Publicado em 1962, Primavera Silenciosa (Silent Spring) de Rachel Carson, foi a primeira obra a detalhar os efeitos adversos da utilização dos pesticidas e inseticidas químicos sintéticos, iniciando o debate acerca das implicações da atividade humana sobre o ambiente e o custo ambiental dessa contaminação para a sociedade humana.
A autora advertia para o fato de que a utilização de produtos químicos para controlar pragas e doenças estava interferindo com as defesas naturais do próprio ambiente natural e acrescentava: "nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem".
A mensagem era diretamente dirigida para o uso indiscriminado do DDT: barato e fácil de fazer, foi aclamado como o pesticida universal e tornou-se o mais amplamente utilizado dos novos pesticidas sintéticos antes que seus efeitos ambientais tivessem sido intensivamente estudados. Com a publicação de "Primavera Silenciosa" o debate público sobre agrotóxicos continuou através dos anos 60 e algumas das substâncias listadas pela autora foram proibidas ou sofreram restrições.
Cabe ressaltar que o deslocamento da questão dos agrotóxicos, antes restrita aos círculos acadêmicos e publicações técnicas para o centro da arena pública, foi, sem dúvida, o maior mérito de Rachel Carson, como pioneira na denúncia dos danos ambientais causados por tais produtos.
No Brasil, no início dos anos 50, a introdução de inseticidas fosforados para substituir o uso do DDT, veio acompanhada de um método cruel. Foi ensinado que para misturar o DDT, formulado como pó solúvel na água, o agricultor deveria usar o braço, com a mão aberta girando meia volta em um e outro sentido, para facilitar a mistura.
Como o DDT tem uma dose letal alta (demanda uma alta absorção do produto para provocar a morte), somente cerca de 15 anos depois os problemas de saúde apareciam. Contudo, quando o agricultor tentava repetir a técnica com o Parathion, primeiro fosforado introduzido no Brasil, caía morto, fulminado; fato que se repetiu em diversas regiões do país.
Os agrotóxicos chegaram ao sul do país junto com a monocultura da soja, trigo e arroz, associados à utilização obrigatória desses produtos para quem pretendesse usar o crédito rural. Hoje em dia, os agrotóxicos encontram-se disseminados na agricultura convencional, como uma solução de curto prazo para a infestação de pragas e doenças.
Um fato histórico muito importante também correlacionado com o uso desses produtos foi a Guerra do Vietnã, ocorrida entre os anos de 1954 e 1975.
O país se dividiu em duas metades: o Vietnã do Norte, apoiado pelos soviéticos e chineses e o Vietnã do Sul, fortemente armado pelos norte-americanos que para lá enviaram milhares de soldados.
Dentre as todas armas de guerra presentes, destacaram-se os herbicidas desfolhantes ( o mais famosos ficou conhecido como "agente laranja"), que foram utilizados pelos norte-americanos pela seguinte razão: como a resistência vietnamita era composta por bandos de guerrilheiros que se escondiam nas florestas, formando tocaias e armadilhas para os soldados americanos, a aspersão de nuvens de herbicidas por aviões fazia com que as árvores perdessem suas folhagens, dificultando a formação de esconderijos.
Contudo, essa operação militar aparentemente bem sucedida trouxe consequências ambientais e de saúde catastróficas para a população local, que foram:
Contaminação das águas dos rios e do mar, de todos os seres vivos presentes nesses ambientes e dos seres humanos pelo consumo desta água.
Os herbicidas que compõem o agente-laranja (o 2,4-D e o 2, 4, 5-T) também são tóxicos a pequenos animais terrestres e aquáticos, assim como a muitos insetos benéficos para as plantas.
O herbicida 2.4.5-T é sempre acompanhado da dioxina, que é o mais ativo composto causador de deformações em recém-nascidos que se conhece (tetranogênico), permanecendo no solo e na água por um período superior a um ano.

Herbicidas disseminados por avião contaminam não apenas
as plantações, mas o solo e a água.
Fatos como estes nos remetem a outro tema importante na história desses produtos: a toxicologia dos agrotóxicos (estudo dos efeitos tóxicos desses produtos para os seres humanos).
Esta teve início com a verificação da letalidade para um indivíduo de forma aguda (capacidade de provocar a morte num curto prazo de tempo) Atualmente, ela já se preocupa com a letalidade crônica e com as alterações sobre aparelhos (nervoso, circulatório, excretor, entre outros) do corpo nos médio e longo prazos.
