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Aleijadinho

Feliciano Mendes sobe um dia ao morro do Maranhão, junto a Congonhas do Campo. Lá no alto, o homem está mais perto de Deus. Quer construir aí um Igreja em devoção do Senhor do Bom Jesus de Matosinhos. Para isso doa toda sua fortuna. Quando morre, em 1761, a Capela está quase pronta. O culto já está divulgado, e os romeiros não param de deixar as suas esmolas. Há que aplicar o dinheiro. A confraria decide construir um santuário imponente. Também ali haverá os Passos. E um adro. E um grande artista a fazê-lo.

Em 1796 António Lisboa é contratado para fazer a execução das estátuas do santuário, cerca de 60, obra grande. Nem todas poderá esculpir. Mas pelo menos orienta os trabalhos. São precisos muitos operários. Melhor é instalar uma oficina em Congonhas. Para muitos será uma escola, afinal está ali um mestre. As obras irão durar alguns anos.

Em frente à igreja, um adro, o Largo dos Profetas (serão doze). Destes se encarrega António Francisco. Não são figuras estáticas. Distribuem-se em volta do largo como se de uma assembleia se tratasse. É deles que brotam as palavras, são eles os grandes oradores. António Francisco dá-lhes expressão, os gestos, as formas, as particularidades também. Os pés são grandes (para alguns, sinónimo de firmeza). As mãos mostram os ossos que vincam a pele e... um polegar "estranho", defeituoso até (é o reflexo dos seus males, pensarão outros mais tarde quando, ao olharem um Profeta, nele virem um auto-retrato de António Francisco).

O Mestre trabalha ainda nas Capelas dos Passos. Exprime o sofrimento de um Cristo. Também ele sofre com a morte de Agostinho Angola, era mais do que um escravo - era um amigo.

Talhada em cedro, mostra o realismo da Última Ceia. Mas tão real, que alguns dos passantes cumprimentam, julgando tratar-se de pessoas vivas...

Enalteceu a fé, mostrou mérito mas, quando regressa de Congonhas do Campo, António Francisco vê o seu sofrimento agravar-se. Vai ainda trabalhar no altar mor da Capela da Ordem Terceira de Sarabá. Mas já lhe chamam o "Aleijadinho" quando comentam as contas do trabalho apresentado. António Francisco Lisboa já não é. Esquecem o mestre, comentam os dinheiros...

Em 1810 trabalha ainda na talha da Igreja de Vila Rica (Ouro Preto). Desta vez é o seu ex-aluno Justino que firma o contrato. Eis o mestre a trabalhar para o aluno... As deslocações são já tão difíceis que se instala junto da Igreja. Será talvez a sua última obra ... e ainda por cima mal paga.

Um noite, Justino decide ir visitar a família. Não será visita breve. Quanto ao "Aleijadinho", nada lhe diz, que fique só, que se arranje. António Lisboa vê-se obrigado a regressar. Já não é homem de viver sozinho. Joana Araújo Correia, a nora, leva-o consigo. É parteira. Quem ampara gente que chega ao mundo, também há-de saber amparar na partida.

Durante dois anos António Lisboa não pode sequer levantar-se. Trabalhar, muito menos. Já não vê. Fala consigo. Dos tempos bons, dos outros que o não foram. E sobretudo da traição de Justino que nunca mais lhe apareceu para acertar contas. São coisas que não se perdoam a quem tanto se deu. Resta-lhe a fé e as tábuas onde está deitado.

Joana jamais o abandonará. Mas a dedicação da nora não lhe basta para aliviar tão grande sofrimento.

Morre no dia 18 de Novembro de 1814. António Francisco Lisboa é sepultado na Igreja de Nossa Senhora de Conceição. Aos seus nada deixa, ao mundo deixou muito.

Cristina Vaz

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Aleijadinho

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é, sem dúvida, o artista colonial brasileiro mais estudado e conhecido. Entretanto alguns pontos de sua vida ainda são obscuros, a começar por sua data de nascimento. A data de 29 de agosto de 1730, encontrada em uma certidão, não condiz com as indicações da certidão de óbito, que data seu falecimento em 18 de novembro de 1814, com 76 anos. Nasceu bastardo e escravo, uma vez que era "filho natural" do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas.


