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Anorexia Nervosa

 

A anorexia é uma doença psiquiátrica classificada como um tipo de transtorno alimentar. Sua idade mais comum de início é na adolescência e tem nas mulheres suas principais vítimas. Elas têm de 10 a 20 vezes mais chances de desenvolver esse transtorno do que os homens. Trata-se de uma ocorrência mais comum em países desenvolvidos e em profissões que exigem magreza, como modelos e bailarinas.

Anorexia nervosa é um transtorno caracterizado por perda de peso intencional, induzida e mantida pelo paciente. A doença está associada a uma psicopatologia específica, que compreende um medo exagerado de engordar e de ter uma silhueta arredondada, intrusão persistente de uma idéia supervalorizada. Dessa forma, os pacientes impõem a si mesmos um baixo peso. Nos casos de anorexia, existe comumente desnutrição de grau variável, que se acompanha de modificações endócrinas e metabólicas secundárias e de perturbações das funções fisiológicas.

Comumente, como critério de diagnóstico, o indivíduo tem de pesar menos que 85% do peso considerado normal para sua idade e altura ou, seguindo uma orientação alternativa e algo mais rígida, exige que o indivíduo tenha um índice de massa corporal (IMC) (calculado como peso em quilogramas/[altura em metros] igual ou inferior a 17,5 kg/m².

A anorexia não apresenta uma causa específica, mas algumas hipóteses ajudam a entendê-la.

Estas hipóteses podem ser divididas em três grupos: fatores biológicos, da parte física do organismo; fatores sociais e psicodinâmicos. Provavelmente, boa parte desses fatores atue em conjunto para o desencadeamento da doença.

Alguns fatores biológicos têm sido observados em estudos com pacientes anoréxicos, entre eles: aumento de sulcos e ventrículos cerebrais, “espaços” existentes dentro do cérebro, podendo ser mensurado por meio de exames de imagem cerebral, como a ressonância nuclear magnética (RNM). Há, ainda a sugestão de um componente genético, uma vez que existe uma maior concordância em gêmeos idênticos. Outro sinal biológico é a diminuição de um neurotransmissor chamado noradrenalina, também descrita em pacientes com anorexia.

Entre os fatores sociais, destaca-se o apoio para as suas práticas na ênfase que a sociedade dá à elegância e exercícios; problemas de família, que levam o indivíduo a, com a doença, tentar alterar para si a dinâmica tensa dos seus lares; história familiar de depressão, transtornos alimentares ou dependência de álcool.

Já nos fatores psicodinâmicos, a anorexia parece ser uma reação às demandas adolescentes por maior independência e aumento no funcionamento social e sexual. Assim, eles substituem suas preocupações adolescentes normais por preocupações com alimentos e ganho de peso.

O tratamento dessa doença necessita de uma série de exames laboratoriais (função tireoidiana, hemograma, função renal, hepática, glicose e eletrólitos). A duração é variada, bem como o resultado. Da mesma forma que há pacientes que evoluem para a recuperação espontânea, há os que morrem por inanição. O índice de mortalidade por anorexia chega a 18%. Em até 50 % dos casos, os pacientes têm sintomas de bulimia nervosa, que é um outro transtorno alimentar caracterizado por episódios de comer de forma compulsiva, seguidos por medidas compensatórias, como o vômito ou uso de laxantes e diuréticos. O tratamento pode envolver hospitalização, principalmente em estágios mais avançados.

É importante frisar que a maioria dos pacientes não só esconde a doença, como rejeita o tratamento psiquiátrico. Por isso, a família e os amigos têm papel importante para a adesão e conseqüente sucesso do tratamento. Entre as psicoterapias, a terapia psicanalítica parece ser pouco efetiva a curto prazo. Isso porque, como essa doença pode ter uma evolução rápida, podemos não ter tempo para ela. As terapias cognitivo-comportamentais parecem ser mais úteis a curto prazo. A terapia familiar também pode ser útil.

A anorexia nervosa deve ser encarada como uma doença bastante séria e perigosa, que deve ser evitada e combatida amplamente. As populações mais sujeitas devem ser monitoradas periodicamente, como no caso das modelos, para evitar desfechos tristes como temos visto. Mas é sempre importante ressaltar que a anorexia não é uma doença exclusiva de pessoas que usam a silhueta do corpo como parte fundamental de sua profissão, mas também pode ocorrer com qualquer outra pessoa, por isso devemos ficar atentos e, aos primeiros sinais, procurar ajuda especializada.

Raphael Boechat

Fonte: www.unb.br

Anorexia Nervosa

O que é?

Anorexia nervosa é um transtorno alimentar no qual a busca implacável por magreza leva a pessoa a recorrer a estratégias para perda de peso, ocasionando importante emagrecimento. As pessoas anoréxicas apresentam um medo intenso de engordar mesmo estando extremamente magras. Em 90% dos casos, acomete mulheres adolescentes e adultas jovens, na faixa de 12 a 20 anos. É uma doença com riscos clínicos, podendo levar à morte por desnutrição.

Tipos de Anorexia Nervosa

Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa.

Tipo Restritivo

Neste tipo a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Durante o episódio atual, esses pacientes não se desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo

É quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio atual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Alguns pacientes incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.

Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo, são menos graves e têm melhor prognóstico que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Esses últimos estão mais propensos a ter outros problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool ou outras drogas, a exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente ativos.

Sintomas da Anorexia Nervosa

A. Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
B.
Medo intenso de ganhar peso ou se tornar gordo mesmo com o peso abaixo do normal.
C.
Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.
D.
Nas mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por ex., estrógeno).

O que se sente?

Perda de peso em um curto espaço de tempo.
Alimentação e preocupação com peso corporal tornam-se obsessões.
Crença de que se está gordo, mesmo estando excessivamente magro.
Parada do ciclo menstrual (amenorréia).
Interesse exagerado por alimentos.
Comer em segredo e mentir a respeito de comida.
Depressão, ansiedade e irritabilidade.
Exercícios físicos em excesso.
Progressivo isolamento da família e amigos.

Complicações médicas

Desnutrição e desidratação.
Hipotensão (diminuição da pressão arterial).
Anemia.
Redução da massa muscular.
Intolerância ao frio.
Motilidade gástrica diminuída.
Amenorréia (parada do ciclo menstrual).
Osteoporose (rarefação e fraqueza óssea).
Infertilidade em casos crônicos.

Quais são as causas?

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa.

Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, sabidamente ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.

Vários trabalhos apontam para uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram uma taxa de concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro grau de pacientes com anorexia exibem um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.

Os modelos de sistemas familiares procuram identificar determinados padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo, minimização de conflitos, envolvimentos da criança em tensões familiares, pais ausentes, mães que competem com as filhas, etc. Porém, estes fatores hoje são vistos mais como mantenedores do comportamento do que como causais.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes freqüentemente começa na tentativa de controlar o apetite e o peso. É provável que 30 a 50% dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais freqüentemente Transtorno da Personalidade Borderline).

Evidências preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação.

Como se desenvolve?

A preocupação com o peso e a forma corporal leva o adolescente a iniciar uma dieta progressivamente mais seletiva, evitando ao máximo alimentos de alto teor calórico.

Aparecem outras estratégias para perda de peso como, por exemplo: exercícios físicos excessivos, vômitos, jejum absoluto.

A pessoa segue se sentindo gorda, apesar de estar extremamente magra, acabando por se tornar escrava das calorias e de rituais em relação à comida. Isola-se da família e dos amigos, ficando cada vez mais triste, irritada e ansiosa. Dificilmente, a pessoa admite ter problemas e não aceita ajuda de forma alguma. A família às vezes demora para perceber que algo está errado. Assim, as pessoas com anorexia nervosa podem não receber tratamento médico, até que tenham se tornado perigosamente magras e desnutridas.

Como se trata?

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois, como imos, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correçào hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. No caso da internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

Como se previne?

Uma diminuição da pressão cultural e familiar com relação à valorização de aspectos físicos, forma corporal e beleza pode eventualmente reduzir a incidência desses quadros. É fundamental fornecer informações a respeito dos riscos dos regimes rigorosos para obtenção de uma silhueta 'ideal', pois eles têm um papel decisivo no desencadeamento dos transtornos alimentares.

Fonte: ibahia.globo.com

Anorexia Nervosa

Principais características da anorexia nervosa:

Recusa em manter um peso normal mínimo para a idade e altura.
Perda de 15% ou mais do peso original.
Medo intenso de ganhar peso ou engordar.
Receio que o aumento de peso esteja fora de controlo.
Imagem corporal distorcida.
Amenorreia nas mulheres (perda de menstruação).

Comportamentos associados à anorexia nervosa:

Restrição dietética.
Acumular, dissimular, debicar, desfazer e deitar fora comida.
Comportamentos compulsivos ou ritualistas tais como cortar a comida em pedaços pequenos ou arrumar os alimentos no prato.
Comportamentos associados à ansiedade ao lidar com certos géneros alimentares (medir, pesar).
Preocupação com comida, ler receitas, preparar refeições apenas para outros.
Usar roupa larga ou em várias camadas para esconder a perda de peso.
Atividade compulsiva e exercício físico.
Isolamento social, secretismo.

Consequências físicas da perda de peso:

Dificuldade em concentrar-se e pensar claramente.
Sensibilidade ao frio.
Pressão arterial baixa que poderá resultar em desmaio, tonturas, perda da consciência.
Fraqueza generalizada.
Atrofia dos músculos e de outros orgãos tais como o cérebro.
Enfraquecimento ou queda de cabelo.
Tom de pele pálido (anémico).
Desidratação que poderá provocar prisão de ventre e pele seca.
Osteoporose (porosidade excessiva dos ossos)
Desenvolvimento de lanugem (cabelo fino como penugem) na face e braços.

A anorexia nervosa é mais frequente entre as pessoas do genero feminino (95% dos anorécticos são mulheres) e normalmente tem início durante a adolescência. O indivíduo típico que sofre de anorexia nervosa é um adolescente do genero feminino de elevado desempenho. Uma das características das pessoas com anorexia nervosa é a tendência para o perfeccionismo e dificuldade de adaptação a mudanças.

A anorexia nervosa pode desenvolver-se a partir de dietas e continuar num ciclo de perder de peso e não comer.

Os indivíduos com anorexia nervosa podem exibir uma combinação de comportamentos restrictivos e purgantes (laxativos, diuréticos, vómito auto-provocado) para manter um peso baixo. Os comportamentos restrictivos incluem comer pouco, evitar alimentos de calorias elevadas e dedicar-se a exercício estenuante.

Estes comportamentos afetam a saúde física do indivíduo, a auto-estima e os sentimentos de competência. Quinze por cento das pessoas que desenvolvem anorexia morrem diretamente da doença ou das consequências dessa patologia alimentar como por exemplo paragem cardíaca.

O tratamento da anorexia nervosa deverá ser individualizado e pode incluir: programas de internamento hospitalar, programas diários para pacientes não internados, medicação, em particular anti-depressivos para aliviar os sintomas da depressão e psicoterapia individual ou de grupo. Os terapeutas utilizam várias abordagens entre elas a mais comum para o tratamento da anorexia nervosa inclui terapia comportamental, terapia comportamental-cognitiva, terapia familiar e terapias psicodinâmicas ou de expressão artística. Sheena’s Place funciona como um recurso comunitário para o apoio a anorécticos em qualquer altura da sua recuperação.

Fonte: www.sheenasplace.org

Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é um distúrbio caracterizado por uma distorção da imagem corpórea, um medo extremo da obesidade, a recusa em manter um peso corpóreo mínimo normal e que, nas mulheres, produz a ausência de períodos menstruais. Cerca de 95% dos indivíduos que sofrem de anorexia nervosa são do genero feminino.

Ela geralmente inicia na adolescência, às vezes antes e menos freqüentemente na idade adulta. A anorexia nervosa afeta sobretudo indivíduos das classes sócio-econômicas média e alta. Na sociedade ocidental, o número de indivíduos com esse distúrbio parece estar aumentando. A anorexia nervosa pode ser leve e temporária ou grave e prolongada.

