A AIDS, abreviatura de Acquired Immunodeficiency Syndrome ou SIDA, abreviatura de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença causada por vírus (virose), transmitida de uma pessoa infectada (portadora do vírus) para outra pessoas não infectada (não portadora do vírus), principalmente através da relação sexual, da transfusão de sangue, de injeções com agulhas ou seringas contaminadas, da mulher grávida para o feto, através do sangue da placenta, ou, da mãe para o recém-nascido através do leite materno. Ou seja, sempre que ocorrer o contato entre uma pessoa contaminada com o HIV e outra não contaminada, através do sangue, sêmen (esperma) ou secreção pré-seminal, secreção vaginal e leite materno, pode haver a transmissão da AIDS.
O vírus da AIDS, que recebeu o nome de Vírus da Imunodeficiência Humana - HIV, se caracteriza por atacar o sistema imunológico (sistema de defesa do ser humano), diminuindo a capacidade do organismo de reagir a outras infecções (chamadas oportunistas), tais como a pneumonia, a tuberculose, as doenças diarréicas, as aftas, o herpes, os tumores, etc., permitindo, assim, que essas doenças acometam a pessoa infectada pelo vírus da AIDS com mais facilidade e com maior gravidade.
A AIDS é, portanto, uma Doença Sexualmente Transmissível - DST, mas que, além da via sexual, pode ser transmitida de uma pessoas para outra por outros meios, como, por exemplo, a transfusão de sangue, as injeções (sobretudo de drogas), a gravidez, a amamentação, etc.
Acredita-se que uma pessoa recém-infectada pelo vírus HIV seja capaz de transmiti-lo a outra pessoa dentro de 2 a 4 (dois a quatro) dias após contraí-lo, mas somente o exame de sangue, pode confirmar se a pessoa está ou não contaminada pelo HIV e, como a AIDS ainda não tem cura, a única maneira de evitá-la é pela prevenção do contágio com pessoas infectadas.
Logo que surgiu, a AIDS acometia quase que exclusivamente os homossexuais masculinos (homens que têm relação sexual com outros homens). Ultimamente, porém, o número de casos de portadores do vírus HIV (que ainda não apresentam sintomas) e de pessoas doentes (que já apresentam sintomas), tem crescido entre os heterossexuais (pessoas que têm relação sexual apenas com pessoas do sexo oposto), tanto do sexo masculino como do feminino, inclusive nas populações que vivem no interior e entre pessoas com menor escolaridade, demonstrando que a doença não está mais limitada a um determinado grupo de risco e, por isso, toda e qualquer pessoa deve se proteger.
Logo depois da contaminação pelo vírus HIV, em 50% a 90% (cinqüenta a noventa por cento) das pessoas contaminadas, os sintomas da doença costumam aparecer com se fosse uma infecção qualquer: febre alta, mialgias (dores no corpo) e artralgias (dores nas articulações ou juntas), aparecimento de enfartamento ganglionar (ínguas ou caroços), dor de garganta, eritema (manchas vermelhas no corpo) e perda de peso. Após 14 (quatorze) dias, aproximadamente, esses sintomas iniciais costumam desaparecer, com ou sem o uso de medicamentos.
Não existem sintomas patognomônicos ou diacríticos (específicos) da AIDS. Na verdade, os sintomas que surgem devem-se às chamadas doenças oportunistas, ou seja, aquelas que se aproveitam do enfraquecimento do organismo para se instalarem, como tuberculose, pneumonia, etc.
Todavia, existem vários sintomas (que o paciente sente e refere ao médico) e sinais (que o médico descobre ao examinar o paciente) mais ou menos comuns no quadro clínico da AIDS, entre os quais os mais freqüentes são:
Emagrecimento rápido, com perda de mais de 10% do peso corporal;
Diarréia prolongada (por mais de 1 mês);
Febre persistente (por mais de 1 mês);
Tosse seca, sem motivo aparente;
Suores noturnos, cansaço;
Lesões esbranquiçadas (Candidíase ou sapinho) persistente, sobretudo na boca ou na genitália;
Manchas avermelhadas pelo corpo.
A maioria das pessoas que são contaminadas pelo vírus HIV chega a passar até 10 (dez) anos sem apresentar qualquer sintoma ou sinal da doença e, alguns, podem até nunca os apresentar, mesmo estando comprovadamente infectado pelo HIV.
Consideram-se fatores de risco (possibilidades) de contrair o vírus HIV as seguintes situações ou condições:
Manter relações sexuais sem preservativo (camisinha), devido a possibilidade do contato com esperma e secreções vaginais contaminadas;
Uso de medicamentos ou drogas injetáveis por qualquer via de administração - intramuscular, endovenosa, subcutânea, intra-articular, ect., devido a possibilidade de a seringa ou a agulha, já terem sido usadas por outra pessoa portadora do vírus HIV;
Transfusão de sangue, devido a possibilidade de o sangue ou o material utilizado estar contaminado com o vírus HIV;
Gravidez, devido a possibilidade da mãe estar ou vir a ser infectada pelo HIV e transmiti-lo para o feto durante a gestação, o parto ou, posteriormente, pelo aleitamento materno;
Procedimentos invasivos (que penetram no corpo), devido a possibilidade dos instrumentos (bisturis, pinças, alicates de unhas, agulhas para tatuagens ou acupuntura, lâminas de barbear etc.) utilizados não serem estéreis ou não terem sido esterilizados adequadamente.
