Contenção
Os avestruzes comportam-se de forma imprevisível em diferentes situações de manejo. Os machos, em particular, durante a estação de reprodução podem ter comportamento muito agressivo, o mesmo podendo ocorrer com algumas fêmeas adultas, tornando-se tão agressivas quanto os machos. Lembrando sempre da imprevisibilidade do comportamento do animal, deve-se tomar os devidos cuidados: as pessoas não podem entrar nos piquetes sem uma vara que pode ser bifurcada, com 2,5 m de comprimento e com um plástico preto fixado na extremidade para conter, caso se faça necessário, as aves agressivas. Os filhotes e a maioria das aves adultas são facilmente controladas por uma ou duas pessoas.
Para o manejo dos adultos é importante a utilização de um capuz colocado sobre a cabeça do avestruz porque, de olhos vedados, tornam-se mais dóceis. No entanto, o capuz deve permitir a entrada suficiente de ar para que a ave possa respirar livremente. O uso do capuz todas as vezes que for segurar as aves, desde filhotes, faz com que elas se habituem, reduzindo o stress.
As aves podem ser presas, usando um brete ou capturadas com uma vara curva, semelhante a um cajado de pastor, com 4 cm de diâmetro e 3,0 m de comprimento. O gancho deve ter cerca de 6,25 cm de largura, de modo a se adaptar frouxamente em torno do pescoço da ave mas de forma que a cabeça não escape Na hora de capturar, leve um grupo de aves para dentro do pátio de manejo, mesmo que apenas algumas delas devam ser capturadas. Elas devem ser tocadas e cercadas num canto do pátio. Então, a pessoa que vai fazer a captura deve se aproximar calmamente, com a vara curva pronta, com a ajuda de dois ou três auxiliares.
A aproximação deve ser feita pela lateral ou por trás, para evitar os chutes defensivos do avestruz. Então, o pescoço é preso pelo gancho da vara, na junção da cabeça, puxando, sem torcer, pois o pescoço quebra facilmente. Os auxiliares ajudam a segurar o animal, um na cauda e um em cada asa, enquanto é colocado o capuz na cabeça. Deve-se ter cuidado para que a ave não caia com o gancho em volta do pescoço. Faz-se então o manejo desejado ou o animal é conduzido ao transporte.
Alguns criadores colocam a ave em um saco grande para evitar agitação nos casos de transporte para locais próximos. A contenção manual de ratitas é potencialmente perigosa, tanto para o tratador como para o animal.
As aves ratitas reagem rapidamente quando se sentem ameaçadas e freqüentemente pulam e esperneiam, dando coices violentos para a frente. As unhas e os dedos tornam-se então armas formidáveis, portanto o pessoal deve ser orientado a reagir apropriadamente.
Os avestruzes jovens podem ser apanhados segurando as pernas firmemente e elevando a ave acima do chão. No caso de animais adultos, a cabeça é apanhada e imediatamente encapuzada, para que a visão do animal seja bloqueada. O capuz pode ser feito com um pano escuro ou uma meia grossa, com elástico na extremidade mais larga e um orifício na extremidade oposta para o bico. Um aro metálico na ponta de um bastão pode auxiliar a colocação do capuz e a condução da ave. Uma vez tendo a sua visão bloqueada, a ave sentir-se-á completamente dominada, podendo ser conduzida, agarrando-se suas asas e fazendo-se alguma pressão para baixo, para impedir que ela pule, especialmente quando passar de um tipo de piso para outro tipo com textura diferente.
Uma pressão maior e contínua fará com que a ave assente-se gradualmente. Deve-se lembrar que o avestruz não consegue chutar para os lados ou para trás. A dificuldade só existe quando se permite que a ave pule ou caia sobre um dos lados. Em todas as situações de contenção manual, deve-se instruir todos os auxiliares para que ajam de maneira coordenada, rápida e tranqüila. Deve-se ter todo empenho em não estressar os animais.