Foram relatadas taxas de mortalidade de até 10 a 20%. No entanto, como existe a possibilidade de casos leves não terem sido diagnosticados, não se conhece exatamente quantos indivíduos sofrem de anorexia nervosa ou qual a porcentagem de indivíduos morrem em decorrência da mesma. A sua causa é desconhecida, mas os fatores sociais parecem ser importantes.

O desejo de ser magro é algo muito freqüente na sociedade ocidental e a obesidade é considerada pouco atrativa, não saudável e indesejável. Mesmo antes da adolescência, as crianças estão ao par dessas atitudes e dois terços das adolescentes fazem dieta ou adotam outras medidas para controlar o peso. No entanto, somente uma pequena porcentagem delas desenvolve anorexia nervosa.

Sintomas

Muitas mulheres que mais tarde apresentam anorexia nervosa são meticulosas e compulsivas, com metas muito elevadas de realização e êxito.

Os primeiros indicadores da iminência do distúrbio são o aumento da preocupação em relação à dieta e ao peso corpóreo, inclusive entre aquelas que já são magras, como é a maioria dos indivíduos com anorexia nervosa. A preocupação e a ansiedade em relação ao peso aumentam à medida que eles se tornam cada vez mais magros. Mesmo quando chega à emaciação, o indivíduo declara que se sente obeso, nega estar apresentando algum problema, não se queixa de falta de apetite ou de perda de peso e, geralmente, resiste ao tratamento.

O indivíduo geralmente não procura um médico até serem levados por membros da família que se mostram preocupados. Anorexia significa “falta de apetite”, mas, na verdade, os indivíduos com anorexia nervosa têm apetite e preocupam-se com a alimentação.

Eles estudam regimes e calorias; acumulam, escondem e desperdiçam deliberadamente os alimentos; colecionam receitas e preparam refeições elaboradas para os outros. Metade dos que sofrem de anorexia nervosa come compulsivamente e em seguida realiza a purgação através do vômito ou do uso de laxantes e diuréticos.

A outra metade simplesmente restringe a quantidade de alimentos ingeridos. A maioria também exercita-se excessivamente para controlar o peso. As mulheres param de menstruar, algumas vezes antes de perder muito peso. Tanto as mulheres quanto os homens podem perder o interesse sexual. Tipicamente, eles apresentam uma baixa freqüência cardíaca, hipotensão arterial, baixa temperatura corpórea, edema tissular causada pelo acúmulo de líquido e pêlos finos e macios ou excesso de pilificação corpórea ou facial.

Os anoréxicos que emagrecem muito tendem a manter uma grande atividade,incluindo a prática de programas de exercícios intensos. Eles não apresentam sintomas de deficiências nutricionais e, surpreendentemente, estão livres de infecções. A depressão é comum e os indivíduos com esse distúrbio freqüentemente mentem sobre a quantidade de alimento consumido e ocultam o vômito e os hábitos alimentares peculiares. As alterações hormonais resultantes da anorexia nervosa incluem níveis acentuadamente reduzidos de estrogênio e do hormônio tireoidiano e níveis aumentados de cortisol. Se o indivíduo tornar-se gravemente desnutrido, todos os principais sistemas orgânicos podem ser afetados.

Os mais perigosos são os problemas cardíacos e os relacionados a líquidos e eletrólitos (sódio, potássio, cloreto). O coração torna-se mais fraco e bombeia menos sangue para o organismo. O indivíduo pode apresentar desidratação e propensa ao desmaio. O sangue pode tornar-se ácido (acidose metabólica) e a concentração de potássio no sangue pode diminuir. O vômito e o uso de laxantes e diuréticos podem piorar o quadro. Pode ocorrer a morte súbita, provavelmente em decorrência de arritmias cardíacas.

Diagnóstico e Tratamento

Normalmente, a anorexia nervosa é diagnosticada baseando-se na perda de peso acentuadae nos sintomas psicológicos característicos.

O anoréxico típico é uma adolescente que perdeu pelo menos 15% de seu peso corpóreo, teme a obesidade, parou de menstruar, nega estar doente e parece saudável.

Em geral, o tratamento consiste em duas etapas: a primeira é a restauração do peso corpóreo normal; a segunda, a psicoterapia, freqüentemente complementada com um tratamento medicamentoso. Quando a perda de peso ocorre de forma rápida ou grave – por exemplo, mais de 25% abaixo do peso corpóreo ideal –, a recuperação do peso é crucial.

Essa perda de peso pode colocar em risco a vida do indivíduo. Comumente, o tratamento inicial é realizado em ambiente hospitalar, onde membros experientes da equipe médica incentivam – de modo firme, porém delicado – o indivíduo a alimentar-se. Raramente, o paciente é alimentado através da via intravenosa ou através de uma sonda gástrica que é inserida pelo nariz. Quando o estado nutricional do indivíduo é considerado aceitável, é instituído um tratamento de longo prazo, o qual é melhor realizado por especialistas em distúrbios alimentares.

Este tratamento pode incluir a psicoterapia individual, em grupo, ou familiar, além de medicamentos. Quando a depressão é diagnosticada, são prescritos medicamentos antidepressivos. O tratamento visa estabelecer um ambiente tranqüilo, estável e interessado no indivíduo, estimulando-o a consumir uma quantidade adequada de alimento.

Fonte: www.msd-brazil.com

Anorexia Nervosa

Características e curiosidades sobre a doença

Anorexia

A anorexia nervosa é uma doença crônica definida por uma distorção da imagem corporal, ou seja, a forma, o peso e o tamanho do seu corpo, levando sempre a uma insatisfação. O corpo magro é o ideal de beleza, sendo a perfeição para o paciente anoréxico.

A busca constante por esse ideal pode causar conseqüências graves que, se não forem tratadas rapidamente e de maneira eficaz, podem levar à morte por inanição e desnutrição.

Alguns comportamentos, típicos de quem sofre da doença podem ser observados:

Recusa alimentar
Medo mórbido de engordar
Longos períodos de jejum ou restrição alimentar
Uso de remédios para inibição do apetite
Laxantes e diuréticos, sendo geralmente mais do que 15% da massa corpórea
Inibição de pelo menos três ciclo menstruais consecutivos
Diminuição do apetite sexual (em ambos os generos)
Constipação intestinal
Perda óssea
Hipoglicemia
Alterações dermatológicas como pele seca, cabelos quebradiços e unhas fracas e descamativas.

A anorexia nervosa ocorre com muita freqüência no mundo todo, principalmente em jovens do genero feminino, com idade entre 10 e 19 anos, na proporção de 10 a 20 mulheres para cada homem. Seu prognóstico só foi devidamente definido nos anos 80, depois de ter passado por diversas classificações. Alguns sinais e comportamentos de risco devem estar em observação constante para que a doença possa ser evitada.

São eles:

Excesso de exercícios físicos
Restrição de diversas comidas, principalmente as mais calóricas ou gordurosas
Fadiga
Desconforto com a presença da comida
Hábitos alimentares diferentes, como cortar a comida em minúsculos pedaços;
Avaliação freqüente do próprio peso
Culpa ou vergonha de comer
Dores de cabeça
Dificuldade de alimentação na frente de outras pessoas
Depressão
Irritabilidade
Mudanças de humor constantes
Inseguranças pessoais
Busca por aprovação
Perfeccionismo
A diminuição gradativa das atividades sociais e isolamento também é uma característica da anorexia, mas pode ser confundidad com a “Síndrome da Adolescência Normal”, que também relata comportamentos de isolamento em adolescentes.

Outro comportamento bastante freqüente nos anoréxicos é o costume de esconder comidas pelos armários, embaixo da cama ou nos banheiros, para não haver dúvidas de que as consumiram. A auto-estima dos pacientes com anorexia nervosa depende obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações de seu estado de desnutrição. Como conseqüências orgânicas também são observadas diminuição do ritmo cardíaco e, algumas vezes, outras arritmias.

A anorexia nervosa pode levar à morte, em conseqüência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades conjugais, com a maternidade e profissionais; e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, como a depressão. Além disso, em termos de comportamento podem ficar seqüelas como manias de limpeza e perfeição, às quais são chamadas obssessivo-compulsivas. Em muitos casos a cura pode vir acompanhada da compulsão alimentar, podendo haver também bulimia.

A terapêutica para a anorexia nervosa é feita com medicamentos e pela alimentação adequada, sendo bastante recomendado o acompanhamento multidisciplinar, com psicólogo, psiquiatra, médico e nutricionista, para que o tratamento seja mais eficaz. Em se tratando da realimentação do paciente anoréxico, esta deve ser cuidadosa para não provocar aumentos bruscos de peso, sendo recomendados alimentos leves e de boa qualidade nutricional.

A psicoterapia individual é indicada visando à modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento. A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz com a utilização de antidepressivos e estimulantes do aumento do apetite. Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. Quanto mais cedo o diagnóstico e a intervenção, melhor é o prognóstico. Para algumas pessoas, o uso de instrumentos como diários, ajuda na conscientização do problema, através do desabafo de medos e angústias. Além disso, é importante a descrição da alimentação diária e a relação desta com a vida pessoal, auxiliando na terapia.

Fonte: www.senado.gov.br

Anorexia Nervosa

Anorexia
Anorexia Nervosa

Anorexia nervosa é um distúrbio alimentar resultado da preocupação exagerada com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. A pessoa se olha no espelho e, embora extremamente magra, se vê obesa. Com medo de engordar, exagera na atividade física, jejua, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos.

É um transtorno que se manifesta principalmente em mulheres jovens, embora sua incidência esteja aumentando também em homens. Às vezes, os pacientes anoréxicos chegam rapidamente à caquexia, um grau extremo da desnutrição e o índice de mortalidade chega a atingir 15% a 20% dos casos.

Sintomas

Perda exagerada de peso em curto espaço de tempo sem nenhuma justificativa. Nos casos mais graves, o índice de massa corpórea chega a ser inferior a 17
Recusa em participar das refeições familiares. Os anoréxicos alegam que já comeram e que não estão mais com fome
Preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos. Esses pacientes chegam a ingerir apenas 200kcal por dia
Interrupção do ciclo menstrual (amenorréia) e regressão das características femininas
Atividade física intensa e exagerada
Depressão, síndrome do pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos
Visão distorcida do próprio corpo. Apesar de extremamente magras, essas pessoas julgam-se com excesso de peso
Pele extremamente seca e coberta por lanugo (pêlos parecidos com a barba de milho).

Causas

Diversos fatores favorecem o aparecimento da doença: predisposição genética, o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância, a pressão da família e do grupo social e a existência de alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente nas concentrações de serotonina e noradrenalina.

Recomendações

Algumas profissões são consideradas de risco para a anorexia. Bailarinas, jóqueis, atletas olímpicos, precisam estar atentos para a pressão que sofrem para reduzir o peso corporal
A faixa etária está baixando nos casos de anorexia. A família precisa observar especialmente as meninas que disfarçam o emagrecimento usando roupas largas e soltas no corpo e se recusam a participar das refeições em casa
Às vezes, os familiares só se dão conta do que está acontecendo quando, por acaso, surpreendem a paciente com pouca roupa e vêem seu corpo esquelético, transformado em pele e osso. Nesse caso, é urgente procurar atendimento médico especializado
O ideal de beleza que a sociedade e os meios de comunicação impõem está associado à magreza absoluta. É preciso olhar para esses apelos com espírito critico e bom senso e não se deixar levar pela mensagem enganosa que possam expressar
Se o paciente anoréxico estiver correndo risco por causa da caquexia e dos distúrbios psiquiátricos deve ser internado num hospital para tratamento médico.

Tratamento

A reintrodução dos alimentos deve ser gradativa. Caso contrário provocaria grande sobrecarga cardíaca. Às vezes, é necessária a internação hospitalar para que essa oferta gradual de calorias seja controlada por nutricionistas.

