
Ocasionalmente, os peixes podem ser vítimas de doenças, sendo a maior parte destas, reconhecidas e tratadas com alguma facilidade. Nós podemos contribuir em muito para evitar estas doenças, se cumprirmos algumas regras simples. A maioria das doenças são provocadas por uma manutenção incorrecta do aquário, ou aquando da introdução dos novos peixes ou plantas: mesmo que aparentem boa saúde, estes podem trazer consigo, parasitas, bactérias ou fungos. A melhor prevenção consiste em escolher cuidadosamente os peixes que se adquirem, e submetê-los a um período de quarentena, num aquário isolado, antes da sua introdução definitiva no aquário de destino. Caso os peixes desenvolvam doenças entretanto, o aquário de quarentena pode passar imediatamente a aquário hospital. Também as plantas devem ser cuidadosamente limpas, passando-as várias vezes por água corrente. Podem ser mergulhadas durante alguns minutos numa solução de permanganato de potássio, que irá destruir todos os seres microscópicos presentes nas folhas.
Os factores externos, tais como o fumo do tabaco, qualquer tipo de sprays ambientadores, de limpeza ou insecticidas, os vapores de tinta, ou os produtos de limpeza dos móveis ou vidros, provocam graves problemas no aquário, podendo causar a morte a toda a sua população. Deve-se evitar ao máximo a utilização destes produtos. Cuidado ao limpar os vidros do aquário: em vez de usar produtos químicos, utilize um pano macio humedecido com água morna. Não coloque as mãos sujas dentro da água do aquário, nem as lave com sabões ou detergentes abrasivos. Opte por um sabão neutro de glicerina ou o azul-e-branco, mas passe as mãos sempre abundantemente por água morna corrente, para retirar qualquer vestígio desses produtos.
OBSERVE ATENTAMENTE os seus peixes, se possível, todos os dias. Aproveite a hora da alimentação para esse efeito.
Os sinais de que um peixe poderá estar doente são: a falta de apetite, perturbações na natação, alteração na cor, dificuldades em respirar, ou alteração do comportamento. Observando atentamente o corpo dos peixes, também se pode verificar se existem falta de escamas ou escamas levantadas, hemorragias externas ou ainda lesões nas barbatanas.
| Sintomas |
Diagnóstico | Causas | Tratamento |
| Pontos brancos nas barbatanas e no corpo; falta de apetite, oscilação, estremecimentos. | Doença dos pontos brancos (Íctio). | Parasita Ichthyophthirius multifiliis. | Medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| O peixe engorda, parece que vai "rebentar"; escamas eriçadas. | Hidropisia. | Infecção por bactérias ou alterações metabólicas, causadas por alimentação incorrecta ou excessiva. | Difícil. Isolar os animais atacados. Elevar o teor de oxigénio e a temperatura. Dar medicamentos (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| Tufos bolorentos que fazem lembrar algodão. | Lesão da pele, como consequência de ataque de fungos. | Lesão da pele, seguida por decomposição da mesma. | Medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). Elevar o teor de oxigénio. |
| Peixe descolorido, respiração ofegante à superfície, movimentos descontrolados. | Envenenamento por produtos químicos. | Água não apropriada. Envenenamento por detergentes. | Mudança de água (4/5). Eliminar as causas e observar os peixes. |
| Ataque repentino de pontos de aspecto arenoso, bem visíveis de frente. Os pontos são mais amarelados do que brancos. | Oodiniose. | Parasita Oodinium pillularis. | Medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| Falta de apetite, alterações de cor, fezes viscosas; buracos na zona da cabeça. | Doença dos buracos. | Ataque de Hexamit, introduzido por portador. | Elevar o teor de oxigénio. Utilizar medicamentos (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| Respiração ofegante, áreas nuas na cabeça, movimentos bruscos da boca; parasitas incolores nas guelras. | Doença das guelras. | Parasita das guelras introduzido no aquário. | Elevar o teor de oxigénio. Medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| Olhos salientes (exoftalmia). | Infecções bacterianas. | Ectoparasitas. | Medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| As barbatanas apresentam-se esfarripadas e acabam por murchar, perdendo a cor. | Barbatanas esfarripadas. | Lesões durante o transporte, causando alterações no metabolismo. | Elevar teor de oxigénio. Mudar 1/3 da água. Utilizar medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
| Descoloração de uma parte do corpo. | Doença dos Néons. | Agente Plistophora. | Muito difícil, tratar com medicamentos. É raro haver êxito. |
| Camada branca bastante espessa na boca dos peixes, geralmente localizada perto de uma ferida. | Putrefacção da boca. | Boca com aftas provocada por bactérias. | Medicamentos apropriados (informe-se numa loja da especialidade sobre as várias marcas disponíveis no mercado). |
O que é?
O íctio é uma das doenças mais frequentes nos peixes de aquários. Provoca alterações no aspecto do peixe afectado, pelas quais é também chamada de "doença dos pontos brancos". Esses pontos brancos são o resultado da infecção (não são a bactéria em si), e podem ser facilmente visíveis na região dorsal do peixe e também nas barbatanas.
Esta doença é provocada por uma bactéria unicelular, a Ichthyophthirius, que normalmente já está presente na água do aquário, e que costuma atacar quando se dão baixas bruscas na temperatura, altura em que a bactéria se multiplica e começa a atacar.
Sintomas
Pequenos pontos brancos, que normalmente começam a ser visíveis no dorso e barbatanas, estendendo-se depois a todo o corpo do peixe. Esses pontos, depois de um estado infeccioso mais avançado, agrupam-se e formam manchas esbranquiçadas.
As barbatanas ficam fechadas e a respiração acelerada. O peixe tem tendência para se coçar, esfregando-se nas zonas duras da decoração, o até mesmo no areão, tentando livrar-se dos parasitas.
Tratamento
Esta não é das doenças mais difíceis de tratar, mas é muito provável que os peixes mais enfraquecidos não lhe resistam. É bastante contagiosa e deve ser iniciado o tratamento logo que surjam os primeiros sintomas.
Existem medicamentos específicos para este tipo de bactérias, compostos à base de "azul de metileno", e o seu uso é seguro, se seguir à regra as instruções dos fabricantes. Como ajuda ao tratamento, eleve a temperatura da água até cerca de 32 graus (cerca de 3 a 4 dias), o que ajuda a combater a bactéria, que como já referimos, ataca mais nas temperaturas baixas.
Há outras alternativas mais económicas (pois os medicamentos podem ser dispendiosos), normalmente adicionando sal à água, mas como nem todos os peixes suportam o sal, é preferível não se aventurar por estes "remédios caseiros". Mas se quiser arriscar, saiba que para os peixes de água doce não deve ultrapassar a dose de 1 (uma) colher de sopa de sal grosso por cada 20 (vinte) litros de água do aquário.
O que são?
Estes três protozoários, têm em comum o facto de afectarem a pele do peixe.
Costia (Ichthyobodo)
Inicialmente, o peixe perde o apetite. Causa forte turvação na pele (manchas esbranquiçadas), podendo mesmo nos casos mais graves, levar à destruição da pele, provocando feridas com sangramento. Podem ser também visíveis algumas ramificações vermelhas nas barbatanas.
Aconselhável o tratamento com medicamentos apropriados (seguir as indicações do fabricante).