Uma amigdalite é uma infecção das amígdalas que pode ser provocada por microrganismos de origem viral ou bacteriana.
As amígdalas são constituídas por um tecido semelhante aos gânglios linfáticos, cuja função é auxiliar o organismo a fabricar anticorpos para se defender contra bactérias e vírus.
A amigdalite ocorre principalmente na infância, mais frequentemente em crianças até aos 9 anos. Durante essa fase de vida a maioria das crianças têm pelo menos um episódio de amigdalite. Embora menos frequente é também uma afecção comum nos adolescentes e adultos jovens.
A cavidade orofaríngea na qual se incluem as amígdalas não é estéril. Ela é colonizada por muitos microrganismos, nomeadamente bactérias que fazem parte do ambiente (flora) normal da orofaringe. Por exemplo, a fadiga, as mudanças bruscas de temperatura ou o uso inapropriado de antibióticos pode levar à proliferação de qualquer um dos microrganismos existentes na orofaringe, ou a invasão de vírus e bactérias do meio exterior, pode levar a um desiquilibrio da flora local e desencadear uma infecção.
A maioria dos casos de amigdalite são provocados por vírus, sendo os restantes de origem bacteriana, nomeadamente o - estreptococos beta-hemolítico do grupo A –que é responsável por cerca de 15% dos casos. Outras doenças podem manifestar-se com uma infecção das amígdalas, nomeadamente a mononucleose infecciosa, uma doença infecciosa causada pelo vírus Epstein Barr, que habitualmente se manifesta por uma amigdalite.
A amigdalite aguda manifesta-se por garganta inflamada (avermelhada e inchada) associada quase sempre a dor de garganta, nomeadamente ao engolir (por vezes mesmo com a saliva). O doente pode queixar-se de dor de ouvido (dor reflectida da orofaringe), mau hálito e febre. Se a amigdalite for de causa viral, pode ocorrer corrimento pelo nariz, tosse e espirros; e as amígdalas apresentam-se hipertrofiadas e avermelhadas.
As amigdalites bacterianas são caracterizadas pelo início súbito de dor de garganta (por vezes intensa), gânglios na parte anterior do pescoço aumentados e dolorosos, dor de cabeça e febre (acima de 38ºC). Nas crianças as amigdalites de causa bacteriana podem manifestar-se por dor abdominal, náuseas e vómitos. A origem bacteriana, é sugestiva quando se observa amígdalas hipertrofiadas, de cor avermelhada viva, que podem estar cobertas por uma secreção amarelada ou branca-acinzentada (exsudado purulento).
Muitas vezes apenas as características dos sintomas e sua evolução, permite ao médico diagnosticar qual é a origem da infecção – se viral ou bacteriana. Quando existem dúvidas, é necessário realizar um exame para definir qual é o agente responsável pela infecção, nomeadamente procurar identificar o estreptococos beta-hemolítico do grupo A (EBHA), bactéria responsável pelo desenvolvimento da febre reumática.
Na infecção aguda pode utilizar-se dois métodos práticos para identificar o EBHA na orofaringe – o exame cultural (recolhe-se através de um zaragatoa uma amostra do agente infeccioso directamente das amígdalas e coloca-se num meio de cultura próprio para ele crescer) ou através de um teste rápido para detecção do antigénio do estreptococo, vulgarmente conhecido pelo Phadirect, que confirma ou não o (EBHA) no exsudado da orofaringe em 5 a 10 minutos.
O título da anti-estreptolisina O sérica, mais conhecida por TASO, parece ser a melhor forma de diagnosticar a infecção aguda, através do aumento de quatro vezes do doseamento do TASO (em determinações sucessivas), no entanto, não é utilizado por não ser um procedimento diagnóstico prático, devido à duração curta das amigdalites agudas.
O abcesso periamigdalino e a febre reumática são as complicações mais frequentes das amigdalites. Outras complicações menos frequentes são a glomerulonefrite aguda e os abcessos intra-amigdalino, parafaríngeo e retrofaríngeo.
O abcesso periamigdalino é um colecção de pús localizado por detrás das amígdalas que empurra uma das amígdalas na direcção da úvula (vulgarmente chamada “campainha”). Esta situação é habitualmente muito dolorosa e está muitas vezes associada a dificuldade em abrir a boca. Se um abcesso periamigdalino, não for devidamente tratado, a infecção pode disseminar-se a outras estruturas do pescoço, fazendo perigar a vida do doente, nomeadamente por obstrução das vias aéreas. O tratamento deve ser a drenagem do abcesso com uma seringa e uma agulha de aspiração.
Qualquer que seja a causa da infecção o tratamento deve ser sintomático, isto é, o objectivo é a redução dos sintomas, que deve ser iniciado de imediato.