Para saber se está infectado ou não, o indivíduo deve esperar, em média, três meses após a exposição a uma situação de risco, para só depois submeter-se ao teste ANTI-HIV. Esse período é chamado de janela imunológica, isto é, trata-se do tempo necessário para que o organismo produza quantidade suficiente de anticorpos contra o vírus, a ponto de ser detectada pelos exames de sangue. Além disso, os testes não detectam diretamente o vírus, mas os anticorpos para este vírus, devendo ser repetido seis meses após a exposição.
Existe no organismo humano normal um vírus citopático (capaz de destruir células) chamado CD4, que é o responsável por alertar o sistema imunológico (sistema de defesa do organismo) de que é necessário se defender. Sem estar avisado de que precisa combater os invasores, este sistema falha em sua tarefa, tornando os pacientes com AIDS mais vulneráveis a uma ou mais infecções causadas por bactérias, vírus ou outros parasitas.
Uma pessoa cujo sistema imunológico funciona bem, sem estar enfraquecido, possui habitualmente cerca de 500 (quinhentas) ou mais células CD4 por ml ou mm3 (mililitro ou milímetro cúbico) de sangue. A partir deste marcador, o médico pode aconselhar o início ou não da terapia anti-AIDS. Atualmente o tratamento é indicado quando o nível de CD4 se encontra entre 500 e 350, com tendência a diminuir. Abaixo de 250, o sistema imunológico fica muito enfraquecido. Além do coquetel, é possível que sejam introduzidos na rotina diária remédios para evitar doenças oportunistas.
O exame da carga viral indica a quantidade de cópias de HIV por ml ou mm3 (mililitro ou milímetro cúbico) de sangue e, quanto mais o HIV se multiplica no organismo, mais a carga viral se eleva. A carga viral é medida em número de cópias de HIV (por exemplo: 10.000 cópias por ml ou mm3 (mililitro ou milímetro cúbico) de sangue e é considerada indetectável quando está tão baixa que não se pode medi-la.
Há diferentes tipos de testes de carga viral. Alguns não conseguem detectar quantidades menores do que 400 ou 500 cópias de HIV, mas outros, mais precisos, são capazes de detectar quantidades de até 20-50 cópias. Portanto, carga viral indetectável não pode ser considerada sinônimo inexistência de vírus no organismo e pessoas com este marcador podem transmitir a AIDS.
No período entre 1982 a 1989, a sobrevida mediana no Brasil dos pacientes com AIDS maiores de 12 anos era de apenas 5,1 meses (Chequer, 1992), ou seja, após o diagnóstico da primeira infecção oportunista, cerca de 50% dos pacientes morriam em menos de seis meses. Era o período crítico da epidemia. Muito pouco se sabia sobre a doença e a medicina se deparava estarrecida e impotente com um número de mortes cada vez maior.
A mudança deste cenário ocorreu em 1989 com a descoberta do medicamento Zidovudina - AZT, que se mostrou eficaz inicialmente, mas que não alterava o tempo de sobrevivência. Anos depois, surgiram novas substâncias que, associadas ao AZT, aumentaram discretamente a sobrevida das pessoas afetadas, chamada à época terapia dupla.
O avanço nas pesquisas científicas possibilitou o aparecimento, em 1996, de uma proposta terapêutica que demonstrou um aumento da sobrevida, ficando popularmente conhecida como coquetel. Era a terapia anti-retroviral de alta potência. Essa terapia trouxe avanços inestimáveis, propiciando o esclarecimento de aspectos fundamentais da doença. A AIDS passaria a ser uma enfermidade crônica, compatível com sobrevivência e com preservação da qualidade de vida.
No Brasil, desde 1995, o Sistema Único de Saúde - SUS, já disponibilizava medicamentos anti-retrovirais, mas somente a partir de 1996, frente ao ótimo resultado do coquetel, os medicamentos que o compõe têm distribuição obrigatória garantida por lei federal - Lei no 9.313, de 13 de novembro de 1996 de autoria do Senador José Sarney e assinada pelo Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso tornou obrigatória a distribuição de medicamentos anti-HIV pelo sistema público de saúde..
Entre 1982 e 1989, a sobrevida mediana no Brasil dos pacientes com AIDS maiores de 12 anos era de apenas 5,1 meses, ou seja, após o diagnóstico da primeira infecção oportunista, cerca de 50% dos pacientes morriam em menos de seis meses. Muito pouco se sabia sobre a doença e a medicina se deparava estarrecida e impotente com um número de mortes cada vez maior.
