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Cisnes Brancos

Alphonsus de Guimarães

V

Cisnes brancos, cisnes brancos,

Porque viestes, se era tão tarde?

O sol não beija mais os flancos

Da montanha onde morre a tarde.

O cisnes brancos, dolorida

Minh’alma sente dores novas.

Cheguei à terra prometida:

É um deserto cheio de covas.

Voai para outras risonhas plagas,

Cisnes brancos! Sede felizes...

Deixai-me só com as minhas chagas,

E só com as minhas cicatrizes.

Venham as aves agoireiras,

De risada que esfria os ossos...

Minh’alma, cheia de caveiras,

Está branca de padre-nossos.

Queimando a carne como brasas,

Venham as tentações daninhas,

Que eu lhes porei, bem sob as asas,

A alma cheia de ladainhas.

O cisnes brancos, cisnes brancos,

Doce afago de alva plumagem!

Minh’alma morre aos solavancos

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br