
Alemanha, república federal localizada na Europa Central. Limita-se ao norte com o mar do Norte, a Dinamarca e o mar Báltico; ao leste com a Polônia e a República Tcheca; ao sul com a Áustria e a Suíça, e ao oeste com a França, Luxemburgo, Bélgica e os Países Baixos. É conhecida oficialmente como República Federal Alemã (RFA). Berlim é a capital e a cidade mais importante.
Possui três grandes regiões fisiográficas: as terras baixas que conformam a planície do norte, com numerosos vales fluviais; a região das mesetas centrais que abrange um território de suaves montanhas, vales fluviais, rios e vales bem definidos; e as cadeias montanhosas que incluem as cordilheiras Eifel e Hunsrück, Taunus, Spessart e Fichtelgebirge. Os contrafortes do Jura e um grande bosque, a Floresta Negra, estão no sudoeste. No extremo sul estão os Alpes bávaros.
A maioria dos grandes rios alemães estão na região ocidental. O mais importante é o Reno e seus afluentes, Neckar e Ruhr. Outros rios importantes são Elba, Danúbio, Oder e Neisse. Dos poucos grandes lagos destaca-se o Constança.
Possui um clima temperado, com uma temperatura média anual de 9 °C. As terras baixas do norte têm um clima um pouco mais quente que as regiões centrais e do sul. A precipitação é maior no sul, onde alcança cerca de 1.980 mm ao ano, a maioria em forma de neve. Aproximadamente 30% do território é formado por bosques compostos de pinheiros e outras coníferas e espécies de folhas caducas.
A população possui dois grupos de raça caucásica: o alpino e o teutônico. Possui (1993) cerca de 80.767.591 habitantes, com uma densidade de 226 hab/km2.
A capital da Alemanha, Berlim, possui uma população (1992) de 3.454.200 habitantes. Outras cidades importantes (segundo estimativas de 1990) são: Bonn (289.500 habitantes), Hamburgo (1.640.100 habitantes), Munique (1.219.600 habitantes), Colônia, Frankfurt am Main e Essen. O alemão é o idioma oficial e existem vários dialetos regionais.
Cerca de 45% dos alemães são protestantes, em sua maioria luteranos. Quarenta por cento são católicos e 2% muçulmanos. Aproximadamente 30.000 judeus vivem hoje na Alemanha. O governo é baseado em uma Lei Fundamental promulgada em 1949 para a antiga RFA (Alemanha Ocidental), emendada em várias ocasiões. É um Estado federal democrático. De 1968 a 1989, a Alemanha Oriental se definia em sua constituição como um Estado socialista soberano. O poder residia no Partido da Unidade Socialista da Alemanha (SED). Com a unificação em 1990, a Lei Fundamental da RFA se ampliou ao novo Estado.
Apesar da grande destruição sofrida durante a II Guerra Mundial, a Alemanha ressurgiu na década de 1960. A reunificação foi um golpe muito duro; a Alemanha Ocidental tem suportado as custas das melhorias na infra-estrutura, no meio ambiente e na indústria da parte oriental, embora muitas empresas do Este tenham quebrado, a Alemanha continua sendo uma potência na economia mundial devido à forte competência da Alemanha Ocidental.
A agricultura representa um papel pouco importante. Quase um terço dos alimentos consumidos são importados. As melhores terras para o cultivo se localizam no extremo sul das planícies setentrionais. Os principais cultivos são açúcar de beterraba, batatas e cereais. A Alemanha possui importantes indústrias relacionadas como a silvicultura e a pesca. Os bosques de coníferas tem sofrido os efeitos da chuva ácida.
A Alemanha é o principal produtor de linhito do mundo e vários minerais são produzidos em quantidades importantes. O setor industrial domina a economia e produz uma grande variedade de artigos como: alimentos processados, maquinaria, produtos químicos, aparatos eletrônicos e equipamentos de transporte.
A unidade monetária é o marco alemão. Em 1990 as moedas das duas Alemanhas se uniram.
Fonte: gele.netlan.net
Durante a idade da pedra, os bosques alemães estavam povoados por grupos de caçadores e coletores. Constituíam as formas primitivas do Homo sapiens, (Homem de Heidelberg que viveu há 400.000 anos).
Aproximadamente em 2300 a.C. chegaram novas hordas de povos indo-europeus, antepassados dos germanos, que se instalaram no norte e no centro da Alemanha, os povos bálticos e os eslavos no leste e os celtas no sul e no oeste. De 1800 a 400 a.C., os povos celtas do sul da Alemanha e da Áustria desenvolveram progressos no trabalho com o metal, configurando várias culturas — campos de urnas, Hallstatt e La Tène — que se difundiram pela Europa.
Entre os séculos II a.C. e V d.C. as tribos germânicas e celtas estiveram em contato com os romanos que controlavam o sul e o oeste da Europa e tentaram sem êxito estender seu domínio até o rio Elba. A fronteira se manteve nos rios Rin e Danúbio, onde erigiram os limes (linha de fortificações). Nos séculos IV e V os hunos assolaram o território a partir da Ásia e os ostrogodos, visigodos, vândalos, francos, lombardos e outras tribos germânicas invadiram o Império romano.
No final do século V, o chefe dos francos, Clodoveu I, derrotou aos romanos e estabeleceu um reino que englobava a maior parte da Galia e o sudeste da Alemanha. Seu trabalho continuou no século VIII por Carlos Magno, que anexou o sul da Alemanha e submeteu os saxões. O Império carolíngio não sobreviveu e depois da morte de Carlos Magno foi dividido entre seus três netos (ver Tratado de Verdun de 843).
