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Algas Marinhas

Algas Marinhas

Cultivo de algas no Brasil

Introdução

A maricultura, diferente da coleta em bancos naturais, envolve o cultivo em ambientes marinhos e é uma importante alternativa para incrementar a produção de algas, por otimizar a produção em espaço concentrado e propiciar a melhoria da qualidade do produto final, além de atuar como nova fonte de renda e fixação de comunidades litorâneas.

As algas marinhas possuem importância tanto do ponto de vista econômico, como ambiental e social para a sociedade humana. A alga pode realizar a manutenção do equilíbrio biológico nos ambientes aquáticos, ocasionando a continuidade da fauna existente, que pode ser utilizada pela humanidade como fonte de alimento e matéria prima.

As macroalgas marinhas vem sendo utilizadas há milênios pelos povos orientais como parte importante de sua dieta alimentar. As plantas aquáticas têm um grande significado na parte social e econômica de vários países da Ásia, podendo responder por 98% da produção mundial deste setor.

O interesse do Brasil, bem como de outros países ocidentais sobre a exploração de algas marinhas começou durante a segunda guerra mundial, quando o Japão, que detinha o monopólio internacional da produção de agar-agar, deixou de exportar esta substância para outros países.

A indústria das algas marinhas prove uma ampla variedade de produtos. O cultivo de plantas marinhas vem se fortalecendo e ganhando um novo impulso com a introdução do sistema de policultivo, envolvendo mariscos e abalones, onde as macroalgas contribuem com um mini-ecossistema que favorece o crescimento desses organismos, que por sua vez produzem metabolitos, tais como: nitrogênio dissolvido, fósforo e dióxido de carbono. Esses compostos são assimilados pelas macroalgas, eliminando desse modo a necessidade de fertilizações artificiais.

Das algas colhidas e cultivadas anualmente ao redor do mundo, 98% vem especificamente dos países asiáticos como China e Japão, que são atualmente os principais produtores, seguido dos Estados Unidos da America e da Noruega. Atualmente estão referidas para o litoral brasileiro um total de 643 táxons infragenéricos de macroalgas, sendo 388 Rhodophyta, 88 Phaeophyta e 167 Chlorophyta.

Cultivo de algas

Para realizar o cultivo de algas em grande escala é necessário primeiramente conhecer a alga que melhor se adapta as condições da região, estabelecendo uma metodologia de cultivo e tornar o produto economicamente compensador. Porém, para determinadas algas é melhor estabelecer um manejo organizado na exploração natural do que cultivá-las, pois caso isto não seja realizado de forma ordenada e conscientizadora, poderá ocorrer prejuízos e danos ambientais nos bancos naturais, como também degradar os substratos de fixação das mesmas.

As algas selecionadas para o cultivo devem apresentar um bom desempenho no crescimento, devendo ser saudáveis e resistentes, ter capacidade de crescer satisfatoriamente, ter alta produção durante a colheita e durante o processamento fornecer grande quantidade de material seco de boa qualidade.

As condições ideais de crescimento da maioria das espécies brasileiras estão entre 22 e 28°C e salinidade variando entre 28 e 36%, embora algumas espécies apresentem valores diferentes, tolerando variações mais amplas.

Os fatores que podem influenciar no desenvolvimento das algas são: profundidade, movimento da água, iluminação, temperatura, salinidade, nutrientes presentes na água e o substrato de fixação.

Cultivo de Algas no Brasil

Os grandes bancos monoespecíficos de macroalgas de valor comercial na nossa costa são relativamente pobres em comparação com as regiões de águas temperadas e frias. Diversos estudos experimentais foram desenvolvidos no litoral brasileiro, particularmente com espécies de agarófitas, Gracilaria spp. e com a carragenófita Hypnea musciformis, mas os resultados obtidos não estimularam o estabelecimento de cultivos comerciais.

O litoral brasileiro é dividido em:

Zona Equatorial, com limites entre o Amapá e a costa oeste do Ceará, se caracteriza por uma flora pobre.

Zona nordeste-oriental, com limites entre a costa oeste do Ceará e norte do Rio de Janeiro, abriga a flora mais diversificada do país.