Nunca se deve amarrar um avestruz para o transporte. O esforço violento da ave para se libertar acaba provocando lesões graves. A solução ideal consiste utilizar caixotes individuais de madeira ou chapa de compensado, no tamanho da ave, com furos para a ventilação. O fundo destes caixotes pode ser revestido com capim seco. Os caixotes podem ser acondicionados em engradados, na carroceria de um caminhão ou caminhonete, jamais em caminhões-baú, em que a temperatura sobe demasiadamente e a ventilação é insatisfatória. O transporte deve ser feito na parte mais fresca do dia ou à noite.
A utilização de drogas tranqüilizantes como os benzodiazepínicos (Diazepam, Valium, etc., na dose de 5 a 1Omg/Kg de peso corporal) podem ser de grande valia para diminuir o stress dos animais durante o transporte.
A administração intramuscular de hidrocloreto de ketamina, 25 a 5Omg/Kg de peso corpóreo, e uma combinação de hidrocloreto de tiletamina e hidrocloreto de zolazepam, 2 a 5 mg/Kg de peso corporal, têm sido utilizados em ratitas, principalmente para captura, algumas vezes utilizando-se dardos e pistolas. As aves geralmente se acalmam com doses menores e desmontam com doses maiores. O uso de ketamina isoladamente pode provocar efeito paradoxal com doses baixas, ou seja, a ave pode ficar excitada. Mendes, 1990, comenta que em geral, a contenção química pode facilitar a movimentação de ratitas para dentro de gaiolas ou caixas de transporte, mas produz muitos problemas quando usada em dosagens maiores para imobilização total.
Anestesia
O halotano é um agente satisfatório para produzir anestesia geral em ratitas. A dificuldade primária ocorre durante a indução ou recuperação, quando as aves precisam ser contidas para prevenir danos. O processo de indução por respiração na máscara precisa ser cuidadosamente observado porque o padrão de respiração rápida da ave estressada poderá resultar em rápida depressão.
Uma vez que a ave tiver atravessado o período de indução, um tubo endotraqueal poderá ser facilmente passado e a anestesia mantida indefinidamente. Todas as espécies de aves irão experimentar quedas bruscas de temperatura corpórea, especialmente durante procedimentos prolongados. E recomendável que se isole o animal ou se providencie alguma fonte externa de calor para ajudar a manter a temperatura. Em algumas poucas situações, leituras cloacais de 34,5 a 35ºC, foram observadas durante procedimentos de uma a duas horas, sem que as aves desenvolvessem complicações pós-operatórias.
Em aves previamente imobilizadas com hidrocloreto de ketamina a 25mg/Kg, via intramuscular, a ketamina dada via venosa pode produzir anestesia adequada em doses de 5 a 1Omg/Kg. Doses adicionais de 5mg/Kg são requeridas a intervalos de 10 a 15 minutos para manter uma profundidade adequada de anestesia.
Avestruzes selvagens podem não atingir a maturidade antes dos quatro anos. Geralmente, as fêmeas em cativeiro, recebendo alimento de qualidade e em quantidades adequadas, atingem a maturidade sexual em dois anos, enquanto os machos, na maioria das vezes, atingem esta maturidade aos 2,5 a 3 anos de idade.
Em algumas regiões, a estação chuvosa dá início a estação de reprodução. No Sudeste do Brasil, a postura inicia entre julho e agosto. Embora o avestruz seja uma ave sazonal, não é raro a fêmea pôr ovos durante todo o ano. A postura atinge o máximo na primavera (setembro a dezembro, no Hemisfério Sul), e depois cai até fevereiro, quando ocorre pequeno pico de produção.
O macho e a fêmea podem acasalar duas ou três vezes diariamente. A fêmea põe um ovo em dias alternados até completar 15 a 20 ovos. Após pequena pausa, de 7 a 10 dias, o ciclo recomeçará O peso médio do ovo é de 1100 a 1600g.
Uma fêmea saudável deve pôr durante cerca de 35 a 40 anos ou mais, e com produção de 15 a 70 ovos por ano (nos primeiros anos a postura é menor, tendendo a aumentar com a idade).
