Peça de ferro forjado, geralmente resistente e pesada, com duas ou mais unhas numa das extremidades e, na outra, uma argola a que está presa uma corrente, e que se deixa cair para o fundo do mar ou do rio para manter o navio imóvel e seguro; peça de escape de um relógio. Em sentido figurado pode significar protecção; abrigo; recurso.
Uma âncora é um instrumento náutico pesado, geralmente de metal que permite fazer presa em fundos rochosos, lodosos ou arenosos, fixando temporariamente os navios na posição desejada.
Uma âncora moderna é geralmente formada por uma haste terminada pela cruz, à qual se ligam os braços com patas pontiagudas e espalmadas terminadas em orelhas para penetração no fundo ou fixação sob uma rocha.
O arnete ou arganéu, na outra extremidade da haste, permite a fixação da amarra que liga a âncora ao navio. Na cruz da âncora pode fixar-se o arinque, que liga a uma bóia.
Tipos de Âncoras mais usados
Cada embarcação deverá usar o ferro apropriado e com as características indicadas para o tipo de casco e qualidade de fundo onde irá fundear. Uma escolha errada poderá pôr em risco o barco e a própria tripulação. A âncora deverá estar ligada a uma corrente, a amarra, de comprimento nunca inferior ao da embarcação, e aquela a um cabo próprio com comprimento suficiente para os fundos onde mornamente se pensa ir fundear.
De preferência deve-se usar apenas corrente mas o seu peso e preço faz com que se junte corrente com cabo. O cabo, em vez da corrente, também facilita o corte deste no desembaraço da âncora quando esta fica presa e irremediavelmente perdida.
O comprimento total deverá obedecer basicamente à seguinte regra: Em águas calmas de 3 a 5 vezes a altura da maré (na preia mar!); Com tempo rijo de 5 a 7 vezes a altura da maré.
Um comprimento total de 50 metros parece ser o mínimo razoável. Um segundo ferro, outro tanto de corrente, e cabo pronto a ser ligado ao primário não são demais. Não será com certeza o primeiro a ter de cortar a amarra por a âncora ter ficado presa e ser impossível a sua recuperação.
É aqui que entra o cabo de arinque que é preso à cruz, ou olhal próprio, e permite na maioria das vezes desengatar a âncora, sobretudo, em fundos desconhecidos. Na outra extremidade deste cabo prender-se-á uma bóia que assinala a sua presença.
A corrente do segundo ferro tem outra utilidade. Em caso de previsão de relâmpagos deve-se prender à base do mastro, quando metálico, ou aos brandais, de modo a fazer uma ligação à terra e afastar a hipótese de acidentes com as descargas eléctricas.
Almirantado ou Ordinária
O cepo com os extremos boleados e um deles, recurvado em forma de cotovelo, é móvel, o que facilita o transporte e a arrumação. Dá para todos os fundos mas a sua forma são o grande contra-tempo nas embarcações de recreio.

Danforth
Para fundos de areia. É normalmente usado como 2º ferro.

Bruce
Este tipo de âncora é concebido para condições duras desde que tenha corrente suficiente. Boa para fundos de areia e lodo.

Fateixa ou Garatéia
Este ferro é normalmente usado por pescadores por unhar bem em fundos de rocha. Usam-se também em embarcações pequenas pelo facto de algumas poderem encolher os braços.
Outras Âncoras
Ancorote
Do feitio de uma âncora vulgar, mas de menor tamanho e peso.
Capacete ou Cogumelo
Não tem cepo e em vez de braços tem uma calote esférica na extremidade da haste. É usada em amarrações fixas.
Flutuante
Ao contrário das outras não serve para fundear mas para diminuir o andamento de um barco que no mar esteja à mercê das vagas e do vento. Ao fazer resistência na água, este aparelho, seguro ao barco por um cabo suficientemente comprido, permite conservar uma embarcação aproada ao vento com mau tempo.
Tem o formato de um grande papagaio de lona com a armação em cruz a cujas extremidades dos braços se ligam um estropo de quatro pernadas. Esse estropo deve ser o mais comprido possível para suavizar os esticões. Mantém-se na vertical graças a umas bóias presas nas extremidades horizontais e a um lastro num dos braços da cruz.
Gata
Como uma âncora de almirantado vulgar, mas só com um braço.
Martin
De haste muito reforçada e braços articulados que podem baixar ou levantar por estarem ligados a um eixo que atravessa a cruz. O cepo é muito curto, fixo no plano dos braços e tem os extremos revirados para o lado do anete.
Parafuso
Sem ser propriamente uma âncora, tem no prolongamento da haste um parafuso que enterra no fundo. É usada apenas em amarrações fixas.
Smith
Não tem cepo e as patas giram independentemente uma da outra, num eixo que passa na cruz. É a que normalmente se usa em navios de grande porte.
Trotman
Âncora com os braços móveis, como os de uma balança, e as patas de forma côncavas.




Fonte: salvador-nautico.blogspot.com