Medicago sativa L. c.v. Crioula charqueana, é uma leguminosa originária da Argentina; é perene, apresenta folhas trifoliadas, suas flores, normalmente são de cor roxa. É uma forrageira rica em proteína, vitaminas e sais minerais. Adapta-se ao clima temperado e quente, e suporta quedas de temperatura; apresenta grande resistência à seca, pois possui um sistema radicular que pode atingir grande profundidade; exige solos férteis, profundos com alto teor de matéria orgânica e cálcio; não suporta excesso de umidade, mas, em quantidade controlada, é um dos maiores fatores de produção, sendo uma espécie que melhor responde à irrigação.
O principal atributo desta forrageira é sua alta produção de proteína associada a muitos minerais e ainda a uma vasta adaptação a condição do meio. Produz excelente feno artificialmente desidratado, silagem e forragem.
Os principais pontos negativos são: pouca persistência a pragas e doenças, não suporta pastejo intenso, causa timpanismo em ruminantes, o estrogênio reduz a fertilidade e saponinas podem atuar, causando hemólises.
Nome científico: Medicago sativa L.
Ciclo vegetativo: perene.
Origem: Argentina.
Fixação de nitrogênio: estima-se que
fixa por ano 85 a 360 kg N/ha, com variação entre áreas.
Forma de crescimento: rasteiro.
Altura da planta: crescimento livre até 1,0 m.
Formas de uso: produção de feno e eventualmente pastejo.
Digestibilidade: ótima.
Palatabilidade: ótima.
Fatores adversos: timpanismo em pastejo (uso de antiespumante), reprodução reduzida do animal (presença de estrógeno).
Precipitação pluviométrica requerida: 700 mm/ano.
Fotoperíodo: planta de dia longo.
Água necessária: consome na evapotranspiração 50 a 90 mm/ha de água por tonelada da matéria seca produzida.
Teor de proteína na matéria seca: 15% no fim do ciclo vegetativo e 20% no início do ciclo.
Níveis críticos de nutrientes:
Fósforo 2,1 – 3,0g
Potássio 8,0 – 22,0g
Cálcio 15g
Magnésio 2,0 – 3,5g
Enxofre 1,0 –2,2g
Boro 18mg
Molibdênio 0,5 – 0,9mg
Zinco 4.0-5.0mg/kgMS.
Produção da matéria seca: acima de 20 t MS/ha/ano.
Número de cortes: varia de 6 a 8 cortes por ano, com irrigação.
Tolerância a solos salinos: alta.

Plantas de Alfafa em florecimento
Fertilidade do solo: alta fertilidade e pH acima de 6,0 e 6,5.
Tipo de solo: bem drenados e permeáveis.
Inoculação: A inoculação é essencial quando se faz o primeiro plantio na área, usar o Rhizobium meliloti.
Forma de plantio: sementes.
Modo de plantio: a lanço.
Número de sementes: 500.000/kg.
Sementes necessárias: 20 a 25 kg/ha.
Profundidade de plantio: 2 cm.
Tempo para a utilização: 90 a 120 dias após a germinação.
Tolerância à seca: baixa.
Tolerância ao frio: alta.
Temperatura ótima: 27°C.
Umidade no solo: não tolera solos úmidos.
Tolerância a solos mal drenados: baixa.
Adubação: de acordo com as recomendações técnicas determinadas pela análise de solo.
Dormência das sementes: Inexistente.
Pureza: mínima 95%.
Germinação: mínima 70%.
| Doenças | Agentes (Nome científico) |
| Mancha bacteriana da folha | Xanthomonas alfalfa |
| Mancha comum da folha | Pseudopeziza medicaginis |
| Pintas amarelas das folhas | Leptotrochila medicaginis |
| Stemphylium | Stemphylium botryosum |
| Leptosphaerulina leaf spot | Leptosphaerulina briosianna/trifolii |
| Míldio | Peronospora trifoliorum |
| Caule marron | Phoma medicaginis var. medicaginis |
| Alternaria | Alternaria solani |
| Mancha Bacteriana do caule | Pseudomonas medicaginis or syringae |
| Stagonospora da folha | Stagonospora meliloti |
| Ferrugem | Uromyces striatus |
| Caule preto do verão | Cercospora medicaginis |
| Caule preto da primavera | Phoma medicaginis |
| Fusário | Fusarium oxysporum |
| Verticilio | Verticillium albo-atrum |
| Bacteriose | Clavibacter michiganense subsp. insidiosum |
| Sclerotinia | Sclerotinia trifoliorum |
| Rhizoctonia | Rhizoctonia solani |
| Phytophthora da raiz | Phytophthora megasperma |
| Antracnose | Colletotrichum trifolii |
| Fusariose da raiz | Fusarium spp. |
| Aphanomyces da raiz | Aphanomyces euteiches |
Virose
O principal vírus é alfalfa mosaic alfavírus, causando perdas de 24 a 67%. O principal controle é a eliminação do vetor infestante e o uso de cultivares resistentes.