A mudança deste cenário ocorreu com a descoberta do medicamento Zidovudina - AZT, em 1989, que se mostrou eficaz inicialmente, mas não alterava o tempo de sobrevivência. Anos depois, surgiram novas substâncias que, associadas ao AZT, aumentaram discretamente a sobrevida das pessoas afetadas, chamada à época terapia dupla.
O avanço nas pesquisas científicas possibilitou o aparecimento, em 1996, de uma proposta terapêutica que demonstrou um aumento da sobrevida, ficando popularmente conhecida como Coquetel Anti-Aids. Era a terapia anti-retroviral de alta potência. Essa terapia trouxe avanços inestimáveis, propiciando o esclarecimento de aspectos fundamentais da doença.
A melhor maneira de combater o vírus é impedir sua multiplicação. É o que fazem os medicamentos anti-HIV, que devem baixar a carga viral, tornando-a indetectável e, se possível, restaurar a imunidade. Mas, para que o tratamento contra a AIDS seja mais eficaz, é recomendável iniciá-lo antes que a pessoa tenha alguma doença e que seu sistema imunológico esteja muito enfraquecido. É a razão pela qual, hoje, muitas pessoas infectadas pelo HIV fazem um tratamento enquanto dispõem de boa saúde. Todavia, o início de tratamento raramente ocorre com urgência. É importante informar-se bem com seu médico, grupos e outras pessoas sob tratamento e se preparar antes de começar um tratamento anti-HIV.
O estado de saúde de cada pessoa, o estilo de vida e preferências pessoais vão influenciar a escolha das drogas anti-retrovirais.
A seguir, alguns tópicos que devem, também, ser considerados:
A combinação de drogas deve ser forte o suficiente para baixar a carga viral aos mais baixos níveis possíveis, que irão reduzir os riscos do surgimento de doenças oportunistas no futuro;
Na terapia combinada é melhor não incluir nenhuma droga anti-retroviral que já tenha sido usada como monoterapia;
Ao escolher a primeira combinação de drogas é importante planejar a longo prazo. O ideal é que o infectologista informe qual é a segunda opção, caso a primeira falhe;
Existe a possibilidade do aparecimento de efeitos colaterais. Assim, antes de iniciar a terapia é prudente levá-los em consideração e discuti-los com o médico;
Alguns anti-retrovirais interagem de maneira ruim com outros medicamentos que possam estar sendo tomados. Podem tornar-se menos eficazes ou, por outro lado, até perigosos. É indispensável, portanto, que o médico esteja ciente das outras medicações utilizadas junto com o coquetel.
Atualmente, há 17 drogas que compõem o arsenal contra o HIV, são elas:
Inibidoras da protease: indinavir (Crixivan); ritonavir (Norvir); saquinavir (Invirase ou Fortovase); nelfinavir (Viracept); amprenavir (Agenerase); lapinovir (Kaletra).
Inibidoras da Transcriptase Reversa Nucleosídeos: zidovudina (Retrovir ou AZT); didanosina (Videx ou ddI); zalcitabina (Hivid ou ddC); estavudina (Zerit ou d4T); lamivudina (Epivir ou 3TC); combivir (AZT + 3TC); abacavir (Ziagen); Trizivir (AZT + 3TC + abacavir).
Inibidoras da Transcriptase Reversa Não Nucleosídeos: nevirapina (Viramune); efavirenz (Sustiva); delavirdina (Rescriptor).
São os medicamentos anti-retrovirais usados após a exposição acidental da pessoa ao vírus. No Brasil é preconizado após acidentes de trabalho, quando médicos ou pessoal da enfermagem se ferem com uma agulha ou objeto cortante contaminado; ou em vítimas de estupros. Em alguns países, como a França, tem sido recomendado também depois de relação sexual sem preservativos com parceiro infectado.
Momento ideal para iniciar o tratamento com o coquetel:
Ninguém sabe qual é o momento ideal para o início da terapia. A decisão vai depender das condições de saúde da pessoa e da linha científica adotada pelo médico. No Brasil, existe um consenso elaborado por técnicos do Ministério da Saúde, segundo o qual deve-se dar medicamentos quando a carga viral superar 100.000/ml e o CD4 tornar-se inferior a 500/ml. Pessoas com CD4 maior que 500/ml só devem iniciar a terapia quando a carga viral for maior a 100.000 cópias/ml.
A terapia combinada vem apresentando bons resultados em diferentes estágios da infecção (pessoas com ou sem sintomas). Isso significa que não há evidências da relação entre tempo e melhores resultados.
O HIV infecta as células do sistema imunológico (principalmente as células CD4) e as utiliza para fazer novas cópias do vírus. Estas cópias, então, continuam infectando outras células vizinhas. Com o tempo, isso vai diminuindo a habilidade do corpo em combater infecções. As drogas anti-retrovirais agem impedindo o HIV de se reproduzir dentro das células CD4, cessando a infecção de novas células pelas suas cópias. Ao fazer isto, a quantidade de HIV no organismo diminui e o dano que ele pode causar ao sistema imunológico também é reduzido.