Zona sudeste, estendendo-se do Cabo Frio (RJ) até a Ilha Bela (SP).

Zona sul, compreendida entre a baía de Santos (SP) e a região de Torres (RS).

Principal área de extração de algas: Zona nordeste-oriental

Entre o Estado do Espírito Santo e a região de Buzios - RJ, uma característica marcante é a presença de vasta área coberta por algas calcárias, com teor em carbonatos superior a 90%, estendendo-se por várias dezenas de metros de profundidade e muitas vezes aflorando nas marés baixas de sizígia(marés de sizígia são as que ocorrem nas luas nova e cheia, quando os efeitos lunares e solares reforçam uns aos outros, produzindo as maiores marés altas e as menores marés baixas) . As algas calcárias parecem ter poder nutricional e fertilizante muito superior ao dos produtos industrializados.

Há presença de bancos de Sargassum e de Laminaria como produtoras de alginatos,no litoral norte fluminense e capixaba.

O Ibama normatizou o cultivo de algas em 23 de julho de 2008 na região que se localiza da cidade de Sepetiba-RJ à Ilha Bela-SP onde esta sendo cultivada a alga marinha Kappaphycus alvarezii . Em Ubatuba cerca de 40 produtores locais já cadastrados poderão se beneficiar do projeto.

Para implantar o cultivo de algas marinhas em Ubatuba, o Instituto de Pesca empreendeu uma pesquisa de 12 anos. A espécie é originária das Filipinas e adaptou-se muito bem ao nosso meio ambiente. A produção da alga traz benefícios financeiros e para o meio-ambiente, pois ela serve de filtro para as impurezas da água, além de transformar o gás carbônico em oxigênio, aumentando a qualidade do ar e da água.

Kappaphycus (Rhodophyta)

Este gênero de alga e fonte de carragenana respondendo atualmente por quase 90% de toda a matéria prima utilizada na extração deste ficocolóide no mundo todo.

Esta alga apresenta as duas fases (esporofítica e gametofítica) do seu ciclo de vida com talos macroscópicos, semelhantes, significando que tanto uma fase como a outra pode ser utilizada na indústria.

Condições para o cultivo:

Salinidade maior que 30 %, boa movimentação de águas, mas sem ondas grandes, água clara, temperatura entre 25 e 30 oC e fundo arenoso.

Sistemas de cultivo:

a) Suportes imóveis – as plantas são amarradas a redes ou cordas que, por sua vez, são fixadas a postes fincados no fundo. A fixação direta sobre o fundo, apesar de simples e barata, tem produtividade mais baixa devido às perdas por dispersão e herbivoria.

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b) Suportes flutuantes – é o mais utilizado no Brasil. As plantas são amarradas a redes ou cordas que, por sua vez, são presas a balsas flutuantes. Estas redes de fio de nylon têm 30 cm de abertura de malha.

Cada rede apresenta 2,5 a 5 metros de extensão e 127 intersecções.Atualmente é comum o uso de cordas como suporte para fixação das algas. Apesar do emprego de balsas, a fixação de estacas cravadas no fundo é a técnica de cultivo mais difundida.

Após a colheita o material é limpo para retirar as impurezas e colocado para secar a céu aberto até seu conteúdo de umidade chegar a 30%.

Na Restinga da Marambaia (RJ) o cultivo da Kappaphycus alvarezii é realizado em balsas flutuantes.

Na praia de Itaguá em Ubatuba(SP) o cultivo da Kappaphycus alvarezii também é realizado em balsas flutuantes.

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Gracilaria (Rhodophyta)

Espécies de Gracilaria têm sido exploradas dos bancos naturais no nordeste há várias décadas manualmente. Hoje existe o cultivo sustentável destas algas através de projetos que evitam a super exploração impedindo assim que o ecossistema seja prejudicado, ajuda também na criação de uma nova renda para a comunidade litorânea.As principais espécies cultivadas e coletadas são: G. cornea e G. caudata.