Também já existe a preocupação com alterações em nível celular (tumores). Amanhã, é provável que enfoque o nível molecular e até energético do metabolismo humano. Isso significa o reconhecimento por parte da comunidade científica que os agrotóxicos não agem mais sobre o indivíduo, seus órgãos e aparelhos, mas sobre suas células e o interior destas.
Hoje já se sabe que o veneno atua sobre a membrana, o citoplasma ou sobre o núcleo da célula. Sua ação dependerá da função desta célula, que responderá alterando suas reações, secreções, velocidade de reações; estimulando ou inibindo reações específica.
Agrotóxicos: o que são e como se classificam
Os agrotóxicos podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que têm a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas.
Os agrotóxicos podem ser :
Pesticidas ou praguicidas combatem insetos em geral)
Fungicidas (atingem os fungos)
Herbicidas (que matam as plantas invasoras ou daninhas)
Os agrotóxicos podem ser classificados de acordo com os seguintes critérios:
Quanto à finalidade:
ovicidas (atingem os ovos dos insetos)
larvicidas (atacam as larvas), acaricidas (específicos para ácaros),
formicidas (atacam formigas).
Quanto à maneira de agir:
através de ingestão ( a praga deve ingerir a planta com o produto),
microbiano (o produto contém microorganismos que atacarão a praga ou o agente causador da doença)
por contato ( ao tocar o corpo da praga o produto já faz efeito).
Quanto à origem:
Inorgânicos
Orgânicos.
Os pesticidas inorgânicos foram muito utilizados no passado, porém, atualmente não representam mais do que 10% do total de pesticidas em uso. São eles produtos à base de arsênico e flúor e os compostos minerais que agem por contato matando a praga por asfixia (visto que os insetos respiram através da "pele").
Os pesticidas orgânicos compreendem os de origem vegetal e os organo-sintéticos. Os primeiros, muito utilizados por algumas correntes da Agroecologia são de baixa toxicidade e de curta permanência no ambiente (como o piretro contido no crisântemo e a rotenona extraída do timbó). Já os organo-sintéticos, além de persistirem muitos anos nos ecossistemas, contaminando-os, também trazem uma série de problemas de saúde para os seres humanos, o que torna seu uso proibido pelas correntes agroecológicas.
Os agrotóxicos organo-sintéticos de uso proibido na Agricultura e Agroecológica são:
Clorados: grupo químico dos agrotóxicos compostos por um hidrocarboneto clorado que tem um ou mais anéis aromáticos. Embora sejam menos tóxicos (em termos de toxicidade aguda que provoca morte imediata) que outros organo-sintéticos, são também mais persistentes no corpo e no ambiente, causando efeitos patológicos no longo prazo. O agrotóxico organoclorado atua no sistema nervoso, interferindo nas transmissões dos impulsos nervosos. O famoso DDT faz parte deste grupo.
Cloro-fosforados: grupo químico dos agrotóxicos que possuem um éstere de ácido fosfórico e outros ácidos à base de fósforo, que em um dos radicais da molécula possui também um ou mais átomos de cloro. Apresentam toxidez aguda (são capazes de provocar morte imediata) atuando sobre uma enzima fundamental do sistema nervoso (a colinesterase) e nas transmissões de impulsos nervosos.
Fosforados: grupo químico formado apenas por ésteres de ácido fosfórico e outros ácidos à base de fósforo. Em relação aos agrotóxicos clorados e carbamatos, os organofosforados são mais tóxicos (em termos de toxidade aguda), mas se degradam rapidamente e não se acumulam nos tecidos gordurosos. Atua inibindo a ação da enzima colinesterase na transmissão dos impulsos nervosos.
Carbamatos: grupo químco dos agrotóxicos compostos por ésteres de ácido metilcarbônico ou dimetilcarbônico. Em relação aos pesticidas organoclorados e organofosforados, os carbamatos são considerados de toxicidade aguda média, sendo degradados rapidamente e não se acumulando nos tecidos gordurosos. Os carbamatos também atuam inibindo a ação da colinesterase na transmissão dos impulsos nervosos cerebrais. Muitos desses produtos foram proibidos em diversos países também em virtude de seu efeito altamente cancerígeno.
