Anfíbios (do grego amphi, ambos-dos dois modos, e bios, vida) são vertebrados cuja característica fundamental é o desenvolvimento na fase larvária em meio aquático e na fase adulta em meio terrestre.
a maioria dos anfíbios possui 4 membros pentadáctilos para locomoção em terra (os gimnofionos como a Caecilia, são ápodos, por involução das patas, como uma adaptação aos seus hábitos de vida em buracos no solo);
pele úmida e lisa, glandulífera e sem escamas externas, apta para a respiração cutânea (que nos anfíbios torna-se mais importante que a respiração pulmonar);
dentes pequenos e esqueleto em grande parte ossificado;
são pecilotérmicos (animais de sangue frio);
coração com 3 cavidades: duas aurículas ou átrios e um ventrículo. O sangue arterial, que entra na aurícula esquerda, e o sangue venoso, que chega a aurícula direita, vão se juntar ao nível do ventrículo único. Por isso a circulação destes animais é dita fechada, dupla, porém incompleta;
presença de entalhe ótico, resultado do desaparecimento do opérculo que nos peixes protege as brânquias.
Os anfíbios atuais podem ser divididos em três grupos considerados como ordens na sistemática tradicional:
anuros: não tem cauda no estado adulto (rãs e sapos);
urodelos: possuem uma cauda desenvolvida (salamandras e tritões);
ápodes ou gimnofiónios: não tem patas.
Entre as muitas espécies de peixes que habitavam o globo no Devoniano, um grupo desempenhou um grande papel na evolução: foram os Crossopterígeos, ancestrais imediatos dos primeiros vertebrados terrestres.
A passagem da água para a terra foi uma passo muito significativo para a evolução. Iniciou-se no final do Devoniano com os primeiros anfíbios e mais tarde foi completada pelo desenvolvimento dos répteis no Paleozóico Superior.
A chamada saída das águas ocorreu há mais ou menos 350 milhões de anos, quando alguns Crossopterígeos subiram à terra, provavelmente a procura de áreas úmidas e assim devem ter originado os anfíbios. Essa transmigração exigiu múltiplas transformações anatômicas e fisiológicas, cujo resumo se pode observar seguindo a transformação de um girino em rã.
Os primeiros anfíbios eram providos de ossificações numerosas e maciças, dentes complexos e escamas ossificadas na pele. O primeiro tetrápode conhecido foi o Ichthyostega, que possuia uma anatomia comparada aos Crossopterígeos, mas um teto craniano diferente e a presença de membros locomotores.
Entre as inúmeras modificações do esqueleto que os anfíbios passaram, muitas parecem ligadas à necessidade de uma vida terrestre (ou pelo menos parcialamente terrestre). A coluna vertebral é reforçada por costelas fortes; a cintura escapular é libertada, adquirindo mobilidade e reforçando-se ventralmente; a cintura pélvica fixa-se a coluna vertebral. O conjunto de ossos que cobrem as brânquias dos peixes reduz-se e um dos seus elementos, transformado em membrana, vai permitir a audição no meio aéreo: trata-se do tímpano; o osso que liga, a partir de então, o tímpano ao ouvido interno e transmite as vibrações, a columela, não é mais que a parte dorsal do arco hióideo que servia para sustentar a mandíbula dos peixes (Ricqlès, 1989).
A grande questão que envolve o aparecimento dos anfíbios é explicada pela Paleoecologia. A seca temporária dos lagos onde viviam numerosos Sarcopterígios no Devoniano, talvez tivesse favorecido os indivíduos capazes de respirar o ar atmosférico, de resistir a dessecação e até de se deslocar do solo em busca de água. O meio terrestre, já invadido por vegetais e artrópodes, consistia em um novo reservatório de recursos alimentares, potencialmente exploráveis. Uma vez diferenciados, os anfíbios primitivos vão diferenciar-se muito, isto é, dar origem a um número elevado de espécies desde o Carbonífero Inferior até o Triássico Superior.
Mal conhecidos no Carbonífero Inferior, abundam os pântanos hulhíferos do Carbonífero Superior. Particularmente variados e numerosos nos ecossistemas do Permiano Inferior, os anfíbios chegam mesmo a adaptar-se a meios francamente terrestres. Todavia a maioria readapta-se ao meio aquático no Permiano Superior e no Triássico.
Fonte: br.geocities.com

Rã - Rana lessonae
Os anfíbios (latim científico: Amphibia) constituem uma classe de animais vertebrados, pecilotérmicos que não possuem bolsa amniótica agrupados na classe Amphibia. A característica mais marcante dos seres vivos da classe é o seu ciclo de vida dividido em duas fases: uma aquática e outra terrestre, apesar de haver exceções. Estão identificadas cerca de seis mil espécies vivas de anfíbios cadastradas no Amphibian Species of the World[1].
A análise de um ser da classe dos anfíbios exige a divisão de seu ciclo vital, devido a diferenças morfofisiológicas entre a fase aquática e a terrestre (adulta).
Quando jovens, a maioria das espécies de anfíbios vivem exclusivamente em ambiente aquático dulcícola, e sua estrutura corpórea é semelhante a de um alevino, realizando respiração branquial. A fase jovem, também conhecida como larval, é determinada do nascimento até a metamorfose do anfíbio, que lhe permitirá sair do ambiente aquático e fazer parte do ambiente terrestre. As larvas possuem cauda e até mesmo linha lateral como os peixes.