Portanto, um avestruz é capaz de produzir cerca de 1600 ovos com sobrevivência de 640 descendentes de um ano, enquanto que uma vaca de corte, no máximo 8 a 12 bezerros durante a sua vida produtiva. Algumas aves podem botar até 120 ovos numa estação prolongada de postura. Entretanto, alguns fazendeiros da África do Sul preferem interromper a postura destas aves porque, segundo eles, os ovos mais tardios são menos férteis e na estação seguinte, a produção total diminuirá. A média ideal seria de 60 a 70 ovos por ano com uma interrupção de 60 a 90 dias entre os ciclos de postura. Este intervalo permitiria um descanso para a ave e um número satisfatório de ovos na estação seguinte, com alta percentagem de fertilidade.
Os machos e fêmeas devem ser separados 8 a 12 semanas antes do início da estação de reprodução e submetidos a uma dieta nas duas últimas semanas previstas para o início da reprodução, para redução do peso corporal. Os avestruzes gordos não têm bom desempenho reprodutivo.
Como regra geral, os avestruzes são acasalados aos pares, embora freqüentemente, um macho forte e vigoroso seja colocado com duasfêmeas (trio). Em áreas extensas, pode ser adotado o sistema de colônias.
Manejo dos ovos
A coleta dos ovos deve ser feita cuidadosamente e com freqüência para evitar contaminação e danos físicos Deve ser realizada logo após a fêmea deixar o ninho e a película de mucina que envolve o ovo estar seca.
Deve-se usar um recipiente cheio de cepilhos (serragem grossa ou maravilha) ou revestido de espuma, tendo-se o cuidado para não agitar os ovos. Devido ao formato arredondado do ovo do avestruz, a posição da câmara de ar não pode ser determinada na ocasião da coleta, portanto poderão ser transportados na posição horizontal.
Para verificar defeitos nos ovos, usa-se o ovoscópio, aparelho projetado para observação da casca e do interior do ovo Há vários modelos de ovoscópios, caseiros ou industriais, inclusive um sofisticado sistema acoplado a uma câmera de vídeo:
Defeitos que podem ser observados:
Trincas ou pequenas rachaduras que geralmente só são visíveis quando passados pelo ovoscópio. Ovos de preços elevados com pequenos defeitos podem ser reparados com esmalte de unhas ou cera de vela. Não é vantajoso reparar ovos com vazamento de material, pois eles dificilmente eclodirão
Ovos velhos, com câmara de ar maior do que o normal e a gema densa
Ovos com manchas de sangue e coloração rosa-pálido na clara
Gemas múltiplas ou duplas, que embora possam ser férteis, raramente chocam
Massa escura, que é característica de ovo contaminado e que deve ser cuidadosamente manipulado, pois corre o risco de estourar e contaminar o ambiente.
Qualquer ovo que apresente defeito antes ou durante a incubação
deve ser removido imediatamente. Deve-se ter especial cuidado com a origem
dos ovos, pois o manejo inadequado dos ninhos e falhas no controle sanitário
do plantel pode originar ovos com altas taxas de contaminação
por fungos e bactérias, que, além de reduzir a eclodibilidade,
resultam em morte dos filhotes nas primeiras semanas de vida. Os ovos contaminados
podem rapidamente espalhar as infecções para os sadios.
Limpeza
Qualquer método de limpeza removerá pelo menos um pouco do filme de mucina que protege o ovo, tornando-o mais suscetível a contaminação ou infecção durante a incubação.
Sujeira leve pode ser removida através de limpeza seca com uma lixa fina, tendo cuidado para não esfregar excessivamente os ovos. O ideal seria manter limpo o ninho e coletar os ovos freqüentemente para não ter ovos sujos.
A lavagem só deve ser efetuada quando absolutamente necessária e, neste caso, utiliza-se água limpa e um desinfetante, observando-se as seguintes recomendações:
Manter a temperatura da solução de lavagem 10ºC mais quente do que os ovos
Imersão total dos ovos na solução, procedendo-se a lavagem o mais rápido possível
Enxaguar numa segunda solução ainda não utilizada
Secar ao ar.