Fonte: www.planetaorganico.com.br
O termo agrotóxico é de uso muito controvertido em decorrência dos significados dos substantivos que o formam, seja,. Agro-tóxico
Se admitirmos que Agro seja um designativo daquilo que se refere às atividades humanas dedicadas ao cultivo das plantas, e tóxicos é aquilo que tem a propriedade de envenenar, teremos que nos perguntar:
Envenenar o que ?
Obviamente se pretende envenenar pragas e doenças que atacam as plantas, e somente plantas, quando nos referirmos aos agrotóxicos, nunca a qualquer tipo de parasitas ou agentes que causariam doenças em animais, muito menos ao homem.
Portanto agrotóxicos são utilizados no controle de parasitas e moléstias que atacam as plantas, ou de plantas outras que concorram com a cultura comercial implantada (matos que estejam prejudicando a cultura principal).
Mas, se é assim, poderíamos defender o seguinte:
Então, seria lógico chamar os medicamentos animais que são usados para erradicar vermes ou micróbios de cavalos, bois, coelhos cães, aves, peixes, gatos etc de zootóxicos?
E também poderíamos chamar os medicamentos que usamos como antibióticos, analgésicos, vermífugos, antimicóticos, antiparasíticos (um mata-piolho como exemplo), de antropotóxicos?
Bem, fosse qual fosse o termo designativo para cada uma destas vertentes do controle de patologias, que fique claro que os produtos usados na agricultura para estes fins são chamados de agrotóxicos, e em animais são chamados de medicamentos animais, como os medicamentos humanos.
Alguns tipos de agrotóxicos possuem uma formula química que pode ser convertida em medicamento animal e agrotóxico.
Exemplos:
a) Avermectin: é um composto químico descoberto em um fungo que habita os solos, ele foi então estudado e sua molécula copiada em laboratório, daí então, transformado em um agrotóxico para combater ácaros, que são como que pequenos piolhos que atacam e envenenam plantas.
Mas o Avermectim foi também transformado em uma espécie de antiparasítico para bovinos. Ele é derramado em pequenas quantidades sobre o dorso destes animais e seu efeito é de envenenar e matar parasitas como bernes, carrapatos etc que habitam o couro;
b) o DIAZINON: é outro agrotóxico, muito venenoso, que é usado em controle de insetos diversos que sugam plantas como repolho, alface, couve etc.
Mas ele também é usado no combate a parasitas em animais ( na forma de sua versão veterinária);
c) A deltametrina: é um produto usado tanto para matar insetos de plantas, como piolhos em animais e também em seres humanos, sendo que, volto a lembrar em cada um dos seus usos existe uma versão própria da substância, seja para planta, ou para animais e outra para seres humanos, mas fundamentalmente são a mesma coisa;
d) A Terramicina, ( quem não ouviu falar ?): é outra substância, desta vez adotada no controle de bactérias porque éum antibiótico, também éum agrotóxico, que toma o nome de " remédio" quando usado para debelar infecção nos seres humanos ou animais.
Mas, afinal como poderíamos conceituar Agrotóxicos?
Façamos sua conceituação segundo o que dispõe a legislação:
Entende-se por agrotóxicos as substâncias ou misturas de substâncias de natureza química quando destinadas a prevenir, destruir ou repelir, direta ou indiretamente qualquer forma de agente patogênuico ou da vida animal ou vegetal, que seja nocivo às plantas ou animais úteis seus produtos e subprodutos e ao homem. Sendo considerados produtos afins os hormônios, reguladores de crescimento e produtos químicos e bioquímicos de uso veterinário.
NRR 5 ‚ 5.1.1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Mas a lei Federal que dispõe sobre agrotóxicos e afins, a lei 7802 de 1989 define assim:
Art. 2† Para os efeitos desta Lei, consideram-se:
I - agrotóxicos e afins:
a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hÌdricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos;
Veja portanto que a lei federal retirou da definição os produtos destinados à defesa animal e inclui entre os agrotóxicos, aqueles destinados a alterar a flora e fauna, mesmo em ambientes urbanos hídricos e industriais.
Isto significa que um veneno que vise matar baratas ou ratos, por exemplo, em uma rede de esgoto é considerado um agrotóxico também.
Os venenos usados para controle de mosquitos em saúde pública também são agrotóxicos.
Então, fiquemos com esta definição ampla que a lei 7802 nos dá.
HISTÓRICO DOS AGROTÓXICOS
Para falar sobre origem histórica dos agrotóxicos, temos que remontar a períodos pré cristãos, quando já se fazia uso de produtos destinados a estes fins.