Não há medicação específica para a anorexia nervosa. Medicamentos antidepressivos podem ajudar a atenuar sintomas depressivos, compulsivos e de ansiedade. Em geral, o tratamento de pacientes anoréxicos exige o trabalho de equipe multidisciplinar.

Fonte: www.drauziovarella.com.br

Anorexia Nervosa

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo e, assim sendo, a recusa alimentar é apenas uma conseqüência dessa distorção doentia do esquema corporal.

O termo Anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar.

A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.

Normalmente a pessoa anorética mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.

A pessoa que pesa menos que 85% do peso considerado normal para a idade e altura costuma ser um dado valioso para se pensar em anorexia. A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) recomenda que a pessoa tenha um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou inferior a 17, 5 kg/m2 sugestivo de anorexia. O IMC é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Essas medidas ou índices são apenas diretrizes sugeridas para o clínico, pois não é razoável especificar um padrão único para um peso normal mínimo aplicável a todos os pacientes de determinada idade e altura. Ao determinar um peso normal mínimo, o médico deve considerar não apenas essas diretrizes, mas sobretudo a constituição corporal e a história ponderal do paciente.

A perda de peso nas pessoas com Anorexia Nervosa é obtida, principalmente, através da redução do consumo alimentar total, embora alguns pacientes possam começar "o regime" excluindo de sua dieta aquilo que percebem como sendo alimentos altamente calóricos. De modo geral, a maioria dos pacientes termina com uma dieta muito restrita, por vezes limitada a apenas alguns poucos tipos de alimentos. Nos casos mais graves o paciente adota métodos adicionais de perda de peso, os quais incluem auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes ou diuréticos e prática de exercícios intensos ou excessivos.

As pessoas com este transtorno têm muito medo de ganhar peso ou ficar gordos e este medo geralmente não é aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal freqüentemente aumenta à medida que o peso real diminui.

A vivência e a importância do peso e da forma corporal, como dissemos, são distorcidas nesses pacientes. Alguns deles acham que têm um excesso de peso global, independentemente dos resultados contrários da balança. Outros percebem que estão magros, mas ainda assim se preocupam com o fato de certas partes de seu corpo, particularmente abdômen, nádegas e coxas, estarem "muito gordas".

Na Anorexia Nervosa os pacientes podem empregar uma ampla variedade de técnicas para estimar seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas como "gordas". A auto-estima dos pacientes com Anorexia Nervosa depende obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações de seu estado de desnutrição.

As mulheres que já menstruam costumam apresentar supressão das menstruações (amenorréia) quando acometidas de Anorexia Nervosa. Isso é devido a níveis anormalmente baixos de secreção de estrógenos que, por sua vez, devem-se a uma redução da secreção de hormônio folículo-estimulante([FSH) e hormônio luteinizante (LH) pela pituitária. Essa ocorrência indica séria disfunção fisiológica na Anorexia Nervosa. A amenorréia em geral é uma conseqüência da perda de peso mas, em uma minoria de pacientes pode precedê-la. Em jovens pré-púberes, o aparecimento de menstruações (menarca) pode ser retardada pela doença.

Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente busca auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento subjetivo acerca das seqüelas físicas e psicológicas da inanição. Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto a este. Por isso, com freqüência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.

Um estranho comportamento em relação à comida pode ser exibido por alguns desses pacientes. Eles costumam esconder comidas pelos armários, banheiros, dentro de roupas ou podem preparar pratos extremamente elaborados para amigos ou familiares. Ou ainda, podem procurar empregos como garçonetes, cozinheiros ou simplesmente colecionar receitas e artigos sobre comida. A preocupação crescente com alimentos corre juntamente com a diminuição no consumo. Assim, intensifica o medo de ceder ao impulso de comer e aumentam as proibições contra ela. Padrões de pensamento pré-mórbidos assumem um novo significado, um estilo de raciocínio de tudo-ou-nada leva a conclusão de que um grama de peso ganho significa uma transição de normal para gordo.

Transtornos Associados

Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com Anorexia Nervosa manifestam sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por genero. Esses pacientes podem ter quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para Transtorno Depressivo Maior. Muitos dos aspectos depressivos podem ser secundários às seqüelas fisiológicas e clínicas da desnutrição. Os sintomas de perturbação do humor devem, portanto, ser reavaliados após uma recuperação completa ou parcial do peso.

Características Obsessivo-Compulsivas, tanto relacionadas quanto não relacionadas com comida, com freqüência são proeminentes. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa preocupa-se excessivamente com alimentos, como dissemos acima.

Observações de comportamentos associados com outras formas de restrição alimentar sugerem que as obsessões e compulsões relacionadas a alimentos podem ser causadas ou exacerbadas pela desnutrição. Quando os pacientes com Anorexia Nervosa apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, pode haver um diagnóstico conjunto e concomitante de Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

Outras características ocasionalmente associadas com a Anorexia Nervosa incluem preocupações acerca de comer em público, sentimento de inutilidade, uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional demasiadamente refreadas.

Embora alguns pacientes com Anorexia Nervosa não apresentem anormalidades laboratoriais, a característica de semi-inanição deste transtorno pode afetar sistemas orgânicos importantes e produzir uma variedade de distúrbios. A indução de vômitos e o abuso de laxantes, diuréticos e enemas, por exemplo, podem causar diversos distúrbios. A desidratação pode ser refletida por um elevado nível de uréia sangüínea, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados. Níveis alterados de várias substâncias fundamentais ao equilíbrio interno podem acontecer, como por exemplo, hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia. A indução de vômitos pode provocar alcalose metabólica, elevado o bicarbonato sérico, hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.

Os níveis de hormônio tiroideano (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalãmico-pituitário-gonadal em ambos os generos, no sentido de que o padrão de secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade.

O eletrocardiograma das pessoas com Anorexia Nervosa pode estar também alterado. São observadas diminuição do ritmo cardíaco (bradicardia sinusal) e, algumas vezes, outras arritmias. O eletroencefalograma pode mostrar anormalidades difusas, refletindo uma encefalopatia metabólìca, conseqüente aos distúrbios hidroeletrolíticos. Os exames de imagem cerebral (tomografia) com freqüência podem mostrar um aumento na razão ventricular-cerebral.

O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorréia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargia. Também pode haver queda significativa na pressão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. Alguns pacientes ficam com os pelos do tronco mais finos desenvolvem (lanugo). A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).

A anorexia nervosa pode levar à morte em conseqüência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. Sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crônicas com inúmeras internações e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função direta da doença é estimado entre 6 e 10%. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel materno mal elaborado, adaptação profissional ruim e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, notadamente a depressão.

Características da Cultura, da Idade e do Genero

A Anorexia Nervosa parece ter uma prevalência bem maior em sociedades industrializadas, nas quais existe abundância de alimentos e onde, especialmente no tocante às mulheres, ser atraente está ligado à magreza. O transtorno é provavelmente mais comum nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e África do Sul, mas poucos trabalhos examinaram a prevalência em outras culturas. Os pacientes que emigraram de culturas nas quais o transtorno é raro para culturas nas quais o transtorno é mais prevalente podem desenvolver Anorexia Nervosa, à medida que assimilam os ideais de elegância ligados à magreza.

Fatores culturais também podem influenciar as manifestações do transtorno. Por exemplo, em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, podendo a motivação expressada para a restrição alimentar ter um conteúdo diferente, como desconforto epigástrico ou antipatia por certos alimentos.

A Anorexia Nervosa raramente inicia antes da puberdade, mas existem indícios de que a gravidade das perturbações mentais associadas pode ser maior nos pacientes pré-púberes que desenvolvem a doença. Entretanto, também há dados que sugerem que quando a doença se inicia durante os primeiros anos da adolescência (entre 13 e 18 anos de idade), ela pode estar associada com um melhor prognóstico. Mais de 90% dos casos de Anorexia Nervosa ocorrem em mulheres.

Epidemiologia

A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de 1% e, destes, cerca de 90% dos casos são em mulheres. A doença acomete mais freqüentemente classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após dieta de emagrecimento; em 40% por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbelteza com realizações, e populações especiais (notavelmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco incomumente alto para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidência de Anorexia Nervosa tem aumentado nas últimas décadas.

Curso

A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc.

O curso e evolução da Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns pacientes se recuperam completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de ganho de peso seguido de recaída e outros vivenciam um curso crônico e deteriorante ao longo de muitos anos. A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso e para a correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos. Dos pacientes baixados em hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa é em torno de 10%. A morte ocorre, com maior freqüência, por inanição, suicídio ou desequilíbrio eletrolítico.

Existe um risco aumentado de Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com o transtorno. Um risco maior de Transtornos do Humor, principalmente depressão, também foi constatado entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com Anorexia Nervosa.

Meninas com nove anos já fazem dieta

Uma investigação conduzida no Reino Unido revela que, aos nove anos, são já muitas as crianças que se preocupam com o seu aspecto físico. Os cientistas da Universidade de Leeds chegaram à conclusão que uma e cada cinco meninas com nove anos de idade fazem dieta porque, na escola, os colegas troçam do seu aspecto físico.

O investigador principal do estudo, Andrew Hill, alerta para o risco que estas crianças correm de vir a desenvolver desordens alimentares durante a adolescência.

Isto porque a forma encontrada pelas meninas para reduzir o peso passa, muitas vezes, por saltar refeições, evitar determinados tipos de comida e/ou comer menos durante o dia. Através do estudo, percebeu-se que existe um grupo etário específico que está a desenvolver uma preocupação exagerada em torno da imagem.

No recreio, as crianças mais gordas são alvo de troça dos colegas mas são vários os fatores contribuem para esta preocupação: a pressão do órgãos de comunicação social, dos pares e da própria família. Todos estes vetores, em conjunto, levam as crianças a acreditar que, realmente, «é esteticamente agradável ser magro». Os investigadores também perceberam que as meninas que são alvo de troça por parte dos seus colegas apresentam uma personalidade mais frágil e baixa auto-estima, mesmo quando não são, de fato, gordas.

A psicóloga Denise Bellotto de Moraes, da disciplina de nutrição e metabolismo da Unifesp foi responsável por pesquisa que avaliou o comportamento de 316 adolescentes de dez a 19 anos de uma escola particular de SP.

No levantamento, verificou-se que metade das 178 meninas estava insatisfeita com seus corpos, contra 30% dos meninos. Das garotas, 30% faziam dieta sem precisar. Para nutricionistas, fisiologistas e pediatras o resultado dessa obsessão com as dietas é preocupante e pode comprometer o desenvolvimento, podendo, inclusive ser o início de distúrbios alimentares graves, como a bulimia e a anorexia.

O primeiro passo para uma alimentação saudável na adolescência é entender e aceitar as mudanças do corpo. Por exemplo; é normal que as meninas ganhem alguns quilos por volta dos dez anos, pois elas precisam de depósitos de gordura ( em média elas têm de ter de 18% a 20%) para a produção dos hormônios da puberdade e para se preparar para o fenômeno do "estirão", quando crescem rapidamente.

Critérios Diagnósticos Anorexia Nervosa

Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).

Medo intenso de ganhar peso ou se tornar gordo mesmo com o peso abaixo do normal.

Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.

Nas mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por ex., estrógeno.)

Especificar tipo

Tipo Restritivo

Durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o paciente não se envolveu regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômitos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo

Durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).

Tratamento

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois, como imos, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correçào hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. No caso da internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

Fonte: virtualpsy.locaweb.com.br

Anorexia Nervosa

É uma perturbação psicológica com implicações físicas e emocionais graves. Afeta predominantemente as adolescentes com maior risco de incidência entre os 14-18 anos, podendo iniciar-se mais cedo. Embora seja predominante no genero feminino, surge também no genero masculino. Caracteriza-se essencialmente por um medo intenso de engordar mesmo quando muito magra, por uma perda de peso superior a 15% em relação ao peso esperado, por uma alteração significativa da percepção do tamanho e forma corporais e ausência de, pelo menos, 3 ciclos menstruais consecutivos.