Depois da morte do último monarca carolíngio, Oto I o Grande foi o primeiro rei saxão fortemente decidido a criar uma monarquia centralizada. Outorgou privilégios territoriais à Igreja, defendeu seu reino dos ataques exteriores e invadiu a Itália duas vezes. Durante 100 anos (1024-1125) os reis da Germânia foram eleitos entre os francos que reinavam no ducado da Franconia. Os reis sálicos levaram o império ao seu ponto culminante.
Conrado II, o Sálico foi o primeiro rei indiscutível da Alemanha. Foi sucedido pelo seu filho Henrique III, o Negro, que obrigou o duque da Boêmia a reconhecer sua autoridade. Aos seis anos de idade, Henrique IV sucedeu a seu pai e durante a regência, sua mãe, Inês de Poitiers, se viu obrigada a ceder a maior parte do território real. Henrique IV tentou recuperar a perda do poder imperial o que provocou a rebelião dos saxões. O resultado foi uma guerra civil de quase 20 anos. Henrique marchou sobre Roma, instalou o antipapa Clemente III e foi coroado imperador em 1084. Finalmente, traído e feito prisioneiro por seu filho (Henrique V), viu-se obrigado a abdicar. Henrique V continuou inutilmente as lutas de seu pai por manter a supremacia sobre a Igreja. Perdeu o controle da Polônia, Hungria e Boêmia. A Questão das investiduras terminou com a Concordata de Worms (1122), que estipulou que as nomeações episcopais teriam lugar perante a presença imperial sem simonia e o imperador investiria o candidato com os símbolos de seu cargo temporal antes que um bispo o fizesse com os símbolos espirituais.
Nos séculos XII e XIII a Alemanha e a Itália estiveram imersas na rivalidade existente entre duas famílias principescas: os Hohenstaufen da Suabia, denominados gibelinos (ver guelfos e gibelinos) na Itália, e os Welfs da Baviera e da Saxônia, conhecidos como guelfos na Itália.
Com a morte de Henrique V os príncipes elegeram imperador a Lotario II, duque da Saxônia, que tentou converter e dominar ao leste. Depois de seu falecimento, os príncipes elegeram Conrado de Hohenstaufen, duque da Suábia e a guerra civil explodiu novamente (guelfos - gibelinos); enqaunto, Conrado dirigia a desafortunada Segunda Cruzada, que se desenvolveu de forma paralela ao conflito guelfo-gibelino na Itália.
Frederico I Barba-Roxa assumiu o título de imperador do Sacro Império Romano. Unificou a Alemanha e a Borgonha, declarou uma paz imperial e submeteu os guelfos.
Henrique VI quis ampliar seus domínios. Para assegurar a paz na Alemanha, reprimiu uma rebelião, invadiu as cidades do norte da Itália, conquistou a Sicília e tentou criar um império no Mediterrâneo que se desmembrou rapidamente. Seu filho, Frederico II, herdou a Sicília, mas a Itália Setentrional reafirmou sua independência, conservando a Sicília. Para conseguir o apoio alemão em suas campanhas na Itália Setentrional, permitiu aos príncipes ser donos absolutos em seus próprios territórios. Conquistou os principais lugares cristãos da Terra Santa e depois das guerras com a Liga Lombarda tomou os Estados Pontifícios.
O filho mais novo de Frederico herdou a Sicília e o título imperial, mas a Itália e a Alemanha nunca mais se uniram. Os papas, aliados aos franceses, expulsaram os Hohenstaufen da Sicília. A Alemanha sofreu a desordem do Gran Interregnum (1254-1273), durante o qual os inumeráveis estados em que estava dividida protagonizaram uma anarquia geral.
No final do século XIII, o Império havia perdido a Polônia, a Hungria e o controle efetivo da Borgonha e da Itália. Dentro de suas fronteiras, os principados eram praticamente autônomos. Nas cidades o comércio teve um grande desenvolvimento. As cidades de Rin e, mais tarde, as cidades alemães do norte formaram associações comerciais; a mais poderosa foi a Liga Hanseática.
No final da Idade Média, a grande estirpe de duques foram extintas e se criaram novos principados. Três casas reais — Habsburgo, Wittelsbach e Luxemburgo — lutaram pelos direitos.
dinásticos da coroa imperial. Em 1273 se pôs fim ao Gran Interregnum. Rodolfo I de Habsburgo ampliou as possessões de sua família.
Durante o reinado de Sigismundo de Luxemburgo foi convocado o Concílio de Constança (1414-1418). O movimento husita convulsionou a Boêmia ao combinar os sentimentos tradicionais tchecos com o desejo de reformar em profundidade a Igreja.
Com seu enteado Alberto V, o Ilustre, a coroa imperial tornou-se hereditária da casa dos Habsburgo. Seu sucessor, Frederico III da Estiria, perdeu a Hungria e a Boêmia, e vendeu Luxemburgo para a França, enquanto lutava contra os príncipes alemães e os turcos alcançavam as fronteiras do Império.
Maximiliano I desenvolveu uma política matrimonial em benefício de sua família. Mediante o matrimônio de seu filho, Felipe I o Belo, com a herdeira da Espanha, Joana I a Louca, Maximiliano asentou as bases para a futura união das coroas de Castela e Aragão com o Império. Como no resto da Europa, o século XV foi uma época de transição da economia feudal da Idade Média para a economia monetária da época moderna, processo que criou tensões entre todas as classes da sociedade, enquanto as cidades se tornavam cada vez mais importantes.
As inquietações espirituais de Martinho Lutero se combinaram com as ambições seculares dos príncipes alemães para produzir a Reforma protestante que propunha a liberdade religiosa. As lutas religiosas intensificaram os conflitos políticos europeus durante cem anos.