Repouso
A hidratação
Gargarejos com água salgada morna
Antipiréticos e anagésicos, se necessário
Os antibióticos estão indicados quando a infecção for de origem bacteriana, nomeadamente o estreptococos beta-hemolítico do grupo A, com os seguintes objectivos: prevenir as complicações – febre reumática, glomerulonefrite aguda e abcessos e melhorar os sintomas. Uma vez iniciado o tratamento antibiótico é importante cumprir a posologia como foi prescrita pelo médico. Os antibióticos não são eficazes para as amigdalites de origem viral.
A remoção cirúrgica das amígdalas ou amigdalectomia está indicada em doentes com infecções repetidas, principalmente se interferirem com a vida quotidiana da pessoa. Considera-se infecção repetida em crianças quando têm 6-7 episódios num ano, ou 4-5 amigdalites em cada ano de dois seguidos ou três em cada ano de três sucessivos.
Nos adultos, a gravidade e a frequência associada a infecções repetidas são factores considerados mais relevantes que o número absoluto de episódios. A excisão cirúrgica também está indicada quando há uma tal hipertrofia das amígdalas (associada também aos adenoides) que leva a problemas graves do sono, nomeadamente o ressonar, apneia do sono, obstrução nasal; otites ou sinusites de repetição.
Fonte: www.medicoassistente.com
Apesar de as infecções não respeitarem o calendário, na maior parte do ano, não nos preocupamos com os problemas de garganta, principalmente com as amigdalites. Delas só lembramos quando começam a incomodar, sobretudo, nos meses mais frios. De acordo com o otorrinolaringologista Marcos Mocelin, as amígdalas são órgãos sensíveis, muito susceptíveis a infecções. ?A doença se manifesta, invariavelmente, por meio de febre, dor de garganta, dificuldade de deglutição e mal-estar em geral?, observa, salientando que, no inverno, o organismo está mais exposto às agressões do meio ambiente e as condições de desenvolvimento dos vírus são mais favoráveis, logo as probabilidades de contrair a doença são potencializadas.
Muitas vezes, as pessoas associam a amigdalite (inflamação das amígdalas) a uma doença predominantemente infantil, no entanto, as infecções também podem afetar adultos. A orientação do especialista é para que sejam evitadas grandes variações de temperatura e ambientes fechados. Além disso, é importante manter a criança sempre bem hidratada e alimentada. ?Crianças que freqüentam creches estão sujeitas com mais assiduidade às infecções, por isso merecem uma atenção especial?, argumenta Mocelin.
A causa das amigdalites pode ser tanto viral quanto bacteriana. As bacterianas são as que adquirem proporções mais graves e necessitam tratamento mais cuidadoso, com o uso de medicamentos antibióticos. São diagnosticadas com facilidade por apresentar pontos brancos ou pus, como são chamados popularmente. Para os casos de amigdalites virais, os antibióticos não fazem efeito. Os médicos recomendam apenas o uso de analgésicos e antipiréticos para alívio dos sintomas
Marcos Mocelin adverte, no entanto, que a amigdalite, quando não tratada, pode ocasionar algumas outras complicações, como febre reumática e problemas de audição. De acordo com o médico, nos casos mais graves e sob indicações precisas pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para extrair as amígdalas. Nas crianças, conforme o especialista, a cirurgia é mais indicada quando elas apresentam apnéia do sono ou respiração bucal ? distúrbio que traz importantes conseqüências, entre elas deformações na arcada dentária e problemas respiratórios.
A extração das amígdalas também é indicada para crianças que sofrem de repetidas infecções?, confirma Mocelin, salientando, no entanto, que é preciso evitar a generalização de tais procedimentos cirúrgicos. O otorrinolaringologista só recomenda a cirurgia nos casos em que o número de infecções ultrapassa a cinco ocorrências no ano, ?desde que comprovada a inflamação bacteriana?. Em todos os casos, os médicos são unânimes em reprovar a automedicação, situação que pode trazer um aumento na resistência das bactérias aos antibióticos, deixando a doença mais difícil de ser tratada.
Os sintomas da doença podem variar bastante dependendo da causa da infecção, ocorrendo súbita ou progressivamente. Entre os mais comuns estão:
Dor de garganta.
Diminuição do apetite.
Náuseas e vômitos.
Dor de cabeça e pescoço.
Vermelhidão na garganta.
Presença de pus.
Febre.
Mal-estar geral.
As razões variam de caso a caso. Dentre as de maior incidência, de acordo com especialistas, estão:
Apnéia do sono.
Tumores na garganta.
Problemas de deglutição.
Obstrução nasal.
Respiração oral.
Algumas razões devem ser avaliadas caso a caso, como as amigdalites ou otites de repetição, ronco freqüente, perda auditiva, mau hálito e sinusites crônicas.
Fonte: www.parana-online.com.br