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Alcoolismo

Alcoolismo, a qual é também conhecida como "síndrome de dependência de álcool", é uma doença que se caracteriza pelos seguintes elementos:

Desejo: Um forte necessidade, ou compulsão, para beber.
Perda de controle:
a freqüente incapacidade de parar de beber uma vez que uma pessoa tenha começado.
Dependência física:
a ocorrência de sintomas de abstinência, como náusea, sudorese, ansiedade, tremores, e, quando o uso do álcool é interrompido após um período de beber pesado. Estes sintomas geralmente são aliviados bebendo álcool ou tomando outra droga sedativa.
Tolerância:
a necessidade de aumentar as quantias de álcool para ficar "alto".

Alcoólicos não pode simplesmente sair

O alcoolismo tem pouco a ver com o tipo de álcool uma pessoa bebe, há quanto tempo tem sido uma bebida, ou até mesmo exatamente quanto álcool uma consome. Mas tem muito a ver com a necessidade incontrolável de uma pessoa para o álcool.

Esta descrição do alcoolismo nos ajuda a entender por que a maioria dos alcoólicos não pode apenas "usar um pouco de força de vontade" para parar de beber.

Ele ou ela é freqüentemente sob o domínio de uma ânsia poderosa para o álcool, uma necessidade que pode se sentir tão forte como a necessidade de água ou comida.

Enquanto algumas pessoas são capazes de recuperar sem ajuda , a maioria dos indivíduos alcoólicos precisam de ajuda externa para se recuperar de sua doença. Com apoio e tratamento , muitos indivíduos são capazes de parar de beber e reconstruir suas vidas.

Muitas pessoas se perguntam: Por que algumas pessoas usam álcool sem problemas, enquanto outros são completamente incapazes de controlar seu consumo de álcool.

Genética, ambiente, têm um papel

No entanto, é importante reconhecer que os aspectos do ambiente de uma pessoa, tais como a influência dos colegas e da disponibilidade de álcool, também são influências significativas. Herdadas e as influências ambientais são chamados " fatores de risco ".

Mas o risco não é destino. Só porque o alcoolismo tende a ocorrer em famílias não significa que um filho de um pai alcoólico automaticamente desenvolver alcoolismo.

O que é o abuso de álcool?

O abuso do álcool difere do alcoolismo em que ele não inclui um desejo extremamente forte para o álcool, a perda de controlo ou de dependência física. Além disso, o abuso de álcool é menos provável do que a alcoolismo incluem tolerância (a necessidade de quantidades crescentes de álcool para obter o "alto").

O abuso de álcool é definido como um padrão de consumo que é acompanhada por uma ou mais das seguintes situações dentro de um período de 12 meses:

Incumprimento de grande trabalho, escola ou responsabilidades em casa.

Beber em situações que são fisicamente perigosas, como ao dirigir um carro ou máquinas de funcionamento.

Recorrentes problemas relacionados ao álcool legais, tais como ser preso por dirigir sob a influência de álcool ou de ferir alguém fisicamente. enquanto estava bêbado

Continuou bebendo, apesar de ter problemas de relacionamento em curso que são causadas ou agravadas pelos efeitos do álcool.

Enquanto o abuso de álcool é essencialmente diferente do alcoolismo, é importante notar que muitos efeitos do abuso do álcool também são sentidas por alcoólicos.

O alcoolismo pode ser curado?

Embora o alcoolismo é uma doença tratável, a cura ainda não está disponível. Isso significa que mesmo que um alcoólatra tem estado sóbrio por um longo tempo e recuperou a saúde, ele ou ela permanece suscetível a recaídas e deve continuar a evitar todas as bebidas alcoólicas. "Cortar" em beber não funciona; cortar o álcool é necessário para uma recuperação bem sucedida.

No entanto, mesmo os indivíduos que estão determinados a ficar sóbrio pode sofrer um ou vários "deslizes", ou recaídas, antes de chegar à sobriedade de longo prazo. Recaídas são muito comuns e não significam que uma pessoa fracassou ou não pode eventualmente se recuperar do alcoolismo. Tenha em mente, também, que a cada dia que um alcoólatra em recuperação está sóbrio antes de uma recaída é extremamente valioso tempo, tanto para o indivíduo e para a sua família. Se ocorre uma recidiva, é muito importante tentar parar de beber uma vez e para obter todo o apoio adicional é necessário para abster-se de beber.

Alcoólicos Anônimos

Praticamente todos os programas de tratamento do alcoolismo também incluem reuniões de Alcoólicos Anônimos (AA), que se descreve como uma "irmandade mundial de homens e mulheres que se ajudam mutuamente para ficar sóbrio." Enquanto AA é geralmente reconhecido como um programa de ajuda mútua eficaz para a recuperação de alcoólicos , nem todos respondem ao estilo de AA e mensagem, e as abordagens de recuperação de outros estão disponíveis. Mesmo aqueles que são ajudados por AA geralmente descobrem que AA funciona melhor em combinação com outros elementos do tratamento, incluindo aconselhamento e assistência médica.

Alcoolismo

O alcoolismo é um termo amplo para problemas com álcool , e é geralmente usada para significar compulsivo consumo e descontrolado de bebidas alcoólicas , geralmente em detrimento da saúde do bebedor, relacionamentos pessoais, e posição social. É clinicamente considerada uma doença , especificamente uma doença viciante, e em psiquiatria vários outros termos são utilizados, especificamente " abuso de álcool "e" dependência de álcool ", que tem definições ligeiramente diferentes.

Em 1979, um especialista da Organização Mundial da Saúde comitê desanimado o uso de "alcoolismo" na medicina, preferindo a categoria de "síndrome de dependência do álcool".

Nos séculos 19 e início do 20, a dependência de álcool, em geral, foi chamado dipsomania , mas esse termo agora tem um significado muito mais específico.

As pessoas que sofrem de alcoolismo são muitas vezes chamados de "alcoólicos". Muitos outros termos, alguns deles insultando ou informal , têm sido utilizados ao longo da história. A Organização Mundial da Saúde estima que existam 140 milhões de pessoas em todo o mundo com o alcoolismo.

O alcoolismo é chamado de "doença dual", uma vez que inclui tanto mentais e físicas componentes.

Os mecanismos biológicos que causam o alcoolismo não são bem compreendidos. ambiente social , estresse, a saúde mental , história familiar , idade, grupo étnico, e de gênero de toda a influência do risco para a doença.

O consumo de álcool significativo produz mudanças na estrutura do cérebro e da química, apesar de algumas alterações ocorrem com o uso mínimo de álcool por um período curto prazo, tais como tolerância e dependência física . Estas mudanças manter a pessoa com incapacidade compulsivo do alcoolismo de parar de beber e resultar em síndrome de abstinência de álcool se a pessoa parar. O álcool causa danos em quase todos os órgãos do corpo, incluindo o cérebro. Os efeitos cumulativos tóxicos de abuso crônico de álcool pode causar problemas tanto médicas e psiquiátricas.

Identificar o alcoolismo é difícil para o indivíduo afligido por causa do estigma social associado à doença que faz com que as pessoas com o alcoolismo para evitar diagnóstico e tratamento por medo da vergonha ou consequências sociais. As respostas de avaliação a um grupo de questionamento padronizado é um método comum para o diagnóstico de alcoolismo. Estes podem ser usados para identificar padrões de consumo nocivos, incluindo o alcoolismo.

Em geral, os problemas com o álcool é considerado o alcoolismo quando a pessoa continua a beber apesar de problemas sociais ou de saúde causados pelo consumo.

O tratamento do alcoolismo tem várias etapas. Por causa dos problemas de saúde que podem ser causados pela abstinência, desintoxicação de álcool é cuidadosamente controlada e pode envolver medicamentos, tais como as benzodiazepinas , tais como o diazepam (Valium).

As pessoas com alcoolismo também, por vezes, ter outros vícios, incluindo dependência de benzodiazepinas, que pode complicar este passo.

Após a desintoxicação, outro apoio, tais como terapia de grupo ou grupos de auto-ajuda são usados para ajudar a pessoa a permanecer sóbrio.

Thombs (1999) afirma de acordo com o alcoolismo ciências comportamentais é descrito como um "comportamento desajustado". Ele explica que não deve ser confundida com "mau comportamento".

Cientistas comportamentais explicar que os viciados têm um padrão de comportamento que pode levar a consequências destrutivas para si próprios, suas famílias e da sociedade. Isso não viciados rótulo como ruim ou irresponsável.

Em comparação com os homens, as mulheres são mais sensíveis à nocivos físicos do álcool, os efeitos cerebrais e mentais.

Fonte: www.geocities.com

Alcoolismo

ALCOOLISMO EM CUIDADOS PRIMÁRIOS: DIAGNÓSTICO, DESINTOXICAÇÃO E PREVENÇÃO DA RECAÍDA

RESUMO

O alcoolismo é um problema que afeta amplamente a comunidade sendo, porém, oculto pelos tabus e vergonhas que as famílias têm em lidar com o problema.

Assim, a magnitude do problema fica oculta – dificultando uma atitude mais efetiva de enfrentamento da situação. O trabalho consiste em revisar a história e os conceitos vigentes sobre o alcoolismo, propondo uma abordagem sistêmica ao problema, considerando o alcoolismo como um hábito adquirido que pode ser desaprendido. É feita uma abordagem de enfrentamento do problema, com enfoque em prevenção primária, desintoxicação do paciente alcoolista e a prevenção da recaída. Seguindo a teoria sistêmica e uma abordagem comportamental, procura apresentar uma maneira simples e objetiva de lidar com a questão.

1 INTRODUÇÃO

A freqüência do problema do alcoolismo, geralmente oculto, é alarmante quando se estuda o padrão de comportamento da comunidade, analisando suas causas e determinantes. Mostrou-se necessário desenvolver estratégias de enfrentamento do alcoolismo de forma simples e prática, que pudesse ser executada a partir da realidade das Unidades de Saúde da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Como referencial deste estudo, foi considerado que trabalhamos dentro de Unidades de Saúde da Família, partindo da compreensão sistêmica do problema, em que o uso do álcool deixa de ser um fim apenas de busca da droga etanol, mas um complexo processo comportamental e relacional, em que o álcool é um dos componentes. Na revisão da literatura usada para embasar este trabalho, a maioria dos trabalhos atuais já contempla visão semelhante, o que muito facilitou o nosso estudo.

2 TEORIAS SOBRE O ALCOOLISMO

Foram levantadas as diferentes teorias que estudam o alcoolismo para se chegar a uma compreensão clara do problema, o que abriu espaço para a construção da visão deste trabalho do uso do álcool como um hábito adquirido.

Partindo das primeiras teorias que definem o alcoolismo como uma anormalidade física pré-existente, passando pelas teorias que o definem a partir de patologias mentais ou psicopatologias prévias, checando as teorias que o definem como uma adição adquirida ou dependência química e, finalmente, analisando a questão sobre um prisma comportamental, o trabalho analisou como se construiu a compreensão atual do alcoolismo. Em cada teoria foram checados os seus pontos favoráveis e negativos, permitindo uma análise crítica que levasse a uma abordagem terapêutica adequada à realidade e que permitisse um enfrentamento consistente a realidade da nossa comunidade.

3 ABORDAGEM DO BEBEDOR-PROBLEMA

O trabalho a desenvolver com o alcoolista ou bebedor-problema começa no processo de identificação e captação do paciente. Sendo uma situação estigmatizante, fruto de preconceito social, é difícil para o paciente assumir que tem problemas com o álcool. Sua família, por sua vez, também tem dificuldade para se posicionar frente ao bebedor-problema – seja pelo papel que a bebida desempenha no sistema familiar (e o medo de que mudanças possam ser piores do que a situação atual), - seja pelo estigma de ser uma família com problemas.

A abordagem linear do alcoolismo, simplesmente inquirindo sobre o consumo de álcool, tem se mostrado ao longo do tempo insuficiente, a questão fica oculta até que se tenha um grau de complexidade que a família não mais consiga lidar com a situação.

Em função disto, foram desenvolvidos vários instrumentos de detecção do problema, como o CAGE, AUDIT, MAST e vários outros.(HAGGERTY, 1994).

Uma característica comum destes instrumentos é a identificação de situações já instaladas.

Alguns – como o CAGE – singelos e de simples uso, identificam a situação já bem definida, infelizmente em pacientes com mais de 30 anos e com problemas crônicos de manejo mais difícil. Outros, de aplicação mais trabalhosa como o AUDIT, são mais sensíveis e exigem um tempo de identificação e diagnóstico maiores e maior compreensão do problema para a sua aplicação.

A identificação de situações de estresse repetido, doenças incidindo em vários membros de uma mesma família, situações de delinqüência ou conflitos familiares repetidos devem levar a equipe de saúde a suspeitar de dificuldades estruturais na família e promover um rasteio das causas.

Em relação ao álcool, há maior sensibilidade – sem muita especificidade - a utilização de perguntas-chave, que podem sugerir a aplicação de instrumentos mais detalhados e direcionados, como por exemplo o AUDIT. Este modo sistêmico de abordar o problema diminui a resistência das pessoas a comentar o seu consumo de álcool, levando a uma identificação precoce do problema em que o aconselhamento simples – feito pelo profissional de cuidados primários – pode promover uma redução substancial do consumo de álcool de acordo com Heather e Robertson (1997).

3.1 Lidando com o Bebedor-Problema

Para pessoas que apresentam um consumo mais intenso, o uso de um protocolo mais detalhado de trabalho, refletindo sobre seu comportamento atual e suas relações com e sem o álcool, níveis padrões de consumo podem ser utilizados.

