Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é considerado a maior expressão da arte brasileira. Filho do arquiteto e mestre-de-obras Manuel Francisco Lisboa, iniciou sua aprendizagem na oficina do pai. Ainda jovem, tornou-se respeitado nos meios artísticos da Capitania de Minas Gerais, realizando significativos trabalhos como arquiteto, escultor, entalhador e imaginário.
Profeta Daniel. Pedra-sabão, Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, Congonhas - 1800-1805.
Sua extensa obra, encontrada em diversas cidades mineiras, museus e coleções particulares, pode ser sintetizada em realizações de excepcional concepção arquitetônica e escultórica, como a Igreja de São Francisco de Assis.

Aleijadinho executou também os trabalhos de escultura, talha e ornamentação
interna
Seu apelido advém de uma doença de caráter deformador, contraída por volta dos 40 anos de idade. Há divergências sobre a data de seu nascimento (1730 ou 1738), embora esta última seja mais plausível, já que seu registro de óbito, datado de 18 de novembro de 1814, em Vila Rica, onde também nasceu, conferia-lhe 76 anos. Aleijadinho está sepultado sob o altar de Nossa Senhora da Boa Morte na Matriz de Antônio Dias.
Os púlpitos, além do frontispício e do lavabo da sacristia, dão clara idéia da força criadora de Aleijadinho, que rompe as barreiras estéticas do barroco para introduzir o rococó.
Fonte: www.cidadeshistoricas.art.br
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (Vila Rica, atual Ouro Preto MG 1730 - idem 1814).
Escultor, arquiteto, entalhador. É considerado o mais importante artista brasileiro do período colonial. Filho natural do arquiteto e mestre-de-obras português Manuel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas, recebe do pai as primeiras noções de desenho, arquitetura e escultura. Provavelmente tenha recebido ensinamentos do desenhista e medalhista lisboeta João Gomes Batista (s.d. - 1788), que depois de trabalhar no Rio de Janeiro muda-se para Vila Rica, atual Ouro Preto, onde entre 1751 e 1784 exerce o posto de abridor de cunhos da Intendência e Casa de Fundição.
É possível que Aleijadinho também tenha sido orientado por dois entalhadores: Francisco Xavier de Brito (s.d. - 1751), responsável pela execução da talha da Igreja de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, que por estar enfermo indica o pai de Aleijadinho para terminá-la; e José Coelho de Noronha, que no ano de 1758 trabalha na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté. Dois anos depois, nessa cidade, Aleijadinho realiza uma escultura de Nossa Senhora do Carmo e se responsabiliza pela execução dos altares laterais.
Antes dos 50 anos, ele é acometido por uma doença degenerativa, que deforma e atrofia seu corpo, desencadeando a perda progressiva do movimento dos dedos das mãos e dos pés.
Passa a trabalhar com os instrumentos atados às mãos por seus escravos, que o carregam até os locais de trabalho. Há muitas incertezas sobre sua vida. A primeira biografia do artista foi escrita em 1858, 44 anos após sua morte, por Rodrigo José Ferreira Bretas, baseada em documentos de arquivo e depoimentos.
No conjunto de sua obra destacam-se os projetos das igrejas de São Francisco de Assis, em Ouro Preto e em São João del Rei, Minas Gerais; as 66 imagens de cedro dos Passos da Paixão e os 12 profetas de pedra-sabão, para o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais.
Fonte: www.itaucultural.org.br
Escultor e arquiteto brasileiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é considerado a maior expressão da arte brasileira. Filho natural do mestre de obra português Manuel Francisco Lisboa; sua mãe escrava africana, chamava-se Isabel.
Cursou apenas a escola primária, estudou com o pai, e talvez também com o pintor João Gomes Batista. Adulto, sua leitura predileta foi a Bíblia, fonte de sua arte.
Aleijadinho iniciou sua aprendizagem na oficina do pai. Ele concluiu esta obra com 14 anos.
Ainda jovem, tornou-se respeitado nos meios artísticos da Capitania de Minas Gerais, realizando significativos trabalhos como arquiteto, escultor, entalhador e imaginário.
