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Profetas

Aleijadinho

A série de profetas de Congonhas é uma das mais completas da iconografia cristã ocidental. Além dos profetas maiores, figuram oito profetas menores, tendo sido naturalmente selecionados os primeiros na ordem do cânon bíblico. A teologia cristã fixa em 16, o número ideal de profetas, que resulta da soma dos 12 apóstolos e quatro evangelistas. Os quatro maiores profetas, assim chamados pela maior quantidade de textos proféticos escritos, correspondem aos evangelistas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os doze profetas menores, correspondentes aos apóstolos são Ozéias, Joel, Amos, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. No conjunto esculpido por Aleijadinho há a substituição de Miquéias por Baruc, discípulo e secretário de Jeremias, que não integra a lista oficial de profetas, uma vez que seus textos ficaram integrados aos de Jeremias na edição da Vulgata.

Aleijadinho não apenas respeitou a ordenação da Cânon bíblico para a escolha dos Profetas de Congonhas, como ainda situou-os no adro em posição que seguem de perto a referida ordenação. Isaías e Jereminas ocupam os primeiros postos à entrada. No terraço intermediário, encontra-se Baruc à esquerda e Ezequiel à direita. Finalmente, alcançando o nível superior, temos nas posições de honra, Daniel e Oséias seguido imediatamente por Joel. Ocupando os ângulos laterais da esquerda, estão Amós, Abdias e Jonas, sendo que Naum e Habacuc ocupam posições correspondentes à direita. A trajetória de uma seta numa linha contínua sobre a planta do adro, seguindo a ordem descrita, revelaria um desenho em ziguezague para a parte central das escadarias, com alternância de setas para a direita e oblíquas para a esquerda. Duas grandes diagonais se cruzam ao centro do último patamar, unem Joel a Amós e Jonas a Naum. O término da trajetória é assinalado, de ambos os lados, pela oblíquas que unem Amós e Abdias e Naum a Habacuc.

No norte da Europa, especialmente na região de Flanders, se estabeleceu o tema da caracterização dos profetas, patriarcas e outros personagens bíblicos, com vestimentas exóticas e complicadas, que incluíam longos casacos e mantos debruados de baixas bordadas, completados por barretes em forma de turbantes à "Moda turca".

São portanto comuns as representações de personagens vestidos "à moda turca" na arte portuguesa no período entre 1500 a 1800. Aleijadinho teve certamente conhecimento do tema, através de gravuras, forma usual da difusão dos temas iconográficos e artísticos na era anterior à fotografia. Tanto que a coroa de louros de Daniel e a baleia de Jonas são curiosamente análogas às gravuras editadas em Florença no século XV.

Fonte: camaracongonhas.mg.gov.br