Projeto Mulheres de Corpo e Alga, que é realizado na praia da Barrinha, em Icapuí-CE. O cultivo de algas é feito em uma tecnologia social desenvolvida em mar aberto, com estruturas simples de serem colocadas no mar, estruturas feitas de cordas, chumbo e âncoras. A Gracilaria é retirada do banco e é levada em seguida para o cultivo amarrada em cordas.

Depois de retiradas do mar, as algas são trazidas para as esteiras, onde são lavadas e secadas que vão para o fogão, cozida ela solta um líquido, a proteína que faz o ágar. Produzindo geléia, mousse, iogurte, que já é servido na merenda escolar e também na produção de sabonete e xampu. O trabalho de beneficiamento das algas ainda é rústico, a produção é pequena, mas a renda extra já está mudando a vida de dezenas de mulheres.

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Pterocladiella (Rhodophyta)

Alguns estudos no sentido de cultivar este gênero no Brasil foram tentados sem muito sucesso. Pesquisadores da USP tentaram cultivá-la, experimentalmente, em sistemas de tanques e no mar; porém, devido ao lento crescimento (5% ao dia) não se obteve resultados animadores. Os melhores resultados foram obtidos em métodos de manejo em bancos naturais onde se retirava as espécies competidoras abrindo, desta forma, espaço para ocupação de Pterocladiella.

Hypnea musciformis (Rhodophyta)

Métodos de cultivo utilizados:

Sistemas de balsas flutuantes onde as algas são dispostas em cima de sacos;

Substratos de nylon presos a cordas ancoradas. Neste caso, os propágulos dispersos na coluna d’água “semeiam” naturalmente o substrato de nylon por se tratar de uma alga epífita.

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Substratos de nylon fixos em estacas enterradas no fundo. Também aqui os propágulos se fixam naturalmente no substrato.

O manejo desta espécie foi conduzido experimentalmente mostrando resultados interessantes. Para tanto, em uma área (Ubatuba – São Paulo) fixa de costão, colhia-se mensalmente toda a biomassa de Hypnea simulando uma atividade comercial e a cada mês, antes da colheita, procedia-se amostragens para avaliar a recuperação do banco ao longo do mês. A análise de 24 meses de estudo revelou que a recuperação da biomassa de um mês para outro foi em média de 87%.

A exploração de Hypnea ocorre nos bancos naturais do nordeste há décadas.

Processadoras de algas

Segundo Carvalho Filho (2004), no país existem apenas duas grandes indústrias processadoras de algas voltadas para a produção de agar-agar e carragena.

Uma delas, o Laboratório Griffith, esta localizada em Mogi das Cruzes (SP), e processa algas secas importadas das Filipinas para a produção de carragenas.

A outra, Agar Gel (antiga Agar Brasileiro), esta localizada em João Pessoa (PB) e processa algas de arribação coletadas por “algueiras” ao longo do litoral do Nordeste para a produção de agar-agar e carragena, e importa também do Chile, para a produção de agar-agar como seu principal foco de produção.

Utilização das algas

Além de seu uso como alimento, as algas têm sido utilizadas como complemento de rações, adubos sólidos ou líquidos e fontes de produtos químicos diversos, dentre os quais se destacam certas mucilagens conhecidas como ficocolóides, substância mucilaginosas extraídas de algas, compostas por polissacarídeos coloidais que, quando em meio aquoso, formam substâncias viscosas, incluindo géis, que podem se solidificar, com o decréscimo da temperatura, são classificadas em três grupos básicos em função de sua estrutura química e propriedades reológicas: os agares (agar-agar) ou agaranas, as carragenanas e os alginatos.

Agares ou agaranas: é um hidrocolóide extraído de diversos gêneros e espécies de alga marinhas vermelhas da divisão Rhodophyta dos gêneros Gelidium, Pterocladia, Gracilaria.

Essas substâncias ocorrem como carbohidrato estrutural na parede das células, por assimilarem grande quantidade de minerais na água do mar.O ágar-ágar é muito empregado em microbiologia para culturas sólidas de bactérias, já que tem a capacidade de mater-se sólida em temperatura ambiente, também em agentes gelíficantes para geléias, em cofeitaria de doces, pomadas, laxantes, entre outras.