Em 1519, Carlos I da Espanha e V da Alemanha sucedeu a seu avô Maximiliano como imperador do Sacro Império Romano. Dedicou sua vida a preservar um império medieval unido na fé, um esforço infrutífero na sociedade plural criada pelos reformadores e as forças seculares. Os protestantes estavam divididos: além dos luteranos haviam cristãos reformistas inspirados pelo teólogo suíço Ulrico Zuinglio e radicais anabatistas.
Pela Paz de Augsburgo (1555), ficou reconhecido o luteranismo, mas não ocorreu o mesmo com os calvinistas (ver Calvino). Carlos abdicou em 1556. Seu vasto Império se dividiu: as possessões espanholas e borgonhesas passaram a seu filho Felipe II, enquanto que o título imperial e as possessões imperiais foram para seu irmão Fernando I de Habsburgo.
Enquanto os imperadores Fernando I e seu filho Maximiliano II estiveram ocupados com a ameaça da invasão turca, o protestantismo se expandiu na Alemanha, mas seu progresso se deteve pela Contra-reforma. O Concílio de Trento (1545-1563), modificou a doutrina e o culto católicos e impediu a reconciliação com os protestantes.
A tensão entre ambas religiões conduziu à guerra dos Trinta Anos que finalizou pela paz de Westfalia (1648). Reconhecia-se a soberania e a independência de cada estado do Sacro Império Romano Germânico e a religião seria determinada por seu príncipe; foi aceita a situação existente em 1624 no aspecto religioso, ao estabelecer que as propriedades dos Habsburgo, o sul e o oeste da Alemanha eram católicos e os protestantes podiam manter as propriedades adquiridas.
Politicamente o Sacro Império Romano Germânico (ou I Reich) continuou com tal denominação, mas havia perdido todas as pretensões à universalidade e a um governo centralizado. No final do século XVII e início do XVIII, o Império estava eclipsado pela França e pela Inglaterra. A estrutura imperial dependia de grande quantidade de príncipes menores; os Wettins da Saxônia, os Welfs de Brunswick-Luneburgo se converteram em eleitores de Hannover, os Wittelsbachs da Baviera, os Habsburgo da Áustria e os Hohenzollern de Brandeburgo eram as famílias hegemônicas no Império e dominavam aos outros príncipes.
Apenas haviam se recuperado da guerra dos Trinta Anos quando os príncipes e o imperador se enfrentaram em uma série de novas lutas dinásticas. No oeste, os príncipes se envolveram em quatro guerras para freiar as intenções de Luís XIV de estender o território francês até o Reno.
Os príncipes alemães se encaminharam para o norte e o leste, onde entraram em conflito com a Suécia no mar Báltico, produzindo-se duas guerras, denominadas de Norte. Os alemães também tiveram que enfrentar os turcos otomanos, que se expandiram no sudeste da Europa. Eugênio de Sabóia os venceu em Senta (1697) e os Habsburgo foram anexados a maior parte da Hungria. A família dos Hohenzollern tinha territórios geograficamente desconectados no oeste. Fora do Império, a área mais importante era a Prússia, que se converteu em um reino independente em 1701.
Não era possível, no século XVIII, estabelecer-se com certeza as fronteiras da Alemanha. A Prússia propriamente dita estava fora do Império; a Pomerânia era sueca, o Oldenburg, dinamarquês; o eleitor de Hannover era o rei da Inglaterra, o landgrave do Hessen era o rei da Suécia, o duque de Holstein era o czar da Rússia. A fragmentação chegara ao ponto de existirem 1500 soberanos, havendo cerca de 80 territórios com dimensões inferiores a 12 milhas quadradas. Esse conglomerado distribuía-se em 10 círculos (Kreise), numa organização que não funcionava, e o número de eleitorados passara a 9, com o acréscimo da Baviera e do Hannover. Típica do período foi a mania de grandeza e a dissipação das cortes principescas, caracterizadas pelo próprio Frederico II, em seu Anti-Machiavel, da seguinte forma: " mesmo o mais jovem filho de uma linhagem com apanágio imagina ter semelhanças com Luís XIV: constrói um Versalhes, tem amantes e mantém um exército". A isso, é verdade, foram devidos à arquitetura, não poucos importantes monumentos do Barroco alemão.
Querelas inimagináveis desenvolviam-se entre os príncipes, enquanto as condições
dos súditos eram quase sempre difíceis e o prestígio internacional da Alemanha
reduzia-se cada vez mais. Esse é o ambiente no qual se verifica a elevação
da Prússia ao nível de grande potência, com Frederico II.
Frederico II o Grande dedicou a maior parte de sua vida a estender o território
da Prússia para a costa da Áustria e da Polônia.
O imperador Carlos VI, ansioso em manter unificados os domínios dos Habsburgo, promulgou a Sanção Pragmática em 1713, declarando que sua filha Maria Teresa I da Áustria lhe sucederia. No ano de 1740, morreu o Imperador Carlos VI, extinguindo-se a linha masculina direta dos Habsburgos.
Carlos VI, porém, pela Pragmática Sanção, conseguiu fazer com que as terras austríacas fossem transmitidas à sua filha, Maria Teresa. Os eleitores da Baviera e da Saxônia rechaçaram a Sanção Pragmática. Apesar de todas as precauções, a Baviera, que não reconhecera aquele documento, protestou, surgindo daí o ponto de partida para a Guerra da Sucessão da Áustria, em cujo âmbito se incluem as duas primeiras guerras da Silésia. Baviera e França aliaram-se ao novo rei da Prússia, Frederico II, e este, em rápida campanha, conquistou a Silésia, enquanto seus aliados franco-bávaros invadiam a Boêmia e ocupavam Praga, com o apoio da Saxônia. Em 1742, Maria Teresa faz a paz de Breslau com a Prússia, renunciando a Silésia e continuando a luta com seus outros inimigos, já aliados à Inglaterra..