A solução apresentada a seguir é de custo reduzido e muito eficaz como desinfetante e detergente tanto para lavagem dos ovos quanto para os equipamentos. Contém amônia quaternária 25Oppm e EDTA 1Oppm, pH 8,0, com adição de carbonato de sódio.
As soluções a serem utilizadas na limpeza dos ovos e equipamentos são preparadas com a Solução Estoque e água, conforme diluições apresentadas a seguir:
Lavagem dos ovos: use 20ml da solução estoque
em 1 litro d'água;
Lavagem dos equipamentos: use 40ml da solução
estoque em 1 litro d'água.
Atualmente, em países como os Estados Unidos e Austrália, há disponibilidade de soluções patenteadas para lavagem dos ovos. Um exemplo é o Parvocid R, usado em soluções de 1Oml/litro d'água. Outro produto bastante eficiente para desinfecções, e de caráter natural, é uma solução a base de Citrex a 3000ppm (princípio extraído de sementes de laranja), a qual pode ser borrifada em toda a superfície dos ovos, sem risco de comprometimento do embrião, atuando como agente bactericida e fungicida. O Pet Clean plus, é um produto da Cynotech.
A fumigação pode ser feita com o gás formaldeído;
porém, como ele potencialmente pode causar câncer, torna-se obrigatório
uma ventilação adequada no ambiente onde é utilizado.
A imersão dos ovos em antibiótico é uma prática
que está se tornando amplamente empregada e pode ser útil no
controle de doenças, embora não seja um substituto para a lavagem
dos ovos. Uma solução recém preparada de mistura de antibióticos
vai penetrar no ovo, através dos poros da casca, podendo ser usada
tanto em tanque comum como a vácuo.
Armazenagem
Os ovos podem ser armazenados com êxito por 5 a 10 dias, o que possibilita incubar de uma só vez a postura de uma semana. A concentração do nascimento uma vez por semana reduz as pressões de manejo.
Na sala de estocagem ou armazenagem a temperatura deverá ser de 15 a 18ºC e a umidade relativa mantida a 70 a 75%. Nas temperaturas superiores a 20ºC, o embrião pode começar a desenvolver-se, sendo elevada à mortalidade quando cai a temperatura.
A sala de estocagem dos ovos deve ser arejada e provida com sistema de circulação de ar para evitar o crescimento de fungos, que podem ser letais aos embriões em desenvolvimento.
E recomendável viragem dos ovos pelo menos uma vez ao dia, durante a armazenagem para evitar a aderência de seu conteúdo à casca.
As pessoas que manipulam os ovos devem lavar bem as mãos antes de cada contato com eles, pois a higiene é fundamental durante todas as fases da operação.
Ovos estocados a temperaturas baixas não devem ser colocados diretamente
dentro de uma incubadora aquecida para evitar choque térmico. Recomenda-se
o pré-aquecimento que pode ser facilmente efetuado, transferindo-se
os ovos da câmara fria para a sala de incubação e expostos
a temperatura ambiente por 8 a 12 horas, antes de serem colocados na incubadora.
Incubação
Recomenda-se incubar os ovos após pelo menos 24 horas de postura. É muito importante realizar a desinfecção da incubadora antes de cada incubação.
Há divergências entre especialistas quanto a colocar os ovos na posição vertical com a câmara de ar para cima ou horizontalmente Pesquisas recentes indicam que os melhores resultados com ovos de avestruz são obtidos quando na posição vertical e com inclinação de 45 graus.
Azeredo, 1992, relata a possibilidade de eclosão de até 100% quando ovos de ratitas são incubados artificialmente.
A temperatura na incubadora deve ser de 35,5 a 36,7ºC. Umidade de 25 a 45%, em função do peso, formato e número de poros na casca dos ovos, e deverá ser regulada de acordo com a perda de peso dos ovos durante o período de incubação. Quando há grande número de ovos com pesos e formatos diversos, recomenda-se ter de três a quatro incubadoras com regulagens diferentes de umidade. Semanalmente, os ovos serão pesados e calculado a perda de peso que deverá ser de 12 a 17% (ideal 15%). Ovos com perda maior ou menor que estes valores devem ser remanejados para incubadoras com maior ou menor umidade, conforme o caso. Em geral, requerem umidade maior os ovos de formato alongado, leves e de maior porosidade, e menor umidade os ovos redondos, pesados e com menor número de poros.