A descoberta da pedra sabão abriu novos horizontes a Aleijadinho, que esculpiu dois púlpitos para a Igreja de São José de Vila Rica. O ponto mais alto da arquitetura de Aleijadinho seria atingido num projeto da Igreja São Francisco de Assis, que começou a ser construída em 1765 e só foi terminada em 1814. A Igreja conta com pinturas no teto de autoria de outro grande artista da época: Manuel da Costa Ataíde. Mas foi com as figuras humanas que Aleijadinho realmente se destacou. Cabelos estilizados, nariz fino com narinas bem delineadas, braços finos e rígidos e ângulos agudos nas pregas dos mantos foram características utilizadas pelo artista.
A obra-prima de Aleijadinho é, indiscultivelmente, o grupo de estátuas representando os Doze Profetas, erguidas no adro do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo, executadas em pedra-sabão. (1800-1805).
Seu apelido advém de uma doença de caráter deformador, contraída por volta dos 40 anos de idade, que mudou a forma de sua arte. À medida que o mal aumentava, seus trabalhos ficavam mais encaixados no estilo barroco, de maneira que as obras tornam-se mais retorcidas e sem delicadeza.
Sua doença não fez com que parasse de produzir. Muito pelo contrário, produziu mais e mais. (...) Hoje, muitos artistas fazem silêncio ao se depararem com uma fachada, um chafariz ou qualquer obra de sua autoria.
Aleijadinho está sepultado sob o altar de Nossa Senhora da Boa Morte na Matriz de Antônio Dias, em Ouro Preto.
Fonte: www.edukbr.com.br
A série de profetas de Congonhas é uma das mais completas da iconografia cristã ocidental. Além dos profetas maiores, figuram oito profetas menores, tendo sido naturalmente selecionados os primeiros na ordem do cânon bíblico. A teologia cristã fixa em 16, o número ideal de profetas, que resulta da soma dos 12 apóstolos e quatro evangelistas. Os quatro maiores profetas, assim chamados pela maior quantidade de textos proféticos escritos, correspondem aos evangelistas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os doze profetas menores, correspondentes aos apóstolos são Ozéias, Joel, Amos, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. No conjunto esculpido por Aleijadinho há a substituição de Miquéias por Baruc, discípulo e secretário de Jeremias, que não integra a lista oficial de profetas, uma vez que seus textos ficaram integrados aos de Jeremias na edição da Vulgata.
Aleijadinho não apenas respeitou a ordenação da Cânon bíblico para a escolha dos Profetas de Congonhas, como ainda situou-os no adro em posição que seguem de perto a referida ordenação. Isaías e Jereminas ocupam os primeiros postos à entrada. No terraço intermediário, encontra-se Baruc à esquerda e Ezequiel à direita. Finalmente, alcançando o nível superior, temos nas posições de honra, Daniel e Oséias seguido imediatamente por Joel. Ocupando os ângulos laterais da esquerda, estão Amós, Abdias e Jonas, sendo que Naum e Habacuc ocupam posições correspondentes à direita. A trajetória de uma seta numa linha contínua sobre a planta do adro, seguindo a ordem descrita, revelaria um desenho em ziguezague para a parte central das escadarias, com alternância de setas para a direita e oblíquas para a esquerda. Duas grandes diagonais se cruzam ao centro do último patamar, unem Joel a Amós e Jonas a Naum. O término da trajetória é assinalado, de ambos os lados, pela oblíquas que unem Amós e Abdias e Naum a Habacuc.
No norte da Europa, especialmente na região de Flanders, se estabeleceu o tema da caracterização dos profetas, patriarcas e outros personagens bíblicos, com vestimentas exóticas e complicadas, que incluíam longos casacos e mantos debruados de baixas bordadas, completados por barretes em forma de turbantes à "Moda turca".
São portanto comuns as representações de personagens vestidos "à moda turca" na arte portuguesa no período entre 1500 a 1800. Aleijadinho teve certamente conhecimento do tema, através de gravuras, forma usual da difusão dos temas iconográficos e artísticos na era anterior à fotografia. Tanto que a coroa de louros de Daniel e a baleia de Jonas são curiosamente análogas às gravuras editadas em Florença no século XV.