Em 1743, Frederico renovou sua aliança com a França, para consolidar o domínio sobre a Silésia, com as vitórias de Hohenfriedberg, Kesseldorf e Söor, que levaram à conclusão da Paz de Dresden, em 1745. No mesmo ano, os bávaros, pelo Tratado de Füssen, reconheceram como Imperador o marido de Maria Teresa, Francisco I da Lorena. O mesmo já fizera Frederico II, em Dresden. A guerra continuou -Áustria e Inglaterra contra França e Espanha- , só se encerrando pela Paz de Aachen (1748).
O surgimento da Prússia como uma grande potência levou a uma mudança de alianças e a novas hostilidades. A intenção de Maria Teresa de reconquistar a Silésia deu lugar a uma série de alianças que conduziriam à guerra dos Sete Anos (1756-1763).
Maria Teresa aliou-se então, à França e a Rússia, com a adesão da Suécia e da Saxônia, contra Frederico II, que buscou a aliança inglesa. E teve início, em 1756, a Guerra dos Sete Anos.
Frederico avançou sobre a Saxônia, forçando-a à Capitulação de Pirna. Contra
os franceses, em 1757, venceu a batalha de Rossbach, batendo os austríacos
em Praga e Leuthen, e os russos em Zorndorf. Para o general austríaco Daun,
todavia, perdeu os encontros de Kollin e Hochkirch, sendo vencido, ainda,
pelos austro-russos, na importante batalha de Kunersdorf. Forçada à defensiva,
a Prússia parecia em situação desesperada. Foi quando se deu o que o próprio
Frederico chamou de "o milagre da Casa de Brandenburgo": hesitações e divergências
entre os adversários impediram que fossem tiradas vantagens da derrota prussiana,
até que, em 1762, o advento do czar Pedro III, na Rússia, admirador de Frederico,
determinou a reviravolta da posição russa, à qual se seguia a paz com a Suécia.
Os êxitos sobre os austríacos, em Bunkersdorf e Freiburg, levaram Maria Teresa
à Paz de Hubertsburg (1763), confirmando as cláusulas de Breslau e Dresden.
Em 1772, sem guerra, obteve a Prússia substancial aumento de território, com
a 1ª partilha da Polônia: desta vez fazia-se a ligação por terra do brandenburgo
com a Prússia propriamente dita. Surgia assim, no norte, uma potência protestante,
oposta à Áustria católica ao sul. A rivalidade, como se verificou quando Frederico,
por duas vezes (1778-79 e 1785), salvou a Baviera dos apetites territoriais
do filho de Maria Teresa, José II.
Relevante foi a obra interna de Frederico: seus pensamentos filosóficos não
o afastaram do plano concreto: se proclamou a liberdade religiosa, promoveu
também verdadeira obra de colonização, abrindo uma rede de canais e estradas,
estimulando a agricultura, para a qual conquistou novas terras. Admirador
dos iluministas, foi um representante do despotismo esclarecido, que considerava
o monarca o primeiro servidor do Estado. Preocupado com a administração da
Justiça, criou uma camada de juízes de alta categoria, invulneráveis à corrupção,
tão comum na época. A codificação do direito administrativo, civil e penal,
que encontrou sua expressão no Allgemeine Landrecht für die preussischen Staten
(Compilação do Direito para os Estados Prussianos), deve-se à sua iniciativa,
notando-se seu empenho na distribuição de justiça rápida, sólida e barata
para todos, sem distinções sociais.
Tal atitude, quando mais não fosse, teria justificado que um filósofo como
Kant o tivesse chamado, em 1784, de Frederico II, o Grande. Não teve, porém,
compreensão para o desenvolvimento cultural alemão propriamente dito. Suas
numerosas obras e cartas foram escritas em francês, inclusive um trabalho
dedicado à crítica da literatura alemã contemporânea. Esse espírito era mais
europeu do que nacional-alemão, embora, em seu tempo, já Goethe e Schiller
fossem bastante conhecidos, destacando-se ainda nomes como Lessing e Herder.
Note-se, de passagem, sua simpatia para co os americanos rebelados contra
a Inglaterra, cujas forças, aliás, foram em grande parte organizadas por um
dos mais capazes instrutores do próprio exército: W. von Steuben. À época
de sua morte, em 1786, era a Prússia uma grande potência européia, rompido
o quadro deixado na Alemanha pelos Tratados da Vestfália.
O domínio francês: logo depois deveria verificar-se o fim do Sacro Império.
A primeira guerra da França revolucionária foi declarada à Áustria, em 1792,
mas esta estava aliada à Prússia, então sob o reinado de Frederico Guilherme
II (1786 - 1797). Em Valmy, os prussianos recuaram diante dos franceses, os
austríacos foram batidos em Jemappes, a margem esquerda do Reno, até 1793,
estava ocupada pelos revolucionários. Pela Paz de Basiléia (1795), a Prússia
reconhecia a posse desses territórios pela França. Em compensação, entretanto,
expandia-se para o Oriente, com as anexações resultantes da 2ª e 3ª partilhas
da Polônia (1793 e 95).
Iniciara-se, assim, uma fase de crucial importância para a Alemanha. As lutas
da França contra a Áustria continuaram na Itália e na Alemanha do sul, até
a Paz de Campoformio (1797), quando os austríacos confirmaram a anexação da
margem esquerda do reno à França. Nova guerra, de 1799 a 1801, terminou com
o Tratado de Lunéville, reiterando o disposto em 1797.
