Nymphaeaceae
Plantas aquáticas de água doce, rizomatosas. Estípulas eventualmente presentes. Folhas alternas, longamente pecioladas e flutuantes, ou submersas, eventualmente espinescentes, inteiras a lobadas. Flores solitárias, acima do nível dágua, vistosas, bissexuadas, actinomorfas, hipo ou epíginas. Tépalas geralmente numerosas, diferenciando-se gradativamente em sépalas (3-5 ou muitas), pétalas (4 a muitas) e estames, alvas, róseas, liláses, vermelhas, amarelas ou azuis.
Estames numerosos, livres, laminares, dispostos espiraladamente; estaminódios geralmente presentes. Gineceu sincárpico ou quase, 3-47 carpelos, formando um disco receptivo no ápice; placentação laminar em cada lóculo, numerosos óvulos por carpelo. Frutos cápsulas bacáceas deiscente; sementes numerosas, eventualmente ariladas.
Nymphaeaceae está distribuída no mundo todo, incluindo seis gêneros (Les et al. 1999) e cerca de 55 espécies, a maioria em Nymphaea. No Novo Mundo, ocorrem 21 espécies, 15 em Nymphaea, duas em Victoria (incluindo a vitória-régia, V. amazonica) e uma em Nuphar (N. advena). Devido às flores tipicamente grandes e vistosas, várias espécies são utilizadas como ornamentais, e algumas espécies exóticas, introduzidas para a decoração de ambientes, passaram a ocorrer de maneira subespontâneas.
Estão proximamente relacionada às Cabombaceae, família com dois gêneros (Cabomba e Brasenia) e seis espécies de plantas aquáticas, submersas, de água doce, amplamente utilizada na ornamentação de aquários (e.g. Cabomba caroliniana). Juntas, essas famílias compõem as Nymphaeales, depois de Amborella, a linhagem mais antiga dentre as angiospermas.

Vitória Amazônica

Distribuição das Ordens das Plantas

Nymphaea

Nymphaea

Flor de Nuphar

Nymphaea - Corte Transversal
O número elevado de partes florais encontrado em vários gêneros de Nymphaeaceae parece contribuir para a proteção das estruturas reprodutivas em flores polinizadas por besouros, e teria derivado de uma trimeria inicial, como a encontrada em Cabombaceae e nos fósseis mais antigos apontados como possíveis Nymphaeales.
A relação entre Nymphaeaceae e os gêneros aquáticos Nelumbo e Ceratophyullum, indicada em classificações tradicionais, no entanto, foi fortemente rejeitada em estudos filogenéticos; ambos estão agora posicionados em uma família própria (Nelumbonaceae, divergindo próximo à base das Eudicotiledôneas e Ceratophyllaceae, grupo irmão das monocotiledôneas).

Exemplo de Cabombaceae (note a planta submersa e a flor trímera; acima).
Flor de Victoria amazonica, antes da antese e no dia seguinte (abaixo).
As flores são geralmente termogênicas e odoríferas, com ântese diurna ou noturna, atraindo besouros ou abelhas. São na maioria dos casos protogínicas, mas podem apresentar diferentes graus de autocompatibilidade.
As flores podem durar apenas uma noite, como em Vitória-régia (Victoria amazonica): os besouros ficam aprisionados no interior da flor, que no início é funcionalmente feminina, passando a masculina ao longo da noite. Em outras espécies (e.g. Nymphaea rudgea), a flor pode durar de duas a três noites, sendo funcionalmente feminina apenas na primeira noite. Outras espécies podem possuir flores de duração mais prolongada.
Em Nymphaea ampla, por exemplo, a flor dura entre três e quatro dias e o pólen fica disponível antes da abertura da flor, favorecendo a auto-fecundação.
O tempo de floração parece, portanto, estar associada à eficiência da polinização cruzada: em plantas onde predomina a autogamia o tempo de floração é maior, aumentando as chances de cruzamentos ocasionais (Prance & Anderson 1976).
Fonte: www.freewebs.com