
As Nações Unidas declararam 2011 como o Ano Internacional de Florestas
e o Ministério do Meio Ambiente prepara uma programação de eventos para aumentar
a conscientização sobre a importância das florestas para as pessoas, com destaque
para a conservação, o manejo e o desenvolvimento sustentáveis. "Florestas
para as pessoas" é o tema do Ano, que será lançado no dia 24 de janeiro,
em Nova Iorque (EUA), durante a 9ª Sessão do Fórum das Nações Unidas para
Florestas (UNFF, sigla em inglês).
A logotipo preparada pela ONU mostra o papel fundamental das pessoas na conservação
e exploração sustentável das florestas, que garantem moradia para pessoas,
hábitat para a diversidade biológica e estabilidade para o clima mundial,
além de serem fonte de alimentos, medicamentos e água potável.
Em todo o mundo, as florestas cobrem 31% da área terrestre, servem de casa
para 300 milhões de pessoas e garantem a sobrevivência de 1,6 bilhão de pessoas.
O Brasil, segundo país com a maior extensão florestal do planeta, atrás apenas
da Rússia, tem 516 milhões de hectares de florestas naturais e plantadas,
o que equivale a 60,7% do território nacional, de acordo com dados do Serviço
Florestal Brasileiro (SFB).
Dentre as funções prioritárias definidas pela Organização das Nações Unidas
para Agricultura e Alimentação (FAO), a maior parte das florestas brasileiras
- 190.119.140 de hectares - ainda tem uso prioritário desconhecido ou indefinido,
seguido pelos 128.244.660 hectares das reservas extrativistas, reservas de
desenvolvimento sustentável - unidades de conservação de uso sustentável -
e terras indígenas, consideradas função prioritária de serviço social, por
incluir populações indígenas e comunidades tradicionais entre as beneficiárias
do uso da floresta.
O restante da área de florestas está dividida entre os seguintes usos:
85.148.800 de hectares para proteção do solo e recursos hídricos (estimativa
de 10% da área total do país em áreas de preservação permanente); 49.991.010
de hectares para conservação da biodiversidade em unidades de conservação
federais e estaduais, em sua maioria de proteção integral; 32.284.110 de hectares
para a produção madeireira e não madeireira em florestas nacionais, estaduais
e florestas plantadas; e 30.798.320 de hectares de áreas de proteção ambiental,
outra categoria de unidades de conservação de uso sustentável que permitem
usos múltiplos, como áreas urbanas.
As florestas brasileiras também garantem 615.947 empregos formais, segundo
dados de 2009 do Ministério do Trabalho e Emprego. A maioria dos trabalhadores
- 172.740 - está na indústria moveleira, seguidos pela produção de celulose
e papel (163.182), desdobramento de madeira (83.114), produção florestal em
florestas plantadas (62.877), atividades de apoio à produção florestal (44.419),
produção de estruturas e artefatos de madeira (43.742) e produção florestal
em florestas nativas (6.382).
Ana Flora Caminha
Fonte: www.univercidade.edu

Com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação
das florestas para uma vida sustentável no planeta, a Assembleia Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU), declarou 2011, oficialmente, o Ano
Internacional das Florestas. O tema da celebração é "Florestas
para o Povo".
Segundo a entidade, a intenção é promover ações que incentivem a conservação
e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta do planeta, mostrando
à população mundial que a exploração das matas sem um manejo sustentável pode
causar uma série de prejuízos, como a perda da biodiversidade, o agravamento
das mudanças climáticas, migrações desordenadas para áreas urbanas e o crescimento
da caça e do desmatamento ilegal.
A exploração predatória e o desrespeito ao ciclo de vida natural das florestas
têm como consequência a ameaça da sustentabilidade econômica, das relações
sociais e da vida humana no planeta. Isso acontece porque as floretas são
a fonte, entre outros, de água potável e alimentos. Por outro lado, fornecem
também matérias primas para indústrias essenciais como a farmacêutica e da
construção civil, além de desempenhar um papel vital na manutenção da estabilidade
do clima e do meio ambiente globais.
Atualmente, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(Pnuma), as florestas cobrem 31% da área terrestre total do planeta, abrigam
o lar de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo e têm responsabilidade direta
na garantia da sobrevivência de 1,6 bilhão de pessoas e de 80% da biodiversidade
da Terra. Só em 2004, o comércio mundial de produtos florestais movimentou
US$ 327 bilhões (algo em torno de R$ 588,8 bilhões).