Um modelo sugerido por Kahan (1996) – modificado - pode servir de linha básica de trabalho:

1 – Rever com o paciente nível seguro de consumo de álcool: estudos realizados na América do Norte (KAHAN, 1996; US PREVENTIVE SERVICES TASK FORCE, 1996) e na Europa (HEATHER e ROBERTSON, 1997) sugerem que até 20 doses (não mais do que 4 de uma só vez) por semana são bem tolerados para os homens e de 12 doses (não mais do que 3 de uma só vez) por semana são bem tolerados pelas mulheres.
2 –
Refletir com o paciente como o seu consumo pessoal se situa em relação aos limites toleráveis para consumo de álcool, fazendo visualizar como suas relações estão ligadas ao álcool e como isto tem influenciado a sua vida. Explorar como o beber faz parte das suas relações familiares e profissionais, quem está presente e envolvido neste processo e em que modificaria a vida se beber não estivesse presente.
3 –
Discutir a percepção que o paciente tem dos efeitos do álcool em uma pessoa e como isto pode afetar sua saúde. Auxiliá-lo a perceber os danos que ele já enfrenta em decorrência do álcool, seja na esfera física, profissional ou pessoal, facilitando acesso à informação sobre os danos que o álcool pode causar. Refletir como as pessoas que lhe são importantes estão estimulando a abster do álcool e se há alguém que o estimule a beber.
4 – Negociar uma meta de consumo com o paciente:
uma vez que o paciente tenha informações sobre níveis seguros de consumo de álcool e que tenha refletido sobre os riscos e danos a que está submetido, tentar estabelecer com ele metas de consumo que surjam a partir da idéia do paciente, conduzindo para que as mesmas fiquem dentro dos limites toleráveis.
5 –
Revisar estratégias junto ao paciente para evitar intoxicações alcoólicas: Rever com o paciente todas as últimas vezes em que o consumo foi elevado, provocando intoxicação aguda.
6 –
Fornecer ao paciente algum material de auto-ajuda, acessível e claro, que lhe permita refletir sobre sua vida e sua relação com o álcool. Que faça menção aos prejuízos que a bebida pode fazer em todos os campos da vida humana.
7 –
Negociar com o paciente o registro diário de seu consumo de álcool, bem como as situações em que este consumo ocorreu, de modo a permitir um planejamento mais adequado de ações preventivas. Isto permite que o paciente trace suas próprias metas e seja reconhecido pela obtenção dos resultados propostos.
8 –
Solicitar exames que ajudem ao paciente a se perceber acompanhado. Isto serve como um estímulo adicional para que as metas sejam obtidas. A dosagem da Gama-GT, apesar de não ser um marcador específico, permite uma noção evolutiva da diminuição do consumo.
9 –
Agendar revisões regulares para acompanhamento do tratamento acordado com o paciente, servindo de reforço as suas decisões e de amparo quanto as suas dificuldades.
10 –
Pacientes que não conseguem cumprir o acordado e que você perceba que estão tendo dificuldades em alguma das suas áreas de risco devem ser encaminhados para avaliação psiquiátrica.

3.2 Lidando com o Alcoolista

Quando um paciente é identificado como alcoolista a abordagem deve envolver um processo inicial de desintoxicação em que o paciente tenha resolvido a sua necessidade aguda de consumir álcool.

Um protocolo ambulatorial, segundo Menz e Sant’Ana (1997) - modificado - de desintoxicação e de fácil execução a um custo muito reduzido pode ser seguido:

1 – O paciente deve aceitar o tratamento e comprometer-se a comparecer ao serviço diariamente por 5 dias, nos quais se fará o processo de desintoxicação.
2 –
Diariamente o paciente receberá uma avaliação clínica para qualificar o risco de problemas, motivá-lo ao tratamento e fazer a prescrição do esquema terapêutico do dia.
3 –
O paciente receberá hidratação oral – de 3 a 4 litros – para auxiliar na eliminação dos resíduos do álcool, durante os 5 dias de desintoxicação.
4 –
Será administrado 600 mg ao dia de vitamina B1, durante um período de 7 dias.
5 –
Será administrado diazepínico - diazepan de 10 a 70 mg ao dia visando diminuir a ansiedade e a necessidade de álcool. A retirada do diazepan será feita à razão de 5 mg a cada 3 a 5 dias, completando o processo de retirada em até 3 semanas.
6 –
Em casos onde o paciente apresenta história de crises convulsivas o uso de carbamazepina de 600 a 1200 mg ao dia é indicado.
7 –
Em pacientes deprimidos, em que a ansiedade pode ter um componente importante na manutenção do alcoolismo, o uso de antidepressivo como a imipramina ou a amitriptilina na dose de 75 mg diários é de muita utilidade.
8 –
É fornecido complexo B durante o primeiro mês de tratamento para melhorar o ânimo do paciente.

3.3 Manutenção do Paciente Desintoxicado

Este protocolo singelo tem se mostrado muito eficiente no manejo dos pacientes, mas precisa ser inserido dentro de uma abordagem comportamental de acordo com Heather e Robertson (1997) – modificado - e que garanta mudanças na atitude do paciente e de sua família.

A proposta de abordagem considera:

1 – Entendendo e tratando o alcoolista em seu contexto. O consumo de álcool está associado a situações de vida que o cidadão vivencia no seu dia a dia, e é uma atividade de busca de prazer imediato, com o alívio de tensões e culpas. A compreensão das situações em que o indivíduo bebe, estresses associados à fuga através da bebida, permite o trabalho destas situações de um modo contextualizado a realidade. Lembrar do papel que alcoolista desempenha em seu sistema e em como as mudanças de seu comportamento influenciarão as atitudes das demais pessoas do sistema. No momento que as pessoas significativas, em especial os facilitadores (pessoas que propiciam o consumo de álcool) e os mensageiros (pessoas que alertam o serviço de saúde sobre a existência do problema), sejam envolvidas no tratamento as chances de sucesso aumentam significativamente.
2 – Solucionando problemas
. É clássica a atitude de ver problemas de um modo complexo – globalizado - que impede a perspectiva de solução para as situações apresentadas. Cabe à equipe que se propõe a lidar com o alcoolista a particionar os problemas levantados em seus diversos componentes, de modo a se visualizar uma maneira de enfrentá-los.
3 – Mais ação e menos palavras.
O alcoolista freqüentemente tem a sua capacidade intelectual comprometida, o que impede grande insight sobre os seus problemas e situações de vida, sendo fundamental a oferta de atos concretos que permitam a assimilação das propostas terapêuticas.
4 – Envolvendo a família, os amigos e a comunidade.
O problema do alcoolismo, visto como um hábito adquirido, tem raízes profundas nas crenças da família e da comunidade. O trabalho com o alcoolista que não envolve estas crenças está fadado ao insucesso.
5 – Faça valer a pena.
O tratamento do paciente não deve ser punitivo, o paciente tem que se sentir acolhido e valorizado - isto é uma das chaves mestras para o tratamento de sucesso no enfrentamento deste problema. Mas o paciente deve perceber que a equipe, sua família e amigos não mais são coniventes com a sua dependência, todos devem tratá-lo com indiferença quando consome álcool – sem criticá-lo ou questioná-lo, e tratá-lo com zelo e carinho quando ele evita o contato com a bebida. A identificação dos facilitadores aqui se faz fundamental, ali reside quem cria a situação de consumo ou de acesso ao álcool, esta(s) pessoa(s) devem ser orientadas sobre as atitudes que propiciam e checado qual o ganho que o sistema tem com a recidiva.

6 – Aprendendo a lidar com as chaves para beber. O uso do processo de dessensibilização das situações que levam a beber segue a mesma linha dos processos de descondicionamento que se aplicam em diversas situações. O paciente deve ser exposto a um desencadeante e oferecidas ações outras sem que o álcool seja parte.
7 – Auto gerenciamento e o estabelecimento de metas.
É fundamental que o paciente e sua família se sintam responsáveis pelo processo de cura, cúmplices na tomada de decisões e engajados na busca de suas próprias soluções. A estratégia de estabelecer metas a serem monitoradas pelo próprio paciente, favorece este senso de responsabilidade e, ao mesmo tempo, garante à equipe um modo sensível de perceber o comprometimento do paciente e de sua família na busca das soluções para o problema.
8 – Conselheiros e modelos.
É fundamental que o paciente tenha uma identificação com algum membro da equipe de saúde, que permita a ele a busca de aconselhamento em situações de dificuldade e dúvidas quanto ao seu tratamento. Ao mesmo tempo é importante identificar, dentro de seu centro de relações, personagens que lhe sirvam de modelo, com as quais tenha afinidade e que possam ser engajadas no processo de tratamento do alcoolista.
9 – Escolhas do cliente.
O uso da andragogia (aprendizado a partir da realidade do aprendiz, considerando seus limites e crenças) é uma das chaves para que este tipo de abordagem funcione, respeitar as opções do paciente e sua realidade facilita que o mesmo se comprometa com o tratamento proposto.

Uma vez desintoxicado e se sentindo melhor, o paciente volta a sua rotina diária, aos seus afazeres – muitos dos quais identifica como associados ao consumo de álcool.

Sua família, que se mobilizou para enfrentar a crise do alcoolista, agora se defronta com alguém que deseja mais espaço em sua casa – seu quinhão de mando.

Este é um momento delicado para o alcoolista e para o sistema como um todo.

Mesmo disfuncionando o paciente participa de um grupo com quem vive e interage, a alteração de seu estado implica em alteração nos papéis de outros componentes da família. O modo de viver e de se relacionar tende a reproduzir as situações de consumo de álcool, o que exerce uma grande pressão emocional sobre o paciente.

3.4 Prevenção da Recaída

Uma maneira de se trabalhar isto seria seguir o protocolo sugerido por Heather e Robertson (1997), modificado para a nossa realidade:

1 – Identificar situações sociais de risco. O paciente que se sente desvalido de apoios sociais é mais vulnerável à busca da solução do álcool. A percepção dos laços familiares, do envolvimento de pessoas significativas no enfrentamento do problema do paciente é algo básico e que permite o sucesso de médio e longo prazo. Pacientes sem familiares próximos podem se ver numa situação de total desvalia, criando situações de manejo muito difícil. Nestes casos, é importante um trabalho de terapia de apoio que ajude o paciente a resgatar a auto-estima, auxiliando na construção de um novo referencial que lhe permita construir uma nova vida.
2 – Identificar fatores desencadeantes do consumo de álcool.
Explorar com o paciente em quais situações e de que maneira o álcool fazia parte de sua vida. Envolver o sistema familiar no enfrentamento destes problemas - de modo que eles possam identificar como contribuem para o hábito de beber do paciente - e possam ser partícipes da busca da solução do problema.
3 – Aplicar um roteiro cognitivo comportamental às situações em que o paciente refere desejo de consumir álcool.
Como o paciente alcoolista tem a sua capacidade cognitiva parcialmente prejudicada, havendo um grau acentuado de bloqueio ao pensamento abstrato, é básico buscar ações concretas que façam o mesmo viver o que se está propondo. A família também deve ser convidada a participar deste processo de trabalho para que descubra novas maneiras de interagir com o alcoolista, evitando que os boicotes inconscientes dificultem a recuperação do paciente.
4 – Identificação de Situações de Risco.
É muito comum vermos pacientes executando atos que sugerem uma recaída, muito antes de que ela venha a se concretizar. O trabalho com estas situações, bem como o estímulo dos facilitadores, deve ser explorado nas entrevistas, permitindo uma reflexão terapêutica que previne a recidiva.
5 – Disponibilidade de pessoas dentro da equipe para ouvirem e auxiliarem o paciente em recuperação.
Pacientes motivados e que querem buscar a cura de seu vício quando ameaçados ou se sentindo prestes a fraquejarem buscam o socorro de uma voz amiga que lhes ouçam as angústias e lhe apóiem nos momentos de dificuldade.
6 – Trabalhar os Pensamentos Mágicos e Atitudes de Desafio.
Após um tempo de abstinência, muitos alcoolistas começam a ter pensamentos em que questionam o risco e sua incapacidade de lidar com o problema do álcool. São comuns as recaídas nesta fase em que o paciente desafia os seus limites, achando que a dependência não mais existe. Equipe de saúde e família devem estar cientes das dificuldades para que a frustração com a recaída não impeça o esforço de reiniciar o tratamento – nem que o paciente perca a esperança de livrar-se do problema. Pensandose sistemicamente é necessário avaliar quais foram as causas em que se precipitou a recaída e buscar neutralizá-las.
7 – Ofertar ao paciente grupos de apoio próprios da Unidade de Saúde e/ou de movimentos comunitários de combate ao alcoolismo (tais como o AA e seus congêneres).
A presença de outras pessoas em recuperação aumenta o senso de responsabilidade do alcoolista no enfrentamento de seus problemas, permitindo à equipe de saúde utilizá-los como espelhos na busca da manutenção do paciente abstinente.
8 –
Estabelecer uma rede de apoio com familiares e pacientes em recuperação para a detecção precoce dos casos de recaída, garantindo apoio ao paciente na retomada do tratamento e evitando que o mesmo se sinta um derrotado que não pode ser salvo do seu vício.

3.5 Política de Saúde na Questão do Alcoolismo

É claro que o trabalho com o alcoolista não depende apenas das equipes de saúde, mas também de uma política global de combate ao consumo de álcool.

Infelizmente, a irresponsabilidade com a matéria faz parte da cultura geral de nossas comunidades, e mesmo em escolas – onde os educadores deveriam estar preocupados com a formação dos jovens – há uma grande resistência de se impedir o consumo de álcool, especialmente em festas.

A proposta de diminuição de consumo de álcool deve se iniciar com amplos esclarecimentos à comunidade sobre os riscos que o abuso do álcool impõe à saúde e à sociedade, inibição legal do consumo de álcool até o fim da adolescência – via legislação específica e fiscalização agressiva, elevação agressiva da carga tributária sobre produtos que contenham álcool (por exemplo uma lata de cerveja que se compra no Brasil a R$ 1,00 é encontrada na Inglaterra a R$ 6,00). Na Irlanda a licença para comercializar álcool é tão difícil que apenas poucos estabelecimentos podem fazê-lo, e não é liberada a venda em supermercados.

3.6 Instrumentos de Diagnóstico

A seguir, listamos os instrumentos de diagnóstico CAGE e AUDIT que propomos como instrumentos básicos de trabalho, junto com perguntas-chave para adolescentes:

“Quantos copos (garrafas) você é capaz de tomar numa festa?”; “Até ficar animado, quantos copos você precisa tomar?”; e

Para adultos: “Quando você está com problemas, o que você gosta de fazer para relaxar?”; “Nas suas atividades sociais (ou de trabalho) é comum (freqüente ou necessário) haver bebidas alcoólicas?”

