
O profeta Daniel é uma das maiores esculturas do conjunto e, apesar de muito grande, foi esculpida num único bloco de pedra. Ocupa uma posição das mais importantes, estando à esquerda e no final da escadaria, onde se inicia o adro.
Para quem observa o conjunto a distância, Daniel está de perfil, bem como Oséias, à sua frente, como quem compartilha esta posição privilegiada; ambos guardam a passagem que os fiéis atravessam, atingindo o plano do adro. Todas as demais esculturas estão viradas para a frente.
A veste de Daniel é longa, como a de Ezequiel. Está adornada com uma faixa transversal e desenhos em linhas curvas.
A parte superior possui uma pala arredondada, com desenhos e fechada por botões.
Sua fisionomia é a de um jovem homem, sem barbas.
Seus olhos lembram aqueles dos orientais, porém o nariz é alongado.
Esta escultura representa bem um herói seguro de si e como tal, apresenta a cabeça ornada com uma coroa de louros. Sugere um olhar distante e despreocupado.
A seus pés, um leão em posição de submissão, volta sua cabeça para o profeta, como um fiel animal domesticado, que pede um carinho de seu dono.
Daniel é o personagem bíblico mais facilmente relembrado e conhecido, pois sua figura está associada à do leão.
Atraem nossa atenção a sua juba, com inúmeras mechas e as grandes e poderosas patas.
O profeta Daniel também foi exilado na Babilônia. Devido a seus dons proféticos, foi preso juntamente com leões mas não sofreu nenhuma agressão.
No pergaminho que segura constam as seguintes palavras, traduzidas do latim: "Encerrado por ordem do rei na cova dos leões, sou libertado, incólume, com o auxílio de Deus."
Fonte: www.moderna.com.br

À esquerda, ladeando a passagem para a entrada do adro, em frente a Oséias, encontra-se a estátua de Daniel. O confronto do quarto dos profetas maiores e do primeiro dos menores, nessa situação privilegiada, revela, mais uma vez, um projeto iconográfico preciso para as posições das estátuas no adro.
Os traços fisionômicos da escultura mostram um jovem imberbe como Baruc e Abdias. Entretanto, a fisionomia de Daniel difere da deles, pelo recorte especial dos olhos, a boca e o nariz longo, de narinas fortemente sulcadas, revelando em seu conjunto uma expressão altaneira e distante, própria de um herói cônscio de sua força. A coroa de louros que decora a mitra da cabeça acentua essse aspecto e é uma alusão evidente à vitória sobre os leões. Como Ezequiel, Daniel veste uma túnica longa, presa na cintura por uma faixa abotoada no colarinho.
Nessa escultura, parece que Aleijadinho dispensou qualquer colaboração de seus auxiliares. Trata-se da estátua de maior dimensão de todo o conjunto e, apesar disso, a peça é monolítica e particularmente bem executada, revelando, sem dúvida, a marca do gênio de Aleijadinho.
Fonte: www.degeo.ufop.br