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Sua formação artística, ao que tudo indica, teve como prováveis mestres, o próprio pai, arquiteto de grande projeção na época e o pintor e desenhista João Gomes Batista. De sua formação como escultor, pouco se sabe. Alguns biógrafos citam nomes como Francisco Xavier de Brito e José Coelho Noronha, ambos artistas entalhadores de renome da época, como prováveis mestres de Aleijadinho.

Até 1777, a personalidade de Aleijadinho se definia pela plenitude da vida, com gozo de perfeita saúde, boa mesa e afinidade com as danças vulgares da época, tudo isso, aliado ao exercício da arte.

Em 1772 ingressa na irmandade de São José e, em 1775 teve um filho com Narcisa Rodrigues da Conceição, no Rio de Janeiro, batizado como Manoel Francisco Lisboa, em homenagem ao pai.

O ano de 1777 seria o ano que dividiria a sua vida: um ano de doenças. Até ali, suas obras refletiam jovialidade, até uma certa alegria. Depois, e principalmente no final a obra do artista é triste, armagurada e sofrida.

"Tanta preciosidade se acha depositada em um corpo enfermo que precisa ser conduzido a qualquer parte e atarem-se-lhe os ferros para poder obrar." Palavras de Joaquim José da Silva, vereador de Mariana, citado por Rodrigo Ferreira Bretas. Há recibos de despesas pelo transporte de Aleijadinho, que confirmam essa citação.

Sobre as doenças do grande artista já se publicaram vários estudos, mas nenhum deles pode ser contundente. Tancredo Furtado chegou a estas conclusões: "a lepra nervosa é a única afecção capaz de explicar a mutilação (perdas dos dedos dos pés e alguns das mãos), a deformidade (atrofia e curvamento das mãos) e a desfiguração facial, as quais lhe valeram o apelido de Aleijadinho."

Matriz de Santo Antonio. www.historiadaarte.com.br
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A obra e nome de Aleijadinho alcançaram imensa fama após 1790. O artista tinha deixado Vila Rica por volta de 1788. Antes, em 1779, fora convocado a Sabará, onde trabalhou em encomendas relativas à ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Durante um período de mais de 20 anos, Aleijadinho foi requisitado suscessivamente pela maioria das vilas coloniais mineiras que passaram a requisitar ou mesmo disputar abertamente o trabalho do artista, cuja vida transformara-se numa verdadeira roda viva.

A produção artística deixada por Aleijadinho, confirmada por documentos de arquivos, é considerável. Recibos e lançamentos correspondentes dos livros de despesas, constituem fonte histórica de certeza indubitável. O conjunto de Congonhas oferece material abundante para pesquisa. A amplitude da obra realizada em Congonhas durante 9 anos, exigiu a colaboração intensa de auxiliares, mais do que em qualquer outra situação. Já no final de sua vida, gravemente mutilado pela enfermidade, Aleijadinho não teria deixado tão valioso conjunto sem a colaboração de seus artesões.

Em 1796, no apogeu de uma vitoriosa carreira artística, e considerado pelos próprios contemporâneos como superior a todos os outros artistas do seu tempo, Aleijadinho inicia em Congonhas o mais importante ciclo de sua arte. Em menos de 10 anos cria um total de 78 estátuas, entre as quais estão as suas maiores obras primas.

PRINCIPAIS OBRAS

Sua obra prima, sem dúvida foi Congonhas, mas em Ouro Preto voce também pode encontrar muitas obras de Aleijadinho, entra as quais citamos: Igreja de São Francisco de Assis, Igreja Nossa Senhora do Carmo, Igreja de São José, Matriz Nossa Senhora do Pilar , Chafariz do Pissarrão, Palácio dos Governadores. Visite os links abaixo e conheça outras obras do mestre.

Fonte: www.congonhas.net

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