Para que a Anorexia Nervosa surja é necessária a conjugação, num dado momento, de determinados fatores: a jovem adolescente ter determinadas características de personalidade, vivenciar algumas dificuldades e problemas pessoais e iniciar uma dieta. No entanto, tudo começa um pouco antes da dieta.

Habitualmente são jovens com uma auto-estima baixa, alguns traços obsessivos, dúvidas acerca do seu valor pessoal, com padrões elevados de exigência e responsabilidade, inseguras, que não sentem confiança em si e com dificuldades em estabelecer relações com os outros. Ou seja, sentem que não conseguem gerir a sua vida, tomar decisões ou simplesmente fazer as coisas bem, o que faz com que se centrem no seu corpo e no seu controlo como forma de obterem valor pessoal.

Numa 1a fase da perda de peso são elogiadas, no entanto, as jovens começam a sentir que precisam de força de vontade para controlar a fome e emagrecer.

Assim, a perda de peso é percepcionada como uma vitória pessoal.

Inicialmente e quando o diagnóstico está confirmado verifica-se sempre uma reação de negação de qualquer tipo de ajuda, levando muitas vezes a conflitos familiares e sociais.

Esta situação clínica quando não detectada a tempo pode tornar-se numa doença crónica, sendo que a taxa de mortalidade é de 5%.

Fonte: www.huc.min-saude.pt

Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar que afeta sobretudo mulheres jovens. As pessoas com anorexia sentem um medo intenso de engordar e perder o controlo das suas formas corporais.

A falta de uma nutrição adequada pode provocar problemas de saúde físicos e mentais, por isso a anorexia deve ser tratada assim que possível.

Muitas vezes, a anorexia nervosa surge entre os 15 e os 25 anos, mas pode desenvolver-se em crianças mais novas e em pessoas mais velhas. Embora 90% das pessoas que desenvolvem anorexia sejam mulheres, esta doença também afeta os homens.

É difícil estimar a amplitude da anorexia, mas os estudos indicam que 1% das jovens do genero feminino (com idades entre os 15 e os 25 anos) sofrem deste problema.

Sintomas

O principal sintoma físico da anorexia é a perda de peso resultante de da pouca ingestão de alimentos. As crianças com anorexia continuarão a ganhar peso, mas menos do que o normal para uma criança da mesma idade.

Outros sintomas podem incluir dores de barriga, prisão de ventre ou diarreia, desmaios ou vertigens, pele seca, áspera ou descolorada, cabelo fino, quebradiço ou queda de cabelo, problemas dentários causados pelo ácido do estômago, que apodrece o esmalte dos dentes com repetidas induções de vómito, insónia ou fadiga.

Muitas vezes as mulheres com anorexia deixam de ter menstruações. Em crianças e adolescentes, pode atrasar a puberdade e causar problemas no seu desenvolvimento físico.

A anorexia também pode causar alterações de personalidade e comportamento.

Uma pessoa com anorexia pode ter um medo intenso de engordar e ter uma percepção errada da sua forma corporal: um peso normal e saudável pode fazer com que a pessoa se sinta tensa e em pânico.

Pode ficar deprimida, introvertida ou agitada, sofrer alterações de humor, perder interesse nas atividades normais, exercitar demasiado, começar a vomitar secretamente ou a tomar laxantes, ou utilizar supressores de apetite ou diuréticos.

Causas

A causa exata da anorexia nervosa é desconhecida.

É um problema complexo provavelmente causado por um conjunto de fatores sociais e biológicos: pressão social para ter um aspecto magro e ser sexualmente atraente, antecendentes familiares (genético), tipo de personalidade e relações familiares.

Pesquisas sugerem que o stress, experiências de vida difíceis e confusão com o crescimento sexual também podem ter um papel no desencadear da anorexia.

Diagnóstico

Uma pessoa com anorexia habitualmente pesa pelo menos 15% menos do que o esperado para a sua altura e idade.

O diagnóstico passa por uma avaliação de fatores psicológicos e físicos. Pode envolver uma avaliação da atitude da pessoa em relação ao peso, à alimentação, à dieta e às suas ideias em relação ao corpo.

O diagnóstico de anorexia nervosa pode ser difícil visto que a maioria das pessoas com esse problema negam que estão doentes e normalmente são trazidas para tratamento por um familiar. Além disso, a gravidade da anorexia varia de pessoa para pessoa. Uma pessoa com anorexia pode visitar o médico de família devido a sintomas como paragem da menstruação, dores abdominais, sentir-se inchada ou prisão de ventre.

Tratamento

A anorexia é uma doença séria e complexa, e muitas vezes requer cuidados médicos especializados.

O tratamento é feito habitualmente no hospital, nas consultas externas. O objetivo é aumentar o peso, restaurar padrões saudáveis de alimentação e resolver crenças falsas que existam sobre a alimentação o peso e a ideia em relação ao corpo. Serão geralmente sugeridos tratamentos psicológicos como a terapia cognitivo-comportamental. Existem disponíveis linhas de ajuda especializadas em distúrbios alimentares que podem oferecer apoio e aconselhamento.

Por vezes, a pessoa com anorexia pode ficar tão fraca que necessita de dar entrada no hospital. Se este for o caso, o hospital irá gerir o seu consumo de alimentos e fluidos.

Outras doenças que surjam como resultado da anorexia nervosa poderão ter de ser tratadas com medicação. Em alguns casos, aconselha-se medicação antidepressiva.

Complicações

As mulheres com anorexia podem ter dificuldade em engravidar e têm mais probabilidades de ter um bebé prematuro ou com pouco peso.

Aqueles que desenvolvem anorexia antes ou durante a puberdade podem sofrer um atraso nas alterações físicas da puberdade ou um crescimento atrofiado. As pessoas com anorexia têm um risco maior de virem a desenvolver osteoporose no futuro. A anorexia também pode levar os músculos (incluindo os músculos cardíacos) a perder força, aumentando assim o risco de doenças cardíacas no futuro.

Fonte: www.nhs.uk

Anorexia Nervosa

A Anorexia Nervosa é caracterizada pela recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima devido à obsessão de magreza associado a um temor mórbido de ganhar peso. No entanto, isto não ocorre pela perda do apetite, mas sim, uma recusa em se alimentar, sendo então considerada um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos.

A anorexia é uma doença mental, na qual a principal característica é a distorção da imagem, que acaba causando todo o resto. É mais comum em mulheres, adolescentes, e que são de classe média ou alta. Ocorre muito também em pessoas que tem o sonho de se tornar modelos, que consideram a magreza extrema um ideal de beleza. No entanto a realidade é outra, já que as medidas vistas como padrão para adolescentes, por exemplo, são biologicamente inadequadas.

Algumas das pessoas consideradas anoréxicas acham que têm sempre um excesso de peso global, mesmo que a balança mostre o contrário. E outras, as que reconhecem que estão realmente magras, se preocupam com certas partes do corpo, como abdômen e coxas, por estarem “gordas”. As pessoas que conseguem admitir que estão magras, negam, no entanto, as conseqüências do estado de desnutrição.

Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura, sendo considerado preocupante a pessoa que pesa menos que 85% do peso considerado normal.

De modo geral, a maioria dos pacientes termina com uma dieta muito restrita, limitada a apenas alguns poucos tipos de alimentos. Nos casos mais graves o paciente adota métodos adicionais de perda de peso, como a auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes para diminuir a constipação gerada por comer tão pouco, e prática de exercícios intensos ou excessivos. É como se a comida fosse vista como um veneno que deve-se eliminar de qualquer jeito.

Nesses casos a perda de peso é vista como uma vitória e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole.

Eles costumam esconder comidas pelos armários, banheiros, dentro de roupas ou podem preparar pratos extremamente elaborados para amigos ou familiares.

Ou ainda, podem procurar empregos como garçonetes, cozinheiros ou simplesmente colecionar receitas e artigos sobre comida. Com isso a anoréxica mata o seu desejo, passando sua vontade de comer. A preocupação crescente com alimentos corre juntamente com a diminuição no consumo.

A prescrição de medicamentos, a reeducação alimentar, o "regime de engorda" também tendem ao fracasso no paciente com Anorexia, pois se consideram ainda gordas mesmo pele em cima de ossos.

Quando o corpo já está fraco, ele começa a economizar energia. Então o metabolismo diminui, a temperatura cai, podendo causar anemia. As mulheres que menstruam costumam apresentar supressão das menstruações (amenorréia) quando acometidas de Anorexia Nervosa devido a níveis anormalmente baixos de secreção de estrógenos que, por sua vez, devem-se a uma redução da secreção de hormônio folículo- estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH) .

Começam a surgir sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por 'fazer amor'.

As conseqüências não param por aí, junto à depressão vem também à queda dos cabelos e perda do brilho, os cabelos do corpo começam a crescer mais, as unhas ficam mais fracas e a pele vai ficando com aparência de pálida. Além disso, a Anorexia Nervosa pode trazer danos irreversíveis como osteoporose e a impossibilidade de engravidar. Se não tratada pode levar à morte por inanição ou suicídios.

CAUSAS

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa, no entanto evidenciam como causa para uma menina parar de comer a genética, a interação sócio-cultural mal adaptada, fatores biológicos, problemas familiares, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Em relação aos fatores biológicos, há disfunções dos neuro-transmissores cerebrais, havendo conseqüentemente, a desorganização do comportamento alimentar normal e manutenção do peso.

Há pessoas que deixam de comer porque sentem falta da sua infância, onde era cuidada pelos pais e não tinham seu corpo desenvolvido.

TRATAMENTO

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito a aderir o paciente ao tratamento, pois, como vimos, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto o médico deve estimular hábitos alimentares normais, convencendo o paciente de que ele não sairá gordo do tratamento.

O tratamento começa com uma reeducação alimentar, passando uma quantidade de calorias contadas para que com o tempo estas aumentem sem que façam mal para o organismo. Com isso a paciente sente-se mais tranqüila e certa de que não perderá o controle comendo mais do que o necessário.

Se o tratamento estiver sendo feito em casa, é importante que as refeições sejam feitas na presença dos pais ou responsáveis, já que mesmo sabendo a quantidade que deve comer, ainda não se sente segura em colocar o alimento no prato.

É, mas existem casos em que dependendo das condições clínicas do paciente será necessária a internação do mesmo em um ambiente hospitalar, o qual faz-se necessários 40 dias mais ou menos. Neste caso, as refeições não podem ser feitas na presença de pais e nem de conhecidos.

A cura da Anorexia Nervosa não é fácil e em casos de internação as recaídas são superiores a 25% , no entanto são esperadas, visto que se torna fundamental o acompanhamento médico e até psicológico desta paciente por anos.

Fonte: www.gastronomiabrasil.com

Anorexia Nervosa

É muito bom redescobrir os formas do corpo à medida que o ponteiro da balança começa a descer, mas tem gente que, mesmo sem nunca ter sido gorda, alimenta um desejo obsessivo de ficar magérrima!

O problema é que essas pessoas não ficam só na vontade de emagrecer. Elas desenvolvem um tipo de rejeição à comida que as faz perder o controle.

Isso é a anorexia nervosa, uma disfunção que pode aparecer sozinha ou em parceria com a bulimia (compulsão pela comida, seguida de culpa que faz a pessoa utilizar métodos de expulsão do que comeu, de seu corpo).

A rejeição à comida (anorexia, com incidência de 1%) é classificado como um transtorno alimentar e suas vítimas são quase sempre (95% dos casos) mulheres jovens, de 15 a 20 anos, excessivamente preocupadas com a aparência e mais sensíveis às influências dos padrões de beleza em vigor para firmar sua personalidade. A doença também ataca mulheres na faixa dos 30 e raramente as acima dos 40.

Porém não quer dizer que a adolescente que adora estar na moda esteja sujeita a manifestar o problema.