CAGE – Sensibilidade de 74-89% e Especificidade de 79-95% (2 respostas positivas)

1 – Você já sentiu que precisa diminuir o seu consumo de álcool? 2 – As pessoas lhe incomodam criticando o seu consumo de álcool? 3 – Você já se sentiu mal ou culpado por seu consumo de álcool? 4 – Você já usou um drinque cedo pela amanhã para acalmar os nervos ou curar uma ressaca?

Comentários sobre o instrumento: ele é inespecífico em relação ao tempo do problema e só dá resultados consistentes em pacientes adultos.

AUDIT – Sensibilidade de 92% e Especificidade de 94% (acima de 10 pontos em 40 possíveis)

1 - Com que freqüência você usa bebidas com álcool?

0 – Nunca;
1 – Mensalmente;
2 – 2 a 4 vezes
ao mês;
3 – 2 a 3 vezes na semana;
4 – Mais do que 3 vezes na semana.

2 - Quantos drinques com álcool você consome em um dia típico em que bebe?

0 – 1 ou 2;
1 – 3 ou 4;
2 – 5 ou 6;
3 – 7 a 9;
4 – 10 ou mais

3 - Com que freqüência você bebeu 6 ou mais drinques de uma só vez?

0 – nunca;
1 – Menos que mensalmente;
2 – Mensalmente;
3 – Semanalmente;
4 – Diariamente ou quase

4 - Com que freqüência no último ano você não conseguiu parar de beber após ter começado?

0 – Nunca;
1 - Menos que mensalmente;
2 – Mensalmente;
3 – Semanalmente;
4 – Diariamente ou quase

5 - Com que freqüência no último ano você deixou de fazer algo que se esperava de você por causa do álcool?

0 – Nunca;
1 - Menos que mensalmente;
2 – Mensalmente;
3 – Semanalmente;
4 – Diariamente ou quase

6 - Com que freqüência no último ano você bebeu pela manhã para curar a ressaca?

0 – Nunca;
1 - Menos que mensalmente;
2 – Mensalmente;
3 – Semanalmente;
4 – Diariamente ou quase

7 - Com que freqüência no último ano você se sentiu culpado ou com remorso por ter bebido?

0 – Nunca;
1 - Menos que mensalmente;
2 – Mensalmente;
3 – Semanalmente;
4 – Diariamente ou quase

8 - Com que freqüência no último ano você esqueceu o que fez na noite anterior por causa da bebida?

0 – Nunca;
1 - Menos que mensalmente;
2 – Mensalmente;
3 – Semanalmente;
4 – Diariamente ou quase

9 - Você ou outra pessoa já ficou machucada por causa da sua bebida?

0 – nunca;
2 – Já, mas não no último ano;
4 – Já, durante este ano

10 - Algum parente, médico ou trabalhador da saúde esteve preocupado com a sua bebida ou sugeriu que você diminuísse o seu consumo de álcool?

0 – nunca;
2 – Já, mas não no último ano;
4 – Já, durante este ano

Comentários sobre o instrumento: é detalhado e contextualizado ao tempo atual, ocupa um tempo razoável para ser executado.

Hamilton Lima Wagner

REFERÊNCIAS

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Fonte: Universidade Federal de Juiz de Fora

Alcoolismo

O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongados de álcool, e entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes.

O alcoolismo é, portanto um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriagues). A incidência e prevalência acometem 10% dos homens, 3,5% das mulheres, ocorrendo em todas as faixas etárias.

DEPENDÊNCIA

O comportamento de repetição obedece a dois mecanismos básicos não patológicos. O reforço positivo e o reforço negativo. O reforço positivo refere-se ao comportamento de busca de prazer. Quando é algo agradável, a pessoa busca os mesmos estímulos para obter a mesma satisfação.

O reforço negativo refere-se ao comportamento para diminuição de dor ou desprazer. Quando algo é desagradável, a pessoa procura os mesmos meios pra evitar a dor ou desprazer, causados numa dada circunstância. No começo, a busca é pelo prazer que a bebida proporciona.

Depois de um período, quando a pessoa não alcança mais o prazer que a bebida proporciona. Depois de um período, quando a pessoa não alcança mais o prazer anteriormente obtido, não consegue mais parar porque sempre que isso é tentado, surgem os sintomas desagradáveis da abstinência, e para evitá-los, a pessoa mantém o uso do álcool.

QUADRO CLÍNICO

Comportamental:

Disfunção psicológica e social.
Problemas conjugais (divórcio e separação).
Ansiedade, depressão, insônia, isolamento social.
Abuso de crianças ou da esposa.
Prisões ou problemas legais relacionados com o álcool.
Tentativas repetidas de parar de beber.
Perda de interesse em outras atividades que não a de beber.
Problemas profissionais.
Esquecimento do que aconteceu no período em que estava sob efeito do álcool
Queixas de amigos e familiares relacionados ao comportamento associado ao álcool.

Físico:

Gastro-intestinal: Inapetência, náuseas, vômitos, dor abdominal, doenças do fígado, úlcera péptica, pancreatite.
Cardiovascular:
Hipertensão arterial leve, arritmias cardíacas, miocardiopatias (doença do músculo cardíaco).
Respiratória:
Pneumonia aspirativa, bronquite e pneumopatia crônica associadas ao fumo.
Geniturinária:
Impotência, irregularidade menstrual, atrofia testicular.
Endocrinológico e metabólico:
Hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, ginecomastia.
Dermatologico:
Marcas de trauma, queimaduras, má higiene e doenças relacionadas falta de vitaminas.
Neurológico:
Amnésia, neuropatias periféricas, atrofias musculares, etc.
Cabeça e pescoço:
Fácies pletóricas, hpertrofia da parótida, má higiene bucal.

FATORES DE RISCO PARA ALCOOLISMO:

Uso de álcool e de outras drogas psicoativas, incluindo nicotina.
Historia familiar.
Jovem do sexo masculino.
Etilista “Pesado”. Cinco ou mais doses por vez ou ficar embriagado pelo menos uma vez por semana.
Pressão de grupo. Adolescência.

SINTOMAS DA SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL:

Aumento da freqüência do ato de beber.
Comportamento em busca do álcool.
Aumento da tolerância ao álcool.
Sintomas repetitivos de abstinência.
Alívio ou tentativa de evitar os sintomas de abstinência pelo ato de beber.
Sensação subjetiva da necessidade de beber.

Reinstalação da síndrome após abstinência.

QUADRO CLÍNICO DA SINDROME DE ABSTINÊNCIA

Tremor, insônia, irritabilidade, náuseas e vômitos.
Hiperatividade autonômica:
alteração de batimentos cardíacos, sudorese, hipotensão em pé e febre.
Convulsão, delirium tremens (tremor, rebaixamento da consciência, alucinações visuais).

É muito mais comum do que se imagina a coexistência de alcoolismo com outros problemas psiquiátricos ou psíquicos prévios ou mesmo precipitantes. Os transtornos de ansiedade, depressão e insônia podem levar ao alcoolismo. Tratando-se a base do problema, muitas vezes se resolve o alcoolismo.

Abdul Kader M. Sultani

Fonte: www.sabinatibaia.com.br

Alcoolismo

O alcoolismo é um problema comum que afeta milhares de brasileiros . Os homens são mais atingidos que as mulheres. Jovens do sexo masculino com história de alcoolismo na família e dificuldade de relacionamento fazem parte da população de risco para o alcoolismo. Marcadores biológicos específicos para o risco de desenvolver o alcoolismo não foram identificados.

O ALCOOLISMO PODE CAUSAR DOENÇAS DO FÍGADO?

A maioria das pessoas que consomem álcool não sofrem danos significativos no fígado. Entretanto, o consumo crônico e/ou excessivo de álcool pode causar uma variedade de problemas hepáticos incluindo excesso de gordura no fígado ( esteatose ), hepatite alcoólica ( inflamação ), e finalmente cirrose ( dano permanente ao fígado).

A hepatite alcoólica e cirrose alcoólica desenvolve-se em aproximadamente 15 a 20% dos alcoólatras. Grosseiramente quer dizer que 1 em cada 5 alcoólatras vão Ter problemas de saúde grave relacionadas ao alcool. Estas pessoas poderão morrer de insuficiência hepática (fígado para de funcionar) , causado por uma hemorragia digestiva , infecção , ou insuficiência renal (rins param de funcionar). O transplante de fígado só é permitido a pacientes que se afastam do álcool por um período de vários meses.

O porque algumas pessoas que ingerem álcool tem doenças hepáticas e outras não ainda não está bem esclarecido, mas alguns estudos apontam para uma predisposição genética. Algumas pessoas são geneticamente mais susceptíveis aos efeitos do álcool do que outras e não existem testes laboratoriais para se determinar quem é e quem não é.

Atualmente a cirrose está entre as 7 maiores causas de morte no mundo ocidental. A causa mais comum da cirrose é o alcoolismo. Ainda , o abuso de álcool aumenta o risco de pancreatite (inflamação do pâncreas) , miocardiopatias ( doença do músculo do coração) , traumas ( secundários a acidentes por embriagues) e o desenvolvimento inúmeras doenças em recém nascidos de mães alcoólatras.

QUANTO DE ALCOOL É NECESSÁRIO PARA CAUSAR DANOS AO FÍGADO?

A quantidade de álcool é bastante variável . Algumas pessoas são extremamente sensíveis aos efeitos do álcool enquanto outras parecem ser completamente imunes. Em regra geral quanto maior a quantidade e o tempo de consumo, maior a chance de desenvolver danos ao fígado.

Consumos diários diários em torno de 20-40 gramas de álcool em mulheres e 80 gramas em homens levam ao desenvolvimento de cirrose em aproximadamente 10 anos.

PORQUE AS MULHERES SÃO MAIS SENSÍVEIS QUE OS HOMENS?

A mulheres são mais sensíveis aos efeitos do álcool , vários estudos tem mostrado esta predominância porém sem determinar a causa exata. Sabe-se que as mulheres tem níveis menores de uma enzima conhecida como desidrogenase lática . Esta enzima é responsável pela "digestão" do álcool diminuindo a quantidade de álcool que chegará a corrente sangüínea. Por isso que a maioria das mulheres sentem os efeitos do álcool com menor quantidade ingerida.

QUAIS AS DOENÇAS CAUSADAS PELO EXCESSO DE ÁLCOOL?

1.ESTEATOSE HEPÁTICA ( ACÚMULO DE GORDURA NO FÍGADO)

Pode ocorrer em pessoas que fazem consumo constante de bebidas alcoólicas e não são obrigatoriamente alcoólatras. Existe um acúmulo de pequenas bolsas de gordura no tecido hepático levando a um aumento do volume do fígado. Exames de sangue podem identificar danos precoces ao fígado. Quando a ingesta de álcool é interrompida , a esteatose hepática desaparece e o fígado se recompõe totalmente.

2.HEPATITE ALCOÓLICA

Esta é uma condição grave onde o fígado foi bastante danificado pelos efeitos do álcool. A doença é caracterizada por fraqueza, febre, perda de peso, náusea, vômitos e dor sobre o local do fígado. O fígado está inflamado causando a morte de múltiplas células hepáticas. Diferente da esteatose , a hepatite alcoólica após curada , deixa cicatrizes permanentes no fígado chamada de fibrose. A hepatite alcoólica é uma doença pode oferecer risco de vida e requer hospitalização. Com o tratamento adequado a hepatite alcoólica melhora porém as cicatrizes permanecem para sempre.

3.CIRROSE HEPÁTICA

Este é o estágio final dos danos causados pelo álcool ao fígado. A cirrose é uma forma de dano permanente e irreversível ao fígado. Esta fibrose leva a uma obstrução à passagem do sangue pelo fígado impedindo o fígado de realizar funções vitais como purificação do sangue e depuração dos nutrientes absorvidos pelo intestino. O resultado final é uma falência hepática. Alguns sinais de insuficiência hepática incluem acúmulo de líquido no abdômen - ascite (barriga d’água), desnutrição, confusão mental (encefalopatia) e sangramento intestinal . Algumas destas condições podem ser contornadas por medicações , dietas e procedimentos especiallizados, mas o retorno a normalidade não é possível .

COMO SE SABE SE A PESSOA TEM ESTEATOSE, HEPATITE ALCOÓLICA OU CIRROSE?

A ultrassonografia muitas vezes é capaz de visualizar a presença de esteatose ou cirrose hepática. Exames de sangue  são bastante úteis para determinar se o fígado apresenta suas funções básicas comprometidas, porém a biópsia hepática é o exame de eleição para se saber o grau de comprometimento e determinar a causa da doença. A biópsia hepática é um procedimento que pode ser realizado em clínicas ou ambulatórios não necessitando o internamento do paciente.

Realizado com anestesia local , o paciente é liberado em seguida para retorno as suas atividade habituais recomendando-se apenas que evitem fazer qualquer esforço físico.

EXISTEM COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS A DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA?

Sim, aproximadamente um terço dos pacientes com cirrose hepática têm história de infecção pelo vírus da hepatite C e cerca de 50% terão pedras na vesícula.

Pacientes com cirrose tem maior chance de desenvolver diabetes, problemas nos rins, úlceras no estômago e duodeno e infecções bacterianas severas.

SE EU TENHO ALGUM GRAU DE COMPROMETIMENTO DO FÍGADO , ISTO PODE AFETAR MEU TRATAMENTO COM OUTRAS MEDICAÇÕES?

Sabe-se que uma das funções do fígado é o processamento de medicações e outros produtos químicos no seu corpo. Se você tem problemas hepático é de se esperar que o processamento dessas medicações se faça de maneira diferente daquilo que acontece em pessoas normais. Sempre que for prescrito alguma medicação converse com seu médico a respeito do problema e sobre qualquer modificação nas dosagens se necessário. Mesmo a presença de álcool na corrente sangüínea em pacientes não cirróticos pode causar alterações no processo de funcionamento de algumas medicações. Medicações e álcool não são uma boa combinação.

QUAIS OS TRATAMENTOS DISPONÍVEIS?

De todos os tratamentos para doença alcoólica hepática , o mais importante é parar de beber. Algumas vezes o fígado apresenta uma pequena recuperação , suficiente para manter as suas funções vitais permitindo a pessoa Ter uma vida normal.

