Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.
Os fatores psicológicos estão ligados ao fato de que as Anoréxicas se imaginam sem liberdade, sem autonomia, controladas demais pela família, mesmo que objetivamente não o sejam,pois ao mesmo tempo que anseiam pela liberdade elas próprias criam seu "pequeno mundo".
Enquanto que os fatores biológicos estão mais relacionados a existência na família de outros casos de Anorexia, de Distúrbio Obsessivo Compulsivo, de Depressão, de Bulimia, sendo eficaz o tratamento com medicamentos que também agem nessas patologias. Finalmente quem já viu uma Anoréxica entrar em coma, e logo ao sair já achar que está pronta para recomeçar os exercícios, sabe que o problema não pode ser apenas emocional.
Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neuro-transmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.
Vários trabalhos apontam para uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram uma taxa de concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro grau de pacientes com anorexia exibem um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.
Os modelos de sistemas familiares procuram identificar determinados padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo, minimização de conflitos, envolvimentos da criança em tensões familiares, pais ausentes, mães que competem com as filhas, etc. Porém, estes fatores hoje são vistos mais como mantenedores do comportamento do que como causais.
Mães que superprotegem as filhas podem influir no aparecimento da anorexia quando as meninas se tornam adolescentes, segundo estudo de psiquiatras britânicos.
A pesquisa com jovens com problemas alimentares mostrou que muitas mães estavam ansiosas na gravidez e cerca de 25% delas havia tido problemas em partos anteriores. "Elas são tão estressadas quanto à perda do primeiro bebê que projetam seus temores na relação com as filhas", disse Philip Shoebridge, do North Bristol National Health Trust.
OBS.: Se alguém perdeu peso por causa de alguma doença consumptiva, ou endocrinológica ou de um Depressão grave, evidentemente não se pode falar de Anorexia Nervosa.
Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.
Um novo estudo realizado na Escócia revelou que a Època do nascimento pode ter relação com a anorexia . Depois de analisar 446 mulheres que apresentavam o distúrbio, os pesquisadores perceberam que grande parte delas havia nascido na primavera e no verão. De acordo com a pesquisa, 13% nasceram entre março e junho . O verão bateu recorde,cerca de 30% mais anoréxicas nasceram no verão.
Diante disso, os cientistas desconfiam que, além de fatores psicológicos e ambientais e da predisposição genética, problemas ocorridos com a mãe durante a gravidez,(como uma gripe), comum nos meses frios, somam-se aos fatores que predispoem a criança na doença.
Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente busca auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento pelas seqüelas físicas e psicológicas da inanição. Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto a este. Por isso, com freqüência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.
Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos.
Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.
Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.
Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correção hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.
A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz
às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que
tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e
o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina.
Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se
que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que
também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.
Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas
são freqüentes. No caso da internação, a taxa de
recidiva imediata é superior a 25%.
É ainda discutível o efeito do tratamento sobre a evolução final a longo prazo da doença. Alguns estudos verificaram que 40% dos pacientes recuperaram-se, 30% melhoraram, 20% permaneceram cronicamente afetados e 10% morreram em consequencia da doença. Problemas de alimentação persistem em mais da metade desses pacientes(21,22). É sabido que quanto mais cedo o diagnóstico e a intervenção, melhor é o prognóstico e também que os homens tem um prognóstico menos favorável que as mulheres. A taxa de mortalidade varia na dependência do tempo de duração do quadro, da precocidade da intervenção, da presença ou não de quadros depressivos associados, do grau de desnutrição e se a anorexia é complicada pela presença de purgação. A taxa bruta de mortalidade varia de 5 a 18%, sendo 5.6 vezes maior que na população geral.
Adolescentes vítimas de anorexia, que apresentam ossos enfraquecidos devido ao distúrbio alimentar, podem recuperar a resistência óssea característica da sua idade ao retomarem hábitos alimentares normais, de acordo com os resultados de um estudo do Hospital Clínico Universitário de Barcelona.
Para algumas pessoas,escrever ajuda bastante,no caso de um paulistana, por exemplo o diário foi o instrumento que melhorou a sua vida. Há oito anos, ela começou a ter anorexia. Na época, pesava 68 quilos. Resolveu fechar a boca e chegou a ficar com 36, sendo que mede 1,60m. "Achava que até água engordava", recorda-se. Hoje, ela recuperou o peso perdido. "Escrever te faz tomar consciência do problema e te fortalece", afirma. A empregada baiana Olinda de Souza, 28 anos, também está superando o problema. Ela conta que não tem muita disciplina para fazer o diário, mas admite que o livro ajuda na terapia.

Também há tratamentos alternativos como o uso da "Erva de São João",popularmente usado como antidepressivo e o uso do "Método Feldenkrais" o qual através do movimento ajuda as anoréxicas. Esta técnica envolve uma série dos exercícios projetados para explorar a junção, o músculo e relacionamentos postural para aumentar a consciência corporal e para desenvolver padrões alternativos do movimento. Um outro objetivo é aflexibilidade e coordenação aumentadas. A técnica emprega também a percepção.
Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.
Mas,a pessoa que tem o problema deve sempre ter em mente que paciência e persistência são fundamentais.A preocupação em quanto se deve ou não engordar e oquanto é "certo" ou não varia muito de pessoa para pessoa.Mas,a necessidade do corpo deve falar sempre mais alto do que a necessidade de se ver magra no espelho,ou seja é importante que a pessoa respeite oque quer e o que sente,seja comendo uma caixa de bis ou frutas,o corpo tem suas necessidades e é importante saber ouvi-las,Mas ,para isso,a imagem que a pessoa tem de seu corpo tem de ser "desligada" na hora em que ela se alimenta,pois só assim a recuperação será realmente boa,se ela partir do interior da pessoa e não da família,amigos,mídia,etc.
O exagero de uma pessoa normal pode ser um bom exemplo para que a pessoa com anorexia não se ache estranha ou que está ngordando rápido demais,pois quanto menor o peso mais difícil é a manutenção dele.
Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa:
Tipo Restritivo
Neste tipo a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Durante o episódio atual, esses pacientes não se desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo
É quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio atual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.
Alguns pacientes incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.Neste caso a paciente transfere seu medo de engordar, adquirido na fase oral, para a região anal. Os vômitos seguidos destróem a flora estomacal e o uso indiscriminado de laxantes, a flora intestinal.

Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo, são menos graves e têm melhor prognóstico que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Esses últimos estão mais propensos a ter outros problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool ou outras drogas, a exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente ativos.
A anorexia traz diversas graves consequência como a osteoporose, graves problemas de circulação,insônia,anemia,Perda de massa muscular,dores estomacais,queda de cabelo,baixa quantidade de potássio,irritação no cólon pelo uso excessivo de laxantes,pés e mãos frios,batimento do coração irregular,etc.
O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorréia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargi. Também pode haver queda significativa na pressão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. Alguns pacientes ficam com os pelos do tronco mais finos desenvolvem (lanugo). A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).
A anorexia nervosa pode levar à morte em conseqüência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. Sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crônicas com inúmeras internações e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função direta da doença é estimado entre 6 e 10%. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel materno mal elaborado, adaptação profissional ruim e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, notadamente a depressão.
Embora alguns pacientes com Anorexia Nervosa não apresentem anormalidades laboratoriais, a característica de semi-inanição pode afetar sistemas orgânicos importantes e produzir uma variedade de distúrbios. A indução de vômitos e o abuso de laxantes, diuréticos e enemas, por exemplo, podem causar diversos distúrbios. A desidratação pode ser refletida por um elevado nível de uréia sangüínea, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados. Níveis alterados de várias substâncias fundamentais ao equilíbrio interno podem acontecer, como por exemplo, hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia. A indução de vômitos pode provocar alcalose metabólica, elevado o bicarbonato sérico, hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.
Os níveis de hormônio tiróideano (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalãmico-pituitário-gonadal em ambos os sexos, no sentido de que o padrão de secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade.
O eletrocardiograma das pessoas com Anorexia Nervosa pode estar também alterado. São observadas diminuição do ritmo cardíaco (bradicardia sinusal) e, algumas vezes, outras arritmias. O eletroencefalograma pode mostrar anormalidades difusas, refletindo uma encefalopatia metabólìca, conseqüente aos distúrbios hidroeletrolíticos. Os exames de imagem cerebral (tomografia) com freqüência podem mostrar um aumento na razão ventricular-cerebral.
Além disso em termos de comportamento podem ficar sequelas como manias obssessivo-compulsiva (limpeza,perfeição,etc),relação anormal com a comida,e ,em muitos casos a cura pode vir acompanhada da compulsão podendo haver também bulimia.A pessoa também pode sofrer de "altos e baixos",havendo,por vezes,a volta da anorexia.
A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de cerca de 1% e, destes, cerca de 90% dos casos são em mulheres. A doença acomete mais freqüentemente classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após dieta de emagrecimento; em 40% por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbeltez com realizações, e populações especiais (notavelmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco incomumente alto para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidéncia de Anorexia Nervosa aumentou nas últimas décadas,principalmente devido a mudanças na sociedade e na mídia.Porém a anorexia tem vários "grupos de risco",podendo ocorrer em homens,crianças e pessoas mais velhas.
A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc. Além disso a ocorrência da síndrome é reforçada numa cultura em que a esbelteza é muito valorizada.

É importante lembrar que o comportamento típico da anorexia ocorre mais facilmente na adolescencia, já que nessa idade há com maior frequência o isolamento, os problemas de relacionamento, a preocupação e vergonha com o corpo, a distorção da auto-imagem, aumento do apetite, modismos alimentares, etc.
Segundo Julia Graber, uma das coordenadoras de um estudo estudo da Universidade da Flórida , cerca de 20% das adolescentes e mulheres jovens americanas experimentam alguma forma de distúrbio alimentar,sendo que cerca de uma em cada 100 adolescentes é anoréxica. Na Argentina 10% das jovens sofrem da doença e o assunto é prioridade da saúde pública. No Brasil a estimativa é de uma em cada 250, mas a procura por tratamento vem dobrando ano a ano.
As adolescentes, principalmente, tem as exigências de uma sociedade que impõem modelos padronizados para vender mais e as suas próprias necessidades de se entregar aos prazeres de um hamburguer, por exemplo. Há ainda um outro problema, que é a preocupação exagerada de algumas mães com o excesso de peso e a aparência física das filhas, levando-as a acreditar que, se não forem assim ou assado, as portas para o futuro não se abrirão. Se alguma coisa vai mal na mente da menina e, justamente, nesse momento em que seu corpo ganha contornos de mulher, há grandes riscos de desenvolver distúrbios alimentares.
De acordo com o documento, cerca de 10% das pessoas diagnosticadas com anorexia ou bulimia são do sexo masculino. O relatório também indica que aproximadamente 20% dos homens que têm desordens alimentares são homossexuais.