Dois outros filos apresentam tanto espécies unicelulares como multicelulares: o das algas vermelhas ou rodofíceas (Rodophyta) e o das algas verdes ou clorofíceas (Chlorophyta).
Esses dois filos apresentam espécies marinhas e de água doce - e algumas terrestres, que vivem em ambientes úmidos como barrancos e troncos de árvores em florestas.
Algumas clorofíceas associam-se a fungos formando os liquens e outras vivem no interior do organismo de animais de água doce, como a Hydra, sendo chamadas de zooclorelas. Entre as algas vermelhas encontramos a Porphyra, também utilizada na culinária japonesa, onde é chamada de nori.


Exemplos de algas vermelhas e verdes multicelulares: Asparagopsis
(esquerda) e Ulva,
também conhecida como alface do mar, muito comum no Brasil.
Muitos autores consideram ainda a existência de mais dois filos: as algas douradas ou crisofíceas (Chrysophyta) e as carofíceas (Charophyta). Essa classificação, no entanto, é controversa. Em muitos sistemas, inclusive, as algas douradas, que são unicelulares, encontram-se no filo das diatomáceas, enquanto as multicelulares carofíceas são incluídas no filo das algas verdes.
As algas, tanto as unicelulares como as multicelulares, apresentam reprodução assexuada e sexuada. Nas algas unicelulares a reprodução assexuada ocorre por divisão binária, com um indivíduo dando origem a dois outros.
No caso das algas multicelulares, esse tipo de reprodução pode ocorrer por fragmentação do talo, como é comum nas algas filamentosas, ou por zoosporia.
Nesse processo, um indivíduo forma células flageladas, chamadas de zoósporos, que se soltam e, ao se fixarem em algum substrato, originam novos indivíduos.
A reprodução sexuada envolve, como em outros organismos, a fusão de gametas haplóides. Em algas unicelulares, como as Chlamydomonas, cada indivíduo funciona como um gameta e, em certa fase de seu desenvolvimento, dois indivíduos unem-se, formando um zigoto que sofre meiose e forma quatro células-filhas.
Em algas multicelulares filamentosas algumas células transformam-se em gametas masculinos e outras em gametas femininos. Um gameta masculino pode atingir o gameta feminino através de pontes que se estabelecem entre filamentos diferentes. O zigoto que se forma liberta-se do filamento materno e dá origem a novo talo.
Também é comum, em várias espécies de algas multicelulares, a ocorrência de um fenômeno chamado alternância de gerações. Durante o ciclo de vida dessas algas alternam-se gerações de indivíduos haplóides, que produzem gametas, e indivíduos diplóides, que produzem esporos.
Maria Graciete Carramate Lopes
Fonte: educacao.uol.com.br
As algas atuais podem ser classificadas em 2 ou 3 diferentes reinos, com notáveis diferenças entre um autor e outro.
Em 1969, R. H. Whittaker (1924-1980) propôs uma nova classificação dos seres vivos em 5 Reinos (New Concepts of Kingdoms of Organisms); segundo esta proposta, universalmente aceita durante muitos anos, teríamos:
As unicelulares procariontes, cianofíceas ou cianobactérias, são classificadas no reino Monera.
As unicelulares eucariontes e seus descendentes mais imediatos, como são as algas pluricelulares filogeneticamente aparentadas, são classificadas no reino Protista ou Proctotista.
São incluídas no reino Plantae, Vegetalia, ou ainda Metaphyta, as algas pluricelulares, autotróficas e fotossintéticas, com cloroplastos e parede celular composta essencialmente de celulose, um polímero de glicose, com substância de reserva característica que é o amido, outro polímero de glicose; isto inclui as algas pluricelulares, divididas em três grandes grupos: clorofíceas (algas verdes), feofíceas (algas pardas) e rodofíceas (algas vermelhas). Pertencem, entre as plantas, ao grupo das talófitas, plantas que possuem o corpo em forma de talo, sem diferenciação de tecidos, e, por isto, organismos que não possuem raízes, caule, folhas, flores ou sementes.
Hoje, o reino Protista inclui os organismos eucariontes unicelulares, como a maioria das algas e os protozoários, e seus descendentes mais imediatos, como são as algas pluricelulares, que se inclui neste grupo por sua estrutura simples e as claras relações com as formas unicelulares. Mas os protistas estão representados por muitas linhas evolutivas cujos limites são difíceis de definir.
O Reino Protoctista foi proposto em substituição ao Reino Protista, que originalmente continha apenas organismos exclusivamente eucariontes e unicelulares, como uma alternativa didática para receber uma grande quantidade de táxons eucariontes unicelulares e pluricelulares que não se encaixavam na definição de animais, plantas ou fungos. É, portanto, um Reino artificial, isto é merofilético, ou seja seus integrantes não possuem um só ancestral comum. Para estes autores, as algas pluricelulares incluidas no reino Vegetal deveriam ser classificadas como Protoctistas. A polêmica exige a postura de que ela faz ciência e que os Protoctista são tão diferentes entre si que provavelmente serão classificados futuramente em vários Reinos.
As cianofíceas ou cianobactérias são fotossintéticas, podendo viver isoladamente ou em colônias. Quando em colônias, muitas vezes há uma cápsula mucilaginosa que envolve toda a colônia,ocorrendo por vezes também colônias filamentosas, e, no caso do gênero Nostoc formam-se filamentos de células, sendo cada célula um heterocisto (Contêm uma enzima que transforma o N2 em NH3, que depois é incorporado em compostos orgânicos). São autótrofos fotossintetizantes, apresentam clorofila, porém sem cloroplastos e bons assimiladores de do nitrogênio do ar, razão pela qual são consideras pioneiras na instalação das sucessões ecológicas. Reproduzem-se por cissiparidade. São comuns em solo úmido e em rochas, bem como na água, tanto doce quanto salgada.
A despeito de serem tradicionalmente conhecidas como algas azuis, podem revelar-se em coloração vermelha, pardas e até negras.
Outrossim, por sua estrutura, estão muito mais próximas das bactérias do que das verdadeiras algas. Apresentam um rudimento de retículo endoplasmático na periferia do seu citoplasma, e nas membranas desse proto-retículo se localizam os pigmentos de clorofila. Não possuem flagelos, embora algumas espécies se locomovam por meio de movimentos oscilatórios. Os principais exemplos pertencem aos gêneros Oscillatoria, Anabaena e Nostoc.

