando e estimulando todas as Instituições de ensino, as Organizações governamentais e não Governamentais que atuam na área ambiental, para que elas capacitem seu pessoal na transmissão de conhecimento e práticas de vida, cuja adoção possa resultar em educação ambiental numa concepção multidiciplinar e holística. Desta forma, todas as lideranças envolvidas e as equipes de Assessoria Técnica, que exerçam influência sobre o pensamento coletivo, deverão ser preparadas, bem como, os profissionais da área de educação que atuam no ensino fundamental, que exercem um papel extremamente importante na formação do caráter e do sentimento de cidadania das crianças e jovens;
3. Desenvolvimento de estudos para a Identificação de Atividades Produtivas sustentáveis, sob os pontos de vista econômico, social, ambiental, tecnológico e cultural, considerando, inclusive, a existência de linhas de crédito no mercado apropriadas a essas alternativas;
4. Desenvolvimento de estudos de viabilidade objetivando-se a paulatina Mudança do Atual Modelo agrícola, baseado no uso intensivo de agroquímicos, para um Modelo competitivo de exploração agroecológica;
5. Instituição de Legislação Municipal ou Estadual especifica para tratamento da Questão dos Agrotóxicos, com ênfase nos aspectos mais relevantes, tais como:
6. Devolução de embalagens;
7. Proibição do uso de produtos já abolidos em outros países;
8. Destino final de agrotóxicos com prazo de validade vencida.
9. Instituição de um Plano de Monitoramento Ambiental objetivando:
10. Análise química da água no leito do rio e nos poços de observação dos Projetos de Irrigação, procurando-se identificar os níveis de intoxicação pelo uso de agrotóxicos;
11. Aplicação do receituário agronômico, notadamente quanto à prescrição, comercialização e uso de agrotóxicos;
12. Acompanhamento do tratamento e destinação do lixo, inclusive no que se refere às embalagens de agrotóxicos;
13. Implementação e a execução dos Sistemas de Vigilância Epidimiológica.

14. Todas essas ações tem o apoio e ação integrada da Comissão Estadual de Fitosanidade de Pernambuco, criada pelo Decreto nº 14.779 de 04 de fevereiro de 1991 do Governo do Estado, que tendo em vista o disposto no Artº 37, Inciso 2 e 4 da Constituição Estadual, onde estabelece em seu Artº 1º a sua finalidade de estabelecer a nível estadual, a política relacionada com a vigilância, controle e erradicação das pragas e doenças dos vegetais, bem como, o uso de agrotóxicos e seus efeitos no ambiente, na saúde humana e animal, em consonância com a legislação vigente.

6. Material e MétodosLocalizado da Microregião do Vale do Ipojuca do estado, o município de Brejo da Madre de Deus possui uma área geográfica de 845 Km com uma população estimada de 32.000 habitantes. Na economia do município, prevalece a produção primária, sendo as principais culturas agrícolas as plantações irrigadas de beterraba ,cenoura, repolho, tomate feijão, milho, banana e coco. (CONDEPE, 1995).

a) Amostragem

Com base no cadastramento da Secretaria Municipal de Saúde de Brejo da Madre de Deus, em desenvolvimento de trabalhos de cooperação técnica com o Núcleo de Saúde Pública - NUSP, do Centro de Ciências da Saúde da UFPE , foram aplicados Durante o ano de 1997 até o início de 1998, 892 questionários.

As perguntas tratavam das seguintes questões: tipo de atividade desenvolvida, área cultivada, uso de agrotóxicos, tipo de agrotóxicos, destino das embalagens, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), recebimento de orientação, existência de rio ou riacho na propriedade e outras, a fim de conhecer a realidade do uso de agrotóxico nas produções agrícolas locais, supondo ser o uso indiscriminado desses produtos uma das causas principais do agravamento das condições de saúde desse público-alvo.7. ConclusãoO consumo de Agrotóxicos vem tomando proporções cada vez maiores, sua utilização em larga escala é responsável por um grande número de mortes e doenças dos trabalhadores, além das conseqüências ao meio ambiente e do agravo nas condições de saúde da população consumidora dos alimentos.

Uma das maiores preocupações nesse sentido é com o grande número de vendas de agrotóxicos nos países periféricos e nos chamados “países em desenvolvimento”. Os índices apontam para o aumento desse consumo sem o controle e o alerta para os perigos da sua utilização, incluindo aí a ausência de uma fiscalização punitiva por parte do estado e da população .

Além de conseqüências diretas na saúde dos trabalhadores e da população, a implementação do uso de agrotóxicos minimiza as possibilidades de comercialização e exportação dos produtos, já que o sistema de vigilância internacional vem atentando para a intolerância dos resíduos dos agrotóxicos nos alimentos.