Quando a cirrose evolui para seu estágio final a única solução é o transplante hepático. Somente pessoas que pararam de beber por longo prazo e estão em programas de reabilitação para alcoólicos anônimos são considerados candidatos para o transplante.

Fonte: www.gastronet.com.br

Alcoolismo

Alcoolismo
Alcoolismo

O alcoolismo, também conhecido como "síndrome da dependência do álcool", é uma doença caracterizada pelos seguintes elementos:

Compulsão: uma necessidade forte ou desejo incontrolável de beber
Perda de controle:
a inabilidade freqüente de parar de beber, uma vez que a pessoa já começou
Dependência física:
a ocorrência de sintomas de abstinência, como náusea, suor, tremores e ansiedade, quando se pára de beber após um período bebendo muito. Tais sintomas são aliviados bebendo álcool ou tomando outra droga sedativa
Tolerância:
a necessidade de aumentar a quantia de álcool para sentir-se "alto".

Atenção: Nem todos estes problemas precisam ocorrer juntos.

O alcoolismo tem pouco a ver com o tipo de álcool que uma pessoa bebe, há quanto tempo a pessoa bebe, ou até mesmo exatamente quanto álcool bebe.

Porém, tem muito a ver com a necessidade incontrolável de ingerir álcool. Esta descrição do alcoolismo nos ajuda a entender porque a maioria dos dependentes de álcool não consegue se valer só de "força de vontade" para parar de beber. Estas pessoas estão sob a forte compulsão do álcool, uma necessidade que se mostra tão forte quanto a sede ou a fome.

Tratamento

Reconhecer que se precisa de ajuda para um problema com álcool talvez não seja fácil. Porém, tenha em mente que, o quanto antes vier a ajuda, melhores serão as chances de uma recuperação bem sucedida.

A natureza do tratamento depende da gravidade do alcoolismo do indivíduo e dos recursos disponíveis na comunidade. O tratamento pode incluir a desintoxicação (o processo de retirar o álcool do sistema de uma pessoa com segurança); tomar medicamentos receitados pelo médico para ajudar a evitar o retorno à bebida, uma vez que já parou; e aconselhamento individual e/ou em grupo. Há tipos de aconselhamentos promissores que ensinam a recuperar dependentes de álcool e a identificar situações e sentimentos que levam à necessidade de beber e de descobrir novas maneiras de lidar com a ausência do álcool.

Quaisquer destes tratamentos podem ocorrer tanto em um hospital, como em sua própria residência ou ainda ambulatorial (o paciente fica em sua casa e vai às consultas, até todos os dias).

Como o envolvimento com a família é importante para a recuperação, muitos programas oferecem aconselhamento conjugal e terapia familiar como parte do processo de tratamento. Alguns programas podem oferecer para o dependente recursos vitais da comunidade como a assistência legal, treinamento de trabalho, creche e aulas para pais.

Alcóolicos Anônimos

Quase todos os programas de tratamento do alcoolismo também incluem encontros de Alcóolicos Anônimos (AA), cuja descrição é "uma comunidade mundial de homens e mulheres que se ajudam a ficarem sóbrios". Enquanto o AA é geralmente reconhecido como um programa eficiente de auto-ajuda para recuperar dependentes de álcool, nem todas as pessoas respondem positivamente ao estilo e mensagens do AA, e outras abordagens podem estar disponíveis. Até mesmo, os que vêm conseguindo ajuda pelo AA geralmente descobrem que a recuperação funciona melhor com outros tratamentos juntos, inclusive aconselhamento e tratamento médico.

Fonte: www.saude.ba.gov.br

Alcoolismo

Efeitos do Álcool

Os principais efeitos do álcool ocorrem no sistema nervoso central (SNC), onde suas ações depressoras assemelham-se às dos anestésicos voláteis.

Os efeitos da intoxicação aguda pelo etanol no homem são bem conhecidos e incluem:

Uma fala arrastada
Incoordenação motora
Aumento da autoconfiança e euforia.

O efeito sobre o humor varia de pessoa para pessoa, e a maioria delas torna-se mais ruidosa e desembaraçada. Alguns, contudo, ficam mais morosos e contidos.

Em níveis elevados de intoxicação (vide Tabela abaixo), o humor tende a ficar instável, com euforia e melancolia, agressão e submissão. O desempenho intelectual e motor e a discriminação sensitiva são também prejudicados.

O álcool gera uma sensação de calor; aumenta a saliva e o suco gástrico e o uso frequente pode gerar lesão no estômago e gastrite crônica. (FONTE: Farmacologia, 3a.ed., Ed. Guanabara Koogan, 1997, p.520. FIGURA: capa da Revista Plantão Médico - Drogas, Alcoolismo e Tabagismo, Ed. Biologia e Saúde, RJ, 1998)

Intoxicação Aguda por Álcool

A intoxicação aguda por álcool é uma emergência médica causada pelo consumo rápido de uma grande quantidade de álcool (SOS - Cuidados Emergenciais, 1a.ed., Ed.Rideel, SP, 2002, p.391). A gravidade depende da tolerância do paciente ao álcool, do seu tamanho (ou peso), da sua frequência de ingestão e de quanto alimento consumiu junto com o álcool.

Sintomas

Pensamento demorado, suscetibilidade emocional, comportamento desinibido, euforia ou depressão, agitação, convulsão, andar instável, tremores, náuseas, vômito, hipotermia, vermelhidão ou palidez, fraqueza muscular e coma. A gravidade dos sintomas depende parcialmente do nível sanguíneo de álcool.

Outros Efeitos do Álcool

Outros efeitos do álcool sobre o organismo do homem/mulher estão listados a seguir: diurese autolimitada vasodilatação cutânea (vermelhidão) retardo no trabalho de parto prejuizos no desenvolvimento fetal degeneração neurológica (bebedores inveterados), como a demência e neuropatias periféricas hepatopatia que progride para a cirrose e a insuficiência hepática tolerância, dependência física e psicológica (vício)

EFEITOS DO ÁLCOOL - DOSE DADA EM mg etanol/100 ml de sangue

DOSE EFEITO DO ETANOL
40 início da embriaguez ou do estado de euforia
150 intoxicação grave
300 coma alcoólica
500 morte por insuficiência respiratória

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e Médicos, os efeitos do álcool (Etanol) sobre um indivíduo com 70 kg de peso, podem ser descritos como se segue:

EFEITOS DO ÁLCOOL

DOSE (g/l) EQUIVALENTE EFEITOS
0,2 a 0,3 1 copo cerveja, 1 cálice peq.vinho, 1 dose uísque ou de outra bebida destilada As funções mentais começam a ficar comprometidas. A percepção da distância e da velocidade são prejudicadas.
0,31 a 0,5 2 copos cerveja, 1 cálice grande de vinho, 2 doses de bebida destilada O grau de vigilância diminui, assim como o campo visual. O controle cerebral relaxa, dando a sensação de calma e satisfação.
0,51 a 0,8 3 ou 4 copos de cerveja, 3 copos de vinho, 3 doses de uísque Reflexos retardados, dificuldades de adaptação da visão a diferenças de luminosidade; superestimação das possibilidades e minimização de riscos; e tendência à agressividade.
0,81 a 1,5 grandes quantidades de bebida alcoólica Dificuldades de controlar automóveis; incapacidade de concentração e falhas de coordenação neuromuscular.
1,51 a 2 grandes quantidades de bebida alcoólica Embriaguez, torpor alcoólico, dupla visão.
2,1 a 5 grandes quantidades de bebida alcoólica Embriaguez profunda.
> 5 grandes quantidades de bebida alcoólica Coma alcoólico.

Fonte: www.ufrrj.br

Alcoolismo

O que é alcoolismo?

O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes.

O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez).

Alcoolismo
Alcoolismo

Principais problemas causados pelo alcoolismo:

Diversos são os problemas causados pela bebida alcoólica pesada e prolongada: 

Sistema Cardiovascular

Doses elevadas por muito tempo provocam lesões no coração provocando arritmias e outros problemas como trombos e derrames conseqüentes. É relativamente comum a ocorrência de um acidente vascular cerebral após a ingestão de grande quantidade de bebida.

Outros problemas que o alcool pode acarretar ao organismo:

Amnésias nos períodos de embriaguez acontecem em 30 a 40% das pessoas no fim da adolescência e início da terceira década de vida Induz a sonolência, mas o sono sob efeito do álcool não é natural. 

Grande quantidade de álcool ingerida de uma vez pode levar a inflamação no esôfago e estômago o que pode levar a sangramentos além de enjôo, vômitos e perda de peso. Esses problemas costumam ser reversíveis, mas as varizes decorrentes de cirrose hepática além de irreversíveis, são potencialmente fatais devido ao sangramento de grande volume que pode acarretar. Pancreatites agudas e crônicas são comuns nos alcoólatras constituindo-se uma emergência à parte.

A cirrose hepática é um dos problemas mais falados dos alcoólatras; é um problema irreversível e incompatível com a vida, levando o alcoólatra lentamente à morte.

Câncer

Os alcoólatras estão 10 vezes mais sujeitos a qualquer forma de câncer que a população em geral.

Efeitos do Álcool sobre o Cérebro

Os resultados de exames pos-mortem (necropsia) mostram que pacientes com história de consumo prolongado e excessivo de álcool têm o cérebro menor, mais leve e encolhido do que o cérebro de pessoas sem história de alcoolismo.

Esses achados continuam sendo confirmados pelos exames de imagem como a tomografia, a ressonância magnética e a tomografia por emissão de fótons.

O dano físico direto do álcool sobre o cérebro é um fato já inquestionavelmente confirmado. A parte do cérebro mais afetada costumam ser o córtex pré-frontal, a região responsável pelas funções intelectuais superiores como o raciocínio, capacidade de abstração de conceitos e lógica.

Os mesmos estudos que investigam as imagens do cérebro identificam uma correspondência linear entre a quantidade de álcool consumida ao longo do tempo e a extensão do dano cortical. Quanto mais álcool mais dano.

Depois do córtex, regiões profundas seguem na lista de mais acometidas pelo álcool: as áreas envolvidas com a memória e o cerebelo que é a parte responsável pela coordenação motora.

Mensagem:

"Beber moderadamente pode trazer efeitos benéficos ao coração, especialmente entre aqueles com maior risco para ataques cardíacos, como homens acima de 45 anos e mulheres após a menopausa. Todavia, quantidades maiores que as moderadas, consumidas por anos aumenta o risco de hipertensão, doenças cardíacas, e alguns tipos de derrame."

Fonte: www.projis.famerp.br

Alcoolismo

Teor Alcóolico de Algumas Bebidas

Saber quantidade de álcool existente em cada tipo de bebida pode ajudar a escolher bebidas com menor teor de álcool evitando assim um maior dano para a sua saúde.

As bebidas alcoólicas mais consumidas entre nós costumam apresentar, com variações, a composição por 100 ml abaixo:

BEBIDA g/100ml
Vodca 45
Bourbon 40
Aguardente 35
Conhaque 35
Rum 35
Uisque 35
Gim 28
Vermute italiano 18
Vinho do Porto 15
Xerez 15
Vinho Madeira 14
Champanha seco 11
Champanha doce 11
Vinho branco 10
Vinho tinto 10
Cerveja 4

Fonte: www.biomania.com

Alcoolismo

O que dizer do teor alcoólico do puro suco de uvas?

O verdadeiro suco de uva não possui teor alcoólico. [Todavia, após iniciar o processo de fermentação, o suco passará natural e gradativamente a "fabricar" teor alcoólico. Evidentemente, isso não acontecerá se houver intervenção humana. Por exemplo, o aquecimento do suco antes de iniciar a fermentação "mata" a maioria dos microorganismos responsáveis pela fermentação do suco. Dessa forma, o suco permanecerá não alcoólico, não inebriante.]

Note o que diz os rótulos de alguns sucos de uvas industrializados:

Del  Valle

Ingredientes: água, suco concentrado de uva, açúcar.

Superbom

Ingredientes: 100% uva, não fermentado, não alcoólico.

Aurora

Composição: suco de uva natural e conservantes INS 202 e INS 220, não fermentado, não alcoólico.

Georges Aubert

Ingredientes: suco de uva tinto natural pasteurizado, não alcoólico, não fermentado, sem essências e sem corantes. Obs.: Os cristais formados no fundo da garrafa são próprios da natureza do produto.

Maguary

Ingredientes: água e suco concentrado de uva.
Contém:
aroma natural de uva e conservantes metabissulfito de sódio e benzoato de sódio.

O que dizer do teor alcoólico das bebidas alcoólicas dos tempos antigos?

"O vinho era a mais embriagante bebida conhecida nos tempos antigos. Todo vinho era um vinho leve, isto é, não recebia acréscimo de álcool extra. O álcool concentrado só se tornou conhecido na Idade Média, quando os árabes inventaram a destilação ("álcool" é uma palavra de origem árabe), de modo que nos tempos bíblicos não se conheciam bebidas destiladas ou fortes (ou seja, uísque, rum, aguardente, etc.) nem os vinhos de alto teor alcoólico, como os de vinte graus. Fazia-se cerveja de diversas maneiras, mas o seu teor alcoólico era baixo. A força dos vinhos naturais é limitada por dois fatores. A percentagem de álcool será metade da de açúcar no mosto. E, caso o teor alcoólico ultrapasse bastante os dez ou onze por cento, as células de levedura morrem e interrompe-se a fermentação. Os vinhos antigos provavelmente ficavam entre sete e dez por cento." - Fonte: Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, editado por Harris, Archer e Waltke, 1998, página 614.

O que dizer do teor alcoólico das bebidas alcoólicas dos tempos modernos?

Atualmente existe grande diversificação de bebidas alcoólicas e o teor alcoólico varia de bebida para bebida. A graduação alcoólica de uma bebida é definida pela percentagem volumétrica de álcool puro nela contido. Assim, por exemplo, um vinho de 10º significa que contém 10% de álcool, isto é, 100c.c. ou 80 gramas de álcool (100c.c. x 0,8 densidade = 80 gramas de álcool).

Veja a tabela simplificada abaixo:

TEOR ALCOÓLICO

EXEMPLO

fraco até 8º

cerveja, sidra.

fraco à médio de 9º a 13º

vinhos de mesa.

forte ou destilado acima de 13º

aguardente, conhaque, gim, rum, uísque, vodca.

