Os aracnídeos (gr. arachne = aranha) incluem aranhas, escorpiões, pseudo-escorpiões, carrapatos, ácaros e alguns outros grupos.
Provavelmente os primeiros aracnídeos eram aquáticos, mas, atualmente, os viventes são terrestres.
Esta migração de um ambiente aquático para o terrestre exigiu algumas modificações fundamentais, como: aumento e impermeabilidade da cutícula, as brânquias foliáceas modificaram-se em pulmões foliáceos e traquéias, desenvolvimento de apêndices especializados à locomoção terrestre.
Além disso, um grande número de modificações surgiram ao longo da evolução deste grupo, como o desenvolvimento de glândulas produtoras de seda por parte das aranhas, dos pseudo-escorpiões e de alguns ácaros, usadas para construir ninhos, abrigos, casulos de ovos e outras finalidades e também glândulas produtoras de veneno em escorpiões e aranhas.
Corpo dividido em:
Prossomo
Não segmentado, coberto por carapaça sólida.
Abdome
Segmentado, dividido em pré e pós-abdome. Na maioria dos aracnídeos, essa divisão desapareceu em virtude da fusão dos segmentos.
Os apêndices têm origem no prossomo e constam de um par de quelíceras, um par de pedipalpos e 4 pares de pernas.

Escorpião. A, estrutura interna; B, vista externa da região ventral
Nutrição
A maioria dos aracnídeos é carnívora e a digestão ocorre parcialmente fora do corpo. Enquanto a presa é morta pelas quelíceras e pedipalpos, enzimas secretadas pelo intestino médio são lançadas nos tecidos dilacerados da presa.
O caldo parcialmente digerido é ingerido, passando pela boca, faringe, esôfago, intestino anterior, intestino médio com divertículos laterais que se enchem com o caldo alimentar.
Depois que o alimento chega ao intestino médio, são lançadas enzimas digestivas para completar a digestão. Grande parte do alimento é armazenado nas células dos divertículos. Em seguida os restos alimentares vão ao intestino posterior, à câmara cloacal (depósito) e finalmente ao orifício retal.
Excreção
O produto excretado mais importante é a guanina. Os órgãos excretores são as glândulas coxais e os túbulos de Malpighi. As glândulas coxais são sacos esféricos situados ao longo do prossomo, que coletam detritos do sangue circundante e são lançados ao exterior por poros que se abrem na coxa dos apêndices.
Os túbulos de Malpighi consistem de 1 ou 2 pares de tubos delgados com origem na parte posterior do intestino médio, ramificando-se anteriormente. Os detritos passam do sangue para os túbulos de Malpighi e deles para o intestino.
Sistema Nervoso
O cérebro é uma massa ganglionar anterior situada acima do esôfago. Contêm os centros ópticos e os destinados às quelíceras. O restante do sistema nervoso consta de nervos e gânglios localizados no abdome e tórax.
Os órgãos sensoriais são freqüentemente os pêlos sensoriais, olho e órgãos sensoriais em fenda (detecção de vibrações sonoras).
Trocas Gasosas
Os aracnídeos possuem pulmões foliáceos, traquéias ou ambos. Os pulmões foliáceos são menos derivados e provavelmente são uma modificação das brânquias foliáceas, associadas à ocupação do ambiente terrestre. Estão localizados no ventre do abdome. Os escorpiões têm até 4 pares, cada um ocupando um segmento distinto. Cada pulmão é formado por lamelas e a difusão de gases ocorre entre o sangue circulante no interior da lamela e o ar dos espaços interlamelares.
O sistema traqueal é análogo ao dos insetos, mas evoluiu independentemente. Parece ser uma derivação dos pulmões foliáceos. As traquéias tendem a ser mais desenvolvidas nos aracnídeos pequenos. São revestidas de quitina e terminam em pequenos túbulos cheios de líquido que fornecem oxigênio diretamente aos tecidos. São mais eficazes que os pulmões foliáceos, sendo que em alguns escorpiões e aranhas que possuem somente pulmões foliáceos, existe também um pigmento, a hemocianina, que auxilia no transporte de gases.
Sistema Circulatório
O coração está no abdome, de onde sai a aorta anterior que irriga o prossomo, e a aorta posterior que dirige-se à metade posterior do abdome. Pequenas artérias lançam o sangue nos espaços tissulares e num grande seio venal que banha os pulmões foliáceos. Um ou mais canais venosos levam o sangue do seio venal ou dos pulmões até o coração.
Reprodução
São dióicos, com fecundação interna e desenvolvimento direto nas aranhas e escorpiões, e indireto nos carrapatos. O orifício genital está localizado no lado ventral do segundo segmento abdominal. Pode ocorrer transmissão indireta de espermatozóides, via espermatóforo. Freqüentemente há corte antes do acasalamento. A fêmea especialmente responde a estímulos químicos, táteis ou visuais.

Aranha À esquerda, pulmão foliáceo de uma aranha (adaptado de Barnes,
Calow & Olive, 1995).
As principais ordens da Classe Aracnida são:
Scorpiones, Pseudoescorpiones, Opiliones, Araneae e Acarina, entre outras menos representativas.
Inclui os escorpiões e são os mais antigos artrópodes terrestres conhecidos. Seu registro fóssil data do Siluriano. São comuns em áreas tropicais e subtropicais.
São de hábitos noturnos e crípticos, carnívoros predadores, alimentando-se principalmente de insetos.
O corpo está dividido em prossomo e abdome longo que termina em um aguilhão pontiagudo. O prossomo é curto e tem 2 a 5 pares de pequenos olhos laterais.
As quelíceras são pequenas, enquanto que os pedipalpos são enormes e formam um par de pinças destinadas à captura de presas. Cada perna termina em 2 pares de garras.
O abdome é dividido em pré, com 7 segmentos e pós, com 5 segmentos. Os opérculos genitais estão logo após o esterno, no lado ventral, e consistem de 2 placas que cobrem a abertura genital. Atrás destas estão os pentes sensoriais, que são responsáveis pelas sensações táteis, provavelmente.
Do segundo ao quinto segmento do abdome, há um par de fendas transversais (estigmas) que são as aberturas dos pulmões foliáceos.
Os segmentos do pós abdome parecem com estreitos anéis, sendo que o último contém a abertura retal e também sustenta o télson e o aguilhão.
Há pouco dimorfismo sexual. A característica mais útil para a diferenciação é o gancho presente nas placas operculares do macho.
Os machos podem ter o abdome maior que as fêmeas, mas a característica mais marcante para a distinção dos sexos nos escorpiões é o gancho presente nas placas operculares do macho. Em cada sexo, o átrio genital comum abre-se para o meio externo entre os opérculos genitais no primeiro segmento abdominal.
Durante a estação de acasalamento, o macho perambula até encontrar uma fêmea, com quem inicia uma prolongada corte. Em algumas espécies, macho e fêmea encaram-se, cada um erguendo seu abdome e elevando-o para o ar, movimentando-se em círculos; em outras, o macho agita-se.

Escorpião Androctonus australis -vista ventral.