A utilização de agrotóxicos nas produções agrícolas vem acompanhando o desenvolvimento das forças produtivas, sendo responsável por graves conseqüências aos seres humanos, tanto aos que lidam diretamente com o produto – trabalhadores rurais e industriais – quanto a população em geral consumidora dos alimentos.

O uso abusivo de agrotóxicos no processo produtivo da agricultura pernambucana e seu impacto para saúde e meio ambiente, é de natureza complexa e envolve aspectos bio-sociais, políticos, econômicos e sócio-ambientais.

Tendo em vista o exposto neste trabalho, nossa interpretação é que a questão dos agrotóxicos, extrapola as atribuições individuais das organizações públicas ou privadas. Infelizmente não há tecnicamente, “à luz da ciência atual”, possibilidade da agricultura prescindir do uso dos agrotóxicos, soluções radicais de exclusão total e imediata da aplicação desses produtos, consideramos ser apenas uma retórica de abnegados preservacionistas.

Nossa consideração é que apenas através do entendimento dos atores envolvidos é que poderemos encontrar soluções definitivas a curto, médio e longo prazo. O próprio homem do mesmo modo que desestruturou os ecossistemas agrícolas pela implantação de monoculturas, poderá encontrar os caminhos para restabelecer o equilíbrio.

Enumeramos abaixo algumas atribuições de atores envolvidos na questão que poderiam ser assumidas de imediato:

Industria produtora / registrante:

assumir sua responsabilidade na recuperação e no ressarcimento de danos eventualmente causados ao ambiente ou ao homem;
estabelecer metas de redução gradativa da toxidade e persistência dos agrotóxicos;
iniciar imediatamente um programa nacional para destinação final e segura de agrotóxicos e produtos vencidos.

Governo:

aprimoramento dos técnicos envolvidos, em programas ciclicos de capacitação;
aprimoramento da legislação atual sobre a questão, e sua cobrança efetiva;
implementação de programas educativos para os agricultores;
implementação de programas de monitoramento de resíduos de agrotóxicos dos alimentos e ambiente;
implantação efetiva do Programa de Vigilância Sanitária dos ambientes e das populações expostas a agrotóxicos previstos na Portaria nº 168 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.

Produtores Rurais:

Responsabilização a respeito da extrapolação dos limites estabelecidos quanto aos resíduos, de maneira semelhante ao controle realizado nos produtos in natura para exportação.

Sociedade Civil:

Através de campanhas educativas aperiódica, alertar o consumidor sobre os danos à sua saúde, inclusive com orientação sobre as medidas coletivas ou individuais possíveis de serem tomadas para sua proteção.

A palavra chave é a PARCERIA. Só deste modo, com as responsabilidades eqüitativamente distribuídas, serão encontrados os caminhos que no futuro, nos conduzam ao desenvolvimento agrícola ecologicamente sustentável.8.

Referências Bibliográficas

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ARAÚJO, A. C. P. Importância da Análise de Resíduos de Praquicidas para Ações de Saúde Pública. Tese de Doutorado, USP. 235p. (1998).
AUGUSTO, L. G. S. Exposição ocupacional dos Agrotóxicos. Relatório de Pesquisa, Recife -PE. 1997. 150p.
GARCIA, E. G. Segurança e Saúde no Trabalho Rural. Dissertação de Mestrado, USP, 1996. 233p.
GARCIA, G.; ALMEIDA, W. F. Exposição dos trabalhadores rurais aos agrotóxicos no Brasil – Revista Brasileira de Saúde ocupacional, 72 – Vol. 19 – Jan, Fev, Mar, 1991.
MACHADO, J. G. N. Risco de Intoxicação na cultura do Citrus. Revista CIPA. S.P., Ano XVII 196, pp 81-86, 1996.
Revista Técnica Ciência Hoje, nº 22 - Volume 04 – Defensivos Agrícolas ou Agrotóxicos – Fev. 1997. 47p.
TEIXEIRA, C. F.; BRANDÃO, M. F. et al. Efeitos dos Agrotóxicos no sistema auditivo dos trabalhadores rurais, Recife – PE. 1996.
Defesa Vegetal, “A EMATER-DF faz campanha pelo uso adequado”, 4:7., 1984.
Defesa Vegetal, Ed. Extra II, “Uso adequado dos defensivos agrícolas”, 1985.
Informações Agropecuárias, “Para a ANDEF a agricultura só é viável com o uso de defensivos”, 1979
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Adeilson José de Luna

Leonardo Teixeira de Sales

Ronaldo Faustino da Silva

Fonte: www.segurancaetrabalho.com.br

Agrotóxicos

História

Agrotóxicos
Capa do livro "Silent Spring" reeditado recentemente com introdução do ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore.