Fonte: camaracongonhas.mg.gov.br
Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) nasceu em Vila Rica no ano de 1730 (não há registros oficiais sobre esta data). Era filho de uma escrava com um mestre-de-obras português. Iniciou sua vida artística ainda na infância, observando o trabalho de seu pai que também era entalhador.
Por volta de 40 anos de idade, começa a desenvolver uma doença degenerativa nas articulações. Não se sabe exatamente qual foi a doença, mas provavelmente pode ter sido hanseníase ou alguma doença reumática. Aos poucos, foi perdendo os movimentos dos pés e mãos. Pedia a um ajudante para amarrar as ferramentas em seus punhos para poder esculpir e entalhar. Demonstra um esforço fora do comum para continuar com sua arte. Mesmo com todas as limitações, continua trabalhando na construção de igrejas e altares nas cidades de Minas Gerais.
Na fase anterior a doença, suas obras são marcadas pelo equilíbrio, harmonia e serenidade. São desta época a Igreja São Francisco de Assis, Igreja Nossa Senhora das Mercês e Perdões (as duas na cidade de Ouro Preto).
Já com a doença, Aleijadinho começa a dar um tom mais expressionista às suas obras de arte. É deste período o conjunto de esculturas Os Passos da Paixão e Os Doze Profetas, da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas do Campo. O trabalho artístico formado por 66 imagens religiosas esculpidas em madeira e 12 feitas de pedra-sabão, é considerado um dos mais importantes e representativos do barroco brasileiro.
A obra de Aleijadinho mistura diversos estilos do barroco. Em suas esculturas estão presentes características do rococó e dos estilos clássico e gótico. Utilizou como material de suas obras de arte, principalmente a pedra-sabão, matéria-prima brasileira.
Morreu pobre, doente e abandonado na cidade de Ouro Preto no ano de 1814 (ano provável). O conjunto de sua obra foi reconhecido como importante muitos anos depois. Atualmente, Aleijadinho é considerado o mais importante artista plástico do barroco mineiro.
Fonte: www.ihgs.com
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto MG, por volta de 1730. Era filho natural de um mestre-de-obras português, Manuel Francisco Lisboa, um dos primeiros a atuar como arquiteto em Minas Gerais, e de uma escrava africana ou mestiça que se chamava Isabel.
A formação profissional e artística do Aleijadinho é atribuída a seus contatos com a atividade do pai e a oficina de um tio, Antônio Francisco Pombal, afamado entalhador de Vila Rica. Sua aprendizagem, além disso, terá sido facilitada por eventuais relações com o abridor de cunhos João Gomes Batista e o escultor e entalhador José Coelho de Noronha, autor de muitas obras em igrejas da região. Na educação formal, nunca cursou senão a escola primária.
O apelido que o celebrizou veio de enfermidade que contraiu por volta de 1777, que o foi aos poucos deformando e cuja exata natureza é objeto de controvérsias. Uns a apontam como sífilis, outros como lepra, outros ainda como tromboangeíte obliterante ou ulceração gangrenosa das mãos e dos pés. De concreto se sabe que ao perder os dedos dos pés ele passou a andar de joelhos, protegendo-os com dispositivos de couro, ou a se fazer carregar. Ao perder os dedos das mãos, passou a esculpir com o cinzel e o martelo amarrados aos punhos pelos ajudantes.
O Aleijadinho tinha mais de sessenta anos quando, em Congonhas do Campo, realizou suas obras-primas: as estátuas em pedra-sabão dos 12 profetas (1800-1805), no adro da igreja, e as 66 figuras em cedro que compõem os passos da Via Crucis (1796), no espaço do santuário de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
O Santuário do bom Jesus do Matosinhos é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra sabão de 12 profetas: Isaias, Jeremias, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Jonas, Joel, Abdias, Adacuque, Amós e Naum. Cada um desses personagens está numa posição diferente e executa gestos que se coordenam. Com isso, Aleijadinho conseguiu um resultado muito interessante, pois torna muito foret para o obervador a sugestão de que as figuras de pedra estão se movimentando.
Na ladeira que dá de frente para a igreja, compondo o conjunto arquitetônico do Santurário, foram construídas 6 capelas - 3 de cada lado - chamadas de Os Passos da Paixão de Cristo. Em cada uma delas um conjunto de esculturas - estátuas em tamanho natural - narram o momento da paixão de Cristo.
