Embora a produção brasileira de animais aquáticos cresça a uma taxa de 8% ao ano, ainda não há profissionais graduados nesta área. Calcula-se que, atualmente, existam cerca de 1.200 profissionais de Aqüicultura, quantidade insuficiente para atender à demanda por especialistas. Até agora, quem dá conta do recado são os agrônomos, os engenheiros de pesca, os zootecnistas e os oceanógrafos.
A primeira turma de engenheiros de Aqüicultura do país só será formada em 2003, pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina. “O curso vai formar especialistas com conhecimento em biologia dos organismos aquáticos, seus ecossistemas e os diferentes sistemas de cultivo”, garante Evoy Zaniboni Filho, chefe do Departamento de Aqüicultura do centro.
Além de disciplinas básicas – química, física e matemática –, o curso é composto das disciplinas relacionadas às ciências naturais e ao meio ambiente, abrangendo o estudo de ecossistemas costeiros marinhos e ecologia aquática, genética, fisiologia, patologia, citologia, zoologia, reprodução e nutrição de organismos aquáticos. O bloco de ciências socioeconômicas compreende sociologia e legislação em Aqüicultura, administração, planejamento, economia e elaboração de projetos. Dentro da área de engenharia, estuda-se desenho técnico, informática, geologia, topografia, hidráulica, construção civil, instalações elétricas, mecânica, sensoriamento remoto e geoprocessamento. Mas talvez o melhor de tudo sejam as atividades práticas, como viagens de estudo e mergulho autônomo.
Conhecimentos em tecnologia de cultivo, engenharia, economia e administração abrem para o engenheiro de Aqüicultura possibilidades de trabalho em cooperativas de pescadores, empresas de produção e processamento de peixes de água doce e salgada, moluscos e camarões, manutenção de pesqueiros do tipo “pesque e pague”, produção em gaiolas e tanques. Antes destinados apenas à produção de energia, reservatórios como o de Promissão, em São Paulo, também começam a ser usados para a produção de animais aquáticos de alta qualidade nutricional, criando novas frentes para o especialista. Se tiver perfil empreendedor, o profissional poderá montar sua própria empresa de consultoria técnica para atender prefeituras e associações de produtores. O salário inicial varia entre R$ 900 e R$ 1,5 mil.
Quatro anos
Fonte: www1.uol.com.br
Se você correr aos dicionários para entender o que está estudando aquele amigo que diz estar cursando Aqüicultura, irá ler no Michaeles que trata-se de "tratamento dos rios, lagos e esteiros para boa produção piscatória" e no Aurélio que é "arte de criar e multiplicar animais e plantas aquáticas". Na prática, um engenheiro de aqüicultura é aquele que trata do cultivo de diferentes espécies de peixes, crustáceos, moluscos e plantas aquáticas, tanto de água doce, como de água salgada com o objetivo de apresentar uma alternativa na produção de alimentos.
Dona da única graduação em Engenharia de Aqüicultura do Brasil - essa era tradicionalmente uma especialização estudada em pós-graduação - a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) criou o curso há 3 anos. "Queríamos preencher uma demanda de profissionais, criada pela necessidade de atender um mercado que vem crescendo muito em Santa Catarina e no Brasil como um todo", diz o coordenador da área, Vinicius Ronzani.
Devido a uma grande estrutura interdisciplinar, o curso de Engenharia de Aqüicultura, que tem duração de 9 semestres, engloba matérias de ciências biológicas, ciências socioeconômicas e também de engenharia. Para se acostumar desde cedo com essa fusão de disciplinas, os alunos da UFSC colocam a "mão na massa" desde o começo do curso. A universidade oferece diversos centros, como o de Estação de Aqüicultura, o Laboratório de Peixes de Água Doce e o Laboratório de Mexilhões, entre outros.
Auxiliado pelos seus conhecimentos em tecnologia de cultivo, engenharia, economia e administração, o graduado em Engenheira de Aqüicultura tem um perfil de empreendedor e sua formação possibilita o aumento da oferta de alimentos de origem aquática com elevada qualidade nutricional. Para Ronzani, "as indústrias de pesca e de alimentos são ótimas opções de atuação. O profissional pode ir a campo e contribuir no desenvolvimento de projetos e na melhoria de processos".
Fonte: ww1.universia.com.br