Os anelídeos são os invertebrados vermiformes que atingiram as maiores dimensões e diferenciações estruturais. O filo Annelida compreende todos os vermes segmentados que habitam tanto os ambientes terrestres como os aquosos, marinhos ou de água doce. A principal característica do filo é a divisão do corpo em segmentos, arranjados em uma série linear. Entretanto, nem a cabeça, representada pelo prostômio, nem o pigídio, onde se situa o orifício retal, são segmentados. O tamanho dos anelídeos é muito variado, entre 0,5mm a mais de 3m de comprimento.
A divisão do corpo em segmentos é denominada “metamerismo”;
nos anelídeos é importante também a segmentação
do celoma (ou cavidade corporal) por septos transversais. A movimentação
do animal ocorre pela contração dos músculos da parede
do corpo que exerce pressão sobre o fluido celômico, alterando
a forma do corpo. Como o celoma é compartimentado, a contração
ou expansão do fluido celômico ocorre diferencialmente em cada
segmento. Deste modo é gerada uma onda de contrações
peristálticas que permite que o animal se movimente sobre ou no interior
do substrato onde vive.
Diagrama esquemático de um serpulídeo (anelídeo poliqueta)
secretor de tubos
calcários, que vive fixo a um substrato consolidado, exibindo os radíolos1.
Os anelídeos constituem um filo muito numeroso, com mais de 8000 espécies distribuídas em três classes: Polychaeta, Oligochaeta e Hirudinea2. As evidências mais antigas de anelídeos no registro geológico são encontradas em rochas proterozóicas, provavelmente de origem marinha, estando representados por traços derivados de sua locomoção sobre o substrato.
A classe Polychaeta engloba a maior parte das formas marinhas atuais; organismos deste grupo vivem também em águas salobras ou doces. Os poliquetas são caracterizados pelo corpo segmentado onde cada segmento possui uma série de cerdas denominadas “quetas”. Apesar da morfologia exótica (e às vezes repugnante), alguns poliquetas são extraordinariamente bonitos e coloridos.
Este grupo possui uma grande diversidade adaptativa, podendo viver sobre o substrato (consolidado ou não), rastejando, enterrados no substrato, em escavações, ou habitando tubos secretados para este fim. Poliquetas rastejantes possuem numerosas estruturas sensoriais e apêndices laterais bem desenvolvidos, os parapódios. Muitos poliquetas possuem adaptação para escavação. Alguns deles constroem galerias cujas paredes são revestidas por muco. Neste último grupo, os parapódios são reduzidos e em parte transformados em feições semelhantes a anzóis.
Estas escavações servem como estruturas de proteção ou como esconderijo para capturar suas presas. A escavação pode apresentar forma variável e ser revestida por grãos de areia, bioclastos diversos ou mesmo material orgânico secretado pelo animal, cimentados por muco (Figura 2). Neste grupo destacam-se os Serpulidae, poliquetas que secretam tubos calcários que são fixados às rochas, conchas ou mesmo algas, sendo muito comuns no registro fóssil. Alguns poliquetas são ainda perfuradores de conchas calcárias. Em geral estas escavações e tubos são as únicas estruturas encontradas como fósseis, visto que as partes moles raramente são preservadas.
A classe Oligochaeta (= poucas setae) engloba os principais anelídeos terrestres, embora tenham também representantes de água doce e marinhos. Diferenciam-se dos poliquetas pela ausência de parapódios. A grande maioria, contudo, possui setae, estruturas filamentosas de morfologia variável, que surgem em grupos ou feixes em cada segmento, sendo porém menos numerosas que nos poliquetas. Todos os oligoquetas terrestres são escavadores. Os oligoquetas aquáticos preferem as águas rasas; algumas espécies rastejam sob a vegetação submersa ou outros objetos; outras escavam substrato lamoso ou arenoso e alguns chegam a construir tubos. Seu registro fóssil é bem menos numeroso que o dos poliquetas.
A classe Hirudina possui representantes marinhos, terrestres e de água doce. São vulgarmente chamados de sanguessugas, embora nem todos sejam parasíticos. São os menores anelídeos, com tamanho entre 1 e 30cm. Nestes organismos ambas extremidades foram modificadas para estruturas de sucção. O metamerismo é muito reduzido e não possuem parapódios ou setae. A grande maioria vive em corpos de água doce, de baixa energia. Não são conhecidos no registro fóssil.