Uma das formas de calcular a perda de peso é aplicando a fórmula:
Sendo:
o PP = perda de peso;
o Pl = peso inicial, no dia do início da incubação;
o PD = peso no dia da pesagem;
o nD = número de dias do inicio da incubação
até o dia da pesagem.
Umidade muito alta, geralmente resulta em alta porcentagem de não eclosão e pintos maiores com aderências e sangue. Umidade baixa resulta em pintos muito pequenos, fracos, elevada mortalidade na casca e câmara de ar muito grande.
O período de incubação dos ovos de avestruz é de aproximadamente 42 dias. Os ovos devem ser virados pelo menos três vezes ao dia. A viragem deve ser interrompida aproximadamente no 39º dia, quando o espaço da câmara de ar se encontrar bastante aumentado e o avestruzinho tiver perfurado a membrana da câmara de ar, o que deve ser determinado observando-se o ovo no ovoscópio Aproximadamente no 41º dia, o pintinho passa a ocupar quase o ovo todo, perfurando a casca dentro de aproximadamente 24 horas. A ovoscopia, ou seja, a observação do embrião dentro do ovo deve ser feita semanalmente até o 39º e diariamente após, até a eclosão.
A observação sistemática dos ovos na incubadeira é muito importante. Ovos inviáveis podem adquirir tonalidade e temperatura diferentes, devendo ser descartados prontamente, de modo a não prejudicarem os demais. Toda manipulação de ovos, viáveis ou não, deve ser feita com cuidados de assepsia. Um ovo inviável é fonte de contaminação para todos os outros e para a incubadeira Os ovos viáveis devem ser poupados de substâncias contaminantes.
Os filhotes de avestruz abrem caminho através da casca, que é relativamente resistente, usando as pernas e os grandes dedos Ë a diminuição do nível de oxigênio dentro do ovo que faz com que o pintinho tenha convulsões e quebre a casca.
No 42º dia, o criador deve marcar aqueles ovos nos quais os filhotes já romperam a membrana da casca, porém. não deve tentar ajudar os outros que ainda não o fizeram. Ocorrem mais perdas de filhotes intervindo-se no processo de eclosão do que deixando os ovos eclodirem naturalmente.
Ao final do 43º dia, uma pessoa qualificada deve examinar os ovos não eclodidos para então decidir quando ajudar neste processo. O auxílio consiste em dar pancadinhas de leve na parte superior até ouvir um som oco. neste ponto, o operador cuidadosamente quebra a casca, removendo-a para ver se o pintinho está em posição normal, com o bico exatamente acima do dedo. Se estiver em posição normal, deve-se deixá-lo sair sozinho. Se não, deve-se auxiliar na liberação do pintinho, lembrando que muitas pessoas ficam impacientes neste ponto e tentam descolar a casca e as membranas do filhote. Ao fazer isto, deve-se tomar muito cuidado, pois vasos sangUíneos podem se romper ou, perdendo a possibilidade de se esforçar, o filhote poderá não absorver totalmente o saco vitelino e morrer depois.
Durante a eclosão, a umidade relativa deve deverá ser mantida, no mínimo, em torno de 80%. Se as membranas estiverem secando e aderindo ao filhote, os ovos devem ser borrifados com um fino spray d'água. Ao contrário da maioria das aves que, girando seu corpo vagarosamente dentro do ovo, desenham um circulo na ponta maior da casca até abrir uma calota, empurrando-a depois para nascerem, as aves ratitas não fazem a incisão circular. Após perfurarem a casca, os filhotes descansam um pouco, depois esticam suas pernas poderosas e "explodem" para fora do ovo, deixando-o em pedaços.