Significa usar duas ou mais drogas juntas, o que popularmente se conhece como coquetel e é muito mais eficaz e duradoura do que monoterapia (um medicamento de cada vez) na tarefa de reduzir a quantidade de HIV presente no organismo, prevenindo, assim, o desenvolvimento dos sintomas da AIDS.
Quando uma população de vírus é combatida por mais de uma droga, torna-se mais raro o surgimento de vírus mutantes ou resistentes. Hoje, a monoterapia é utilizada somente por gestantes infectadas pelo HIV, em esquema de quimioprofilaxia da transmissão mãe-filho.
Visando diminuir ou eliminar alguns efeitos colaterais, médicos e pacientes estão experimentando trocar o esquema de drogas. Vários estudos em andamento sugerem que esta estratégia pode ser bem-sucedida no caso de redução de níveis de triglicérides e colesterol, ao contrário do que ocorre com a lipodistrofia, para a qual, até o momento, não existe resposta definitiva.
Em alguns casos, as reações adversas são mais severas no início do tratamento, mas diminuem com o tempo, se a pessoa puder tolerá-las. Em outros, podem ser controladas pela sensibilização, isto é, iniciar-se a droga com dose menor do que a habitual, aumentando-a gradativamente.
De qualquer forma, conscientização é a palavra-chave na hora de aliviar ou eliminar os efeitos colaterais dos antivirais: cabe aos médicos informar seus pacientes sobre as potenciais reações (a maioria não experimenta reação alguma). Mas, é obrigação do paciente comunicar ao médico todas as sensações diferentes devidas aos remédios, mesmo as aparentemente simples.
Certas classes de drogas são associadas com maior freqüência a efeitos secundários específicos. Por exemplo, alguns análogos de nucleosídeos (AZT, ddI, 3TC etc.) tendem a causar reduções no número de glóbulos brancos e toxicidade mitocondrial (ataque a filamentos no interior das células).
Alguns inibidores da transcriptase reversa não nucleosídeos (delavirdina, nevirapina, efavirenz) causam mais reações cutâneas (doenças na pele). Já o tratamento anti-HIV de longo prazo, especialmente os que empregam regimes que incluem um inibidor da protease (indinavir, saquinavir, ritonavir etc.), é associado a elevações do nível de gordura no sangue (diabetes) e redistribuição de gordura no organismo (lipodistrofia).
Entende-se por efeitos colaterais, também conhecidos como efeitos secundários, toxicidade farmacológica ou reações adversas, qualquer reação inesperada produzida por um medicamento. Podem ser leves e transitórios; moderados e persistentes; graves ou potencialmente mortais e, infelizmente, alguns destes efeitos não são confirmados até que o fármaco esteja aprovado, devidamente comercializado e utilizado por milhares de pessoas.
Os efeitos colaterais mais freqüentes que se apresentam no início do tratamento incluem cansaço, náusea, vômitos, diarréia, dores musculares, dor de cabeça e irritação de pele. Outros efeitos variam de acordo com o tipo de remédio que está sendo usado. Pacientes com AIDS em estágio avançado tendem a apresentar reações adversas com mais freqüência.
A terapia combinada previne o desenvolvimento das infecções, diminui a carga viral e aumenta a contagem de CD4. Algumas semanas após o início do tratamento, muitas pessoas sentem que recuperaram o apetite e o peso e ainda, sua energia e bem-estar.
Pode-se, inclusive, aumentar o interesse sexual. Entretanto, ainda não se sabe com certeza durante quanto tempo a combinação de drogas irá manter seus benefícios. Até agora, mostrou-se efetiva por, pelo menos, dois anos.
Se a carga viral aumentar rapidamente ou de maneira sistemática, durante um tempo, mesmo com o uso da terapia combinada, isto indica que se está diante de um HIV resistente a alguma droga.
Para evitar esse problema, recomenda-se:
Não incluir na terapia combinada drogas anti-retrovirais que já tenham sido usadas em monoterapia (uso de um só remédio);
Tomar as drogas nos horários certos e com dieta adequada;
Encontrar uma combinação que consiga reduzir a carga viral e mantê-la muito baixa, preferivelmente em níveis indetectáveis.
Dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos aos portadores do HIV e doentes de AIDS.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1° - Os portadores do HIV (vírus da imunodeficiência humana) e doenças de AIDS (Sindrome da Imunodeficiência Adquirida) receberão, gratuitamente, do Sistema Único de Saúde, toda a medicação necessária a seu tratamento.
§ 1° O Poder Executivo, através do Ministério da Saúde, padronizará os medicamentos a serem utilizados em cada estágio evolutivo da infecção e da doença, com vistas a orientar a aquisição dos mesmos pelos gestores do Sistema Único de Saúde.
§ 2° A padronização de terapias deverá ser revista e republicada anualmente, ou sempre que se fizer necessário, para se adequar ao conhecimento científico atualizado e à disponibilidade de novos medicamentos no mercado.
Art. 2° - As despesas decorrentes da implementação desta Lei serão financiadas com recursos do orçamento da Seguridade Social da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, conforme regulamento.