Toda sua extensa obra foi realizada em Minas Gerais e, além desses dois grandes conjuntos, cumpre citar outros trabalhos.
Certamente admirada em seus dias, já que as encomendas, vindas de vários pontos da província, nunca lhe faltaram, a obra do Aleijadinho caiu porém no esquecimento com o tempo, só voltando a despertar certo interesse após a biografia precursora de Rodrigo Bretãs (1858). O estudo atento dessa obra, como ponto culminante do barroco brasileiro, esperou mais tempo ainda para começar a ser feito, na esteira do movimento de valorização das coisas nacionais desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922.
Antônio Francisco Lisboa, segundo consta, foi progressivamente afetado pela doença e se afastou da sociedade, relacionando-se apenas com dois escravos e ajudantes. Nos dois últimos anos de vida se viu inteiramente cego e impossibilitado de trabalhar. Morreu em algum dia de 1814 sobre um estrado em casa de sua nora, na mesma Vila Rica onde nascera.
Igreja de São Francisco de Assis (risco geral, risco e esculturas da portada, risco da tribuna do altar-mor e dos altares laterais, esculturas dos púlpitos, do barrete, do retábulo e da capela-mor);
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (modificações no frontispício e projeto original, esculturas da sobreporta e do lavatório da sacristia, da tarja do arco-cruzeiro, altares laterais de são João Batista e de Nossa Senhora da Piedade);
Igreja das Mercês e Perdões ou Mercês de Baixo (risco da capela-mor, imagens de roca de são Pedro Nolasco e são Raimundo Nonato);
Igreja São Francisco de Paula (imagem do padroeiro);
Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias (quatro suportes de essa);
Igreja de São José (risco da capela-mor, da torre e do retábulo);
Igreja de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos ou de São Miguel e Almas (estátua de são Miguel Arcanjo e demais esculturas no frontispício);
Igreja de Nossa Senhora do Rosário (imagem de santa Helena); e as imagens de são Jorge, de Nossa Senhora, de Cristo na coluna e quatro figuras de presépio hoje no Museu da Inconfidência.
Igreja matriz (risco e escultura da sobreporta, risco do coro, imagem de são Joaquim).
chafariz da Samaritana.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (risco do frontispício, ornatos da porta e da empena, dois púlpitos, dois atlantes do coro, imagens de são Simão Stock e de são João da Cruz).
Igreja de São Francisco de Assis (risco geral, esculturas da portada, risco do retábulo da capela-mor, altares colaterais, imagens de são João Evangelista);
Igreja de Nossa Senhora do Carmo (risco original frontispício e execução da maioria das esculturas da portada).
Matriz de Santo Antônio (risco do frontispício).
Fonte: www.cidadeshistoricas.art.br
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu por volta de 1738 (não existe documento comprovando esta data). Filho do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma negra, escrava de sua propriedade, chamada Isabel. De personalidade forte e perseverante, teve noçðes de música e latim, aprendeu a ler, escrever, estudou desenho e arquitetura com os mestres da época. Em 1812 ficou totalmente paralítico e morreu pobre em 1814. Seu corpo está enterrado no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
Antônio Francisco Lisboa herdou o apelido de Aleijadinho devido a uma doença misteriosa, popularmente conhecida na época como zamparina, que atacou seus membros, atrofiando-os. A mutilação não abalou suas forças; seus escravos prendiam os instrumentos em suas mãos.
A doença é implacável. Cada vez mais arredio, ele se esconde com a ajuda de seus leais escravos Maurício, Agostinho e Januário. Executa belas obras em Sabará e Congonhas do Campo, consa- grando-se como o maior artista brasileiro do período colonial. Quando uma obra isolada do mestre escultor está diante de nossos olhos, ficamos com a impressão de que nela existe vida.
Por volta de 1766 é contratado pela Ordem Franciscana de Assis para construir a Igreja de São Francisco de Assis, sua obra-prima, na qual consagra seu estilo rococó. Seu nome e sua fama correm entre os aristocratas portugueses e de todos os lugares das Minas Gerais chegam convites para o mestre.
