Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Camões - Página 7  Voltar

Camões

Almeida Garret

CANTO SÉTIMO

Vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valorosos,
Em versos divulgado numerosos...
E julgareis qual é mais excelente
Se ser do mundo rei, se de tal gente.
Lusíadas

I

Eu vi sobre as cumeadas das montanhas
D’Álbion soberba as torres elevadas
Inda feudais memórias recordando
Dos Britões semibárbaros. Errante
Pela terra estrangeira, peregrino
Nas solidões do exílio, fui sentar-me
Na barbacã ruinosa dos castelos
A conversar coas pedras solitárias,
E a perguntar às obras da mão do homem
Pelo homem que as ergueu. A alma enlevada
Nos românticos sonhos, procurava
Áureas ficções realizar dos bardos;
Murmurei os tremendos esconjuros
Do Scaldo sabedor; — falei aos ecos
Das ruínas a língua consagrada
Dos menestréis; — perfiz solenemente


CANTO SÉTIMO


Todo o rito; invoquei firme e sem medo
Os génios misteriosos, as aéreas
Vagas formas da virgem d’alvas roupas
Que, as tranças d’ouro penteando ao vento,
Canta as canções dos tempos que passaram
Ao som da harpa invisível que lhe tangem
Os domados espíritos que a servem,
Como o subtil Ariel, por invencível,
Encantado feitiço...

II

— Ou mal ouvido
Foi o invocar do menestrel estranho,
Ou triste realidade dissipava
Fantasias de vates. Nem seteiras
Me bruxuleavam namoradas cores
De bordado talim, sérica banda
Por mão furtiva de gentil donzela
Deitada em hora escusa ao cavaleiro
Que aventuras correr se vai ao oriente
E a ganhar do infiel a Terra Santa.
Nem, d’além valos, nos corcéis armados
Vi descidas viseiras, peitos d’aço
Onde se espelha vacilante a lua,
Enquanto aguardam que da ameia soe
Corno de anão que abata a erguida ponte.
Não vi quadrigas de vistosas justas
Nas praças d’armas à lançada viva
Disputar-se o colar de ouro maciço
Prémio do vencedor, por mãos bem lindas
Ao peito inda sanguento pendurado.

III

Nada!... Só pelos fossos entupidos
Do desfolhar do outono, e bronco entulho
Dos muros derrocados, — soltas pedras


E imunda terra à vista afiguravam
Insepultos cadáveres, golpeados
Membros, inda cobertos d’aço e ferro,
Dos que em contenda injusta pereceram
Pelo vaidoso orgulho ou vão capricho
Do castelão soberbo. Nas ameias
Se me antolhavam hórridas cabeças
Hirta a grenha, coas carnes laceradas
Do corvo — certo amigo dos tiranos,
Que regalado o trazem. Tristes vítimas!
Mais crime não teriam que a vontade
Do imperioso senhor que a seus vassalos
Vilões de sua terra — seus como ela —
Quis do poder que tem mostrar a alçada.

IV

Ao pé dessas janelas recortadas,
Em que inda o tempo conservou resquícios
Dos já pintados vidros, fresta escassa
Dá luz medonha à escuridão sombria
De fétidas masmorras inda inteiras,
Mais duradoiras que os salões dourados:
Como se a idade, que destruiu palácios,
Memórias de prazeres, luxos, pompas,
Catasse mais respeito a tais vestígios
De atrocidade e crimes, — e escrevesse,
Ao passar, com a fouce enferrujada,
No limiar dessas portas: Escarmento
Às gerações porvir. — Doía-me alma
Na solidão das ruínas; e a lembranças
Mais gratas me fugia o pensamento,
Para os vergéis da pátria esvoaçando.

V

Oh! nobres paços da risonha Sintra
Não sobre a roca erguidos, mas poisados

Na planície tranquila, — que memórias
Não estais recordando saudosas
Dos bons tempos de Lísia! Nem seteiras
Nem torreões nem barbacãs nem fossos.
E que havia mister desse aparato
Dado a tiranos, que inimigos vivem
De inimigos cercados? Que soldados,
Que mercenárias hostes de Janízaros
Precisava um monarca lusitano
Que precedido vai por débeis canas,
Símbolo da brandura e singeleza
De bom pastor de povos? — Santas eras!
Se pudésseis voltar, dias ditosos.

VI

Alto o dia, horas oito: já nos átrios
Girava do palácio a vária turba
Que a audiência do rei, ou do valido,
— Quantos do mais escuro sevandija
Que tais mansões infesta! — ali aguardam
Acovardados uns, esperançosos
Outros se amostram. Pretendente humilde
Tímido se conchega a pobre capa,
Porque não toque as rugedoras sedas
Do cortesão soberbo. Altivo o grande
Com gesto protector ali corteja
O artífice coitado, que nem ousa
Recordar-se das dívidas antigas
De tamanho senhor, tão dado e lhano,
Que tal honra lhe faz. O nédio abade,
Que engordou nas fadigas evangélicas,
Sem olhar, vai passando o triste cura
A quem a escassa côngrua tanto abaixo
Na hierarquia pôs. Que requer este?
Do real padroeiro esmola ténue
Para uma caridosa albergaria
Que em seu pobre passal instituíra.