Nostoc
Protistas com dois tipos de nutrição (mixotróficos). Há uma série de semelhanças entre os euglenófilos e os flagelados, como a película envolvente, sem celulose, e que permite alterações de forma e movimentos amebóides, a presença de flagelos e de um vacúolo contrátil, além do tipo de divisão binária longitudinal.
Por outro lado, a presença de cloroplastos afasta os euglenófitos dos protozoários, aproximando-se das algas. Os euglenófilos são organismos quase sempre unicelulares, a maioria de água doce. O gênero mais comum é a Euglena. Havendo luz e nutrientes inorgânicos, o processo de nutrição utilizado por esses organismos é a fotossíntese.
Eles possuem uma organela fotossensível, o estigma, que orienta o organismo em direção à luz(fototactismo). Na ausência de condições para a fotossíntese, ocorre nutrição heterotrófica. Se o meio não tem alimento , ela passa a fazer fotossíntese , mas se ocorre o contrário ela assume um perfil heterotrófico.
As euglenófitas representam um pequeno grupo de algas unicelulares que habitam, em sua maioria,a água doce. Contém clorofila a e b e armazenam carboidratos sob forma de uma sustância amilácea não usual, o paramido. As células não apresentam parede celular mas uma série de franjas protéicas flexíveis.
Não é conhecido o ciclo sexual.

Euglenófitas
Pirrófitas: são biflagelados unicelulares, muitos marinhos.
Possuem paredes nuas ou com celulose. Algumas poucas formas são heterotróficas, mas apresentam também uma parede espessa de celulose, o que nos permite enquadrá-las nessa divisão. Possuem dois sulcos em forma de cinta, cada qual apresentando um flagelo.
O batimento desses flagelos provoca no organismo um movimento de pião. Vem desse fato o nome do grupo, pois dinoflagelado significa "flagelado que roda".
Euglenófitas
São geralmente, amarelo-pardos ou amarelo-esverdeados. O aumento excessivo da população de alguns dinoflagelados provoca desequilíbrio ecológico conhecido como maré-vermelha, pois a água, nos locais em que há excesso desses dinoflagelados, adquire comumente coloração vermelha ou marrom, e as algas secretam substâncias, como o ácido domóico, que inibem o desenvolvimento de outras espécies (amensalismo).
Alguns pesquisadores relacionam a sétima praga do Egito, narrada em Êxodos, na Bíblia, a uma maré vermelha. O capítulo narra que, entre outras pragas, a água do Nilo se tornou sangue e imprópria para o consumo. De fato, conforme os organismos presentes na água, esta se torna imprópria para o consumo humano e também a outros organismos.
A alga pirrófita Gonyaulax é uma das responsáveis pela ocorrência das marés-vermelhas ou floração das águas, devido a formação de grandes populações. O problema está na elevada toxicidade das substâncias produzidas por estas algas e Diatomáceas como Pseudo-nitzchia multiseries, P. pseudodelicatis e P. australis, que envenenam peixes, moluscos e outros seres aquáticos e, ingeridaspelo homem, acumulam-se no seu organismo, atuando como neurotoxinas.

Molécula do ácido domoico
Molécula do ácido domoico, uma neurotoxina, antagonista do glutamato, que causa, entre outros, a perda da memória recente em pessoas intoxicadas com doses elevadas.
As ficotoxinas que podem chegar ao homem via ingestão de mariscos contaminados são agrupadas em 4 grupos: envenenamento paralisante por consumo de mariscos (PSP - paralytic shellfish poisoning), envenenamento diarréico por consumo de mariscos (DSP - diarrhetic shellfish poisoning), envenenamento amnésico por consumo de mariscos (ASP - amnesic shellfish poisoning) e envenenamento neurotóxico por consumo de mariscos (NSP - neurotoxic shellfish poisoning).
Alguns dinoflagelados têm a característica de serem bioluminescentes (Noctiluca), isto é, conseguem transformar energia química em luz, parecendo minúsculas "gotas de geléia transparente" no mar, sendo responsáveis pela luminosidade observada nas ondas do mar ou na areia da praia, à noite. Segundo alguns autores, o nome do grupo teria origem nesse fato (piro = fogo).

Euglenófitas
Os mais citados representantes desta divisão são as diatomáceas, algas microscópicas que constituem os principais componentes do fitoplâncton marinho e de água doce. Além de servirem de alimente para outros animais aquáticos, elas produzem a maior parte do oxigênio do planeta, através de fotossíntese.
Além da clorofila, possuem caroteno e outros pigmentos que lhes conferem a cor dourada característica (criso = dourado).