Acompanhe na tabela o histórico de suas descobertas:
| DATA | PRODUTO | OBSERVAÇÃO |
| 1000 anos AC | O enxofre elementar, extraído de rochas
já era usado como agrotóxico.
Homero, na antiga Grécia escreveu sobre seu uso para o controle de diversas pestes agrícolas. |
Ainda hoje se usa este produto em
forma se uma solução feita domesticamente chamada calda sulfo-cálcica.
Ela é considerada de baixo impacto, muito segura para aplicar sobre plantas alimentares ou ornamentais de jardins e interiores. |
| 1637 | O sal de cozinha era usado para controlar o " carvo" uma doença que ataca espigas de milho deixando-as totalmente tomadas por uma massa de fungos negros. | |
| 1705 | Cloreto de arsênio e mercúrio era recomendado para carvão do milho por Homberg. | O mercúrio foi usado até a década
passada no Brasil como componente de alguns agrotóxicos, mas hoje é proibido
este uso.
O mercúrio se transloca nas cadeias tróficas e chega finalmente no homem onde causa sérios problemas de saúde, principalmente afetando o sistema nervoso. |
| 1761 | Schultess Recomendava o sulfato de cobre para tratamento de carvão do milho. | |
| 1874 | Zeidler descobre o DDT, mas ele não conhecia o uso do DDT como inseticida. O DDT só vai ser usado como agrotóxico a partir de pesquisas de Paul Muller feitas na CIA Geigy, na Basiléia Suíça em 1939. | Embora Muller procurasse pesquisar
um repelente de traças, ele topou com as propriedades inseticidas do DDT.
Em 1948, Paul Muller recebeu o prêmio Nobel de medicina por esta descoberta. Isto porque o DDT possibilitou o combate de uma enormidade de vetores de doenças, bem como de pragas que atacavam as lavouras e os animais. Finalizando o século XX, o DDT foi banido de muitos países, inclusive o Brasil porque, apesar de ser um inseticida pouco tóxico, ele possui altíssima capacidade de bioacumulação, isto é, fica retido nos tecidos dos seres vivos por muitos anos. Além disso, ele se desloca para regiões longínquas daquelas onde foi aplicado. Exemplo: encontrou-se traços de DDT em gordura de esquimós e pingüins vivendo a 5000 Km dos locais de uso do DDT. |
| 1886 | Pierre Aléxis na França descobre a calda-bordalesa. | O sulfato de cobre ainda hoje é muito usado como componente da calda bordalesa, um agrotóxico de baixo impacto ao meio ambiente e toxicidade ao homem, aceito largamente pelas correntes de agricultura orgânica. |
| 1932 | Gerard Schrader sintetiza os principais gases dos nervos, utilizados como armas de guerra. | Gases como Sarin (uma substância constuída
de fósforo) vieram mais tarde a se transformar em substâncias líquidas
usadas para matar insetos e outras pragas agrícolas.
Mas, ha alguns anos atrás, nesta década já, o Sarin gás, foi usado como arma para cometer um dos mais graves atentados políticos da história, matando várias pessoas e contaminando outras no metrô de Tóquio. |
| Década de 90 | A pesquisa lança os novos produtos,
com uma forma de ação, técnica de obtenção, forma de aplicação totalmente
inédita até então.
Os novos produtos, entre eles os fisiológicos atuam não mais envenenando o inseto através de intoxicação do sistema nervoso, mas impedindo que se forme a chamada ecdise, ou troca de pele mais comum entre as lagartas. |
Surgem também os transgênicos, plantas
inoculadas com seqüências de genes de outros seres como bactérias e vírus.
As plantas produzem venenos que matam alguns dos insetos ou fungos que as atacam. Intensifica um pouco mais o uso dos feromônios. Eles são substâncias que imitam o " cheiro " dos insetos transmitindo a eles informações falsas que possibilitam sua atração e captura, ou induzem o medo e fuga, ou mesmo atrapalham o processo de atração sexual. |
CURIOSIDADES:
Algumas curiosidades históricas das descobertas já foram narradas acima, tal como a descoberta incidental da utilidade do DDT por Paul Muller, o prêmio Nobel ganho, mas que na verdade foi mesmo descoberto por Zeiddler 65 anos antes.
Também a utilidade mórbida dos gases dos nervos como arma de guerra, que mais tarde vieram a se transformar em agrotóxicos.