É necessário ter uma tendência genética ou psicológica, com traços de depressão ou comportamentos obsessivos. Por outro lado, encontram-se maiores propensões ao problema em modelos, aeromoças, bailarinas e ginstas olímpicas, profissões em que a aparência é extremamente importante.

Um dos primeiros sintomas são a perda da noção que a pessoa tem da sua imagem corporal, mesmo magra ela se vê gorda, acredita que precisa emagrecer ainda mais, e que o melhor jeito é parar de comer.

Normalmentre essa mulheres não acreditam que este medo de engordar possa ser sinal de alguma dusfunção.

A prática mostra que uma das partes mais difíceis do atendimento para tratar a anorexia nervosa é convencer a pessoa de que ela está doente.

As pacientes escondem a doença pos medo ou vergonha de pedir ajuda (isso as que já ssumiram que estão doentes, pois em nossa cultura é tão normal um mulher fazer "dieta alimentar", que fica difícil saber quando isso já virou doença).

Normalmente, essas pessoas só são levadas à tratamento quando anorexia já está em nível elevado, ou seja, quando os sinais já são perceptíveis, quando o emagrecimento já é exagerado, aí é que os parentes (pois a pessoa não se vê tão magra) ou amigos próximos percebem que já ultrapassou o limite do normal.

A família sempre deve insistir no tratamento mesmo que a doente queira parar.

O atendimento especializado é a única saída para controlar o problema antes que o corpo exija atendimento médico por causa de uma emergência.

Sem tratamentos, a anorexia nervosa:

Desgasta emocionalmente
Debilita os órgãos
Provoca distúrbios associados à desnutrição
Lesa o aparelho digestivo quando há vômitos constantes
Provoca arritmias cardíacas
Pode ser responsável por hemorragias digestivas
Pode matar (taxa de mortalidade é cerca de 15%)
Nas adolescentes, os principais sinais da anorexia são o enfraquecimento, a perda de peso visível e a ausência de menstruação.

Tratamento

Reidratar o organismo, recomeçando a alimentação à base de soros e líquidos (o estômago reduzido por não comer há tempos não suporta alimentos sólidos)

Introduzir gradualmente alimentos pastosos até chegar aos sólidos

A pessoa também vai precisar reaprender a conviver com os outros durante as refeições, entrar em supermercados, fazer compras, ir à festas, participar dos almoços com a família, enfim, voltar a lidar com o lado social da comida.

Quanto à imposição, ela só é feita em casos que já estão muito graves, com perigo de morte (arritmia cardíaca, vômitos espontâneos). Para os demais casos ela deixou de ser recomendada porque tira o paciente da vida social, o que dificulta ainda mais a sua readaptação.

A psicoterapia é muito importante para a eficácia do tratamento. Através dela a pessoa vai alterar os hábitos adquiridos e voltou a comer.

É recomendado também que a família do paciente participe de sessões de terapia familiar em grupo para auxiliar a paciente em seu ambiente.

Sintomas

Preocupação excessiva com a alimentação. A pessoa passa a maior parte do tempo pensando no medo de engordar
Sensação intensa de culpa e uma ansiedade desproporcional por eventualmente ter saído um pouco da dieta
As pessoas dizem que você está muito magra, suas roupas estão cada vez mais largas, mas você não se acha magra e ainda quer perder peso
Menstruação irregular, ou não existente

OBS: se você se identificou com um desses tipos, consulte um médico psiquiatra ou endocrinologista.

As estatísticas revelam que 90% dos pré-adolescentes com problemas de bulimia e anorexia são filhos de pais obesos ou excessivamente preocupados em emagrecer.

Fonte: www.pensemagro.com.br

Anorexia Nervosa

A TENTATIVA DE NEGAR A FOME

O que é? Como se manifesta?

A Anorexia Nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por se limitar a ingestão de alimentos, devido à obsessão da magreza e um medo mórbido de ganhar peso. Não há uma perda do apetite e sim uma recusa em ganhar peso e se alimentar. A Anorexia interage diretamente com uma área de grande preocupação humana, que é o relacionamento entre nós e nosso corpo e entre nós e o que comemos.As pessoas, na grande maioria mulheres, com esse transtorno tem muito medo de ficarem gordas e este medo geralmente não se torna mais brando pela perda de peso. Na realidade, a preocupação com o ganho ponderal pode aumentar à medida que o peso real diminui.

Os indivíduos que estão anoréxicos apresentam uma imagem corporal distorcida. Muitas vezes acham que têm excesso de peso, embora estejam muito magros, ou, outras vezes, percebem-se magros, mas com certas partes de seu corpo, principalmente o abdômen, coxas e nádegas, “muito gordas”. Raramente um paciente que procura tratamento psicológico se queixa da perda de peso em si. Os pacientes com Anorexia Nervosa utilizam-se de várias técnicas para estimar seu peso. Assim pesam-se várias vezes ao dia, medem o corpo obsessivamente e o espelho passa a ser o “amigo-inimigo”. Para a anoréxica, a perda de peso é recebida como uma conquista fantástica e como um sinal de extrema disciplina. Já o aumento de peso vai significar fracasso e perda do autocontrole.

Existem dois tipos de Anorexia Nervosa:

1- Tipo restritivo: o paciente consegue a perda de peso por meio de jejuns, dietas e exercícios excessivos.
2- Tipo Compulsão:
pacientes que comem compulsivamente e fazem induções do vômito ou uso de laxantes, diuréticos e enemas.

A idade média para o aparecimento da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com algumas variações entre 13 e 18 anos.O aparecimento da doença pode estar associado a algum acontecimento importante na vida do adolescente. A Anorexia Nervosa costuma começar com um emagrecimento acidental, devido a uma doença ou tristeza. Só se torna anorexia se o individuo passa a ficar viciado em perder peso e começar a usar isto para resolver outros problemas. A evolução da doença tem um curso variável.Alguns pacientes apresentam recuperação após episódio isolado, outros vivenciam um curso crônico por alguns anos.

A amenorréia em geral é conseqüência da perda de peso, como também a menarca, muitas vezes, é retardada em conseqüência da doença. Isso ocorre devido aos baixos níveis de estrógenos, que por sua vez, devem-se a uma redução da secreção de FSH (hormônio-folículo-estimulante) e LH (hormônio luteizante).Esses são os aspectos biológicos, que incluem alterações hormonais na fase da puberdade, bem como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, ligados à regulação do comportamento alimentar, incluindo aspectos genéticos.O eletroencefalograma pode estar alterado em pessoas com Anorexia Nervosa, mostrando muitas vezes bradicardia sinusal ou outras formas de arritmia.O exame clínico desses pacientes, muitas vezes, apresenta queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio, pele seca...

HIPÓTESES

Para compreendermos o movimento psicológico da anoréxica, se faz necessário compreender o profundo e complexo relacionamento das mulheres com o alimento. Desde os primórdios nos foi ensinado que o alimento é necessário para a vida, a saúde e a felicidade do lar. A comida é o meio pelo qual, nós mulheres, mostramos amor e cuidado com nossos filhos, maridos, amantes, amigos...Somos constantemente bombardeados com todos os tipos de programas e propagandas sobre os mais diversos tipos de alimentos, desde os naturais até os diet, sempre visando o bem estar familiar. Gastamos um tempo enorme entre planejar, comprar, fazer refeições, adequando-as a aspectos nutricionais como também observando os limites dentro do orçamento familiar. Tornamo-nos provedoras de alimentos, sempre com o intuito de agradar e demonstrar cuidado com os outros.

Cuidar da preparação do alimento está associado a um ato de amor. Logo, recusá-lo, pode estar associado há uma forte rejeição. As crianças aprendem isso logo cedo e de uma maneira muito rápida. Quando meninas aprendemos a comer para tranqüilizar nossas mães, nunca para nosso prazer e satisfação. Nossa auto estima e auto imagem se forma mais pela aprovação dos outros do que pela avaliação que fazemos de nós mesmas. A família aqui aparece representada pela figura do pai que é a autoridade e a mãe é quem cuida e alimenta. Logo, estaremos falando da função nutridora da família representada pela mãe.

Donald Winnicott fala dos relacionamentos nos primeiros estágios de vida entre mãe e bebê, no qual o bebê se percebe como uma extensão de sua mãe. É esperado que mãe e bebê, comecem a sair desse estado de fusão, no qual a mãe compreende intuitivamente as necessidades do bebê. O choro, os protestos, os gestos criativos, todos os pequenos sinais que o bebê faz para chamar a atenção de sua mãe, se perdem, se ela os satisfaz, alimentando-os antes. Perdem-se, pois ele precisa aprender a chamar atenção e dizer que está com fome. Essa experiência é fundamental para o desenvolvimento psíquico do bebê, no sentido de aquisição do poder, capacidade de agir e interagir no mundo, desenvolvendo a sua autonomia e compreensão.

Para a criança só restam então duas alternativas: ficar num estado permanente de regressão e fusão com a mãe, ou encenar uma total rejeição, mesmo daquela suposta boa mãe.

Nesse processo a criança relaciona sua alimentação com o contato de sua mãe. O alimento é algo que a mãe decide por ela e não está ligada a sua necessidade de satisfação por comida. Todos os pais reconhecem o quanto é difícil viver com crianças que não se alimentam direito. As horas das refeições passam a ser momentos tensos, onde pais tentam convencer filhos a comer. Técnicas são desenvolvidas para que os filhos comam. As mães ficam desesperadas e se sentem rejeitadas quando os filhos não comem. A criança nesse processo aprende a controlar os pais. Ela se diverte com os recursos e batalhas inventadas na hora das refeições. O que pensar de uma adolescente que se recusa a comer?

Poderíamos hipotetizar que a mulher que está anoréxica desistiu de fingir que é independente. Todos os seus sentimentos infantis voltaram a aflorar. Na relação mãe e filha ela irá apresentar os sentimentos ambivalentes. Enquanto a alma grita por cuidados, ela se recusa a alimentar o corpo, ao mesmo tempo que seu desejo de ser autônoma, dona de sua vida, causa-lhe um conflito enorme.

A dificuldade da anoréxica em identificar sensações físicas, e, principalmente a fome, está diretamente ligada a um fracasso nesse processo anterior de aprendizagem. Elas não aprendem a gerenciar a própria vida, não sendo capaz de dirigi-la sozinha. Quando precisam demonstrar autonomia, sentem-se incapazes de enfrentar a realidade. Observamos no trabalho com anoréxicas, que a figura da mãe é central para elas. É a pessoa mais importante de suas vidas. Tendem a idealizar este relacionamento, embora apareçam sentimentos de carência em relação à mãe quando esta precisa dar atenção a outros membros da família.

Um grande número de jovens que se tornaram anoréxicas se encaixa, na descrição acima. Foram jovens dóceis, vivendo bem no ambiente familiar, sem raiva ou hostilidade. Geralmente vêm de famílias que possuem conforto material, mas são excessivamente controladoras e isso pode estar relacionado com o processo de alimentação.

As jovens anoréxicas sentem prazer e necessidade de ver os outros comendo mais do que elas. Preparam muitas vezes pratos deliciosos para os amigos comerem, mas não conseguem perceber que comem muito pouco e esse pouco também é exagerado. Desenvolvem comportamentos bizarros em relação aos alimentos. Muitas vezes para não comê-los e os outros não perceberem, passam a escondê-los dentro dos armários, enchem o prato de comida e a seguir jogam fora, sem que os outros vejam. A anoréxica perde o contato com a realidade em relação a peso e aparência. E não fala de sua magreza. Nega que tenha fome e resiste aos alimentos que gostaria de comer No tratamento, faz com que as pessoas que cuidam dela se sintam gordas e desleixadas.

A Anorexia Nervosa é um sintoma que surge em mulheres que não possuem autoconfiança e que têm dificuldade de estar no mundo.Não conseguem pedir ajuda e adotam estilos de vida muito austeros e autopunitivos. Muitas não se sentem atraídas por diversões e tendem a levar a vida de uma maneira séria demais. Às vezes se tornam retraídas, menos sinceras e talvez prefiram ficar sozinhas. Percebem o relacionamento social como estressante.

