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Amigdalites

Amígdalas

De cada lado da garganta, ao fundo, podem ser observadas duas saliências carnudas que são as amígdalas. Fazem parte de uma cadeia de tecido linfóide que tem como função fazer uma defesa contra a infecção, sobretudo em zonas especialmente expostas como é o caso da garganta. No caso de haver uma infecção ficam inflamadas, mais vermelhas, aumentado de volume, e muitas vezes cobertas total ou parcialmente por membranas esbranquiçadas ou amareladas. É o que se chama uma amigdalite.

Sintomas

A amigdalite aparece geralmente como parte de uma infecção generalizada da faringe (garganta), e os sintomas mais comuns são dores de garganta, dificuldade na deglutição, febre, perda de apetite e arrepios. Os gânglios do pescoço podem aparecer inflamados e sensíveis. Nas crianças mais pequenas pode não haver queixas a nível de garganta e os sintomas serem apenas perda de apetite, febre ligeira e diminuição da actividade normal.

Causas da amigdalite

Pode ser devida a uma infecção por vírus ou por bactérias, sendo os sintomas geralmente semelhantes. A importância em saber a origem da infecção está no tratamento a ser adoptado: enquanto nas amigdalites por bactérias (normalmente da família dos estreptococos) se deve fazer um tratamento com antibióticos, nas virusais não se devem utilizar aqueles medicamentos.

O método mais seguro para distinguir o tipo de infecção é através de uma análise (cultura) das secreções purulentas da amigdalite, colhidas por uma simples zaragatoa e enviadas a um laboratório. Infelizmente essa prática ainda não pode ser seguida na maioria dos casos no nosso país, e assim o tratamento instituído é feito segundo critérios clínicos, intuição do médico e, muitas vezes, compreensível mas erradamente, por pressão dos doentes ou seus familiares.

O objectivo principal da cultura é averiguar da existência de estreptococos do grupo A, que aparecem em cerca de 30% das situações e que podem levar a complicações graves no caso de não serem tratadas ou serem tratadas incompletamente. Falaremos dessas complicações mais adiante. Nos outros 70% de casos, a infecção é causada por vírus ou, raramente, por outras bactérias. Os vírus mais frequentes são o adenovírus, influenza (gripe), Epstein-Barr, parainfluenza, herpes simplex e enterovirus.

Duração

O período de incubação, tempo que decorre entre o contágio e o aparecimento da doença, é em média de 7 dias nas amigdalites bacterianas por estreptococos. Nos casos de amigdalites virusais esse período é muito variável, dependendo do tipo de vírus, e pode ir de 18 horas (no influenza) até 8 semanas (Epstein-Barr). No caso dos vírus a doença pode demorar 2 a 5 dias, dependendo do tipo, estando a maioria das pessoas totalmente recuperadas ao fim de uma semana a 10 dias. Se a infecção for devida ao estreptococos a febre passa ao fim de 3 a 5 dias. A cura pode ir até aos 10 a 12 dias (com antibiótico), mas o regresso das amígdalas e gânglios ao seu aspecto e tamanho normais pode demorar semanas.

Contágio

O risco de contágio é elevado e geralmente faz-se por contacto com os fluidos nasais ou da garganta de uma pessoa infectada. Assim , tanto a tosse como os espirros podem veicular partículas de secreções infectadas que são directamente inaladas por quem estiver no seu trajecto.

Também os copos, talheres, e outros objectos que contactarem com as mucosas orais ou nasais dos doentes podem conter bactérias ou vírus. Se é difícil evitar o contágio através do espirro ou tosse, já será mais fácil minimizar os riscos lavando a louça e talheres do doente à parte, lavando as mãos com frequência e mesmo isolando o mais possível o doente em relação principalmente às crianças ou idosos que possam habitar a mesma casa.

Tratamento

Aliviar os sintomas

Uma parte importante do tratamento consiste no alívio dos sintomas que acompanham a doença. Assim, a febre e as dores podem ser controladas com antipiréticos/analgésicos como por exemplo os medicamentos à base de paracetamol, ou de ibuprofeno, que se podem inclusivamente dar e forma alternada.

Com excepção do caso do paracetamol que pode ser dado de 6 em 6 horas, ou eventualmente menos se assim for determinado pelo médico, não é conveniente repetir o mesmo medicamento antes de passadas 8 horas da toma anterior. Por isso, no o caso de ser necessário baixar a febre em períodos inferiores a 8 horas, pode ser útil a alternância da medicação. De qualquer modo, importa salientar que abaixo dos 38º de temperatura não há razão para fazer baixar a febre. As dores de garganta, especialmente nas crianças, colocam problemas com a alimentação devido à dificuldade em engolir.