Em 1803 houve a reorganização da Alemanha, segundo as determinações do Tratado
de Lunéville, através do Reichsdeputationshauptabschluss, ou encerramento
definitivo da Dieta do Reich. Franceses e russos, nos bastidores, praticamente
deram as linhas mestras da nova Alemanha, em que, com poucas exceções, se
aboliam os princípios eclesiásticos; reduziam-se de 48 para 6 as cidades livres;
criavam-se mais 4 eleitorados (Salzburg, Baden, Württenberg e Hessen-Kassel),
dos quais 3 protestantes, o que era o fim da hegemonia austro-católica, e
favoreciam-se territorialmente a Prússia e os Estados medianos do Ocidente.
No mesmo ano de 1803, os franceses ocuparam o Hannover. Em 1804, foi o próprio
título de imperador que Napoleão chamou para si, fazendo com que, em 1806,
o então imperador alemão Francisco II declarasse dissolvido o Sacro Império.
Mantinha ele, entretanto, o título de Imperador da Áustria.
Ainda em 1806, a tentativa prussiana de vencer Napoleão marcou-se pelas derrotas
de Iena e Auerstadt e a ocupação de Berlim pelos russos. A Prússia foi salva
da dissolução graças à intercessão do Czar Alexandre II, o qual, depois de
vencido, fizera a paz com Napoleão em Tilsit.
De 1806 a 1812 foi completo o domínio francês sobre a Alemanha. A Confederação
do Reno reunia os Estados alemães com exceção da Áustria e da Prússia sob
o protetorado francês. A Prússia perdera todos os seus territórios a oeste
do Elba, bem como parte das antigas terras polonesas. A Áustria, mais uma
vez vencida, em 1809, fora forçada à aliança com a França. Tropas francesas
aquartelavam-se por toda a parte, o Código Napoleônico vigorava em diversos
Estados e a própria esperança de reformas inspirava-se, de uma ou de outra
forma, nos franceses, nos propagadores dos ideais revolucionários. Nessa situação
é que se desenvolve o espírito nacional, estimulados pela necessidade de expulsar
os invasores. Na Prússia, surgiram personalidades decididas a preparar o reerguimento,
como Scharnhorst e Gneisenau, organizadores militares e - acima de todos -
Karl von und zum Stein, sucedido por Hardenberg. Animado por profundo sentimento
alemão, superior aos particularismos. Stein, como ministro de Frederico Guilherme
III, empenhou-se em reformas inspiradas nos ideais revolucionários, entre
outras a supressão dos obstáculos ao comércio e ao exercício das profissões,
a libertação dos camponeses, a organização de um ministério com ministros
especializados em seus setores, a ordem nas finaças, em suma, a reorganização
da Prússia.
Ao mesmo tempo, Fichte, com seus Reden an die deutsche Nation (Discursos à
Nação Alemã), agia no campo intelectual, e a Universidade de Berlim, fundada
em 1810, proporcionava à Alemanha, com o auxílio de homens da estatura de
W. von Humboltd e F. Schleiermacher, os meios de atingir a maioridade. O movimento
nacional encontrava significativa expressão literária, com H. von Kleist,
E. M. Arndt, F. Rückert e outros. Inclusive, o preparo físico foi estimulado,
com a propagação da ginástica, sistematizada por F. L. Jahn.
Enquanto isso, Napoleão incorporava ao Império Francês as cidades hanseáticas,
chegando ao Báltico. Em 1812, porém, a Campanha de Napoleão na Rússia, na
qual os alemães (inclusive a Prússia) foram forçados a colaborar com a França,
resultou no malogro que criou as condições propícias à libertação. Em fevereiro
de 1813, a Prússia aliou-se à Rússia, iniciando-se as chamadas "guerras de
libertação" da Alemanha; a elas aderiu a Áustria, acelerando-se a tendência
à defecção dos outros Estados. De 16 a 19 de outubro de 1813, teve lugar a
batalha de Leipzig, com vitória dos aliados; depois disso, dissolveu-se a
Confederação do Reno. A 31 de março de 1814, os aliados entravam em Paris,
com o Marechal Blücher à frente dos prussianos. Retornou ele a essa cidade,
depois de juntamente com os ingleses, haver batido definitivamente Napoleão
em Waterloo (18 de junho de 1815).
Durante 18 anos os Estados alemães estiveram implicados de forma diferente em cinco guerras contra os exércitos da França revolucionária e napoleônica. No início a Áustria e a Prússia perderam muitos territórios, mas em 1812 Napoleão foi derrotado na campanha da Rússia. Frederico Guilherme III da Prússia, junto com a Áustria e a Rússia, derrotou Napoleão em Leipzig (1813). No Congresso de Viena (1814-1815) os Estados vencedores de Napoleão redesenharam o mapa da Europa. O Sacro Império Romano Germânico, com mais de 240 estados, foi substituído pela Confederação Germânica, sob a chefia da Áustria contando 35 Estados e 4 cidades livres representados na Dieta de Frankfurt.
Destacavam-se aí os reinos da Prússia, Saxônia, Hannover, Baviera e Württenberg. Tanto a Prússia como a Áustria continuavam a ter parte de suas terras fora da Confederação, mas, por outro lado, soberanos estrangeiros, como o rei da Inglaterra (pelo Hannover), da Dinamarca (pelo Holstein e Lauenburg) e da Holanda (pelo Luxemburgo), estavam dentro dela. O órgão máximo era o Bundestag, assembléia dos representantes dos diversos Estados, com sede na cidade livre de Frankfurt. Muitos alemães queriam estabelecer um governo liberal de acordo com uma Constituição que garantisse a representação popular e outras medidas. Também tinham esperanças na unificação nacional.
Os soberanos da Prússia e da Áustria e os recentemente coroados reis da Baviera, Hannover, Württemberg e Saxônia, temerosos de qualquer usurpação de sua soberania, opuseram-se ao liberalismo e ao nacionalismo. Áustria, Prússia, Rússia e Grã-Bretanha formaram a Quádrupla Aliança para suprimir qualquer ameaça aos acordos com Viena.