É comum ver pessoas confundir esta história dos gases dos nervos usados intensamente na primeira guerra mundial com outro fato ligando os agrotóxicos com armas de guerra.
Na guerra do Vietnã, os Estados Unidos lanÁavam sobre extensas áreas de florestas o agrotóxico 2,4,5 T que é um desfolhante, o chamado agente laranja, visando matar as árvores das florestas onde se escondiam os " inimigos vietcongs ".
O 2,4,5 T foi proibido no Brasil desde a década passada em função de uma impureza que era produzida durante o processo de fabricação, a dioxina é mais tóxica substância já sintetizada pelo homem, além de apresentar efeitos teratogênicos (provoca alterações no processo de fecundação animal). Entretanto os processos atuais reduziram os níveis de dioxina no 2,4,5 T em 80 vezes, continuando mesmo assim, ainda proibido no Brasil.
Portanto não se permita confundir o evento do uso de 2,3,5 T na guerra do Vietnã com o uso do Sarin, Tabum e Schradan como gases dos nervos na primeira guerra mundial.
Ainda não confundir o 2,4,5 T banido do Brasil com o 2,4 D ainda amplamente usado para controle de ervas daninhas em pastagens.
Outro fato curioso foi a forma como se descobriu o grupo dos agrotóxicos denominados Carbamatos.
No início do século, em alguns países da Costa da África, se usava uma forma curiosa de fazer justiÁa:
O réu era forçado a comer de uma planta venenosa hoje conhecida como Physostigma venenosum, caso ele sobrevivesse era considerado inocente, se morresse era culpado...desnecessário dizer que pouquíssimos réus eram absolvidos!
Os Ingleses se interessaram por esta planta e passaram a estuda-la descobrindo que ela produzia um ácido extremamente tóxico, que como os inseticidas fosforados atacavam o sistema nervoso \ matando o organismo envenenado.
Em 1947 eles passaram a produzir a substância em laboratório e a utilizaram como agrotóxicos do grupo carbamatos.
Mas, o mais antigos dos agrotóxicos orgânicos são as " piretrinas ".
As piretrinas que são substâncias extraídas de plantas do gênero Chrysantemum foram usadas durante muito tempo para controlar pragas de lavouras e ainda são muitíssimo usadas no controle de insetos domésticos, elas compõem a maioria dos inseticidas aerossóis que compramos em supermercados.
Elas estão presentes nestes aerossóis na forma de ácido crisantêmico, ácido pirétrico, piretrolona e cinerolona.
São amplamente usados na agricultura também, entretanto não como piretrinas naturais como as domésticas, mas como piretróides, moléculas semelhantes as piretrinas, produzidas em laboratórios.
QUALIFICAÇÃO, FORMAS DE USO E PERIGO DOS AGROTÓXICOS:
Existem hoje no Brasil em torno de 2000 substâncias registrada como agrotóxicos.
CLASSE |
QUANTIDADE REGISTRADA (até 1999) |
Observações |
| Acaricida |
259 |
|
| Adesivos |
4 |
Em sua grande maioria são apenas substâncias colantes para
fazer com que a solução adira à folha.
Possuem baixíssimo potencial tóxico, mas podem em grande quantidade poluir seriamente águas fluviais. |
| Adjuvantes |
28 |
|
| Bactericida |
19 |
Antibióticos que se mal administrados podem afetar seriamente
a microfauna do agroecossistema e também o homem. |
| Cupinicida |
3 |
|
| Espalhante adesivo |
30 |
Também praticamente inócuo ao ser humano e a maioria dos
animais silvestres, mas podem ser muito perigosos a ictiofauna pois
seu poder emulsificante reduz o oxigênio disponível em corpos dágua. |
| Estimulante |
4 |
|
| Estimulante de crescimento |
1 |
Hormônios vegetais |
| Estimulante vegetativo |
1 |
|
| Feromônio |
5 |
Substâncias que simulam os sinais de comunicação entre os
insetos e os confundem, permitindo o controle de suas populações. |
| Formicida |
33 |
|
| Fumicante |
6 |
|
| Fungicida |
343 |
|
| Herbicida |
426 |
A grande maioria possui baixa periculosidade, mas alguns
deles, especialmente os herbicidas que atuam na " fosforilação
oxidativa " causam um colapso no sistema de geração de
energia da planta, sistema também presente nos seres animais.
