Nos mares antárticos, existem grandes quantidades de fitoplâncton, microalgas que realizam a transformação do material inorgânico em orgânico e proporcionam alimento rico em proteínas e gorduras.
Os ventos, o relevo e as correntes submarinas, bem como as diferenças de temperatura da água produzem circulações verticais da água do mar. Essa movimentação faz com que as águas da superfície (0 a 150 metros) sejam continuamente removidas e substituídas por águas ricas em nutrientes (fitoplâncton e zooplâncton) provenientes das profundezas oceânicas.
Próximo ao limite norte da Corrente Antártica Circumpolar, as águas antárticas (-1ºC a 3,5ºC, no verão; -1,8ºC a 0,5ºC, no inverno) encontram as águas quentes do sul dos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico e nelas mergulham, dando origem à chamada Convergência Antártica, onde a água sofre um acréscimo de 2 a 3ºC.
Ao sul da Convergência Antártica, em 10% dos mares da Terra, está localizada a região marítima mais nutritiva da Terra, onde prolifera o krill, um crustáceo parecido com o camarão.

Krill
O krill alimenta-se de fitoplâncton e, por sua vez, serve de alimento para a maioria dos peixes, mamíferos e aves, sendo considerado a base da cadeia alimentar da Antártica. Das 85 espécies de krill que habitam os oceanos, somente 7 espécies ocorrem na Antártica, sendo que a espécie Euphausia superba é a mais importante devido aos seus grandes cardumes.
Seu tamanho varia de 1 a 6 centímetros de comprimento e cerca de 1,2 gramas. Agregam-se em cardumes tão grandes que formam extensas manchas na superfície do mar. Como todos os outros crustáceos, o krill deve fazer a muda completa de sua carapaça (exoesqueleto) para poder crescer e a espécie Euphausia superba chega a viver 7 anos, tempo bastante longo para um animal planctônico.

Cadeia Alimentar
Na Antártica, existem cerca de 150 espécies de peixes, dos quais perto de uma dúzia apresentam viabilidade econômica. Ao longo de sua evolução, os peixes polares passaram por adaptações para viverem num meio bastante frio. Os fluidos de seus corpos não congelam, porque seus corpos contêm diversas moléculas anticongelantes (glicopeptídeos) que evitam o crescimento de microcristais de gelo.
O mais conhecido dos peixes antárticos é o peixe-gelo, "ice-fish", Chaenocephalus aceratus, que pode chegar até 60 centímetros de comprimento. Possui uma grande cabeça, desproporcional ao restante de seu corpo e se diferencia dos demais peixes pela sua coloração quase transparente e por ter o sangue branco, desprovido de glóbulos vermelhos. O mecanismo de oxigenação das células deste peixe ainda não é completamente conhecido.
O Brasil realiza diversos projetos científicos relacionados à fauna marinha, desde o estudo da dinâmica espacial de organismos planctônicos, o estudo do krill e anfípodas até a evolução do impacto ambiental em peixes antárticos.

"ice-fish"
Fonte: www.ufsm.br