Publicado em 1962, Primavera Silenciosa (Silent Spring) de Rachel Carson, foi a primeira obra a detalhar os efeitos adversos da utilização dos pesticidas e inseticidas químicos sintéticos, iniciando o debate acerca das implicações da atividade humana sobre o ambiente e o custo ambiental dessa contaminação para a sociedade humana.

A autora advertia para o fato de que a utilização de produtos químicos para controlar pragas e doenças estava interferindo com as defesas naturais do próprio ambiente natural e acrescentava: "nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem".

A mensagem era diretamente dirigida para o uso indiscriminado do DDT: barato e fácil de fazer, foi aclamado como o pesticida universal e tornou-se o mais amplamente utilizado dos novos pesticidas sintéticos antes que seus efeitos ambientais tivessem sido intensivamente estudados. Com a publicação de "Primavera Silenciosa" o debate público sobre agrotóxicos continuou através dos anos 60 e algumas das substâncias listadas pela autora foram proibidas ou sofreram restrições.

Cabe ressaltar que o deslocamento da questão dos agrotóxicos, antes restrita aos círculos acadêmicos e publicações técnicas para o centro da arena pública, foi, sem dúvida, o maior mérito de Rachel Carson, como pioneira na denúncia dos danos ambientais causados por tais produtos.

No Brasil, no início dos anos 50, a introdução de inseticidas fosforados para substituir o uso do DDT, veio acompanhada de um método cruel. Foi ensinado que para misturar o DDT, formulado como pó solúvel na água, o agricultor deveria usar o braço, com a mão aberta girando meia volta em um e outro sentido, para facilitar a mistura.

Como o DDT tem uma dose letal alta (demanda uma alta absorção do produto para provocar a morte), somente cerca de 15 anos depois os problemas de saúde apareciam. Contudo, quando o agricultor tentava repetir a técnica com o Parathion, primeiro fosforado introduzido no Brasil, caía morto, fulminado; fato que se repetiu em diversas regiões do país.

Os agrotóxicos chegaram ao sul do país junto com a monocultura da soja, trigo e arroz, associados à utilização obrigatória desses produtos para quem pretendesse usar o crédito rural. Hoje em dia, os agrotóxicos encontram-se disseminados na agricultura convencional, como uma solução de curto prazo para a infestação de pragas e doenças.

Um fato histórico muito importante também correlacionado com o uso desses produtos foi a Guerra do Vietnã, ocorrida entre os anos de 1954 e 1975.

O país se dividiu em duas metades: o Vietnã do Norte, apoiado pelos soviéticos e chineses e o Vietnã do Sul, fortemente armado pelos norte-americanos que para lá enviaram milhares de soldados.

Dentre as todas armas de guerra presentes, destacaram-se os herbicidas desfolhantes ( o mais famosos ficou conhecido como "agente laranja"), que foram utilizados pelos norte-americanos pela seguinte razão: como a resistência vietnamita era composta por bandos de guerrilheiros que se escondiam nas florestas, formando tocaias e armadilhas para os soldados americanos, a aspersão de nuvens de herbicidas por aviões fazia com que as árvores perdessem suas folhagens, dificultando a formação de esconderijos.

Contudo, essa operação militar aparentemente bem sucedida trouxe consequências ambientais e de saúde catastróficas para a população local, que foram:

Contaminação das águas dos rios e do mar, de todos os seres vivos presentes nesses ambientes e dos seres humanos pelo consumo desta água.
Os herbicidas que compõem o agente-laranja (o 2,4-D e o 2, 4, 5-T) também são tóxicos a pequenos animais terrestres e aquáticos, assim como a muitos insetos benéficos para as plantas.
O herbicida 2.4.5-T é sempre acompanhado da dioxina, que é o mais ativo composto causador de deformações em recém-nascidos que se conhece (tetranogênico), permanecendo no solo e na água por um período superior a um ano.

Agrotóxicos
Herbicidas disseminados por avião contaminam não apenas as plantações, mas o solo e a água.

Fatos como estes nos remetem a outro tema importante na história desses produtos: a toxicologia dos agrotóxicos (estudo dos efeitos tóxicos desses produtos para os seres humanos).