TRATAMENTO: PESO IDEAL?

Compreender a alma da paciente anoréxica, talvez seja um dos trabalhos mais difíceis para um psicólogo. O processo terapêutico é sempre percebido como uma tentativa de coerção. Normalmente a paciente é levada pela família e não reconhece que precisa de tratamento. Desconfiam dos médicos e psicólogos vendo-os como inimigos que querem realimentá-los, fazendo–as perder a vontade de controlar seu peso.

O psicólogo deverá deixar bem claro á paciente e aos seus familiares que o objetivo do tratamento não é fazê-la engordar. O corpo da anoréxica é responsabilidade dela, mas, ao mesmo tempo, lembrá-la de que isto vai ocorrer quando for necessário. Na família considera-se o corpo da anoréxica responsabilidade de sua mãe. Uma das reivindicações básicas da anoréxica é que ela e mais ninguém pode controlar seu corpo. Como criança, ela bate o pé e internamente e externamente constrói suas barreiras. Ela não deverá comer para satisfazer as necessidades dos outros que não agüentam vê-la magra, mas sim, porque o seu corpo é parte da mulher que está ali e merece ser acalentado.

O conflito entre cura e estar doente deve ficar claro entre paciente e terapeuta. O papel do terapeuta não é fazê-la acreditar que sabemos exatamente como ela se sente, mas sim ajudá-la a entrar no processo de identificação dos seus próprios sentimentos que a levaram a se tornar anoréxica.

É importante que a paciente seja capaz de dividir as suas próprias percepções de vida. Contar em detalhes como é o seu mundo e só poderemos ter certeza de como ele é se ela o assim fizer. Mulheres anoréxicas são extremamente sensíveis às reações dos outros. Todos os seus sentimentos podem ter sucumbido na preocupação com a comida e a maneira de conseguir evitá-la. É um processo detalhado que inclui delicadeza e paciência. Recaídas são freqüentes. Terapeuta e paciente trabalham juntos com o material que o cliente apresenta, visando interpretá-lo para a cliente poder transformá-lo.

A anorexia também representa uma tentativa de auto suficiência. A necessidade de ser magérrima, conseguir um corpo perfeito onde mulheres falham, indica uma busca de perfeição mais profunda e ampla, que é movida pela insegurança. Vive com medo que descubram sua incompetência.

O ganho de peso ou a desistência do sintoma não quer dizer cura. A anoréxica tem vivido num mundo de fome e renúncia. Num primeiro momento, a sua alimentação passa a ser um caos. O paciente entra em pânico e acha que todos os seus temores em relação à perda de controle se realizam.Com a ajuda psicológica isso se equilibra e o paciente passa a aprender como comer. Desiste de estar só e perfeita.

Finalmente não insista para que ela coma. Isto não adianta. Evite comentários do tipo..olha, como você era bonitinha”....Não pergunte por que ela está fazendo aquilo...ela também não compreende o que está acontecendo.

O importante é que se compreenda que a anorexia não é uma doença e sim uma reação à condição feminina . Sempre há uma resposta , por mais dolorosa que ela seja. Poderemos ficar mais vulneráveis do que antes , mas não precisaremos mais nos esconder na magreza , na tristeza e na infelicidade . Caminharemos dentro de um processo onde se possa ter mais autonomia e liberdade .

Fonte: virtualbooks.terra.com.br

Anorexia Nervosa

O padrão de beleza atual é rígido demais, mas, os fatores que influenciam a doença são diversos, e serão aqui mostrados. Nos últimos trinta anos, por trás do padrão de magreza quase esquelética imposto pela mídia estão mensagens do tipo "ser magra é ser bela, portanto, feliz". Esse reducionismo começou com a modelo Twiggy nos anos 60 e ganhou força nos anos 90 com seu clone Kate Moss.

Isso ajudou no surgimento dos distúrbios alimentares, entre eles os mais conhecidos são a bulimia e anorexia. Mulheres,ávidas por um corpo esbelto e sem curvas travam uma verdadeira "luta" contra seu próprio corpo na ânsia de emagrecer,mesmo sem necessidade nenhuma.Apesar de datar da idade média os primeiros relatos sobre anorexia( distúrbio que transforma a pessoa que a padece e que se caracteriza por uma perda de peso auto-imposta) o primeiro caso da doença surgiu em 1694, com uma jovem que teve suas menstruações paradas, sua pele mais flácida e seu rosto empalidecido. Ela não tinha febre, conversava normalmente, porém assemelhava-se a um esqueleto, era muito ativa, não tinha apetite e sua digestão era mínima, apresentando assim características semelhantes a quem sofre da doença atualmente. Esse site foi feito não só para esclarecer o que é exatamente a doença chamada anorexia nervosa, mas, principalmente para ajudar quem sofre com a doença; ou seja, as "anoréxicas" e sua família.

Não sou médica ou psicóloga, mas posso dizer que sei muito sobre esse "distúrbio", pois, não só li muito sobre o assunto como atravessei um difícil período de quatro anos com a doença, sabendo como é duro conviver com ela e a curar, ou ao menos, a tratar.

O QUE É?

É a deliberada perda de peso ou a manutenção em níveis abaixo do recomendável por vontade própria. A perda de peso pode ser pela abstenção de alimentos "que engordam", com regimes, com o uso de inibidores do apetite, com purgantes ou diuréticos, induzindo vômitos ou praticando exercícios pesados. A pessoa com este problema adota todo um comportamento direcionado para o emagrecimento e sofre de um verdadeiro pânico de engordar. A maioria das doenças faz sua apresentação com sintomas como dores, fraqueza, etc, alertando pacientes e família de que algo anormal está acontecendo e é necessário realizar uma consulta médica.A anorexia nervosa, em troca, costuma ser insidiosa em sua forma de apresentação; os pacientes se propõem a começar um programa de emagrecimento,com uma dieta,acompanhada às vezes de uma aumento de atividade física, e assim começa a perda de peso.

Em geral isso provoca bem-estar no paciente e passa desapercebido para a família,como sinal de que algo grave se iniciou.O alarme começa quando a negativa de comer é muito acentuada e o definhar se torna evidente, ou quando aparece a amenorréia. A anorexia é considerada uma doença mental,porém atinge o corpo da pessoa trazendo consequências irreversíveis.Além disso entre as doenças mentais é a que tem a maior taxa de suicídios.

Anorexia
Anorexia Nervosa

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Em 1970 se estabelece uma caracterização positiva, no sentido de que o reconhecimento dos critérios por propostos permite fazer o diagnóstico da doença:

A) A conduta do paciente leva a uma perda de peso pronunciada.
B)
Há um transtorno endócrino, que se manifesta clinicamente pela interrupção da menstruação (nos homens há perda de apetite sexual).
C)
Há uma psicopatologia caracterizada por medo mórbido de engordar.

DSM-III-R(1987)

A) Negativa em manter o peso corporal acima de um peso normal mínimo para idade e altura, por exemplo, perda de peso que leva a manutenção do peso corporal 15% abaixo do esperado; ou um fracasso em obter o ganho de peso desejado durante o período de crescimento, alcançando um peso 15% inferior do normal.
B)
Intenso medo de subir de peso ou engordar, mesmo estando com déficit de peso.
C)
Um transtorno na maneira com que se vivencia o peso,o tamanho ou forma do próprio corpo;por exemplo, a pessoa manifesta "sentir-se gorda", mesmo quando obviamente abaixo do peso.
D)
Nas mulheres, a ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos.

SINTOMAS

O principal sintoma é o emagrecimento. O peso cai assustadoramente. Anoréxicas com 42 Kg são "normais" em comparação a casos mais graves.

Freqüentemente o peso chega a 36, 32, 28 Kg ou menos(dependendo da estatura óssea,altura,etc).

Os vômitos podem ser provocados ao ingerirem comida com calorias acima do que elas "se permitem". Os vômitos são provocados com os dedos, com cabos de colher, com arames, etc. Isso pode acontecer no banheiro, no chuveiro e se não for possível, em vasos de plantas, sacos plásticos, papel higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se sentem sujas por dentro e completamente "estufadas".

Interrupção da menstruação. Na maioria das vezes a menstruação cessa antes da diminuição grave do peso. Ou seja, a desnutrição não é a única causa da amenorréia. Por outro lado, as vezes a menstruação recomeça antes de um ganho de peso importante.
Excesso de exercícios físicos. A pessoa com Anorexia nunca acha que está magra o suficiente.
A paciente tem uma visão distorcida do próprio corpo: acham que os seios e o abdomen são grandes demais, mesmo que já estejam sem nenhuma forma.
Restrição de diversas comidas(principalmente as mais calóricas ou gordurosas)
Usar roupas largas para esconder o quanto emagreceu
Uso (geralmente escondido) de diuréticos, laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.
Isolamento social e dificuldade para namoros e vida sexual.
Adoram cozinhar e servir comida para os outros.
Qualquer comentário externo que ela tenha emagrecido deixa a pessoa feliz podendo ser um impulso a mais para perder mais peso
"Desculpas" para não comer(" não me sinto bem" ou "já comi",etc)
Fadiga
"Desconforto" com a presença da comida
Hábitos alimentares diferentes,como cortar a comida em minúsculos pedaços
Frio excessivo.
Olhar o peso na balança frequentemente
Aparência pálida
Culpa ou vergonha de comer
Não há outros distúrbios de saúde que expliquem a perda de peso
Dores de cabeça
Difiuldade de comer em frente aos outros
Perfeccionismo
Depressão, irritabilidade, mudanças de humor constante

A anorexia pode não ser percebida em suas fases iniciais, porque começa frequentemente com uma dieta inocente. Segue-se uma hiperatividade, com exercícios físicos exagerados. Há anoréxicos que chegam a "malhar" três horas seguidas por dia, num esforço de queimar calorias, a fim de perder peso. No caso de homens, muito mais raro, eles tendem a praticar esportes pesados, como levantamento de pesos. Acontece às vezes de a doença não ser percebida pela família mesmo nos estágios mais avançados, porque a anoréxica geralmente prefere vestir roupas muito largas.

CARACTERÍSTICAS E COMPORTAMENTO

De acordo com a psicóloga Suzanne Robell, de São Paulo, (autora do livro:A Mulher Escondida - A Anorexia Nervosa em Nossa Cultura) as anoréxicas são "sempre muito inteligentes, interessantes, bonitas, com uma vida interior muito rica, cheias de possibilidades, pessoas que haviam se destacado na infância, na adolescência e na idade adulta", mas, ao mesmo tempo há uma quebra, ou uma dificuldade, no desenvolvimento da feminilidade das pacientes.

Mas,há também características de comportamento que costumam ser muito comuns durante a doença,algumas permanecendo mesmo depois da recuperação.

Um exemplo são as características Obsessivo-Compulsivas, tanto relacionadas quanto não relacionadas com comida. A maioria dos pacientes com Anorexia Nevosa preocupa-se excessivamente com alimentos que vai comer (de preferência, os permitidos, "pouco calóricos" e "saudáveis"), criando seu próprio mundo do que é ou não permitido, muitas vezes isolando-se para não ter de comer o "proibido", aquilo que a retiraria de seu mundo, de seu aquário, onde há a proteção e nada mais, onde ela pode, somente observar o mundo lá fora. Por isso há um forte sentimento de inutilidade, bem como uma necessidade de controlar seu próprio mundo, limitando o contato social bem como contendo suas emoções, pois para identificar o que o organismo quer, o desejo é fundamental, perde-se então também a espontaneidade.

Essa inutilidade muitas vezes gera também um comportamento no qual a pessoa se sente na obrigação de ajudar a tudo e a todos, pois como não consegue ajudar a si mesma, tenta fazê-lo com as outras pessoas com as quais convive. Elas tendem muito a interiorizar seus sentimentos, não conseguindo expô-los para os outros, nem sabendo distinguir suas próprias necessidades e desejos.