Uma estrutura dos poliquetas muito resistente e bem preservada como fósseis, principalmente do Paleozóico, são os escolecodontes. São peças mandibulares submilimétricas (entre 50mm e alguns milímetros), encontradas em geral desarticuladas. Sua classificação normalmente procura relacioná-los a estruturas encontradas nos anelídeos atuais.
Na bacia de Sergipe, os anelídeos fósseis constituem um grupo ainda pouco estudado, embora possam ser bons indicadores paleoecológicos. Se não freqüentes, poliquetas são às vezes encontrados abundantemente em alguns intervalos das seqüências marinhas, principalmente em rochas do Albiano inferior (Fm. Riachuelo)3, Coniaciano (Fm. Cotinguiba)4 e Campaniano superior (Fm. Calumbi). As formas mais comuns são as secretoras de tubos calcários (p. ex., Serpula, Diploconcha e Hamulus), entretanto formas escavadoras (p. ex., Terebella, ocorrem de forma localizada).
Fonte: www.infonet.com.br
Animais como a minhoca e a senguessuga pertencem ao filo anelida ou anelídeos. São vermes anelados, animais cujo corpo se divide em anéis ou segmentos.
Os anelídeos são animais triblásticos, celomados e de simetria bilateral. O celoma não é aqui uma cavidade única, mas se apresenta dividido em partes por septos de origem mesodérmica.
Os anelídeos são classificados segundo o número de cerdos que possuem. De acordo com esse critério, distinguem-se três classes pertencentes ao filo Annelida:
Oligoquetos: classe oligachoeta: anelídeos com formas certas. Exemplo: minhocas.
Poliquetos: classe polychoeta: São anelídeos que possuem muitas cerdas. Exemplo: Wereis
Miruolíneos: classe Mirudínea: quase todas as espécies sem cerdas. Exemplo: sanguessuga.
O principal exemplo de anelídeos é a minhoca, normalmente por seu papel como agente espontânea e voluntária do beneficiamento do solo, em diversos países do mundo.
O corpo é revestido por uma cutícula fina e transparente. Abaixo dela, situa-se um epitélio simples, constituído por células cilíndricas. Nele encontram-se células glandulares secretoras de muco, fotorreceptoras e sensoriais.
O sistema digestivo é completo. Trata-se de um tubo retilíneo, localizado na parte cntral do corpo sustentado por pregas de mosoderme.
O sistema circulatório é fechado, ou seja, o sangue só circula no interior de vasos sanguíneos. Na região dorsal do corpo, pode ser visto externamente, por transparência, um vaso longitudinal dorsal, localizado sobre o intestino.
As minhocas não possuem sistema respiratório. A respiração é cutânea, e a troca de gases dá-se pela pela superfície do corpo, para isso é importante que a célula esteja umedecida, o que facilita a difusão de gases. O sangue, que chega à parede do corpo pelas capilares, libera o gás carbônico e se oxigena.
O sistema nervoso é centralizado. Na extremidade anterior do corpo, há dois gânglios celebrais ou sufra-esofágicos que, por meio de um anel periofágico, se comunicam com dois gânglios subesofágicos.
A reprodução ocorre por fecundação cruzada entre dois indivíduos que se unem pela região de clitelo. Nessa ocasião, uma minhoca deposita espermatozoides no receptáculo seminal da outra. Após a troca de espermatozóides, os animais se separam e forma-se um casulo na região do clitelo.
Existem cerca de 5.300 espécies de poliquetos, a maioria vivente no mar. Os poliquetos diferem dos oligoquetos em vários aspectos. Em primeiro lugar, possuem uma cabeça diferenciada na qual existem apêndices sensitivos. Possuem, ainda, em cada anel do corpo, numerosas cerdas concentradas em expansões laterais, que funcionam como rudimentos, de patas, servindo à locomoção. São os parapódios.
Os hirudíneos, são vermes aquáticos e terrestres que não possuem cerdasd e cuja segmentação externa não corresponde à interna: há cerca de três aneis eneis externos para cada metámetro interno. As sanguessugas possuem nas extremidades do corpo que usam para locomoção e fixação.
Fonte: www.crazymania.com.br