Esta teve início com a verificação da letalidade para um indivíduo de forma aguda (capacidade de provocar a morte num curto prazo de tempo) Atualmente, ela já se preocupa com a letalidade crônica e com as alterações sobre aparelhos (nervoso, circulatório, excretor, entre outros) do corpo nos médio e longo prazos. Também já existe a preocupação com alterações em nível celular (tumores).

Amanhã, é provável que enfoque o nível molecular e até energético do metabolismo humano. Isso significa o reconhecimento por parte da comunidade científica que os agrotóxicos não agem mais sobre o indivíduo, seus órgãos e aparelhos, mas sobre suas células e o interior destas.

Hoje já se sabe que o veneno atua sobre a membrana, o citoplasma ou sobre o núcleo da célula. Sua ação dependerá da função desta célula, que responderá alterando suas reações, secreções, velocidade de reações; estimulando ou inibindo reações específicas.

Agrotóxicos: o que são e como se classificam?

Os agrotóxicos podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que têm a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas.

Os agrotóxicos podem ser :

Pesticidas ou praguicidas combatem insetos em geral)
Fungicidas (atingem os fungos)
Herbicidas (que matam as plantas invasoras ou daninhas)

Os agrotóxicos podem ser classificados de acordo com os seguintes critérios:

Quanto à finalidade:

Ovicidas (atingem os ovos dos insetos),
Larvicidas (atacam as larvas), acaricidas (específicos para ácaros),
Formicidas (atacam formigas).

Quanto à maneira de agir:

Através de ingestão ( a praga deve ingerir a planta com o produto),
Microbiano (o produto contém microorganismos que atacarão a praga ou o agente causador da doença)
Por contato ( ao tocar o corpo da praga o produto já faz efeito).

Quanto à origem:

Inorgânicos
Orgânicos.

Os pesticidas inorgânicos foram muito utilizados no passado, porém, atualmente não representam mais do que 10% do total de pesticidas em uso. São eles produtos à base de arsênico e flúor e os compostos minerais que agem por contato matando a praga por asfixia (visto que os insetos respiram através da "pele").

Os pesticidas orgânicos compreendem os de origem vegetal e os organo-sintéticos. Os primeiros, muito utilizados por algumas correntes da Agroecologia são de baixa toxicidade e de curta permanência no ambiente (como o piretro contido no crisântemo e a rotenona extraída do timbó). Já os organo-sintéticos, além de persistirem muitos anos nos ecossistemas, contaminando-os, também trazem uma série de problemas de saúde para os seres humanos, o que torna seu uso proibido pelas correntes agroecológicas.

Os agrotóxicos organo-sintéticos de uso proibido na Agricultura Agroecológica são:

Clorados: grupo químico dos agrotóxicos compostos por um hidrocarboneto clorado que tem um ou mais anéis aromáticos. Embora sejam menos tóxicos (em termos de toxicidade aguda que provoca morte imediata) que outros organo-sintéticos, são também mais persistentes no corpo e no ambiente, causando efeitos patológicos no longo prazo. O agrotóxico organoclorado atua no sistema nervoso, interferindo nas transmissões dos impulsos nervosos. O famoso DDT faz parte deste grupo.

Cloro-fosforados: grupo químico dos agrotóxicos que possuem um éstere de ácido fosfórico e outros ácidos à base de fósforo, que em um dos radicais da molécula possui também um ou mais átomos de cloro. Apresentam toxidez aguda (são capazes de provocar morte imediata) atuando sobre uma enzima fundamental do sistema nervoso (a colinesterase) e nas transmissões de impulsos nervosos.

Fosforados: grupo químico formado apenas por ésteres de ácido fosfórico e outros ácidos à base de fósforo. Em relação aos agrotóxicos clorados e carbamatos, os organofosforados são mais tóxicos (em termos de toxidade aguda), mas se degradam rapidamente e não se acumulam nos tecidos gordurosos. Atua inibindo a ação da enzima colinesterase na transmissão dos impulsos nervosos.

Carbamatos: grupo químco dos agrotóxicos compostos por ésteres de ácido metilcarbônico ou dimetilcarbônico. Em relação aos pesticidas organoclorados e organofosforados, os carbamatos são considerados de toxicidade aguda média, sendo degradados rapidamente e não se acumulando nos tecidos gordurosos. Os carbamatos também atuam inibindo a ação da colinesterase na transmissão dos impulsos nervosos cerebrais. Muitos desses produtos foram proibidos em diversos países também em virtude de seu efeito altamente cancerígeno.

Planejamento da Produção na Agricultura Agroecológica

Na Agroecologia toda a produção de alimentos é realizada de modo a contribuir para a conservação dos recursos naturais e para a manutenção da qualidade ambiental da paisagem de uma determinada região.