Art. 3° - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4° - Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília,13 de novembro de 1996; 175° da Independência e 108° da República
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
José Carlos Seixas
Fonte: www.sespa.pa.gov.br
AIDS é a sigla da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, provocada por uma vírus chamado HIV.
O HIV pode contaminar indivíduos que se envolvem em situações de risco sem proteção. Essas situações estão muito bem definidas e caracterizadas, sendo, portanto, facilmente evitáveis.
Em casos de AIDS, manifestam-se diversas doenças, porque o sistema de defesa do organismo humano fica desorganizado pela ação do HIV.
Através de três maneiras muito bem definidas e caracterizadas:
Contato com esperma e secreção vaginal (líquidos que estão presentes no corpo do homem e da mulher no momento da transa) contaminados, em práticas sexuais com penetração sem o uso da camisinha;
Contato com sangue contaminado, seja através de transfusões, seja através do compartilhamento de agulhas e seringas, principalmente entre usuários de drogas injetáveis;
Da mãe para criança durante a gestação, parto e aleitamento.
No caso de prática sexual com penetração, seja retal, vaginal ou oral, use sempre camisinha de forma correta. Sabendo usar o preservativo você diminui sensivelmente a possibilidade de rompimento;
Pratique sempre sexo mais seguro, que são formas de transar através das quais você não entra em contato com esperma, secreção vaginal ou sangue;
Exija sangue previamente testado nas transfusões, seja em hospitais públicos ou privados;
Dê preferência a agulhas e seringas descartáveis, nessa impossibilidade, as esterilize no calor ou com água sanitária, principalmente no uso de drogas injetáveis.
Lembre-se
Não há nenhum risco de se contrair o HIV nos contatos de convívio familiar, social ou profissional. Por isso, não tenha receio de conviver com alguém que tenha HIV ou AIDS.
Faça sempre uso de sexo mais seguro nas suas transas. Assim, você continua sentindo prazer e elimina o risco de contaminação pelo vírus da AIDS.
Seja criativo, não deixe de sentir prazer por medo do vírus. Se não houver camisinha, invente outra forma de transar. Negocie com o seu parceiro (a) uma outra maneira de ser feliz no sexo, sem riscos.
Hoje, a camisinha tem uma importância muito grande na hora de transar. Ela tem seu momento e seu lugar. O tesão pelo seu parceiro(a) pode ser muito grande e, por isso, é preciso que a camisinha esteja sempre à Mão. Agora ela faz parte do jogo amoroso, sendo importante saber usá-la de maneira segura.
Não abra a embalagem de qualquer jeito. Você pode rasgar a camisinha. Abra-a apenas de um lado, de uma extremidade a outra.
Muitos acham que a camisinha diminui a sensibilidade enquanto fazem amor. Não deixe de usá-la por isso.
Faça o seguinte: ponha apenas uma gota de lubrificante à base de água dentro do biquinho da camisinha. Isso dará ao falo uma sensação de umidade natural, garantindo o seu prazer e o de seu parceiro.
Quando o falo estiver duro, coloque a camisinha na cabeça dele. Retire o ar da extremidade da camisinha pressionando a ponta com os dedos. Isto dará espaço para o esperma depois que você gozar. Não é preciso torcer o biquinho para tirar o ar.
Desenrole a camisinha até a base do falo, deixando-a ainda um pouco enrolada para pressionar e mantê-la segura. Se você tiver fimose, rebaixe o prepúcio antes de desenrolar a camisinha.
Caso você ache que a lubrificação que já vem na camisinha seja pouca, passe mais lubrificante à base de água depois de desenrolá-la. Não lubrifique o falo antes de vestir a camisinha.
Depois de gozar, retire o falo, ainda duro, do orifício retal de seu parceiro, segurando-o pela base para que a camisinha não fique dentro dele. Retire a camisinha de seu órgão genital antes que ele amoleça e tomando cuidado para não derramar o esperma. Depois de retirada, dê um nó e jogue-a no cesto de lixo. A camisinha não deve ser reaproveitada.
Confira essas dicas e não vacile. Faça a cabeça com elas.
No caso de fazer lavagens do interior do orifício retal ou aparelho genital feminino, nunca utilize água sanitária ou álcool. Eles são nocivos às mucosas internas do corpo humano.
Evite também o uso de sabões, detergentes ou cremes nas lavagens ou duchas retais/vaginais. Esses produtos irritam e fragilizam a mucosa retal e a vaginal, deixando de ser uma proteção. Use apenas água limpa.
Evite fazer lavagens ou duchas imediatamente antes de uma relação sexual. Elas tornam as mucosas mais frágil e podem favorecer a passagem do vírus para a corrente sangüínea.
Não se esqueça: lavagem freqüente diminui a flora e a proteção natural de seu intestino ou, no caso da mulher, de sua genitália.
Não faça uso de lubrificantes à base de óleo (vaselina, cremes, manteiga...) para aumentar a lubrificação da camisinha. Esse tipo de lubrificante superaquece e corrói o látex. É muito frustrante ter que interromper a transa para trocar a camisinha, não?