Conheça o que diz os rótulos de algumas bebidas:

CERVEJA:

Antarctica - Tipo Pilsen

Graduação alcoólica: 5,0% do volume.
Composição:
água, malte, cereais não maltados, carboidratos e lúpulo.
Antioxidante: INS 316.
Estabilizante:
INS 405.

Skol - Tipo Pilsen

Graduação alcoólica:  4,7% do volume.
Composição:
água, malte, cereais não malteados, carboidratos e lúpulo.
Antioxidante: INS 316.
Estabilizante:
INS 405.
Acidulante: 270.

SIDRA - Sidra Cereser - Gaseificada Doce

Graduação alcoólica:  6% do volume.
Composição:
fermentado alcoólico de maçã, açúcar, conservadores anidrido sulfuroso e sorbato de potássio, anidrido carbônico.

VINHO TINTO DE MESA SUAVE

Dom Bosco

Graduação alcoólica: 10,6% do volume.
Composição:
fermentado alcoólico de uvas, açúcar, conservadores sorbato de potássio, anidrido sulfuroso.

Cantina da Serra

Graduação alcoólica: 10,5% do volume.
Composição:
fermentado de uvas, açúcar, acidulante (INS 330), conservante (INS 202).
Consta no rótulo as advertências:
 "Proibida a venda à menores de 18 anos." e "O uso imoderado desta bebida faz mal a saúde."

WHISKY

Tillers

Graduação Alcoólica: 39% vol.
Composição:
malte, uísque importado e álcool envelhecido.

CONHAQUE

Georges Aubert

Graduação Alcoólica: 38,3% vol.
Composição:
destilado alcoólico de vinho, sacarose e caramelo.

 

VODKA - Kovak

Graduação alcoólica: 39% vol.
Composição:
álcool etílico potável, extrato natural e água.

RUM - Bacardi - "Carta Blanca"

Graduação Alcoólica: 40% vol.
Composição:
destilado alcoólico simples de melaço envelhecido e água desmineralizada, fermentado destilado.

OUTROS

Caninha da Roça

Graduação Alcoólica: 39% vol.
Composição:
destilado alcoólico simples de cana de açúcar e açúcar de cana.

Cinzano - Rosso

Graduação Alcoólica: 20% vol.
Composição:
álcool, açúcar, extrato vegetal de uvas aromáticas, corante natural INS. NR. 150a e acidulante 334.

DEFINIÇÕES

Vinho

Bebida alcoólica obtida por fermentação do mosto de uva, sendo composto por água (componente predominante), álcool etílico (7% a 17% de volume) e por cerca de duzentos componentes diferentes dentro dos quais destaco os ácidos orgânicos (málico, tartárico, cítrico, acético e carbónico), polifenóis (tanino e corantes autociânicos), glicerina, glúcidos (glucose, frutose, pentose), substâncias nitrogenadas (aminoácidos, proteínas, aminas), sais minerais (fosfatos, sulfatos, cloretos, potássio, cálcio) e substâncias voláteis (aldeídos, acetonas, ésteres).

Aguardente

Bebida resultante da destilação alcoólica do açúcar contido em diversos cereais ou frutos. As aguardentes (bebidas espirituosas) têm um teor alcoólico nunca inferior a 32%. Como exemplos de aguardentes, cujo sabor é caracterizado de acordo com o produto fermentado, podem definir-se: vínica, bagaceira, brandy, conhaque, de frutas, genebra, gin, vodka, whisky, tequilla e outros.

Whisky (uísque)

Aguardente destilada na Escócia a partir de cevada (“scoth whisky”) e na América a partir de milho (“bourbon whiskey”),com um teor alcoólico entre os 43º e os 44º. A sua típica cor dourada e o ligeiro sabor a fumo devem-se ao armazenamento, durante vários anos (nunca menos de cinco) em pipas de carvalho previamente fumadas.

Cachaça

É a aguardente obtida da borra do melaço ou do próprio melaço da cana-de-açúcar. A sua produção no Brasil teve início na segunda metade do século XVI e destinava-se inicialmente aos animais domésticos e aos escravos. Em breve se tornou a mais popular bebida brasileira. O seu teor alcoólico é de 40 a 50º.

Cerveja

Bebida fermentada cuja preparação se efectua a partir de cereais germinados (malte), sendo aromatizada com lúpulo. Contém 3-7% de álcool, glicerina, anidrido carbônico, maltose, dextrina, compostos azotados, minerais, pequenas quantidades de tanino, substâncias amargas, corantes e ácidos orgânicos.

Ângela Faria

Fonte: www.br.geocities.com

Alcoolismo

Alcoolismo é a dependência do indivíduo ao álcool, considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

O uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a conseqüências irreversíveis.

A pessoa dependente do álcool, além de prejudicar a sua própria vida, acaba afetando a sua família, amigos e colegas de trabalho.

O álcool no organismo

O álcool encontrado nas bebidas é o etanol, uma substância resultante da fermentação de elementos naturais. O álcool da aguardente vem da fermentação da cana-de-açúcar, e o da cerveja, da fermentação da cevada, por exemplo. Quando ingerido, o etanol é digerido no estômago e absorvido no intestino. Pela corrente sangüínea suas moléculas são levadas ao cérebro.

A longo prazo, o álcool prejudica todos os órgãos, em especial o fígado, que é responsável pela destruição das substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas pelo corpo durante a digestão. Dessa forma, havendouma grande dosagem de álcool no sangue, o fígado sofre uma sobrecarga para metabolizá-lo.

O álcool no organismo causa inflamações, que podem ser:

Gastrite, quando ocorre no estômago
Hepatite alcoólica, no fígado
Pancreatite, no pâncreas
Neurite, nos nervos

Os perigos do álcool

Apesar de ser aceito pela sociedade, o álcool oferece uma série de perigos tanto para quem o consome quanto para as pessoas que estão próximas.

Grande parte dos acidentes de trânsito, arruaças, comportamentos anti-sociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no trabalho, como alterações na percepção, reação e reflexos, aumentando a chance de acidentes de trabalho, são provenientes do abuso de álcool.

Sinais do alcoolismo

Você já sentiu que deveria diminuir a bebida?
As pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida?
Você já se sentiu mal ou culpado a respeito de sua bebida?
Você já tomou bebida alcóolica pela manhã para “aquecer” os nervos ou para se livrar de uma ressaca?

Apenas um “sim” sugere um possível problema. Em qualquer dos casos, é importante ir ao médico ou outro profissional da área de saúde, imediatamente, para discutir suas respostas. Eles podem ajudar a determinar se você tem ou não um problema com a bebida, e, se você tiver, poderão recomendar a melhor atitude a ser tomada

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Alcoolismo

Toda a história da humanidade está permeada pelo consumo de álcool.

Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 a.C., sendo portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção de hábito de beber ao longo do tempo.

Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como por exemplo o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas. Nesta época, este tipo de bebida passou a ser considerada como um remédio para todas as doenças, pois "dissipavam as preocupações mais rapidamente que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alivio mais eficiente da dor", surgindo então a palavra whisky (do gálio "usquebaugh", que significa "água da vida").

A partir da Revolução Industrial, registrou-se um grande aumento na oferta deste tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, consequentemente, gerando um aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema devido ao uso excessivo de álcool.

Nos dias de hoje, é prática em muitas famílias a "iniciação" das crianças no consumo do álcool.

O álcool contido nas bebidas, etanol, é produzido através de fermentação ou destilação de vegetais como a cana-de-açúcar, frutas e grãos. O etanol é um líquido incolor. As cores das bebidas alcóolicas são obtidas de outros componentes como o malte ou através da adição de diluentes, corantes e outros produtos.

No Brasil, há uma grande diversidade de bebidas alcóolicas, cada tipo com quantidade diferente de álcool em sua composição.

Alguns exemplos:

Bebida Porcentagem de Álcool
Cerveja 5%
Cerveja "light" 3,5%
Vinho 12%
Vinhos fortificados 20%
Uísque, Vodka, Pinga 40%

Fonte: oficina.cienciaviva.pt

Alcoolismo

O organismo do alcoolista e seu funcionamento

O corpo do alcoolista, quando metaboliza o álcool, funciona de modo diferente se comparado ao dos não alcoolistas. Essas diferença faz com que o alcoolista sinta nos efeitos do álcool um prazer muito maior que os não alcoolistas.

Problemas clínicos do alcoolismo

A ingestão contínua do álcool desgasta o organismo ao mesmo tempo em que altera a ente. Surgem, então, sintomas que comprometem a disposição para trabalhar e viver com bem estar. Essa indisposição prejudica o relacionamento com a família e diminui a produtividade no trabalho, podendo levar à desagregação familiar e ao desemprego.

Alguns dos problemas mais comuns da doença sâo:

No estômago e intestino

Gases: Sensação de "estufamento", nem sempre valorizada pelo médico.
Pode ser causada por gastrite, doenças do fígado, do pâncreas, etc.
Azia:
Muito comum em alcoolistas devido a problemas no esôfago.
Náuseas:
São matinais e ás vezes estão associadas a tremores. Podem ser consideradas sinal precoce da dependência do álcool.
Dores abdominais:
Muito comum nos alcoolistas que têm lesões no pâncreas e no estômago.
Diarréais:
Nas intoxicações alcoólicas agudas (porre). Este sintoma é sinal de má absorção dos alimentos e causa desnutrição no indivíduo.
Fígado grande:
Lesões no fígado decorrentes do abuso do álcool. Podem causar doenças como hepatite, cirrose, fibrose, etc.

No Sistema Cárdio Vascular

O uso sistemático do álcool pode ser danoso ao tecido do coração e elevar a pressão sangüínea causando palpitações, falta de ar e dor no tórax.

Glândulas

As glândulas são muito sensíveis aos efeitos do álcool, causando sensíveis problemasnoseufuncionamento.
Impotência e perda da libido O indivídu oalcoolista pode tera trofiados testículos, queda de pêlos além de gincomastias(mamas crescidas).

Sangue

O álcool torna o individuo propicio às infecções, alterando o quadro de leucócitos e plaquetas, o que torna freqüente as hemorragias.
A anemia é bastante comum nos alcoolistas que têm alterações na série de glóbulos vermelhos, o que pode ser causado por desnutrição (carência de ácido fólico).

Álcool e medicamentos

A mistura álcool e tranqüilizantes gera depressão do sistema nervoso central e traz efeitos danosos na maioria dos casos.

Características do alcoolismo

Fique atento aos "sinais de alerta" para a doença:

Beber de manhã.
Ficar de "pileque" em toda festa que vai.
Colocar o álcool como prioridade nos seus interesses.
A percepção dos outros para os excessos [quando começa a implicar com seus "goles").
O que nos ajuda a detectar o alcoolismo é a perda da liberdade para o ato de beber.
O indivíduo começa com a intenção de 2 ou 3 "doses"e depois não consegue se controlar

Informando

O Brasil detém o 1° lugar do mundo no consumo de destilados, cachaça.
Os jovens estão começando a beber cada vez mais cedo.
O álcool interfere no processo de concentração no trabalho e os alcoolistas estão justamente na faixa de maior produtividade do individuo - entre 25 e 45 anos.
O alcoolismo é uma doença crônica, incurável e progressiva, que mina o organismo, atacando todos os órgãos.

Mas o que também é importante: é controlável.

O álcool é responsável pela maioria dos acidentes de trânsito, porque altera a percepção do espaço, do tempo e a capacidade de enxergar bem.

O índice de câncer entre os bebedores é alarmante, quer por ação tópica do próprio álcool sobre as mucosas, quer por conta dos aditivos quíimicos, de ação cancerígena,que entram no processo de fabricação das bebidas.

"A sua vontade de parar é o primeiro passo para o tratamento"

Fonte: www.acampe.com.br

Alcoolismo

Do ponto de vista médico, o alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada.

Fatores Genéticos

Sem desprezar a importância do ambiente no alcoolismo, há evidências claras de que alguns fatores genéticos aumentam o risco de contrair a doença.

O alcoolismo tende a ocorrer com mais freqüência em certas famílias, entre gêmeos idênticos (univitelinos), e mesmo em filhos biológicos de pais alcoólicos adotados por famílias de pessoas que não bebem.

Estudos mostram que adolescentes abstêmios, filhos de pais alcoólicos, têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens da mesma idade, cujos pais não abusam da droga.

Muitos desses filhos de alcoólicos se recusam a beber para não seguir o exemplo de casa. Quando acompanhados por vários anos, porém, esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstinência e tornarem-se dependentes.

Filhos biológicos de pais alcoólicos criados por famílias adotivas têm mais dificuldade de abandonar a bebida do que alcoólicos que não têm história familiar de abuso da droga.

Aspectos Gerais do Alcoolismo

A identificação precoce do alcoolismo geralmente é prejudicada pela negação dos pacientes quanto a sua condição de alcoólatras. Além disso, nos estágios iniciais é mais difícil fazer o diagnóstico, pois os limites entre o uso "social" e a dependência nem sempre são claros. Quando o diagnóstico é evidente e o paciente concorda em se tratar é porque já se passou muito tempo, e diversos prejuízos foram sofridos. É mais difícil de se reverter o processo.

Como a maioria dos diagnósticos mentais, o alcoolismo possui um forte estigma social, e os usuários tendem a evitar esse estigma. Esta defesa natural para a preservação da auto-estima acaba trazendo atrasos na intervenção terapêutica. Para se iniciar um tratamento para o alcoolismo é necessário que o paciente preserve em níveis elevados sua auto-estima sem, contudo, negar sua condição de alcoólatra, fato muito difícil de se conseguir na prática.

O profissional deve estar atento a qualquer modificação do comportamento dos pacientes no seguinte sentido: falta de diálogo com o cônjuge, freqüentes explosões temperamentais com manifestação de raiva, atitudes hostis, perda do interesse na relação conjugal.

O Álcool pode ser procurado tanto para ficar sexualmente desinibido como para evitar a vida sexual. No trabalho os colegas podem notar um comportamento mais irritável do que o habitual, atrasos e mesmo faltas. Acidentes de carro passam a acontecer.

