
1 Classificação e sistemática das algas
O termo Alga engloba diversos grupos de vegetais fotossintetizantes, pertencentes a reinos distintos, mas tendo em comum o fato de serem desprovidos de raízes, caules, folhas, flores e frutos.
São plantas avasculares, ou seja, não possuem mecanismos específicos de transporte e circulação de fluidos, água, sais minerais, e outros nutrientes, como ocorre com as plantas mais evoluídas .
Não possuem seiva,são organismos com estrutura e organização simples e primitiva.
As algas podem ser divididas didaticamente em dois grandes grupos: Microalgas e Macroalgas.
As microalgas são vegetais unicelulares, algumas delas com algumas características das bactérias, como é o caso das cianofíceas ou algas azuis, as quais têm núcleos celulares indiferenciados e sem membranas (carioteca). A maioria delas tem flagelos móveis, os quais favorecem o deslocamento.
Existem vários grupos taxonômicos de microalgas marinhas, no entanto, as principais são:
As diatomaceas e os dinoflagelados
Estes são os principais componentes do fitoplâncton marinho, ou plâncton vegetal. Estas microalgas se desenvolvem na água do mar apenas na região onde há a penetração de luz (zona fótica) ou seja, basicamente até os 200 metros de profundidade. São responsáveis pela bioluminescência observada ao se caminhar na areia das praias durante a noite.
As marés vermelhas, na verdade são explosões populacionais de certos tipos de algas (dinoflagelados), as quais mudam a coloração da água. Estas algas liberam toxinas perigosas inclusive para o ser humano.
As algas marinhas são o verdadeiro pulmão do mundo, uma vez que produzem mais oxigênio pela fotossíntese do que precisam na respiração, e o excesso é liberado para o ambiente
A floresta Amazônia libera muito menos oxigênio para a atmosfera em termos mundiais, pois a maior parte do gás produzido é consumido na própria floresta.
As microalgas pertencentes ao fitoplâncton marinho são basicamente as algas azuis, algas verdes, euglenofíceas, pirrofíceas, crisofíceas, dinoflagelados e diatomaceas
A classificação destes grupos é bastante problemática devido ao fato de apresentarem características tanto de animais como de vegetais.
As macroalgas marinhas são mais populares por serem maiores e visíveis a olho nu. As várias centenas de espécies existentes nos mares, ocorrem principalmente fixas às rochas, podendo no entanto crescer na areia, cascos de tartarugas, recifes de coral, raízes de mangue, cascos de barcos, pilares de portos, mas sempre em ambientes com a presença de luz e nutrientes.
São muito abundantes na zona entre-marés, onde formam densas faixas nos costões rochosos. Estas algas são representadas pelas algas verdes, pardas e vermelhas, podendo apresentar formas muito variadas (foliáceas, arborescentes, filamentosas, ramificadas, etc).
As laminarias (Kelp beds) são algas verdes gigantes que podem, chegar a várias dezenas de metros de comprimento). Todas estas macroalgas mantém uma fauna bastante diversificada, a qual vive protegida entre seus filamentos. Esta fauna habitante das algas é chamada de Fital.
As algas marinhas têm uma função primordial no ciclo da vida do ambiente marinho. São chamados organismos produtores, pois produzem tecidos vivos a partir da fotossíntese. Fazem parte do primeiro nível da cadeia alimentar e por isso sustentam todos os animais herbívoros. Estes sustentam os carnívoros e assim por diante.
Portanto, as características mais importantes das algas são:
Consomem gás carbônico para fazer fotossíntese
Produzem oxigênio para a respiração de toda a fauna
São utilizadas como alimento pelos animais herbívoros (peixes, caranguejos, moluscos, etc), filtradores (ascídias, esponjas, moluscos, crustáceos), e animais do plâncton (zooplâncton). São um grupo muito diverso, contribuindo significativamente para elevar a biodiversidade marinha.

Fig1 forma de uma macro alga marinha
2 Caracterização biológica e ecológica das algas marinhas
As algas compreendem vários grupos de seres vivosaquáticos eautotróficos, ou seja, que produzem a energia necessária ao seu metabolismo através dafotossíntese. A maior parte das espécies de algas sãounicelulares e, mesmo as mais complexas algumas comtecidos raízes , caulesou folhas.
Embora tenham, durante muito tempo, sido consideradas comop la n t a s, apenas as algas verdes têm uma relaçãoevolutiva com as plantas "superiores"; os restantes grupos de algas representam linhas independentes de desenvolvimento evolutivo, paralelo às que levaram às plantas superiores.
A disciplina dabiologia que estuda as algas é aficologia ou algologia, tradicionalmente uma especialização da botânica.
Relações evolutivas entre os diferentes grupos de algas
"Algas" Procarióticas (do Reino Monera ou Bacteria)
As "algas azuis" oucianofíceas, modernamente classificadasCyanobacteria como uma divisão dentro dodomínio Eubacteria ou "verdadeiras"bactérias (ou reinoMonera) foram dos primeiros seres vivos a aparecerem naTerra, com o mais antigofóssil datado em 3.800 milhões de anos (Pré-Câmbrico) e acredita-se que tenham tido um papel preponderante na formação do oxigênio da atmosfera.