Carragenanas: A carragena é um hidrocolóide extraído de algas marinhas vermelhas dos gêneros Gigartina, Hypnea, Eucheuma, Chondrus e Iridaea. É utilizada em diversas aplicações na indústria alimentícia como espessante, gelificante, agente de suspensão e estabilizante, tanto em sistemas aquosos quanto em sistemas lácteos.

A carragena é um ingrediente multifuncional e comporta-se diferentemente em água e em leite. Na água, apresenta-se tipicamente como hidrocolóide com propriedades espessantes e gelificantes. No leite, tem ainda a propriedade de reagir com as proteínas e fornecer funções estabilizantes. É utilizada em diversas aplicações na indústria alimentícia como espessaste, gelificantes, agente de suspensão, tanto em sistemas aquosos quanto em sistema lácteos.

Alginatos: O alginato é uma substância química apurada obtida de algas marinhas pardas, extraído principalmente da espécie Macrocystis pyrifera, mas também encontrada em todas as espécies de sargaços (Classe Phaeophyceae), e é possível fazer uso comercial dos gêneros de Ascophyllum, Emonia, Laminaria e Nereocystis, entre outras.

Estas substâncias correspondem a polímeros orgânicos derivados do ácido algínico. A algina comercial é um sal sódico que conjuntamente com a água forma uma solução viscosa. Sua utilização se dá na indústria têxtil e química, bem como clarificante do açúcar.

Marília Rodrigues Pereira de Noronha

Maiara Ribeiro Cornacini

Michele Roberta Ennes

Fonte: www.zoo.feis.unesp.br

Algas Marinhas

As algas marinhas são uma das jóias do mar, adornando as águas com vida e cor e fornecendo um recurso que pode melhorar a nossa alimentação, tanto do ponto de vista da nutrição como da culinária e gastronomia. As algas podem ser encontradas tanto em águas marinhas (salgadas), como em águas doces, lagos e rios.

É comum encontrarmos algas a crescer em recifes de coral ou em paisagens rochosas, podendo se desenvolver a grandes profundidades, desde que a luz solar consiga penetrar através da água onde residem, uma vez que, como as plantas, precisam de luz para sobreviverem.

Existem milhares de variedades de algas marinhas, sendo classificadas a partir da sua coloração, podendo ser designadas algas verdes, vermelhas ou castanhas.

Cada alga é única na sua forma, sabor e textura. Embora nem todas as algas marinhas existentes sejam consumidas, uma grande parte é já incluída na alimentação humana. Seguem-se alguns dos tipos de algas mais populares:

Nori: de cor negra (roxo escuro) e que se transforma em verde fosforescente quando torrada, esta alga é conhecida por envolver os famosos rolos de sushi.

Kelp: de coloração que varia entre castanho claro a verde escuro, encontra-se muitas vezes disponíveis no mercado em forma de flocos.

Hijiki: semelhante a pequenos arames pastosos de cor negra, tem um sabor muito intenso.

Kombu: de cor muito escura, e geralmente vendida em tiras ou folhas, esta alga é utilizada para tempero de sopas.

Wakame: Semelhante ao Kombu, sendo a sua utilização mais comum na confecção de sopa de miso japonesa.

Arame: esta alga marinha em forma de arame, tem um gosto mais doce e ameno que a grande maioria das algas.

Tabela Nutricional

20 grs / 8.60 Calorias
NUTRIENTES qUANT. DDR (%)

dENSIDADE DO NUTRIENTE

CLASS.
iodo 415.00 mcg 276.7 579.1 excelente
vitamina K 13.20 mcg 16.5 34.5 excelente
folatos 36.00 mcg 9.0 18.8 muito bom
magnÉsio 24.20 mg 6.0 12.7 muito bom
cÁlcio 33.60 mg 3.4 7.0 bom
ferro 0.57 mg 3.2 6.6 bom
triptofanos 0.01 g 3.1 6.5 bom

Benefícios para a Saúde

Anemia e Desnutrição

Arteriosclerose

Curas de Emagrecimento

Prisão de Ventre

Hipotiroidismo (por falta de iodo)

Fonte: www.alimentacaosaudavel.org

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