Nesse sentido, a Agroecologia compartilha com a biologia o interesse no conhecimento das interações entre solo, plantas e animais a fim de combinar harmonicamente a produção agrícola com a conservação dos ecossitemas locais remanescentes.

Para possibilitar essa interação harmoniosa é fundamental planejar o sistema de produção a partir da consideração da paisagem agrícola da região, o que significa não se restringir apenas ao local onde serão implantadas as culturas comerciais. Isso porque, assim como um mosaico, a paisagem agrícola é ecologicamente um ambiente fragmentado, com distintos habitats, distribuídos em forma de manchas presentes em uma propriedade, assim como ao longo de toda a região.

Embora o nível de influência humana na paisagem seja extremamente variável, existem três tipos predominantes de áreas que compõem uma paisagem agrícola.

São elas:

Áreas de produção agrícola

Intensamente manejadas e com perturbação regular, essas áreas são constituídas, sobretudo, de espécies de plantas domesticadas, não nativas da região.

O exemplo mais comum é o das áreas destinadas aos plantios agrícolas em manejo convencional como ocorre com as monoculturas de grãos (soja, arroz, milho, feijão, etc.).

Áreas de influência humana moderada ou reduzida

Esta categoria intermediária inclui paisagens naturais, florestas manejadas para a produção de madeira, cercas vivas, sistemas agroflorestais.

Estas áreas são constituídas por mesclas de espécies nativas e não nativas, e são capazes de servir de habitat tanto para espécies de animais silvestres da região, como para as criações de animais com finalidade comercial.

Como exemplos temos: consorciação de gado em pastagens sombreadas com árvores (sistemas agrosilvopastoril), cercas-vivas com árvores ao redor de culturas agrícolas como o café e o milho, plantios consorciados de duas ou mais espécies de árvores em áreas inadequadas para as culturas agrícolas.

SISTEMAS AGROFLORESTAIS

Áreas naturais

Estas áreas possuem alguma semelhança com o ecossistema original e com a composição de espécies vegetais e animais presentes naturalmente no local. É o caso típico dos fragmentos florestais, por exemplo, que abrigam as espécies de árvores remanescentes dos desmatamentos das florestas originais e que estão sujeitos a perturbações provenientes de atividades humanas (fogo, caça, derrubada de árvores, extração de flores e frutos, entre outras).

Desmatamento pelo fogo

Vale ressaltar que, quando se executa o manejo da produção de alimentos considerando a paisagem agrícola como um todo integrado, um possível antagonismo entre a necessidade dos ecossistemas naturais e a atividade agropecuária é substituído por uma relação de benefício mútuo.

As manchas de áreas naturais e semi-naturais oferecem uma diversidade de recursos naturais valiosa para a produção de alimentos de alto valor biológico e estes, por sua vez, contribuem na manutenção da qualidade ambiental da paisagem natural presente na região. Promover essa benéfica interação constitui a finalidade de todo sistema agroecológico de produção, através de um manejo criterioso da paisagem local.

E, para obter essa combinação harmoniosa, é imprescindível abolir da produção agrícola o uso de quaisquer insumos que produzam um efeito negativo no funcionamento ecológico da paisagem agrícola presente na sua propriedade e na região. Isto significa banir do sistema agrotóxicos e fertilizantes altamente solúveis, assim como evitar práticas agressivas à diversidade local, como o plantio de monoculturas em grande escala, a movimentação freqüente do solo ou deixá-lo por longos períodos exposto às chuvas e consequentemente, à erosão.

Apenas práticas que respeitem os ciclos dos elementos naturais (da água e da formação de solos) e dos seres vivos (plantas, animais, microorganismos) devem ser utilizadas a fim de contribuir efetivamente para o equilíbrio entre os diversos habitats que compõem a paisagem agrícola.

Nesse sentido, através de seus diversos métodos (rotação e consorciação de culturas, controle biológico de pragas e doenças, integração entre pecuária e agricultura, uso de variedades naturalmente adaptadas às condições locais, entre outras), os sistemas agroecológicos podem contribuir para concretizarem um potencial ainda não explorado das áreas agrícolas: o de serem guardiãs da diversidade de espécies nativas, auxiliando na conservação da biodiversidade global.

Fonte: www.planetaorganico.com.br

Agrotóxicos

Agrotóxicos
Agrotóxicos

Os agrotóxicos são substâncias químicas (herbicidas, pesticidas, hormônios e adubos químicos) utilizadas em produtos agrícolas e pastagens, com a finalidade de alterar a composição destes e, assim, preserva-los da ação danosa de seres vivos ou substâncias nocivas. Podem ser encontrados em vegetais (verduras, legumes, frutas e grãos), açúcar, café e mel.

Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal que ele se alimenta de água ou ração contaminadas.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna -, em alguns casos de forma irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos.

Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso destas substâncias.

Quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica.

Na aguda, os sintomas surgem rapidamente.

Na intoxicação subaguda, os sintomas aparecem aos poucos: dor de cabeça, dor de estômago e sonolência. Já a intoxicação crônica, pode surgir meses ou anos após a exposição e pode levar a paralisias e doenças, como o câncer.

Os agrotóxicos começaram a ser usados em escala mundial após a segunda grande Guerra Mundial. Vários serviram de arma química nas guerras da Coréia e do Vietnã, como o Agente Laranja, desfolhante que dizimou milhares de soldados e civis.

Os países que tinham a agricultura como principal base de sustentação econômica - na África, na Ásia e na América Latina - sofreram fortes pressões de organismos financiadores internacionais para adquirir essas substâncias químicas. A alegação era de que os agrotóxicos garantiriam a produção de alimentos para combater a fome.

Com o inofensivo nome de "defensivos agrícolas", eles eram incluídos compulsoriamente, junto com adubos e fertilizantes químicos, nos financiamentos agrícolas.

Sua utilização na agricultura nacional em larga escala ocorreu a partir da década de 70. A desagradável cultura de utilização intensiva de agrotóxicos no Brasil adveio do famigerado Plano Nacional de Desenvolvimento, de 1975, que forçava os agricultores a comprar os venenos através do crédito rural, na medida em que instituía a inclusão de uma cota de agrotóxico para cada financiamento.

Com essa artimanha (você ganha o dinheiro se comprar o veneno), associada à propaganda ostensiva dos fabricantes, os agrotóxicos foram disseminados por todo o país, concedendo ao Brasil mais uma estatística negativa: terceiro maior consumidor mundial.

Agrotóxicos
Pesticida

O uso descontrolado, a propaganda massiva, o medo de perda da produtividade da safra, a cultura “fruto bonito é aquele que as pessoas gostam de comprar”, a não utilização de equipamentos de proteção e o pouco conhecimento dos riscos, são alguns dos responsáveis pela intoxicação dos trabalhadores rurais.

Vários estudos feitos com trabalhadores demonstraram que há relação entre a exposição crônica a agrotóxicos e doenças, principalmente do sistema nervoso (central e periférico). Além disso, também ocorrem episódios de intoxicação aguda, colocando em risco a vida dos trabalhadores rurais.

A fiscalização no campo só se preocupa com a comercialização dos agrotóxicos. Não existe vigilância nem orientação para a sua correta aplicação. Acontece até do trabalhador utilizar um coquetel de produtos semanalmente, de forma “preventiva”. Ou usar o mesmo princípio ativo de marcas distintas na mesma aplicação.

Para o cultivo de batata, tomate e berinjela (p.ex.), que são muito susceptíveis às pragas, são utilizadas grandes quantidades de agrotóxicos. Na cultura do tomate e do morango são usados diferentes tipos de agrotóxicos, em intervalos muito curtos, alguns deles com princípios ativos já banidos em muitos países.

Os riscos não se limitam ao homem do campo. Os resíduos das aplicações atingem os mananciais de água e o solo. Além disso, os alimentos comercializados nas cidades podem apresentar resíduos tóxicos.

O emprego de agrotóxicos tem implicado em terríveis problemas relacionados à contaminação ambiental e à saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o uso dessas substâncias é da ordem de 3 milhões de toneladas/ano, expondo, só no meio agrícola, mais de 500 milhões de pessoas.

Os casos anuais de intoxicações agudas não intencionais nos países do terceiro mundo são estimados em 1 milhão, com 20 mil mortes. As intoxicações crônicas, embora de mais difícil avaliação, são estimadas em 700 mil casos/ano, com 37 mil casos/ano de câncer em países em desenvolvimento e 25 mil casos/ano de seqüelas persistentes.

Nos países do primeiro mundo, as informações sobre mortes e intoxicações agudas por pesticidas são controladas.

No Brasil, o Estado de São Paulo é o maior fabricante e consumidor de agrotóxicos, apesar disso, são poucas as informações existentes sobre a extensão dos danos ao meio ambiente e, especialmente à saúde humana.

O uso de agrotóxicos vem merecendo repúdio dos ambientalistas, da comunidade científica e inclusive dos juristas que se dedicam à abordagem do denominado Direito Ambiental.