Também os herbicidas a base de pentaclorofenol ( pó-da-China) muito usados na preservação de madeira são muito tóxicos e perigosos ao homem. |
| Herbicida pós-emergente |
123 |
|
| Herbicida pré-emergente |
106 |
|
| Inseticida |
545 |
É neste grupo que se localizam a maioria dos agrotóxicos
que causam intoxicações agudas e crônicas no homem, além de impactos
ambientais de grandes intensidades. |
| Inseticida biológico |
11 |
Praticamente não apresentam nenhum risco de intoxicação humana,
ou impactos ao ecossistema pois são organismos cultivados em laboratórios
de biotecnologia que já existem na natureza, sendo apenas aumentada
sua população no ecossistema para causarem doenças, ou predatismo
nos insetos que se quer controlar. |
| Maturador |
1 |
|
| Moluscicida |
4 |
|
De forma resumida podemos dizer que os mais usados entre os agrotóxicos são pela ordem:
Inseticidas;
Herbicidas;
Fungicidas;
Acaricidas.
A forma de aplicação mais comumente usada é através de pulverizações sobre as culturas ou no solo, realizadas com o auxilio de equipamentos manuais, automotores, tratorizados, em em menor grau por aviões.
Esta forma de aplicação é a que mais causa intoxicações ou contaminção ambiental porque é extremamente ineficiente, pois os equipamentos fazem uma nuvem de gotículas pequenas sobre a cultura. Esta nuvem em sua maioria não atinge o alvo biológico a ser controlado, chegando apenas uma minoria do veneno aplicado até ele.
Alvo biológicoé o inseto, a doença ou a erva daninha que se quer controlar (matar).
A lei 7802 de 1989, vide Legislção federal, obriga, em tese que um agrotóxico só seja comprado pelo produtor após emitido o receituário agronômico, que é de competência de Engenheiros Agrônomo e Engenheiros Florestais.
Por outro lado o receituário agronômico não pode ser entendido apenas como uma receita escrita, mas sim como um processo em que o Engenheiro vá até a propriedade do agricultor, verifique as condições da cultura, em todo seu contexto sócio-econômico-ambiental, e então somente depois desta rigorosa inspeção, seja emitido ou não, uma receita agronômica para que o agricultor compre e aplique o agrotóxico.
Na receita deve conter também os equipamentos de proteção obrigatórios para a aplicação do produto, que visam proteger o trabalhador, a dosagem, o equipamento usado para aplicar o agrotóxico, bem como, o mais importante fator de proteção ao consumidor que é o chamado " Prazo de Carência ".
Prazo de carência é o intervalo obrigatório entre a aplicação de um agrotóxico e a colheita do produto tratado.
O prazo de carência, pode ser desde alguns dias até meses, dependendo da cultura que está sendo tratada, do produto que está sendo usado, da formulação do produto etc.
Exemplos:
| NOME DO AGROTÓXICO |
CARÊNCIA EM DIAS PARA: |
||
|
Stroby |
Maçã 35 |
Tomate 3 |
Pepino 7 |
|
Photon |
Café 30 |
xxxxxxxxxx |
xxxxxxxxx |
|
Decis Tab |
Tomate 3 dias |
Cebola 2 dias |
Batata 1 dia |
|
Folicur |
Amendoim 30 |
Batata 30 |
Citrus 20 |
Este que decorre entre a última à aplicação e a colheita do produto é extremamente importante para a redução ou eliminação dos depósitos ou resíduos dos agrotóxicos na cultura.
Em verdade, os perigos do agrotóxico não se manifestam de forma contundente, visÌvel, aguda...
Embora os agrotóxicos mais carcinogênicos já tenham sido proibidos no Brasil ( DDT, BHC, Lindane etc) a cautela nos obriga a tomarmos cuidados intensos no controle destes produtos, pois algumas pesquisas mostram, ainda que em menor grau outros grupos de agrotóxicos podem vir causar câncer, principalmente hepático em mamíferos.
O consumidor dificilmente irá ter sintomas de intoxicações agudas com agrotóxicos que o levem ao hospital com um quadro toxicológico evidente. Isto ocorre mais com o produtor e o aplicador que estão mais próximos do produto em sua forma pura, e muito mais comum durante o processo de preparo da solução que será aplicada, do que durante a aplicação em si.
Ainda durante a aplicação, as maiores portas de entrada do agrotóxico no homem, são, por ordem decrescente:
Pele;
Vias respiratórias;
Boca.