Evite ainda usar saliva ou esperma como lubrificantes.
Utilize apenas lubrificantes solúveis em água: K-Y ou Preserv-gel. Ao contrário dos outros, estes dão a sensação de umidade e não comprometem a qualidade da camisinha.
Por medida de segurança, evite o contato de mucosas com feridas do corpo do parceiro. Elas podem transmitir outras doenças.
Lave-se sempre antes e após qualquer transa. É uma forma de demonstrar carinho e respeito por seu corpo e pelo de seu parceiro.
Elas são provocadas por vários tipos de micróbios que se transmitem de uma pessoa a outra, principalmente nas relações sexuais.
As DST podem ser transmitidas:
Nas relações sexuais: retal, vaginal e oral
Ao compartilhar agulhas e seringas, no uso de drogas injetáveis
Da mãe para o filho, durante a gravidez, o parto e a amamentação
Quando se recebe transfusão de sangue contaminado
As DTS mais importantes são:
Sífilis
Gonorréia
Uretrite não Gonocóica (Gota Matinal)
Cancro Mole
Herpes Genital
Condiloma Acuminado (Crista de Galo)
Tricomaníase
Linfogranuloma Venéreo (Mula)
Hepatite B
AIDS
Como se proteger
Use camisinha em todas as relações sexuais. (Saiba como usa-la corretamente)
Só utilize agulhas e seringas descartáveis ou desinfetadas. O uso deve ser pessoal. Não divida nunca com outras pessoas
Sífilis
Feridas sem dor, nos órgãos sexuais, caroços e ínguas na virilha, manchas em várias partes do corpo, queda de cabelo. Toda mulher grávida deve fazer o exame de sangue, pois o filho poderá nascer com a doença.
Gonorréia (blenorragia) (pingadeira)
Ardência ou formigamento ao urinar, corrimento de cor amarelada ou com sangue, gota de pus.
Cancro Mole (cavalo)
Várias feridas dolorosas com pus nos órgãos sexuais, dor e íngua.
Linfogranuloma Venéreo (mula)
Íngua dolorosa, geralmente de um lado só.
Tricomoníase Vaginal
Corrimento amarelado com mau cheiro, coceira, dor durante o ato sexual, ardência ao urinar.
Condiloma Acuminado (crista de galo)
Verrugas no aparelho genital feminino, masculino ou orifício retal.
Candidíase Vaginal
Coceira forte, corrimento de cor branca sem cheiro, dor, órgão genitais avermelhados, ardência ao urinar.
Herpes Genital
Pequenas bolhas nas partes externas dos órgãos sexuais, ardência e coceira. As bolhas se transformam em feridas.
Vem causando, nos últimos meses, uma grande polêmica a discussão sobre resolutividade do preservativo enquanto método de prevenção à AIDS devido a porosidade do material com o qual é confeccionado - o látex. Grande parte das discussões na imprensa tiveram como base de argumentação evidências científicas, muitas vezes irrefutáveis, porém contaminadas por leituras emocionadas e/ou moralizantes de resultados de pesquisas de renomados cientistas do mundo inteiro, produzindo a publicação de meias verdades.
Pesquisas indicam que o látex possui microporos em função de seu processo de manufatura que variam de acordo com o produto fabricado, podendo chegar até a 5,0 mícrons, no caso de preservativos.
A preocupação gerada pela presença dos poros no preservativo dá-se quando se tem em vista a dimensão do HIV, que é da ordem de 0,1 mícron, o que fez com que a camisinha fosse comparada, por muitos, de forma ingênua e equivocada, a uma peneira onde o HIV poderia ultrapassar, sem obstáculos, transmitindo AIDS para todos os que inocentemente acreditaram nela como barreira de proteção.
Cabem aqui algumas explicações sobre o mecanismo de infecção pelo HIV que são de fundamental importância para se entender porque o preservativo de borracha sempre foi e continua a ser uma barreira eficaz contra o vírus da AIDS. Em primeiro lugar, é importante saber que o HIV possui baixo poder de transmissibilidade quando livre na corrente sangüínea, na medida em que necessita estar associado a uma célula para que seu material infectante possa ser transferido para dentro do organismo do indivíduo.
Essa associação do HIV com a célula do sistema de defesa do ser humano faz com que sua dimensão ultrapasse milhões de vezes o tamanho do poro presente na camisinha, tornando impossível a passagem da célula infectada pela barreira de borracha.
A baixa transmissibilidade do vírus livre se deve ao fato de que ele possui alta seletividade com relação ao seu "alvo de ataque", necessitando encontrar receptores celulares capazes de receberem o seu material infectante, receptores que não estão presentes em todas as células do corpo humano, principalmente em mucosas íntegras.
Além disso, o HIV livre é caracterizado por sua vulnerabilidade frente às defesas naturais do organismo, podendo ser inativado quando envolto por substâncias produzidas pelo sistema imunológico, como o muco.