Já adultos, a dependência da água dos anfíbios jovens é superada parcialmente, e após a metamorfose estes animais podem deixar a água e viver em habitat terrestre. Apesar de pulmonados, os representantes dessa classe possuem uma superfície alveolar muito pequena, incapaz de suprir toda a demanda gasosa do animal. Portanto, como complemento à respiração pulmonar, os anfíbios realizam a respiração cutânea (trocas de gases através da pele), e para tanto possuem a pele bastante vascularizada e sempre umedecida.
A circulação nos anfíbios é dita fechada (o sangue sempre permanece em vasos), dupla (há o circuito corpóreo e o circuito pulmonar) e incompleta (já que há mistura do sangue venoso e artérial no coração). O coração do anfíbio apresenta apenas três cavidades: dois átrios, nos quais há chegada de sangue ao coração; e um ventrículo, no qual o sangue é direcionado ao pulmão ou ao corpo do animal.
O seu sistema excretor apresenta rins mesonéfricos que são ligados por ureteres à bexiga, que por sua vez está ligada à cloaca. Quando no estado larval o produto de sua excreção é a amônia, porém no estado adulto excretam uréia. Quanto a locomoção, os membros da ordem Anura são, em sua maioria, saltadores, as salamandras caminham e as cobras-cegas arrastam-se por contrações musculares. Na água são nadadores, sendo que quando na fase larval utilizam a cauda e quando adultas, as rãs utilizam as patas, que possuem membranas interdigitais. As pererecas apresentam discos adesivos nos dedos, equivocadamente definidos como ventosas.
O sistema nervoso dos anfíbios tem como principal orgão o encéfalo. Apresentam boa visão, com exceção das cobras-cegas, e tato em toda superfície corporal. O seu sistema olfativo apresenta narinas e os orgãos de Jacobson, no teto da cavidade nasal. Em sua língua se encontram botões gustativos.
Alguns anfíbios podem ser venenosos, sendo que alguns deles estão inclusive entre os animais mais venenosos. Os sapos possuem uma glândula parotóide que produz veneno. Entretanto, este veneno é eliminado apenas quando a glândula é apertada. O manuseamento de anfíbios é normalmente seguro, desde que o veneno não entre na circulação sanguínea. Deve-se por isso lavar as mãos depois do contacto com os animais.

Salamandra
Estudos de fósseis sugerem que o grupo teria evoluído a partir dos peixes pulmonados de nadadeira lobada e servido de ancestral para os répteis, além de ser o primeiro vertebrado em habitat terrestre. Em relação aos peixes (seus antecessores) os anfíbios possuem maior independência da água, contudo ainda não representam seres verdadeiramente terrestres, tendo a necessidade de viver em locais úmidos mesmo quando adultos.
Os anfíbios surgiram no Devoniano e foram os primeiros animais terrestres. No Carbónico foram o grupo dominante.
O termo Amphibia, como era utilizado na sistemática clássica, tinha status de classe e abrangia todos os tetrápodes que estivessem entre os peixes e os répteis.
Romer (1966) subdividia essa classe em três subclasses:
Subclasse Labyrinthodontia
Subclasse Lepospondyli
Subclasse Lissamphibia
Entretanto, parte das características utilizadas para a definição desses grupos eram primitivas, ou seja, simplesiomorfias.
Todos os anfíbios atuais pertencem a subclasse Lissamphibia que está dividida em três ordens:
Tetrápodos com cauda e aspecto de lagarto.
Ex.: Salamandras.
Corpos curtos sem cauda. São tetrápodos com adaptação para o salto, a maioria apresenta metamorfose completa, mas alguns já saem dos ovos com a forma adulta, não apresentando metamorfose.
Ex.:sapos, pererecas e rãs.
Anfíbios sem patas.
Ex.: Cobras-cegas.
Os anfíbios apresentam 39 modos reprodutivos distintos, sendo superados em diversidade de modos reprodutivos apenas pelos peixes.
No modo mais comum, a reprodução dos anfíbios está ligada à água doce, e ocorre sexuadamente por fecundação externa (exceto os Gymnophiona e duas espécies de rãs norte-americanas do gênero Ascaphus, que a realiza internamente), na qual a fêmea libera óvulos (ainda não fecundados) envoltos em uma massa gelatinosa e o macho então lança seus gâmetas sobre eles para que ocorra a fecundação. Os ovos formados ficarão em ambiente aquático lêntico (lagos, lagoas e represas) até o nascimento do girino, que captura seu alimento no meio ambiente.
Formas mais especializadas de reprodução incluem: girinos que possuem saco vitelínico, ovos colocados sobre a vegetação a vários metros do chão, ovos embebidos no dorso de fêmeas exclusivamente aquáticas, ovos carregados no dorso de machos ou de fêmeas até o nascimento dos girinos, girinos se desenvolvendo no interior do estômago das fêmeas, desenvolvimento direto, ovoviviparidade e viviparidade, entre outros. O desenvolvimento directo ocorre, por exemplo, no género Eleutherodactylus
Como estão protegidos pela água, os ovos de anfíbios não possuem anexos embrionários adaptativos como o alantóide, sendo essa uma das características que difere a classe dos outros vertebrados terrestres.
Fonte: pt.wikipedia.org