Muitas vezes a anoréxica tem desejo de ser independente, porém têm medo das consequências (como separação da família, etc), mas a anorexia serve como meio de barrar sua sexualidade (a qual muitas vezes elas não sabem como conduzir e da qual tem medo) no sentido de que elas permanecem mais tempo em uma "infância segura", na qual são mais protegidas do "mundo externo".

Há também observações de comportamentos associados com outras formas de restrição alimentar que são aqueles que sugerem que as obsessões e compulsões relacionadas a alimentos podem ser causadas ou exacerbadas pela desnutrição. Quando os pacientes com Anorexia Nervosa apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, pode haver algo ligado a um Transtorno Obsessivo-Compulsivo, que pode continuar estabelecido no comportamento da pessoa, mesmo depois da sua recuperação, como mania de arrumação ou perfeição, pois muitas das anoréxicas são perfeccionistas, querendo sempre agradar, sendo muitas vezes na infância,crianças ou estudantes-modelo.

Um estranho comportamento em relação à comida pode ser exibido por alguns desses pacientes durante a doença. Eles costumam esconder comidas pelos armários, banheiros, dentro de roupas ou podem preparar pratos extremamente elaborados para amigos ou familiares. Ou ainda, podem procurar empregos como garçonetes, cozinheiros ou simplesmente colecionar receitas e artigos sobre comida. A preocupação crescente com alimentos corre juntamente com a diminuição no consumo. Assim, intensifica o medo de ceder ao impulso de comer e aumentam as proibições contra ela. Padrões de pensamento pré-mórbidos assumem um novo significado, um estilo de raciocínio de tudo-ou-nada leva a conclusão de que um grama de peso ganho significa uma transição de normal para gordo.

Os pacientes podem empregar uma ampla variedade de técnicas para estimar seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas como "gordas".

A auto-estima dos pacientes com Anorexia Nervosa depende obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações de seu estado de desnutrição.

CAUSAS

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Os fatores psicológicos estão ligados ao fato de que as Anoréxicas se imaginam sem liberdade, sem autonomia, controladas demais pela família, mesmo que objetivamente não o sejam,pois ao mesmo tempo que anseiam pela liberdade elas próprias criam seu "pequeno mundo".

Enquanto que os fatores biológicos estão mais relacionados a existência na família de outros casos de Anorexia, de Distúrbio Obsessivo Compulsivo, de Depressão, de Bulimia, sendo eficaz o tratamento com medicamentos que também agem nessas patologias. Finalmente quem já viu uma Anoréxica entrar em coma, e logo ao sair já achar que está pronta para recomeçar os exercícios, sabe que o problema não pode ser apenas emocional.

Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neuro-transmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.

Vários trabalhos apontam para uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram uma taxa de concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro grau de pacientes com anorexia exibem um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.

Os modelos de sistemas familiares procuram identificar determinados padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo, minimização de conflitos, envolvimentos da criança em tensões familiares, pais ausentes, mães que competem com as filhas, etc. Porém, estes fatores hoje são vistos mais como mantenedores do comportamento do que como causais.

Mães que superprotegem as filhas podem influir no aparecimento da anorexia quando as meninas se tornam adolescentes, segundo estudo de psiquiatras britânicos.

A pesquisa com jovens com problemas alimentares mostrou que muitas mães estavam ansiosas na gravidez e cerca de 25% delas havia tido problemas em partos anteriores. "Elas são tão estressadas quanto à perda do primeiro bebê que projetam seus temores na relação com as filhas", disse Philip Shoebridge, do North Bristol National Health Trust.

OBS.: Se alguém perdeu peso por causa de alguma doença consumptiva, ou endocrinológica ou de um Depressão grave, evidentemente não se pode falar de Anorexia Nervosa.

Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.

Um novo estudo realizado na Escócia revelou que a Època do nascimento pode ter relação com a anorexia . Depois de analisar 446 mulheres que apresentavam o distúrbio, os pesquisadores perceberam que grande parte delas havia nascido na primavera e no verão. De acordo com a pesquisa, 13% nasceram entre março e junho . O verão bateu recorde,cerca de 30% mais anoréxicas nasceram no verão.

Diante disso, os cientistas desconfiam que, além de fatores psicológicos e ambientais e da predisposição genética, problemas ocorridos com a mãe durante a gravidez,(como uma gripe), comum nos meses frios, somam-se aos fatores que predispoem a criança na doença.

TRATAMENTO

Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente busca auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento pelas seqüelas físicas e psicológicas da inanição.

Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto a este. Por isso, com freqüência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos.

Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correção hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.
Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. No caso da internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%.

É ainda discutível o efeito do tratamento sobre a evolução final a longo prazo da doença. Alguns estudos verificaram que 40% dos pacientes recuperaram-se, 30% melhoraram, 20% permaneceram cronicamente afetados e 10% morreram em consequencia da doença. Problemas de alimentação persistem em mais da metade desses pacientes(21,22). É sabido que quanto mais cedo o diagnóstico e a intervenção, melhor é o prognóstico e também que os homens tem um prognóstico menos favorável que as mulheres. A taxa de mortalidade varia na dependência do tempo de duração do quadro, da precocidade da intervenção, da presença ou não de quadros depressivos associados, do grau de desnutrição e se a anorexia é complicada pela presença de purgação. A taxa bruta de mortalidade varia de 5 a 18%, sendo 5.6 vezes maior que na população geral.

Adolescentes vítimas de anorexia, que apresentam ossos enfraquecidos devido ao distúrbio alimentar, podem recuperar a resistência óssea característica da sua idade ao retomarem hábitos alimentares normais, de acordo com os resultados de um estudo do Hospital Clínico Universitário de Barcelona.

Para algumas pessoas,escrever ajuda bastante,no caso de um paulistana, por exemplo o diário foi o instrumento que melhorou a sua vida. Há oito anos, ela começou a ter anorexia. Na época, pesava 68 quilos. Resolveu fechar a boca e chegou a ficar com 36, sendo que mede 1,60m. "Achava que até água engordava", recorda-se. Hoje, ela recuperou o peso perdido. "Escrever te faz tomar consciência do problema e te fortalece", afirma. A empregada baiana Olinda de Souza, 28 anos, também está superando o problema. Ela conta que não tem muita disciplina para fazer o diário, mas admite que o livro ajuda na terapia.

Também há tratamentos alternativos como o uso da "Erva de São João",popularmente usado como antidepressivo e o uso do "Método Feldenkrais" o qual através do movimento ajuda as anoréxicas. Esta técnica envolve uma série dos exercícios projetados para explorar a junção, o músculo e relacionamentos postural para aumentar a consciência corporal e para desenvolver padrões alternativos do movimento. Um outro objetivo é aflexibilidade e coordenação aumentadas. A técnica emprega também a percepção.

Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

Mas,a pessoa que tem o problema deve sempre ter em mente que paciência e persistência são fundamentais.A preocupação em quanto se deve ou não engordar e oquanto é "certo" ou não varia muito de pessoa para pessoa.Mas,a necessidade do corpo deve falar sempre mais alto do que a necessidade de se ver magra no espelho,ou seja é importante que a pessoa respeite oque quer e o que sente,seja comendo uma caixa de bis ou frutas,o corpo tem suas necessidades e é importante saber ouvi-las,Mas ,para isso,a imagem que a pessoa tem de seu corpo tem de ser "desligada" na hora em que ela se alimenta,pois só assim a recuperação será realmente boa,se ela partir do interior da pessoa e não da família,amigos,mídia,etc.

O exagero de uma pessoa normal pode ser um bom exemplo para que a pessoa com anorexia não se ache estranha ou que está ngordando rápido demais,pois quanto menor o peso mais difícil é a manutenção dele.

TIPOS

Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa:

Tipo Restritivo

Neste tipo a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Durante o episódio atual, esses pacientes não se desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo

É quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio atual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

Alguns pacientes incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.Neste caso a paciente transfere seu medo de engordar, adquirido na fase oral, para a região anal. Os vômitos seguidos destróem a flora estomacal e o uso indiscriminado de laxantes, a flora intestinal.

Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo, são menos graves e têm melhor prognóstico que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Esses últimos estão mais propensos a ter outros problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool ou outras drogas, a exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente ativos.

CONSEQUÊNCIAS

A anorexia traz diversas graves consequência como a osteoporose, graves problemas de circulação,insônia,anemia,Perda de massa muscular,dores estomacais,queda de cabelo,baixa quantidade de potássio,irritação no cólon pelo uso excessivo de laxantes,pés e mãos frios,batimento do coração irregular,etc.

O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorréia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargi. Também pode haver queda significativa na pressão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. Alguns pacientes ficam com os pelos do tronco mais finos desenvolvem (lanugo). A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).

A anorexia nervosa pode levar à morte em conseqüência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. Sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crônicas com inúmeras internações e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função direta da doença é estimado entre 6 e 10%. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel materno mal elaborado, adaptação profissional ruim e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, notadamente a depressão.

Embora alguns pacientes com Anorexia Nervosa não apresentem anormalidades laboratoriais, a característica de semi-inanição pode afetar sistemas orgânicos importantes e produzir uma variedade de distúrbios. A indução de vômitos e o abuso de laxantes, diuréticos e enemas, por exemplo, podem causar diversos distúrbios. A desidratação pode ser refletida por um elevado nível de uréia sangüínea, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados. Níveis alterados de várias substâncias fundamentais ao equilíbrio interno podem acontecer, como por exemplo, hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia. A indução de vômitos pode provocar alcalose metabólica, elevado o bicarbonato sérico, hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.

Os níveis de hormônio tiróideano (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalãmico-pituitário-gonadal em ambos os generos, no sentido de que o padrão de secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade.

O eletrocardiograma das pessoas com Anorexia Nervosa pode estar também alterado. São observadas diminuição do ritmo cardíaco (bradicardia sinusal) e, algumas vezes, outras arritmias. O eletroencefalograma pode mostrar anormalidades difusas, refletindo uma encefalopatia metabólìca, conseqüente aos distúrbios hidroeletrolíticos. Os exames de imagem cerebral (tomografia) com freqüência podem mostrar um aumento na razão ventricular-cerebral.

Além disso em termos de comportamento podem ficar sequelas como manias obssessivo-compulsiva (limpeza,perfeição,etc),relação anormal com a comida, e, em muitos casos a cura pode vir acompanhada da compulsão podendo haver também bulimia.A pessoa também pode sofrer de "altos e baixos",havendo,por vezes,a volta da anorexia.

FREQUÊNCIA

A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de cerca de 1% e, destes, cerca de 90% dos casos são em mulheres. A doença acomete mais freqüentemente classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após dieta de emagrecimento; em 40% por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbeltez com realizações, e populações especiais (notavelmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco incomumente alto para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidéncia de Anorexia Nervosa aumentou nas últimas décadas,principalmente devido a mudanças na sociedade e na mídia.Porém a anorexia tem vários "grupos de risco",podendo ocorrer em homens,crianças e pessoas mais velhas.

ANOREXIA EM ADOLESCENTES

A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc. Além disso a ocorrência da síndrome é reforçada numa cultura em que a esbelteza é muito valorizada.

É importante lembrar que o comportamento típico da anorexia ocorre mais facilmente na adolescencia, já que nessa idade há com maior frequência o isolamento, os problemas de relacionamento, a preocupação e vergonha com o corpo, a distorção da auto-imagem, aumento do apetite, modismos alimentares, etc.

Segundo Julia Graber, uma das coordenadoras de um estudo estudo da Universidade da Flórida , cerca de 20% das adolescentes e mulheres jovens americanas experimentam alguma forma de distúrbio alimentar,sendo que cerca de uma em cada 100 adolescentes é anoréxica. Na Argentina 10% das jovens sofrem da doença e o assunto é prioridade da saúde pública. No Brasil a estimativa é de uma em cada 250, mas a procura por tratamento vem dobrando ano a ano.