Quando essas situações acontecem é sinal de que o indivíduo já perdeu o controle da bebida: pode estar travando uma luta solitária para diminuir o consumo do álcool, mas geralmente as iniciativas pessoais resultam em fracassos. As manifestações corporais costumam começar por vômitos pela manhã, dores abdominais, diarréia, gastrites, aumento do tamanho do fígado.

Pequenos acidentes que provocam contusões, e outros tipos de ferimentos se tornam mais freqüentes, bem como esquecimentos mais intensos do que os lapsos que ocorrem naturalmente com qualquer um, envolvendo obrigações e deveres sociais e trabalhistas.

A susceptibilidade a infecções aumenta e dependendo da predisposição de cada um, podem surgir crises convulsivas. Nos casos de dúvidas quanto ao diagnóstico, deve-se sempre avaliar incidências familiares de alcoolismo porque se sabe que a carga genética predispõe ao alcoolismo. É muito mais comum do que se imagina a coexistência de alcoolismo com outros problemas psiquiátricos prévios ou mesmo precipitante. Os transtornos de ansiedade, depressão e insônia podem levar ao alcoolismo. Tratando-se a base do problema muitas vezes se resolve o alcoolismo. Já os transtornos de personalidade tornam o tratamento mais difícil e prejudicam a obtenção de sucesso.

Efeitos do Álcool

O que é estar alcoolizado?

O indivíduo é considerado alcoolizado se estiver com taxa a partir de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue.

A taxa de álcool no sangue varia de acordo com o peso, altura e condições físicas de cada um. Mas, em média, a pessoa não pode ultrapassar a ingestão de duas latas de cerveja ou duas doses de bebidas destiladas, se não, já está considerado alcoolizado.

Com
0,6 g/litro
de sangue,
o risco de
acidente é
50% maior
Com
0,8 g/litro
de sangue,
o risco de
acidente é
quatro vezes maior
Com
1,5 g/litro
de sangue,
o risco de
acidente é
25 vezes maior
Quantidade de álcool por litro de sangue (em gramas)* Efeitos
0,2 a 0,3 g/l - equivalente a um copo de cerveja, um cálice pequeno de vinho, uma dose de uísque ou outra bebida destilada As funções mentais começam a ficar comprometidas. A percepção da distância e da velocidade são prejudicadas
0,3 a 0,5 g/l - dois copos de cerveja, um cálice grande de vinho, duas doses de bebidas destiladas O grau de vigilância diminui, assim como o campo visual. O controle cerebral relaxa, dando sensação de calma e satisfação
0,51 a 0,8 g/l - três ou quatro copos de cerveja, três copos de vinho, três doses de uísque Reflexos retardados, dificuldades de adaptação da visão a diferenças de luminosidade, superestimação das possibilidades e minimização de riscos e tendência à agressividade
0,8 a 1,5 g/l - a partir dessa taxa, as quantidades são muito grandes e variam de acordo com o metabolismo, com o grau de absorção e com as funções hepáticas de cada indivíduo Dificuldades de controlar automóveis, incapacidade de concentração e falhas na coordenação neuromuscular
1,5 a 2,0 g/l Embriaguez, torpor alcoólico, dupla visão
2,0 a 5,0 g/l Embriaguez profunda
5,0 g/l Coma alcoólica

Tomando-se por base a ingestão de álcool por um indivíduo que pese 70 kg

Fonte: www.alcoolismo.com.br

Alcoolismo

Introdução

O álcool, especificamente o álcool etílico (etanol), é produzido pela fermentação do amido ou açúcar de várias frutas e cereais. As bebidas alcoólicas produzidas por meio de fermentação e destilação incluem a cerveja (geralmente cerca de 5% de álcool), o vinho (geralmente de 12 a 15% de álcool) e bebidas alcoólicas fortes (que têm aproximadamente 45% de álcool).

Assuntos relacionados incluem: álcool e dieta, alcoolismo e estado de suspensão do consumo de álcool.

O alcoolismo pode ser uma doença crônica ou apenas uma intoxicação aguda. Para o reconhecimento de uma intoxicação aguda o recurso utilizado é a alcoolemia, que irá medir o nível de etanol presente no organismo. Essa determinação pode ser direta, através de um exame de sangue, ou indireta, quando se coleta o ar expirado em bafômetros.

O diagnóstico de alcoolismo crônico é algo complexo, que necessita da reunião de alguns fatores. Primeiramente o médico deve fazer uma anamnese, que é uma lista de perguntas para o paciente e para sua família, com a finalidade de descobrir se ele tem o perfil de um alcoólatra. Nesse momento, também é necessária uma análise psicológica; o médico precisa ser sensível para perceber se o paciente está mentindo ou omitindo algo que o definiria como alcoólatra. Ao mesmo tempo em que faz a anamnese, o médico precisa realizar um exame físico, analisando se o paciente possui tremores nas extremidades digitais e na língua, por exemplo. Se o paciente é realmente um alcoólatra, ele pode apresentar sintomas de abstinência, indicando a dependência.

Para o diagnóstico final de alcoolismo crônico, é preciso mais do que a anamnese e o exame físico. Outros exames como o do líquido cefalorraquidiano e uma pneumencefalografia podem comprovar o diagnóstico..

Tolerância e Dependência

Uma alta tolerância ao álcool não é sinônimo de dependência a ele. A dependência é posterior à tolerância e para haver a primeira, a segunda é necessária. A tolerância é ilustrada na situação em que uma pessoa que antes bebia um único copo de uísque e ficava embriagada, agora necessita de três doses para atingir o mesmo grau de embriaguez. A tolerância é adquirida por adaptação do sistema nervoso central e por proliferação do retículo endoplasmático liso, organela onde ocorre metabolização do etanol, pois assim, a velocidades de degradação é maior. Mas a tolerância pode ser diminuída por lesões nos hepatócitos, células onde ocorre a degradaçação, pois assim a velocidade da metabolização irá diminuir.

A dependência pode ser identificada por diversos sintomas, como a ingestão de grandes quantidades além da vontade do indivíduo; o aborrecimento com críticas em relação a esse costume de beber e arrependimento posterior; a deterioração das atividades de ocupação social, entre outros.

Histórico

De acordo com evidências arqueológicas, o ser humano consome bebidas alcoólicas desde a pré-história. Acredita-se que o homem do período neolítico consumia vinhos de frutas vermelhas em 6400 A.C. A descoberta do processo de destilação, no século XII, tornou possível a produção de bebidas com teor alcoólico mais alto que aquelas feitas somente por fermentação.

Ficando atrás somente da cafeína, o álcool é usado por mais pessoas e em quantidades maiores que qualquer outra substância. Serviu para diversos fins à medida em que as culturas e sociedades evoluíram ao longo dos anos. O uso do álcool foi difundido, ocasionalmente aceito, condenado e proibido, porém sem sucesso.

Estima-se que 70% dos estudantes americanos do último ano colegial consumiram algum tipo de bebida alcoólica ao menos uma vez no último mês, apesar de a idade legal para consumo de álcool variar entre 18 e 21 anos de idade nos Estados Unidos. Ainda que apenas 5 a 7% dos adolescentes sejam considerados alcoólatras, 19 a 20% podem ser classificados como "bebedores problemáticos". Esse grupo inclui aqueles adolescentes que ficam bêbados seis ou mais vezes por ano e/ou que sofrem conseqüências negativas como resultado de seu comportamento em relação à bebida pelo menos duas vezes por ano. Tais conseqüências podem incluir acidentes relacionados ao consumo de álcool ou problemas com a lei, com familiares, com amigos, com a escola ou com namorados. No passado, os homens tradicionalmente bebiam mais que as mulheres. Entretanto, a incidência de pessoas que bebem está se tornando mais igual entre os sexos.

O consumo de álcool é primariamente influenciado por atitudes desenvolvidas durante a infância e adolescência e, portanto, associadas a atitudes dos pais e comportamentos em relação à bebida dentro e fora de casa, influência de colegas e da sociedade e relacionamentos familiares.

EFEITOS E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Efeitos agudos

O álcool é um depressor do cérebro e age diretamente em diversos órgãos, tais como o fígado, coração, vasos e na parede do estômago. A intoxicação é o uso nocivo de substâncias, em quantidades acima do tolerável para o organismo.

Os sinais e sintomas da intoxicação alcoólica caracterizam-se por níveis crescentes de depressão do sistema nervoso central. Inicialmente há sintomas de euforia leve, evoluindo para tonturas, ataxia e incoordenação motora, passando confusão e desorientação e atingindo graus variáveis de anestesia, entre eles o estupor e o coma. A intensidade da sintomatologia da intoxicação tem relação direta com a alcoolemia (quadro 1).

O desenvolvimento de tolerância, a velocidade da ingestão, o consumo de alimentos e alguns fatores ambientais também são capazes de interferir nessa relação.

Algumas coisas podem alterar a ação do álcool no corpo. A presença de alimentos no estômago diminui a velocidade de absorção. Bebidas frisantes e licorosas são absorvidas com maior rapidez.

Quadro1 - Níveis plasmáticos de álcool (mg%) e sintomatologia relacionada

Alcoolemia (mg%)
Quadro clínico
30 Euforia e excitação
Alterações leves da atenção
50 Incoordenação motora discreta
Alteração do humor personalidade e comportamento
Não é permitido dirigir acima desse nível alcoólico
100 Incoordenação motora pronunciada com ataxia
Diminuição da concentração
Piora dos reflexos sensitivos
Piora do humor
200 Piora da ataxia
Náuseas e vômitos
300 Disartria
Amnésia
Hipotermia
Anestesia (estágio I)
400 Coma
Morte (bloqueio respiratório central)

Complicações clínicas

O álcool tem ação tóxica direta sobre diversos órgãos quando utilizado em doses consideráveis, por um período de tempo prolongado (quadro 2).

As mais freqüentes são [estômago] as gastrites e úlceras, [fígado] hepatites tóxicas, esteatose (acúmulo de gordura nas células do fígado, decorrente da ação tóxica do álcool sobre suas membranas), cirrose hepática, [pâncreas] pancreatites, [sistema nervoso] lesões cerebrais, demência, anestesia e diminuição da força muscular nas pernas (neurites), [sistema circulatório], miocardites, predisposição ao depósito de placas gordurosas nos vasos, com risco de infartos, hipertensão e acidentes vasculares cerebrais (derrames). O álcool aumenta o risco de neoplasias no trato gastrintestinal, na bexiga, na próstata e outros órgãos.

Sistema
gastro- intestinal
Hepatopatias (esteatose e cirrose hepáticas, hepatite)
Pancreatite crônica
Gastrite
Úlcera
Neoplasias (boca, língua, esôfago, estômago, fígado, ...)
Sistema
circulatório
Cardiomiopatias
Hipertensão arterial sistêmica
Sangue Anemias (especialmente a anemia megaloblástica)
Diminuição na contagem de leucócitos
Sistema
nervoso periférico
Neuropatia periférica
Sistema
reprodutor
Impotência (homens)
Alterações menstruais e infertilidade (mulheres)

Riscos Associados à Saúde

Acidentes automobilísticos relacionados ao álcool
Outros acidentes como quedas, afogamentos e incidentes com fogo
Aumento do risco de suicídio
Aumento do risco de homicídio
Diminuição do uso adequado de medidas de controle de natalidade
Aumento do risco de gestação não planejada ou indesejável
Diminuição da prática de comportamentos sexuais mais seguros
Aumento do risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis
No caso de mulheres gestantes que consomem álcool, o bebê pode sofrer de síndrome alcoólica fetal
Alcoolismo
Doença hepática crônica

Pancreatite

O etanol ataca as células beta do pâncreas, as quais produzem amilase e lípase. Quando essas células são destruídas tais enzimas são liberadas no sangue.

É por isso que num exame de sangue buscando a detecção de alcoolismo é medida a concentração dessas enzimas.

Num estágio mais avançado de alcoolismo o etilista pode vir a desenvolver diabetes, pois as células citadas produzem insulina. A falta desse hormônio inviabiliza o transporte de glicose para os tecidos.

Desnutrição

A desnutrição se desenvolve como resultado das calorias vazias do álcool, apetite reduzido e má absorção (absorção inadequada de nutrientes pelo trato intestinal). A desnutrição contribui para a doença hepática.

A ingestão de álcool pode interferir na gliconeogênese, contribuindo para a desnutrição. Em sua metabolização há formação de NADH. Uma concentração alta desta coenzima ativa a enzima desloca a reação catalisada pela lactato desidrogenase no sentido da formação de lactato. Assim, a via não segue seu caminho normal de formação de glicose. Dessa forma, uma pessoa que ingeriu muito álcool e com baixa ingestão de alimentos poderá atingir um estado de hipoglicemia e desnutrição.

A alta concentração de lactato interfere na enzima que catalisa a reação de síntese de colágeno, aumentando-a e também na excreção de ácido úrico.

Manutenção da Glicemia

Se uma pessoa ingeriu muito etanol, ela pode apresentar o estado de coma. Esse estado pode se dar por dois motivos diferentes. Há o coma por intoxicação, que ocorre se a pessoa ingeriu uma dose muito alta de etanol e há o coma por hipoglicemia. Ela se dá pois o etanol é um composto altamente energético, o que leva a pessoa a ingerir pouco alimento. Mas a energia do etanol não é armazenada e, portanto, não é utilizada pelo organismo para suas funções metabólicas.

Assim, o organismo de alguém que ingeriu etanol sem a ingestão de alimentos pode se encontrar hipoglicêmico e dependendo de seu grau, levar a pessoa ao estado de coma.

A administração de glicose à pessoas que ingeriram etanol tem a finalidade de dar uma fonte de energia ao organismo para este realizar suas funções vitais, uma vez que ele não obtém energia a partir de glicose pela ingestão e nem pela via da gliconeogênese.

A glicose administrada ao paciente não aumenta o metabolismo do etanol no organismo, mas ela ameniza seus efeitos. Esse fato é ilustrado pela situação de duas pessoas que ingeriram etanol, mas uma delas está sem comer e a outra acabou de realizar uma refeição. Os efeitos do álcool no organismo de cada uma vão ser percebidos em tempos diferentes. Na pessoa que acabou de comer irá demorar um pouco mais do que naquela que está de estômago vazio. A absorção do etanol se dá ao longo do tubo digestório, sendo que a maior acontece no intestino delgado.