Algas Eucarióticas (algumas do Reino Protista e outras do Reino Plantae)
Todos os restantes grupos de algas são eucarióticos (com uma verdadeira membrana nuclear), e realizam a fotossíntese usando organelas chamadas cloroplastos.
Os cloroplastos contêm DNA e tem uma estrutura semelhante ás cianobactérias - pensa-se que evoluíram a partir de uma alga masi "primitiva" que era endossimbionte.
Há diferentes tipos de cloroplastos, que podem refletir diferentes eventos endosimbióticos.
Existem três grupos de organismos que têm cloroplastos "primários":
As algas verdes e asplantas "superiores"
As algasvermelhas (Rodophyta), e
Glaucophyta
Nestes grupos, o cloroplasto é rodeado por duasmembranas que se pensa terem origem na cianobactéria endossimbionte. Osglaucófitos possuem cloroplastos muito primitivos (denominados "cianelos"), muito semelhantes aos das cianobactérias e mantendo ainda a camada depeptidogl icano entre as duas membranas.
Os cloroplastos das algas vermelhas têm umapigmentação mais próxima das cianobactérias atuais. As algas verdes e as plantas "superiores" têm cloroplastos comclorofilasa eb, esta última encontrada em algumas cianobactérias, mas não na maioria. Estes fatos indicam que provavelmente estes três grupos de plantas têm origem num antepassado comum uma espécie de alga com uma cianobactéria endossimbionte.
Há dois outros grupos de organismos com clorofilab asEuglenophyta e as Chlorarachniophyta mas nestes grupos, os cloroplastos são rodeados, respectivamente, por três e por quatro membranas, que se pensa serem provenientes do próprio ensossimbionte.
Os cloroplastos dos Chlorarachniophyta contêm umnucleomorfo reduzido, que poderia ser um resíduo do núcleo do endossimbionte, o que indica que provavelmente são originários de uma algaeucarionte que já possuíacloroplastos. Há uma teoria segundo a qual os cloroplastos da Euglena tem apenas três membranas por terem sido adquiridos por mizocitose em vez de fagocitose.
Os restantes grupos de algas todos têm cloroplastos com clorofilasa ec que não são conhecidas em nenhumprocarionte, nem nos cloroplastos primários. No entanto, algumas semelhançasgenéticas entre estes grupos e as algas vermelhas sugerem que existem relações evolutivas entre todos.
São os seguintes grupos:
Heterokonta(divisão Heterokontophyta) incluem as algas douradas, diatomáceas e algas castanhas
Haptophyta ou Prymnesiophyta, que tem pigmentos semelhantes aos Heterokonta, mas a estrutura das células é muito diferente, tipicamente com dois flagelos ligeiramente diferentes um do outro e um outro orgânulo chamado "haptonema", que é superficialmente semelhante a um flagelo, mas que difere no arranjo dos microtúbulos e no comportamento(pertencem a este grupo os cocolitoforídeos).
Cryptomonadina (ou Cryptophyta); e
Dinoflagelados
Nos primeiros três destes grupos (também conhecidos pelo nomeChromista), o cloroplasto possui quatro membranas e, no grupo Cryptomonadina mantém onucleomorfo. O cloroplasto do dinoflagelado típico possui apenas três membranas, mas este grupo apresenta considerável variabilidade nos cloroplastos. O grupoApicomplexa, a que pertence oplasmódio damalária, e que é relacionado com os dinoflagelados (de acordo com o projeto Árvore Evolutiva, estes seres encontram-se agrupados nosAlveolata), não possui cloroplastos típicos, mas sim plastídeos.
As "algas verdes" são modernamente agrupadas em duas linhagens dentro do reino P l a n t a e (ou V i r i d a e p l a n t a e):
Um grupo que inclui as classesPrasinophyta (que está ainda em estudo, pensando-se que pode ser parafilética. Chlorophyceae, Trebouxiophyceae (anteriomente considerada a ordem Microthmaniales), e Ulvophyceae.
O outro grupo, o cladeStreptophyta, inclui as ordensChlorokybales,Klebsormidial es, Zygnematales, charales, Coleochaetales e os embriófitos, ou seja, as plantas terrestres. Estas ordens estavam anteriormente colocadas dentro duma classe
Charophyceae, dentro da tradicional divisão Chlorophyta (Algas verdes), mas estudos filogenéticos recentes levaram a adotar a presente classificação.
Formas de organização das algas
A organização de algas também é chamada de talo. A maior parte das algas são seres unicelulares, vivendo livres na água e movendo-se com o auxílio deflagelos ou por movimento amebóide. Algumas espécies não têm movimento próprio e ocorrem no meio ambiente quer na formac o c ó id e (de coccus, o tipo mais simples de bactéria), quer na formac a p s ó id e, cobertas demucilagem. No entanto, mesmo as algas unicelulares se agrupam por vezes em formas coloniais, móveis ou não.