O chanceler austríaco Metternich foi a personalidade dominante no período:
sob sua inspiração, os anos seguintes a 1815 seriam assinalados por intensas
manifestações absolutistas. Não se concretizavam, portanto, as promessas liberais
feitas por ocasião do congraçamento nacional das lutas da libertação. Instrumento
básico da reação foi a Santa Aliança, reunindo Áustria, Rússia e Prússia,
à qual aderiram outras potências. Ao mesmo passo, o Romantismo, embora se
apresentando com aparência profundamente conservadora, conduzia a uma mentalidade
revolucionária. De fato, voltando-se para a Idade Média, para a religião,
condenando o presente e louvando o passado, os românticos eram contra a Revolução,
chegando J. Görres, na sua fase mística, a sonhar com o Império Medieval
e os senhores feudais. Por outro lado, na medida em que buscavam o passado
germânico, pela pesquisa histórica (fundação, em 1819, do Monumenta Germaniae
Historica - Monumento Histórico da Germânia); pela escola histórica de direito
(Savigny), pelo estudo das língua (J. e W. Grimm); pelas coletâneas de contos
e canções populares (von Arnim e Brentano), davam cada vez mais amplitude
ao sentimento nacional e valorizavam o povo alemão surgindo esse agora com
seus valores culturais dignificados. Desencadeiam-se, então, as forças revolucionárias
tendentes à organização de um Estado nacional, unificado, em que o povo tivesse
voz ativa. O aspecto reacionário do Romantismo serviu também a Metternich,
para a imposição de um sistema contrário às liberdades em geral, especialmente
a de imprensa, e às aspirações constitucionais, traço comum aos Estados alemães.
Mas inspirou-se, também, no Romantismo, a agitação estudantil apoiada nas
sociedades, das quais a mais importante foi a Burschenschaft da Universidade
de Iena.
As decisões de Karlsbad (1819) incluiram a proibição das Burschenschaft, a
demissão dos professores comprometidos com o liberalismo e medidas contra
personalidades de destaque, como Arndt e Jahn. As aspirações reformistas,
todavia, partiam também de novas necessidades criadas pelas transformações
econômicas que se entrosavam aos aspectos políticos. Assim é que, para fazer
oposição à Prússia, em 1828 -29, se organizou uma união comercial entre os
pequenos Estados alemães. Teve ela como contrapartida, sob a orientação dos
ministros prussianos von Motz e von Maasen, a conclusão de um tratado alfandegário
entre a Prússia, o Hessen, a Baviera e o Württenberg.
Apesar de toda a oposição de Metternich, chegou-se, em 1834, ao Zollverein
(união alfandegária), chefiado pela Prússia e congregando 18 Estados, num
total de 23 milhões de habitantes. Um de seus mais importantes promotores
fora F. List, entusiasta também da construção de ferrovias, com as quais objetivava
ligar toda a Alemanha. A 1ª delas, de Leipzig a Dresden, inaugurou-se em 1839.
Do ponto de vista político, notam-se os reflexos da revolução parisiense de
1830, variando conforme as condições dominantes nos diversos Estados. Fizeram-se
concessões liberais em vários deles, mas, por volta de 1835, Prússia e Áustria
já haviam proporcionado a reação.
Na fase de 1830-48 registra-se notável expansão econômica, com a participação intensa de F. List, patrocinador, agora, da formação de empresas para construir ferrovias. Removiam-se, com as comunicações facilitadas, os obstáculos naturais à integração e prosperidade germânicas, com óbvias repercussões no plano político. A posição alemã, todavia, não era especialmente brilhante.
As revoluções liberais de 1830 e 1848 em Paris, estenderam-se sobre a Europa. Os confrontos também alcançaram a Baviera, a Prússia e o sudoeste da Alemanha, mas foram esmagados rapidamente na Áustria, Hungria e Prússia.
Prússia e Áustria fizeram planos divergentes para a futura unificação alemã. Na Prússia, o rei Guilherme I, junto a seu primeiro-ministro, Otto von Bismarck, decidiram fazer da Prússia um poderoso Estado.
Depois da Guerra Áustro-prussiana, a Áustria cedeu Veneza para a Itália, e a Prússia foi anexada a Schleswig-Holstein, Hannover e outros estados, e organizou a Confederação da Alemanha do Norte (1867) sem a Áustria. Bismarck culminou sua estratégia com a Guerra Franco-prussiana, depois da qual, em 1871, Guilherme foi proclamado imperador do Império Alemão (o II Reich).
Una vez unificados os diversos Estados alemães sob o Império dirigido pela Prússia, Bismarck fez uma série de alianças para proteger a Alemanha de qualquer agressão exterior. No interior fomentou a Revolução Industrial.
Bismarck considerou que a Igreja católica ameaçava a supremacia do Estado alemão. Iniciou assim a Kulturkampf (luta cultural) durante a qual suprimiu muitas ordens religiosas.
O Império não funcionava de forma democrática. Bismarck dirigiu uma perseguição ao Partido Socialista, precursor do Partido Social-democrata alemão e preparava suprimir a Constituição. Entretanto, o novo imperador Guilherme II da Prússia o destituiu, por querer governar o Império de forma pessoal.
Guilherme II manteve a Tríplice Aliança (1882) da Alemanha, Áustria e Itália. Para equilibrar a situação, a Rússia concordou com uma aliança em 1894 com a França. A Grã-Bretanha, durante muito tempo neutra, clarificou suas diferenças coloniais com a França e com a Rússia, o que teve como resultado a formação do Tríplice Acordo. Desta forma, a Europa se dividiu em dois blocos armados.