Para maiores informações sobre algumas dessa obras viste o site religiosidade
Obra-prima do Aleijadinho, com pinturas de Manuel da Costa Ataíde. Todo o conjunto é harmonioso, simples e belo. A portada da Igreja, em pedra-sabão, é magnífica, e nos altares o toque do gênio. Esculturas nos tambores dos púlpitos, em pedra-sabão, representando episódios bíblicos (1772); barrete da capela-mor (1773-1774); projeto da atual portada (1774-1775); risco da tribuna do altar-mor (1778-1779), retábulo da capela-mor (1790-1794) executados com a colaboração dos entalhadores Henrique Gomes de Brito, Luís Ferreira da Silva Correia; projeto de dois altares colaterais, consagrados a São Lúcio e Santa Bona (executados com alteraçðes por Vicente Alves da Costa, 1829).
Modificaçðes do projeto original (1770); altares laterais de Nossa Senhora da Piedade (1807) e de São João Batista (1809); acréscimos dos camarins e guarda-pós dos altares de Santa Quitéria e Santa Luzia.
Projeto do retábulo da Capela-mor (1773); modificaçðes no risco da fachada (1772).
Feitura de 4 cabeças de anjos, em madeira, para o andor da Irmandade de Santo Antônio (1810), posteriormente adaptadas ao oratório da sacristia (1865).
Situado no Alto da Cruz (antiga Rua Larga), nas proximidades da Igreja de Santa Ifigênia (1761).
Risco em "sanguínea" do chafariz interno (1752).
Fonte: www.caestamosnos.org
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é, sem dúvida, o artista colonial brasileiro mais estudado e conhecido. Entretanto, alguns pontos de sua vida são ainda obscuros, a começar por sua data de nascimento. A data de 29 de agosto de 1730, encontrada em uma certidão de óbito de Aleijadinho, conservada no arquivo da Paróquia de Antônio Dias de Ouro Preto. Baseado neste segundo documento, o artista teria falecido em 18 de novembro de 1814, com setenta e seis anos, e seu nascimento dataria, portanto, de 1738. Nasceu bastardo e escravo, uma vez que era "filho natural" do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas africanas.
A mesma incerteza caracteriza o capítulo de sua formação. Provavelmente ele não teria freqüentado outra escola que a das primeira letras, e talvez algumas aulas de latim. Sua formação artística, ao que tudo indica, teve como prováveis mestres, primeiramente, o próprio pai, arquiteto de grande projeção na época, e o pintor e desenhista João Gomes Batista, que exercia as funções de abridor de cunhos da Casa de Fundição da então Vila Rica. Resta, contudo, precisarem-se as origens de formação do escultor, aspecto sem dúvida primordial em sua produção artística e que interessam diretamente ao estudo de suas obras em Congonhas. Como hipóteses desta formação temos por indicação de alguns biógrafos, nomes como de Francisco Xavier de Brito, e de José Coelho Noronha, ambos artistas entalhadores de renome no período, e que provavelmente atuaram como mestres de Aleijadinho. Não se pode deixar de mencionar, neste terreno, a influência de gravuras européias, principalmente registros de Santos de origem germânica, e com as quais as imagens do Aleijadinho apresentam afinidade estilística.
A primeira menção histórica relativa à carreira artística de Antônio Francisco Lisboa data de 1766, quando o artista recebe a importante encomenda do projeto da igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto.
Antes dessa data, a personalidade de Aleijadinho se definia pela plenitude da vida, com gozo de perfeita saúde, boa mesa e afinidade com as danças vulgares da época. Tudo isto, porém, aliado ao exercício de sua arte. Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, vem a falecer em 1767, deixando nome de grande arquiteto e deixando também alguns irmãos, que tinha como mãe do artista e outros que houvera do legítimo matrimônio.
Entre estes, o padre Félix Antônio Lisboa, que tratava Aleijadinho com grande deferência e com quem ele provavelmente apurou o latim, muito freqüente em sua obra. Em 1772 ingressa na irmandade de São José e, em 1775, teve um filho, nascido no Rio de Janeiro, batizado com o nome de Manoel Francisco Lisboa, em homenagem ao pai. A mãe do menino foi Narcisa Rodrigues da Conceição. Ao que consta, seu filho seguiu sua vocação, tornando-se também escultor. Casou-se com Joana de Araújo Corrêa, e teve um filho de nome Francisco de Paula, neto de Aleijadinho.