Alguns destes tipos de organização, que podem ocorrer ao longo do ciclo de vida duma espécie, são:
Colônia simples pequenos grupos de células móveis (exemplo: Volvox)
Filamento uma fiada de células unidas, quer pelas paredes celulares, quer por mucilagem; por vezes ramificados
Colônia parenquimatosa grandes grupos de células formando um pseudo-talo, por vezes com diferenciação parcial detecidos
As algas castanhas,vermelhas e alguns grupos de algas verdes apresentam indivíduos com tecidos totalmente diferenciados emórgãos parcialmente equivalentes aos das plantas "superiores". O corpo do indivíduo é chamadot a lo e em muitos casos apresenta ume s t ip e, parecido com umcaule, mas sem tecidosvasculares, um órgão de fixação que se pode assemelhar a umaraiz, e lâminas foliares, parecidas com verdadeirasfolhas.
As formas mais complexas encontram-se na ordemCharales, que aparentemente são os parentes mais próximos das plantas superiores.
2.1 Ecologia das algas
As algas têm um importantíssimo papel nabiosfera basta recordar que foram elas as primeiras produtoras deoxigênio no nosso planeta. No presente, elas são as responsáveis pela maior parte da produção nosecossistemas aquáticos: como produtores primários, elas formam a base da cadeia alimentar desses ecossistemas.
Asmacroalgas marinhas, ou seja, as que têm dimensões maiores que as dofitoplâncton, como as algas verdes,vermelhas ecastanhas, podem, por vezescolonizar grandes porções do substrato, fornecendo refúgio, alimento e mesmo substrato secundário a uma grande variedade de organismos, tornando-se num micro-habitat específico dentro dum ecossistema maior.
Algumas algas são excelentes indicadores de determinados problemas ecológicos. Por exemplo, quando se vê um tapete dealfaces-do-mar ou de algas azuis numa zona, isso é normalmente indicador depoluição por por excesso de efluentesnitrogenados.
Por vezes, as algas planctônicas multiplicam-se demasiado, normalmente em condições de temperatura ótica e denutrientes abundantes, formando o que se chama "flor-da-água". Este fenômeno pode ser uma indicação de poluição, como indicado acima, e pode levar à destruição dabiodiversi dade duma massa de água (lago,estuário), uma vez que as algas que morrem são decompostas, levando à diminuição do oxigênio na água. Mas pode também ser um fenômeno natural, que desaparece quando atemperatura muda e quando os nutrientes são esgotados pelas algas; nesse caso, a populaçãoplanctônica normalmente regressa aos níveis normais.
Um fenômeno semelhante, mas mais grave acontece quando, associadas à poluição, o grande acúmulo de nutrientes provoca um aumento desenfreado das algas Pirrofíceas (Alga Cor-de- Fogo), formando o que se chama maré vermelha. Nesta situação, estes organismos produzem toxinas avermelhadas e podem provocar a morte de uma grande quantidade depeixes e mesmo deaves ou outros animais que deles se alimentam.
2.2 Importância das algas para o homem
Além da importância ecológica das algas, elas apresentam grande participação em atividades industriais e econômicas para o homem. São utilizadas como matéria-prima para a produção de espessantes (a partir das Feofíceas, produz-se aalgina, utilizado na indústria alimentar e de cosméticos);na produção de medicamentos e indústria farmacêutica, para produção de meio- de-cultura de fungos e bactérias (a partir das algas Rodofíceas, obtem-se oAgar); na indústria de tintas e filtros (a partir das Crisofíceas Diatomáceas, que produzem um esqueleto silicoso).
Fonte: pt.scribd.com
Algas Marinhas, Agar Agar
É uma alga amplamente cultivada e coletada na costa do Nordeste do Brasil para extração de ágar.
Sua condição se dá melhor no litoral nordestino devido às características físico-químicas da água do mar, seu principal componente é um polissacarídeo.
As Algas Marinhas contém mais proteínas que a carne animal, e também contém todos os aminoácidos essenciais que formam o colágeno no corpo.
Bem antes do desenvolvimento da agricultura, povos que viviam nas costas marítimas já colhiam uma variedade de vegetais do mar, diversos povos que por séculos têm cultivado algas marinhas para serem usadas como alimento.
Os japoneses que provavelmente consomem mais algas do que qualquer outro.
As algas marinhas são isentas de gorduras, contém baixos níveis de calorias e são ricas em carboidratos, proteínas, vitaminas e especialmente minerais essenciais (mais de 30% por volume).
Comparadas com os laticínios elas provém 10 vezes mais cálcio e ferro por peso e contém outros importantes sais minerais que faltam hoje em dia em nossos vegetais terrestres devido à desmineralização do solo.
A alga contém mais mineral do que qualquer outro tipo de alimento e os minerais requeridos pelos seres humanos incluindo cálcio, sódio, magnésio, potássio, iodo, ferro e zinco que estão presentes em quantidades suficientes.
Entre a ampla variedade de minerais, cálcio, ferro e iodo estão presentes em abundância na maioria das algas e são particularmente importantes em dietas.
Fonte: www.plenaformasaude.com.br