Há absorção no estômago, mas é menor e quando ele está cheio de alimento, ela fica menor ainda. Esse fato mostra o porquê de uma pessoa que acabou de comer demorar mais para sentir os efeitos do etanol em seu organismo.

Metabolismo do Álcool

Após a ingestão , o álcool é absorvido inalterado pelo estômago e intestinos delgado. Leite e alimentos gordurosos alentecem a absorção.

O álcool é então distribuído para todos os tecidos e líquidos do corpo na proporção direta ao nível sangüíneo. Menos de 10% do álcool absorvido são excretados de forma inalterada na urina, suor e respiração. A quantidade exalada tem relação direta com o nível sanguíneo e forma vase para o teste da respiração (Bafômetro) empregado pelas agências policiais.

Grande parte do álcool no sangue é metabolizado no fígado através de uma via principal e duas acessórias. O etanol é primeiramente convertido em acetaldeído pela álcool desidrogenase. O aceltaldeído é subseqüentemente oxidado a acetato pela aldeído desidrogenase, uma enzima inibida pelo dissulfiram, uma droga que possui algum uso em pacientes que desejam parar de beber. A via pela oxidase P-450 microssômica é induzida pelo álcool e outros agentes.

DAH = desidrogenase alcoólica hepática
DADH =
desidrogenase acetílica hepática
DAN =
dinucleotídio adrenal de nicotiamida
DANR =
dinucleotídio adrenal de nicotiamida reduzido

Um homem de tamanho médio metaboliza cerca de 9,0g de álcool por hora a despeito do teor sanguíneo. Polimorfismos genético das desidrogenases alcoólica e aldeídica do fígado foram identificados, alguns deles capazes de metabolismo mais rápido do substrato que outros. Ademais, os alcoólatras crônicos desenvolvem algum nível de tolerância em virtude da indução enzimática que leva a um ritmo maior de metabolismo. Além disso, eles adiquirem capacidade adaptativa precária para realização de tarefas motoras e cognitivas a nível sanguíneo de álcool que iriam afetar significativamente o não-habituado. Assim , existe alguma variabilidade individual na capacidade de manusear o álcool, mas as variações são confinadas a uma faixa estreita.

ÁLCOOL E COMPORTAMENTO

Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois ele atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem consome, além de ter potencial para desenvolver dependência. O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Por esse motivos ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas, sendo uma condição frequente, atingindo cerca de 5 a 10% da população adulta brasileira.

O alcoolismo não difere psicologicamente da dependência de outras drogas. Assim, tanto as fases como o desenvolvimento emocional do dependente e a recuperação são idênticas, não importando qual a droga de escolha, seja ela o álcool, cocaína, crack, maconha ou qualquer outra droga alteradora de humor.

Com toda essa carga negativa sobre a dependência química, como um dependente químico (dependente de álcool e outras drogas), em sã consciência poderia admitir que é um dependente? Assim, conforme a dependência química vai evoluindo), tanto o dependente quanto os familiares vão desenvolvendo uma "MURALHA PSICOLÓGICA" que impede que o indivíduo entre em contato com a realidade da dependência. Por isso, devemos lembrar que é uma DOENÇA, não uma falta de caráter. O alcoólatra e o dependente de outras drogas, realmente se tornam o mito, se tornam tudo aquilo que sempre tiveram medo de ser, através do que a psicologia chama de "profecia auto-realizadora". Isso ocorre por não conseguirem entrar em contato com determinados sentimentos.

Esses sentimentos são totalmente normais em nós, seres humanos e devem ser desenvolvidos para que não assumam o controle da situação.

Fatores que levam ao primeiro uso do álcool:

Espírito de grupo: (Principalmente na adolescência, onde não queremos ser tratados como "diferentes" ou como "babacas").
Curiosidade:
(Fala-se tanto no assunto, como será que é?). Cultura (em algumas sociedades começa-se a beber ainda criança).
Incentivo dos pais:
(Que bebem e dão aos filhos para que provem).
Orientação médica:
(Biotônico Fontoura é um bom exemplo).
Outros fatores sociais:
(Anúncio de TV, entre outros).

Fatores que levam à continuidade do consumo alcóolico:

Predisposição Orgânica: caracterizada principalmente pela tolerância.
Benefícios:
fatores sociais que reforçam o uso.

As quatro fases do alcoolismo:

Fase 1 : (Fase social, sem dependência física, apenas dependência Emocional). Inicia-se na primeira vez que se bebe (lembrando-se que dois fatores são fundamentais: Predisposição Orgânica e Benefícios, do contrário a doença não se desenvolve). O primeiro sintoma é a dependência Emocional. O desenvolvimento emocional pára e a pessoa torna-se pouco tolerante. Como geralmente isso acontece na infância ou na adolescência, a mudança emocional geralmente não é percebida, pois confunde-se com malcriação, infantilidade ou temperamento forte. A partir daí, a doença desenvolve-se mais ou menos devagar, dependendo da predisposição orgânica. Bebe-se pouco e socialmente, não há perdas em virtude do uso. Não há problemas físicos.
Fase 2:
(Fase social, sem dependência física, apenas dependência emocional). O organismo modifica-se: tem-se a tolerância aumentada (bebe-se mais que na fase 1) . Não há problemas em conseqüência da ingestão de álcool. Não há problemas físicos. Não há dependência física, apenas emocional.
Fase 3:
(Fase problemática, com dependência física e emocional). Bebe-se muito (altíssima tolerância).O beber torna-se um problema. Muitos problemas emocionais, ressacas constantes, problemas em decorrência da bebida , problemas familiares, problemas de relacionamento. Há o inicio da síndrome de abstinência, começam as "PARADAS ESTRATÉGICAS", pode-se haver internações. Há boas expectativas de recuperação física. Há muitas perdas. Perda de controle.
Fase 4:
(Fase problemática, com dependência física e emocional). Bebe-se muito pouco, menos que na fase 1. Inicia-se a atrofia do cérebro. Pode-se ter delírios. Pode-se ter as mãos trêmulas por períodos excessivamente longos. Problemas físicos e emocionais extremos. Pode-se ter Esquizofrenia. Muitas vezes confunde-se com PMD (psicose maníaco-depressiva). Há poucas expectativas de recuperação física. Perdas extremas.

Mecanismos de defesa:

As 4 fases do alcoolismo apresentam determinados sintomas semelhantes, que são os MECANISMOS DE DEFESA, decorrentes do preconceito em relação ao alcoólatra.

Na realidade os mecanismos de defesa são mentiras que o alcoólatra ou dependente químico usa para tentar encobrir o aspecto doentio da própria vida, tais como:

Negação : (O mais comum). "Não sou alcoólatra, sou compulsivo. Nunca fiquei bêbado. Não tenho problemas em decorrência da bebida. Bebo muito pouco".
Justificativa:
"Bebo porque gosto, paro na hora que quiser. Bebo para relaxar. Bebo para comemorar. Bebo para esquecer. Bebo para ouvir música. Bebo devido a problemas emocionais. Bebo para me divertir".
Projeção:
Todos os sentimentos e a própria vida são vistos apenas no outro.) "O outro é quem bebe muito. O vizinho que é alcoólatra, coitado".Autopiedade: O mundo não me entende. Nada dá certo pra mim. (Faz com que as pessoas sintam pena )
Minimização:
"Só bebo vinho. Só bebo final de semana. Só bebo à noite; todo mundo bebe. Não bebo pinga". (Tenta minimizar os prejuízos)
Intelectualização:
Encontram-se justificativas científicas: "Beber faz bem ao coração".
Racionalização:
(raciocina-se errado) "Se eu beber só vinho vai estar tudo bem. Se eu parar por um tempo vai ficar tudo bem".
Fuga Geográfica:
Muda-se de cidade, de emprego.

Mecanismos de defesa fazem parte da personalidade de todos os seres humanos, porém são mais pronunciados no alcoólatra.

O Alcoólatra pode encontrar mais justificativas para beber, numa semana, do que o não alcoólatra encontraria para fazer todas as outras coisas, durante a vida inteira.

O alcoolismo é uma doença de família:

A família também apresenta mecanismos de defesa. Há poucas expectativas em relação à recuperação, pois todos da família devem se tratar, não só o alcoólatra.

Um alcoólatra dificilmente pára de beber. De cada 100 alcoólatras, apenas 1 consegue entrar num programa de recuperação. Os outros 99 morrerão sem querer parar de beber. Um dos fatores que levam o alcoólatra a continuar bebendo é a interferência de familiares que procuram apagar "o ontem à noite", procurando minimizar as perdas que a bebida traz. A falta de informação da população, a falta de profissionais preparados para esse tipo de atendimento, a falta de cursos sobre a dependência química em faculdades de medicina levam à ignorância em relação ao que poderia ser uma ajuda real.

A recuperação é difícil e depende da disposição do indivíduo em aceitar a ajuda necessária (ele só vai entrar num programa de recuperação se assim o quiser).

Há vários programas de recuperação: religioso, de mútua ajuda, ajuda psicológica, programas místicos, etc. O importante é que o indivíduo se sinta bem com aquele que escolher. O maior inimigo da recuperação são as recaídas, que podem inclusive levar à morte.

A recuperação é um trabalho para anos e consiste em transformar uma vida até então marcada por brigas, egocentrismo, perdas, pensamentos obsessivos, etc, em uma vida produtiva. O processo de recuperação consiste, dentre muitas outras coisas, na identificação desses mecanismos de defesa, e no reconhecimento da verdadeira intenção por detrás destes.

Por exemplo: muda-se de cidade para ver se as coisas melhoram. Assim há a falsa idéia de que mudando de cidade os problemas ficarão em outro lugar bem distante. Só que ele não admite a própria maneira doentia de usar drogas, e que os problemas são conseqüência do uso.

O dependente tem uma dificuldade incomum de identificar os próprios sentimentos, os quais são "projetados" no mundo exterior. Isso é dito para que se tenha uma melhor compreensão de como é impossível para um dependente químico lidar com todas essas mentiras que a sociedade nos ensina sobre a dependência, porque ele só consegue ver a própria realidade e os próprios sentimentos em outras pessoas. Ele realmente acredita que usa drogas ou bebe compulsivamente devido a algum motivo, um fator externo.

Por não conseguir desenvolver determinados sentimentos que não são "ruins" como ele pensa, esses sentimentos acabam transformando-se numa personalidade separada, desconhecida, chamada de "sombra" que só vem à tona em determinados momentos. Muitos a chamam de "demônio", mas na realidade é uma personalidade infantil, egocêntrica como toda criança. Essa personalidade desconhecida e temida pelo dependente e pelos familiares é justamente o MITO que tornou-se realidade através de uma profecia "auto-realizadora."

ÁLCOOL E O ORGANISMO

O álcool é absorvido principalmente no intestino delgado, e em menores quantidades no estômago e no cólon.

A concentração do álcool que chega ao sangue depende de fatores como: quantidade de álcool consumida em um determinado tempo, massa corporal, e metabolismo de quem bebe, quantidade de comida no estômago. Quando o álcool já está no sangue, não há comida ou bebida que interfira em seus efeitos.

Os efeitos do álcool dependem de fatores como: a quantidade de álcool ingerido em determinado período, uso anterior de álcool e a concentração de álcool no sangue. O uso do álcool causa desde uma sensação de calor até o coma e a morte dependendo da concentração que o álcool atinge no sangue.

Os sintomas que se observam são:

Doses até 99mg/dl: sensação de calor/rubor facial, prejuízo de julgamento, diminuição da inibição, coordenação reduzida e euforia;

Doses entre 100 e 199mg/dl: aumento do prejuízo do julgamento, humor instável, diminuição da atenção, diminuição dos reflexos e incoordenação motora;

Doses entre 200 e 299mg/dl: fala arrastada, visão dupla, prejuízo de memória e da capacidade de concentração, diminuição de resposta a estímulos, vômitos;

Doses entre 300 e 399mg/dl: anestesia, lapsos de memória, sonolência;

Doses maiores de 400mg/dl: insuficiência respiratória, coma, morte.

Um curto período (8 a 12 horas) após a ingestão de grande quantidade de álcool pode ocorrer a "ressaca", que caracteriza-se por: dor de cabeça, náusea, tremores e vômitos. Isso ocorre tanto devido ao efeito direto do álcool ou outros componentes da bebida. Ou pode ser resultado de uma reação de adaptação do organismo aos efeitos do álcool.

A combinação do álcool com outras drogas (cocaína, tranqüilizantes, barbituratos, antihistamínicos) pode levar ao aumento do efeito, e até mesmo à morte.

O efeitos do uso prolongado do álcool são diversos. Dentre os problemas causados diretamente pelo álcool pode-se destacar doenças do fígado, coração e do sistema digestivo.

Secundariamente ao uso crônico abusivo do álcool, observa-se: perda de apetite, deficiências vitamínicas, impotência sexual ou irregularidades do ciclo menstrual.

Todos nós já vimos o estereótipo de "bêbado" em filmes e programas de televisão. É aquele cara que anda cambaleando pelas ruas, com as roupas amarrotadas, falando enrolado e tropeçando nas próprias pernas. Mas, na realidade, o alcoolismo é geralmente muito mais difícil de notar. Os alcoólatras podem esconder seus problemas com bebida dos amigos, da família e até de si mesmos.

Somente nos Estados Unidos, o alcoolismo afeta milhões de pessoas e custa ao país bilhões de dólares por ano. No Brasil, não é diferente.

Neste artigo, aprenderemos a diferença entre o que pode ser considerado "beber em excesso" e o alcoolismo. Conheceremos os fatores genéticos, sociais e psicológicos que levam os indivíduos ao alcoolismo e saberemos como os alcoólatras podem encontrar tratamento para seu vício.

Mas primeiro, o que é o alcoolismo?

A maioria das pessoas pode curtir um copo de vinho no jantar ou uma cerveja com os amigos. Mas, para outras, um copo torna-se dois, dois se tornam quatro e assim sucessivamente. Elas são simplesmente incapazes de parar de beber.