A crise do Marrocos e dos Balcãs intensificaram os antagonismos. Guilherme II interveio duas vezes no Marrocos (1905, 1911), que a França pretendia, para proteger os interesses alemães na África. A Áustria foi anexada em 1908 às províncias turcas da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do arquiduque austríaco Francisco Fernando de Habsburgo em Sarajevo, em junho de 1914, foi a faísca que iniciou a I Guerra Mundial.
As tropas alemães invadiram e avançaram pela neutra Bélgica com a intenção de tomar Paris de surpresa, mas os alemães encontraram mais resistência na Bélgica do que esperavam, apesar de quase chegaram a Paris. Entretanto, os britânicos e os franceses freiaram o avanço alemão na batalha de Marne. Enquanto os russos atacaram o leste, mergulhando a Alemanha na temida guerra de duas frentes.
Os alemães derrotaram várias vezes os russos. Os aliados bloquearam a Alemanha para impossibilitar o fornecimento de alimentos e matérias-primas, contando com o apoio dos Estados Unidos que entrou na guerra em 1917. A Rússia pediu a paz, que foi assinada em 1918. Os alemães lançaram uma ofensiva final no oeste, mas os aliados resistiram.
O chanceler anunciou que Guilherme II abdicou e se demitiu. O dirigente do Partido Social-democrata Friedrich Ebert proclamou a República. A Alemanha teve que enfrentar os duros termos do Tratado de Versalhes em 1919: perdeu a Alsácia e Lorena a favor da França, e a Prússia Ocidental passou para a Polônia. Também perdeu suas colônias e teve que ceder suas instalações siderúrgicas, linhas ferroviárias e barcos comerciais, assim como sua força naval. Além disso, tiveram que aceitar a plena responsabilidade como causadores da guerra e pagar as indenizações.
A crise econômica fez piorar a situação. Pelo Plano Dawes (1924), foi revista a quantia e a modalidade de pagamento das reparações de guerra e se proporcionaram empréstimos do exterior. Durante cinco anos a Alemanha desfrutou de uma estabilidade social e prosperidade relativas; em 1926 se incorporou à Sociedade das Nações. Entretanto, a crise econômica mundial de 1929 colocou o país uma vez mais no desastre.
Em meio a depressão econômica, as eleições de 1932 fizeram com que o Partido Nacional-socialista (nazista) fosse o de maior representação no Reichstag. Em 1933, com o apoio de elementos de extrema direita, Hitler foi eleito chanceler. O novo Parlamento aprovou a Lei de Poderes Especiais permitindo a Hitler controlar todos os aspectos da vida alemã e criar o III Reich.
Todos os partidos políticos, exceto o Nacional-socialista foram considerados ilegais. O III Reich buscou ser econômicamente auto-suficiente. O sistema propagandístico contou com o apoio da Gestapo. Os judeus sofreram com as leis discriminatórias, sendo privados da cidadania e excluídos das atividades civis e profissionais, e depois da denominada Noite dos cristais quebrados, centenas de milhares de judeus fugiram do país.
As ocupações da França, da Bélgica, dos Países Baixos, da Noruega, da Dinamarca, da Iugoslávia e da Grécia fizeram com que milhões de judeus ficassem sob o domínio nazista. Ainda houve colaboradores nos territórios ocupados que ajudavam aos nazistas, a resistência a sua política foi importante. Até o final da guerra, os judeus mortos chegaram a cerca de seis milhões no que ficou conhecido como o Holocausto.
Os desejos da Alemanha de buscar uma revisão do Tratado de Versalhes pela força tornaram inúteis os esforços realizados pelos os outros países que queriam evitar o confronto militar, o que conduziu à II Guerra Mundial.
Em 1942, a Grã-Bretanha porém resistia e os Estados Unidos havia entrado na guerra depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Em 1943, a ofensiva soviética conduziu gradualmente as tropas alemães para o oeste. As forças do Eixo na África do Norte foram derrotadas e a Itália foi invadida. A Alemanha, a partir de 1942, começou a ser bombardeada de forma intensiva, mas Hitler recusou render-se. As forças britânicas e americanas desembarcaram na Normandia em 1944 e avançaram para a fronteira alemã, enquanto os soviéticos faziam o mesmo na frente oriental. Hitler se suicidou antes dos tanques soviéticos entrarem em abril de 1945 em Berlim.
A rendição incondicional da Alemanha pôs fim ao III Reich. Os aliados reduziram a Alemanha às suas fronteiras anteriores ao início da contenda e ainda destinaram uma parte de seu território oriental a Polônia como forma de compensar as terras ocupadas pela União Soviética até o Oder. A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, mas como a política dos aliados divergiam, a Alemanha praticamente foi dividida em duas partes. Em 1948, Grã-Bretanha, Estados Unidos e França uniram suas zonas de ocupação e encorajaram aos alemães a formar um governo democrático. A URSS, por sua vez, criou outro Estado. Em 1949 foram formados dois Estados alemães: a República Federal Alemã, ou Alemanha Ocidental e a República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental.
O governo da Alemanha Oriental caiu em 1989. Com a derrubada do muro de Berlim e outras barreiras migratórias mais de 200.000 alemães orientais entraram na Alemanha Ocidental. Ambas Alemanhas realizaram a união econômica e monetária em julho de 1990, e em outubro foi dissolvida a República Democrática Alemã: todos seus cidadãos se converteram em súditos da República Federal Alemã. A coalizão dirigida por Helmut Kohl conseguiu a vitória nas eleições de 1990.
Com a dissolução da antiga URSS e a evolução política européia, os Estados Unidos começaram a reduzir suas forças militares na Alemanha.
República federal localizada na Europa Central. Limita-se ao norte com o mar do Norte, a Dinamarca e o mar Báltico; ao leste com a Polônia e a República Tcheca; ao sul com a Áustria e a Suíça, e ao oeste com a França, Luxemburgo, Bélgica e os Países Baixos. É conhecida oficialmente como República Federal Alemã (RFA). Berlim é a capital e a cidade mais importante.