Isto está longe de significar que não há riscos para o consumidor de se intoxicar com estes produtos, a bem da verdade, o fato de não ser comum o consumidor apresentar estes sintomas agudos, pode estar mascarando intoxicações crônicas (gradualmente ocorrendo sem que ele se aperceba). Esta modalidade de intoxicação é pois muito perigosa também, porque a pessoa afetada não identifica o mal como sendo decorrente de um agrotóxico, que ao longo do tempo, pode sim, se manifestar em forma de lesões, tumores, lesões neurológicas etc.
Mas, o prejuízo ambiental ainda é muito mais contundente.
Veja que o emprego abusivo, indiscriminado destes produtos faz com que os insetos (pragas das lavouras) criem resistência aos venenos, isto acontece por seleção genotípica. Isto é, quando os produtos são utilizados de forma incorreta não matam todas as pragas, mas, geralmente somente aquelas menos resistentes ao veneno, isto implica que, estas que sobraram , " mais resistentes " procriem uma nova geração de pragas " mais resistentes " ao produto, novamente o veneno é aplicado, e desta vez morrem menos insetos ainda, porque esta geração é mais forte que a primeira, imagine este processo se repetindo sucessivamente.
O que ocorre é que num certo ponto não se obtém mais os mesmo resultados de controle que na primeira vez então o produtor aumenta a quantidade de inseticida, elevando o perigo para os trabalhadores e para o consumidor final.
O grande responsável por estes problemas é sem dúvida a má prática agronômica, isto é, uso de produtos inadequados para a cultura em questão, doses exageradas, prazo de carência não cumprido o que leva o produto agrícola para a mesa do consumidor antes da degradação do agrotóxico no produto agrícola.
Neste sentido, há mais responsabilidade por parte de governos omissos no cumprimento da legislação de agrotóxicos, ou de proteção ao consumidor dos que do produtor ou da indústria.
Os instrumentos que temos para controlar estes problemas são:
Boa técnica agronômica;
Educação ambiental;
Educação do consumidor;
Legislação coercitiva;
Repressão pesada sobre os infratores.
Alguns conselhos para o consumidor podem ajudar a reduzir os perigos dos resíduos e depósitos de agrotóxicos nos vegetais:
Dar preferência a produtos cultivados organicamente;
Lavar bastante ou descascar quanto possível os vegetais a serem consumidos;
O processo de cozimento reduz significativamente os resíduos de agrotóxicos;
Prestigiar produtores que respeitem os prazos de carência e as demais boas práticas agronômicas (claro que isto só é possível quando se mora em cidades onde os produtores e consumidores estão mais próximos).
Não é verdade que os produtos cultivados com agrotóxicos se apresentam, obrigatoriamente com melhor aspecto que aqueles cultivados organicamente.
Produtos orgânicos cultivados com boa técnica, cuidados culturais e atenção nos tratos podem apresentar igual ou melhor aspecto que os cultivados com agrotóxicos, isto é mais função do produtor do que da linha escolhida.
Algumas evidências mostram que os orgânicos, que são cultivados de forma natural, sem o uso de agrotóxicos ou fertilizantes solúveis possuem maior teor de açucares solúveis que os não orgânicos, isto indicaria uma maior qualidade nutritiva.
A atual agricultura intensiva não poderia prescindir, entretanto do uso de agrotóxicos de forma radical e imediata, todo o sistema de produção está embasado neste uso, não só de agrotóxicos como de adubos químicos e uso intensivo de máquinas pesadas, a agricultura está, sistemicamente ligada a um modelo produtivo que só pode ser convertido a uma produção mais natural gradualmente, pois os produtores não sabem fazer de outra forma, os trabalhadores não foram treinados para este novo modelo, o consumidor não entende genericamente estas vantagens.
A nível nacional, propostas de conversão para uma agricultura, dita sustentável, que comporte esta filosofia estão sendo gestadas nos mais diversos seguimentos tecnológicos, mas uma iniciativa que comeÁou em SP, através do Sindicato dos Economistas daquele estado, está reunindo um banco de dados e propondo discussão para se criar a BECE, Brazilian Environment Commodities Exchange, uma bolsa de mercadorias que trabalhe com estes produtos originados de sistemas de produção sustentáveis, não só no sentido ecológico mas também econômico e social.
Fonte: www.profcupido.hpg.ig.com.br