O ano de 1777 seria o ano que dividiria sua vida. Um ano de doenças, crucial. Até ali, suas obras refletia jovialidade, até uma certa alegria. Depois, e principalmente no final, a obra do artista é triste, amargurada e sofrida.
"Tanta preciosidade se acha depositada em um corpo enfermo que precisa ser conduzido a qualquer parte e atarem-se-lhe os ferros para poder obrar" (informação do vereador de Mariana, Joaquim José da Silva, citado por Rodrigo Ferreira Brêtas). Há recibos de despesas pelo transporte de Aleijadinho, que confirmam esta citação. Sobre as doenças do grande artista já se publicaram vários estudos, mas nenhum deles pôde ser contundente. Tancredo Furtado, num excelente estudo, chega a estas conclusões:
"A lepra nervosa é a única afecção capaz de explicar a mutilação (perda dos dedos dos pés e alguns das mãos), a deformidade (atrofia e curvamento das mãos) e a desfiguração facial, as quais lhe valeram a alcunha de Aleijadinho.
"A lepra nervosa (tipo tuberculóide da moderna classificação) é uma forma clínica não contagiosa, em que as manifestações cutâneas podem ser discretas ou mesmo ausentes. É relativamente benigna, poupa os órgãos internos e tem evolução crônica. Compreende-se assim, que Antônio Francisco Lisboa tenha vivido quase 40 anos após haver-se manifestado a doença que não o impediu de completar sua volumosa obra artística".
A obra e nome de Aleijadinho alcançam imensa fama após 1790. O artista tinha deixado Vila Rica por volta de 1788. Antes, em 1779, fora convocado a Sabará, onde trabalhou em encomendas relativas à ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Durante um período de mais de vinte anos, Aleijadinho foi requisitado sucessivamente pela maioria das Vilas coloniais mineiras que passaram a requisitar ou mesmo disputar abertamente o trabalho do artista, cuja vida transformara-se numa verdadeira roda-viva, sendo às vezes, obrigado a trabalhar em obras de duas ou mais cidades diferentes.
A produção artística deixada por Aleijadinho, confirmada por documentos de arquivos, é considerável. Recibos redigidos e assinados de seu próprio punho existem em grande número e constituem, juntamente com os lançamentos correspondentes dos livros de despesas, fonte histórica de certeza indubitável. A maior parte destes documentos encontra-se em seus locais de origem, ou seja, nos arquivos dos templos onde Aleijadinho trabalhou.
São inexistentes estudos e pesquisas aprofundados sobre o "atelier" do Aleijadinho, ao qual, sem dúvida, pertence boa parte das obras que são atribuídas ao artista. Os "oficiais" do "atelier" são mencionados em grande número de documentos e estiveram com seu mestre, na maioria das obras realizadas por ele. Esses oficiais auxiliavam Aleijadinho na execução de obras secundárias, no acabamento, ou até mesmo na confecção de peças inteiras como nos Passos de Congonhas. É provável que esses artesões tenham executado obras por conta própria mesmo durante o período de vida de Aleijadinho e, certamente, após sua morte também.
Sob esse aspecto, o conjunto de Congonhas oferece material abundante para pesquisa. A amplitude da obra realizada em Congonhas, em apenas nove anos, exigiu a cooperação intensa de auxiliares, mais do que em qualquer outra situação. Já no final de sua vida, gravemente mutilado pela enfermidade, Aleijadinho não teria deixado tão valioso conjunto de obras, sem a colaboração de seus artesões.
Em 1796, no apogeu de uma vitoriosa carreira artística, e considerado pelo próprios contemporâneos como superior a todos outros artistas de seu tempo, Aleijadinho inicia em Congonhas o mais importante ciclo de sua arte. Em menos de dez anos cria 66 figuras esculpidas em cedro, compondo os passos da paixão de Cristo e em pedra-sabão, esculpe os 12 profetas, deixando em Congonhas o maior conjunto estatutário barroco do mundo.
Fonte: congonhas.caldeira.adv.br