
O profeta Jonas ocupa uma posição de destaque, à esquerda e sobre o prolongamento do mesmo muro que conduz a outro profeta muito conhecido, Daniel.
Como aquela, a escultura de Jonas também foi esculpida em um único bloco, apesar de sua grande dimensão.
Acredita-se que somente Aleijadinho tenha trabalhado neste personagem, tendo em vista a qualidade estética da obra e a expressão dramática de Jonas, num momento importante de sua vida, quando se libertou do interior de uma baleia e olhou para o céu, numa atitude de agradecimento.
Seu rosto apresenta características interessantes, como a boca entreaberta e os dentes discretamente à mostra, simbolizando um retorno à vida, com o ar penetrando em seu corpo.
Jonas veste uma espécie de batina longa, abotoada até o meio do corpo e presa por uma faixa. É interessante observar que as faixas não estão presentes somente para complementar uma veste.
Muitas vezes um elemento é utilizado para criar diversidade e aqui, a monotonia das linhas verticais é quebrada com a linha horizontal sugerida por uma faixa.
Conduzindo o olhar do observador, nota-se uma linha central, levemente inclinada, que se inicia no colarinho e alinhamento dos botões. Esta linha continua em forma de uma prega na roupa e acaba próxima ao pé de Jonas e bem ao lado da cabeça da baleia.
Este é um recurso que o artista usou para conduzir nosso olhar até o animal, numa leitura inconsciente da obra, manipulada por seu criador. Mesmo a ponta de sua bota e a dobra de roupa que a recobre, são elementos de atração que direcionam o olhar.
Emergindo da cabeça da baleia, observam-se duas hastes que se curvam sobre o corpo de Jonas e se direcionam ao pergaminho que este segura com a mão direita. Estas linhas também dirigem nosso olhar, que salta do pergaminho para a cabeça da baleia e vice-versa.
É com desapontamento que constatamos que uma destas hastes curvas está quebrada, assim, como a mão esquerda de Jonas.
Aliás, muitas das esculturas estão riscadas, contendo inscrições deixadas por pessoas que, incapazes de respeitar uma obra de arte, sentem-se realizadas deixando marcas que somente atestam sua falta de cidadania.
No pergaminho nas mãos de Jonas encontra-se uma citação bíblica em latim que afirma:
"Engolido por uma baleia, permaneço três dias e três noites no ventre do peixe; depois venho a Nínive." (Jonas 2).
Nota-se que esta inscrição refere-se à baleia como sendo um peixe; na verdade, é bom lembrarmos que se trata de um mamífero.
A cabeça de Jonas, inclinada para cima, está em equilíbrio e em oposição à cabeça da baleia, no outro extremo, conferindo harmonia à composição.
Contornando a escultura, observamos dinâmicas linhas curvas representadas pelo corpo do animal que se apóia em Jonas. A nadadeira da cauda, voltada para cima, lembra folhas de plantas e as curvas de volutas, características da arte barroca .
Fonte: www.moderna.com.br

Ocupando posição simétrica à de Joel, no ponto de encontro dos muros que formam o parapeito de entrada do adro à esquerda, encontra-se a estátua de Jonas. Para o mais popular dos profetas menores, Aleijadinho reservou lugar de destaque, colocando-o junto de Daniel.
A estátua de Jonas repete o mesmo padrão tipográfico já anteriormente usado para as imagens de Jeremias, Ezequiel, Oséias e Joel. Sua fisionomia, entretanto, apresenta traços distintos, como a boca entreaberta com os dentes aparentes e a cabeça voltada para o alto. O vestuário de Jonas se compõe de uma espécie de batina, com colarinho, abotoada até a citura, onde é presa com uma faixa. O profeta traz também um manto jogado sobre o ombro esquerdo e o habitual turbante em forma de mitra, com abas retorcidas.
A estátua parece ter recebido de Aleijadinho o mesmo cuidado especial dispensado a Daniel. Não se nota qualquer traço indicador da intervenção do "atelier". Acham-se reunidos nessa peça dois aspectos essenciais de seu gênio criador: a capacidade de expressão dramática que caracteriza a visão frontal da estátua e o ornamento visível na parte posterior, onde a silhueta sinuosa da baleia, com cauda e barbatanas, parece emergir de um chafariz rococó.
Fonte: www.degeo.ufop.br