Veja, por exemplo, o que aduz o Juiz do Tribunal de Alçada de São Paulo, José Renato Nalini: "Os produtos químicos utilizados para controlar pragas e doenças das plantas podem causar danos à saúde das pessoas e do meio ambiente. Países mais desenvolvidos – e portanto mais ciosos da qualidade de vida de seu povo – não permitem agrotóxicos. Países periféricos são obrigados a consumir produtos já proibidos na metrópole."

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, ocorrem, no mundo, anualmente, 3.000.000 (três milhões) de intoxicações agudas por agrotóxicos, com aproximadamente 20.000 (vinte mil) mortes, não incluídos aí, os óbitos que decorrem de problemas crônicos, ou seja, em que a pessoa contaminada adquire problemas de saúde que ocasionam a morte com o transcurso dos anos (câncer de pele, doenças no rim, fígado, lesões no sistema nervoso e respiratório, entre outras).

Justamente os países subdesenvolvidos são os maiores usuários, respondendo pela aquisição de 20% da produção e com registros de 75% dos casos de intoxicação.

Agrotóxicos
Agrotóxicos

Herbicidas voláteis aplicados em plantações de cana de açúcar podem ser facilmente levados pelo vento; atingem assim outras plantações vizinhas de algodão, feijão, tomate e papaia e destroem-nas.

Está provado que as aplicações intensivas de pesticidas por meio de aviões poluem o ar e afetam as populações das cidades próximas, causando dores de cabeça, tonturas e náuseas.

Como conseqüência da contaminação dos rios pelos pesticidas altamente tóxicos os peixes mortos são às toneladas, o que representa uma perda substancial para as populações ribeirinhas.

Pesticidas organoclorados como o DDT, HCH ou BHC, aldrina-dieldrina, clordano e heptacloro, ficam no solo durante muitos anos e mesmo décadas. Passam progressivamente do solo para os cereais comestíveis, para a erva e eventualmente para o gado. Mais tarde, os resíduos são encontrados nos vegetais, grãos, frutos, carne e leite.

Muitos países da América Latina já possuem meios laboratoriais capazes de realizar a análise de resíduos organoclorados e organofosfóricos nos alimentos. Mas tais países ainda não possuem nem o pessoal técnico nem os meios para realizar um verdadeiro programa de controle alimentar.

Um controle limitado como o que se tem realizado em São Paulo, demonstra que cerca de 7% dos frutos e 13% dos vegetais têm resíduos de pesticidas acima dos limites máximos.

Os países desenvolvidos proibiram ou restringiram o uso de muitos inseticidas. Contudo, continuam a exportá-los para a América Latina e outros países em desenvolvimento, onde esses perigosos produtos químicos são aplicados em cereais comestíveis ou em grãos ou frutos.

Para fechar o círculo, tais alimentos são exportados para os países desenvolvidos que tentaram eliminar tais compostos. Acontece ocasionalmente que o mercado internacional recusa vegetais e frutos com resíduos acima dos limites máximos estabelecidos pelos países industrializados e importadores.

O uso generalizado de pesticidas persistentes e a presença dos seus resíduos nos alimentos resultaram na sua "armazenagem" praticamente em todos os indivíduos. Atingem um nível regular nos tecidos do corpo proporcional ao nível de absorção diária.

Nos países industrializados tem-se vindo a observar um decréscimo no nível dos organoclorados no corpo como consequência da interdição ou restrição no seu uso. A quantidade de DDT presente no leite humano também tem vindo a baixar progressivamente nos países desenvolvidos desde 1960. Na América Latina porém não tem havido baixa nas duas últimas décadas.

A utilização indiscriminada e intensiva de pesticidas na agricultura tem sido responsável pelo desenvolvimento de resistência a muitos inseticidas organoclorados e organofosfóricos nos animais nocivos à agricultura. É por essa razão que atualmente são necessários novos compostos de grupos químicos diferentes para controlar tais animais.

Chegou-se mesmo à conclusão de que o número total de espécies nocivas poderá aumentar devido à exterminação de muitos predadores pelos pesticidas.

Neste caso, os prejuízos nas colheitas poderão ser ainda mais graves do que antes da utilização dos produtos químicos.

Na América Central, o número dos principais parasitas do algodão passou de dois para sete nos 10 primeiros anos de utilização de pesticidas, e o número de aplicações de pesticidas passou de dois a vinte por estação como resultado da destruição dos predadores e resistência dos parasitas. No Brasil e outros países da América do Sul também se tem observado o mesmo problema.

