Em 1790 as obras arquitetônicas do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e do adro estavam concluídas. Em 1796 são contratadas as obras dos Passo da Paixão e a execução dos Profetas, obras essas que constituem o mais esplêndido conjunto da arte barroca mundial.
Apesar do adro estar concluído, é pelos Passo da Paixão que Aleijadinho inicia seu trabalho, o qual se estende de agosto de 1796 a dezembro de 1799. Nesse período são talhadas as 66 figuras em madeira, que seriam posteriormente dispostas em seis capelas: Ceia, Horto, Prisão, Flagelação/Coroação de Espinhos. Cruz-às-Costas e Crucificação..
Os trabalhos de policromia se iniciaram em 1808, sendo executados por Francisco Manuel Carneiro e Manoel da Costa Athayde.
Terminada e execução das imagens dos Passo da Paixão, Aleijadinho e seu "atelier" iniciam as obras no adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. O magnífico conjunto estatuário foi totalmente executado em menos de cinco anos. Mesmo muito debilitado pela doença que o consumia e utilizando largamente o trabalho do seu "atelier", Aleijadinho deixou em Congonhas, nas imagens dos Profetas, a marca do seu gênio. Esta marca se percebe antes mesmo de uma análise mais detalhada dos 12 profetas. Ela é visível na magnífica integração das estátuas ao suporte arquitetônico constítuido pelo adro, com suas escadarias em terraços e imponentes muros de arrimo. Os blocos verticais de pedra parecem brotar espontaneamente dos parapeitos que arrematam a parte superior dos muros, contrapondo a linha horizontal dominente, modulações rítmicas de poderosa força expressiva.
As atitudes e os gestos individuais de cada uma das estátuas são simetricamente ordenados com relação ao eixo da composição. As correspondências não se fazem de forma geométrica, mas por oposicões e compensações de acordo com a lei rítmica do barroco. Um gesto de aparência aleatória, quando visto isoladamente como ampla flexão do braço direito do profeta Ezequiel, adquire extraordinária força expressiva quando relacionado com seu prolongamemto natural, constituído pelo braço esquerdo de Habacuc.
Fonte: www.degeo.ufop.br