Possui três grandes regiões fisiográficas: as terras baixas que conformam a planície do norte, com numerosos vales fluviais; a região das mesetas centrais que abrange um território de suaves montanhas, vales fluviais, rios e vales bem definidos; e as cadeias montanhosas que incluem as cordilheiras Eifel e Hunsrück, Taunus, Spessart e Fichtelgebirge. Os contrafortes do Jura e um grande bosque, a Selva Negra, estão no sudoeste. No extremo sul estão os Alpes bávaros.
A maioria dos grandes rios alemães estão na região ocidental. O mais importante é o Reno e seus afluentes, Neckar e Ruhr. Outros rios importantes são Elba, Danúbio, Oder e Neisse. Dos poucos grandes lagos destaca-se o Constança.
Possui um clima temperado, com uma temperatura média anual de 9 °C. As terras baixas do norte têm um clima um pouco mais quente que as regiões centrais e do sul. A precipitação é maior no sul, onde alcança cerca de 1.980 mm ao ano, a maioria em forma de neve. Aproximadamente 30% do território é formado por bosques compostos de pinheiros e outras coníferas e espécies de folhas caducas.
População e governo - A população possui dois grupos de raça caucásica: o alpino e o teutônico. Possui (1993) cerca de 80.767.591 habitantes, com uma densidade de 226 hab/km2.
A capital da Alemanha, Berlim, possui uma população (1992) de 3.454.200 habitantes. Outras cidades importantes (segundo estimativas de 1990) são: Bonn (289.500 habitantes), Hamburgo (1.640.100 habitantes), Munique (1.219.600 habitantes), Colônia, Frankfurt am Main e Essen. O alemão é o idioma oficial e existem vários dialetos regionais.
Cerca de 45% dos alemães são protestantes, em sua maioria luteranos. Quarenta por cento são católicos e 2% muçulmanos. Aproximadamente 30.000 judeus vivem hoje na Alemanha. O governo é baseado em uma Lei Fundamental promulgada em 1949 para a antiga RFA (Alemanha Ocidental), emendada em várias ocasiões. É um Estado federal democrático. De 1968 a 1989, a Alemanha Oriental se definia em sua constituição como um Estado socialista soberano. O poder residia no Partido da Unidade Socialista da Alemanha (SED). Com a unificação em 1990, a Lei Fundamental da RFA se ampliou ao novo Estado.
Povos germânicos derrotaram as legiões romanas na batalha do Bosque de Teutoburgo.
Clodoveu I, rei dos francos, invadiu a província romana da Gália. Clodoveu introduziu formas de vida romanas nos territórios ocidentais da atual Alemanha.
O Tratado de Verdun dividiu o Império de Carlos Magno em três reinos. Por sua vez, o reino alemão foi dividido em cinco ducados.
Coroação de Oto I o Grande em Aquisgrã como imperador do Sacro Império Romano.
A disputa entre Henrique IV e o papa Gregório VII foi o ponto de partida de uma série de guerras civis que colocaram em cheque o poder da Igreja.
Supremacia comercial e militar da Liga Hanseática no norte da Alemanha.
Martinho Lutero iniciou a Reforma protestante.
A Paz de Augsburgo reconheceu o direito de os príncipes alemães escolherem o credo religioso a ser professado nos seus territórios.
A Paz de Vestfália pôs fim à guerra dos Trinta Anos.
Frederico II o Grande tornou-se rei da Prússia, Estado que começou a transformar-se em grande potência européia.
Dissolução do Sacro Império Romano Germânico e criação da Confederação do Reno.
Formação da Confederação Germânica pelo Congresso de Viena.
Revoluções ao longo de todo o território alemão. Criação do Parlamento de Frankfurt, primeira assembléia nacional alemã, palco das primeiras discussões sobre a possibilidade de unificação, interrompidas juntamente com o final do movimento revolucionário.
Otto von Bismarck, primeiro-ministro prussiano, realizou seu sonho de unificar a Alemanha com a fundação do II Império Alemão.
Morreram mais de 1,5 milhão de alemães durante a I Guerra Mundial. De todos os Impérios Centrais, a Alemanha foi o que empreendeu o maior esforço bélico durante o conflito.
A Alemanha foi obrigada a aceitar os duros termos do Tratado de Versalhes, que pôs fim à I Guerra Mundial. Criação da República de Weimar.
Adolf Hitler e o Partido Nacional-socialista chegaram ao poder.
A Alemanha invadiu a Polônia e começou a II Guerra Mundial.
Os exércitos aliados invadiram a Alemanha e a dividiram em quatro zonas de ocupação. Os crimes de guerra nazistas foram julgados em Nuremberg.
Divisão da Alemanha em República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e República Democrática Alemã (Alemanha Oriental).
A Alemanha Oriental tornou-se um Estado comunista e a Alemanha Ocidental, uma república parlamentarista.
O governo da Alemanha Oriental construiu o Muro de Berlim.
Queda do Muro de Berlim.
Reunificação da Alemanha em torno da República Federal da Alemanha. Dissolução da República Democrática Alemã.
Erich Honecker, antigo dirigente da República Democrática Alemã, fugiu do país para não ser processado. Abertura dos arquivos da Stasi, polícia secreta da Alemanha Oriental: muitas pessoas foram acusadas de ter atuado como informantes deste organismo.
Grupos neonazistas e racistas perpetraram quase 2.500 atos de violência contra imigrantes turcos.
As tropas norte-americanas, britânicas, francesas e russas abandonaram Berlim depois de 40 anos de ocupação
Fonte: www.portalsbs.com.br