Uma vez que eles tenham nascido, deve-se permitir que se enxuguem por algumas horas numa estufa ou incubadora a 32,2ºC. Depois serão colocados num recinto onde não possam distanciar-se muito de uma fonte de calor, geralmente uma resistência elétrica ou uma campânula a gás, jamais lâmpadas. As lâmpadas alteram o ritmo circadiano das avezinhas e podem provocar o surgimento de canibalismo. Criadeiras, cercados ou caixotes de 1m por 1,5m podem ser empregados no cativeiro para este fim, devendo-se tomar todo o cuidado em utilizar material apropriado para o piso dos locais onde se encontram os filhotes, principalmente nos primeiros dias de vida. Nunca se devem utilizar pisos lisos, para evitar escorregões e problemas com as pernas dos filhotes. Capim de folhas compridas, que não possam ser devoradas pelos filhotes, presta-se muito bem para forrar os recintos. Areia e serragem são materiais proibidos, pois, ao serem ingeridos pelos avestruzinhos, provocam impactação e morte.
Logo após o nascimento e durante três dias seguintes, recomenda-se tratar o umbigo com solução de álcool iodado para evitar infecções localizadas ou sistêmicas.
Filhotes
Os filhotes recém-nascidos podem sobreviver sem alimento e sem água por aproximadamente 6 a 10 dias, dependendo das reservas do saco vitelínico. Durante este período, as aves são ensinadas a encontrar alimento e água que devem estar acessíveis.
O controle da temperatura ambiente é essencial para os filhotes jovens. Os mesmos tipos de fontes de calor empregados na criação de aves domésticas podem ser utilizados. Se a temperatura não está elevada o suficiente, o filhote ficará estressado e poderá sucumbir à infecção respiratória. Para evitar superaquecimento, é necessário que os filhotes sejam capazes de se afastarem da fonte de calor.
Cerca de quatro dias depois da eclosão, os filhotes comem qualquer alimento macio e podem ser alimentados com alfafa picadinha ou outro capim picado. O fornecimento de uma quantidade limitada de alimentos verdes em pequenos intervalos, usualmente permitirá aos filhotes comê-los antes que murchem.
A aparência das fezes e da urina dos filhotes usualmente indica seu estado de saúde. As fezes devem ser macias, não muito secas ou granuladas como as de carneiro. A urina deve ser aquosa (rala) e não pegajosa. A cor da barriga é outra indicação de saúde. Ela deve ser amarelo cremoso.
Os filhotes devem ser pesados regularmente. A perda de peso inicial deve se estabilizar em torno do 5º dia de vida, para depois iniciar um ganho de peso bem vagaroso.
O exercício é muito importante para o bem estar dos filhotes e, se o tempo permitir, deve-se deixar as aves no pátio externo à luz solar. Em nível de manejo, é importante também agrupá-las de acordo com o tamanho e idade.
Sexagem
Usualmente, o sexo dos filhotes é determinado aos três ou quatro meses de idade. Para facilitar a localização dos órgãos da ave dentro da cloaca, sem que seja necessária sua inversão, pode-se considerar o posicionamento conforme os ponteiros de um relógio. Com a ajuda de um assistente segurando a ave, que está normalmente em pé, o operador introduz o dedo indicador dentro da cloaca e passa o dedo na posição de 5 ao 9 do relógio. Se a ave for fêmea, uma protuberância uniforme carnuda e macia, do tamanho de uma semente de ervilha, será percebido na posição de 6 horas. A protuberância é o clitóris. Se a ave for macho, um órgão firme e cartilaginoso será percebido na posição de 7 horas. O órgão é o órgão genital masculino que mede em torno de 2cm de comprimento, aos quatro meses de idade.
Na técnica da sexagem pela reversão da cloaca, o órgão genital masculino do macho geralmente projeta-se para fora, e curva-se para cima. Este método é mais fácil de ser executado em aves mais novas, nas primeiras semanas de vida, com acurácia de 90%, quando realizado por pessoas com certa prática, repetindo-se o exame aos 3 meses de idade para confirmação da sexagem.