O melhor será adoptar uma dieta à base de sopas nutritivas, iogurtes, sumos, ou batidos. É muito importante fazer uma boa hidratação pelo que se devem ingerir bastantes líquidos. Também se deve ter cuidado em evitar que o ambiente seja muito seco, o que é frequente acontecer com a utilização de aquecedores ou ar condicionado.

Nesses casos pode-se fazer a humidificação do ar mediante a produção de vapor fervendo um recipiente com água (com as devidas precauções em relação acidentes) ou usando mesmo humidificadores próprios.

No caso de se tratarem de amigdalites causadas por vírus, a maioria como vimos, apenas são necessários estes cuidados a não ser que ao fim de 2 a 5 dias não haja melhorias. Nesse caso deve ser novamente contactado o médico.

Antibióticos

Infelizmente é muito comum, sobretudo quando os doentes são crianças, haver uma pressão muito grande por parte dos pais para serem receitados antibióticos logo que se manifestam os primeiros sintomas, ou se estes persistem por mais que 1 ou 2 dias. O mesmo se passa também frequentemente com muitos adultos. É uma atitude totalmente errada no caso de se estar na presença de uma amigdalite virusal não complicada (a maioria) e que pode ser bastante prejudicial tanto na evolução da doença (os vírus não são afectados e, pelo contrário, beneficiam muitas vezes com os antibióticos), como no restabelecimento das defesas naturais do organismo. É aliás vulgar haver doentes que ao fim de 2 dias ou 3 resolvem tomar antibióticos por sua iniciativa e pensar que o desaparecimento dos sintomas decorridas mais 24 ou 48 horas se deveu a isso. O facto é que a infecção virusal passaria à mesma ao fim desse tempo sem qualquer antibiótico. A única diferença é que com esse "tratamento" se criou uma eventual resistência ao antibiótico e se diminuíram as defesas naturais (para além de se ter gasto mais dinheiro...).

No entanto, em pouco mais de 30% das amigdalites pode estar em causa uma infecção por estreptococos ou outro tipo de bactérias. Nesse caso, é importante fazer o tratamento com antibióticos. O método mais seguro para saber se a infecção é ou não bacteriana é através de uma análise (cultura) das secreções purulentas da amigdalite, colhidas por uma simples zaragatoa e enviadas a um laboratório. Também existem testes rápidos que podem ser utilizados durante a consulta uma vez que demoram 10 a 30 minutos. No nosso país este tipo de procedimento ainda está longe de ser generalizado, pelo que geralmente o médico se orienta por critérios clínicos ou intuição.

O tratamento de primeira linha é a penicilina, mas que em Portugal apenas existe na sua forma injectável, pelo que se deverá recorrer à amoxicilina.

Complicações

No caso de não se fazer o tratamento adequado de uma amigdalite bacteriana com o antibiótico adequado e durante o tempo indicado, corre-se o risco de se evoluir para uma febre reumática com posteriores eventuais complicações articulares (inflamação e dores crónicas), cardíacas (insuficiência valvular), cerebrais ou de pele.

Operar ou não operar

Existem vários critérios e mesmo "escolas" no que respeita a fazer ou não a extracção das amígdalas (amigdalectomia). Se é verdade que muitas crianças com amigdalites de repetição beneficiam largamente com essa operação, também se deve considerar que é importante preservar a integridade anatómica da orofaringe tanto quanto o possível.

Como regra geral, pode haver vantagens em operar nos casos em que hajam sete ou mais episódios por ano ou cinco ou mais em dois anos seguidos.

Mas é sempre uma situação a estudar caso a caso.

Fonte: www.arsc.online.pt

Amigdalites

Informações Gerais

A amigdalite é a inflamação das amígdalas, ou seja, das estruturas localizadas na parte posterior da garganta, que têm a função de proteger o corpo, produzindo anticorpos e impedindo que infecções na cavidade oral e nas regiões vizinhas se alastrem por todo o organismo.

Justamente por funcionarem como uma barreira, essas estruturas são muito suscetíveis a processos infecciosos. Quando isso ocorre, as amígdalas se inflamam, ficam inchadas, doloridas e dificultam a passagem dos alimentos para o aparelho digestivo.

Estima-se que ocorram 10 milhões de casos de amigdalite a cada ano no Brasil. Apesar de ser um problema corriqueiro na infância, a amigdalite não pode prescindir de um bom diagnóstico e de um tratamento adequado. Isso porque uma infecção bacteriana inadequadamente tratada pode evoluir para febre reumática, com conseqüentes complicações cardíacas no futuro, ou mesmo ser precursora de uma doença renal, a nefrite.

Causas e Sintomas

A inflamação cursa com febre, calafrios, dor de garganta, falta de apetite, mau-hálito, dificuldade para engolir e, às vezes, inchaço dos gânglios do pescoço e da mandíbula, muitas vezes de modo bem semelhante a uma virose, como a mononucleose. Nos quadros causados por bactérias, costuma haver acúmulo de pus nas amígdalas. Nos bebês, além da febre, o único sinal evidente muitas vezes é a recusa à alimentação.

As amigdalites são causadas principalmente por vírus e bactérias, mas podem ocorrer processos mistos e, às vezes, associações com fungos. Os vírus estão implicados com cerca de 50% a 70% das inflamações, especialmente os que causam também gripes e resfriados, como o adenovírus.

Entre as bactérias, os principais agentes envolvidos são os estafilococos e o estreptococo, que também provoca escarlatina e está associado à evolução da doença para febre reumática. Esses microrganismos costumam ser transmitidos de uma pessoa para outra, através da tosse, espirro e contaminação das mãos e objetos por secreções respiratórias.

Alguns fatores como mudanças bruscas de temperatura, convivência com fumantes, exposição continuada ao ar condicionado e, sobretudo, situações de queda na imunidade podem predispor o indivíduo à desenvolver uma amigdalite. O refluxo gastroesofágico, igualmente, é uma causa importante de amigdalites de repetição. O retorno do conteúdo ácido do estomago para o esôfago atinge a laringe, altera suas características e as bactérias naturalmente presentes na região se aproveitam da situação para proliferar.

Exames e Diagnósticos

O diagnóstico é clínico e depende basicamente da história do paciente e do exame da garganta. Em geral, a infecção viral atinge mais a orofaringe e a faringe, com comprometimento maior dos gânglios. Já a bacteriana se caracteriza pelo aumento acentuado das amígdalas, freqüentemente com a presença de placas de pus.

Na dúvida, alguns exames podem ser necessários, como o teste rápido para a pesquisa do estreptococo na secreção da garganta e mesmo a cultura, na qual o material biológico colhido é posto em meios próprios para o desenvolvimento de bactérias

Tratamento e Prevenções

As amigdalites virais são tratadas apenas com analgésicos e antiinflamatórios, mas as bacterianas não prescindem de antibióticos, em geral derivados da penicilina, como a penicilina benzatina e a amoxicilina. Qualquer que seja a opção de antimicrobiano, a administração do medicamento não pode ser interrompida com a melhora dos sintomas, pois existe o risco de a bactéria permanecer no organismo e dar origem a complicações importantes, como a febre reumática.

Durante episódio de amigdalite, a alimentação deve ser baseada em alimentos mornos, líquidos e macios para facilitar a deglutição. A ausência de resposta ao tratamento de uma amigdalite com características virais indica um possível envolvimento bacteriano. Por isso, muitas vezes os médicos começam a terapêutica com um antiinflamatório e, na persistência da febre de um a dois dias depois, prescrevem um antibiótico. A remoção cirúrgica das amígdalas, utilizada de forma indiscriminada há algumas décadas, está indicada apenas quando a pessoa apresenta amigdalites bacterianas complicadas ou que se repetem várias vezes em um mesmo ano.

Pode ser realmente difícil evitar a aquisição de microrganismos causadores de infecções das vias respiratórias, especialmente nas crianças em idade escolar, mas alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de adquirir amigdalites, como observar bem os hábitos de higiene, lavando sempre muito bem as mãos e o rosto ao chegar em casa e antes das refeições, além de evitar ambientes com ar condicionado, ficar longe do cigarro e ingerir muito líquido para manter as mucosas da boca, do nariz e da garganta sempre bem hidratadas – quanto mais secas e irritadas, mais predispostas à ação dos microrganismos.

Na presença de amigdalites de repetição, é importante afastar a hipótese de refluxo gastroesofágico com um especialista. Por fim, em qualquer situação, é fundamental evitar a automedicação com antiinflamatórios e antibióticos, que, se incorretamente usados, podem dificultar o tratamento e agravar o quadro. A combinação de dor de garganta com febre sempre pede consulta médica, em qualquer idade.

Fonte: www.fleury.com.br

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