Outras especificidades do HIV poderiam ser apontadas demonstrando o quanto ele é frágil tendo em vista o que se pode fazer para se proteger no caso da prática de sexo mais seguro, em particular, no uso de preservativos. Por sua vez, argumentos sobre a ineficácia da camisinha, que têm como base de sustentação a possibilidade de seu rompimento, são, no mínimo, questionáveis. Várias pesquisas já foram realizadas e concluíram sobre a validade do preservativo como forma eficaz de prevenção, mostrando que o uso correto da camisinha reduz substancialmente o risco de seu rompimento ou deslizamento durante o ato sexual.
Em tempos de AIDS é importante reconhecer o risco como possível, avaliar e eleger as alternativas de proteção disponíveis colocando-as em prática. No caso de dúvidas e questionamentos, converse sobre o assunto com pessoas de sua confiança, refletindo sobre as fontes de informações que teve acesso e suas motivações, lembrando que promoção à saúde nem sempre pode ser conjugada amigavelmente com posições religiosas ou princípios morais e VIVA com segurança e prazer.
O preservativo feminino - chamado Femidom - deve chegar à América Latina no segundo semestre de 1997.
A demora da comercialização se deve ao alto preço do produto: US$ 1,50 cada unidade, enquanto uma caixa com três preservativos custa, em média, cerca de US$ 2,50 no mercado brasileiro. O Femidom é uma espécie de saquinho, confeccionado com um látex mais resistente do que o usado nas camisinhas, com um anel de borracha em cada uma das extremidades. Com uma das mãos, a mulher o introduz na genitália - da mesma maneira como faz com um absorvente interno - deixando o maior anel do lado de fora. O anel interno deve ser acomodado no final da genitália. De acordo com o manual de instruções, a mulher sente quando o preservativo está bem colocado.
O ato sexual se passa normalmente e o parceiro ejacula dentro do saquinho, que depois é retirado ao se puxar o anel externo.
Os negociadores técnicos do Mercado Comum do Sul - Mercosul - fixaram as medidas da resolução 36/96, denominada Requisitos Especiais para o preservativo masculino de látex, após numerosos testes sobre capacidade volumétrica e de resistência. Foram estabelecidas medidas mínimas de 16 cm de comprimento e 4,4 cm de largura para as camisinhas que circulem no Bloco dos países do sul. As provas sobre pressão de arrebentação das camisinhas permitiu o estabelecimento de uma espessura mínima não inferior a 0,045 mm.
A Blowtex está lançando no mercado brasileiro a primeira camisinha destinada a adolescentes. A Blowtex Teens tem medidas especiais para se ajustar melhor ao corpo do adolescente, evitando problemas no ato da colocação da camisinha ou no desenrolar da transa.
A principal diferença é o comprimento: o novo modelo tem 16 cm, dois a menos que o tradicional. A largura diminui apenas 1mm e passa a ter 5,1 cm. Como os preservativos convencionais, a Blowtex Teens é apresentada em embalagem com três unidades e vem acompanhada de uma bula explicando em linguagem tipicamente adolescente como deve ser usada corretamente para que não ocorram deslizamentos e/ou rompimentos.
O trabalho de prevenção de DST/AIDS entre adolescentes torna-se, a cada ano que passa, um dos grandes imperativos do enfrentamento da epidemia em todo mundo. Embora os casos de AIDS notificados oficialmente demonstrem que a maior incidência da doença ocorre entre pessoas de 20 a 44 anos, sabe-se que, devido ao longo tempo decorrido entre a infecção pelo HIV e sua primeira manifestação clínica, pode-se estimar que grande parte das novas contaminações estão se dando na adolescência. Ainda pelos dados estatísticos, toma-se conhecimento que a maior parte dos jovens se contamina através de relações sexuais não protegidas e que o uso de drogas injetáveis começa a aparecer como causa emergente e preocupante de transmissão do HIV, principalmente entre os adolescentes do sexo masculino.
O Brasil testemunha uma nítida mudança nos padrões epidemiológicos da AIDS nos últimos anos. Se até 1987 havia ainda estados da federação, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste do país, com menos de cinco casos notificados da doença com a epidemia se restringindo, basicamente, às metrópoles regionais do Sudeste, se observa no início dos anos 90, um aumento nas taxas de incidência em regiões geograficamente afastadas do eixo Rio e São Paulo.
Observa-se que paralelamente à contínua expansão da epidemia no grandes centros, a infecção do HIV se difunde para o conjunto do país. Entre a população com mais de 13 anos de idade percebe-se uma tendência de alteração da participação relativa das categorias de exposição entre o início da epidemia e a presente década. A categoria uso de droga injetável tem sua participação aumentada de 12,8% no período de 1980-88 para 25,1% a partir de 1993. Também ganha expressão crescente a transmissão heterossexual que representava 3,1% dos casos notificados nesse mesmo período saltando para 27,2% no ano de 1994.