E o que pretende aquele? — O episcopado,
A que tanto direito lhe conferem
Os trabalhos dum pingue benefício
Desfrutado na corte.

VII

— Nesta cena
Tão variada em actores e interesses,
Dous novos, que no gesto e ad’man bem mostram
Quanto esteiras do paço os desconhecem
Entravam; curioso alvo das vistas
Da turba pretendente: um velho monge,
Um guerreiro de aspecto altivo e nobre,
Mas de vaidade alheio. — «Vem da Índia
A requerer: — não trazem doutra gente
Estas frotas de Goa?» — Abriu-se a porta:
Volvem-se os olhos todos. Qual em Delfos
Devotos peregrinos, quando os quícios
Do misterioso limiar se movem,
E o oráculo — terrível ou propício?
— Vai por obscuros carmes explicar-se.

VIII

É dom Aleixo: no tropel confuso,
Que se apinha d’em torno, alguém procura.
Quem será o invejado aventuroso?
O aio real aos dous desconhecidos
Cordial saúda; e conversando juntos
Poucos momentos, — eis dão os porteiros
O devido sinal, menestréis tangem;
El-rei chega, no trono toma assento.
Breve a audiência foi; não sobra o tempo
Para as santas funções de magistrado
A militares reis: às armas cede
A toga mal prezada. — Audiência é finda.

IX

E el-rei, como inquieto, ao aio antigo:
— «Dom Aleixo, entre tantos pretendentes
O vosso protegido não no vejo.»
— Ei-lo, senhor, o nobre cavaleiro
Que desejais ouvir.»
— «Sim, quero ouvi-lo,
Quero e desejo: não ignoro o preço
Das boas letras, nem dum raro engenho
A estima desvalio: em prol da pátria
Uns obramos coa espada; cumpre a outros
Coa pena honrá-la.»
— «Se honra a minha pena
Real senhor, a minha amada pátria,
Di-lo-ão sabedores e letrados.
Para servi-la... espada e braço tenho
Que por si falarão.»
— «Digna resposta
De português! Honrado sois, amigo.
Por tal vos tenho e quero; e abonos vejo
Em vosso rosto que voltar não usa
Da face do inimigo. — É este (disse,
Falando aos cortesãos) de quantos d’Ásia
Aqui vêm, o primeiro que não fala
Em suas cicatrizes.»
— «Bastas eram,
Senhor, as de Pacheco, e...»
— Eu não ignoro»
Asperamente el-rei o interrompia
«Os feitos de Pacheco.»

X

Olhos pasmados
Os cortesãos cravaram no soldado
Que tão crua verdade se afoitava
A proferir ali; algum já cuida

Que de escuro castelo a torre o aguarda,
Ou que ao menos... Compondo um tanto o vulto,
Tornou el-rei:
— «Iremos, para ouvir-vos,
Da Penha-verde à fresquidão sentar-nos.
Calmoso vai o tempo; e ademais, prazem
Dobrado entre a verdura os dons das musas.»

XI

Seguem todos o rei; a encosta sobem
Do monte; e pelos bosques onde o louro
Inda as glórias de Castro está c’roando
Inda viceja coas memórias dele,
A real companhia vai entrando.

XII

Estavam d’altas árvores à sombra
De aveludada relva em fresco assento.
Atento o jovem rei fitava ansioso
O guerreiro cantor que o nobre aspeito
Tinha como de glória resplendente,
E na divina inspiração aceso.
Qual deveras o imita, qual fingido;
Mas todos se compõe do rei a exemplo.
O vate começou: pausado acento,
Respeitoso não tímido, lhe alonga
Solenemente o cadenciar medido
Do metro numeroso. O heróico assunto
Primeiro expõe do canto: armas e glória
Dos barões lusitanos que fundaram
Do Oriente o império novo; os grandes feitos
Dos reis, dos cidadãos de eterna fama
Que se hão da lei da morte libertado.
Logo as Tágides musas invocando
Porque alto som lhe dêem e sublimado,


Um estilo grandíloquo e corrente:
— Dai-me — com voz mais elevada clama —
Dai-me uma fúria sonorosa e grande,
E não de agreste avena ou ruda frauta,
Mas da tuba canora e belicosa
Que o peito acende, e a cor ao gesto muda,
Um canto igual a meu erguido assunto,
Se tão sublime preço cabe em verso.»