As adolescentes, principalmente, tem as exigências de uma sociedade que impõem modelos padronizados para vender mais e as suas próprias necessidades de se entregar aos prazeres de um hamburguer, por exemplo. Há ainda um outro problema, que é a preocupação exagerada de algumas mães com o excesso de peso e a aparência física das filhas, levando-as a acreditar que, se não forem assim ou assado, as portas para o futuro não se abrirão. Se alguma coisa vai mal na mente da menina e, justamente, nesse momento em que seu corpo ganha contornos de mulher, há grandes riscos de desenvolver distúrbios alimentares.

ANOREXIA EM HOMENS

De acordo com o documento, cerca de 10% das pessoas diagnosticadas com anorexia ou bulimia são do genero masculino. O relatório também indica que aproximadamente 20% dos homens que têm desordens alimentares são homossexuais.

ANOREXIA EM CRIANÇAS

A medicina sustentava a seguinte tese: a anorexia tinha uma idade mínima para se manifestar: dez anos. Essa tese caiu: até um recém-nascido pode tornar-se anoréxico. A descoberta é de um psiquiatra suíço . Essa doença em bebês é rara mas mortes ocorrem porque a criança é tratada de todas as formas menos psiquiatricamente. Um dos sintomas é quando o bebê se recusa constantemente a mamar virando o rostinho de lado (repete-se: anorexia é rara em bebês, não há motivo para alarmar-se).

A anorexia em bebês é causada por problemas prematuros na relação com a mãe ou com o pai. O tratamento no caso seria a terapia com os pais, mas com o bebê presente. É impressionante a evolução do bebê quando os pais começam a falar dele.

As crianças devem ser incluídas no grupo de risco,pois os casos declarados da doença surgem cada vez mais cedo. Por outro lado, afirmam, quanto mais precocemente forem identificados os sinais indicadores destes problemas, maiores são as probabilidades de tratar os doentes (90%).

O primeiro sintoma é a falta de apetite. O peso começa a cair e a criança perde a vontade de viver, como se estivesse ausente do mundo. Se não for tratada logo, pode até a morrer. O quadro descrito é típico de anorexia grave precoce.

A doença é encontrada na proporção de 1 para cada 20 mil crianças. O problema é de difícil identificação médica porque sua origem não está na criança, mas no meio que a circunda, especificamente na relação emotiva dela com seus pais. "Não se trata de um problema genético, mas funcional, de base emocional, porque o paciente não apresenta nenhuma alteração física que o faça recusar a alimentação", explica o médico, que descobriu a existência da anorexia precoce depois de desenvolver um trabalho de psiquiatria perinatal, durante 11 anos, em parceria com pediatras e obstetras do Hospital da Criança de Lausanne.

Há duas formas conhecidas para a anorexia precoce: a passiva e a ativa,havendo também dois tratamentos diferentes. Na primeira, mais grave, a criança não tem nenhum apetite e perde a ligação com o mundo exterior. "É uma situação que poderia ser comparada à de um autismo precoce", diz. "Sem um tratamento específico, psiquiátrico, ela morre." Na anorexia ativa, o prognóstico é melhor porque a criança não apresenta o comportamento autista.

Segundo ele, a cura começa com um tratamento psiquiátrico dos pais e com sessões de reintegração social da criança com outras de sua idade. "É preciso entender que a anorexia é expressão física de uma raiva inconsciente da criança em relação ao modo que é tratada pelos seus pais".

O objetivo da psiquiatria perinatal é justamente permitir que os desejos da criança sejam percebidos pelos pais, levando à abertura de um canal de comunicação dentro da família.

Imagens de ressonância magnética de alta tecnologia mostraram que crianças anoréxicas apresentam redução no fluxo sanguíneo de pelo menos 10% entre os lobos temporais do cérebro; em algumas crianças, essa redução chegou a 20% e 30%. Bryan Lask, psiquiatra, e Rachel Bryant-Waugh, psicóloga, que conduziram o estudo junto com o radiologista Isky Gordon, descreveram as descobertas como surpreendentes. A parte do cérebro em que os médicos detectaram a anomalia, o lobo temporal anterior, governa o apetite, a sensação de saciedade, a expressão emocional e a percepção visual. Anoréxicos normalmente têm problemas em todas essas áreas.

Ao olhar no espelho, esses pacientes se vêem como gordos. Os cientistas acreditam que a irrigação anormal esteja relacionada à visão distorcida que têm do próprio corpo. Se for o caso, pacientes poderão ser submetidos a tratamento para corrigir o fluxo sanguíneo de modo a modificar a visão que têm de si mesmos.

Uma pesquisa constatou que de 18 crianças entre 8 e 16 anos, todas anoréxicas, submetidas a exames de ressonância magnética, 16 apresentaram a anormalidade no lado direito ou esquerdo do cérebro. Exames repetidos um ano depois em três meninas recuperadas e com peso normal ainda mostraram a anormalidade. Os pesquisadores disseram que a vulnerabilidade biológica sozinha não pode explicar o desenvolvimento da anorexia em crianças. Influências genéticas, fatores sociais e outras condições ainda desempenham papel crucial na manifestação desse distúrbio. O número de casos de anorexia está dobrando a cada década.

ANOREXIA EM PESSOAS DE 45 ANOS OU MAIS

De acordo com um exame com 10,5 milhões de atestados de óbito nos Estados Unidos, entre 1986 e 1990. Os resultados mostraram que a idade média da morte causada por anorexia nervosa em mulheres é 69 anos e em homens, 80. Enquanto em faixas etárias inferiores as vítimas de anorexia são 90% mulheres e 10% homens, nas faixas acima dos 45 anos a taxa de incidência em homens dobra para 21%.

O distúrbio alimentar é mais comum entre jovens, mas, quando ataca os idosos, é sempre mais fatal, representando 78% das mortes por anorexia nervosa. Há muitas razões pelas quais a anorexia nervosa é considerada doença de gente jovem. O índice do distúrbio despenca após os 40 anos, o que pode levar à crença de que ele desaparece com a idade.

No entanto, os números por ele obtidos mostram que a doença aumenta dramaticamente em pessoas com 50 anos e continua a aumentar até atingir o pico aos 80 e 85 anos. Quanto aos motivos que levam os idosos a caírem vítimas de anorexia nervosa, Hewitt observa que pode haver muitas razões de ordem social, genética, familiar e biológica, mas que não há respostas definitivas.

Nos mais velhos, a anorexia nervosa pode se desenvolver, entre outras razões, pela morte de um cônjuge, pela aposentadoria ou pela necessidade de se ajustarem níveis de renda diferentes.

Fonte: www.anorexianervosa.hpg.com.br

Anorexia Nervosa

A eterna briga com o espelho

A anorexia nervosa é uma doença psiquiátrica que se caracteriza pela falta de apetite na maior parte do tempo induzida pelo indivíduo (a pessoa se recusa a comer) que culmina em desnutrição severa e taxas de mortalidade acima de 21%. Mais incidente a partir da puberdade, este distúrbio alimentar é mais comum em mulheres, mas o número de homens acometidos da doença vem aumentando a cada ano.

O surgimento da doença se dá após algumas tentativas de dieta, onde o indivíduo passa a considerar o alimento um inimigo, agressor, que só o destrói e estraga seu corpo engordando a imagem no espelho. Negar a comida passa a ser uma solução viável para atingir a imagem desejada, que no espelho tem muitos quilos a mais. Essa deformação da imagem se dá pelo comprometimento que esta pessoa tem do esquema corporal, ou seja, o corpo que ela imagina é infinitamente diferente do que existe na realidade.

O corpo que este indivíduo passa a emagrecer é o que está na fantasia e, como este emagrece muito pouco e nunca está perfeito - pois o nível de exigência é muito alto - passa a definhar.

O que percebemos é que existe ao nível de estrutura emocional um déficit importante de auto-estima somado a um grande sentimento de desvalia, que faz com que muitas pessoas entendam que, para serem aceitas, precisam de uma imagem perfeita, passando a hipervalorizar este aspecto.

Este último século valorizou e firmou a imagem como um dos grandes pilares do sucesso. Os meios de comunicação passaram a divulgar um padrão de beleza que servia muito mais para mostrar roupas e não vestir roupas. Comparados aos manequins de plástico, os corpos de proporções perfeitas começaram a habitar a fantasia de adolescentes que queriam ser aceitos, amados e mais do que isso, valorizados. Nada mais justo para este adolescente querer somar esforços para ficar igual à imagem da revista, mesmo que para isso tenha que abrir mão de sua saúde e de alguns prazeres, como comer.

A bulimia é um a doença coadjuvante, muita vezes, da anorexia. Depois de dias sem se alimentar ou se alimentando muito pouco, a pessoa pode ter um ataque compulsivo alimentar e depois se valer de algum comportamento compensatório como provocar o vômito ou tomar uma dose exagerada de laxante para se livrar da comida. Com o tempo, o anorético passa a considerar um exagero a quantidade pequena de alimento a mais do que julga necessário para se manter e assume a atitude compensatória indiscriminadamente.

Prisioneiro de sua fantasia, a pessoa acaba também se valendo das drogas para dieta para suportar tanta privação e acaba viciada neste procedimento por ingerir quantidades maiores do que as recomendadas pelos médicos.

Na Anorexia Nervosa o indivíduo pode recorrer a uma variedade de técnicas para estimar seu peso, que vão desde pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo, até ficar repetidamente se olhando no espelho para “checar” sua gordura.

Para a família dos adolescentes, ou mesmo para os parceiros e amigos, é muito difícil abordar a pessoa com uma doença dessas. Normalmente o indivíduo nega todo e qualquer questionamento que lhe façam, adotando às vezes uma postura agressiva ou extremamente irritada.

O melhor caminho então é procurar uma ajuda especializada para ser orientado quanto a melhor maneira de ajudar ou abordar este indivíduo.O tratamento adequado para esta doença envolve psicólogos, nutricionistas, psiquiatras e endocrinologistas.

É uma doença perigosa, difícil de ser tratada e quanto mais cedo o indivíduo procurar ajuda, mais rápido poderá se tornar uma pessoa tranqüila e feliz. Toda doença é resultado de um processo, não acontece da noite para o dia, portanto, precisamos ficar atentos aos exageros de cuidados, preocupação e zelo com a imagem ou impressão que desejamos que os outros tenham de nós, pois estes fatores, aliados à solidão e tristeza, podem nos levar a doenças que sempre nos farão sofrer e muito.

Ser bonito e desejado pelos outros depende muito do que achamos de nós mesmos.

Fonte: www.maissaudebrasil.com

Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é um transtorno do comportamento alimentar caracterizado por uma imagem corporal perturbada ou dismorfofobia, isto é, a pessoa tem a percepção que está gorda e acima do peso, mesmo estando magra. Além disso, essa pessoa se impõe uma série de restrições dietéticas com a intenção de perder peso.

Apresenta uma prevalência maior em adolescentes do genero feminino, sendo mais comuns em profissões que exigem magreza, como manequins, modelos, atrizes e bailarinas. O transtorno pode levar à morte por desnutrição, enfraquecimento do sistema de defesas do organismo e alterações hidroeletrolíticas.

Normalmente é observada uma recusa em manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo adequado à sua idade e altura; medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gorda; uma preocupação excessiva com a quantidade de calorias contidas nos alimentos; uma perturbação da auto-imagem corporal e a presença de amenorréia nas meninas (ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos).

Muitas vezes essas adolescentes recusam em se alimentar e também se utilizam de outros recursos para não ganhar peso, como através da realização de exercícios físicos vigorosos, provocação de vômitos, uso de laxantes e diuréticos.

O diagnóstico preciso é importantíssimo e o tratamento envolve a utilização de medicamentos associado à psicoterapia cognitivo-comportamental e reeducação alimentar.

Gustavo Teixeira

Fonte: www.comportamentoinfantil.com

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