Para saber mais, consulte o site oficial do Ano Internacional das
Florestas (sem versão em português). Lá, o consumidor é convidado
a divulgar ações que pretende promover no próximo ano em defesa das florestas.
No Brasil
O Brasil abriga 60% dos aproximadamente 5,5 milhões de km² da área total da
Floresta Amazônica, a maior do planeta.
A mata se estende por mais oito países: Venezuela, Colômbia,
Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A Amazônia é também
a maior floresta úmida e com maior biodiversidade.
Dentro do Brasil, ela se estende por nove Estados: Amazonas,
Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato
Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional.
Esta riqueza natural, no entanto, tem sido alvo de exploração predatória e
ilegal, ameaçando assim o ciclo natural da reprodução dos recursos, bem como
a subsistência das comunidades indígenas que habitam a região.
O estudo Quem se beneficia com a destruição da Amazônia, realizado em 2008
por iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo,
mostrou que as populações urbanas são as que mais se beneficiam dos recursos
extraídos da floresta.
O levantamento cita dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que apontam o Estado de São Paulo
como o principal comprador da madeira extraída legalmente da Amazônia: "os
paulistas absorvem 23% (12,7 milhões de metros cúbicos de madeira) do total
que se extrai na floresta. A quantidade representa mais do que a soma do volume
adquirido pelos dois estados que aparecem em segundo lugar, Paraná e Minas
Gerais, ambos com 11%", diz o estudo.
No entanto, apesar dos esforços do poder público, o Ministério do Meio Ambiente
(MMA) estimou, em 2008, que o volume de madeira ilegal da Amazônia que abastece
o mercado pode chegar a 90% do total consumido no país. A indústria da construção
civil, segundo o estudo, é a que mais se beneficia dessa matéria prima.
O título de maior exportador mundial de carne do Brasil também acarreta problemas
para as florestas nacionais, já que a expansão das pastagens é um dos principais
motivos para a derrubada das matas nativas. De acordo com o levantamento,
"entre dezembro de 2003 e o mesmo mês de 2006, apenas 4% dos 10 milhões
de novos animais adicionados às fazendas do país não estavam pastando sobre
terrenos que um dia já foram floresta". Ou seja, "o crescimento
da criação de bois fora da Amazônia é praticamente insignificante" conclui
o levantamento.
Outra atividade listada por estar relacionadas ao desmatamento é o cultivo
da soja. Na safra de grãos de 2008, a cultura de soja no país ocupou 21,3
milhões de hectares - o que corresponde a 45% de toda a lavoura brasileira
de grãos - que também é formada por arroz, feijão e café, entre outros. No
entanto, segundo o estudo, "5% da produção de soja brasileira era proveniente
de terras localizadas no bioma amazônico". Além disso, os prejuízos aos
rios e transtornos à população indígena são outras consequências indesejáveis
da ocupação sojeira na Amazônia.
A divulgação desses dados resultou na criação, em 2008, dos pactos empresariais
da madeira, da carne e da soja, iniciativa desencadeada por entidades da sociedade
civil organizada, visando o combate à degradação da floresta amazônica. Ao
assinarem os pactos, as entidades assumem a responsabilidade de não se beneficiar
nem comercializar produtos provenientes da exploração predatória da Amazônia,
além de adotar ações de combate à exploração ilegal da floresta.
Para saber se determinado produto ou empresa assinou cada um dos pactos, o
consumidor pode consultar a lista das empresas e entidades que assinaram os
Pactos Setoriais da Madeira, da Soja e da Carne.
Outro problema relacionada à exploração da Amazônia diz respeito à utilização
de mão-de-obra escrava. Para se informar se determinado produto envolve o
trabalho escravo em sua cadeia produtiva, antes de comprar, o consumidor pode
consultar a Lista Suja do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho. A relação
lista as empresas e pessoas autuadas por exploração do trabalho escravo.
O Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo, formado por empresas,
associações e entidades da sociedade civil, disponibiliza para consulta pública,
uma lista das entidades que se comprometeram e não se beneficiar do trabalho
escravo.
ROGÉRIO FERRO
Fonte: www.akatu.org.br