Freqüentemente, o sexo das aves com nove ou mais meses de idade, pode ser determinado pela observação dos atos de urinar e defecar, pois o órgão genital masculino aparece ao desempenhar tais funções. Existe também disponível no mercado Norte Americano um método de sexagem pelo DNA através de amostra de sangue. Este teste custa nos EUA, cerca de US$ 20.00.
Ao contrário de outras aves, no avestruz, as fezes e a urina são separadas.
Plumas
O avestruz é famoso por causa de suas penas. O adulto pode produzir penas de excelente qualidade por 40 anos ou mais, desde que receba cuidados apropriados. No entanto, as melhores penas são produzidas por avestruzes de 3 a 12 anos de idade. As mais valiosas são aquelas penas longas, largas e completamente simétricas. As penas estão maduras para coleta aos 8 meses.
Quando se faz à retirada, deve-se deixar uma camada de penas na parte superior do animal para evitar queimaduras de sol. Separam-se bem as plumas a arrancar, puxando com movimento de zíper. Arrancam-se em média 4 camadas de plumas. Arrancam-se também as penas da parte de trás das coxas. Na região da cauda, as penas são retiradas individualmente. Só arranca-se as penas que apresentam o cálamo bem maduro, pois se arrancado quando "verde", causa dor e sangramento no animal. Arrancam-se as plumas abaixo das brancas para deixá-las bem expostas. As penas brancas são cortadas, verificando se estão bem maduras. Geralmente consegue-se 3 produções a cada 2 anos.
| Tipo | Medidas (cm) | Cor | Valor (US$/Kg) |
| Macho branca | 50-76 | Branca | 167,00 |
| Fêmea | 50-76 | Branca | 87,00 |
| Cinza "Drabs" | 13-56 | Cinza | 35,00 |
| Pretas | 23-50 | Preta | 43,00 |
| Peitorais | 23-50 | Preta e branca | 43,00 |
| Cauda | 25-40 | Bege | 27,00 |
| Obs.: Em média, obtém-se 1 a 2Kg de pluma/animal/ano. | |||
Há 200 tipos de classificação de penas, sendo as principais:
Brancas (da asa do macho)
Pretas (da asa do macho)
Ornamentais (da extremidade da asa)
Feminas (da asa da fêmea)
Pardas (da asa da fêmea)
Penugem (de baixo das asas)
Caudas (das caudas do macho e da fêmea).
As penas brancas são as mais procuradas porque tingem bem, embora as cinzas e as pretas possam ser alvejadas. O preço das penas brancas de melhor qualidade é de US$ 80,00 a US$ 90,00 por quilo para o produtor, e as de qualidade secundária US$ 40,00 por quilo. As penas de excelente qualidade são exportadas para a Europa e América e as penas pequenas são usadas para fabricar espanadores, leques e enfeites.
Produção de couro
O couro de todo o corpo do avestruz, exceto cabeça, dedos dos pés e ponta das asas é aproveitado. Um avestruz com 14 meses produz de 0,9 a 1,1 metros quadrados de couro.
No mercado internacional, o preço do couro de avestruz é de US$ 110,00 a US$ 320,00 por metro quadrado (cerca de US$ 200,00 por pele) para o produtor. O valor da pele curtida é de US$ 400,00 a US$ 800,00 enquanto o valor do couro processado é de US$ 500,00 a US$ 6.000,00.
O couro é resistente, macio, fácil de extrair e de tingir, e possui marcas características do implante das penas, o que é muito valorizado. A pele das pernas parece escamosa e assemelha-se ao couro de répteis. Com as peles são fabricados sapatos, cintos, carteiras, bolsas, pastas e pequenas peças de vestuário como coletes e almofadas para os ombros. Marcas famosas como Gucci, Christian Dior e outras usam couro de avestruz.
É difícil estimar a demanda por couros de avestruz, porém, segundo informações, o potencial seria de 300 mil a 750 mil peles por ano. Os principais mercados são os EUA, Japão, Itália, França, Alemanha, Inglaterra, África do Sul e alguns países da Ásia. O lnternational Leather Guide (Guia Internacional para o Couro - 1991) lista 40 curtumes de couro de avestruz entre os USA, África do Sul, Itália, França, Japão, Reino Unido e outros países. No Brasil, o IPT de Franca, SP, dispõe de tecnologia de curtição de peles de avestruz.