Essas categorias de exposição, de relevância crescente, estariam ocupando o espaço deixado pela retração da participação proporcional das categorias de exposição homo e bissexual que passaram de 53,8% no período de 80-88 para 26% em 93. É importante ressaltar que a alteração quanto à participação proporcional das diversas categorias de exposição reflete uma difusão da epidemia a outros grupos sociais, rompendo com a equivocada noção de grupos de risco, mas não aponta para um decréscimo real da epidemia entre homens que fazem sexo com outros homens.
As mulheres brasileiras estão experimentando um grande aumento no risco de contrair o vírus da AIDS. Enquanto em 1985 para cada 99 homens infectados havia uma mulher contaminada, uma década depois essa relação caiu para uma mulher infectada para cada quatro homens, em média. As campanhas de prevenção freqüentemente falham em relação à mulheres por assumirem que elas não estão em risco ou por promoverem métodos preventivos sobre os quais as mulheres têm pouco ou nenhum poder de decisão, como o uso de preservativos, abstinência sexual ou fidelidade mútua.
O aumento do número de casos de AIDS entre mulheres não é observado apenas no Brasil e pode ser entendido se levarmos em conta que 90% dos casos de AIDS hoje estão concentrados em países em desenvolvimento onde as mulheres, em sua maioria, ainda não conseguiram a independência econômica ou social.
Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos femininos acumulados no Brasil em 95/96 é de 1.978 - 1002 transmitidos por relações sexuais não protegidas; 412 por transmissão sanguínea, inclusive uso de drogas; 131 por transmissão perinatal e 433 não definidas.
Segundo dados estimativos, mais de sete milhões de casos de AIDS foram registrados no mundo desde o surgimento da epidemia em 1981 e mais de 4,5 milhões de pessoas morreram por causa dela. Calcula-se que são mais de 21 milhões de adultos infectados no mundo, sendo 12,2 milhões de homens e 8,8 milhões de mulheres, além de 800 mil crianças. Entre 75 e 85% das infecções se devem a relações sexuais sem proteção e quase três quartos dessas infecções são produto de relações heterossexuais. No entanto, observa-se um aumento crescente no número de casos entre usuários de drogas injetáveis que compartilham agulhas e seringas que atualmente representam 10% dos casos reportados. Noventa por cento dos portadores do vírus vivem em países pobres e repartem 10% das verbas destinadas ao combate da epidemia no mundo. Apesar de todos os esforços, a epidemia continua progredindo em um ritmo atual de cinco novas infecções por minuto, principalmente em países em desenvolvimento. Em termos de distribuição geográfica das pessoas contaminadas pelo HIV, o conjunto do continente africano lidera com 14 milhões de pessoas infectadas. Em seguida vem o sudeste da Ásia com 4,8 milhões e a América Latina com 1,3 milhão de pessoas. Na América do Norte, sendo a grande maioria nos EUA, já são 780 mil pessoas vivendo com AIDS. A Europa Ocidental possui 470 mil pessoas; os países da África do Norte e Oriente Médio com 192 mil; o leste da Ásia e Pacífico com 35 mil. A Austrália, que possui 13 mil pessoas infectadas segundo dados epidemiológicos, é o primeiro país do mundo onde a epidemia apresenta retrocesso no índice de novos casos.
O aumento do índice de infecção pelo HIV entre heterossexuais, principalmente nos países em desenvolvimento, deve-se em grande parte à reincidência das doenças sexualmente transmissíveis, consideradas portas de entrada para o vírus da AIDS e facilitadoras da infecção em até 16 vezes. Estudos de pesquisadores em todo mundo indicam que a transmissão da AIDS poderá ser reduzida em mais de 40% se as DSTs forem tratadas e previnidas. Esses mesmos estudos mostram que com exceção de uma vacina eficaz o controle das doenças "venéreas" se apresenta como uma das intervenções preventivas de maior efeito na luta contra a epidemia no mundo. São diagnosticados 333 milhões de novos casos de DSTs por ano em todo mundo.
Estudos científicos indicam que o risco de uma criança se contaminar pelo HIV quando sua mãe é portadora do vírus aumenta em 14,4 pontos percentuais quando ocorre amamentação materna direta. O risco de infecção do HIV da mãe para o filho durante a gestação e o parto varia de 13% nos países europeus para 25% nos países em desenvolvimento. Com a amamentação, esses riscos saltariam para 27,4% na Europa e para 39,9% em alguns países da África. O programa de AIDS das Nações Unidas (Unaids) recomenda a amamentação em populações onde o risco de desnutrição infantil é muito maior que o risco de infecção pelo HIV em função de condições sócio-econômicas.
No Brasil, a recomendação é pasteurizar o leite materno, evitando o processo de amamentação direta, uma vez que torna-se impossível aceitar a possibilidade da prática da amamentação de mulheres infectadas pelo HIV, independente da justificativa para tal propósito. A Comissão Nacional de AIDS entende que o Poder Público deve garantir o acesso a alimentos substitutivos àquelas mães que só disponham do próprio leite como fator de sobrevivência de seu filho.
Fonte: www.salves.com.br