XIII

Depois ao jovem rei, segura esp’rança
Da lusitana, antiga liberdade,
Em versos d’amor pátrio cintilantes,
A ouvir cantar dos feitos portugueses
Convida; pinta-lhe em vivazes cores
A grandeza do povo a que preside,
A lealdade, o valor; e recordando
De seus avós famosos as virtudes,
Digno exemplar de emulação lhe aponta.

XIV

Já da tuba a Calíope travando,
Em tarso stilo, e não de inchada pompa,
Mas — qual fluente e majestoso rio
Por suas ribas magnífico se espraia —
Tal por seu grande assunto o vate imenso.

XV

No largo oceano, em próspera bonança
As atrevidas naus vão navegando.
Dos céus o alto poder sublime e dino
A conselho as menores potestades
Sobre tamanha empresa convocava.



Cuidas ver, lá num trono de diamante
Sentado o pai dos numes; por seus lábios
Fulge o louvor da lusitana gente,
Pasmo e terror do mundo. É seu propósito
De mor glória lhe dar no ignoto Oriente.
De Nisa o vencedor cioso impugna
A sentença do númen. Quem sustenta
A heróica Lísia? E Vénus, Vénus bela,
Afeiçoada a um povo, das romanas
Qualidades herdeiro, e cuja língua
Com pouca corrupção crê que é latina;
Um povo tão zeloso de seu culto,
Tão devoto amador de seus altares!
O fado o decretou, Jove o confirma;
Abram-se as portas do Oriente aos Lusos.

XVI

Já surgindo na treda Moçambique,
Ao fementido mouro pune o Gama
Da pérfida malícia. Eis lá Mombaça
Onde falsos Sinons a engano o levam,
Cru exício lhe estava preparando,
Por artes do que sempre a mocidade
Tem no rosto perpétua, e foi nascido
De duas mães. Tu, Ericina linda,
Que a assinalada gente andas guardando,
Tu, do velho Nereu coas alvas filhas,
Pondo ao duro madeiro o brando peito,
Da cilada os salvaste. — Aqui do vate
O stilo se embrandece, spira o canto
Suavíssimos perfumes de Amatunta;
Rosas de Pafos e jasmins de Gnido
A namorada lira lhe coroam,
Quando a bela Dione à sexta esfera
Segue enlevado. — Está pelos semblantes
Dos que o escutam debuxado o gosto
Que o deleitoso quadro acende n’alma.


O mimo dos pincéis tão delicados,
Não lho deu natureza, que o não tinha;
Deu-lho amor de seus cofres escondidos,
Que nem a Ticiano tão querido,
Tão grão privado jamais abrira.

XVII

Mármores de Praxísteles, esmeros
De Fídias, de Cánova, oh que beldades
Retratais imperfeitas! — Mas que os fados
Vos outorgassem a invejada sorte
Do venturoso Pigmalião obtida,
Quando há-de o apuro do cinzel mais destro
Tais mimos igualar? Aquele gesto
Que as estrelas, o céu e o ar namora.
Aquele afrontamento do caminho
Que a beleza lhe aviva? Como as graças,
Os espíritos vivos que inspiraram
Dos olhos onde faz seu filho o ninho?
Vê-la diante do padre omnipotente
Como na selva do Ida se amostrara
Ao mui feliz troiano!... que, se a vira
Tal o que já por vista menos bela
Vulto humano perdeu, nunca seus galgos
Bárbara lei! — o houveram devorado
Que primeiro desejos o acabaram.

XVIII

Os crespos fios d’ouro desparzidos
Pelo colo que a neve escurecia;
Lácteas tetas que andando lhe tremiam,
Com quem amor brincava e não se via;
As flamas que lhe saem d’alva petrina;
Desejos que como heras enrolados
Pelas lisas colunas lhe trepavam...


Quem tal expressará, quem tais belezas,
Na sílica ou painel em brandos versos,
Pintar já soube? — Não a viu tão bela
Graças pleitar pelo invejado pomo
O real pastor de Príamo. — Escondidos
Por delgado cendal outros encantos...
Escondidos só quanto mais acenda
E redobre o desejo que penetra
O véu dos roxos lírios pouco avaro.

XIX

O omnipotente padre não resiste
Aos feitiços do angélico semblante,
Àquela doce nuvem de tristeza
Com riso misturada: — qual a dama
Em amorosos brincos maltratada
Do incauto amante — que se ri se aqueixa
E se mostra entre alegre e magoada.
Jove não resistiu — quem tal pudera?
Beijo acendido à súplica responde.