Nem toda pessoa que bebe muito álcool é considerada alcoólatra. Mesmo que o consumo afete a família ou as responsabilidades de trabalho, ou exponha a pessoa a situações de perigo - como dirigir embriagado -, essa pessoa não é necessariamente alcoólatra. Apesar de abusar do álcool, o que não é nada saudável, pode não desenvolver uma dependência física.

Os alcoólatras, por outro lado, têm uma doença crônica. Eles são fisicamente dependentes do álcool. Sentem necessidade de beber como as outras pessoas sentem necessidade de comer e, uma vez que começam, dificilmente conseguem parar. Eles desenvolvem uma tolerância ao álcool, precisando sempre de mais e mais bebida para sentir os mesmos efeitos.

Quando o alcoólatra tenta parar de beber, experimenta os sintomas da abstinência: suores, náuseas, ansiedade, delírios, visões, tremores intensos e confusão mental.

De acordo com uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, mais de 17 milhões de americanos abusam do álcool ou são alcoólatras.

O alcoolismo afeta mais homens que mulheres: cerca de 10% dos homens, comparados com 3% a 5% das mulheres, tornam-se alcoólatras durante a vida. Homens que bebem 14 ou mais drinques por semana e mulheres que bebem mais de 7 apresentam risco de se tornarem alcoólatras. O alcoolismo é mais comum em jovens entre 18 e 44 anos do que entre idosos.

Como alguém se torna alcoólatra?

Por que algumas pessoas podem beber socialmente e não se viciar, enquanto outras tornam-se alcoólatras? A razão é uma combinação de fatores genéticos, fisiológicos, psicológicos e sociais.

Os genes podem ser um importante fator no desenvolvimento do alcoolismo. Pesquisas indicaram que os filhos de alcoólatras são quatro vezes mais propensos a se tornarem dependentes. Apesar dessa estatística estar, em parte, relacionada a fatores de convivência, os cientistas determinaram que há uma substancial ligação genética. Pesquisadores têm trabalhado para determinar exatamente quais genes são responsáveis pela propensão ao alcoolismo, no intuito de desenvolver novas medicações para tratar a doença.

Fisiologicamente, o álcool altera o equilíbrio químico no cérebro. Ele afeta substâncias químicas no sistema nervoso central, como a dopamina. O corpo eventualmente anseia pelo álcool para restaurar sentimentos de prazer e evitar sentimentos negativos. Pessoas que já sofrem de muito estresse ou problemas psicológicos, como baixa auto-estima e depressão, apresentam maior risco de desenvolver alcoolismo.

Fatores sociais como a pressão social, as propagandas e o ambiente também desempenham um importante papel no desenvolvimento do alcoolismo. Pessoas jovens normalmente começam a beber porque seus amigos bebem. Anúncios de cerveja e bebidas destiladas tendem a retratar que beber é um glamouroso e excitante passatempo.

Os sinais de que alguém pode ser alcoólatra incluem:

Beber para esquecer os problemas
Beber sozinho com freqüência
Mentir sobre seu hábito de beber
Perder o interesse por comida
Sentir-se triste ou irritado quando não está bebendo
Perder as memórias de certos eventos ("ter um branco")

Convivendo com um alcoólatra

O alcoolismo não afeta somente o alcoólatra, mas também as pessoas que convivem com ele, especialmente a família e os amigos. Pesquisas demonstram que mais de 40% dos americanos tiveram casos de alcoolismo na família. Uma entre cinco pessoas cresceu com um alcoólatra.

Filhos de alcoólatras são mais suscetíveis a padecer de ansiedade, depressão e problemas de comportamento do que filhos de não-alcoólatras. Há também um risco maior de eles próprios se tornarem alcoólatras. Existem várias organizações especializadas em tratar famílias de alcoólatras, incluindo a Alanon.

O que acontece quando você bebe

Quando você bebe, cerca de 20% do álcool é absorvido pelo seu estômago; os outros 80% são absorvidos pelo seu intestino delgado. A velocidade com que o álcool é absorvido depende da concentração de álcool na bebida. A vodca, por exemplo, será absorvida mais depressa do que a cerveja, porque nela a concentração é maior. Depois de uma farta refeição, o álcool é absorvido mais lentamente.

Como o álcool é absorvido no corpo

Após o álcool ter sido absorvido, ele entra em sua corrente sanguínea e percorre seu corpo. Enquanto o álcool age, o corpo vai simultaneamente trabalhando para removê-lo. Os rins e os pulmões removem cerca de 10% através da urina e da respiração - é por isso que o teste do bafômetro pode ser utilizado para medir o nível de álcool no sangue. O fígado transforma o resto do álcool em ácido acético.

Após alguns drinques, os efeitos físicos do álcool tornam-se aparentes. Eles estão relacionados à concentração de álcool no sangue, que aumenta quando o corpo recebe mais álcool do que pode eliminar.

Para aprender sobre efeitos específicos de vários níveis de concentração de álcool no sangue, veja como funciona o álcool: os efeitos do álcool.

O álcool e a morte

O álcool é um veneno e pode matar. Uma pessoa com uma concentração entre 0,35% e 0,50% de álcool no sangue pode entrar em coma, e uma concentração acima de 0,50% pode matar. Muitas pessoas já morreram após consumirem muito álcool de uma só vez ou grandes quantidades durante um longo período de tempo.

O álcool no cérebro

A maioria de nós já presenciou os efeitos visíveis do excesso de álcool: o andar trôpego, a fala enrolada e os lapsos de memória. As pessoas quando bebem têm problemas com o equilíbrio, coordenação e juízo, além de reagirem mais lentamente a estímulos, o que explica por que é tão perigoso beber antes de dirigir.

Todos esses sinais físicos ocorrem devido à forma como o álcool afeta o cérebro e o sistema nervoso central.

O álcool afeta a química do cérebro, alterando níveis de neurotransmissores. Neurotransmissores são mensageiros químicos que transmitem os sinais através do corpo, controlando os processos de pensamento, comportamento e emoções. Os neurotransmissores são excitatórios, o que significa que estimulam a atividade elétrica do cérebro, ou inibitórios, quando a reduzem. O álcool aumenta os efeitos do neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico) no cérebro.

O GABA causa os movimentos lentos e a fala enrolada que freqüentemente se observam nos alcoólatras. Ao mesmo tempo, o álcool inibe o neurotransmissor excitatório glutamato, suprimindo os efeitos estimulantes e levando a um tipo de retardamento fisiológico. Além de aumentar o GABA e reduzir o glutamato no cérebro, o álcool aumenta a quantidade de dopamina no sistema nervoso central, que cria as sensações de prazer.

O álcool afeta as diferentes regiões do cérebro de maneiras distintas:

Córtex cerebral

Nessa região, onde se dá o processamento de pensamentos e a consciência, o álcool afeta os centros de inibição de comportamento, tornando a pessoa menos inibida, e atrasando o processamento de informações dos olhos, ouvidos, boca e outros sentidos, além das funções cognitivas - tornando difícil pensar claramente.

Cerebelo

Oálcool afeta o centro dos movimentos e do equilíbrio, resultando no desequilíbrio que associamos ao "caindo de bêbado".

Hipotálamo e hipófise

Coordenam as funções automáticas do cérebro e a liberação de hormônios. O álcool deprime os centros nervosos do hipotálamo, que controla os estímulos e a performance sexual. Embora o desejo sexual possa aumentar, a performance sexual piora.

Medula

Essa área do cérebro é responsável por funções automáticas como respiração, consciência e temperatura corporal. Agindo na medula, o álcool induz a insônia.
Pode também diminuir a freqüência respiratória e baixar a temperatura do corpo, levando a risco de morte.

A curto prazo, o álcool pode causar brancos ou lapsos de memória. A longo prazo, os problemas podem ser ainda mais sérios.

O álcool e o cérebro: a longo prazo

Beber muito freqüentemente pode causar danos permanentes, como redução no tamanho do cérebro e deficiência nas fibras que transportam informações entre as células cerebrais. Muitos alcoólatras desenvolvem uma doença chamada Síndrome de Wernicke-Korsakoff (site em inglês), que é causada por uma deficiência de tiamina (uma vitamina do complexo B). Essa deficiência ocorre porque o álcool interfere na forma como o corpo absorve as vitaminas B. Pessoas com Síndrome de Wernicke-Korsakof apresentam confusão mental e falta de coordenação e ainda podem ter problemas de memória e aprendizado.

O corpo responde ao contínuo consumo de álcool tornando-se dependente dele. Essa dependência, a longo prazo, causa alterações nas reações químicas do cérebro. Ele se acomoda à presença regular de álcool, alterando a produção de neurotransmissores. Quando o indivíduo pára ou reduz drasticamente a bebida, cerca de 24 a 72 horas depois, o cérebro começa a sentir os efeitos da abstinência ao tentar reajustar sua química. Os sintomas de abstinência incluem desorientação, alucinações, delírios, náuseas, suores e convulsões.

O álcool e o resto do corpo

Beber grandes quantidades de álcool pode danificar seriamente sua saúde: seu fígado, rins, coração, cérebro e sistema nervoso central.

Já falamos sobre os danos ao cérebro a longo prazo. No entanto, se usado por longos períodos de tempo, o álcool pode também causar sérios danos em outras partes do corpo.

Fígado

O fígado é particularmente vulnerável aos efeitos do álcool porque é o órgão onde ele e outras toxinas são metabolizadas, sendo transformadas em substâncias menos perigosas para serem removidas do corpo. Beber durante um longo período de tempo pode levar à hepatite alcoólica ou inflamação no fígado.
Os sintomas dessa doença incluem náuseas, vômitos, febre, perda de apetite, dor abdominal e icterícia (amarelamento da pele). Mais de 70% das pessoas com hepatite alcoólica desenvolvem cirrose. Com essa doença, o tecido saudável do fígado dá lugar a um tecido cicatricial e o fígado vai parando de funcionar progressivamente.

Coração

O álcool reduz a pressão arterial em baixas doses; entretanto, beber prolongadamente aumenta os riscos de doenças cardíacas, pressão alta e convulsões e infarto.

Estômago

O álcool irrita as mucosas do estômago e intestinos, causando vômitos, náuseas e úlceras.

Pâncreas

O pâncreas libera os hormônios insulina e glucagon, que regulam a forma como a comida é transformada e utilizada como energia pelo corpo. Beber durante muito tempo pode levar à inflamação no pâncreas (pancreatite).

Câncer

Pesquisas indicam que beber durante muito tempo aumenta os riscos de câncer na boca, garganta, laringe e esôfago.
Os efeitos do álcool são ainda mais marcantes em pessoas com mais de 65 anos, porque seus corpos não metabolizam o álcool tão bem. As mulheres também têm mais dificuldade de metabolizar o álcool do que os homens, porque são geralmente menores e mais leves. O álcool pode ainda ser mortal quando combinado com certas medicações como analgésicos, tranqüilizantes e anti-histamínicos.

Síndrome alcoólica fetal

O álcool é especialmente perigoso para os fetos. A exposição ao álcool no útero pode levar à síndrome alcoólica fetal, que pode gerar retardamento mental. Nos fetos em desenvolvimento, as células embrionárias que irão formar o cérebro estão se multiplicando e formando conexões.

A exposição ao álcool no útero pode danificar essas células, prejudicando o desenvolvimento de diversas estruturas no cérebro, incluindo os núcleos da base, responsáveis pela memória espacial e outras funções cognitivas; o cerebelo, envolvido no equilíbrio e coordenação e a massa de fibras nervosas que conecta e capacita a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro. A exposição intra-uterina ao álcool pode fazer com que, posteriormente, os bebês tenham problemas de aprendizado, de memória e falta de atenção. Muitos também nascem com a cabeça menor que o normal e anormalidades faciais. Como os pesquisadores não sabem exatamente que quantidade de álcool ingerida pela mãe pode causar danos ao feto, os médicos recomendam que mulheres grávidas se abstenham do álcool durante a gestação.

Tratamento para o alcoolismo

Nos Estados Unidos, aproximadamente 2 milhões de pessoas por ano procuram ajuda para tratar o alcoolismo.

Veja logo abaixo o que esse tratamento geralmente inclui:

Desintoxicação

Isso implica abstinência de álcool para eliminá-lo completamente do organismo. Leva cerca de quatro a sete dias. Pessoas que passam pela desintoxicação normalmente tomam medicações para prevenir delírios e outros sintomas da abstinência;

Medicamentos

Alguns remédios são administrados para prevenir recaídas. Alguns reduzem o desejo de beber, bloqueando as regiões do cérebro que sentem prazer quando o álcool é consumido; outros causam uma reação física grave ao álcool, que inclui náusea, vômitos e dores de cabeça. Em 2004, a U.S Food and Drug Administration (FDA) aprovou um outro tipo de remédio, que suspende o desejo de beber atuando nos neurotransmissores do cérebro que são afetados pelo álcool.

Aconselhamento

Sessões de aconselhamento e terapia individual ou em grupo podem auxiliar na recuperação do alcoólatra, identificando situações nas quais as pessoas podem ser tentadas a beber e encontrando meios de contornar esse desejo. Um dos mais reconhecidos programas de recuperação alcoólica é o Alcoólicos Anônimos (AA). Nesse programa de 12 passos, os alcoólatras em recuperação encontram-se regularmente para auxiliar uns aos outros durante o processo de recuperação.

A eficácia desse programa varia, dependendo da gravidade do problema, dos fatores sociais e psicológicos envolvidos e do comprometimento individual no processo. Um estudo realizado em 2001 demonstrou que 80% das pessoas que passaram por um programa de 12 passos como o do AA, mantiveram-se abstêmios nos seis meses seguintes, contra cerca de 40% das que não passaram por nenhum programa. Estudos também demonstram que combinar medicações com terapia funciona melhor do que qualquer um dos tratamentos de forma isolada. A medicação controla os desequilíbrios químicos que causam o vício de álcool, enquanto a terapia ajuda as pessoas a lutar contra a abstinência.

Infelizmente, não há cura para o alcoolismo. Alcoólatras em recuperação devem trabalhar continuamente para prevenir uma recaída. No entanto, uma pesquisa de 2001/2002 realizada pelo National Institutes of Health descobriu que aproximadamente 35% dos alcoólatras adultos foram capazes de se recuperar completamente de seu vício.

Fonte: saude.hsw.com.br

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