Entre as medidas que devem ser tomadas com urgência pelos países em desenvolvimento para impedir envenenamento grave e crônico assim como deterioração do ambiente pelos pesticidas, estão:

Boas práticas agrícolas e controle integral dos parasitas;
Preparação de pessoal em segurança química - incluindo formação de toxicologia clínica, profissional, analítica, experimental, preventiva e reguladora;
Avaliação dos riscos;
Programas de vigilância toxicológica;
Estatísticas de confiança sobre a mortalidade e morbidade relacionadas com envenenamento por pesticidas;
Análises de controle de resíduos de pesticidas em amostras de alimentos, no meio ambiente e em amostras biológicas humanas;
Utilização restrita ou proibição total de pesticidas altamente tóxicos e resistentes;
Cursos a vários níveis sobre a utilização segura de pesticidas;
Operários especializados, treinados periodicamente, e responsáveis pela aquisição e utilização segura de pesticidas;
Aplicação da legislação;
Controle do descarte de lixo tóxico;
Esforços intensos para reduzir o analfabetismo entre os trabalhadores rurais;
Constituição de uma Comissão Nacional interdisciplinar sobre pesticidas, atuando como órgão consultivo junto dos ministérios da Saúde, Agricultura, Trabalho e Meio Ambiente.

Recomendações Gerais:

Evite o uso de agrotóxicos;
Utilize-se de práticas agropecuárias racionais, que respeitem a natureza, observando-se as técnicas de conservação do solo, adubação natural e controle biológico de pragas e doenças;
Sempre consulte o técnico capacitado. Somente os engenheiros agrônomos e florestais, nas respectivas áreas de competência, estão autorizados a emitir a receita. Os técnicos agrícolas podem assumir a responsabilidade técnica de aplicação, desde que o façam sob a supervisão de um engenheiro agrônomo ou florestal (Resolução CONFEA No 344 de 27-07-90). Para a elaboração de uma receita, é imprescindível que o técnico vá ao local com problema para ver, avaliar, medir os fatores ambientais, bem como suas implicações na ocorrência do problema fitossanitário e na adoção de prescrições técnicas. As receitas só podem ser emitidas para os defensivos registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária - DAS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que poderá dirimir qualquer dúvida que surja em relação ao registro ou à recomendação oficial de algum produto.

Fonte: www.vivaterra.org.br

Agrotóxicos

Acidentes com Agrotóxicos

Agrotóxicos são produtos químicos usados na lavoura, na pecuária e mesmo no ambiente doméstico: inseticidas, fungicidas, acaricidas, nematicidas, herbicidas, bactericidas, vermífugos; além de solventes, tintas, lubrificantes, produtos para limpeza e desinfecção de estábulos, etc.

Existem cerca de 15.000 formulações para 400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 formulações encontram-se licenciadas no País.

(O Brasil é um dos 5 maiores consumidores de agrotóxicos do mundo !).

Agrotóxicos

O agricultor brasileiro ainda chama o agrotóxico de remédio das plantas e não conhece o perigo que ele representa para a sua saúde e o meio ambiente.

Uma pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS, em 12 países da América Latina e Caribe, mostrou que o envenenamento por produtos químicos, principalmente o chumbo e os pesticidas, representam 15% de todas as doenças profissionais notificadas.

O índice de 15% (mostrado acima) parece pouco, entretanto, a Organização Mundial de Saúde - OMS afirma que apenas 1/6 dos acidentes são oficialmente registrados e que 70% dos casos de intoxicação ocorrem em países do 3o. mundo, sendo que os inseticidas organofosforados são os responsáveis por 70% das intoxicações agudas.

Agrotóxicos

O manuseio inadequado de agrotóxicos é assim, um dos principais responsáveis por acidentes de trabalho no campo. A ação das substâncias químicas no organismo humano, pode ser lenta e demorar anos para se manifestar.

O uso de agrotóxicos tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, fetos com má-formação, suicídios, câncer, dermatoses e outras doenças. Segundo a OMS, há 20.000 óbitos/ano em consequência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas, nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Os principais assuntos relativos aos riscos na aplicação de agrotóxicos, dizem respeito a:

Escolha e manuseio
Transporte
Armazenamento
Aplicação
Destino das embalagens
Legislação

O Brasil supera em 7 vezes a média mundial de 0,5 kg/hab de veneno. Nossa média, no início dos anos 80, era de 3,8 kg/hab, número esse que ficou maior em 1986, com a injeção temporária de recursos do Plano Cruzado. Então, o consumo saltou de 128.000 t para 166.000 t/ano.

O consumo cresceu, de 1964 para 1979, de 421%, enquanto que a produção das 15 principais culturas brasileiras, não ultrapassou o acréscimo de 5%.

Fonte: www.ufrrj.br

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