Carne
| Tipo de corte | Peso (Kg) | % de carcaça |
| Filé mignon | 3,5 | 11,7 |
| Bife | 6,3 | 21,0 |
| Biltong (presunto) | 9,7 | 32,3 |
| Carne de segunda | 10,5 | 35,0 |
O avestruz é abatido entre os 12 a 14 meses de idade em abatedouros especializados, Porém, também podem ser usados abatedouros para bovinos.
Antes do abate, as penas são cortadas e, em seguida, é feita a sangria após atordoamento elétrico. A fim de maximizar o aproveitamento das penas, do couro do corpo e das pernas, foram desenvolvidas tecnologias para o abate e esfola do avestruz. O processo exige retirada cuidadosa da pele, com técnica apurada.
Um avestruz bem desenvolvido, com idade de 12 a 14 meses, fornece entre 34 a 41 Kg de carne. A carne das pernas e filé das coxas são processados separados e o resto da carcaça, em sua maioria, é usado para carnes processadas (hambúrgeres e embutidos) ou para carne seca. Os órgãos internos são usados para patês e farinha de carne.
Na África do Sul, o charque constitui o mercado principal para a maior parte da carcaça do avestruz. As carnes de primeira são exportadas para a Europa, especialmente para a Suíça e, em menor volume, para França e Alemanha. A Suíça tem potencial para consumir de 10 a 20 toneladas da carne por mês.
A produção brasileira de avestruz para ser exportada para a Europa, terá que atender as exigências da CEE. A principal questão a ser resolvida, no entanto, é se a carne de avestruz é classificada como carne de caça ou de ave doméstica, porque existem diferentes taxações para cada um destes produtos. Provavelmente, o maior volume de exportação seria de carnes processadas, por exemplo, salsichas, hamburgers e almôndegas.
Na Europa, os preços reportados para a carne de avestruz variam de US$ 13,00 a US$27,00 por quilo. Na África do Sul, onde os produtos de carne de avestruz são mais baratos, os preços de venda do charque são de US$ 10,00 a US$ 12,00 o quilo (US$ 3,00 a US$ 4,00 por quilo in natura) e nos EUA, variam de US$ 17,00 a US$ 29,00 o quilo, dependendo do tipo de corte.
A carne do avestruz é muito saborosa. Apresenta coloração avermelhada, assemelhando-se muito com a carne bovina, fator positivo quanto a aceitação da mesma, principalmente pelo mercado interno. Considerando a tendência mundial em buscar fontes de proteína mais saudáveis em razão do sedentarismo do homem e o aumento da sua expectativa de vida, a carne de avestruz apresenta na sua composição baixos níveis de colesterol, gorduras, calorias e sódio, quando comparada com outras carnes.
| Animal | Calorias (Kcal) | Proteínas | Lipídios | Colesterol (mg) |
| Bovino | 240 | 23,0 | 15,0 | 77 |
| Suíno | 275 | 24,0 | 19,0 | 84 |
| Frango | 140 | 27,0 | 3,0 | 73 |
| Peru | 135 | 25,0 | 3,0 | 59 |
| Avestruz | 97 | 22,0 | 2,0 | 58 |
| Fonte: Nutritiva vale of. foz USA - 1995 | ||||
Subprodutos
Cascas vazias dos ovos são usadas na decoração (porta moedas, abajur, ovos pintados, porta jóias, etc...); a gordura entra na preparação de cremes e pomadas; os cílios podem ser utilizados para a confecção de cílios postiços; a carcaça pode entrar na composição de rações, o bico e a unha como bijuterias e o ovo pode ser comido, pois o gosto é semelhante ao da galinha, mas em relação ao tamanho, o ovo do avestruz equivale a 24 ovos de galinha.
Fonte: www.criareplantar.com.br