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Taça de Coral

alberto de oliveira

Lícias, pastor — enquanto o sol recebe,

Mugindo, o manso armento e ao largo espraia.

Em sede abrasa, qual de amor por Febe,

— Sede também, sede maior, desmaia.

Mas aplacar-lhe vem piedosa Naia

A sede d'água: entre vinhedo e sebe

Corre uma linfa, e ele no seu de faia

De ao pé do Alfeu tarro escultado bebe.

Bebe, e a golpe e mais golpe: — "Quer ventura

(Suspira e diz) que eu mate uma ânsia louca,

E outra fique a penar, zagala ingrata!

Outra que mais me aflige e me tortura,

E não em vaso assim, mas de uma boca

Na taça de coral é que se mata"

Fonte: Jornal de Poesia

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