XX

Propício o fado aos fortes navegantes
De sorrir-lhes começa. Já Melinde
Amigos braços lh’abre: já do Gama
Os lusitanos feitos recontados,
Terra e costumes são. Pasma o rei bárbaro
De ouvir dos povos da soberba Europa
As remotas regiões, ignotos nomes.
Pinta-lhe, quase cume da cabeça
Da Europa toda, o português império,
Pátria do esforço outrora e liberdade.
Diz o pastor que do ferrado conto
De seu cajado abate águias romanas.
Henrique o mauro jugo espedaçando,




E abrindo com sua espada triunfante
De Lísia o fundamento. Ao filho ilustre
Cabe glória maior: de c’roas cinco
No Ourique derrubadas, nova c’roa
A vitória lhe tece; e as santas Quinas,
Por eterno brasão, dos céus recebe.
De Egas Monis a lealdade e a honra
Aqui também refere. Olha, os filhinhos
Tenros, e a doce esposa vão descalços
A oferecer as inocentes vidas
Pela dada palavra. — Mais se estende
Sob o primeiro Sancho o novo reino
Pelos vencidos, tórridos Algarves.
Vem outro Afonso, o vencedor d’Alcácer.
Do mouro pertinaz exício extremo.
Mas do segundo Sancho a mole inércia,
De privados regida, não tolera
Nação altiva que outro rei não sofre
Que não for mais que todos excelente.
Das impotentes mãos as rédeas toma
O conde bolonhês: à glória volvem
As armas portuguesas. Melhor sorte
Coube a Dinis, pacífico monarca:
Às conquistas da espada deu cultura,
D’artes a ornou e enobreceu coas letras;
E às formosas campinas do Mondego
Fez do Hélicon descer as áureas musas.
Claros lumes da terra, sãos costumes,
Constituições e leis co’ele florescem.

XXI

Mal obediente o valoroso filho,
Domador das soberbas castelhanas,
Do venerando pai impunha o ceptro:
Afonso, que nos campos do Salado
As hastes granadis prostrou tremendas
Com pequeno poder. — Viçosos louros


De tamanho e tão próspera vitória
Caso triste murchou, crueza bárbara
Que à belíssima Ignês deu morte injusta.
O próprio amor, cuja ferino sede
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
Inda às soidosas margens do Mondego,
Junto à fonte que lágrimas formaram,
Verte sobre ele desusado pranto.
As nações do universo, que escutaram
As endechas do vate, as vão cantando;
E do bárbaro Neva ao culto Sena,
Desde o Tamesis frio ao Pado ardente
Os lamentos de Ignês repete a lira.

XXII

Brandas ninfas do plácido Mondego,
Vós que o doce gemer, que os namorados
Ais do prazer ouviste pela selva
Que encobriu tanto amor, tanta ventura
Em tempos de mais dita; que escutaste
Os magoados suspiros da saudade,
Quando ausente daquele por quem vive,
Só, gemedora rola, vai carpindo
A ausência do seu bem, do seu amado,
E aos montes, às ervinhas ensinando
O nome que no peito escrito tinha;
Que depois, memorando a morte escura,
Longo tempo das urnas cristalinas
Só lágrimas formosas derramastes,
E, por memória, em fonte convertidas,
O nome lhe pusestes, que inda dura,
Dos amores de Ignês que ali passaram;
Vós ao vate os segredos recontastes,
Os mistérios d’amor, e o pranto, as queixas
Da malfadada Castro. — A lira anseio-lhe,
A voz carpe-se, os tons gemem tão meigos,
Mas tão cortados de uma dor tão viva,
Que é um partir-se o coração de ouvi-los.

XXIII

Ausente é o sposo: solitária vaga
Pela várzea de flores recamada,
No pensamento alheado revolvendo
Ledos enganos d’alma, suavíssimas
Lembranças do passado, e a mais suave,
Lisonjeira esperança do futuro.
Oh! quando ela outra vez naqueles braços
O tornar a apertar, quando... Armas soam
De cavaleiros, e corcéis nitrindo
Nos átrios do palácio... Escuta... É ele,
O seu Pedro, oh ventura! — «Esposo, esposo!»
Mas pelo ausente esposo o pai responde.
O amante não vem: juiz severo,
Pelos beijos d’amor, lhe traz castigo
Que não merece amor, nem quando é crime.

XXIV

Cos filhinhos, em vão banhada em pranto,
Súplice implora os bárbaros. O ferro
Embebem crus no peito cristalino;
E as vivas rosas, que das faces fogem,
Pela ferida a borbotões se esvaem.
Cos inocentes filhos abraçada,
Não geme, não suspira; a beijos colhe,
Uma a uma, as feições que tanto ao vivo
As do querido amante lhe retratam.
Já pelos lábios derradeira foge
A última vida, o último sopro em ósculos
Todos d’amor, todos ternura. Os olhos
Já da formosa luz se extinguem... Trémula
Inda coa incerta mão procura os filhos,
Inda afagando imagens de seu Pedro,
Entre os amplexos maternais, — «Esposo,
Esposo... esposo!» balbuciando, expira.

voltar 123456789avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal