Em 1956, foram lançadas no Japão infusões de aminoácidos para fornecer nutrientes para pacientes no período pré e pós-operatório. Esta foi a primeira aplicação de aminoácidos puros no campo da medicina no mundo.
Após uma série de aperfeiçoamentos em diversos países, foram desenvolvidas infusões de alta-caloria (hiperalimentação) que continham além dos aminoácidos, carboidratos e eletrólitos como sódio e potássio. Foi comprovado que as infusões eram responsáveis pelo sucesso cirúrgico, além de permitir um melhor controle nutricional. Agora elas estão sendo amplamente utilizadas como produtos médicos indispensáveis em cirurgia, clínica médica, pediatria e outras especialidades sob a forma de nutrição parenteral (intravenosa).
Existem vários estudos sobre a função fisiológica de cada aminoácido, e há grandes esperanças de que sejam desenvolvidos produtos médicos beneficiados por suas funções fisiológicas.
A tecnologia para produção de aminoácidos, incluindo o método de fermentação, possibilitou a fabricação de aminoácidos de alta qualidade em grandes quantidades. Este desenvolvimento tecnológico contribuiu significativamente na difusão das infusões de aminoácidos no mundo.
Os níveis de aminoácidos do sangue de pacientes que apresentam disfunções hepáticas têm como característica a concentração mais baixa de aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina) e mais alta de aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina e triptofano), quando comparados com pessoas saudáveis.
Este desequilíbrio nos aminoácidos é causa freqüente da encefalopatia hepática, levando o paciente ao estado de coma em alguns casos mais graves. Para suplementação dos aminoácidos necessários e prevenção da encefalopatia hepática, foram desenvolvidas preparações de aminoácidos de cadeia ramificada, com uma composição de aminoácidos bem equilibrada. Estas preparações têm surtido resultados excelentes no tratamento da insuficiência hepática.
As proteínas alimentares ingeridas são metabolizadas em aminoácidos, que no final são metabolizados em uréia, um produto inaproveitável. A disfunção renal crônica é uma doença em que a uréia não é totalmente eliminada. Portadores desta doença estão sujeitos ao tratamento de diálise e dietas com restrição de proteínas.
No entanto, a continuidade de uma dieta com pouca proteína reduz os níveis de aminoácidos no sangue e prejudica a condição nutricional do paciente. As preparações de aminoácidos possibilitam manter a condição nutricional e ao mesmo tempo prevenir a redução da função renal através da suplementação dos aminoácidos necessários, principalmente os aminoácidos essenciais importantes para manutenção das funções do organismo nas quantidades necessárias.
Existem na atualidade, dietas e suplementos de aminoácidos para uso tanto oral como injetável, obedecendo a estas características.
Embora a dieta elementar e as infusões de aminoácidos sejam misturas de vários tipos de aminoácidos, foi descoberto que alguns aminoácidos, isoladamente, também produzem diversos efeitos terapêuticos. O ácido glutâmico é utilizado como uma droga anti-úlcera, e sua função de reparação da mucosa gastrointestinal também ganhou atenção recentemente.
A arginina exerce um efeito imuno-estimulador não somente em pessoas saudáveis, mas também em pacientes no pós-operatório com função imunológica reduzida, pacientes em tratamento intensivo e pacientes infectados com vírus HIV.
Um estudo mostrou que da lista das 500 drogas mais vendidas no mundo, 90 (18%) utilizam aminoácidos como intermediários farmacêuticos. Dentre eles estão, por exemplo, a amoxicilina (antibíotico), captopril, enalapril, lisinopril (drogas hipotensivas), norvir, amprenavir (drogas anti-HIV), e acyclovir (droga antiviral). Um outro exemplo é <nateglinida>, um antidiabético oral desenvolvido pela Ajinomoto Pharma, do Japão. Estas drogas utilizam aminoácidos como a prolina, valina e fenilalanina, e aminoácidos sintéticos como D-fenilglicina e D-fenilalanina também desempenham papéis importantes.
Ajinomoto possui a maior participação no mercado mundial de aminoácidos para uso medicinal.
O glúten da farinha de trigo ou a proteína da soja são hidrolisados para produzir uma solução que contém todos os aminoácidos constituintes da proteína. Primeiro a Ajinomoto extraiu deles somente o glutamato, mas subseqüentemente verificou que cada um dos aminoácidos restantes, quando isolados na forma cristalina, poderia ser utilizado devido às suas características únicas nos tratamentos médicos.
Com o desenvolvimento progressivo da tecnologia de purificação e separação dos aminoácidos, 18 tipos de aminoácidos foram isolados com sucesso durante o início dos anos 50, e distribuídos para pesquisadores do mundo inteiro.
Isto deu um novo ímpeto aos estudos de aplicação dos aminoácidos. No mundo, o consumo anual de aminoácidos para uso medicinal atinge 15.000 toneladas.
Fonte: www.ajinomoto.com.br