Pragas
As principais são aphideos (Therioaphis maculata/trifolii, Acyrthosiphon pisum, Acyrthosiphon kondoi, Sitona spp, Melanophus spp., Agromyza frontella, Empoacea fabae, Philaenus spumarius) ; nematóides da raiz (Meloidogyne hapla, Pratylenchus penetrans, Ditylenchus dipsaci, Sitona hispidulus, Otiorhynchus ligustici,Tipula spp.) ; larva (Bruchophagus roddi); mirídeos (Lygus spp.) e cupins.
1 - Composição bromatológica da forragem verde de Alfafa
| Estádios de crescimento | Composição bromatológica % | |||||||
| MS | PB | FB | MM | EE | FDN | Ca | P | |
| Forragem ao primeiro corte | 20,9 | 14,4 | 30,6 | 8,1 | 2,9 | 44,0 | 1,74 | 0,17 |
| Forragem ao segundo corte | 20,9 | 14,8 | 27,3 | 8,6 | 4,3 | 45,0 | 1,53 | 0,25 |
| Forragem à pré-floração | 17,0 | 25,3 | 23,5 | 11,8 | 2,9 | 36,5 | 2,41 | 0,35 |
| Forragem ao princípio da floração | 22,7 | 22,9 | 26,0 | 11,5 | 3,5 | 36,1 | 2,56 | 0,31 |
| Forragem a metade da floração | 29,0 | 19,0 | 30,0 | 10,3 | 3,4 | 37,3 | 1,76 | 0,24 |
2 - Composição bromatológica da farinha, do feno e da silagem da forragem de Alfafa
| Estádios de crescimento e/ou forma | Composição bromatológica % | |||||||
| MS | PB | FB | MM | EE | ENN | Ca | P | |
| Farinha de folhas | 90,1 | 21,7 | 20,1 | 17,0 | 2,4 | 38,8 | 1,44 | 0,20 |
| Farinha integral | 88,1 | 11,5 | 30,4 | 7,7 | 1,0 | 49,4 | 0,51 | 0,34 |
| Feno na pré-floração | 89,6 | 18,7 | 34,4 | 9,8 | 2,6 | 34,5 | 1,26 | 0,18 |
| Feno ao princípio da floração | - | 17,0 | 38,2 | 8,7 | 2,5 | 33,6 | 1,20 | 0,18 |
| Feno à metade da floração | 90,2 | 15,4 | 40,1 | 8,6 | 2,1 | 33,8 | 1,09 | 0,16 |
| Silagem | 24,6 | 20,4 | 20,9 | 12,6 | 8,9 | 37,2 | - | - |
3 - Coeficientes de digestibilidade de alguns componentes da forragem verde, da farinha e do feno de Alfafa
| Estádio de crescimento e/ou forma | Coeficientes de digestibilidade e energia metabolizável | ||||
| PB | FB | EE | ENN | EM | |
| Forragem verde na pré-floração | 89,0 | 45,0 | 50,0 | 76,0 | 2,47 |
| Forragem verde no princípio da floração | 79,0 | 49,0 | 38,0 | 78,0 | 2,36 |
| Forragem verde na metade da floração | 69,0 | 45,0 | 50,0 | 61,0 | 2,01 |
| Farinha de folhas | 79,4 | 59,9 | 0,0 | 77,7 | 2,27 |
| Feno na pré-floração | 75,9 | 50,6 | 29,6 | 71,4 | 2,19 |
| Feno no início da floração | 74,1 | 51,0 | 25,4 | 68,1 | 2,12 |
| Feno na metade da floração | 74,2 | 51,0 | 21,0 | 68,7 | 2,10 |
4 - Composição em aminoácidos da parte aérea da alfafa
| Conteúdo de aminoácidos da parte aérea da alfafa (expresso em % de proteína) | |||||||||||
| Arg | Cis | Gli | Hys | Ils | Leu | Lis | Met | Tre | Tri | Tir | Val |
| 4,5 | 1,1 | 4,5 | 1,8 | 3,9 | 6,6 | 4,3 | 0,9 | 4,0 | 1,5 | 3,3 | 5,1 |
6 – LITERATURA CONSULTADA
BOGDAN, A. V. Tropical pasture and fodder plants – Grasses and legumes. London and New York, 475 p., 1977.
FAO – 2004a http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/Latin.htm
FAO – 2004b http://www.fao.org/ag/AGA/AGAP/FRG/afris/es/Data/31.HTM
VALADARES FILHO, SEBASTIÃO DE CAMPOS. Nutrição, Avaliação de Alimentos e Tabelas de Composição de Alimentos para Bovinos. XXXVII Reunião Anual da SBZ, 37, Viçosa, 2000, Anais... Viçosa: 2000. P.
VILELA, H. Formação e adubação de Pastagens. CPT. Viçosa. 98p. 1998.
ILELA, H. Forragicultura. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 68p. 1977
HERBERT VILELA
Fonte: www.agronomia.com.br